Coragem para querer é a habilidade que pode diferenciar líderes na era da inteligência artificial – 08.10.2026

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Você vai ler na coluna hoje: Coragem para querer é a habilidade que pode diferenciar líderes na era da inteligência artificial, Google lança ferramenta grátis que diz se conteúdo foi criado por IA, A história que transformou atendimento em marketing, Nova Lei do Silêncio acaba com regra das 22h e muda limites de barulho para som alto do vizinho, bares e shows, Esquecimento faz parte do funcionamento normal do cérebro, Pais e avós deixam valores e histórias, além do testamento, Segundo a psicologia, quem guarda até hoje um brinquedo da infância pode não estar apenas sendo nostálgico, mas preservando uma âncora de segurança emocional, Valorize a terça-feira.

 

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Coragem para querer é a habilidade que pode diferenciar líderes na era da inteligência artificial

Escritor e palestrante Álvaro Fernando defende que, diante do avanço da tecnologia, as organizações precisam desenvolver menos respostas prontas e mais discernimento, confiança e protagonismo para tomar decisões

Por Paulo Bontorin (Gazeta do Povo)

A inteligência artificial já produz textos, analisa dados e sugere soluções em poucos segundos. Nesse cenário, o diferencial competitivo das organizações pode estar menos na tecnologia em si e mais na capacidade humana de interpretar contextos, fazer escolhas e assumir responsabilidades.

Para Álvaro Fernando, escritor e um dos palestrantes mais inovadores do Brasil, com foco em protagonismo e desenvolvimento pessoal, o pensamento crítico permanece entre as competências mais relevantes para quem ocupa posições de liderança.

“A habilidade de avaliar o que deve ser feito e, principalmente, o que não deve ser feito, está no centro das grandes decisões. Liderar significa analisar cenários, ponderar consequências e responder pelas escolhas realizadas”. Ao mesmo tempo, Álvaro Fernando chama a atenção para um aspecto frequentemente ignorado nas empresas, ou seja, o peso das emoções no processo decisório. “Primeiro decidimos emocionalmente. Depois usamos a razão para justificar a decisão”, observa.

Em um ambiente em que IAs generativas conseguem comparar alternativas e construir argumentos com enorme eficiência, compreender a própria influência emocional passa a ser uma competência estratégica. “Só quem entende que decide com o coração, consegue usar a razão a favor das próprias escolhas”.

Coragem

Embora o discurso corporativo valorize iniciativa e inovação, Álvaro Fernando acredita que a verdadeira coragem surge muito antes da execução. Ela aparece quando alguém reconhece, sem disfarces, aquilo que realmente deseja. “A maioria das pessoas imagina que a coragem vem depois do querer. Primeiro eu decido o que quero, depois encontro coragem para agir. Mas pode ser o contrário. A primeira coragem é admitir o que realmente se quer”.

Em sua avaliação, assumir esse desejo implica aceitar riscos, críticas e a possibilidade do fracasso. Por isso, muitas pessoas preferem atribuir suas escolhas às circunstâncias, ao mercado ou às decisões da empresa. A coragem de querer representa exatamente esse momento. É a decisão de assumir a autoria da própria vida antes mesmo da ação. “Porque toda realização começa quando alguém tem a coragem de dizer: ‘é isso que eu quero’. O resto, agir, aprender e persistir, vem depois”.

Confiança 

Enquanto muitas organizações investem em tecnologias para aumentar produtividade e eficiência, criar relações de confiança continua trazendo os melhores resultados; porém, a conexão humana não pode ser tratada como um projeto corporativo.

As conexões fazem parte da nossa natureza. Não é papel das empresas criar conexões entre pessoas. Cabe às organizações oferecer ambientes respeitosos e saudáveis, nos quais a confiança possa se desenvolver naturalmente. “Todos nós temos um desempenho superior quando podemos confiar em nossos companheiros, em nossos líderes e em nossos liderados. A partir daí, faz sentido falar em conexão entre pessoas. E, quando existe confiança entre elas, os resultados são fora de série”.

Protagonismo

Criador da assinatura musical do iFood e autor de mais de 3 mil trilhas de grandes marcas, ele também questiona algumas interpretações sobre inovação e cultura organizacional. Para ele, incentivar o pensamento crítico não significa estimular uma “cultura do erro”, mas criar condições para que profissionais experimentem, aprendam e assumam responsabilidades.

Ao lembrar sua experiência atendendo grandes anunciantes, Álvaro Fernando observa que a tecnologia tornou mais fácil testar diferentes alternativas, mas isso não significa celebrar o erro. “Na verdade, aprendemos muito mais quando acertamos do que quando erramos. Mas, é claro, só erra ou acerta quem faz”.

Empresas que realmente desenvolvem pensamento crítico são aquelas em que os líderes apoiam mudanças, aceitam riscos e incentivam o protagonismo. Os principais sinais de que uma empresa realmente incentiva o protagonismo aparecem quando os decisores têm “coragem de querer”, apoiam mudanças, correm riscos e assumem responsabilidades.

Diante das incertezas que cercam o futuro do trabalho, ele deixa um convite para líderes e profissionais de RH. “Precisamos abraçar o desconhecido. Aproveitem a oportunidade de viver esse novo mundo. Abandonem a armadilha da preparação eterna, a ilusão de que nunca estamos prontos e o culto ao “ainda falta”. Essa é a coragem de querer”.

Google lança ferramenta grátis que diz se conteúdo foi criado por IA

Plataforma foi disponibilizada gratuitamente, mas funciona apenas para algumas empresas

Por Vitória Gomez, da CNN Brasil.

O Google anunciou nesta quarta-feira (7) que está disponibilizando gratuitamente sua ferramenta para identificar conteúdos criados ou editados por IA.

O SynthID Detector foi lançado no começo do ano passado, mas até agora só estava disponível para públicos específicos, como jornalistas e profssionais da mídia.

O recurso consegue analisar imagens, vídeos e áudios e dizer se eles foram criados ou tiveram algum tipo de edição feita por inteligência artificial.

Ele funciona em conteúdos que passaram pelas ferramentas de IA do Google, OpenAI, Nvidia e Kakao. Em breve, também conseguirá analisar conteúdos da Apple.

Na prática, o SynthID Detector identifica marcas d’água da IA. Isso porque todo conteúdo que passa por alguma edição generativa ganha uma espécie de selo — alguns invisíveis ao olho humano, mas que as máquinas conseguem captar.

Segundo a empresa, já foram mais de 180 bilhões de imagens e vídeos identificados desde o lançamento, em 2025, e 240 mil anos de conteúdo de aúdio.

A ferramenta foi disponibilizada gratuitamente a nível global, em inglês.

Marca d’água de IA não é universal

Por ora, a iniciativa do Google vale apenas para as empresas listadas. Como não existe um sistema de marca d’água universal da IA, cada companhia opta por aplicar esse ‘selo invisível’ de formas diferentes.

A Meta, por exemplo, tem um detector próprio, que vale apenas para conteúdos criados usando o modelo Muse.

Em comunicado, a big tech ainda escreveu que está “trabalhando continuamente para expandir nossas parcerias a fim de permitir a detecção de mais mídias geradas”.

A história que transformou atendimento em marketing

Por Alírio Nogueira

Noite de 2009.
Las Vegas.

Tony Hsieh, fundador da Zappos, saiu para beber com clientes.

Bar fechou.
Voltaram pro hotel com fome.

Room service fechado.

Um cliente queria pizza.

Hsieh fez uma aposta: “Liga pro Zappos.”

O cara olhou confuso. “Zappos vende sapato.”

“Eu sei. Mas liga.”

2 da manhã.
Cliente ligou.

A atendente atendeu em 20 segundos.

“Olá, aqui é a Zappos. Como posso ajudar?”

“Queria pedir uma pizza.”

Silêncio.

Depois:
“Claro! Deixa eu procurar pra você.”

A atendente não vendeu pizza.
Pesquisou 3 pizzarias abertas perto do hotel.

Passou endereço e telefone.

Ofereceu ligar ela mesma.

Cliente desligou impressionado.

Hsieh ganhou a aposta.

Mas o jogo era outro.

Tony construiu a Zappos como “empresa de atendimento que vende sapatos”.

Não mediam tempo de ligação.
Não tinham script.

Se Zappos não tivesse o sapato?
Direcionavam pro concorrente.

O recorde?
Uma ligação de 10 horas e 43 minutos.

Não venderam nada.
Só conversaram.

A filosofia era clara: cada interação é marketing.

Outro caso:

Mulher comprou chinelos pro marido.
Ele morreu antes de receber.

Ela pediu reembolso.

Zappos devolveu o dinheiro e enviou flores pro funeral.

No velório, ela contou a história.

Dezenas viraram clientes.

ROI? Impossível calcular em planilha.

Mas funciona.

2009:
Amazon comprou a Zappos por US$ 1,2 bilhão.

Motivo?
A cultura de atendimento era o ativo mais valioso.

Tony Hsieh provou algo radical:

Atendimento não é custo.

É investimento.

Clientes leais valem mais que campanhas milionárias.

E a melhor propaganda é tratar pessoas como pessoas.

Não como números.

Nova Lei do Silêncio acaba com regra das 22h e muda limites de barulho para som alto do vizinho, bares e shows

Por Gabriel Almeida (Portal Tempo Novo)

Durante décadas, muita gente adotou as 22h como uma espécie de limite oficial para qualquer tipo de barulho. A interpretação se tornou comum em condomínios, bares, festas e até discussões entre vizinhos. No entanto, a legislação brasileira não estabelece esse horário como uma regra nacional capaz de determinar, sozinha, quando o som pode ou não continuar.

Na prática, um bar pode manter música depois das 22h e um evento pode seguir noite adentro, desde que respeitem as normas aplicáveis naquele município, as condições do licenciamento e os limites de ruído estabelecidos para a região.

Por outro lado, ninguém ganha autorização para fazer barulho excessivo simplesmente porque ainda são 18h, 19h ou 20h. Dependendo da intensidade e das circunstâncias, a fiscalização pode agir inclusive durante o dia.

Com isso, horário, quantidade de decibéis, zoneamento, tipo de estabelecimento e isolamento acústico passam a ter peso na análise de cada situação.

Lei do Silêncio não determina silêncio obrigatório às 22h

Apesar do nome popular, o Brasil não possui uma única “Lei do Silêncio” nacional estabelecendo que todo som precisa terminar exatamente às 22h, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

Esse horário aparece em regras municipais e pode marcar o início de limites mais rigorosos em determinadas cidades. Porém, isso não significa que qualquer barulho seja permitido antes das 22h nem que toda atividade sonora se torne ilegal depois desse momento.

Além disso, o Decreto-Lei nº 3.688/1941, conhecido como Lei das Contravenções Penais, prevê punição para situações de perturbação do trabalho ou do sossego alheio.

A norma alcança casos envolvendo gritaria, abuso de instrumentos sonoros e determinadas atividades ruidosas. Porém, ela não determina que a proteção ao sossego comece somente às 22h.

Portanto, uma festa com volume excessivo durante a tarde também pode provocar reclamação, fiscalização e outras consequências previstas em lei.

Regra das 22h não funciona como limite absoluto

O relógio continua importante, mas não decide tudo sozinho.

Muitas cidades dividem o dia em períodos e estabelecem limites de ruído diferentes para cada faixa de horário. Normalmente, quanto mais tarde, mais rígido pode ficar o limite permitido.

Além disso, os fiscais podem analisar o nível de ruído, a localização do imóvel, o zoneamento, a licença do estabelecimento e as medidas utilizadas para impedir que o som incomode imóveis próximos.

Belo Horizonte oferece um exemplo dessa divisão. A legislação municipal estabelece diferentes níveis de ruído conforme o período do dia.

Os limites chegam a 70 decibéis durante determinado período diurno e diminuem progressivamente durante a noite. Entre 22h01 e 23h59, por exemplo, a referência fica em 50 decibéis, enquanto entre meia-noite e 7h o limite pode chegar a 45 decibéis.

Assim, passar das 22h não determina automaticamente o encerramento da atividade. O estabelecimento precisa respeitar as condições previstas para aquele horário.

Bares e restaurantes podem funcionar depois das 22h

Para bares e restaurantes, a análise também vai muito além do horário mostrado no relógio.

Um estabelecimento localizado em uma região residencial pode enfrentar exigências diferentes das aplicadas a outro instalado em um corredor comercial ou polo gastronômico.

As prefeituras também podem exigir isolamento acústico, determinar regras para áreas externas e criar condições específicas para música ao vivo.

Além disso, o horário autorizado para funcionamento e o limite permitido de barulho não representam exatamente a mesma coisa.

Em São Paulo, por exemplo, o Programa Silêncio Urbano, conhecido como PSIU, fiscaliza estabelecimentos comerciais, indústrias e outros imóveis não residenciais.

A cidade possui normas próprias para avaliar a incomodidade e o nível de ruído provocado pelas atividades.

Portanto, simplesmente encontrar um bar aberto depois das 22h não significa que o estabelecimento esteja cometendo uma infração.

Shows não precisam terminar às 22h pela Lei do Silêncio

A mesma lógica alcança shows, festivais, festas e outros grandes eventos.

Os organizadores precisam cumprir autorizações municipais, horários estabelecidos na licença, regras relacionadas à localização e limites sonoros determinados pelos órgãos responsáveis.

Caso o evento ultrapasse os parâmetros definidos ou descumpra as condições impostas pela prefeitura, os responsáveis podem sofrer fiscalização e penalidades.

Mudança não significa som alto liberado durante a madrugada

A inexistência de uma regra nacional automática das 22h também não significa que moradores possam colocar caixas de som no volume máximo durante toda a madrugada.

O direito ao sossego continua protegido.

Além das regras federais relacionadas à perturbação, estados e municípios podem estabelecer normas sobre poluição sonora, uso dos imóveis, funcionamento de estabelecimentos e atividades econômicas.

Por isso, uma denúncia pode ocorrer em diferentes horários.

Uma festa que produza ruído excessivo às 17h pode gerar problema da mesma maneira que uma caixa de som utilizada durante a madrugada.

Som alto do vizinho também pode gerar ocorrência antes das 22h

Esse ponto derruba outra crença bastante popular.

A frase “até as 22h pode fazer barulho” não representa uma autorização prevista na legislação brasileira.

Se o vizinho produzir ruído excessivo durante a tarde ou no início da noite, a situação poderá ser analisada conforme as regras locais e as circunstâncias do caso.

Além das normas municipais, condomínios podem estabelecer regras internas relacionadas ao uso de áreas comuns, festas e ruídos dentro dos edifícios.

Portanto, o morador não precisa necessariamente esperar o relógio marcar 22h para reclamar de uma situação considerada excessiva.

Zoneamento pode mudar Lei do Silêncio e regra das 22h

Outro fator ganhou grande importância no controle do ruído: a localização.

Uma área formada principalmente por casas e condomínios possui características diferentes de uma região concentrada em bares, restaurantes, casas noturnas e hotéis.

Da mesma forma, hospitais, escolas e outras estruturas podem influenciar o tratamento dado ao entorno.

Com isso, as prefeituras podem estabelecer parâmetros diferentes conforme o zoneamento e o perfil de cada região.

Na prática, o endereço passa a ter tanta importância quanto o horário.

Cidades discutem mudanças na Lei do Silêncio

Algumas cidades também começaram a rever legislações antigas para adaptar as regras à realidade atual.

Curitiba, por exemplo, discute alterações em sua legislação municipal sobre poluição sonora, criada no início dos anos 2000.

A proposta envolve critérios para medição de ruído, licenciamento ambiental, penalidades e atividades econômicas instaladas em regiões gastronômicas e de entretenimento.

O projeto avançou em comissões da Câmara Municipal em 2026, mas a discussão ocorre apenas no âmbito da cidade.

Portanto, a proposta não representa uma nova Lei do Silêncio nacional nem libera automaticamente bares e festas em outras regiões do Brasil.

São Paulo quer reforçar fiscalização contra barulho

Enquanto algumas cidades estudam adaptações, outras avançam na direção de ampliar a fiscalização.

Em São Paulo, a prefeitura apresentou em 2026 uma proposta relacionada ao fortalecimento da atuação contra estabelecimentos, obras e eventos que provoquem excesso de ruído.

Entre as medidas discutidas aparecem novas formas de fiscalização e ações contra atividades que funcionem de maneira irregular.

O cenário demonstra que modernizar a legislação não significa necessariamente permitir mais barulho.

A mesma cidade pode criar regras específicas para regiões de entretenimento e, ao mesmo tempo, endurecer as punições contra quem ultrapassa os limites permitidos.

Lei do Silêncio também protege moradores durante o dia

A principal mudança de entendimento está justamente na forma de interpretar o horário.

Não existe uma faixa do dia na qual qualquer quantidade de barulho fique automaticamente autorizada.

Se um estabelecimento ultrapassar os limites estabelecidos pela cidade às 19h, por exemplo, poderá enfrentar fiscalização. O mesmo vale para festas residenciais durante a tarde.

Por outro lado, um bar que cumpra as normas acústicas e possua autorização para funcionar à noite não se torna automaticamente irregular quando o relógio passa das 22h.

O que realmente vale para bares, shows e vizinhos

Na prática, a chamada Lei do Silêncio precisa ser analisada a partir de vários fatores ao mesmo tempo.

O horário continua relevante, especialmente porque algumas cidades reduzem os limites permitidos durante a noite. Entretanto, também entram nessa conta o volume do som, a localização, o zoneamento, o licenciamento, o isolamento acústico e a natureza da atividade.

Assim, ultrapassar as 22h não representa, por si só, uma infração para bares, restaurantes, shows ou festas devidamente autorizadas.

Da mesma forma, produzir barulho antes desse horário não significa possuir liberdade para incomodar os vizinhos.

A antiga ideia de que “antes das 22h tudo pode e depois das 22h nada pode” não corresponde às regras aplicadas no Brasil. Cada município pode estabelecer seus próprios parâmetros, enquanto a proteção contra perturbação do sossego continua valendo independentemente de o relógio já ter chegado às 22h.

Esquecimento faz parte do funcionamento normal do cérebro

Por Anderson Mendanha (Rádio Senado)

É fato que as pessoas conseguem se lembrar de algumas coisas com detalhes, mas esquecem outras. Contudo, esquecer nem sempre é um problema. Em entrevista ao jornalista Anderson Mendanha, o neurocientista Roberto Lent explica que o esquecimento ajuda o cérebro a organizar informações, a aprender e a focar no que é importante. Essa ideia está na coleção de livros de Lent, Aventuras de um Neurônio Lembrador.

Acompanhe a entrevista.

Pais e avós deixam valores e histórias, além do testamento

O Brasil registrou 38.740 testamentos em 2025, recorde histórico, segundo o Colégio Notarial do Brasil, mas a organização das famílias ainda se concentra no patrimônio. Pesquisas internacionais mostram que, para quem deixa um legado, valores e lições

Por Agência Dino

Os Cartórios de Notas do Brasil registraram 38.740 testamentos em 2025, o maior número da série histórica, segundo dados do Colégio Notarial do Brasil. O volume representa alta de 21% desde 2020 e indica que mais famílias passaram a planejar a sucessão de bens.

A organização, no entanto, ainda se concentra no patrimônio e alcança uma parcela pequena da população. A pesquisa Vida e Finitude, da Icatu Seguros, aponta que 67% dos brasileiros refletem sobre a própria finitude, sendo 47% de vez em quando e 20% com frequência. Apenas 16% afirmam ter deixado tudo organizado, enquanto 43% conversaram com a família, mas não organizaram nada. A perda de alguém próximo é o principal motivo para pensar no tema, citada por 67% dos entrevistados, à frente da idade e do noticiário sobre violência, mencionados por 33% cada.

O assunto ganha relevância com o envelhecimento da população. Segundo o Censo 2022 do IBGE, o país tem 22,2 milhões de pessoas com 65 anos ou mais, o equivalente a 10,9% da população, alta de 57,4% em relação a 2010, quando eram 14,1 milhões. São mais avós e bisavós convivendo com netos e bisnetos, e por mais tempo.

Valores e lições de vida no centro do legado

Fora do país, o que não é patrimônio também entra no planejamento das famílias. Um estudo do Merrill Lynch com a consultoria Age Wave, feito com mais de 3 mil adultos nos Estados Unidos, mostra que 59% consideram valores e lições de vida a parte mais importante do legado. Entre os entrevistados com mais de 55 anos, 69% desejam ser lembrados pelas memórias compartilhadas com a família, e 4% pelo patrimônio acumulado. Para 94% deles, uma vida bem vivida significa ter família e amigos que os amam, enquanto 10% citam o acúmulo de riqueza.

O mesmo estudo divide o legado em quatro partes: valores e lições de vida, instruções e desejos, bens financeiros e objetos pessoais. A pesquisa também mostra que a preparação formal fica para trás mesmo no mercado norte-americano: quase metade dos americanos com mais de 55 anos não tem testamento, embora a maioria acredite que deveria ter os assuntos organizados a partir dos 50 anos.

No planejamento sucessório norte-americano, profissionais da área sugerem a chamada ethical will, ou carta de legado, documento sem valor jurídico em que a pessoa registra valores, aprendizados e desejos para quem fica, segundo a publicação Financial Planning. No Japão, o termo shūkatsu, que designa a preparação consciente para a etapa final da vida, popularizou-se a partir de 2009 e incluiu cadernos com recados para a família. O tema ganha peso diante da transferência de US$ 124 trilhões entre gerações projetada pela Cerulli Associates para os Estados Unidos até 2048, em um cenário em que cerca de duas em cada cinco famílias nunca conversaram sobre a passagem de bens, segundo levantamento da Morning Consult.

Mensagens com data de entrega

No Brasil, iniciativas começam a ocupar esse espaço. Em Belo Horizonte, a startup Teuel, cujo nome foi formado a partir dos nomes dos dois filhos do fundador, Gabriel e Mateus, lançou o Projeto 10.000 Mensagens para o Futuro. A proposta é que pais, mães, avós e avôs registrem conselhos, histórias e orientações em texto, áudio, fotos e vídeo, com entrega programada para uma data entre 6 meses e 20 anos à frente, por WhatsApp ou e-mail. A participação é feita pelo site teuel.com/capsula, e a meta do projeto é reunir 10 mil mensagens.

A mensagem pode ser montada aos poucos e só é lacrada quando a pessoa decide. Depois do lacre, não pode ser aberta antes da data definida, nem pela família nem pela empresa. Para que a entrega não dependa de um número que mude com o tempo, o contato de quem vai receber é reconfirmado periodicamente com a família até a data marcada.

“Durante muito tempo, preparar o futuro da família significou cuidar dos bens. As famílias estão percebendo que o que os filhos mais vão querer de volta não está em nenhuma escritura: é a voz, o conselho e a história de quem os criou”, afirma Sady Viana, fundador da empresa. Segundo ele, a proposta é que a mensagem seja recebida em marcos como os 18 anos, a formatura ou o casamento, e não em momentos de despedida.

“A gente ensina valores todo dia, mas não sabe o que vai ficar. Quando a mensagem é lacrada, é como uma carta que já foi ao correio: vai chegar, na voz de quem disse, no dia certo”, completa o fundador.

Segundo a psicologia, quem guarda até hoje um brinquedo da infância pode não estar apenas sendo nostálgico, mas preservando uma âncora de segurança emocional

Guardar um brinquedo da infância tem explicação na psicologia: estudo em 28 países liga a nostalgia à sensação de continuidade

Por Vanessa Ramos (Tupi FM)

Aquele urso de pelúcia no fundo do armário pode ter uma função maior do que decorar a prateleira. A psicologia estuda há décadas o papel dos objetos que acompanham a infância. Pesquisas sobre nostalgia sugerem que lembranças afetivas ajudam adultos a sentir que continuam sendo a mesma pessoa ao longo da vida.

A psicologia vê esse hábito como algo comum e, em muitos casos, saudável. O brinquedo funciona como uma ponte concreta para memórias afetivas do passado.

A ideia tem raízes no trabalho do pediatra e psicanalista britânico Donald Winnicott. Em 1953, ele descreveu o objeto transicional, como o paninho ou o bichinho que o bebê carrega para se acalmar. Esse objeto ajuda a criança a lidar com a ausência dos pais e a ganhar autonomia aos poucos.

Na vida adulta, o brinquedo antigo raramente cumpre o mesmo papel. Ele passa a ser um símbolo, uma espécie de âncora que liga o adulto de hoje à criança de ontem.

O que um estudo com 28 países revelou sobre a nostalgia?

O estudo revelou que lembrar de memórias nostálgicas aumenta a sensação de conexão com outras pessoas e de continuidade da própria história. O trabalho reuniu 2.606 jovens adultos de 28 países e de Hong Kong.

A pesquisa, liderada por cientistas das universidades de Surrey e de Southampton, foi publicada em 2024 no Journal of Experimental Psychology: General. Recordar algo nostálgico, em vez de uma memória comum, também aumentou a sensação de sentido na vida, em diferentes culturas.

Os autores observaram ainda que a nostalgia aparece com frequência em momentos de ameaça psicológica, como solidão ou insegurança. Muitas crenças sobre o tema, porém, não resistem aos dados.

O brinquedo guardado funciona mesmo como âncora emocional?

Pode funcionar, mas essa é uma interpretação, e não uma conclusão direta dos estudos. As pesquisas medem os efeitos de memórias nostálgicas, e não de objetos específicos.

Mesmo assim, um brinquedo antigo é um gatilho poderoso de lembranças. Ao tocar, ver ou cheirar o objeto, você acessa memórias da infância que podem trazer conforto. Por isso, faz sentido pensar nele como um ponto de apoio em fases difíceis. Mudanças de cidade, separações e lutos costumam ser momentos em que esses objetos ganham novo valor.

Ao ler esse tipo de pesquisa, vale manter alguns limites em mente:

  • Os estudos mostram efeitos médios, e cada pessoa reage de um jeito.
  • A maior parte dos experimentos mede efeitos imediatos, logo após a lembrança.
  • Os participantes foram, em grande parte, jovens adultos.
  • Guardar um objeto não substitui apoio de amigos, família ou terapia.

Quando o apego ao passado merece atenção?

Merece atenção quando a lembrança deixa de confortar e passa a gerar tristeza constante. A nostalgia saudável costuma dar energia para o presente, e não afastar a pessoa dele.

Um estudo publicado na revista Emotion mostrou que a reflexão nostálgica semanal trouxe ganhos de bem-estar por cerca de três semanas. Depois desse período, o efeito positivo ficou restrito a quem tem mais tendência à nostalgia. Para quem tem pouca tendência, os resultados foram piores. Se as memórias trazem sofrimento, procurar um psicólogo é um passo de cuidado.

Qual brinquedo da infância você guarda até hoje?

Aquele carrinho gasto ou a boneca sem um dos olhos podem guardar mais do que lembranças. Para muita gente, eles lembram de onde viemos e ajudam a seguir em frente com mais firmeza. Conta para a gente qual objeto da sua infância continua na sua casa.

Valorize a terça-feira

Por Beto Sirotsky

Semana passada, participando da primeira conferência do Instituto B55, ouvi muita coisa boa. Mas duas falas ficaram especialmente comigo.

Guilherme Benchimol falou sobre a tendência do empreendedor de buscar a grande “tacada”. Aquele negócio, decisão ou oportunidade que vai mudar tudo. Só que o foco na tacada não leva à tacada. O foco precisa estar no dia a dia. Na construção. Um grão de cada vez. Começar pequeno, entender qual avenida está funcionando e, quando encontrá-la, ser intenso nela.

Parece óbvio. Mas é muito fácil olhar para uma empresa ou empreendedor de sucesso e enxergar apenas os grandes movimentos. Quase sempre esquecemos dos milhares de pequenos movimentos que vieram antes.

No mesmo evento, Ram Charan bateu muito em outro ponto: execução.

Uma estratégia, por melhor que seja, não produz resultado sozinha. Para Charan, o trabalho de liderança é justamente transformar estratégia em execução: conectar pessoas, prioridades e operação; traduzir planos em metas e KPIs claros; acompanhar; corrigir; repetir. O gap entre a ambição e o resultado quase sempre está na execução.

E aí, alguns dias depois, li um ótimo texto do Diego Barreto sobre dois dias que passou com Jim Collins.

Entre vários aprendizados, um detalhe me marcou: Collins tem em seu laboratório um enorme gato vermelho chamado Tuesday. O nome carrega uma filosofia simples: todo dia deveria ser como uma boa terça-feira. Um dia normal, bem vivido.

Collins mede seus dias, suas horas criativas e sua própria consistência. O cara que passou décadas estudando por que algumas empresas se tornam extraordinárias aplica a mesma disciplina à própria rotina. Para ele, constância não é um conceito. É prática diária.

A gente supervaloriza a grande tacada, o grande anúncio, o grande contrato, a grande ideia, o grande momento. E subestima a terça-feira.

É na terça-feira que as empresas são construídas.

Na reunião bem feita. No cliente atendido. Na decisão difícil que ninguém vê. No KPI acompanhado. No produto um pouco melhor. Na contratação certa. No erro corrigido rápido. E em fazer isso de novo na quarta, na quinta e na próxima terça.

As coisas levam tempo. Uma estratégia brilhante com uma execução ruim dificilmente chega a algum lugar. Já uma estratégia, mesmo que tenha algumas algumas pontas soltas, mas executada com enorme disciplina, intensidade e capacidade de aprender, tem muito mais chance de encontrar o caminho enquanto avança.

  
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