Você vai ler na coluna de hoje: O colapso da influência: por que ninguém confia mais em influenciadores, O risco é o preço da oportunidade, Conteúdo, Experiência e Multiplataforma: a era em que tudo e todos somos mídia, 5 Tópicos que ninguém pode ignorar, Legado, Aos 60, no auge da vida — e da lucidez sobre o mundo do trabalho, Conexões, Silenciar por dentro e por fora e O legado de um líder é o silêncio que ele deixa quando vai embora.
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O colapso da influência: por que ninguém confia mais em influenciadores
Por Fernando Andrade
O império da influência está ruindo e poucos perceberam!
O que antes era autenticidade virou vitrine. O que antes era confiança virou roteiro. E o que antes era recomendação virou public post.
Em 2025, a palavra “influenciador” já não carrega o mesmo peso. Carrega desconfiança!
Analisando algumas pesquisas, a confiança em influenciadores digitais caiu 27% em relação a 2022.
E o dado mais alarmante: 68% dos consumidores afirmam que “não confiam em recomendações de pessoas pagas para falar de produtos”.
O público amadureceu!
Eles já sabem quando é publi, percebem quando o roteiro é ensaiado e entendem quando a emoção é encenada. O resultado? A influência deixou de inspirar e passou a irritar.
Marcas que investem milhões em collabs com nomes gigantes estão descobrindo que a atenção não se compra, se conquista. E o novo caminho é o da autoridade, não da aparência.
Influência é sobre alcance. Autoridade é sobre relevância e profundidade.
E esse é o jogo de 2026!
Enquanto os influenciadores de massa lutam por engajamento, vozes pequenas, mas técnicas, estão crescendo de forma orgânica. Médicos, nutricionistas, engenheiros, microempreendedores, gente que mostra o que faz, não o que finge.
Case prático:
A marca de skincare Sallve reduziu em 40% o investimento em influenciadores de lifestyle e passou a trabalhar com dermatologistas e criadores técnicos. O resultado: aumento de 32% nas vendas de linha profissional e engajamento 2,4x maior.
No setor B2B, Hubspot e RD Station estão substituindo “embaixadores de marca” por especialistas certificados que produzem conteúdo educativo — e colhem leads reais, não curtidas.
O consumidor quer aprender, não ser convencido!
Como aplicar essa virada:
Invista em vozes que vivem o que falam, não apenas repetem scripts.
Crie comunidades, onde o público se vê, interage e confia.
Troque influência por credibilidade. Em vez de pagar para aparecer, colabore para somar.
Em 2026, o marketing de influência que sobrevive é aquele que não tenta parecer humano, mas realmente é!
Mas e aí Nando! A influência morreu? Não. Ela apenas trocou de corpo. Sai o palco, entra o bastidor. Sai o carisma, entra a coerência.
A pergunta é: Você quer influenciar… ou quer ser respeitado?
O risco é o preço da oportunidade
Por Maurício de Souza
Em qualquer empresa que busca crescer, inovar e se manter relevante, existe uma verdade inegociável: não há avanço sem risco. O risco é a moeda de troca do progresso, a porta que separa o presente de um futuro mais promissor. Ainda assim, em muitas organizações, o risco é tratado como um inimigo a ser eliminado, quando, na prática, ele é a ponte que possibilita a construção de oportunidades reais, estruturadas e sustentáveis. Neste artigo, proponho uma reflexão madura e orientada pela governança corporativa sobre como encarar o risco não como ameaça, mas como alavanca estratégica para a perenidade e o crescimento de qualquer negócio.
Risco não é um problema, é parte do jogo
Toda decisão empresarial carrega elementos de incerteza. Lançar um novo produto, entrar em um novo mercado, mudar um processo, contratar um executivo, realizar um investimento relevante, implementar governança: tudo isso envolve risco.
O equívoco comum é tentar “zerar” o risco, uma pretensão impossível. O que a boa governança ensina é que risco não se elimina; risco se administra.
Ao compreendermos essa diferença, algo muda profundamente: a empresa deixa de ser refém de decisões reativas, tomadas por impulso, urgência ou intuição, e passa a operar com racionalidade, método e serenidade. O risco deixa de ser um fantasma e se torna um fator mensurável, com impacto, probabilidade, prevenção e plano de resposta claramente definidos.
Empresas maduras entendem que aceitar risco faz parte do jogo. Empresas imaturas acreditam que evitar risco é sinônimo de segurança, quando, na verdade, a ausência de risco costuma ser o início da estagnação.
O risco como mecanismo de criação de valor
Nenhuma empresa cresce sem assumir algum grau de risco. O risco é justamente o que cria assimetria de resultados: quem se dispõe a enfrentá-lo, com método e disciplina, captura oportunidades antes dos concorrentes.
Do ponto de vista da governança corporativa, mapear riscos estratégicos é uma etapa essencial para a criação de valor. Isso significa entender:
O que pode afetar o negócio.
O que pode impulsionar o negócio.
Onde estão as vulnerabilidades.
Onde estão as oportunidades inexploradas.
Quando essa leitura é feita de forma técnica e integrada, o risco se transforma em vantagem competitiva. Ele funciona como um radar, identificando cenários que outros não veem, antecipando impactos que outros ignoram e preparando a empresa para agir enquanto ainda há tempo de reagir.
É justamente por isso que empresas bem-governadas crescem mais rápido: elas sabem quais riscos vale a pena correr e quais riscos precisam ser mitigados. Elas investem com clareza estratégica, protegem seu caixa, otimizam sua estrutura decisória e alinham expectativas entre sócios, gestores e conselheiros.
Em síntese, elas entendem que o risco é o preço para acessar a oportunidade. E pagam esse preço de maneira consciente, previsível e responsável.
Sem governança, o risco vira ameaça – com governança, vira oportunidade
O papel da governança corporativa é transformar a gestão de riscos em um sistema vivo e funcional, capaz de guiar decisões e direcionar investimentos.
Quando não há governança:
O risco vira incerteza.
A tomada de decisão é emocional.
Há conflitos entre sócios.
A empresa anda baseada em urgências.
As oportunidades chegam tarde, ou nem chegam.
Com governança bem implementada:
Os riscos são classificados, analisados e priorizados.
Os gestores entendem seu papel na mitigação.
O conselho cria cenários, debates estruturados e visão de longo prazo.
Os sócios ganham previsibilidade.
A empresa passa a assumir riscos saudáveis, estratégicos e proporcionais à sua capacidade operacional e financeira.
Essa mudança é transformadora. Não se trata apenas de organização ou controle: trata-se de ampliar a competitividade, gerar transparência, fortalecer reputação e desbloquear crescimento.
Governança é, em última instância, uma blindagem contra riscos desnecessários e uma inteligência para explorar riscos necessários.
O risco bem administrado aumenta a resiliência e promove a perenidade da empresa
Muitas empresas acreditam que risco é sinônimo de perigo, quando, na verdade, ele é sinônimo de movimento. O risco, quando bem administrado, aumenta a capacidade da empresa de enfrentar crises, adaptar-se rapidamente e tomar decisões com base em dados, não em “achismos”.
Um sistema de gestão de riscos sólido oferece:
Antecipação de problemas A empresa identifica fragilidades antes que elas se tornem crises.
Rapidez na resposta Com cenários previamente planejados, a organização não perde tempo discutindo “o que fazer”.
Consistência nas decisões O risco deixa de ser interpretado individualmente e passa a ser analisado de forma colegiada.
Alinhamento da liderança Sócios, executivos e conselheiros compartilham a mesma visão sobre o que deve ser priorizado.
Aumento do ROI estratégico Recursos deixam de ser desperdiçados em iniciativas de alto risco e baixo retorno.
A consequência natural desse processo é a perenidade. Empresas que tratam o risco como ferramenta de gestão crescem mais e enfrentam turbulências com muito mais firmeza.
É por isso que o mundo corporativo bem estruturado costuma afirmar: o risco não é um custo – é um investimento.
O papel do conselheiro no equilíbrio entre ousadia e prudência
Nenhum profissional exerce influência mais direta na transformação do risco em oportunidade do que o conselheiro. Sua função é garantir que a empresa não se acomode na zona de conforto, mas também não se exponha a riscos irreversíveis.
O bom conselheiro:
Provoca reflexões profundas.
Questiona decisões impulsivas.
Traduz incertezas em análises objetivas.
Ajuda a empresa a enxergar mais longe.
Constrói pontes entre presente e futuro.
Garante que a coragem estratégica caminhe ao lado da responsabilidade.
Ele não elimina os riscos, os ilumina; e, ao fazer isso, permite que a empresa caminhe com segurança em direção às melhores oportunidades.
O conselheiro é, portanto, a peça que equilibra ousadia e prudência, protegendo o negócio e potencializando seu crescimento.
Conteúdo, Experiência e Multiplataforma: a era em que tudo e todos somos mídia
Por Carlos Toillier
Vivemos um momento singular da comunicação. A fragmentação das mídias, a hiperconexão e a inteligência artificial não apenas redefiniram como marcas se relacionam com as pessoas. Elas deslocaram o eixo do poder . Hoje, cada indivíduo, cada tela, cada interação e cada segundo de atenção se transformam em mídia.
Na palestra apresentada no FALA – Novos Rumos da Comunicação, defendi que entramos na era do conteúdo com propósito, da experiência como diferenciação e da multiplataforma como regra do jogo. Os ambientes digitais ampliam o impacto e reforçam que as grandes narrativas exigem continuidade, dados e mensuração.
As marcas precisam se reinventar como criadoras de histórias relevantes. Precisam compreender o paradoxo do excesso: se tudo é mídia, somente o que conecta, surpreende e faz sentido permanece. O consumidor é ativo, coautor e, principalmente, mídia.
O desafio deixou de ser apenas comprar espaço. O desafio é conquistar relevância, originalidade e impacto. A atenção se tornou o novo ouro. A experiência, o novo palco. A inteligência artificial, a nova força de aceleração.
Agradeço ao FALA e a Kaká Cerutti pelo convite e pela oportunidade de compartilhar aprendizados com líderes que, assim como eu, acreditam que o futuro da comunicação se constrói com estratégia, dados e criatividade.
Após a palestra, tive a honra de participar do painel que discutiu o Futuro da Comunicação com: Vinícius Ghise da ABRADi-RS, Fernando Silveira da ARP: Associação Riograndense de Propaganda , José Maria Rodrigues Nunes (ARI), Laury Job (CONRERP 4ª Região) com mediação do Elisandro de Souza (5cronia).
Foi um debate de alto nível sobre o futuro da comunicação, inteligência artificial, tecnologia, formação profissional e integração entre propaganda, jornalismo, relações públicas e o digital.
Conclusão: o risco é o preço da oportunidade, e vale cada centavo
O risco acompanha todas as decisões que realmente importam. Ele não deve ser visto como inimigo, mas como um sinal de que há algo grande à frente. Negócios que rejeitam o risco ficam estagnados. Negócios que enfrentam o risco, com método e governança, prosperam.
A boa gestão não consiste em evitar riscos, mas em entendê-los profundamente. Ela consiste em construir sistemas que permitam transformar cada risco em uma alavanca de crescimento, inovação e diferenciação.
No fim das contas, o risco é o preço da oportunidade, e as empresas que desejam construir seu futuro precisam estar dispostas a pagá-lo. Com estratégia. Com maturidade. Com governança. Com coragem.
5 Tópicos que ninguém pode ignorar
Por Rafael Martins
O Web Summit Lisboa 2025 trouxe uma avalanche de temas importantes, relevantes e até surpreendentes.
Resumi tudo em 5 tópicos que ninguém pode ignorar:
- O fim do monopólio tecnológico do Ocidente
- A inteligência artificial virou disputa de poder
- Europa decide voltar ao protagonismo
- Soberania digital vira política de Estado
- A explosão do criador global
Foram dias intensos em Lisboa que deixaram uma mensagem clara: o jogo da tecnologia está sendo reescrito.
Legado
Por Luciano Deos
Sábado foi um daqueles dias que me lembram por que escolhi este caminho.
Porto Alegre, Feira do Livro, Casa de Cultura Mario Quintana.
Mesa-redonda sobre a História do Design Brasileiro, ao lado de Lincoln Seragini, Ricardo Sastre e Maria do Carmo Kurtz — que lançava a biografia de José Carlos Bornancini, pioneiro do design industrial gaúcho.
O debate fazia parte da programação da Feira do Livro de Porto Alegre, que no fim da tarde teve a sessão de autógrafos da biografia técnica do Seragini, escrita pelo Ricardo.
Quatro gerações reunidas.
Bornancini começando nos anos 60, Lincoln nos 70, eu nos 80 e Ricardo nos 90. Um recorte de tempo que conta como o design brasileiro deu seus passos dentro da indústria até se tornar uma disciplina estratégica.
Lincoln é referência nacional e internacional. Uma inspiração pessoal que acabou se tornando uma grande amizade.
Foi ele quem trouxe a embalagem como elemento diferenciador para as marcas, quem consolidou o conceito de design de embalagem no Brasil e quem depois se tornou também porta-vez do branding e da inovação.
E ali estávamos, trocando reflexões sobre evolução, legado e construção.
A plateia reunia estudantes, pós-graduandos, designers — alguns velhos amigos, como Celso Dornelles e Edson Matsuo, o nome por trás do Design da Grendene por mais de 40 anos, além de pessoas que trabalharam comigo no Gad’ ao longo dos anos.
Reencontros que só acontecem quando você está há tempo suficiente na profissão para ter história compartilhada.
Poder estar nessa conversa, debater essas trajetórias, trocar livros e abraços — isso é o que nos fortalece, nos energiza e nos reconecta de volta para nossa essência e origem.
Legado não é só o que você constrói. É também com quem você constrói.
Aos 60, no auge da vida — e da lucidez sobre o mundo do trabalho
Por Cléa Klouri
A ciência confirma o que muitos de nós já sentimos na pele: aos 60 anos, estamos no auge em vários aspectos da vida.
Segundo pesquisas recentes, é nesse período que alcançamos o equilíbrio entre razão e emoção, tomamos decisões com mais clareza e lidamos melhor com situações complexas.
A inteligência emocional amadurece, o cérebro se torna mais estratégico, e a experiência passa a ser um ativo raro.
Mas enquanto a ciência celebra essa fase, o mercado de trabalho ainda insiste em desperdiçá-la.
Muitos profissionais maduros enfrentam o olhar enviesado de quem associa idade a obsolescência quando, na verdade, é nesse momento que muitos estão em seu melhor desempenho.
Pessoas 60+ reúnem aquilo que as empresas mais dizem buscar: visão sistêmica, capacidade de adaptação, empatia e resiliência.
São profissionais que já viram o mundo mudar e, por isso, sabem conduzir mudanças com menos medo e mais estratégia.
No entanto, ainda é comum vê-los fora das conversas sobre inovação, como se inovação fosse um privilégio da juventude.
É hora de rever essa lógica.
Empresas que integram gerações e valorizam o repertório dos mais experientes ganham vantagem competitiva — equipes mais equilibradas, decisões mais humanas e resultados mais sustentáveis.
A diversidade etária não é apenas um gesto de inclusão: é uma alavanca de inteligência coletiva.
Aos 60, me sinto no ápice da minha trajetória.
Com mais serenidade para escolher as batalhas certas, mais clareza sobre o que faz sentido e uma enorme vontade de continuar aprendendo.
Esse é o ponto em que tudo o que vivi começa a se encaixar.
E se a ciência diz que esse é o auge, eu assino embaixo.
Porque a maturidade não é o oposto da inovação é a sua base mais sólida.
Conexões
Por Luciano Mallmann via LinkedIn
Vejo muita gente nova por aqui nos últimos dias – profissionais incríveis de RH, Diversidade, Comunicação e tantas outras áreas.
Então acho justo me reapresentar: eu sou Luciano Mallmann, consultor de vendas na Talento Incluir.
Sou publicitário, com experiência nas áreas de atendimento, planejamento e mídia. Há 20 anos sou cadeirante, e essa vivência me deu uma visão muito clara sobre o que é viver, trabalhar e acreditar na inclusão de forma real.
Antes de chegar ao universo corporativo, trabalhei como ator e produtor. Foi atuando e produzindo os meus espetáculos no teatro que aprendi o valor da escuta, da presença e da empatia. Hoje, levo tudo isso pro meu trabalho, construindo relações sólidas e estratégias que unem propósito e resultado.
Na Talento Incluir, sou consultor de relacionamento com clientes, apoiando empresas a desenvolver programas de diversidade e inclusão com consistência, sensibilidade e impacto.
Acredito que a inclusão não é um discurso bonito. É um compromisso diário que só faz sentido quando faz parte da cultura e da estratégia de uma empresa.
Gosto de criar conexões genuínas, fortalecer parcerias e pensar soluções que transformem a forma como o mercado enxerga o potencial humano. Sigo aberto a boas conexões profissionais e a trocas que movimentem ideias e gerem propósito.
Silenciar por dentro e por fora
Por Hugo Rodrigues
Salve, salve, salve!!!! Você também sente que vivemos numa era em que a comunicação ficou mais rápida, mas não necessariamente mais profunda? O tempo todo somos bombardeados por opiniões, reações, notificações… e no meio desse barulho todo, ouvir de verdade se tornou quase um ato de rebeldia.
Mas existe um caminho que propõe o contrário: silenciar por dentro e por fora, estar presente de corpo inteiro e se comprometer com o outro durante uma conversa. É o que a Escuta Radical, conceito abordado no livro “Radical listening: the art of true connection”, propõe — uma prática que vai além da escuta ativa. Trata-se de escutar com intenção, com ação e, principalmente, com responsabilidade.
Essa escuta exige que a gente esteja disposto a abrir mão do controle da conversa. Não pra responder. Mas pra acolher. Não pra contra-argumentar. Mas pra compreender. Porque, no fundo, escutar de verdade não é passivo. Dá trabalho e exige prática.
Segundo o livro, as seis habilidades da Escuta Radical são quase contraintuitivas nesse mundo acelerado: notar os sinais sutis do outro, aquietar a mente e o ambiente, aceitar pontos de vista diferentes sem precisar concordar, reconhecer emoções com empatia, fazer perguntas que convidam à abertura e intervir só o suficiente pra manter o calor da presença aceso. Parece simples, mas ninguém disse que seria melzinho na chupeta hehehe
Se você lidera pessoas, essas habilidades são essenciais. Se você quer se conectar com mais profundidade — na vida, nos negócios, nos afetos — vale a tentativa. Bora testar?
O legado de um líder é o silêncio que ele deixa quando vai embora
Por Roberto Teller
Quando um líder sai, a empresa respira.
Às vezes, respira aliviada.
Outras vezes, respira em silêncio — um silêncio que grita, que marca, que permanece.
Já viu isso acontecer?
A sala está vazia, a cadeira ficou, o crachá foi entregue. Mas há um eco. Uma ausência que não é apenas física, é emocional. Um vazio de presença, de escuta, de exemplo.
Há líderes que saem e não fazem falta nem no rodízio da pizza.
Outros, ao contrário, seguem presentes em cada decisão, em cada valor, em cada pessoa que ousa fazer melhor porque aprendeu com eles.
O verdadeiro legado de um líder não é a meta que ele entregou, o plano que executou ou o bônus que bateu. Isso tudo expira. É volátil.
O que fica — mesmo depois da partida — é o impacto humano.
É quando um colaborador se vê diante de uma escolha difícil e ouve lá no fundo a frase que o líder dizia.
É quando alguém replica um gesto de generosidade, de firmeza, de ética, porque viu isso acontecer antes.
É quando o clima do time resiste à mudança, porque foi construído em bases sólidas, com valores de verdade, não discursos prontos.
O maior legado de um líder não cabe em relatório.
Ele cabe nos gestos invisíveis, nos aprendizados transmitidos sem slide, nas marcas deixadas onde nenhum organograma alcança: nas pessoas.
Eu vivi isso.
Já deixei times. Já fui substituído. Já vi meu nome sair da assinatura do e-mail, da placa da sala, da agenda da reunião.
Mas o que mais me emocionou foi descobrir — tempos depois — que o time ainda usava expressões que eu dizia, que seguiam tomando decisões com base no que vivemos, que lembravam de mim não como o chefe, mas como alguém que os fez crescer.
Esse é o silêncio que fica.
Liderar não é ocupar uma posição.
É ocupar um espaço dentro das pessoas — espaço que não pode ser comprado, exigido ou imposto. Precisa ser conquistado.
E para conquistar, é preciso estar presente.
É preciso se importar.
É preciso corrigir, sim, mas também reconhecer.
É preciso exigir com firmeza, mas ouvir com empatia.
É preciso ensinar — e estar disposto a aprender.
Liderar é servir. É preparar o time para ser melhor do que você.
É ter a humildade de saber que sua função é fazer com que um dia eles não precisem mais de você — e ainda assim te respeitem, te citem, te carreguem.
Por isso, sempre me pergunto:
Se eu sair hoje, o que vai ficar?
Fica o projeto? Fica o processo? Ou fica um exemplo?
Ficam KPIs ou ficam valores?
Fica medo ou fica inspiração?
Quem lidera pelo medo é esquecido assim que o portão se fecha.
Quem lidera com alma deixa saudade, deixa cultura, deixa legado.
Então, que cada decisão sua hoje — cada conversa, cada correção, cada escolha — não seja só para entregar o mês…
Mas para construir o silêncio certo.
Aquele que vai ecoar mesmo quando você já não estiver ali.
Porque esse…
Esse é o verdadeiro som da liderança.