GESTÃO EMPRESARIAL AINDA É DESAFIO PARA AS AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE – 09.10.2020

Passado o susto inicial provocado pela pandemia do coronavírus nos negócios das agências de publicidade, dados da segunda edição deste ano da VanPro – sondagem realizada pela FENAPRO (Federação Nacional das Agências de Propaganda) junto a 347 empresas de 21 estados e do Distrito Federal – mostram que o impacto na receita foi menor do que o esperado, mas as empresas acabaram não utilizando todos os instrumentos disponíveis para gerenciar a crise do período.

“Apesar da queda imediata das receitas das empresas no início da pandemia, a capacidade de recuperação das agências ficou evidente nesta segunda sondagem, com 33% delas já tendo retomado o desempenho nos níveis anteriores à COVID-19. Contudo, a pesquisa também mostrou que as empresas não utilizaram todas as ferramentas disponíveis para suportar suas operações em meio à pandemia, como crédito, parcelamentos de tributários, redução de carga horária e salário”, afirma Ana Celina Bueno, diretora da FENAPRO e que liderou a realização da pesquisa. Durante o chacoalha, live realizada pela entidade na última semana, Ana Celina destacou que isso demonstra a necessidade das agências de melhorarem seus sistemas de gestão.

A pesquisa mostrou que a alternativa de crédito mais utilizada foi a postergação de impostos, utilizada por 41% das empresas, seguida do parcelamento de impostos (29%) e do crédito regular dos bancos (16%). O pagamento de folha subsidiado pelo BNDES foi utilizado por 11% dos entrevistados; o giro subsidiado pelo BNDES, por 7%, e o giro com taxa reduzida da Caixa, por 4%.

A redução de jornada e salário foi medida adotada por cerca de 60% das empresas entrevistadas (tanto na sondagem atual quanto na do quadrimestre anterior), seguida de férias coletivas, utilizada por 43% das empresas (em ambas as sondagens). O percentual de empresas que utilizou o empréstimo para pagamento da folha aumentou de 17% para 24%.

“Aqueles empresários que souberam e conseguiram explorar estas ferramentas e mantiveram projeções de custos e planos para diversos cenários de crise, estão retomando o faturamento de forma muito mais rápida e estruturada”, conta Ana Celina.

Para ela, no entanto, este é um momento de oportunidade para criar mecanismos de desenvolvimento de gestão, além de uma visão mais coletiva e associativa. “As entidades do setor possuem um papel vital, pois são nelas que os publicitários encontrarão apoio para se tornarem melhores empresários, formando um pensamento mais empresarial e uma estrutura segura para tocar o negócio”, conclui.

Perfil das agências entrevistadas

O perfil predominante dos participantes da sondagem VanPro é deagências full-service (95%), com equipe de até 20 pessoas (62,5%). A maioria das empresas tem mais de 21 anos de existência (39,5%) ou entre 11 e 20 anos (39,5%). Mais de 78% delas é associada ao Sinapro (Sindicato das Agências de Propaganda) de seu estado e mais de 77% ao CENP.

A maior parte das agências ouvidas, ou seja, 41%, tem faturamento de até R﹩ 1 milhão; 24% têm receita anual entre R﹩ 1 milhão e R﹩ 3 milhões; 11%, entre R﹩ 3 milhões e R﹩ 5 milhões, e perto de 15% têm receita de R﹩ 5 milhões a R﹩ 10 milhões.

A pesquisa completa está disponível neste link .

A edição do Chacoalha “O presente e o futuro das Agências, a partir do que a Vanpro nos mostra”, comandado por Daniel Queiroz, presidente da Fenapro, com participações de Fernando Braga, fundador da Delta Consulting, e Ana Celina Bueno, está disponível neste link .

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