Pâmela Rosa

O ‘CANCELAMENTO’ PODE DESTRUIR A PUBLICIDADE

Por *Pâmela Rosa

Em um mundo tão on-line, tudo que é dito é lido, registrado e, muitas vezes, respondido. A internet passou a ser um território de muitas opiniões, mas de pouca escuta. De falas críticas extremas: ou muito se ama, ou muito se odeia. Atire a primeira pedra quem nunca pensou duas vezes antes de publicar um post com receio de ser julgado por uma frase, por uma simples expressão ou por um ponto de vista. A sociedade, hoje em dia, fala muito e julga mais ainda. Porém, dialoga cada vez menos.Com as marcas, não é diferente. Pensar campanhas que tragam novas abordagens de discussão é muito importante e, para isto, é essencial termos o máximo possível de diversidade nas equipes criativas. Mas, este medo de falar algo passível de ser mal interpretado pode, sim, paralisar a publicidade. É importante termos em mente que, por trás de ideias, há pessoas. E que pessoas erram e sempre vão construir suas ideias com base nas próprias vivências e opiniões. Mesmo com boas intenções, tentando agregar valor, podemos, sim, falhar: em algum ponto mal colocado, ou uma ideia incompleta, de repente, por exemplo.

Infelizmente, o que pouco colocamos na balança na hora de fazermos os nossos julgamentos é o quanto as ideias são complexas. Que bagagens diferentes trazem repertórios diferentes. E, talvez, durante a construção de ideias, algumas coisas podem acabar passando batido ou serem interpretadas de forma diferente na cabeça de quem cria e na cabeça de quem escuta.

Equilibrar algo de impacto comercial com responsabilidade social não é uma tarefa tão simples quanto parece. O medo do “cancelamento”, pode, sem sombra de dúvidas, gerar uma publicidade mais repetitiva e menos livre: cheia de ideias recicladas e com medo de ousar. Esse nosso comportamento atual de medo de “não nos posicionarmos da melhor forma” periga deixar-nos paralisados e, até mesmo, menos criativos. Nós, publicitários, não podemos permitir tal paralisação. Embora conheçamos limites, precisamos lutar pelas ideias e aceitar que, ao inovarmos, corremos riscos. Porém, temos outra responsabilidade: a de não deixar o medo do julgamento minimizar a nossa criatividade.

(*) Pâmela Rosa é sócia e diretora de criação da agência Batuca, mestre em design pelo PGDesign-UFRGS (2018) e possui graduação em Design pela Universidade de Caxias do Sul (UCS) (2016). Tem também formação de nível técnico em Programação Visual pelo Instituto Federal de Educação Ciências e Tecnologia Sul-Rio-Grandense (2010).

Sobre a Batuca

Fazendo barulho desde 2012, a Batuca é uma agência de publicidade inquieta, que acredita que ideias barulhentas podem mudar negócios, vidas e marcas. Com sede em Bento Gonçalves (RS) e operação também em Porto Alegre (RS), a Batuca conta com uma equipe de profissionais de diversas áreas da comunicação e de diferentes regiões do país, prezando pela pluralidade de soluções e pela excelência na entrega de suas peças. A agência é comandada pelos sócios André Lima, Helena Ben, Pâmela Rosa e Dirson Arndt. Quem já faz barulho com a Batuca: Italinea, Criare, Unimed, Bettanin, Croasonho, Grendene, Keep Cooler, OU, Sicredi, Souza Cruz, Volare, entre outros. Em oito anos de história, a Batuca conquistou os prêmios FEPI (Festival Internacional de Publicidade Independente) e Colunistas Sul. Em 2019, ainda recebeu os prêmios Share Social Media e Top of Marketing. Conheça mais em: https://www.agenciabatuca.com.br

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