Flavio Corrêa (Faveco) – 21-02-20

SINCERITUDES

Por Flavio Corrêa (Faveco) – Brandmotion Consultoria de Fusões e Aquisições

O Ministro Paulo Guedes já tinha popularizado o termo “parasita”, antes de o homônimo filme coreano ganhar o Oscar. Uma pena que esta “sinceritude” ministerial tenha atrapalhado o andamento da reforma administrativa, que o Estado de S. Paulo, em editorial, classificou como importante para o “saneamento do serviço público”.
Não é de hoje que a sociedade reconhece a necessidade desta reforma, como apontam as pesquisas, entre outras que estão sendo discutidas, como a tributária e o pacto federativo.
Não se trata de uma investida arrasadora e irrestrita contra os funcionários públicos em geral, mesmo porque a população sabe avaliar a contribuição dessa classe indispensável. É claro que existe uma enorme quantidade de funcionários exemplares sem os quais não teríamos acesso a serviços essenciais. A indignação é contra os invencíveis marajás que ostentam supersalários e aposentadorias milionárias que custam ao país mais de R$ 20 bilhões ao ano, e que transformaram o Brasil no país dos privilégios. Garimpando rapidamente no Dr. Google a gente descobre coisas do arco da velha e de arrepiar os cabelos, como o caso da dentista que leva uma vida confortável no Rio de Janeiro. Independentemente do que possa faturar na sua profissão, ela recebe dos cofres públicos uma remuneração fixa de R$ 43 mil mensais, mesmo sem nunca ter trabalhado no governo. Trata-se de uma pensão a que tem direito simplesmente porque é filha de um desembargador já falecido. Como ela não se casou no papel, mas só de fato, embora com direito a festa e vestido de noiva, passou a receber o pecúlio que era do seu pai. Na mesma situação, encontram-se no Brasil outras 20 mil mulheres já identificadas pelo TCU, isso apenas no judiciário. São casos como esse que ameaçam o futuro das aposentadorias de milhões de brasileiros.
O Estado gasta uma fortuna para manter a máquina, o que dificulta o ajuste fiscal.
Enquanto a reforma administrativa patina e não sai do lugar, vale recordar alguns dos benefícios que premiam esta casta.
Auxilio-Refeição, pago em dinheiro para custear alimentação do servidor durante sua jornada de trabalho; Auxílio-Transporte; Vale Alimentação; Auxílio Acidente; Auxilio Doença; Auxílio Funeral; Pensão Mensal em favor do dependente do servidor falecido; Salário Esposa; Salário Família, etc.
O servidor público é um dos maiores problemas que o Brasil tem hoje, afirmou o juiz Marlos Merck, do tribunal Regional do Trabalho do Paraná (TRT-9). A generalização não é correta. O problema maior é a imensa lista de privilégios, aos quais se somam estabilidade de emprego e progressão de carreira por tempo de serviço e não por mérito, defeitos que urge sanear.
Nos últimos 15 anos, o aumento do número de servidores federais foi de 34%, muito maior do que o crescimento populacional, que foi de 15% no período, enquanto a sua remuneração média subiu 53% além da inflação, ampliando para 96% a diferença entre seus rendimentos e o que é pago na inciativa privada para funções semelhantes.
É impressionante o poder de lobby dos funcionários públicos. Eles são 712 mil na ativa e cerca de 1,2 inativos, um universo de menos de 2 milhões de pessoas num país de 210 milhões de habitantes.
Nunca tão poucos puderam tanto, agora turbinados pelo destempero verbal do Ministro da Economia.
Este tema do destempero verbal tem atrapalhado muito a atuação do governo em prol da modernização do país. Os recentes casos dos funcionários parasitas e das empregadas domésticas que não deveriam ir à Disney, sem falar em AI-5, são emblemáticos. É como entregar o ouro para o bandido, para deleite dos marqueteiros da esquerda.
O Presidente da República tem capitaneado este bloco que fala demais, e muitas vezes sem propriedade. O Ministro Paulo Guedes, com um rico currículo acadêmico nacional e internacional, não deveria perder a oportunidade de ficar calado.
Estas investidas de “sinceritude” não ajudam em nada e fazem com que o governo, cujos primeiros resultados positivos são evidentes, especialmente no campo da economia, perca a batalha da comunicação, que é uma batalha definitiva. O saudoso Chacrinha nos ensinava que quem não se comunica se trumbica… E quando se comunica mal se trumbica mais ainda.
Enquanto isso, não posso deixar de comentar as fotos de Lula com o Papa estampadas com grande destaque na quinta-feira em toda a imprensa, “on e off line”. O “hermano” Bergoglio pisou na bola. Como não sou comunista nem petista, estou pensando seriamente em abandonar a Igreja Católica, na qual me criei, antes que o Demiurgo de Garanhuns, criminoso duplamente condenado, seja canonizado.
É por estas e outras que a Igreja Católica Apostólica Romana está perdendo “share of market” no mundo inteiro.
Lamentável.

 

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