Especial – Vozes do Mercado – Coluna do Nenê – 20.01.2026

Share on facebook
Share on linkedin
Share on whatsapp

Esta coluna passará a trazer artigos especiais de pessoas que são referência e têm papel fundamental no mercado da comunicação do Rio Grande do Sul — as nossas Vozes do Mercado. Nos próximos dias deste inicio de 2026, esses profissionais vão compartilhar suas expectativas, leituras de cenário e as tendências em que acreditam para o ano, ajudando a desenhar, em tempo real, o que está por vir. Vamos guardar cada uma dessas colunas com muito carinho, para que, ao final do ano, possamos revisitá-las, confrontar previsões com a realidade e compreender como 2026, de fato, foi se construindo passo a passo. Porém também traremos as notícias do mercado, em matérias, notas e artigos. Boa leitura!

 

 

2026: Borá decolar?

Por Ricardo Gomes – Diretor de Atendimento na HOC / Head de Articulação e Comunicação no Pacto Alegre

 

Chegamos a 2026, um ano projetado para decolar, mas que traz aquele inevitável frio na barriga. Temos a IA, que ainda estamos aprendendo a dominar, mas com a qual já precisamos trabalhar muito, em um mundo que passa por transformações aceleradas que vão muito além da tecnologia. São mudanças culturais e comportamentais. Não podemos mais voltar às retóricas antigas de que “o futuro está chegando”. Ele já está aqui, na palma da nossa mão, e temos de fazer a roda girar agora.

Ao olhar para o comportamento do consumidor global e ler esse cenário para a nossa realidade, é preciso estar ciente: em um momento de poder de compra pressionado, as pessoas estão mais criteriosas. Buscam custo-benefício no essencial, mas não abrem mão dos pequenos prazeres que aliviam o cotidiano. A grande questão é: como vamos fazer isso gerar resultados e negócios em um ano de Copa do Mundo e eleições, eventos que sempre deixam o Brasil tenso?

Sabemos que sete em cada dez consumidores procuram essas microalegrias como forma de bem-estar diante da incerteza econômica. Isso exige das marcas não apenas ofertas competitivas, mas narrativas que toquem na emoção e na simplicidade do dia a dia.

Acompanhando os relatos da NRF, já fica claro que as big techs estão propondo grandes oportunidades de parcerias profundas com o setor, e isso será essencial na busca de resultados. Mas atenção: essa convergência não é apenas sobre tecnologia. Trata-se de como dados, Inteligência Artificial e experiências unificadas vão reconfigurar a jornada do cliente e a eficiência operacional de quem abraçar esse novo modelo.

A integração entre tecnologia e experiência reflete mais que um desejo de inovação: é a condição necessária para um redesenho eficiente dos processos de compra. O foco sai apenas da eficiência da empresa e vai para o que importa ao consumidor: personalizar recomendações, falar direto com ele e entregar o que este realmente quer adquirir.

E se falamos de tecnologia atendendo ao desejo humano, temos de lembrar de outro fator fundamental: os influenciadores! Sim, eles mesmos. Agora transformados em mídia paga, seu protagonismo, quando potencializam conteúdos autênticos, entregando inspiração e proximidade, é outra alavanca necessária para este ano.

Mas nada disso é o todo. Temos aí parte da estrutura, mas a mídia nos veículos de comunicação continua sendo um pilar importante. O desafio agora é encontrar novas formas de engajamento, planejar a campanha e repensar formatos. Isso será o mínimo necessário.

Vamos lá: o funil tradicional evoluiu para um fluxo contínuo de conexão. A mensagem, mais do que chegar ao indivíduo, precisa construir vínculos reais. E com tantas formas de ser impactado, estar no maior número de locais possíveis é necessário.

Pode acreditar: 2026 pede menos “se joga no algoritmo” e mais relevância contextual e empatia com o público. É preciso entender seus ambientes, desafios e formas de consumir informação. Muitos olhos podem te ver, mas você precisa falar como se estivesse em um bate-papo de mesa de bar, olho no olho com o seu consumidor.

Para ter essa possibilidade, tenha em mente pelo menos duas coisas: conexão faz diferença e métricas são vitais. Mesmo sendo redundante, vale reforçar, conecte-se ao indivíduo e metrifique essa relação. E lembre-se, para conectar de verdade, é essencial ter dados anteriores sobre ele.

Tudo isso com uma certeza: propósito é essencial. Nada que é leviano e sem base se estabelece. Logo, planejamento, gestão, conhecimento e o uso inteligente dos dados são o seu melhor amuleto para decolar em 2026!

 

 

 

Quando penso em 2026 na propaganda gaúcha, vejo um mercado que amadureceu

Por Katia Baultista Executiva Comercial da Sinergy Novas Mídias

 

Não apenas em termos de tecnologia, mas principalmente em consciência. Hoje, fazer publicidade deixou de ser apenas sobre vender ou aparecer — passou a ser sobre posicionamento, construção de vínculos e experiências que façam sentido para as pessoas.

A tecnologia, especialmente a inteligência artificial e o uso de dados, está cada vez mais integrada à rotina do setor. Na minha visão, a IA não substitui a criatividade, mas amplia possibilidades. Otimizar processos, testar ideias com mais rapidez e personalizar mensagens virou parte do dia a dia. Ainda assim, o verdadeiro diferencial segue sendo a sensibilidade humana: entender pessoas, contextos e culturas — algo que nenhuma ferramenta de IA faz sozinha.

O público gaúcho se mostra mais atento, crítico (como sempre foi) e exigente. Não basta uma campanha esteticamente bem executada; é preciso passar verdade. Marcas que ignoram identidade local, cultura e propósito tendem a perder relevância rapidamente. Em contrapartida, aquelas que conseguem dialogar de forma honesta, próxima e relevante conquistam espaço e credibilidade.

Outro movimento claro para 2026 é o fortalecimento das experiências híbridas. A publicidade sai da tela e ocupa espaços físicos — com maior presença de mídia OOH — e ganha força nos varejos, por meio de experiências de retail media, conectando o digital ao presencial de forma mais estratégica.

Em 2026, não será apenas impacto, mas memória, e vivência.

Os desafios, naturalmente, permanecem. O ritmo é acelerado e a pressão por resultados é constante.

Além disso, 2026 traz um cenário bastante complexo por ser um ano de Copa do Mundo e Eleições.

Com a atenção do público fragmentada e um ambiente mais sensível e polarizado, marcas e profissionais precisarão redobrar o cuidado com posicionamento, timing e leitura de contexto. Comunicar bem, nesse cenário, será tão importante quanto saber quando não comunicar.

Ainda assim, o mercado gaúcho demonstra um ativo importante: criatividade, resiliência e capacidade de adaptação.

Em 2026, enxergo a propaganda no Rio Grande do Sul como mais estratégica, humana e conectada com a realidade das pessoas. Um mercado que entende que a tecnologia potencializa processos, mas são as boas ideias — com verdade e propósito — que constroem marcas fortes.”

 

 

Alguns anos funcionam como termômetros. Outros funcionam como pontos de inflexão

Por Marcelo Pacheco  – VP da Eletromidia

 

2026 será um desses raros momentos em que tudo converge: Copa do Mundo, eleição presidencial, retomada plena da vida urbana e um mercado publicitário que já não pensa mais em mídia de forma isolada. O que muda agora não é o calendário. É o lugar que cada meio ocupa dentro dele.

Já passamos por anos de Copa e eleição antes. Vivemos isso em 2014, 2018 e 2022, cada um com suas particularidades, seus excessos e suas frustrações. Mas 2026 chega em um Brasil diferente. Um Brasil mais urbano, mais móvel, mais fragmentado em atenção e menos dependente de poucos momentos concentrados de consumo de mídia. E, principalmente, chega com um out-of-home completamente transformado.

Durante muito tempo, o OOH foi tratado como mídia complementar. Importante, mas acessória. Um meio de presença, não de estratégia. Essa leitura ficou no passado. O que chega a 2026 é um out-of-home digital,  integrado, dinâmico e plenamente inserido no centro das decisões de comunicação das marcas.

Anos de Copa e eleição não criam dinheiro novo por si só. O mercado já aprendeu isso. Eles reorganizam prioridades, concentram picos e aumentam dramaticamente a disputa por atenção real. É exatamente nesse contexto que o out-of-home deixa de ser uma escolha estética e passa a ser uma decisão estratégica. Quando a audiência está fora de casa, quando o consumo acontece em movimento, quando a atenção se distribui ao longo do dia e quando a mensagem precisa de escala imediata, poucos meios conseguem responder com a mesma eficiência.

O OOH que entra em 2026 não é mais aquele da lógica estática, da compra engessada ou da baixa flexibilidade criativa. Ele é digital, mensurável, conectado ao ritmo real das cidades e integrado ao planejamento de marcas que precisam operar em tempo real. A digitalização não foi apenas uma evolução tecnológica; ela mudou a natureza do meio.

Transformou o out-of-home em plataforma.

É isso que torna 2026 um ano singular. Copa do Mundo e eleição aumentam circulação, intensificam o uso dos espaços urbanos e elevam a atenção coletiva. Mas, pela primeira vez, isso acontece em cidades que já operam com telas digitais em escala, que permitem troca criativa rápida, leitura de contexto e presença contínua. O resultado é simples: o out-of-home passa a capturar valor que antes se perdia entre picos de audiência e excesso de ruído em outros meios.

O protagonismo do OOH não é discurso nem moda. É consequência. Ele cresce porque resolve problemas reais das marcas em um mundo fragmentado. Entrega escala onde a atenção está pulverizada. Garante visibilidade em meio ao excesso de telas pessoais. Constrói presença física em momentos coletivos sem interromper a experiência das pessoas. Em 2026, isso deixa de ser diferencial e passa a ser condição básica para quem quer relevância nacional.

Minha leitura sobre o que vem pela frente é  clara. Não se trata de uma explosão oportunista, mas de uma consolidação definitiva. O Brasil chega a um ponto em que o out-of-home deixa de ser coadjuvante, a digitalização deixa de ser novidade e a cidade passa a ser reconhecida como o maior ambiente de mídia do país. A comunicação volta a acontecer onde a vida acontece.

Por isso, 2026 não será lembrado apenas como mais um ano de Copa e eleição. Será lembrado como o ano em que o out-of-home assumiu, de forma inequívoca, o papel central que sempre teve potencial para ocupar. Não por discurso, não por tendência importada, mas porque, em um Brasil em movimento, as telas das cidades se tornaram o ponto de encontro entre marcas, pessoas e atenção real.

 

 

2026: entre exigências e desejos em tempos acelerados

Por Marcia Budke – Sócia Diretora da Brazo Mídia

 

Tenho escrito sobre o comportamento do consumidor porque ele é um dos termômetros mais precisos das transformações do nosso tempo. Observo essas mudanças pela fresta entre as telas — e acredito que ali, nesse intervalo entre o humano e o digital, que a vida tem mudado de verdade.

Todo início de ano carrega sempre promessas de recomeço. Em 2026 essa sensação veio acompanhada de um certo estranhamento: recomeçamos sem realmente parar. Tudo parece já estar em movimento, interligado em ondas simultâneas e mediação tecnológica.

Estamos, sem dúvida, nos acostumando como uma nova forma de convivência com a complexidade própria da era informacional. Onde não chegamos devagar, atravessamos.

Atravessamos telas, ofertas, notificações, promessas que piscam. Levamos conosco histórias, cansaços, desejos simples. Decidimos mais rápido, não por pressa vazia, mas porque a vida já nos pede demais.

Nós, primeiro como pessoas, depois como consumidores, precisamos dar conta do dia. Talvez por isso, já não queiramos escolher tanto. Mas queremos que as escolhas façam sentido, que aliviem, e não que nos pesem. Que as coisas se encaixem na rotina sem longas explicações.

Aprendemos a confiar menos no que é dito e mais no que é vivido. Um comentário honesto,

uma experiência compartilhada, o rastro deixado por alguém como nós, vale mais do que qualquer promessa bem ensaiada. A confiança não mora mais nas palavras. Ela mora talvez mais nos rastros humanos.

O preço importa, sim, mas importa ainda mais o cuidado. Se respeitam o nosso tempo, se entendem o nosso agora, se não exigem paciência demais de quem já anda exausto. Não aceitamos mais ser tratados como massa. Não somos “target”. Não somos “lead”. Somos pessoas.

Queremos ser vistos no nosso momento, no nosso silêncio e na nossa pressa contida. Não queremos interrupções. O que queremos é compreensão.

Em meio a tanta abundância, acabamos escolhendo menos. Algumas poucas marcas, poucos aplicativos, poucos lugares onde pousar a confiança. Mas esperamos — com sinceridade —

que esses poucos saibam quem somos.

A tecnologia, que um dia foi espetáculo, se tornou paisagem. Está em todas as partes, mas já não encanta sozinha. O encanto agora é quando funciona. Quando não falha. E quando não rouba o que temos de mais raro: o tempo.

Nós, consumidores de 2026, não queremos ser convencidos, queremos ser cuidados, porque, no fim, consumir ainda é um ato humano e os dados também carregam pessoas dentro.

Acredito que 2026, entre humanos, dados e máquinas, será um ano de convivência madura com a complexidade e com negócios cada vez mais hiperconectados. Talvez o maior desafio — e também a maior oportunidade — não esteja em vender mais, falar mais alto ou correr mais rápido. Esteja em lembrar que consumidores são pessoas. E pessoas não querem ser interrompidas: querem ser compreendidas.

 

 

Dos 100 Toques por Minuto ao Gigabyte: O Valor da Experiência no Mercado de Trabalho

Cristiane Lauer – Líder de Diversidade e Inclusão – Educação Corporativa – Serviço Social Organizacional

 

Você já parou para pensar que a “agilidade digital” de hoje nasceu com o barulho das teclas de uma máquina de escrever? ⌨️

No meu novo artigo, reflito sobre como a paciência e a precisão exigidas na datilografia moldaram gerações — e como o mercado de trabalho, muitas vezes, ignora essa resiliência em nome de um “digital nativo” que nem sempre entrega a mesma profundidade.

Falar de inclusão não é apenas falar de acessibilidade técnica, mas de inclusão geracional. O profissional que aprendeu a trabalhar sem a tecla “delete” desenvolveu um olhar atento e uma estabilidade emocional que nenhuma inteligência artificial substitui.

Vão-se os dedos, fica a experiência. Como sua empresa enxerga os talentos das gerações Baby Boomer e X?

 

Capítulo 1 – Lições de Datilografia

“A técnica básica de datilografia consiste em manter os pulsos erguidos, ao invés de apoiá-los sobre a mesa, pois isto pode causar a síndrome do túnel do carpo. O datilógrafo deve manter os cotovelos ao lado do corpo e levantar ligeiramente as mãos sobre o teclado. A maneira mais eficiente de datilografar é manter os olhos na tela do dispositivo, corrigindo possíveis erros mais rapidamente. Esta técnica se chama datilografia por toque e é o contrário da técnica de ‘catar milho’. Atualmente, quase todo teclado possui marcas sobre as letras F e J, que servem para o datilógrafo encontrar a posição inicial de digitação apenas com o tato. Para posicionar os dedos corretamente, basta colocar os indicadores sobre as teclas marcadas e os demais sobre as teclas vizinhas.”

 

Capítulo 2 – O Bom Datilógrafo

Para se chegar à concepção do que é um bom datilógrafo, muitos estudos e práticas foram necessários. Analisando a estrutura humana e a capacidade de aprendizagem, hoje é possível dizer que a datilografia foi, por muito tempo, uma competência técnica que exigia altos padrões de habilidade, adquirida com muito treino e alguns dedos presos entre as teclas. Somente os que se dedicavam e persistiam é que, com muita paciência, conseguiam atingir os tão almejados 100 toques por minuto e podiam ser considerados exímios datilógrafos.

Mesmo assim, a partir dos anos 90, com o advento da informática, as máquinas de escrever e toda a sua “tecnologia” foram cedendo espaço aos computadores, trazendo consigo uma maneira mais eficiente e rápida de registrar informações.

E assim, o tempo começou a voar… Sistemas cada vez mais rápidos, ágeis e adaptados às necessidades de cada segmento; sistemas que não prendem os dedos, mas a mente de quem não se adapta ou não consegue decifrar, em “megabytes de segundo”, os ícones, atalhos e as inúmeras lógicas exigidas para o funcionamento perfeito de uma tecnologia imperfeita.

Vão-se os dedos, ficam os anéis — como não diz o ditado. Mas como se fortalecer em meio a uma cultura que dispensa a “velha roupa colorida”? Por outro lado, como diz a música, é preciso estar atento e forte, não ter medo, ter coragem. Coragem de se reinventar e de usar o que for possível a favor da inclusão digital.

As aulas de datilografia foram de muita valia. Até hoje, os teclados seguem o padrão QWERTY (introduzido em 1868 por Christopher Latham Sholes), criado para evitar que as hastes das teclas travassem. Posicionar as mãos no formato “datilógrafo” ainda garante agilidade. Você já observou uma pessoa que fez curso de datilografia digitando? A maioria sequer olha para o teclado; as mãos parecem deslizar sobre as letras. Atalhos muitas vezes tornam-se dispensáveis, pois a agilidade está no fluxo contínuo. Os 100 toques por minuto podem não ser mais um requisito, mas o olhar atento e o compromisso em não errar (lembre-se: não existia a tecla delete) permanecem.

Assim como a cobrança por ser o melhor. Afinal, na era das máquinas de escrever, ser datilógrafo era sinônimo de status; significava a possibilidade de um emprego melhor, no ar-condicionado e, às vezes, com melhor remuneração. Especialmente para as mulheres, a datilografia foi a porta de entrada para ocupar espaços majoritariamente masculinos nos escritórios, tornando-se um marco para a independência financeira feminina.

 

Capítulo 3 – Era Uma Remington Agora é Um Lenovo

A datilografia deixa seu legado na história e permanece viva nas competências de profissionais das gerações Baby Boomers e X. Essas pessoas carregam o aprendizado de uma época em que ostentar um diploma de curso de datilografia (manual, elétrica ou eletrônica) era o sonho de qualquer jovem que almejava o mercado de trabalho.

E hoje? Onde estão nossos profissionais da datilografia? Alguns aposentados, outros acompanharam a evolução tecnológica e guardam na memória a lembrança de quando colocar o papel carbono do lado errado significava chegar em casa mais tarde ou sacrificar o almoço. Fora a nostalgia, muitos enfrentam a difícil tarefa de se manter no mercado, onde o etarismo vira as costas para sua experiência, resiliência e estabilidade emocional, baseando-se no conceito equivocado de que não são capazes de evoluir com as novas tecnologias.

 

Conclusão

Repensar a inclusão geracional não é uma tarefa para ser medida por número de toques ou gigabytes, mas por respeito e reconhecimento. O envelhecimento da população é uma realidade e, quanto antes a sociedade a encarar como tal, maiores serão as oportunidades de um mercado de trabalho verdadeiramente inclusivo — inclusive para quem é jovem hoje.

 

 

Quando a Inteligência se Torna Poder: o Futuro nas Mãos de Quem Controla os Sistemas

Por Iona Szkurnik

 

Durante anos, discutimos a inteligência artificial como ferramenta de eficiência. Em 2026, essa narrativa precisa ser atualizada. A IA deixou de ser apenas software para se tornar infraestrutura: invisível, indispensável e profundamente concentrada. E toda infraestrutura carrega uma verdade incômoda já que ela não apenas sustenta a sociedade, ela a molda. Ao passo que a inteligência vira base do sistema, a questão deixa de ser tecnológica. Ela passa a ser de poder.

Infraestruturas operam em silêncio. Só percebemos sua importância quando falham. Poucos pensam diariamente na rede elétrica, no sistema financeiro ou na internet, até que um apagão revela o quanto nossas escolhas, rotinas e possibilidades dependem delas. A inteligência artificial caminha rapidamente para esse mesmo lugar porque está embutida nos fluxos de informação, nas decisões corporativas, nos sistemas educacionais, nos processos de contratação, no crédito, na saúde e na visibilidade social.

 

O problema não é a presença da IA. É a naturalização da dependência

Empresas, governos e indivíduos passaram a depender de sistemas que não elegeram, não auditam plenamente e raramente compreendem em profundidade. Modelos treinados a partir de dados opacos, critérios de decisão invisíveis e arquiteturas técnicas concentradas em poucos atores criaram uma assimetria inédita entre quem usa e quem controla. A promessa de eficiência veio acompanhada de um deslocamento silencioso de poder.

Infraestrutura nunca é neutra. Ela define fluxos, acessos, prioridades, e também exclusões. Quem controla a infraestrutura define o que circula com facilidade e o que encontra fricção; o que se torna padrão e o que permanece à margem. Quando a inteligência passa a operar nesse nível, ela deixa de apenas responder perguntas e começa a organizar a realidade.

É nesse contexto que surgem as tentativas de regulação. Iniciativas como o AI Act europeu sinalizam um esforço legítimo de recuperar a governança sobre sistemas que já operam em escala social. Mas também expõem um descompasso estrutural. Pensa comigo: instituições regulam em ritmo linear; tecnologias evoluem exponencialmente, e só depois a regulação surge como reação, não como desenho antecipado.

O risco central, portanto, não é a IA errar. Sistemas sempre erraram. O risco real é errar em escala, com legitimidade algorítmica e aparência de neutralidade técnica. Um erro humano é contextualizado; um erro algorítmico é replicado. Um viés individual é questionado; um viés automatizado ganha aura de objetividade. A escala transforma falhas em padrão. Aqui que mora o perigo, ou seja onde temos que prestar muita atenção.

Além disso, quando decisões passam a ser mediadas por sistemas inteligentes, a responsabilidade se dilui. Quem responde por uma exclusão injusta, uma recomendação enviesada ou uma decisão automatizada com impacto real? O programador, o fornecedor, a empresa usuária, o gestor que confiou no sistema? A infraestrutura cria eficiência mas também cria zonas cinzentas de responsabilidade.

Chegamos, assim, a um ponto de inflexão. A discussão sobre inteligência artificial em 2026 não é mais sobre adoção ou inovação. É sobre governança, legitimidade e contrato social. Trata-se de decidir quais decisões podem, e quais não devem, ser delegadas a sistemas inteligentes. Trata-se de definir limites antes que eles se tornem tecnicamente irrelevantes.

A pergunta que se impõe neste início de ano não é se a inteligência artificial vai decidir por nós. Ela já decide… A pergunta mais importante é: quem decidiu que ela poderia decidir, em que condições e em nome de quais valores.

Responder a isso não é tarefa de engenheiros apenas. É um debate político, cultural e ético. E quanto mais cedo o enfrentarmos, maior a chance de que a nova infraestrutura da inteligência sirva à sociedade com um todo, e não o contrário.

 

 

Existe um grupo de pessoas que não está enfrentando dificuldades no mercado de trabalho: as pessoas com mais de 55 anos

Por Fabrício Mainenti

 

O mercado de trabalho e a demografia são dois fatores intimamente ligados, em que as mudanças em um afetam o outro. O envelhecimento demográfico não só impacta a substituição geracional, como também gera uma mudança sem precedentes: pela primeira vez na história, o desemprego entre pessoas com mais de 55 anos ultrapassa o da faixa etária de 25 a 54 anos.

Além disso, a principal diferença reside no fato de que a reintegração das pessoas com mais de 55 anos ao mercado de trabalho não ocorre nas mesmas condições que no segmento populacional mais jovem. Essa inversão do padrão histórico acontece em meio ao envelhecimento demográfico, justamente quando há apelos para que as pessoas trabalhem por mais tempo a fim de sustentar o sistema previdenciário.

 

Um aumento histórico no desemprego entre idosos

Historicamente, pessoas com 55 anos ou mais apresentavam taxas de desemprego menores do que os trabalhadores mais jovens, a ponto de, em 1994, sua taxa de desemprego ser 9,2 pontos percentuais (11,7%) menor do que a da faixa etária de 25 a 54 anos (20,9%). Essa diferença favorável diminuiu gradualmente até desaparecer em 2023, quando passou a ser negativa para os trabalhadores mais velhos.

Segundo o estudo elaborado pela Fundação BBVA e pelo IVIE, até 2025 a ultrapassagem será inegável, com a taxa média de desemprego para maiores de 55 anos atingindo 9,8%, em comparação com 9,4% para a faixa etária de 25 a 54 anos.

Essa mudança ocorre em um contexto de melhora geral do emprego na Espanha, indicando uma deterioração relativa muito significativa da posição dos idosos no mercado de trabalho. Em outras palavras, mais pessoas estão sendo contratadas, mas não as maiores de 55 anos.

Como revelado no relatório da Fundação BBVA, o problema não reside apenas na quantidade de desempregados com mais de 55 anos, mas sim no fato do desemprego entre eles estar se prolongando, enquanto a diferença em relação aos desempregados com menos de 55 anos diminui.

“A reintegração dessas pessoas ao mercado de trabalho é complexa, com períodos de desemprego mais longos, menos oportunidades de emprego e empregos de menor qualidade”, aponta o relatório.

Os dados indicam que 57,9% dos desempregados com 55 anos ou mais estão em situação de desemprego de longa duração, ou seja, procuram emprego há mais de um ano sem sucesso. Essa porcentagem contrasta fortemente com os 36,1% entre os desempregados de 25 a 54 anos e os 17,8% entre os jovens de 16 a 24 anos.

 

Quando retornam ao trabalho, encontram-se em condições ainda piores

Ao conseguirem se reinserir no mercado de trabalho, esses trabalhadores se veem em circunstâncias muito mais precárias do que antes. Entre os trabalhadores assalariados com 55 anos ou mais e menos de um ano de serviço — ou seja, aqueles que ingressaram recentemente em uma empresa — 52,6% têm contrato temporário, 10% estão em empregos precários com contratos de até três meses e 4,5% têm contratos intermitentes por prazo determinado.

Em contrapartida, entre os funcionários com mais de 55 anos e mais de 25 anos de serviço na mesma empresa, o emprego temporário cai para 2%, o emprego precário é praticamente inexistente e os contratos intermitentes por prazo determinado se reduzem a 2,4%.

Eles retornam ao trabalho, mas para empregos piores

Segundo os autores do relatório, as diferenças também são evidentes nos tipos de emprego que assumem após períodos de desemprego. Entre os trabalhadores mais experientes, com mais de 25 anos de serviço, que mantêm seus empregos, cargos de gerência, executivos ou altamente qualificados representam 45,6% do total, enquanto os cargos de nível inicial representam apenas 7%.

No entanto, entre os trabalhadores mais velhos que encontraram um novo emprego recentemente, apenas 15,6% ocupam cargos altamente qualificados, enquanto 29,4% acabam em empregos de nível inicial.

Esse padrão é ainda pior do que o dos trabalhadores mais jovens na mesma situação: entre aqueles com idades entre 25 e 54 anos que acabaram de começar um emprego, as ocupações altamente qualificadas representam 29,1%, enquanto os empregos de nível inicial representam 20%. Para a faixa etária de 16 a 24 anos, essas porcentagens são de 27% e 15,5%, respectivamente.

 

Mais insatisfação

A mudança para um emprego com piores condições também leva a um aumento da satisfação no trabalho entre esse segmento da população ativa. De acordo com o estudo, 21,5% dos trabalhadores mais velhos recém-empregados querem mudar seu horário de trabalho e 16,4% ainda estão procurando outro emprego, apesar de já terem encontrado um, em comparação com apenas 0,8% de seus pares que mantiveram seus empregos.

Em termos de salários, os dados mostram um quadro semelhante. O estudo da Fundação BBVA e do IVIE mostra que o salário médio anual para pessoas com mais de 55 anos é de € 30.038 (cerca de R$ 188.1 mil), superior aos € 26.855 (cerca de R$ 168,2 mil) da faixa etária de 25 a 54 anos.

No entanto, quando o foco se volta para aqueles com mais de 55 anos que ingressaram recentemente no mercado de trabalho, seus salários caem para € 19.558 (cerca de R$ 122,4 mil), um pouco abaixo dos € 19.837 (cerca de R$ 124,2 mil) recebidos por pessoas de 25 a 54 anos na mesma situação, e bem distante dos € 40.520 (cerca de R$ 253,7 mil) recebidos por trabalhadores mais experientes que não interromperam suas carreiras.

 

Com as modificações das regras de envio do WhatsApp, criamos uma nova comunidade da Coluna do Nenê. Te convidamos a clicar no link abaixo para entrar na nossa comunidade e receber diariamente a nossa coluna. CLIQUE AQUI! 

 

Share on facebook
Share on linkedin
Share on whatsapp
Rolar para cima

Utilizamos cookies para melhorar a sua experiência de acordo com a nossa
Política de Privacidade ao continuar navegando você concorda com estas condições.