VIA VAREJO, B2W E MAGAZINE LUIZA PÕE À PROVA FÔLEGO DIGITAL COM BALANÇOS DO SEGUNDO TRIMESTRE – 14.08.2020

Os próximos dias devem ser de mais uma prova para as gigantes do varejo brasileiro. Empresas como Via Varejo, B2W e Magazine Luiza apresentam o balanço do segundo trimestre, período marcado pelo foco em operações online em meio à pandemia.

A crise premiou as varejistas que têm grande presença digital ou mostraram avanço na fase da quarentena, com a perspectiva de que os hábitos de consumo da fase de isolamento social permaneçam após a crise. São companhias que estariam mais preparadas para a crise, com dinheiro em caixa e estrutura em parte pronta para o serviço de entrega.

Desde janeiro, ações de Via Varejo subiram 72%, as de Magazine Luiza avançaram 71% e B2W têm ganhos de 90%. No mesmo período, estrearam na B3 empresas do setor como o Grupo Soma (dono de Animale e Farm) e Quero-Quero – especializada em materiais de construção.

O otimismo prevalece a despeito da perspectiva ruim para a economia como um todo, porque o mercado financeiro tem um tempo diferente da economia real. A lógica é a da antecipação de resultados.

Mas o raciocínio pode reservar a armadilha do sobrepreço, de modo que resultados decepcionantes no trimestre penalizariam mais os papéis das companhias. De todo modo, pode ser pensada uma tomada de decisão a partir dessa temporada de balanços.

No momento da virada

A crise pegou a Via Varejo em um momento de virada para o digital, processo que começou em meados de 2019. Em março, a empresa estava atrás de concorrentes como Magazine Luiza, a grande referência do mercado, mas certamente em uma situação melhor do que a de um ano atrás.

A percepção positiva sobre a empresa foi reforçada no mês passado, quando a companhia divulgou no Twitter — e em seguida apagou — uma série de dados de desempenho do digital. Entre maio e junho, a varejista teria registrado alta de 2500% nas vendas de câmeras e games, por exemplo. Outros eletrônicos também teriam apresentado alta expressiva.

Hoje, ao menos BTG Pactual, XP Investimentos e Itaú BBA têm recomendação de compra para as ações da companhia. De modo geral, o diagnóstico é o de que a empresa reduziu lacunas tecnológicas que podem não estar precificadas na bolsa.

A Via Varejo foi a Ação do Mês de julho, ou seja, a ação preferida das corretoras consultadas pelo Seu Dinheiro. No mês passado, o papel subiu 25%.

Destaque também para o dinheiro que a empresa levantou nesse meio tempo: R$ 4,45 bilhões em oferta de ações e R$ 1,5 bilhão em debêntures. O movimento fez o analista-chefe da Planner, Mario Roberto Mariante, dizer que a Via Varejo está pronta para surfar na retomada econômica.

Mesmo que a retomada da atividade não ocorra da forma esperada, avaliou o especialista, a companhia estaria estruturada para continuar explorando os canais online. Segundo consulta feita pela Bloomberg, analistas do mercado esperam os seguintes dados para a empresa:

Prejuízo líquido: R$ 185,7 milhões (ante R$ 154 milhões)

Receita líquida: R$ 5,440 bilhões (↓9,7%)

Ebitda: R$ 138,043 milhões (↓64,4%)

A B2W, cuja dona é a Lojas Americanas, deve apresentar prejuízo, mas não por causa da crise do coronavírus. A linha vermelha do balanço virou rotina para a empresa que tenta recuperar a grande fatia do mercado que chegou a ter na década passada, quando o site Submarino.com era uma das referências da internet.

Quando o mercado olha para os números da B2W, dá mais importância às vendas e na integração entre operações online e física. Por ora, há sinalizações positivas: as vendas brutas aumentaram 27,3% no primeiro trimestre — a R$ 4,58 bilhões, na comparação anual — e a empresa recebeu investimentos.

Em julho, a Lojas Americanas levantou R$ 7,8 bilhões em uma oferta de ações. O plano era investir no braço digital e aplicar R$ 4 bilhões na B2W – o que foi feito naquele mesmo mês. A medida deve favorecer o fluxo de caixa operacional das empresas.

Nos últimos tempos ambas consolidaram iniciativas de “O2O” (Online-to-Offline). A B2W ainda tem a vantagem de ser 100% digital e poder usar a estrutura da Americanas — para o serviço de buscar o produto na loja, por exemplo.

Na bolsa, os ganhos de BTOW3 superam da controladora, que subiu 50% desde janeiro. Segundo a projeção de analistas, as principais linhas do balanço devem apresentar os seguintes números:

Prejuízo líquido: R$ 58,940 milhões

Receita líquida: R$ 2,173 bilhões (↑47%)

Ebitda: R$ 170 milhões (↑54,3%)

Há espaço para mais?

Poucos no mercado duvidam da capacidade do Magazine Luiza de atravessar a crise. A empresa é um dos grandes casos de sucesso nos últimos anos na bolsa, com caixa e estrutura robustas.

No início do ano, havia o questionamento se as ações da empresa já não teriam se valorizado demais. Mas a crise do coronavírus impôs ainda mais expectativa sobre o Magalu os papéis escalaram – só nos últimos 12 meses a alta é de 120%.

O movimento fez algumas casas trocarem Magazine Luiza por Via Varejo, argumentado que haveria muito mais espaço para ganhos com a ação da segunda empresa.

Por ora, o Magalu se destaca por ser uma porta-voz do varejo brasileiro, com um discurso em prol de pequenos empresários em meio à crise – concretizado principalmente com o Parceiro Magalu, plataforma para empreendedores.

O Magazine Luiza também segue com movimentos para ter controle de toda a jornada do consumidor. No segundo trimestre, a empresa resolveu pendências da Netshoes e adquiriu a Hubsales – plataforma voltada para a indústria.

Também foram bem vistas pelo mercado a compra da Unilogic Media, da Canal Geek e da InLoco Media, divisão de publicidade da startup pernambucana InLoco. O passo foi considerado estratégico para a brasileira se aproximar de concorrentes globais, como Amazon e Alibaba.

As projeções de analistas para o segundo trimestre do Magazine Luiza, segundo a Bloomberg, são as seguintes:

Prejuízo líquido: R$ 127,7 milhões

Receita líquida: R$ 5,166 bilhões (↑19,9%)

Ebitda: R$ 6,250 milhões (↓98,4%)

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