Silvio Sibemberg – 06-03-20

NOVOS PREDADORES

Por Silvio Sibemberg – Empresário especialista em varejo

O varejo tem passado maus bocados ultimamente. Muitos pequenos fechando portas ou quase. Dificuldades econômicas do pais nos últimos anos foram o principal motivo para a crise que assolou e ainda aflige os lojistas de menos porte. Desemprego e diminuição de renda dos consumidores se constituem em obstáculos quase instransponíveis para essa turma. Ha que se ter muita criatividade e jogo de cintura para se manter no mercado. Gerar lucro então é excepcional e para poucos.

Nessas crises os mais fortes, melhor posicionados e com mais capacidade de geração de caixa acabam se fortalecendo e aproveitando as oportunidades que o momento oferece. Como se sabe no idioma chinês crise e oportunidade se escrevem do mesmo jeito. As ofertas de imóveis para a venda e locação aumentaram exponencialmente durante o período. Dai ao surgimento de novas megas lojas em novos locais é um pulo.

Em decorrência disso o processo conhecido como enxugamento de mercado cresce. Os grandes chegam e praticamente dizimam o entorno com preços mais baixos e melhores condições de pagamento além de outras estratégias de marketing. Difícil para os pequenos sobreviverem.
Também por isso é que hoje se veem tantas avenidas e ruas antes tidas como polos comerciais praticamente abandonadas com muitos estabelecimentos fechados. Cortinas baixadas e muitos cartazes de “vende-se” e “aluga-se”.
Diz-se ironicamente que essas foram as redes de lojas que mais cresceram.

Não bastasse a expansão física dos gigantes os pequenos enfrentam o crescimento acelerado do market place ( plataformas virtuais onde se compra e vende – Mercado Livre, por exemplo) e dos gigantes do e-commerce. Desses últimos, os maiores, sequer tiveram lojas físicas, nasceram literalmente na nuvem, caso da Amazon e AliExpress, entre outras.
Esse novo predador invisível se insinua e se propaga como um vírus até o momento incontrolável. Ameaça não só os pequenos, mas a todo o varejo físico onde quer que se encontre.
Nos Estados Unidos grandes lojas de departamento e até mesmo shoppings centers bem localizadas já estão se transformando em depósitos para atender mais rapidamente as vendas virtuais. Importante salientar que lá estão vinte anos a frente. Por aqui ainda estamos na fase que os grandes buscam ocupação de espaços físicos densamente povoados. Inclua-se entre os grandes os shoppings centers que na verdade não deixam de ser mega-lojas de departamento. Agem como esponjas da mesma forma onde quer que se estabeleçam e secam o entorno rapidamente.

A saída dos pequenos nesses tempos é estudar meticulosamente o mercado atrás de nichos específicos que apresentem potencial de crescimento à margem e apesar dos gigantes físicos e virtuais.
A hora é de reinventa-se para sobreviver.

 

 

 

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