POSSO, MAS DEVO? – OS DILEMAS DA RETOMADA DE ATIVIDADES-26-06-20

Com a liberação gradual de atividades em diversos locais, as empresas enfrentam o dilema da volta. A possibilidade de retomo não significa que esta seja a melhor opção. É preciso ponderar os prós e contras da decisão, seja ela qual for. A reabertura envolve riscos e custos que precisam ser avaliados frente os benefícios da reabertura. Há, por um lado, uma pressão para a volta, desde a recuperação da receita até o desejo de muitos empregados, cansados da vida enclausurada. Se a atividade requer o contato direto com o cliente, como o varejo ou prestação de serviços no estabelecimento, a necessidade de receita tem um peso elevado. Nos casos em que o funcionamento remoto não interfere tanto, esse fator é atenuado. A vontade de voltar á uma rotina de trabalho para sair do isolamento é algo que faz com que muitas pessoas queiram o retorno. Assim como há pessoas que aproveitam a quarentena para submergir e aproveitar o ócio possibilitado pela redução de tarefas, há outros que ficam absorvidos de tal maneira que os horários de trabalho se estendem até ocupar quase todo o tempo. Entre os custos, há gastos evitados com o trabalho remoto, pois um escritório fechado, por exemplo, tem menos gastos do que em funcionamento, e desembolsos adicionais para adaptar os locais para os protocolos exigidos. Mais importante, porém, é o risco envolvido de contaminação das pessoas com um retorno prematuro. Apesar de estar liberada a volta de setores em alguns municípios, a situação local pode não ser condizente com a determinação oficial. Empresas com atividades espalhadas por diversos municípios e estados se deparam com uma situação mais complexa do que aquelas que operam em poucos locais. A decisão deve ser tomada em um grau de granularidade relevante, isto é, por uma delimitação geográfica em um nível estabelecido (região do estado, conjunto de municípios ou município), dada a heterogeneidade dos locais. A decisão da volta envolve não só o quando voltar, mas também como fazer. São várias perguntas, como quais são os ajustes de procedimentos necessários, se será feita de forma gradual ou de uma vez, se há necessidade de adoção de medidas preventivas. A lista pode se alongar por páginas e é isso o que ocorre em subsidiárias de empresas estrangeiras que receberam manuais detalhados para preparação de um eventual retorno. Quem não conta com uma matriz externa para dar o caminho precisa desenvolver o ferramental para a tomada e suporte de decisões. Não é uma tarefa trivial e nem isenta de erros. São decisões que envolvem um futuro incerto e não há como ter garantias antecipadas de qual o melhor caminho. Pode-se errar por excesso de cautela, postergando uma volta de baixo risco, assim como por um arrojo além do recomendável, expondo a empresa e as pessoas a riscos desnecessários.

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