Esta coluna passará a trazer artigos especiais de pessoas que são referência e têm papel fundamental no mercado da comunicação do Rio Grande do Sul — as nossas Vozes do Mercado. Nos próximos dias deste início de 2026, esses profissionais vão compartilhar suas expectativas, leituras de cenário e as tendências em que acreditam para o ano, ajudando a desenhar, em tempo real, o que está por vir. Vamos guardar cada uma dessas colunas com muito carinho, para que, ao final do ano, possamos revisitá-las, confrontar previsões com a realidade e compreender como 2026, de fato, foi se construindo passo a passo. Porém também traremos as notícias do mercado, em matérias, notas e artigos. Boa leitura!
Desejo velhos valores e novos formatos
Por Annie Muller – Diretora Protarget
O novo ano chegou e nem tudo é novo. Pelo contrário, a maioria é repetição. Eu desejo que a gente repita mesmo os velhos valores: vínculos e afetos verdadeiros, conexões profissionais justas e de qualidade, leituras relevantes, investimento equilibrado do tempo entre trabalho, saúde, família e lazer. Que a gente possa repetir os valores que nos tornam humanos, porque o resto, sim, é tudo novo de novo: a inteligência artificial e o uso de dados cada vez mais avançados e autônomos, a otimização do trabalho operacional e do que é considerado banal. Desejo que possamos usar e combinar esses recursos que são tão abundantes hoje: a informação, mas com responsabilidade. Aproveitando: desejo mais qualidade do que quantidade, mais conhecimento do que apenas dados. Desejo menos polarização e mais discussão respeitosa. Mais escuta e menos barulho.
Inteligência ampliada é a combinação da inteligência humana com a inteligência artificial. No South by Southwest do ano passado, o termo já ganhou os palcos e as cabeças de todos nós. É este o caminho do meio e é o caminho que eu desejo. Os dias de hoje se tornaram mais fáceis com a tecnologia. Mas os dias de amanhã sucumbirão se não mantermos e aumentarmos a capacidade analítica de pensar e refletir sobre o que fazemos. Desejo isso para mim, para os meus colegas e clientes, para o meu time e para os meus filhos. Desejo mais livros, arte e música: as fontes (e pontes) que criam a cultura e a capacidade de concluir por nós mesmos.
Quero novas viagens e paisagens. E, se for possível, adoraria que sobrasse um tempinho para reviver destinos conhecidos. A intimidade é uma busca da atualidade. Nela está a tendência de comportamento da nostalgia, tão abordada pelos birôs de pesquisa, tão presente nas redes sociais. Não à toa a primeira #trend de 2026 foi a volta ao ano de 2016.
Eu sigo como mantra a frase “basta abrir os olhos para estar cego”, que aprendi com um guru budista e cujo significado nos lembra que os nossos olhos são lentes que limitam nossa experiência. Desejo, talvez acima de todos os itens da listinha de desejos, que a gente busque olhar sem tanto filtro pessoal e abra espaço para a visão de coletivo.
Como a gente sabe, nada mais velho e mais necessário do que cuidar dos nossos e da nossa comunidade. O homem saiu da caverna, mas ainda carece de aprender a ser menos bruto e mais amigo. Que 2026 seja leve na vida pessoal, profissional, no on, no off, que no final é tudo um ecossistema só.
Em 2026, não ande no acostamento
Por Marcos Eizerik- CMO PFC Hub de Comunicação Afetiva & Efetiva
– Marcos, o que pensas sobre 2026 na área de comunicação e tua visão pessoal?
– Nenê, qual o espaço? Quantos caracteres?
– Sem limite de espaço.
No digital? Um mar revolto onde, apesar dos brasileiros passarem 9 horas e 13 minutos por dia, mensagens com mais de 12 segundos tendem a morrer afogadas no meio de tantas outras, de tantas ondas.
Se continuas aqui depois destes, até agora, 33 segundos, este texto não morreu na praia.
Mar, ondas, praia… vamos por aí.
A caminho do litoral, fiz uma viagem de para e anda. Foi nesse ritmo que notei alguns carros voando pelo acostamento.
Mas e se houver um veículo parado porque o motor aqueceu demais? Alguém trocando o pneu? A mãe ao lado do seu filhinho enquanto ele faz xixi?
Os minutos que os motoristas de acostamento ganham não valem nem um segundo das vidas que eles podem tirar.
Quem anda pelo acostamento é da mesma espécie que fura fila; que consome o produto no supermercado sem pagar; que condena o terrorismo colocando muitos “mas”; que participa de concorrência sem cobrar pelo trabalho; que faz texto com IA falando mal da AI e, provavelmente, que é politicamente chato.
Mais do que pensar sobre 2026, pretendo fazer.
Fazer cada momento ao lado da minha família valer a pena. Viajar com a Natália, treinar com o Gabriel e aprender com a Dauana. Minha filha, meu filho e minha proprietária.
Exatamente ao lado dela, me divertir fazendo comunicação, publicidade, construindo marcas, aumentando vendas.
Fazer da PFC um hub de comunicação onde o cliente encontra o que ele quer e o que precisa.
Para isso, a entrada oficial da Dauana na PFC. Ela é o brain. Eu sou o storm. Ela já é responsável pela terceira onda da PFC. A que nos deu o melhor final de ano da nossa história graças aos nossos clientes terem seu melhor final de ano.
Pera aí: onda? Pegamos novamente a estrada para a praia. De caminho a esse 2026 que está em pleno movimento. Ano de múltiplos feriados, Copa, eleição e que tem a pergunta do Nenê:
– O que pensas sobre 2026, qual tua visão?
– Meu olhar, que já passou por São Paulo, Lisboa e Barcelona, crê que devemos ter menos storytelling e mais storydoing; que devemos respeitar valores acima de verbas, que devemos lembrar que a criatividade estratégica torna marcas inesquecíveis, que a estratégia criativa faz a venda ser recorrente e, principalmente, que não devemos andar no acostamento da comunicação, da vida.
– Nenê, sem contar espaços como você falou, 2026 caracteres.
OOH redefine o cenário urbano e projeta o futuro para 2026
Marcela Fróes da Motta Mattos – Diretora comercial da Midialand
Em um mundo onde a atenção é disputada segundo a segundo e onde as telas dos smartphones já operam em estado de saturação a mídia OOH (Out of Home) reafirma sua relevância ao ocupar os espaços urbanos de forma inteligente, criativa e cada vez mais conectada. O que antes era visto como um meio complementar hoje se consolida como parte estratégica dos planejamentos de mídia, impactando o público em tempo real e dialogando diretamente com o contexto da cidade.
A transformação do OOH nos últimos anos foi acelerada pela tecnologia. De painéis estáticos a experiências interativas, dados e inteligência artificial, a mídia exterior deixou de ser apenas presença para se tornar experiência, performance e conversa com o consumidor final.
DOOH como protagonista do crescimento
A principal tendência global do setor e que segue ganhando força rumo a 2026 é o Digital Out of Home (DOOH). Telas digitais conectadas, programáticas e dinâmicas transformaram a forma como marcas se comunicam nas ruas. A possibilidade de atualizar campanhas em tempo real, personalizar mensagens por contexto, horário, clima ou localização coloca o OOH definitivamente em sintonia com a lógica da mídia digital.
As expectativas para 2026 indicam que o DOOH continuará sendo o principal motor de crescimento do OOH, ampliando sua participação no mix de mídia global e nacional. Mais do que um formato, ele se consolida como uma plataforma de comunicação viva, capaz de reagir ao ambiente urbano e ao comportamento das pessoas.
Dados, contexto e integração omnichannel
À medida que avançamos para 2026, campanhas OOH tendem a ser cada vez mais orientadas por dados de geolocalização, mobilidade, comportamento e audiência em tempo real. A integração com dispositivos móveis fortalece estratégias omnichannel, permitindo que o impacto das ruas se desdobre em múltiplos pontos de contato.
QR Codes, ativações geolocalizadas, sincronização com campanhas digitais e cruzamento com dados de navegação tornam o OOH um elo fundamental entre o mundo físico e o digital. O meio deixa de ser apenas topo de funil e passa a atuar também como gerador de tráfego, engajamento e consideração.
Sustentabilidade e gentileza urbana ganham protagonismo
A chamada “onda verde” já faz parte da realidade da mídia exterior e deve se intensificar nos próximos anos. Projetos de Gentileza Urbana, que incorporam materiais recicláveis, estruturas verdes, energia limpa e devolutiva social para as cidades, ganham cada vez mais espaço nos grandes centros urbanos.
Em 2026, a expectativa é que sustentabilidade deixe de ser diferencial e passe a ser critério de escolha — tanto para marcas quanto para exibidores. A mídia exterior assume um papel que vai além da comunicação: ela participa da construção de cidades mais humanas, inteligentes e visualmente qualificadas.
OOH no Brasil: resiliência, crescimento e inovação
No Brasil, um país de dimensões continentais e grande diversidade urbana, o OOH segue demonstrando resiliência e capacidade de adaptação. Dados do CENP Meios indicam crescimento contínuo da participação da mídia exterior nos investimentos publicitários, reforçando sua relevância no cenário nacional.
As grandes capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba — continuam sendo vitrines de inovação, com forte presença de DOOH e projetos que integram mídia, experiência e urbanismo. Mais do que comprar espaços, marcas passam a enxergar o OOH como parte da jornada do consumidor urbano, conectando presença física, storytelling e tecnologia.
O futuro já está nas ruas
O desafio para o(s) próximo(s) ano(s) será seguir avançando em métricas, atribuição e integração com o digital, sem perder a essência do OOH: ser uma mídia urbana, humana e presente no cotidiano das pessoas.
Olhando para 2026, o futuro da mídia exterior já não é uma promessa — ele já está nas ruas, e é um futuro mais inteligente, dinâmico, sustentável e conectado do que nunca.
A Docile leva a Fábrica da Gentileza para a Planeta Atlântida 2026 em uma ativação inédita
Como parceira oficial do maior festival de música do Sul do Brasil, a Docile retorna ao Planeta Atlântida por mais um ano, com o objetivo de oferecer ao público uma experiência de marca completa. Em 2026, essa parceria entra em um novo capítulo com a chegada da Fábrica da Gentileza, uma ativação singular que complementa uma estratégia 360º, integrando experiência, conteúdo, mídia e engajamento ao longo de toda a jornada do festival.
Nos dias 30 e 31 de janeiro, em Atlântida (RS), a Docile estará presente em diferentes pontos do evento, com ativações na área VIP Inferior, áreas de descanso na Arena, distribuição de produtos e brindes, além da venda direta de produtos nos bares. O objetivo é acompanhar o público durante todo o evento, oferecendo momentos de pausa, energia e doçura entre os espetáculos da programação. O destaque da ação é a Pulseira Docile, um produto simbólico da Planeta Atlântida e voltado para o público jovem.
Na área VIP, a atividade Fábrica da Gentileza convidará o público a uma dinâmica cooperativa, incentivando o engajamento, o trabalho em equipe e a interação. Nesta atividade, os participantes trabalharão em duplas – e em sincronia – para desbloquear prêmios e brindes da marca, que estarão disponíveis em uma esteira rolante simulando o funcionamento real de uma fábrica de doces. Doces, brindes exclusivos, produtos de parceiros e cupons de desconto são alguns dos prêmios que podem ser ganhos.
“Planeta Atlântida faz parte da nossa estratégia de marca. É uma plataforma onde colocamos em prática o posicionamento ‘A gentileza transforma tudo’ e, ao mesmo tempo, criamos oportunidades reais para experimentação de produtos para um público aberto a novidades. Nossa preocupação é sempre oferecer experiências únicas que reflitam quem somos como marca e transformar momentos comuns em experiências memoráveis. Estar presente no maior festival do Sul também reforça a liderança da Docile no Rio Grande do Sul e a conexão entre marca, produto e negócio”, afirma Jaqueline Hartmann, Gerente de Marketing da Docile.
Uma equipe de influenciadores também fará parte da estratégia da marca para amplificar ainda mais a mensagem “Aproveitar com gentileza transforma o planeta”, que reforça a campanha institucional “Gentileza transforma tudo”. Nesta ocasião, os criadores terão uma experiência imersiva na fábrica durante a semana que antecede o festival e também participarão das atividades planejadas para os dois dias do evento.
A Docile também terá seu alcance ampliado por meio de mídias integradas, com presença em telões, rádio, redes sociais e conteúdo digital antes, durante e depois do festival, reforçando a conexão da marca com o povo do Rio Grande do Sul e sua presença em momentos de celebração coletiva.
Gentileza de dentro para fora
Além das experiências com o público, a Docile também transforma a Planeta Atlântida em uma plataforma de engajamento interno e fortalecimento da cultura da empresa, permitindo que funcionários de diferentes áreas vivenciem a marca em primeira mão durante o festival.
A iniciativa reforça o sentimento de pertencimento, a conexão com o propósito “A gentileza transforma tudo” e uma compreensão genuína de como a Docile se posiciona, se relaciona com os consumidores e ativa sua presença em grandes eventos culturais. Essa ação faz parte da estratégia interna de marketing e de Pessoas e Gestão, valorizando a equipe como parte ativa na construção e no crescimento da marca.
As tendências de tecnologia que acelerarão o Brasil em 2026
Por Rafael Leopoldo – Diretor de Crescimento e Tecnologia da Selbetti
A atualização da inteligência artificial nas empresas brasileiras em 2025 mudou o eixo das discussões sobre tecnologia. De acordo com levantamento da AWS, 9 milhões de empresas no país já utilizam IA de forma sistemática – um aumento de 29% em apenas um ano. Mas, enquanto a inteligência artificial concentra a atenção, outras tecnologias menos visíveis, porém decisivas, avançam em paralelo e preparam terreno para uma transformação estrutural.
Para entender quais serão as principais tendências que devem dominar a tecnologia de ponta no Brasil a partir do próximo ano, realizamos um levantamento no mercado nacional, cruzando dados de tendências já mapeadas pelo Gartner com informações do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Os temas identificados refletem um novo ciclo de prioridades: mais integração, menos improviso; mais segurança, menos exagero. E devemos orientar as decisões de investimento de empresas privadas e órgãos públicos até o fim da década.
As ofertas de apostas tecnológicas especiais anualmente por analistas globais, apenas uma fração tem aderência real à realidade brasileira. Fatores como infraestrutura, regulação, maturidade digital e prioridades setoriais moldam o que, de fato, podem ser escalados localmente. A seleção a seguir foca em tendências com aplicação prática e impacto direto sobre os desafios e oportunidades do país nos próximos três anos.
Plataformas de desenvolvimento nativo em IA
A forma como as empresas desenvolvem software no Brasil está prestes a passar por uma transformação radical. As plataformas nativas em inteligência artificial, que permitem criar aplicações inteiras por meio de prompts em linguagem natural, vêm sendo rapidamente impostas por startups e empresas de grande porte no país, oferecendo um caminho direto para contornar as deficiências de desenvolvedores e acelerar a entrega de soluções digitais.
A tendência, listada pelo Gartner como uma das principais transformações estratégicas para os próximos anos, aponta para um cenário em que a maior parte do código corporativo será gerada, atualizada ou revisada por IA. Para um país com carência de profissionais especializados, mas com alta demanda por digitalização, o aumento de produtividade pode ser enorme.
Automação inteligente de processos (RPA/IPA)
A busca pela eficiência operacional, a deficiência de mão de obra comprometida e a pressão por escalabilidade são os principais fatores que levaram a automação de processos a ocupar um papel de destaque nas estratégias de transformação digital no Brasil. Neste ano, a tecnologia deu um salto qualitativo: o modelo clássico de automação robótica (RPA), antes limitado a fluxos fixos e tarefas repetitivas, foi incorporado a recursos de inteligência artificial, dando origem ao que o mercado já chama de IPA, ou Intelligent Process Automation.
O conceito vai além de bots que replicam cliques: trata-se de sistemas que leem documentos, interpretam comandos em linguagem natural, tomam decisões com base em aprendizado de máquina e executam ações integradas entre plataformas.
Esse movimento não é novo, mas alcançou uma nova escala com a integração da IA generativa com ferramentas de automação.
E o que antes era privilégio de grandes bancos e multinacionais tornou-se acessível para empresas de médio porte, graças à privacidade de soluções SaaS, plataformas low-code e orquestradores de automação em nuvem.
Plataformas de segurança para IA + cibersegurança preditiva
O conceito de cibersegurança preditiva, já mapeado pelo Gartner como tendência estratégica, pressupõe uma mudança de postura. Em vez de simplesmente detectar e reagir a incidentes após sua ocorrência, as empresas passam a atuar de forma antecipada, utilizando algoritmos de previsão, análise comportamental e automação inteligente para bloquear ameaças antes que causem impacto.
No Brasil, essa abordagem ainda é nova, assim como o uso estruturado de agentes de IA dedicados à segurança digital. A maior parte das empresas ainda opera com ferramentas reativas, baseadas em assinaturas e regras fixas. Mas essa realidade começa a mudar, puxada principalmente pelos setores financeiro, telecom e varejo, onde os primeiros projetos com arquiteturas preditivas já mostram resultados concretos em redução de tempo de resposta e mitigação de riscos complexos.
Cloud computing e soberania de dados: a nuvem como ativo estratégico
De acordo com o Panorama Cloud 2025, levantamento realizado pela TOTVS em parceria com a H2R Pesquisas Avançadas, 77% das empresas brasileiras já utilizam serviços em nuvem no dia a dia, e 61% adotam a nuvem como infraestrutura principal, com sistemas, dados e aplicações operando diretamente em ambientes de nuvem, e não apenas como suporte a servidores locais.
A tendência, mapeada pelo Gartner como uma das mais relevantes para os próximos anos, reflete um movimento global em resposta a riscos geopolíticos, legislações extraterritoriais e disputas por autonomia tecnológica.
No Brasil, um marco dessa inflexão foi a criação da Nuvem de Governo Soberana, infraestrutura oficial lançada pelo governo federal em setembro passado. Operada por estatais como Serpro e Dataprev, com data centers localizados no país, ela abriga sistemas sensíveis de administração pública e já está conectada a mais de 250 órgãos.
Arquiteturas modernas de dados (Lakehouse + Data Mesh)
A explosão do volume de dados nas empresas brasileiras, somada à pressão por agilidade e qualidade analítica, acelerou a adoção de novas arquiteturas capazes de romper com os modelos tradicionais de armazenamento e consumo de informação. Duas dessas abordagens, Data Lakehouse e Data Mesh, vêm ganhando espaço em organizações que enfrentam dificuldades com silos, duplicidade de dados e lentidão na entrega de insights.
Essa tendência também está no radar do Gartner, que aponta o lakehouse como parte de uma evolução natural das plataformas de dados e do Data Mesh como uma das abordagens organizacionais mais promissoras para escalar analytics com eficiência.
Análises em tempo real inteligência
Tomar decisões com base em dados atualizados, no momento em que os fatos ocorridos, deixaram de ser vantagem competitiva para se tornar exigência operacional em setores como finanças, varejo e logística.
No Brasil, os bancos usam análises em tempo real para barrar fraudes em milissegundos, empresas de e-commerce ajustam ofertas conforme o comportamento de navegação, e operadoras de telecomunicações monitoram anomalias na rede com respostas automatizadas.
Mas o movimento não para nenhum tempo real. O passo seguinte é a adoção da chamada de inteligência de decisões (Decision Intelligence), que estrutura a tomada de decisão a partir de modelos analíticos, regras de negócio e aprendizado de máquina, muitas vezes de forma autônoma. O Gartner lista a Inteligência de Decisão como uma das tendências mais relevantes até 2026.
Modelos de linguagem específicos por domínio (DSLMs)
Com o avanço da inteligência artificial generativa, as empresas brasileiras começaram a perceber uma limitação importante nos modelos de linguagem generalistas: eles responderam bem em tarefas amplas, mas falham quando o contexto exige conhecimento técnico, terminologia especializada ou nuances regulatórias. É nesse ponto que ganham relevância os modelos de linguagem específicos por domínio, ou DSLMs – modelos treinados ou ajustados com dados próprios de setores como jurídico, financeiro, saúde ou varejo.
O Gartner prevê que, até 2028, a maior parte das aplicações de IA generativa corporativa será baseada em modelos específicos por domínio — não em LLMs genéricos. No Brasil, esse movimento é reforçado por dois fatores: a necessidade de operar em português com precisão e o esforço para manter os dados sensíveis dentro do perímetro da empresa. A criação de DSLMs é, portanto, uma etapa natural na profissionalização da IA corporativa, e uma estratégia de definição real num mercado cada vez mais saturada por soluções genéricas.
Conectividade: uma base invisível da transformação digital
Nenhuma tendência tecnológica é sustentada sem uma infraestrutura de conexão confiável, rápida e distribuída. Neste ano, o Brasil avançou significativamente nesse quesito. Já são mais de 1.500 municípios com cobertura ativa de 5G, e cerca de 70% da população tem acesso à nova geração de redes móveis, segundo dados da Anatel. Ao mesmo tempo, o número de conexões por fibra óptica ultrapassou 45 milhões, consolidando o país como líder em banda larga fixa na América Latina. Essa nova malha de conectividade viabiliza tudo: IA em tempo real, sensores no campo, edge computing, streaming de alta resolução e operações digitais fora dos grandes centros.
O país ainda enfrenta desafios em áreas rurais e periferias urbanas, mas a infraestrutura montada nos últimos dois anos mudou o patamar, e preparou terreno para o próximo salto da digitalização.
O que essas tendências dizem sobre o futuro
Mais do que examinamos tecnologias promissoras, o conjunto dessas dez tendências revela um padrão claro: o Brasil está entrando em um novo estágio de atualização digital, em que eficiência, autonomia, governança e confiabilidade substituem o improviso, a dependência e o hype vazio. A IA segue no centro, mas deixa de operar sozinha, ganha corpo ao se integrar a dados bem estruturados, redes mais ágeis, arquiteturas flexíveis e ambientes de nuvem sob controle.
Nos próximos três anos, serão essas camadas, menos visíveis, mas estruturantes, que irão separar as organizações que crescem de forma sustentável naquelas que apenas aderem aos modismos. E é nesse terreno que se define o papel da tecnologia não como ferramenta de suporte, mas como eixo de transformação estratégica no Brasil.
Tendências que devem moldar marketing e vendas em 2026
O cenário de 2026 tende a ser ainda mais imprevisível para os profissionais que precisam definir as estratégias da empresa e das marcas. Esse é um dos resultados da pesquisa Panorama de Marketing e Vendas 2025, realizada pela RD Station.
Segundo a companhia, a complexidade do atual cenário faz com que as empresas sejam obrigadas a reorientar suas estratégias sobretudo em relação à mídia paga, conteúdo de SEO e social selling.
Veja, abaixo, as dez principais tendências para marketing e vendas em 2026, de acordo com a RD Station:
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IA como infraestrutura estratégica
A inteligência artificial passa a orientar todos os processos, da criação ao atendimento e, no marketing, ganha espaço como plataforma de automação para, por exemplo, criar variações de anúncios ou redigir e-mails. Já na área de vendas, a IA se conecta ao CRM para qualificar a análise de dados e previsão de resultados.
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SEO para IA (GEO) e busca zero-click
O trabalho de Search Engine Optimization (SEO) muda totalmente a partir da maior utilização das plataformas de IA como buscadores. Nesse contexto, surge o Generative Engine Optimization (GEO), com estratégias de otimização para buscas voltas a IA, que exigem nova estrutura semântica e maior reputação digital.
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A mídia paga perde previsibilidade
Com a inflação dos custos no ambiente da mídia digital, a RD Station alerta sobre a importância de diversificar canais ao longo do funil de compras.
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Conteúdo curtos + conteúdos profundos
A dicotomia entre a publicação de conteúdos curtos ou mais longos tende a deixar de existir e as marcas já percebem a importância de equilibrar as duas estratégias. Se os vídeos mais rápidos funcionam como porta de entrada para a audiência, filmes mais longos e detalhados ajudam a balizar decisões e ampliar o prestígio das marcas.
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Social selling como obrigação
Para as vendas, o WhatsApp deve ganhar ainda mais relevância, colocando o meio digital no centro das relações entre empresas e clientes. Os criadores de conteúdo das próprias empresas também devem ter sua presença ampliada, atuando como vendedores.
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Valor da marca volta ao centro da estratégia
Nesse novo cenário de buscas centralizadas nas plataformas de IA, tendem a chamar mais atenção as empresas que tenham consistência narrativa clara e que possam ser percebidas como confiável. Para isso, a empresa aponta a importância de as empresas serem humanas e originais em seu relacionamento com os consumidores.
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Comercial orientado por dados, CRM e automação
Dados, indicadores e previsões serão ainda mais determinantes para as estratégias de marketing e vendas, gerando uma grande mudança cultural comercial que, agora, passa a ser mais científica e menos empírica.
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Personalização em escala com IA e first-party data
Em um movimento que já começou nos últimos anos, os dados proprietários passam a ser ativos ainda mais valiosos para as operações e, agora, ganham o enriquecimento da inteligência artificial. Dominar os dados próprios deixa de ser vantagem e se torna um pré-requisito para as estratégias.
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União entre marketing e vendas com RevOps e SLAs claros
As RevOps (operações de receita) assumem papel operacional com metas unificadas, indicadores compartilhados e processos sincronizados, fazendo com que as campanhas nascem de diagnósticos e auditorias e não de intuições.
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Valorização dos times híbridos e especialistas multidisciplinares
Com a IA assumindo parte das tarefas mecânicas, as equipes tendem a ser compostas por profissionais com entendimento amplo do ecossistema da operação.
Copa do Mundo ganha espaço estratégico na mídia OOH
Por Bárbara Sacchitiello
As telas de mídia out-of-home, que ficam espalhadas por terminais de metrô e ônibus, aeroportos, elevadores, shoppings centers e outros locais de grande circulação, não irão transmitir os jogos da Copa do Mundo. Ainda assim, a competição de seleções da Fifa tem sido tratada pelas empresas do setor como um dos produtos mais estratégicos do ano.
Desde o ano passado, empresas como Neooh, Helloo, Eletromidia e, mais recentemente, a JCDecaux, apresentaram ao mercado planos comerciais que contemplam visibilidade para as notícias e assuntos relacionados à cobertura da Copa do Mundo e, em meio a isso, espaços para a divulgação das marcas que queiram se conectar com os torcedores.
Helloo e Neooh
Ainda em setembro de 2025, as empresas de mídia out-of-home Helloo e Neooh apresentaram seu pacote para a Copa do Mundo, que conta também com a participação do UOL.
A proposta das três empresas é aproveitar todo o inventário de telas de Neooh e Helloo para inserir conteúdo e informações sobre a competição da Fifa que serão produzidos pelo UOL.
Embora o UOL não tenha os direitos de transmissão dos jogos, o portal promete, mais uma vez, uma grande mobilização em torno da cobertura do evento, com equipes de jornalistas e comentaristas diretamente dos países-sede para acompanhar as notícias da seleção brasileira e das demais concorrentes à taça.
Boa parte do conteúdo do UOL relacionado ao Mundial será adaptado e replicado para as telas de Helloo e Neooh. A ideia é fazer com que as pessoas tenham ao seu alcance as principais notícias e informações sobre a Copa do Mundo, desde quando acordam, via smartphones, passando por elevadores, shoppings, terminais ao longo do dia e terminando, por exemplo, na TV conectada.
Outra estratégia do plano comercial é ir além das telas e oferecer experiências à torcida. Famoso no Rio de Janeiro, o Camarote N1 terá uma versão em São Paulo especialmente para a Copa do Mundo, no formato de uma festa para convidados, em local ainda a ser definido, nos dias de jogos da seleção brasileira.
Eletromidia
Já em outubro, em seu upfront, foi a vez de a Eletromidia apresentar seus projetos comerciais para o ano de 2026, colocando a Copa do Mundo em destaque. E, para o evento, a empresa conta com a força do conteúdo da Globo, empresa que passou a controlar a Eletromidia desde novembro de 2024.
Para a Copa do Mundo, a empresa de mídia out-of-home oferecerá às marcas, por exemplo, o Circuito Verde-Amarelo e o Blast Copa, pacotes que contemplam ampla exposição dos patrocinadores em telas, em meio à notícias em tempo real e informações, oriundas da Globo, sobre a competição.
Durante a Copa do Mundo de 2026, todas as telas da Eletromidia exibirão gols em 3D em tempo real, com a proposta de transformar ruas e estações em grandes arenas urbanas.
As marcas ainda poderão criar Fan Stations, que são espaços de convivência e ativação, durante o torneio.
JCDecaux
Já a JCDecaux aproveitou o início de 2026 para apresentar ao mercado publicitário seu plano de cobertura da Copa do Mundo, que também conta com um player de mídia parceiro – nesse caso, a TNT Sports.
Com o nome de “A Torcida Ocupa a Cidade” o projeto pretende aproveitar as telas da companhia, instaladas em locais como mobiliário urbano, aeroportos e estações de metrô, para levar informações sobre a Copa do Mundo produzidas pelo TNT Sports.
Para os anunciantes, a ideia é conectar as marcas ao longo da jornada das torcidas, acompanhando o público nos deslocamentos diários e, sobretudo, nos dias dos jogos da seleção brasileira.
Ao todo, o projeto da JCDecaux e TNT Sports prevê a entrega de 10 bilhões de impactos, por meio da veiculação em 2 mil faces digitais do inventário da companhia espalhadas por São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Brasília, Campinas, Fortaleza e Belém.
Em alguns locais, como no Aeroporto de Guarulhos em São Paulo, por exemplo, e no de Brasília, os patrocinadores também poderão realizar ativações.
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