Você vai ler na coluna de hoje: Gabriel Souza abre South Summit Brazil 2026 e destaca RS como ambiente de inovação global, Jovem Pan Porto Alegre anuncia Sabrina Dornelles como coordenadora comercial, A imprevisibilidade humana, Depois de três anos de IA, o SXSW quis saber o que nos faz humanos, O Brasil é Brasa? e Adidas usa parceria com COB para se inserir no espaço da Nike com seleção e Copa do Mundo.
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Gabriel Souza abre South Summit Brazil 2026 e destaca RS como ambiente de inovação global
O Cais Mauá, um dos principais cartões-postais de Porto Alegre, está recebendo mais uma edição do South Summit Brazil (SSB) – evento correalizado pelo governo do Estado – e se reafirmando como ponto de encontro global da inovação. Na abertura oficial da quinta edição, nesta quarta-feira (25/3), o vice-governador Gabriel Souza destacou que o encontro chega a uma fase de consolidação após sucessivas edições.
Para Gabriel, que coordena o SSB por meio do Gabinete de Projetos Especiais (GPE), o Estado fez uma escolha clara ao apostar na inovação como caminho de desenvolvimento – estratégia que já apresenta resultados. Desde 2021, mais de R$ 760 milhões foram investidos no setor. “Em 2026, estamos consolidando o South Summit como um evento permanente de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul, pelo impacto que gera no ecossistema de inovação”, afirmou.
O vice-governador também enfatizou que o volume de investimentos em inovação tem impacto direto na economia e na geração de oportunidades. Segundo Gabriel, a construção de um ecossistema estruturado, com acesso a crédito, fundos de investimento, conhecimento e redes de apoio é fundamental para transformar ideias em negócios viáveis e aumentar as chances de sucesso de novos empreendimentos.
“É um evento que dá resultado e deixa um legado. Por isso, independentemente de governos, tende a se manter como política consolidada”, ressaltou.
“O South Summit nasceu para fomentar ideias, capital e talento – mas, principalmente, para gerar impacto real. E hoje conseguimos ver isso na prática. No ano passado, movimentamos mais de R$ 176 milhões. Taxistas, restaurantes e hotéis foram diretamente beneficiados. Foram milhões de reais investidos em empresas e no ecossistema, contribuindo para um Estado que tem o maior número de parques tecnológicos do país e o maior número de startups per capita. O Rio Grande do Sul é hoje o segundo maior ecossistema de inovação do Brasil, e o South Summit é parte ativa dessa transformação”, afirmou o presidente do South Summit Brazil, José Renato Hopf.
A fundadora e presidente South Summit, Maria Benjumea, falou sobre o potencial de inovação que encontrou no Rio Grande do Sul desde a primeira edição do evento em Porto Alegre. “Esta terra sempre foi referência em inovação e empreendedorismo, com desejos de gerar negócios e se conectar com todo o mundo. Quero agradecer ao Governo do Rio Grande do Sul por proporcionar a oportunidade para que a inovação presente neste Estado, que é referência em todo o Brasil e em toda a América Latina, se conectasse com o ecossistema mundial”, frisou.
A cerimônia reuniu autoridades estaduais e municipais, além de lideranças nacionais e internacionais, incluindo representantes do South Summit e de instituições parceiras. Realizado no Cais Mauá, o South Summit Brazil reúne milhares de participantes, entre startups, investidores, empresas e lideranças públicas, fortalecendo a conexão do Rio Grande do Sul com o cenário global de inovação. O encontro segue até sexta-feira (27/3).
Jovem Pan Porto Alegre anuncia Sabrina Dornelles como coordenadora comercial
A Jovem Pan Porto Alegre anunciou a chegada da publicitária Sabrina Dornelles como coordenadora comercial.
Com mais de 20 anos de experiência no mercado publicitário, a executiva é formada em Publicidade e Propaganda e possui pós-graduação em Marketing com Gestão de Vendas. Na emissora, passa a atuar no desenvolvimento de projetos comerciais, relacionamento com o mercado anunciante e ampliação de oportunidades de negócios.
Sabrina também possui atuação em operações de importação e exportação de mídia, contribuindo para a conexão entre diferentes praças da rede Jovem Pan e para a viabilização de projetos integrados.
Segundo Fernando Perdigão, CEO da Jovem Pan Porto Alegre, “a chegada da Sabrina faz parte da estratégia comercial da gestão, a fim de qualificar o atendimento ao mercado, evidenciando a força da JP. Estamos conectados a projetos especiais super relevantes, como a transmissão da Copa do Mundo e a Casa da JP em Orlando, o que amplia nossa atuação com profissionalismo, consistência e foco em resultado para os anunciantes”.
Para Sabrina Dornelles, o foco está na entrega de soluções ao mercado. “Existe uma demanda clara por soluções mais completas e integradas. A Jovem Pan tem uma plataforma forte e uma marca consolidada. O trabalho está em transformar isso em projetos que gerem resultado para o cliente”, diz.
A movimentação reforça o posicionamento da Jovem Pan Porto Alegre como uma operação orientada a resultado, integração e desenvolvimento de negócios de mídia.
A imprevisibilidade humana
Por Eduardo Ferreira
Primeira vez em Austin, e viver a experiência do SXSW foi inspiracional. Escutei orientações dos que são veteranos no evento, acessei muitos conteúdos que se propõem a ser guias para que os atendentes possam extrair o melhor do vasto repertório. Consequentemente, comecei a ser impactado por diversos anúncios sobre o evento, quem estaria lá, e o que seria tendência. Acrescentei uma camada de intuição, e fui desbravar o aplicativo do SXSW, encontrando, a cada acesso, novos painéis para serem escolhidos. No meio de todo esse conteúdo veio a grata surpresa, e não foi sobre falar a respeito de tecnologia, negócios, mas sim sobre a importância do ser humano. Não era sobre algoritmos mais rápidos, modelos mais precisos, tutoriais sobre como desenvolver agentes (sim, havia pessoas com essa expectativa!) ou plataformas mais escaláveis. Pela minha perspectiva percebi um consenso incômodo entre acadêmicos, executivos, artistas, e tantas outras classes: estamos entrando na age of sameness — uma era de nivelamento por automação, onde produtos, conteúdos e estratégias convergem para o mesmo centro gravitacional. E o que parece ser uma alternativa, para quem quer se diferenciar, passa por algo que nenhuma máquina sabe replicar.
O problema do nivelamento é que quando todos acessam as mesmas ferramentas, a vantagem competitiva gerada por elas tende a zero. Na prática é uma proliferação de conteúdos, propostas e produtos que se parecem cada vez mais entre si. Posts que poderiam ter sido escritos por qualquer pessoa. Apresentações geradas em segundos, indistinguíveis umas das outras. Estratégias e execuções que o algoritmo já previu antes mesmo de serem entregues. E como surpreender? Ser diferenciado em um mundo que se modela dessa forma? É sobre opinião, percepção, interação humana real e julgamento que nenhum modelo consegue antecipar. A IA pode até mimetizar o comportamento humano, mas não pode prever aquilo que não é um dado imputado.
O algoritmo prevê o clique esperado, e entrega conteúdo e publicidade para quem é propenso ao clique. A IA é espetacular em calcular tudo que é mais provável: comportamento, resposta, decisão… Agora, como lidar com a inconsequência humana? A escolha irracional de um ser racional? O impulso afetivo, a reação genuína ao ver uma criança, um cachorro, a emoção de tomar um banho de chuva. O que fará o ser humano após esses impulsos? É imprevisível, e essa é a vantagem competitiva de nós humanos – sim, porque esse texto não é de IA – e que podem mudar o curso de uma negociação. Nos negócios temos implicações diretas! Clientes tomam decisões por razões que não cabem em nenhum funil. Profissionais permanecem em empresas por motivos que nenhuma pesquisa de clima captura completamente. Parcerias nascem de conversas que o CRM jamais teria recomendado. O SXSW é a prova disso. Inúmeras conexões se formam nas filas, nos cafés, na espera pelo transporte de aplicativo, no aluguel do patinete…
A conexão de forma intencional a partir de como o humano decide é o que estabelece relações genuínas e que são imunes à comparação de preços, ofertas dos concorrentes e ao que é hype. Até aqui não há meios como automatizar essa característica humana. Entretanto, há uma preocupação sobre o uso intensivo de IA e os custos – ainda invisíveis – da delegação ao chat sobre decisões, opiniões , construções. Muitos painéis apresentaram resultados de pesquisas onde já se identifica perdas cognitivas de memória e criatividade. Estamos delegando às máquinas funções que mais exigem dos nossos cérebros. Recomendo fortemente que busquem conteúdos sobre o assunto, há muitas pesquisas avançadas, e me preocupa a perspectiva de futuro.
Como gestor, isso me soa como um alerta, pois desde que estamos utilizando mais IA em nosso dia a dia tenho apontado para um caminho onde nosso pensamento seja ampliado, e não substituído. Nosso ativo mais valioso é a imaginação, a curiosidade, o insight que surge como resultante de vetores imprevisíveis e que permitem ao ser humano criar cenários infinitos e diversos. É preciso ter curadoria sobre o que não terceirizar. Caminhando para o futuro, e esse é construído a partir do que fazemos hoje, aprendi em muitos painéis sobre a necessidade de criarmos santuários para a imaginação social. Em um ambiente de mudança constante e hiper conexão, precisamos proteger ativamente os espaços onde o pensamento original ainda pode acontecer. A ideia é bem simples.
Voltei de Austin pensando em como desdobrar essas reflexões no meu cotidiano. Reuniões são para reportar ou opinar? Como líder, é preciso pensar em caminhos que estimulem a imaginação, e não somente cobrar a execução, o resultado. O quanto o improviso e a adaptabilidade imprevista precisam existir para que o inimaginável surja na discussão? O diagnóstico é preservar, e potencializar as habilidades mais valiosas: adaptação, antifragilidade, julgamento com contexto e intenções reais, para seguirmos imaginando futuros que nenhuma IA conseguirá prever. Volto de Austin ainda mais convicto que o valor humano é insubstituível.
Depois de três anos de IA, o SXSW quis saber o que nos faz humanos
Por Daniel Alencar
Puxei os dados das 82 sessões de conteúdo da trilha de Brand & Marketing do SXSW 2026 e rodei uma análise de palavras-chave. O resultado: 33% mencionam inteligência artificial, algoritmos ou automação. E 34% mencionam humanidade, emoção, confiança ou conexão. Praticamente o mesmo peso. Mas o dado mais revelador é outro: quase 20% usam os dois vocabulários ao mesmo tempo. Não é IA ou humanidade, é IA e humanidade juntos. O retrato de uma indústria que, diante da maior aceleração tecnológica da sua história, faz a pergunta inversa: como usamos tudo isso para sermos mais humanos?
Lidero uma startup que combina tecnologia e marketing. Sou entusiasta do uso da inteligência artificial — na Pupila, a gente usa IA praticamente para tudo, dos modelos que impulsionam a plataforma a todo o fluxo de atendimento ao cliente — …e o que ouvi em Austin reforçou uma convicção: o problema não são as ferramentas, é usá-las sem os parâmetros corretos. E há dois fatores que impedem isso. O primeiro é de mindset — ainda existe uma resistência que se disfarça de crítica técnica, mas que no fundo é medo de perder relevância. O segundo é de profundidade: resultados genéricos vêm de inputs genéricos. Encontrar a ferramenta certa para cada necessidade, treinar a IA com a linguagem certa, testar e refinar — tudo isso demanda um esforço real que a maioria das equipes ainda não fez. É um processo, não um botão. Não por acaso, ouvi de um grupo de CMOs que os cases com resultados positivos investiram dois dólares em treinamento — não só dos modelos, mas das pessoas — para cada dólar investido em tecnologia.
Os primeiros efeitos da IA no marketing
The Vanilla Effect
Um número que circulou em mais de uma sessão: marcas investiram 400 milhões de dólares em anúncios no Super Bowl do ano passado. Quase ninguém na plateia lembrava de três. Enquanto isso, memes orgânicos criados sem briefing e sem mídia paga continuam vivos na memória coletiva. Passamos uma década otimizando conteúdo para algoritmos — e o resultado foi um oceano de peças que se tornaram invisíveis. São mais de cinco mil mensagens por dia disputando atenção. A taxa de lembrança: 37%.
E o cenário tende a piorar. Quando a IA generativa cria sem diretrizes claras de linguagem, os resultados são aleatórios — tecnicamente corretos, esteticamente genéricos. Toda a categoria usando os mesmos modelos, os mesmos códigos visuais, a mesma estrutura. É o que chamo de vanilla effect: tudo parece profissional, nada tem personalidade. Conteúdo que preenche calendário mas não constrói marca. Que entrega volume mas não gera memória. E não é só no visual — um a escrita humana na internet está se tornando assustadoramente repetitiva: a mesma voz, as mesmas construções, os mesmos cacoetes. Nenhuma personalidade transparece. O problema não é a ferramenta. É usá-la apenas para fazer mais do mesmo, mais rápido — porque genérico, em escala, não é comunicação. É ruído e isso custa caro.
O “Taste” que falta para os modelos
Uma das palavras que mais ouvi em sessões sobre IA e marketing foi taste — a capacidade de olhar para o que a máquina devolve e dizer: isso é bom, isso não é, isso é a gente, isso não é. Rick Rubin, um dos produtores musicais mais influentes do mundo, não toca nenhum instrumento — sua habilidade é saber o que gosta. Mas quando pensamos em marketing, o “gosto” individual é frágil. Depende de quem está na sala, do repertório de quem avalia, do humor do dia. E os modelos de IA, por definição, não têm nenhum. Operam com a média do que existe, não com a visão do que deveria existir.
IA normaliza, mas o insight mora na borda
A IA, por natureza, puxa tudo para o centro — resume, sintetiza, normaliza. Insights de verdade moram nas bordas. Um palestrante contou que, ao assumir uma marca clássica de cosméticos, começou a mergulhar nos comentários das redes e notou uma expressão que se repetia entre consumidoras: “Okay, [marca]” — um reconhecimento provocativo, algo como “olha só, vocês voltaram, estou de olho.” Não aparecia em nenhum relatório, em nenhum resumo automático. Mas capturava exatamente o sentimento do momento. A frase virou a nova assinatura da campanha, substituindo o slogan histórico. Um insight que nenhuma IA teria priorizado — mas que um humano curioso encontrou nos 300 comentários que o resumo descartou.
Esses são os sintomas. Mas o SXSW não parou no diagnóstico. Em várias sessões, o que vi foram exemplos concretos de como usar IA com intenção — não para substituir a criatividade, mas para potencializá-la.
Caminhos para usar IA e construir conexões genuínas
O fim da tela em branco
Usar modelos de linguagem não para “escrever por mim”, mas para pensar junto. Descrever intenção e sentimento, pedir que a IA faça as perguntas certas para destravar a paralisia criativa. A ferramenta não substitui a voz — acelera o caminho até ela. Quem trabalha com criação sabe: 80% do tempo é chegar na direção certa. A IA comprime esses 80%.
Personalização sem perder a identidade
Uma equipe de marketing usou IA para criar uma biblioteca visual infinita a partir de um único shoot real — mudando cidade, clima, hora do dia, contexto em tempo real. Substituíram uma produção de sete dígitos por uma de seis, com exponencialmente mais assets. Cada imagem seguia rigorosamente a estética da marca. Personalização com identidade. Escala sem perder alma.
Persona sintética como sparring
Uma empresa de tecnologia criou uma persona sintética da sua cliente-tipo, construída com pesquisa qualitativa profunda. A equipe criativa consulta essa persona para testar manchetes, conceitos, temas — não como decisão final, mas como sparring instantâneo. A IA reflete uma versão informada do público, disponível 24 horas, que permite iterar mais rápido sem perder o norte de quem importa: a pessoa do outro lado.
A marca como inspiração e curadoria
Em todos esses caminhos, o padrão é o mesmo: a IA entra como aceleradora, não como autora. Mas o que garante coerência ao resultado? Para construir marcas sólidas, o gosto precisa estar codificado em algo maior que o indivíduo: a linguagem da marca. É ela — verbal e visual — que deveria funcionar como inspiração na entrada e curadoria na saída de tudo o que a IA gera. O critério que define o que é bom, o que é nosso, o que faz sentido — independente de quem está criando ou operando a ferramenta. Com a explosão do volume de conteúdo, investir em diretrizes de linguagem deixou de ser supérfluo — na verdade, nunca foi tão urgente. É o que permite que pessoas diferentes, usando ferramentas de IA diferentes, produzam conteúdo que soa como a mesma marca.
A maior revolução tecnológica das nossas carreiras está empurrando o marketing de volta aos seus fundamentos mais humanos — identidade, emoção, ponto de vista, coragem. A IA não ameaça a originalidade. Ela torna a originalidade inegociável. Porque quando qualquer um pode produzir qualquer coisa, só sobrevive quem tem algo genuíno a dizer — e uma marca forte o suficiente para garantir que soe sempre como ela.
O Brasil é Brasa?
Por Erich Beting
Em 27 de abril de 2023, mais de um ano antes dos Jogos Olímpicos de Paris 2024, o Comitê Olímpico do Brasil (COB), em parceria com a agência de publicidade WMcCann, apresentou a primeira campanha institucional de sua história voltada para uma Olimpíada. O ápice da peça era o slogan “Manda Brasa, Brasil”.
No ano seguinte, o COB também apresentou, dessa vez em parceria com a agência de conteúdo Play9, o projeto “Paris é Brasa”. Com criadores de conteúdo espalhados pelos Jogos e uma música-chiclete a tiracolo, quem vivenciou a Casa Brasil no Parque das Nações em Paris sabe o que significou dizer que Paris era Brasa.
A expressão “É o Brasa” já vem tentando ser apropriada pelo COB e por seus parceiros desde 2023. Mas foi só agora, com o uso do termo para justificar o uniforme brasileiro para a Copa do Mundo Masculina de 2026, que ligar o Brasil a Brasa virou pecado mortal.
Uma história de polêmicas
O ano de 2026 é um marco na relação entre Nike e Confederação Brasileira de Futebol (CBF) / seleção brasileira. É o ano em que a parceria entre marca e time nacional completa 30 anos. Isso faz da Nike o parceiro mais longevo da história da CBF nos tempos modernos. E, também, um dos mais polêmicos desde sempre.
A Nike sempre teve o Brasil como um parceiro estratégico para o crescimento da empresa no território do futebol. Tanto que o país quase sempre foi o protagonista de campanhas globais da marca nos períodos que antecederam as Copas do Mundo.
Quem não se lembra do icônico jogo de futebol improvisado dentro do aeroporto em 1998? De Ronaldo e Roberto Carlos na “jaula” comandada por Eric Cantona em 2002? Ou o “Joga Bonito” de Ronaldinho, Ronaldo e companhia em 2006?
Talvez tenhamos ótimas recordações dessas campanhas, mesmo com a seleção brasileira não terminando campeã naqueles anos (com exceção de 2002, quando veio o penta).
Muito provavelmente, nossa memória afetiva esteja atrelada à idade que tínhamos naquelas ocasiões. Éramos jovens e, muito possivelmente, o público-alvo da marca naquele instante.
Ardendo em brasa
Hoje, a Nike conversa com o jovem ao colocar a Jordan na camisa 2 do Brasil ou ao fazer campanhas como “Joga Sinistro” e “Alegria que Apavora”.
Não, isso não quer dizer que “brasa” seja um termo usado atualmente pelos jovens e que já foi moda nos tempos dos nossos pais. Deixemos isso para a combinação chinelo com meias, que meus filhos insistem em usar e lembram muito minha avó nos anos 1980.
Temos um choque geracional que pode explicar em parte a reação tão adversa da bolha a que estamos conectados que pragueja contra a designer que apregoa o Brasa de Brasil. Só que existe algo para além disso que dá mais clareza do porquê esse assunto arder em brasa.
A cor da camisa
Essa explicação é a conjunção de duas situações aparentemente banais e inusitadas, mas que levaram a camisa do Brasil para a Copa do Mundo ao centro do debate.
Desde 2014, a camisa amarela do país virou sinônimo de militância política. Até aí, nada demais. Tivemos já duas Copas em que o símbolo da “Amarelinha” trazia uma carga polarizada pela política nacional.
O problema foi que, em 2025, vazou a informação de que o Brasil usaria um segundo uniforme para a Copa do Mundo na cor predominantemente vermelha, produzida com a logomarca da Jordan em vez da Nike.
A suposição em torno da história fez com que uma crise fosse instaurada antes mesmo de a gente saber qual seria o desenho do uniforme brasileiro.
A comoção
Isso tudo levou a uma comoção nacional à espera do lançamento do uniforme. Tanto que a Nike preparou uma enorme celebração para apresentar a camisa azul que será utilizada como segundo uniforme na Copa do Mundo de 2026.
E, na primeira camisa, seguiu com uma estratégia menos pomposa. Até que surgiu a tal entrevista com a designer que falou que o Brasa que está escrito na parte interna do uniforme é uma referência a Brasil e que usamos costumeiramente a expressão “Vai, Brasa”.
No final das contas, o assunto “camisa da seleção brasileira para a Copa do Mundo” repercutiu muito mais do que se esperava. À comoção em torno do uniforme azul, que já era grande, seguiu-se todo o burburinho em relação ao Brasa.
Quem está se aproveitando dessa história, por um lado, é a Nike, que tem vendido os dois uniformes com enorme velocidade. Por outro, é o COB, que vê o slogan que foi criado para o Time Brasil nos Jogos Olímpicos de 2024 tornar-se o centro de um debate que poderá ajudar na construção do projeto de comunicação de Los Angeles 2028.
Sinceramente, o Brasil pode até virar Brasa. É só uma questão de trabalhar a campanha para que as pessoas se reconheçam na história a ser contada.
Mas uma coisa é certa. Nessa história, existe muito mais fumaça do que, de fato, fogo.
Adidas usa parceria com COB para se inserir no espaço da Nike com seleção e Copa do Mundo
Por Wagner Giannella
A Adidas lançou, nesta quinta-feira (5), a primeira coleção que estará disponível ao público do acordo de patrocínio fechado com o Comitê Olímpico do Brasil (COB) em maio do ano passado. A marca alemã vestiu a equipe brasileira nos Jogos Olímpicos de Inverno, disputados no mês passado em Milão-Cortina d’Ampezzo, mas as peças tiveram a performance como foco e não foram colocadas à venda.
A linha chega ao mercado a menos de 100 dias para o início da Copa do Mundo de 2026, que será disputada nos Estados Unidos, Canadá e México, e conta com uma camisa amarela e uma camisa azul, justamente as cores dos uniformes principal e reserva da seleção brasileira de futebol. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF), no entanto, tem acordo com a Nike para o fornecimento dos uniformes, em um contrato renovado até 2038.
Desde pelo menos o Mundial de 2010, a marca norte-americana revela as camisas da seleção brasileira entre os meses de março e abril. Com o lançamento da coleção com o COB, a Adidas se antecipa à principal concorrente no mercado e tenta se inserir no espaço da Nike com a seleção e a Copa do Mundo, uma vez que os meses antes da Copa e o torneio em si são o momento em que a Nike mais aproveita para “bombar” a parceria com o time canarinho e impulsionar a venda de camisas.
Vale destacar que a marca alemã, apesar de não ter qualquer vínculo com a seleção brasileira, possui protagonismo no Mundial, sendo parceira da Fifa e fornecedora da bola oficial desde a Copa de 1970.
Em entrevista à Máquina do Esporte no evento de pré-lançamento, ocorrido nesta quarta-feira (4), na sede da Adidas Brasil, em Barueri (SP), a empresa negou essa suposta estratégia para disputar as vendas de camisas pré-Copa com a principal rival.
“Para a gente, essa coleção é um marco porque estamos reacendendo o orgulho do brasileiro de vestir verde e amarelo. Queremos usar o Time Brasil como uma plataforma para a gente conseguir falar com o brasileiro durante todo o ano. Não queremos falar só no momento olímpico. E usaremos essas coleções que serão lançadas todas as temporadas para isso”, afirmou Bárbara Ikari, gerente sênior de marketing da Adidas Brasil.
“Não tem a ver com a Copa. É claro que, no fim, o torcedor vai acabar comprando uma camisa verde e amarela, e espero que seja da Adidas para torcer, mas o lançamento tem muito mais o sentido de a gente conseguir se aproximar dos esportes olímpicos e conseguir falar de todos, durante todo o tempo”, completou.
A coleção
A nova coleção possui três peças. Duas delas focam no estilo retrô, com a amarela inspirada no time de basquete masculino que conquistou de forma histórica o ouro nos Jogos Pan-Americanos de Indianápolis 1987, e a azul no time de vôlei masculino que foi prata nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 1984. Vale lembrar que a Adidas foi parceria do COB justamente na década de 1980.
A terceira peça, por sua vez, conta com um gráfico geométrico em verde e amarelo aplicado no peito, com o intuito de trazer um toque contemporâneo ao visual.
As duas primeiras foram confeccionadas em poliéster reciclado, enquanto a terceira foi produzida em algodão sustentável. Todas possuem o patch oficial do Time Brasil aplicado na barra. De acordo com a Adidas, a ideia foi inserir na coleção o DNA clássico da marca Originals, unindo performance, cultura e lifestyle.
“Essa foi a grande missão que o La Porta [presidente do COB desde janeiro de 2025] passou para mim quando ele assumiu: ele queria uma marca grande e que conversasse com o público. O torcedor pode acordar hoje e ir ao shopping, que ele vai ver lá uma camisa do Time Brasil na vitrine. Estamos indo ao encontro do público, de uma forma muito mais consistente, constante, e isso é muito valioso”, disse Manoela Penna, diretora de comunicação, marketing e valores olímpicos do COB, em entrevista à Máquina do Esporte.
“Se a gente quer transformar o Brasil em uma ‘Nação Esportiva’, a gente precisa criar pontos de contato e momentos de interação da marca do Time Brasil com o público. A parceria com a Adidas é fundamental do ponto de vista de fortalecimento da marca do Movimento Olímpico e também de geração de receitas e negócios. Se você sente orgulho do Brasil, quer torcer pelo Brasil, então veste essa camisa do Time Brasil, da Adidas Originals”, acrescentou.
Vale lembrar que, nos últimos dois ciclos olímpicos (Tóquio 2020 e Paris 2024), o COB tinha a Peak como parceira de material esportivo. A marca chinesa, no entanto, por conta de questões burocráticas, nunca conseguiu entrar de fato no Brasil, portanto não ofereceu produtos para que os torcedores brasileiros pudessem consumir durante oito anos.
Recentemente, em parceria com a ABN8 Trading, a Peak finalmente adentrou o mercado brasileiro. O foco inicial, porém, tem sido o running.
A campanha da nova coleção Adidas x Time Brasil conta com nomes importantes do esporte nacional, incluindo três campeões olímpicos: Arthur Zanetti, Rebeca Andrade e Bia Souza. As peças já estão disponíveis a partir desta quinta-feira (5) nas lojas físicas e no e-commerce da marca, bem como em lojas parceiras selecionadas.