Você vai ler na coluna hoje: Inteligência artificial faz consumo de energia disparar e desafia sistema elétrico, “A minha principal missão agora é avisar as pessoas sobre quão perigosa a inteligência artificial pode ser”, Especialistas em psicologia concordam: pessoas que evitam caixas de autoatendimento no supermercado não são folgadas, elas podem estar buscando interação social, “Quero sumir dos summits”, Os Boomers Confiaram no Governo, Mas a Geração Z Desconfia até dos Bilionários da Tecnologia Quando o Assunto É Clima, Quando a marca deixa de patrocinar e passa a criar seu próprio ecossistema, Tempo médio gasto em deslocamentos nas capitais é de mais de duas horas diárias, Jeff Bezos, CEO da Amazon, era obcecado por eficiência e corte de custos, Globo e COB ampliam parceria e transformam conteúdo olímpico em nova plataforma de mídia.
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Inteligência artificial faz consumo de energia disparar e desafia sistema elétrico
Crescimento dos data centers aumenta a demanda por eletricidade, enquanto a própria IA pode ajudar a prever falhas e melhorar a eficiência
Por Gabriela Morais (A Tribuna)
Quem mora na Baixada Santista conhece bem aquela cena de falta de luz diante de uma tempestade. Infelizmente, essa cena é o melhor atalho para entender o que o avanço tecnológico está começando a provocar no sistema elétrico do planeta.
Imagine juntar numa mesma conta de luz três grandes consumidores de energia da era digital: os data centers que guardam os servidores as máquinas que mineram criptomoedas dia e noite e a inteligência artificial que responde às nossas perguntas 24 horas por dia. Depois disso, perceber que, só em 2022, eles devoraram juntos cerca de 460 TWh de eletricidade, o equivalente a 2% de toda a energia elétrica consumida no planeta naquele ano.
Pode parecer uma fatia pequena, mas esse número é o aperitivo de um banquete que está longe de terminar, porque a Agência Internacional de Energia projeta que, até 2030, só os data centers devem chegar a algo entre 945 e 970 TWh, mais que o dobro dos cerca de 415 TWh que consumiram em 2024, com a inteligência artificial ocupando a cabeceira da mesa como a principal responsável por esse crescimento.
Precisamos lembrar que toda vez que pedimos para uma IA resumir um documento ou criar uma imagem, um servidor em algum data center trabalha, esquenta, precisa de eletricidade para funcionar e de ainda mais eletricidade e água para ser resfriado. Parece pouco quando pensamos em uma única pergunta, mas bilhões de pedidos por dia transformam essa conta em outra escala, ou seja, o “custo invisível” da IA é real.
Só que para essa história ficar ainda mais interessante, a mesma tecnologia que pressiona a rede é a que pode torná-la capaz de suportar essa pressão, porque a IA também pode ajudar e muito com recursos capazes de tornar o sistema elétrico mais eficiente, previsível e flexível.
Algoritmos de IA já conseguem prever com horas de antecedência quando o sol vai bater nos painéis solares, identificar um transformador prestes a falhar antes que ele deixe um bairro no escuro depois daquele estrondo seco que às vezes a gente ouve e prever quando vai sobrar energia, porque ela cruza a previsão do tempo com o histórico de consumo das cidades para responder em quais períodos desta segunda-feira (5), por exemplo, haverá mais energia do que gente precisando dela.
No final das contas, tudo se transforma. A telefonia saiu do orelhão e foi para o celular, a internet trocou a conexão discada pela fibra óptica e agora chegou a vez de a rede elétrica passar pela mesma virada. Sem essa digitalização, o risco é conviver com instabilidades e apagões mais frequentes.
O problema é que a tecnologia avança mais depressa do que a infraestrutura e as leis conseguem acompanhar. Para reduzir essa distância, o poder público pode incentivar a modernização das redes, com investimento em medição inteligente e automação. As agências reguladoras podem exigir que as empresas de tecnologia divulguem o consumo de energia e de água de seus data centers e estimular que novas instalações sejam abastecidas por fontes renováveis. Essa transparência não precisa parar nas empresas, ela também pode chegar para quem usa a tecnologia no dia a dia.
A gente pede cada vez mais da rede elétrica. Carregar o celular, carregar o carro, usar a IA toda hora, maratonar séries… A grande questão é: em algum momento ela vai deixar de aguentar?
Geoffrey Hinton, o padrinho da IA: “A minha principal missão agora é avisar as pessoas sobre quão perigosa a inteligência artificial pode ser”
Geoffrey Hinton, pioneiro das redes neuronais, acha que a inteligência artificial vai transformar o emprego, a política e até a nossa relação com as máquinas.
Por Segio Parra (National Geographic)
As máquinas podem agora aprender capacidades que há poucas décadas pareciam reservadas aos seres humanos, mas um dos homens que contribuiu decisivamente para tornar isto possível está agora convencido de que devemos perguntar-nos o que acontecerá quando essas máquinas forem melhores do que nós em muitas áreas. Geoffrey Hinton não é um observador qualquer.
É um dos investigadores que ajudaram a fixar as bases das actuais redes neuronais e, juntamente com John Hopfield, foi premiado com o Nobel da Física em 2024. Agora, a sua principal preocupação já não é apenas tornar a inteligência artificial mais inteligente, mas descobrir como convivermos com ela.
Numa longa conversa com Steven Bartlett em The Diary of a CEO, Hinton traça um futuro repleto de contradições: avanços médicos e educativos extraordinários convivem com desemprego, manipulação política, ciberataques, armas autónomas e sistemas cuja inteligência poderá vir a ultrapassar largamente a nossa. Ele não diz que o desastre seja inevitável, mas que estamos a desenvolver uma tecnologia extraordinariamente poderosa, sem sabermos como controlá-la completamente.
O conselho laboral mais inesperado de Hinton
O que deverá estudar alguém que inicie agora a sua carreira profissional? A resposta de Hinton é tão simples como desconcertante: aprender um ofício como canalização.
Não se trata de uma cruzada contra a universidade. O seu raciocínio aponta para uma diferença fundamental entre o mundo digital e o físico. Os actuais sistemas de IA conseguem ler, escrever, resumir documentos, programar, analisar informação e executar algumas tarefas intelectuais com enorme velocidade. Manipular fisicamente um ambiente imprevisível continua a ser muito mais complicado.
Daí que Hinton considere particularmente vulneráveis vários trabalhos realizados em frente a um computador. O paradoxo é notável: durante décadas, pensámos que as máquinas substituiriam primeiro o esforço físico e deixariam a salvo o intelectual; agora, a IA generativa está a obrigar-nos a reconsiderar essa ideia.
Também não significa que todos os profissionais venham a desaparecer de hoje para amanhã. Uma primeira consequência pode ser que, assistida por IA, uma pessoa consiga fazer um trabalho que antes necessitava de várias pessoas. Isto significa um aumento da produtividade, mas dá origem a outra pergunta: quem fica com essa riqueza?
Hinton teme que os benefícios económicos da revolução tecnológica possam concentrar-se de uma forma extraordinária. Uma IA capaz de multiplicar a produtividade pode criar muito mais riqueza e, simultaneamente aumentar a desigualdade se essa riqueza ficar em poucas mãos.
Dos ciberataques à manipulação
Hinton estabelece uma separação fundamental entre duas famílias de ameaças. Num lado, as que aparecem quando os seres humanos utilizam a inteligência artificial com fins danosos. No outro, o cenário é muito mais incerto: máquinas que um dia sejam consideravelmente mais inteligentes do que nós.
As primeiras já são reconhecíveis. A IA pode facilitar campanhas de desinformação, falsificações, fraudes ou ciberataques e possibilitar que uma operação que antigamente exigia determinados conhecimentos técnicos, fique ao alcance de muito mais pessoas.
A capacidade de persuasão preocupa particularmente Hinton. Uma máquina que conhece enormes quantidades de informação, que aprende os argumentos que funcionam e pode conversar individualmente com milhões de pessoas, dispõe de uma ferramenta que não se assemelha à propaganda tradicional.
A isto juntam-se as armas autónomas. Há anos que Hinton refere o perigo representado por sistemas capazes de escolher objectivos e agir com um nível crescente de autonomia. Nesse cenário, o problema é a máquina “rebelar-se”: basta que uma pessoa decida utilizá-la contra outra.
É aqui que se surge uma das contradições que pontuam toda a sua reflexão. A humanidade dificilmente renunciará à inteligência artificial porque as suas aplicações potencialmente benéficas são demasiado importantes.
Hinton espera enormes avanços na medicina, na educação e na ciência. Sistemas capazes de encontrar padrões invisíveis para nós poderão acelerar diagnósticos, descobertas farmacológicas e novas formas de ensino personalizado. A mesma tecnologia que cria riscos extraordinários pode tornar-se uma das ferramentas científicas mais poderosas criadas pela nossa espécie.
Por isso, comparar a IA com a bomba atómica também as suas limitações. Uma arma nuclear possui essencialmente uma função destrutiva. A inteligência artificial pode infiltrar-se em praticamente qualquer actividade baseada em informação. Travá-la por completo implica também renunciar a muitas das suas possíveis vantagens.
O problema que mais inquieta Hinton
Existe, porém, uma pergunta mais profunda. O que acontecerá se construirmos sistemas que não sejam apenas melhores na execução de determinadas tarefas, mas mais inteligentes do que os seres humanos em geral? É aqui que Hinton reconhece algo essencial: ninguém conhece a resposta.
A entrevista coloca asopiniões existentes em extremos radicalmente diferentes. Alguns investigadores consideram que manteremos o controlo porque podemos desenhar sistemas obedientes, enquanto outros defendem que uma superinteligência representaria um perigo existencial praticamente inevitável.
Hinton não adopta nenhuma dessas posições extremas. Já mencionou em diversas ocasiões que as suas estimativas pessoais sobre o risco de extinção são cerca de 10-20%, mas realça que não resultam de um cálculo científico capaz de definir essa probabilidade, mas de uma apreciação intuitiva de um fenómeno sem precedentes.
Essa nuance é fundamental. Não existe uma experiência histórica que permita calcular o que acontece quando uma espécie cria outra forma de inteligência superior a ela. Estamos a tentar atribuir probabilidades a um acontecimento inédito. A sua preocupação também parte da diferença entre cérebros e máquinas. O conhecimento humano transmite-se lentamente através da linguagem, do ensino e da cultura. Os sistemas digitais podem copiar parâmetros e informação de diferentes entidades com uma facilidade radicalmente diferente.
Uma inteligência digital pode, então, beneficiar de uma propriedade que a nossa inteligência biológica não possui na mesma medida: aquilo que uma máquina aprende pode propagar-se e replicar-se a velocidades extraordinárias. Significa isso, necessariamente, que escapará ao nosso controlo? Não. E é precisamente aí que reside a parte menos espectacular, mas provavelmente mais importante da mensagem de Hinton.
Há que investigar como construir sistemas que, mesmo sendo extremamente capazes, mantenham objectivos compatíveis com os interesses humanos. A questão decisiva do século XXI talvez não seja quanto poderemos aumentar a inteligência das máquinas, mas se aprenderemos a fazê-lo antes de o seu poder ultrapassar a nossa capacidade de governá-las.
Hinton dedicou uma boa parte da sua vida a demonstrar que as redes neuronais podem aprender. Conseguiu fazê-lo quando muitos duvidavam dessa ideia. Décadas mais tarde, contempla o resultado com uma mistura extraordinária de fascínio e preocupação. A ironia é quase literária: um dos homens que ajudou a ensinar as máquinas a aprender dedica agora os seus esforços a pedir-nos que aprendamos a conviver com elas.
Especialistas em psicologia concordam: pessoas que evitam caixas de autoatendimento no supermercado não são folgadas, elas podem estar buscando interação social
Por Lucas Cardoso (Tupi FM)

Interação humana no caixa do supermercado é um fator crucial na experiência de compra, segundo a psicologia
A escolha por um caixa tradicional em vez de um de autoatendimento pode parecer uma decisão baseada apenas na conveniência, mas a psicologia e estudos sobre o comportamento do consumidor apontam para outro fator: a interação humana.
Para algumas pessoas, conversar por poucos segundos com o operador, receber uma saudação ou trocar algumas palavras faz parte da experiência de compra. São pequenos contatos cotidianos que podem proporcionar uma sensação de conexão social.
Uma interação que parece insignificante
As conversas breves que temos com pessoas com as quais não mantemos uma relação próxima são chamadas na psicologia social de “vínculos fracos”. Uma saudação, um diálogo curto ou reconhecer alguém que vemos habitualmente podem parecer gestos sem importância, mas ajudam a pessoa a se sentir conectada com seu ambiente.
Em um supermercado, o funcionário do caixa pode se tornar um desses contatos frequentes. Não é necessário um diálogo profundo, bastando um cumprimento, uma pergunta ou algumas palavras durante o pagamento. Quando o cliente utiliza uma máquina, essa troca desaparece, o que leva alguns a preferirem esperar mais tempo na fila para preservar esse momento de interação.
Optar por um caixa com atendente não significa que alguém seja menos independente ou tenha dificuldades com a tecnologia. Pesquisas sobre caixas de autoatendimento mostram que existem diferentes razões para usá-los ou evitá-los. A relação dos consumidores com essas tecnologias é influenciada por fatores como costumes, obrigações sociais e a própria experiência de compra.
Um estudo com consumidores do Reino Unido e da Austrália revelou que a qualidade percebida do atendimento nos caixas tradicionais teve um efeito mais positivo na satisfação e na avaliação geral da loja do que a experiência nos caixas de autoatendimento. Isso sugere que o elemento humano continua relevante, mesmo com uma alternativa tecnológica aparentemente mais rápida.
Os caixas automáticos oferecem vantagens claras, como maior controle sobre o processo, redução no tempo de espera e mais autonomia para o consumidor. Contudo, também podem apresentar problemas técnicos, verificações adicionais ou a necessidade de solicitar ajuda a um funcionário. Uma pesquisa publicada em 2026 sobre a interação entre humanos e máquinas identificou que os usuários ainda encontram dificuldades com o reconhecimento de produtos, as balanças ou as verificações de idade.
“Quero sumir dos summits”
Por Alessandro Jacoby
Pronto. Falei.
Talvez seja uma fase.
Talvez seja idade.
Talvez eu simplesmente tenha atingido
minha cota anual de crachá pendurado no pescoço.
Mas está demais.
É um tsunami de gente.
Conteúdo.
Estímulo.
Conversa.
Painel.
Palco.
Telão.
Café.
Networking.
QR Code.
E alguém dizendo que os próximos cinco anos
serão completamente diferentes de tudo o que vimos até aqui.
De novo.
Você entra querendo aprender alguma coisa.
E sai com 47 ideias, 12 fotos de slides, 8 contatos que não lembra direito quem são.
E uma leve sensação de que está atrasado em absolutamente tudo.
E tem os painéis.
Cinco pessoas sentadas.
Trinta minutos.
Apresentação do mediador.
Apresentação dos convidados.
Uma pergunta para cada um.
Respostas de dois minutos.
E, quando alguém finalmente começa a dizer algo interessante.
“Infelizmente nosso tempo acabou.”
Uma bordoada de informação sem tempo suficiente para virar pensamento.
Talvez seja justamente isso que esteja me incomodando.
Não quero mais informação.
Quero digestão.
Quero uma boa ideia que fique comigo por três dias.
Uma conversa que mude alguma coisa.
Alguém que tenha tempo de desenvolver um raciocínio até o ponto em que ele fique desconfortável.
Porque estou começando a suspeitar que nosso problema não é falta de conteúdo.
É excesso de coisa chegando antes que a anterior tenha conseguido virar alguma coisa dentro da gente.
Os Boomers Confiaram no Governo, Mas a Geração Z Desconfia até dos Bilionários da Tecnologia Quando o Assunto É Clima
À medida que o poder econômico e político muda de mãos, cresce entre os mais jovens a cobrança por ações concretas, menos promessas e uma nova visão para enfrentar a crise climática
Por Anna Broughel (Forbes)
O senso comum sustenta que, quanto mais jovem você é, mais confia na tecnologia para nos salvar das mudanças climáticas. A ideia é que os nativos digitais vão programar, desenvolver e inovar até encontrar uma saída. Na realidade, o contrário pode ser verdadeiro. A confiança em uma solução tecnológica para o clima parece diminuir a cada geração mais jovem, e essa mudança importa para qualquer pessoa que esteja desenvolvendo, financiando ou regulamentando soluções climáticas.
Coloque um boomer, uma pessoa da geração X, um millennial e uma pessoa da geração Z na mesma conversa sobre clima, e duas coisas ficam claras. O jogo de culpar gerações não vai nos levar muito longe, e aquilo em que cada geração acredita a respeito das soluções remonta ao que ela viu funcionar, ou fracassar, enquanto crescia.
Acreditamos nas soluções que vimos funcionar
Os boomers chegaram à idade adulta quando os problemas ambientais eram visíveis, locais e solucionáveis. Os rios cheiravam a produtos químicos, e a fuligem do carvão cobria os carros nos campi universitários. Então, um movimento liderado por jovens deu origem ao Dia da Terra, à Agência de Proteção Ambiental, à Lei do Ar Limpo e à Lei da Água Limpa, e a qualidade do ar e da água melhorou de forma mensurável.
Esse sucesso criou uma convicção duradoura: identifique o problema, aprove uma lei, desenvolva uma solução. Dan Delurey, um boomer que apresenta o podcast Four Generations Talk Climate, ou Quatro Gerações Falam sobre Clima, e que tem experiência em política energética e no setor de serviços de energia, argumenta que essa crença pode ter produzido o efeito contrário. “Muitos boomers, de certa forma, confiavam ou talvez esperassem que o governo fizesse alguma coisa a respeito disso”, disse ele. “E talvez isso tenha feito com que não fôssemos tão ativos quanto poderíamos ter sido.”
Quando a marca deixa de patrocinar e passa a criar seu próprio ecossistema
Por Guga Wanderley
A saída do Itaú do patrocínio do The Town para dar lugar ao Mercado Pago mostra uma mudança clara na forma como as marcas encaram a cultura e o entretenimento. O modelo tradicional de disputar espaço em grandes festivais começa a dar sinais de cansaço, já que a atenção das pessoas fica dividida entre dezenas de patrocinadores em um ambiente alugado, sem controle real da experiência ou dos dados gerados.A tendência agora é criar plataformas e ecossistemas culturais próprios.
A ação recente da Shakira em Madri ilustra muito bem esse conceito. Em vez de alugar um estádio tradicional para um show de duas horas, a equipe dela contratou o escritório de arquitetura Bjarke Ingels Group para erguer o Macondo Park em um terreno de 185 mil metros quadrados. A estrutura funcionou como uma cidade temporária e modular para 50 mil pessoas, montada com materiais reutilizáveis e foco em desperdício zero. Ao integrar feiras, gastronomia e áreas de lazer, o projeto capturou toda a jornada do público muito antes de a música começar.
Essa mesma lógica orienta o movimento do Itaú. Em vez de depender do evento dos outros, o banco direciona esforços para ativos proprietários, como a plataforma Itaú Live para benefícios em ingressos, megaprojetos autorais como o show da Madonna em Copacabana e o fortalecimento da vertical de esportes com o Itaú BBA e o Private Bank.
As marcas deixam de ser apoiadoras para se tornarem criadoras dos seus próprios ecossistemas, e de suas próprias midias.
CaaA Culture as an Asset – Roubando a nomenclatura de cultura empresarial avalio que os ativos culturais (modos de pensar, existir, se expressar) têm sido fundamentais na construção e desenvolvimento da economia no Brasil e no mundo.
Ter uma plataforma própria garante controle total da jornada do cliente, melhor uso dos recursos e um valor de marca muito mais duradouro. No cenário atual de marketing de experiência, a questão principal é se vale a pena continuar pagando pelo palco alheio ou se é hora de construir um ecossistema próprio.
Tempo médio gasto em deslocamentos nas capitais é de mais de duas horas diárias
Os deslocamentos urbanos continuam representando um desafio para os internautas moradores das principais capitais brasileiras. Segundo a pesquisa Viver nas Cidades, executada pela Ipsos-Ipec, o tempo médio gasto diariamente em deslocamentos aumentou de 1h56 em 2025 para 2h05 em 2026, uma alta de nove minutos.
Outras constatações do levantamento: o transporte coletivo permanece como principal meio de locomoção e a sensação de insegurança para caminhar pelas cidades segue elevada.
Foram feitas 3.500 entrevistas entre os dias 1 e 20 de julho desse ano em painel de internautas, distribuídas entre as cidades de Manaus, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Goiânia.
Para Patricia Pavanelli, diretora de Opinião Pública e Política da Ipsos-Ipec, o avanço do tempo de deslocamento e a persistência de problemas como lotação, demora e custo das passagens evidenciam a dificuldade do país em priorizar políticas para garantir uma mobilidade urbana mais eficiente, inclusiva e sustentável.
Mais tempo gasto para se deslocar
Atualmente, os internautas das cidades pesquisadas gastam em média 2h05 por dia em deslocamentos urbanos. Quatro em cada dez (42%) passam mais de uma hora e meia por dia se locomovendo pela cidade.
Fortaleza registra o maior tempo médio diário de deslocamento, com 2h18, além do maior avanço em relação a 2025 (+20 minutos). Também foram identificados aumentos em Recife (+17 minutos), Goiânia (+15 minutos) e Rio de Janeiro (+12 minutos).
A única capital a apresentar redução foi Belém (PA), onde o tempo médio caiu 12 minutos na comparação com o estudo anterior. Porto Alegre permaneceu com o menor tempo médio de deslocamento, com 1h37 por dia.
Ônibus: principal modal de deslocamento
O ônibus continua sendo o principal meio de transporte utilizado pelos moradores das capitais pesquisadas. Em 2026, 35% afirmam utilizar principalmente ônibus, BRT ou MOVE, percentual estável em relação a 2025.
O carro apareceu na sequência, com 18%, seguido por carros por aplicativo (8%) e metrô (8%). O transporte coletivo permanece predominante sobre os meios individuais: 54% utilizam principalmente algum modal coletivo, contra 44% que priorizam meios individuais.
Salvador é a capital com maior parcela de usuários de transporte coletivo (65%). No outro extremo, Goiânia continua a capital com maior dependência do transporte individual (67%), seguida por Manaus (59%).
A pesquisa mostrou ainda que quem utiliza transporte coletivo gasta mais tempo se deslocando. O tempo médio dos usuários desses modais chega a 2h17 por dia, contra 1h47 entre os que usam prioritariamente transporte individual.
Uso do transporte coletivo permanece elevado
Mesmo entre aqueles que não utilizam o transporte público como principal meio de locomoção, muitos recorrem ao modal ocasionalmente. Ao todo, 78% dos participantes afirmam utilizar algum tipo de transporte público coletivo. O índice é mais elevado em Salvador (84%), São Paulo (82%), Belém (82%) e Rio de Janeiro (81%).
Goiânia apresentou o menor percentual, com 51%. Entre os grupos sociais, o uso é mais frequente nas classes C e D/E e entre pessoas com renda familiar de até dois salários mínimos, reforçando a importância do transporte coletivo como instrumento de acesso à cidade e aos serviços urbanos.
Prioridades para adesão de não usuários
Entre os internautas que não utilizam transporte coletivo, os principais fatores que poderiam incentivar a adoção do modal são: Redução do tempo de espera nos pontos e terminais (41%); tornar o trajeto mais rápido que outros meios de transporte (40%); Ampliação das linhas e da cobertura do sistema (32%).
Em comparação com 2025, cresce a importância da velocidade dos deslocamentos como atributo capaz de atrair novos usuários para o transporte público. Sete em cada dez internautas utilizam ônibus
O levantamento aponta que 70% dos participantes utilizam ônibus municipais, BRT ou MOVE. O índice é mais alto em Belém (76%), Rio de Janeiro (75%), Porto Alegre (74%) e Salvador (74%). Em Goiânia, o percentual cai para 53%.
Problemas mais urgentes
Entre os usuários desses sistemas, os problemas considerados mais urgentes permanecem praticamente os mesmos observados em 2025: Lotação dos veículos (24%); Preço da tarifa (20%); Estado e condições gerais dos veículos (12%); Segurança (10%); Pontualidade e frequência (10% cada). Tarifa impacta lazer, convivência e oportunidades
Segundo a pesquisa, 63% afirmam deixar de visitar amigos ou familiares em outros bairros sempre ou às vezes devido ao custo das passagens. O mesmo ocorre com as atividades de lazer, como parques e cinemas (59%); as consultas médicas e exames (51%); a procura por emprego (44%) e a frequência à escola ou universidade (33%). O impacto é ainda mais intenso entre os mais jovens e as pessoas de menor renda.
Tarifa zero: apoio depende de melhorias no serviço
A discussão sobre a adoção da tarifa zero continua sendo percebida de forma favorável, mas condicionada à melhoria da qualidade do sistema. Para 25% dos entrevistados a gratuidade pode ser positiva, desde que haja melhoria da qualidade e da frequência do serviço. Outros 22% acreditam que a medida ampliaria o acesso ao transporte e reduziria a exclusão social. Já 16% avaliam que a tarifa zero incentivaria a redução do uso do carro e contribuiria para diminuir congestionamentos e emissões de poluentes.
Insegurança para caminhar
Outro desafio identificado pelo estudo é a segurança viária para pedestres, visto que oito em cada dez respondentes (80%) afirmam sentir-se pouco seguros ou nada seguros ao transitar pela cidade a pé, percentual semelhante ao registrado em 2025. Entre as mulheres, o índice de insegurança alcança 85%.
O Rio de Janeiro apresenta o pior cenário, com 87% relatando sensação de insegurança. Goiânia registra o melhor resultado, embora a maioria (62%) declare se sentir insegura como pedestre.
Jeff Bezos, CEO da Amazon, era obcecado por eficiência e corte de custos
Por Alírio Nogueira
Ele se concentrava em cada centavo, desde o design da embalagem até o salário dos funcionários de entrada (os mais baratos).
Fizeram um estudo detalhado.
A expectativa era provar que o salário baixo maximizava o lucro.
O resultado foi o oposto.
Bezos descobriu que o funcionário mais barato era, na verdade, o mais caro para a empresa.
O Custo Escondido do Salário Baixo:
O custo do funcionário não é apenas o salário que você paga (custo visível).
O custo real é o custo da rotatividade (custo invisível).
O funcionário com o salário mínimo é o primeiro a aceitar uma oferta R$ 100 maior em outro lugar.
Isso dispara uma cadeia de custos devastadores:
1. Custo de Recrutamento: Anúncios, entrevistas e tempo do RH.
2. Custo de Treinamento: Um novo funcionário é lento e comete erros, custando tempo de outros funcionários experientes.
3. Custo de Erro: O alto erro do novato gera mais Reclamações do Cliente e Desperdício de Material.
4. Moral: A rotatividade constante destrói a moral e a produtividade de quem fica.
Bezos chamou isso de Custo de Alto Volume de Negócios (High-Turnover Cost).
A Decisão Ilógica de Bezos:
Para cortar custos, a Amazon começou a pagar mais do que o mercado para seus funcionários de entrada.
– O salário subiu.
– A rotatividade caiu drasticamente.
– A qualidade e a produtividade aumentaram.
– O Custo Total por Funcionário/Ano (incluindo erros e treinamento) caiu.
O CEO obcecado em economizar provou que investir no salário era a melhor estratégia de corte de custos.
Aprendemos com isso:
Essa é a famosa história do barato que sai caro.
Se você focar apenas no custo visível (salário), você é destruído pelo custo invisível (rotatividade, erro, treinamento).
O barato que sai caro não é uma frase. É uma estratégia falha.
Globo e COB ampliam parceria e transformam conteúdo olímpico em nova plataforma de mídia
Por MKT Esportivo

A Ge TV será a principal base de distribuição digital dos conteúdos da Time Brasil TV. A parceria também prevê materiais exclusivos na TV Globo, Sportv, ge e Globoplay, ampliando a presença das modalidades e dos atletas brasileiros nas diferentes plataformas do grupo.
O projeto terá ainda a participação da Play9 Content Group, parceira do COB, no desenvolvimento de conteúdos digitais e ações com influenciadores. A operação foi estruturada em quatro frentes: produção de conteúdo, distribuição, estratégia para redes sociais e exploração comercial.
O acordo também envolve negócios. Globo e COB poderão comercializar patrocínios conjuntamente, desenvolver projetos de branded content, campanhas publicitárias integradas, eventos e novas propriedades comerciais ligadas à marca Time Brasil.













