José Maurício Pires Alves 14-02-20

DEPENDÊNCIA DAS TELAS

Por José Maurício Pires Alves – Atalho Soluções em Comunicação

Na cobertura de TV das enchentes deste mês, uma cena me chamou atenção pelo inusitado.

Com água próxima ao joelho, um homem caminhava na rua junto à calçada lendo tranquilamente seu celular quando, inesperadamente, afundou dentro de um bueiro.

Por sorte um jovem que estava parado correu e conseguiu salvá-lo do buraco de água.

Após ser salvo, o homem antes de agradecer a ajuda, procurava por seu celular.

Parecia que perdeu tudo.

E eu fiquei pensando: que aparelho ou mensagem era tão importante para ser lida no meio da correnteza de barro?

Que dependência é esta?

Por sua natureza, o ser humano é dependente desde seu nascimento.

Meus professores me chamavam a atenção para a Pirâmide de Maslow que apresentava nossas dependências básicas: as fisiológicas, segurança, sociabilidade, estima e realizações pessoais.

E hoje, cada vez mais, somos dependentes de tudo e de todos.

Mas, no presente caso, vamos nos ater a um tipo muito difundido:

a dependência das telas.

Tenho amigos, cultos e inteligentes, que como aquele homem,  tem dependência do telefone celular.

Vivem com ele em mãos.

E a todo momento vejo outras pessoas atravessando as ruas sem olhar o trânsito porque estão fixas na tela de seus aparelhos.

Os celulares e smartfones já tem uma doença específica, a nomofobia que é a necessidade de tocar no aparelho a todo instante.

E a dependência da Internet, dizem já afetar mais de 50 milhões de usuários, com o uso compulsivo das redes sociais, como o Facebook, o Instagram ou o WhatsApp.

Muitos afirmam que isto pode fazer mal ao relacionamento e até à saúde das pessoas.

Outro dia vi no Facebook a revista Saber é Saúde informando que o transtorno de dependência de tela pode danificar o cérebro de nossos filhos pequenos.

E que já existem jovens adolescentes “gamologistas patológicos” que é a doença de jogar videogames e que poderia levar a sintomas semelhantes ao vício.

E vou lhes confessar um segredo: se eu me levantar e, após o café, meu computador ou celular não funcionarem, vou “capengar” durante muito tempo.

Então gente amiga, com todas estas telas nos cercando, estamos cada vez mais longe daquele grito do Imperador Dom Pedro proclamando:

Independência ou morte!

 

 

 

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