Você vai ler na coluna hoje: Quais setores podem ocupar o espaço das bets na mídia?, Movimentação das bets cai de R$ 600 milhões por dia para zero uma semana após proibição, Fim das bets faz setor produtivo festejar ‘respiro’ e voltar a investir forte na TV, Mais do que vender: a responsabilidade por trás dos produtos de saúde, Agências redefinem a criatividade como motor de vendas, Uma reflexão sobre por que adultos de diferentes épocas costumam enxergar os mais jovens como menos respeitosos, A Coca-Cola FEMSA que mistura sabor clássico e toque cítrico virou assunto, Café gelado na entrevista? Hábito da geração Z gera polêmica entre recrutadores.
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Quais setores podem ocupar o espaço das bets na mídia?
Nos últimos doze meses, plataformas de apostas investiram R$ 1,59 bilhão na TV; medicamentos, streaming e telecom devem ampliar presença, diz Tunad
Por Bárbara Sacchitiello
Proibidas de oferecer seus serviços no Brasil desde a última sexta-feira, 25, as plataformas de apostas esportivas investiram, em média, R$ 1,59 bilhão em mídia televisiva nos últimos 12 meses, de acordo com levantamento da Tunad.
Com a ausência desse segmento na mídia, os veículos de comunicação devem ficar com uma lacuna em seu faturamento publicitário. Logo após a publicação da MP, os canais de TV e digitais já interromperam a exibição das peças publicitárias e ações de marketing de bets.
Para tentar mapear o possível cenário da mídia sem as plataformas de apostas, a Tunad considerou os setores econômicos que já vinham ampliando o investimento em publicidade nos últimos meses.
Os setores de medicamentos, streaming, telecomunicações e plataformas digitais foram os que mais ampliaram seus investimentos na mídia entre julho e agosto de 2026 na comparação com os períodos de setembro a novembro do ano passado.
De julho a agosto, o segmento de medicamentos investiu 50% mais em compra de mídia do que no intervalo do ano anterior. As empresas de streaming ampliaram os investimentos em mídia em 32%, enquanto o setor de telecom investiu 20% mais em publicidade. Por fim, as plataformas digitais ampliaram em 54% os investimentos em mídia de 2025 para 2026.
A lacuna deixada pelas bets
A Tunad também avaliou a possível lacuna que as plataformas de apostas devem deixar para a mídia televisiva após a proibição decretada pelo governo federal.
Somente na TV aberta, a empresa de pesquisas avaliou que as bets investiram cerca de R$ 542 milhões entre janeiro e agosto deste ano, o que torna a categoria na liderança entre os setores econômicos que mais injetaram verba na mídia nacional.
O volume, segundo a Tunad, foi cerca de R$ 100 milhões superior ao total investido pelas empresas de streaming no período.
A Tunad apontou, ainda, que a entre janeiro e agosto deste ano, as dez maiores empresas do setor de apostas esportivas responderam por 94,2% de toda a verba do setor direcionada à televisão. Apenas Bet do Milhão e Betano, sozinhas, foram responsáveis por 40% desse investimento.
Movimentação das bets cai de R$ 600 milhões por dia para zero uma semana após proibição
Segundo ministro da Fazenda, houve redução de mais de 30% nas contas das empresas de bets que funcionavam com autorização; hoje, patamar de saldos remanescentes é de R$ 1,4 bilhão
Estadão
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta sexta-feira, 2, que a movimentação diária das casas de apostas girava em torno de R$ 600 milhões por dia e, agora, uma semana depois da edição de uma medida provisória (MP) que proibiu a operação das bets no País, é nula.
“A fiscalização tem avançado e a gente tem obtido bons números que mostram a eficiência com que o governo tem tratado a repressão às apostas online”, disse Durigan a jornalistas.
“O primeiro dado muito importante que a gente recebeu em parceria com o Banco Central é que a movimentação diária nas casas de apostas antes de sexta-feira passada rodava em torno de R$ 600 milhões por dia. E essa é uma movimentação que deixou de existir a partir de sábado, no dia seguinte à entrada em vigor da medida provisória.”
O titular da Fazenda se reuniu nesta manhã com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva. Também participaram da agenda o secretário-executivo da Fazenda, Rogério Ceron, a secretária de Prêmios e Apostas, Daniele Cardoso, o executivo da Justiça, Ademar Borges, e o secretário nacional de Direitos Digitais, Victor Oliveira Fernandes.
Segundo Durigan, as empresas de bets, até então autorizadas, informaram à Fazenda que tinham nas suas contas, até sexta-feira passada, um saldo de R$ 2,1 bilhões. Houve redução de mais de 30%, que hoje leva para um patamar de R$ 1,4 bilhão nesses saldos remanescentes.
Ele também disse que foram identificadas 48 contas de apostadores com saldo acima de R$ 500 mil. Ele afirmou que será feita uma análise pormenorizada dessas contas, para entender o alto volume de recursos.
“Quando a gente olha os perfis que foram derrubados, os grupos de redes de mensageria (incluindo Telegram, TikTok e outras plataformas) que foram derrubados, influenciadores que foram tirados do ar, a gente percebe que eles influenciavam, eles impactavam até 3,5 milhões de usuários digitais que passam agora a não receber esse incentivo do jogo pelas redes sociais e pelas plataformas de mensageria”, completou o ministro.
Fim das bets faz setor produtivo festejar ‘respiro’ e voltar a investir forte na TV
Por Notícias da TV
Não há dúvidas de que as emissoras de TV aberta terão de rebolar para se adaptarem à Medida Provisória que proíbe as casas de apostas esportivas no Brasil. Nos bastidores do mercado publicitário, porém, o sentimento predominante é de alívio. Grandes marcas que haviam se afastado da televisão já ensaiam um retorno, na expectativa de que os preços das cotas comerciais caiam –ou voltem ao patamar normal, após meses inflacionados pelas cifras milionárias das bets.
Um profissional que trabalha com atendimento em uma grande agência de São Paulo, ouvido sob condição de anonimato, explica que as casas de apostas tinham um modelo impossível de replicar pelas indústrias ou pelo setor de varejo.
A avaliação no mercado é que essas plataformas operavam com margens desproporcionais: custos operacionais irrisórios frente a lucros astronômicos. Trata-se de um modelo de negócio que não apenas rentabiliza as perdas dos próprios usuários, mas que é estruturado sobre técnicas conhecidas como dark patterns –voltadas para prender a atenção e estimular o vício.
Mais do que vender: a responsabilidade por trás dos produtos de saúde
Por Julio Mottin Neto (CEO Panvel)
Saber de onde vem um produto de saúde e quem responde por sua qualidade precisa fazer parte da decisão de compra. Para quem trabalha no setor farmacêutico, oferecer essa segurança é uma responsabilidade que começa na escolha dos fornecedores e acompanha todo o caminho até o consumidor.
Reportagens recentes da Folha de S.Paulo e do ESTADÃO trouxeram levantamentos da Abrafarma sobre ofertas de produtos para emagrecimento e desempenho sexual no comércio eletrônico. A partir da análise de anúncios, a entidade apontou problemas como promessas terapêuticas indevidas, uso de marcas de medicamentos para promover outros produtos e indícios de irregularidades na composição declarada. Os estudos abrangem principalmente suplementos e outras categorias de produtos e não envolveram testes laboratoriais.
Vejo muito valor no trabalho de entidades como a Abrafarma, que dão visibilidade a essas questões e levam às autoridades as preocupações do setor. Essa atuação contribui para uma discussão que interessa a todos nós, sobre a procedência dos produtos, a qualidade da informação oferecida e o cumprimento das regras de proteção ao consumidor.
Como gestor, considero que ampliar o acesso à saúde exige investir também na estrutura que sustenta esse cuidado. Qualificar fornecedores, acompanhar a origem dos produtos, assegurar condições adequadas de armazenamento e contar com orientação farmacêutica são compromissos que precisam estar presentes nas decisões de crescimento, tanto nas lojas quanto nos canais digitais.
É com essa visão que trabalhamos no Grupo Panvel. Queremos estar mais próximos das pessoas e facilitar o cuidado no dia a dia, preservando a confiança de quem nos procura. Cuidar da saúde começa também pela tranquilidade de saber o que se está levando para casa.
Agências redefinem a criatividade como motor de vendas
Integração de equipes e ampliação de escopos ajudam a transformar a criatividade em resultados aos clientes
Por Caio Fulgêncio
Após anos de divisão entre métricas de curto prazo e construção de marca, o mercado publicitário consolida o entendimento de que criatividade e eficácia de vendas não se opõem, mas se potencializam mutuamente. Diante de consumidores e anunciantes mais maduros, as agências redefinem o produto criativo e o pensamento estratégico como os grandes motores de crescimento dos negócios, superando a dependência de métricas imediatistas.
A construção de espaços que fomentam a criatividade orientada a resultados pressupõe a eliminação do antigo modelo que Camila Hamaoui, presidente da Wieden+Kennedy São Paulo, chama de “passagem de bastão”. No passado, explica, o trabalho era segmentado, sendo repassado de equipe para equipe, e, no contexto atual, a operação funciona de maneira integrada, com os times atuando juntos nas demandas.
Benjamin Young, CEO da DPZ, concorda que essa é uma realidade comum a praticamente todas as agências. A complexidade das entregas demanda, por exemplo, que todos os profissionais entendam de audiências e comportamentos dos consumidores, competência que, há alguns anos, era mais restrita aos profissionais de mídia.
“O criativo hoje também não pode olhar apenas para prêmios em festivais sem entender os desafios comerciais do cliente, até porque os principais eventos premiam ideias que transformam negócios. Da mesma forma, a área de atendimento e negócios precisa entender profundamente de criação”, exemplifica.
No caso da Lola\TBWA, do Omnicom, fruto da fusão entre Lew’Lara e DM9, além de departamentos mais integrados, a aposta inclui contratar perfis com trajetórias fora do padrão tradicional de agência, explica Carol Boccia, CEO da operação. Acrescentar a experiência de especialistas em relevância cultural, entretenimento e audiências, por exemplo, também permite entregar soluções criativas e inéditas para os clientes.
Novos escopos
Carol pontua que, no dia a dia, a mudança do modelo de atendimento das agências é fruto da busca crescente dos anunciantes por respostas para problemas complexos. Na prática, com a fragmentação de canais, os pedidos do cliente estão cada vez menos formatados, extrapolando a tradicional campanha ao incluir outros serviços, como desafios relacionados a embalagem ou distribuição, o que em muitos casos envolve acionar fora soluções que não existem dentro de casa.
“Passamos pela fase em que as agências tentavam abraçar tudo, mas essa conta não fecha, a menos que você pertença a um grande grupo. O cliente quer o problema resolvido sem ter que gerenciar dezenas de pontos de contato. Na Lola, uma agência com oito meses, focamos no nosso core de criatividade e estratégia, mas busco esses braços complementares para alcançar outras disciplinas”, diz.
A DPZ vivencia a mesma realidade, com o acesso a um grupo extenso de capacidades do Publicis Groupe, holding da qual faz parte. O acesso a múltiplas competências, no entanto, conforme Young, exige uma “abordagem estratégica e criativa” para conectar as diferentes frentes ao mesmo tempo. “Temos navegado muito bem nessas novas disciplinas devido a essa integração”, avalia.
Na W+K, que integra rede independente, Camila diz que a expectativa do cliente por respostas a desafios complexos pautou a criação de frentes especializadas. Hoje, a agência conta com produtora in-house impulsionada por inteligência artificial; agência de intermediação de influência e talentos; e um hub especializado em out of home (OOH).
“As iniciativas não visam apenas competir com agências especializadas, mas garantir que, quando o cliente confia no trabalho da W+K, possamos manter a qualidade da criação e da mensagem no centro. Todas elas atendem exclusivamente os clientes da própria agência, gerando agilidade, eficiência financeira e nos permitindo testar novos modelos de negócio”, ressalta.
Preço da criatividade
Nesse cenário, com o peso que a mídia ganhou nas receitas, remunerar a criação e a estratégia acaba se tornando mais complexo. Para o CEO da DPZ, cresce a percepção de que a comunicação não se resume à mensuração do last click e às conversões imediatas. “Quando o mercado toma consciência disso, fica mais fácil precificar o diferencial que a criação e a estratégia trazem”.
Na análise do executivo, houve o período em que os anunciantes se “encantaram” com métricas objetivas e de curto prazo. Agora, por outro lado, alguns anunciantes enfrentam dificuldades justamente por terem focado excessivamente no último clique e esquecido de construir marca. “Nas concorrências atuais, o debate não gira mais em torno de quem cobra mais barato, mas de quanto valor a agência é capaz de agregar ao negócio do cliente”, justifica.
Na perspectiva da presidente da W+K, realmente se torna difícil de precificar a criação quando tratada como commodity ou somente a partir da contagem “hora-homem”. Porém, diz, é dever da indústria sustentar que “a criatividade é a ferramenta de negócios mais poderosa que existe”, capaz de alçar uma marca a outro patamar a partir de uma boa estratégia.
Camila concorda que, após um período em que a supersaturação de métricas gerou uma paisagem publicitária homogênea e confusa para o consumidor, o mercado volta a valorizar a força da mensagem. “Diante da iminência da inteligência artificial, na qual todos utilizam as mesmas ferramentas pautadas em dados do passado, vale lembrar que a criatividade humana é a grande ferramenta para projetar o futuro, criar novos hábitos de consumo e comunicar com originalidade”, complementa.
Desafio da remuneração
Nesse contexto, Carol acredita que o grande desafio das lideranças é definir novos modelos de cobrança, tendo em vista que a antiga forma, baseada no controle rígido de horas (FTE) e escopos engessados, tornou-se “insustentável”. Com isso, torna-se necessário demostrar ao cliente que uma criação ousada gera mais impacto do que o caminho sempre seguro.
“A partir do momento em que as ferramentas tecnológicas se democratizam entre os grupos, a criatividade passa a ter um valor ainda maior”, comenta em concordância com Camila.
Young também aponta o esgotamento dos modelos simplistas de remuneração. Se a antiga comissão sobre o investimento em mídia sugeria que a agência só faturava quando o cliente gastava mais, a cobrança baseada exclusivamente em horas e FTEs tampouco responde à complexidade atual.
Uma alternativa, conforme Young, seria combinar uma parcela vinculada ao volume de investimento, um componente fixo destinado à equipe dedicada, um tech fee para cobrir o uso de tecnologias e um success fee atrelado a indicadores reais de negócio. Para que essa lógica represente uma parceria efetiva, defende, parte do bônus deveria chegar aos profissionais que atuam diretamente na conta e contribuíram para o resultado alcançado pelo cliente.
“É injusto o cliente bater metas, comemorar os resultados e a equipe da agência, que trabalho nas trincheiras, não ser recompensada. Os anunciantes têm respondido muito bem a essa lógica de parceria real”, complementa.
Uma reflexão sobre por que adultos de diferentes épocas costumam enxergar os mais jovens como menos respeitosos
Sócrates sobre juventude e disciplina: “As crianças de hoje são tiranas, contradizem os pais, devoram a comida e tiranizam os professores.”
Por Larissa Hisashi (Tupi FM)
A frase de Sócrates sobre a juventude revela como críticas a crianças e adolescentes atravessam gerações
Sócrates costuma aparecer associado a uma reclamação sobre crianças e jovens que parece familiar a muitos adultos. Pais e professores discutem respeito, limites e autoridade, enquanto comparam comportamentos atuais com lembranças de outras épocas. Essa comparação merece atenção: uma situação concreta pode exigir intervenção, mas não descreve automaticamente uma geração inteira nem comprova que a educação piorou.
A declaração não é uma citação comprovada de Sócrates. Sua formulação retoma uma síntese de críticas antigas à juventude apresentada por Kenneth John Freeman no livro Schools of Hellas, publicado em 1907. A versão que circula com o nome do filósofo grego resume essa reclamação:
“As crianças de hoje são tiranas, contradizem os pais, devoram a comida e tiranizam os professores.”
A imagem inverte a autoridade esperada: os adultos deixam de orientar e passam a parecer dominados pelos mais jovens. Seu exagero expressa incômodo com mudanças no comportamento. Uma reclamação sobre a juventude não equivale a um retrato completo dela, mesmo quando menciona problemas reconhecíveis na convivência.
Por que a geração atual pode parecer menos respeitosa?
Comparar crianças de hoje com a própria infância envolve lembranças selecionadas e expectativas atuais. Uma pesquisa publicada em 2019 encontrou relações entre características valorizadas pelos adultos e sua percepção de declínio nos jovens. Isso convida a examinar os critérios usados na comparação. Confira perguntas úteis antes de generalizar:
- Estou descrevendo um episódio ou toda uma geração?
- Que comportamento específico considero desrespeitoso?
- Minha lembrança inclui também os conflitos da minha infância?
- As regras atuais são iguais às de outras épocas?
- Conheço situações que contradizem essa impressão?
Discordar de um adulto significa desrespeitar sua autoridade?
Uma criança pode perguntar por que precisa cumprir uma regra sem estar tentando ofender alguém. A pergunta oferece uma oportunidade para explicar o limite e verificar se ele foi compreendido. Já insultar, ameaçar ou humilhar outra pessoa envolve comportamentos diferentes, que não devem ser confundidos com uma discordância.
Respeito e concordância não são sinônimos. Um aluno pode apresentar outra interpretação de um texto, mantendo consideração pelo professor. Em casa, um adolescente pode negociar um horário sem ter sua proposta aceita. A autoridade continua presente quando os adultos escutam, esclarecem responsabilidades e sustentam limites adequados à situação.
Como falar de disciplina sem transformar o jovem em um rótulo?
Chamar alguém de “tirano” ou “sem educação” pode substituir a descrição daquilo que precisa mudar. Uma orientação mais concreta identifica a conduta, seu efeito e a expectativa para a próxima situação. Confira formas de conduzir essa conversa sem depender de acusações sobre a personalidade:
- Descrever o ocorrido, como interromper repetidamente uma explicação;
- Apresentar a regra e esclarecer sua finalidade;
- Ouvir o que o jovem entendeu ou tentou comunicar;
- Combinar uma maneira adequada de discordar ou pedir ajuda;
- Reconhecer quando o comportamento combinado foi cumprido.
Compreender o contexto significa abrir mão dos limites?
Escutar uma explicação não obriga o adulto a aceitar qualquer conduta. É possível compreender a frustração de uma criança e manter a proibição de agredir. Também é possível reconhecer uma dúvida e exigir que a conversa ocorra sem insultos. O contexto ajuda a escolher a intervenção, enquanto o limite deixa claro quais comportamentos são aceitáveis e quais precisam ser interrompidos.
O respeito entre gerações depende de situações concretas
A frase que circula com o nome de Sócrates revela a força de uma narrativa recorrente: a juventude atual pareceria pior que a anterior. Essa impressão não dispensa a análise dos acontecimentos. Uma discussão na escola precisa ser compreendida por suas circunstâncias, sem transformar o episódio em prova de que todos os alunos perderam o respeito.
Educar exige distinguir perguntas, conflitos e agressões. Cada situação pede uma resposta, e a convivência oferece oportunidades para ensinar como discordar, reparar um erro e cumprir compromissos. Pais, filhos e professores encontram mais clareza quando conversam sobre atitudes observáveis, em vez de disputar qual geração teria sido a mais bem-educada.
A Coca-Cola FEMSA que mistura sabor clássico e toque cítrico virou assunto
Por Economic News Brasil

Uma versão sem açúcar e com limão/lima, já comercializada no exterior, passou a chamar atenção diante de rumores de que poderia chegar ao mercado brasileiro. Por enquanto, não há confirmação oficial localizada sobre lançamento no Brasil.
A Coca-Cola Lime Zero é um produto real do portfólio internacional da companhia. Na Polônia, a marca descreve a bebida como uma combinação de Coca-Cola com suco de limão/lima, mantendo a proposta sem açúcar.
A Coca-Cola HBC também inclui a Lime Zero entre as variantes disponíveis naquele mercado, ao lado da Coca-Cola Original, Zero Sugar, Cherry e Lemon. A própria companhia ressalta que a disponibilidade de formatos varia de acordo com cada país.
Isso torna importante separar duas informações: a bebida existe e é vendida em outros mercados; sua chegada ao Brasil, porém, ainda não deve ser apresentada como fato confirmado.
Caso seja lançada por aqui, entraria em um mercado no qual as grandes fabricantes vêm explorando extensões de sabor e opções sem açúcar para diversificar o portfólio.
Café gelado na entrevista? Hábito da geração Z gera polêmica entre recrutadores
A geração Z abriu uma nova discussão sobre etiqueta profissional, e desta vez o debate gira em torno de um café gelado.
Na semana passada, a recrutadora Caitlin Wehniainen publicou um vídeo no TikTok comentando que candidatos da geração Z têm aparecido em entrevistas de emprego segurando um café gelado. Para ela, a bebida transmite a impressão de que a entrevista é apenas mais uma “parada na lista de tarefas do dia”. Na sua avaliação, trata-se de uma atitude “casual demais” para oportunidades corporativas mais tradicionais. Por isso, ela recomenda que os jovens tomem o café antes ou depois da reunião.
Os comentários se dividiram. Alguns argumentaram que entrevistas são, de fato, apenas uma parte da rotina e que é absurdo “fingir que não somos humanos”. Outros disseram não acreditar que havia pessoas questionando o que consideram regras básicas de profissionalismo.
A discussão ganhou força. O criador de conteúdo Josh Lora, conhecido como @tellthebees, afirmou no TikTok que algumas pessoas estão tentando redefinir o significado de profissionalismo de acordo com suas próprias preferências. Segundo ele, candidatos que entram em uma entrevista com um café gelado na mão correm o risco de não conseguir a vaga.
Lora criticou aqueles que veem o café gelado como um símbolo de rebeldia, mas acreditam que não deveriam sofrer qualquer consequência por isso. “Não é assim que o mundo funciona”, afirmou.
Outra criadora de conteúdo, conhecida como Miss Redacted, argumentou que o ambiente corporativo nos Estados Unidos possui diversas “regras não escritas”, independentemente de parecerem triviais para a maioria das pessoas.
O debate extrapolou as redes sociais. Um vídeo no TikTok mostrou uma enquete em um elevador de um escritório considerado “extremamente corporativo”, na qual 92% dos participantes afirmaram que levar um café gelado para uma entrevista é inadequado, enquanto apenas 8% consideraram a atitude aceitável.
Os trabalhadores estão divididos sobre se a bebida é algo inofensivo ou uma quebra de etiqueta profissional. Os recrutadores também não chegaram a um consenso. Embora a maioria considere que um café gelado não seja suficiente para eliminar um candidato, alguns defendem que a prática viola regras implícitas de comportamento em entrevistas. E, apesar de a geração Z estar introduzindo novas expectativas no ambiente de trabalho, esse hábito aparentemente inofensivo pode influenciar as chances de conseguir uma vaga.
“Um café gelado diz muito pouco sobre a capacidade de uma pessoa fazer o trabalho, e é justamente por isso que esse debate gerou tanta repercussão”, afirma Ashley Daugherty, gerente da empresa de recrutamento Randstad Professional. “Na verdade, a discussão não é sobre café. É sobre quem define o que é ser profissional.”
O que os especialistas em recrutamento pensam
Especialistas concordam que um café não deveria superar as qualificações de um candidato, mas admitem que pode influenciar percepções.
Megan Slabinski, presidente regional da empresa de recrutamento Robert Half, afirma que não recomendaria levar a bebida para a entrevista, embora considere improvável que isso seja decisivo. Segundo ela, o ideal é manter as mãos livres para cumprimentar os entrevistadores.
“Embora um café gelado, por si só, provavelmente não determine o resultado da entrevista, eu não recomendaria levá-lo para a sala”, diz Slabinski. “Qualquer coisa que gere distração ou desvie a atenção da conversa deve ser evitada.”
Ela ressalta que gerentes de contratação avaliam principalmente habilidades de comunicação, postura profissional e a forma como o candidato se apresenta. Ainda assim, recomenda abandonar qualquer item que possa se tornar uma distração.
Outros especialistas defendem uma visão diferente. Trent Cotton, diretor de inteligência de talentos da plataforma de recrutamento ICIMS, argumenta que levar uma bebida não deveria prejudicar as chances de ninguém.
“Qual é a diferença entre um copo de água e uma xícara de café, considerando que normalmente ambos são oferecidos ao candidato?”, questiona Cotton. “Não existe diferença real.”
Para ele, rejeitar um candidato por esse motivo demonstra foco excessivo em detalhes irrelevantes. “Se segurar um café transmite a ideia de que alguém não leva a entrevista a sério, em um mercado em que as pessoas se candidatam a 40 vagas para conseguir três entrevistas, então essa empresa está preocupada com os aspectos errados.”
A geração Z está mudando as regras do trabalho
Profissionais da geração Z vêm questionando normas tradicionais do mercado desde que começaram a ingressar no mercado de trabalho, muitos deles durante a pandemia de Covid-19.
Eles já desafiaram expectativas sobre vestimenta, presença obrigatória no escritório e estilos de comunicação. Agora, a discussão sobre levar café para entrevistas se soma à lista.
“Esse debate tem menos relação com o café gelado e mais relação com a transformação das normas no ambiente de trabalho”, explica Slabinski. Ela destaca que muitos jovens fizeram suas primeiras entrevistas por videochamada, onde esse tipo de preocupação simplesmente não existia.
Ashley Daugherty acrescenta que os candidatos estão tentando decifrar regras não escritas em um mercado de trabalho difícil. Como essas expectativas raramente são explicitadas, pode ser complicado para os jovens saber o que é considerado adequado.
Cotton concorda que o contexto mudou. Segundo ele, muitos integrantes da geração Z entraram no mercado remotamente e não tiveram quem lhes ensinasse essas convenções informais.
“Não se pode culpar alguém por não conhecer uma etiqueta que ninguém teve a chance de ensinar”, diz.
Para ele, a discussão revela um problema maior: a perda de empatia das empresas com os candidatos.
“O que me inspira é a forma como a geração Z está defendendo esse ponto”, afirma. “É uma geração que questiona regras que nunca fizeram muito sentido e pergunta ‘por quê?’ em vez de simplesmente obedecer. Levem o café. E façam as perguntas difíceis também. Aos recrutadores, essa é exatamente a pessoa que vocês deveriam querer na equipe.”













