Silvio Sibemberg – 29-05-20

A RECONSTRUÇÃO DO VAREJO

Por Silvio Sibemberg – Empresário especialista em varejo

Muitas queixas de lojistas sobre a decisão de reabrir ou não seus negócios agora quando do relaxamento dos leoninos decretos que os fecharam por tanto tempo. A duvida é pra lá de razoável. Empreendimentos maduros que tinham seus fluxos de clientes e caixa ajustados de uma hora para a outra se vem de frente com o inusitado. Como retomar atividades do marco zero outra vez é a grande questão. Com um serio agravante, o reinvestimento necessário. Uma coisa é um lojista estudar a possível abertura de uma filial, outra é reabrir a ou as lojas existentes que sofreram solução de continuidade. O pessoal afastado e hoje pago com medidas emergenciais pelo Estado volta para a conta corrente do empresário. Luz, agua e tributos também. Os estoques por sua vez demandam tempo para serem ajustados. No caso do ramo de alimentação o abastecimento leva dias. Os perecíveis exigem alta rotação. No caso do vestuário as lojas foram fechadas no fim do verão, em plena transição das estações. Não houve tempo para as liquidações e a nova coleção não chegou ou chegou pela metade. Ou cancelada pelo fornecedor que também parou ou pelo próprio lojista que não podia assumir o compromisso de receber sem ter ideia de quando poderia vender, muito menos saber como pagar as duplicatas.

Os lojistas de rua estão enfrentando o medo das pessoas de circularem. Muitos não querem voltar a seus locais de trabalho. Ainda pela doença ou pelo simples fato de terem se acostumado em home office. Especialmente profissionais liberais.

Os de shoppings e centro comerciais sofrem com o mesmo problema agravado por maiores restrições. O pessoal da alimentação tem que diminuir pela metade suas mesas e manter afastamento de dois metros entre elas. Buffet nem pensar. Os do vestuário não podem usar as cabines. Imaginem isto. Ir a uma loja sem poder provar a roupa. Mais ou menos como ir ao restaurante e não poder comer.

Não bastasse isto até para entrar e andar dentro dos shoppings virou uma gincana. Na entrada medidas só comparáveis as áreas de imigração dos aeroportos. Termômetro na testa, máscara na cara e álcool nas mãos para começo de conversa. Depois as pessoas tem que andar como se estivessem na parada militar, milimetricamente afastados umas das outras. A descontração do ambiente trocada por exageradas medidas de segurança da saúde. Como se as pessoas que decidem sair a rua ou ir a um centro de compras não tivessem capacidade de avaliar por si os riscos. A epidemia ou a idiotice das autoridades publicas, em busca da isenção de culpa pela incontrolável disseminação do vírus, simplesmente esta tirando a essência dos shoppings centers como local de compras, passeio e lazer. E a conta fica com os lojistas.

Como operar uma loja, seja do ramo que for, com oportunidades de venda reduzidas em 50% e custos mantidos em 100%, eis a questão. Os empreendedores, pelo menos neste reinicio de atividades, se mostram duros na cobrança das obrigações por parte dos lojistas. As deles, de entregar clientes nos corredores, esta seriamente prejudicada pelo medo e pelo novo regramento.

Talvez a solução esteja em os senhorios, sejam de lojas de rua, sejam de shoppings, reduzir os custos de ocupação proporcionalmente ao publico nas ruas ou nos corredores do shopping. Não ha outra saída. O sacrifício tem que ser de todos. Caso contrário a multiplicação de tapumes e de cortinas baixadas será inevitável.

Além disto não podemos esquecer que o consumidor aprendeu e gostou do delivery e do take-away.

Não vai ser fácil.

 

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