Você vai ler na coluna hoje: Bets driblam proibição do governo e seguem operando no Brasil com sites internacionais, ‘Ninguém sabe como os algoritmos funcionam’, 5 Fatos Que Mostram Como o Agro Pode Ajudar o Brasil a Ser 8ª Maior Economia do Mundo em 2027, Desafio não é IA, mas repensar modelo de negócios, diz especialista, A lição que CEO da Microsoft aprendeu após ficar em silêncio diante de Bill Gates, Avanços tecnológicos desafiam universidades a atualizar currículos, ampliar parcerias e oferecer novos cursos, Novo streaming gratuito oferece filmes, séries e canais de TV ao vivo.
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Bets driblam proibição do governo e seguem operando no Brasil com sites internacionais
Plataformas ilegais utilizam domínios estrangeiros e divulgação por influenciadores para alcançar apostadores brasileiros; governo já retirou do ar quase 25 mil endereços, perfis e grupos
Por Otávio Rosso (Brasil 247)
Plataformas de apostas online continuam acessíveis a usuários brasileiros mesmo após a entrada em vigor da proibição determinada pelo governo federal. Para escapar da fiscalização, operadores ilegais passaram a utilizar domínios internacionais, sem a extensão “.br”, e a recorrer à divulgação de links por influenciadores nas redes sociais.
Segundo reportagem do jornalista Eli Jonas Maia, da CNN Brasil, publicada nesta sexta-feira (16), a estratégia permite que sites de apostas continuem alcançando o público brasileiro, apesar das medidas adotadas pelas autoridades. Dez dias após o prazo estabelecido para a retirada das plataformas do ar, ainda são encontrados endereços eletrônicos em funcionamento e perfis que promovem essas atividades.
A proibição foi anunciada em 25 de setembro, com prazo até 6 de outubro para que as empresas interrompessem suas operações. As plataformas com registro brasileiro deixaram de funcionar na data estabelecida, mas operadores ilegais passaram a explorar endereços internacionais para manter o acesso de apostadores no país.
O uso de domínios estrangeiros representa um desafio adicional para a fiscalização, uma vez que as plataformas continuam sendo divulgadas e acessadas por brasileiros, embora não estejam regulamentadas pelo governo federal.
Governo já retirou do ar quase 25 mil páginas, sites e grupos
O Ministério da Justiça intensificou o monitoramento das redes sociais e dos endereços eletrônicos utilizados para promover apostas ilegais. De acordo com o balanço mais recente da pasta, 24.783 sites, páginas, perfis e grupos foram retirados do ar desde o início das ações de fiscalização.
O alcance das estruturas identificadas pelas autoridades chega a 19,5 milhões de usuários, membros ou seguidores, número que evidencia a dimensão da divulgação das plataformas de apostas no ambiente digital.
Somente na quinta-feira (15), a Secretaria de Direitos Digitais do Ministério da Justiça identificou dez perfis no Instagram utilizados para divulgar bets. Todos foram derrubados após a identificação pelas equipes responsáveis pelo monitoramento.
Desde o fim de setembro, 570 páginas do Instagram foram bloqueadas por envolvimento na promoção de apostas consideradas ilegais.
A fiscalização também alcançou aplicativos de mensagens. No Telegram, 22 grupos que reuniam 21.452 usuários foram retirados do ar. Além disso, a força-tarefa conseguiu derrubar 1.576 sites relacionados às atividades investigadas.
As medidas integram uma ofensiva do governo federal para reduzir a circulação de links e impedir que operadores sem autorização continuem oferecendo apostas aos consumidores brasileiros.
Influenciadores e redes sociais ajudam a manter apostas ilegais
A divulgação realizada por influenciadores digitais tornou-se um dos principais mecanismos utilizados pelas plataformas para continuar alcançando apostadores no Brasil.
Mesmo com o bloqueio de endereços eletrônicos, links para sites internacionais seguem sendo compartilhados nas redes sociais, permitindo que usuários encontrem alternativas para acessar serviços proibidos.
O monitoramento realizado pelo Ministério da Justiça identificou que empresas sem registro brasileiro continuam atuando no mercado nacional por meio desses compartilhamentos.
A utilização de endereços sem a extensão “.br” também dificulta a identificação imediata das plataformas pelo público, já que os sites podem continuar oferecendo seus serviços em português e direcionando suas atividades aos consumidores brasileiros.
A estratégia permite que operadores ilegais mantenham canais de acesso mesmo depois da retirada do ar de páginas anteriormente utilizadas para divulgar apostas.
Medida provisória já está em vigor e depende de aprovação do Congresso
A proibição das bets foi estabelecida por uma medida provisória assinada pelo presidente da República. Embora seus efeitos já estejam em vigor, o texto ainda precisa passar pela análise do Congresso Nacional dentro do prazo constitucional para continuar produzindo efeitos.
Enquanto a medida aguarda a tramitação legislativa, as autoridades federais mantêm as ações de fiscalização e bloqueio de plataformas consideradas ilegais.
O principal desafio identificado pelo governo é impedir que operadores utilizem estruturas digitais sediadas no exterior e a divulgação descentralizada nas redes sociais para contornar as restrições brasileiras.
‘Ninguém sabe como os algoritmos funcionam’
Para pesquisador, falta de transparência das redes traz desconfianças sobre manipulação e favorecimento. Mas, eleitoralmente, não é mais possível prescindir do ambiente digital
Por Luíza Altoé (Correio Braziliense)
O problema fundamental da atuação das redes sociais é a falta de transparência e o fato determinante para isso é a arquitetura dos algoritmos, algo que somente a plataforma sabe como funciona. Em um período eleitoral como o atual, crescem as desconfianças sobre a isenção das big techs, sobretudo depois das decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) relacionadas à Meta. O professor associado de Comunicação Política da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Arthur Ituassu, frisa, porém, que essa dúvida não é uma exclusividade brasileira, uma vez que as redes tonaram-se fundamentais à disputa política. O meio digital, hoje, é fundamental para existir publicamente e garantir alcance mínimo junto ao eleitorado — algo que a direita compreendeu faz tempo e a esquerda ainda tem dificuldade em preceber a importância.
Donos das big techs têm proximidade com políticos de direita. Essa afinidade ideológica não levanta suspeitas sobre favorecimentos a candidaturas ou a governos de direita?
A questão das plataformas passa pelo problema da obtusidade do algoritmo. Há pouca transparência sobre como essas plataformas fazem a mediação da comunicação em contextos políticos. Esse é um problema no mundo inteiro. Na verdade, o problema não é nem o fato de as plataformas fazerem mediação e, eventualmente, estarem a favorecendo um candidato ou outro. Isso pode acontecer. O problema, do ponto de vista da regulação, é a falta de transparência. Ninguém sabe como os algoritmos funcionam — somente as empresas.
Qual a consequência dessa falta de transparência?
Esse é um problema sério do ponto de vista da comunicação política em um contexto eleitoral. Você pode, sim, ter mediadores que favorecem um ou outro candidato. Já aconteceu, não é verdade? Um jornal favorecia um candidato, uma televisão favorecia outro candidato. Mas, quando isso ocorria no sistema moderno de mídia, centralizado na televisão e no rádio, havia uma certa transparência. Via-se aquilo acontecendo. O que acontece hoje é a falta de transparência, o que tornou a questão mais complicada.
Candidatos com forte presença no meio digital garantiram vagas no Congresso nas eleições. São os casos de Nikolas Ferreira (PL-MG), Lucas Pavanato (PL-SP) e Érika Hilton (PSol-SP), por exemplo. Na sua avaliação, uma boa campanha eleitoral nas redes sociais é determinante para uma vitória nas urnas?
É muito difícil dizer que a campanha digital é determinante no resultado eleitoral. Mas, em alguns contextos, tem um papel estruturante. É preciso estar presente de alguma forma em múltiplos espaços para ter algum tipo de alcance eleitoral. Tem estados em que a mídia social faz mais diferença e tem estados onde está menos associada ao sucesso eleitoral. Em Minas Gerais, por exemplo, a gente percebe que as mídias sociais estão fazendo muita diferença. No Paraná, também. No Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, nem tanto. No Rio de Janeiro tem muitas variáveis que estão fora do digital que tem muito efeito: milícia, igreja, Baixada Fluminense e políticos. Não é um lugar onde o digital tem muito efeito, mas você não pode abrir dele. Ainda tem o elemento da eleição proporcional. As mídias digitais são muito favoráveis à eleição proporcional por causa da segmentação da comunicação no ambiente digital. Antigamente, você tinha que mandar a mesma mensagem para todo mundo. Agora, você manda mensagens específicas para mini-públicos específicos. Isso que a gente chama de segmentação está acontecendo de forma muito expressiva, porque a lógica da mídia digital é diferente da mídia de massa. A segmentação é muito favorável à eleição proporcional, em que eu não preciso falar para todo mundo. Agora, se você me perguntar: “Para uma eleição majoritária, você pode abrir mão das mídias digitais?” Não, de jeito nenhum. Aí que está o engano do governo. Hoje, a gente tem uma lógica de que tem de estar em todos os espaços. A gente tem que estar no podcast, no debate, em múltiplos espaços. A campanha ficou muito mais complexa. Antigamente, você precisava estar em alguns lugares. Agora, tem uma imensidão de espaços e de possibilidades.
Ao chegar ao segundo turno em desvantagem, a campanha à reeleição do presidente Lula decidiu redefinir as estratégias e se organizar no meio digital. O presidente aumentou sua presença nesse ambiente e até apareceu em vídeo de selfie. Uma mudança agora, no segundo turno, tende a gerar efeitos significativos e positivos para a campanha em tão pouco tempo?
Não há dúvida de que deixou para em cima da hora, tem um erro de campanha. Não é à toa que, por exemplo, o PL cresceu do jeito que cresceu, porque ele está crescendo com atores. O Jair Bolsonaro, por exemplo, é um ator não tradicional, com posições disruptivas, que utilizou o ambiente digital como forma de alavancar capital político. Houve uma mudança em 2016 com a datificação e automatização das campanhas, e os partidos tradicionais tiveram muita dificuldade de entrar nisso, de adotar uma linguagem disruptiva, que chama atenção do algoritmo. Por que o (deputado André) Janones só está fazendo isso agora no segundo turno? Porque há uma dificuldade dos partidos tradicionais de lidar com isso. Porque, na verdade, significa dar poder a um outro tipo de ator no que diz respeito à elite política do partido.
Uma tese amplamente defendida por cientistas políticos é a de que a direita predomina e tem mais força nas redes sociais. Concorda com esse entendimento? A extrema-direita se sai melhor por competência?
A esquerda está no poder há seis mandatos, praticamente, somente com o interregno dor Bolsonaro. Então, ela virou status quo. E a direita veio muito forte nesse anti-status quo, com uma linguagem de ataque na internet, em campanha permanente. O Nikolas Ferreira bate no governo o tempo todo. Isso traz uma nova dimensão para o governo, que não tem que só governar, mas tem que disputar narrativa no digital. Se não fizer isso, terá níveis de aprovação lá embaixo, como foi o caso de Lula. É preciso entender que se não ficar no digital disputando a narrativa, a oposição está trabalhando na construção da percepção. Não adianta mostrar resultado depois, porque a percepção é construída no sentido de que é preciso mudar — “está ruim como está, precisa mudar”. E a mídia digital é a mídia da novidade, do diferente. Dizer que está tudo bem não ganha atenção na mídia digital. E aí você começa a perceber que o incumbente, que antes era o cara que controlava a máquina e se dava bem, agora é ruim numa eleição. O incumbente está perdendo o tempo todo não só na América Latina, mas no mundo inteiro. É uma campanha permanente. Por isso, é estranho, de repente, ter o anúncio de mudança na estratégia de campanha digital agora. Por que não estava fazendo isso antes? Vai fazer nas últimas semanas?
A campanha de Flávio à Presidência contou com altos investimentos em redes sociais e apoio de aliados políticos famosos no meio digital. Como você avalia o desempenho da campanha bolsonarista nas redes?
Acho que o determinante, no primeiro turno, foi ter colocado uma percepção generalizada de que é preciso mudar. Essa percepção foi construída e o governo não disputou essa narrativa. Os bolsonaristas trabalham isso na campanha permanentemente e eles sempre trazem uma novidade. Em 2018, foram os grupos de WhatsApp. Em 2026, o Flávio traz um investimento muito grande em anúncios digitais, além de aproveitar seu alcance orgânico. Mas aqui tem uma outra discussão que é importante: as campanhas contam com dinheiro público. Milhões de reais do contribuinte estão indo para a Meta, para pagar anúncio digital de campanha. São coisas que a gente tem que discutir.
Nos últimos dias, a Justiça Eleitoral produziu um vaivém de decisões sobre a legalidade do canal de WhatsApp Exército do Lula, criado pelo Janones. Esse canal tem potencial transformador na campanha do petista?
Acho que a mobilização que está sendo feita no digital é um elemento central do posicionamento de Lula no segundo turno. Não há dúvida. As redes sociais são o básico. Se não fizer nelas, vai se estrepar, que foi o que aconteceu. A esquerda que foi eleita no primeiro turno foi a que atuou nas redes sociais. Tem que fazer segmentação, falar com vários públicos, fazer a mobilização, disputar narrativa. Se não fizer isso, não está fazendo campanha hoje em dia. Acha que com a biografia, aliança, tempo de televisão vai ganhar eleição? Não vai. Além disso, é o mais barato: os candidatos que apostam em redes têm uma relação custo-benefício melhor do que aqueles que não investem.
O volume de reclamações judiciais sobre desinformação e publicidade digital irregular quase triplicou na Justiça Eleitoral, em 2026, em relação a 2022. Isso aponta que, apesar da atuação do TSE, as redes continuam sendo um lugar sem controle e de disseminação de fake news?
5 Fatos Que Mostram Como o Agro Pode Ajudar o Brasil a Ser 8ª Maior Economia do Mundo em 2027
Com safra recorde, exportações de US$ 169,2 bilhões e um quarto da economia, o setor sustenta com força o avanço previsto pelo FMI
Por Forbes Brasil
Nesta semana, o Fundo Monetário Internacional (FMI) publicou o documento Perspectivas da Economia Mundial, no qual o Brasil é apontado como a oitava maior economia do mundo em 2027. O FMI mostra que o país pode seguir nesta posição até 2031, o último ano com dados estimados. No documento, o Brasil aparece com um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 2,80 trilhões (R$ 14,65 trilhões) em 2027. Neste ano, em décima posição, o PIB de referência é de US$ 2,655 trilhões.
O PIB é o conjunto de todos os bens e serviços finais produzidos no país, levantados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Vale registrar que o PIB da agropecuária, do IBGE, mede somente o que é produzido dentro da porteira: lavouras, pecuária, produção florestal e pesca. Em 2025, chegou a R$ 775,3 bilhões, cerca de 6,1% do PIB. O PIB do agronegócio, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), inclui a cadeia inteira: insumos, produção primária, agroindústria e agrosserviços. Por isso alcançou R$ 3,20 trilhões, ou 25,13% da economia no mesmo ano.
As sete posições à frente do Brasil são Estados Unidos (US$ 34,44 trilhões), China (US$ 22,94 trilhões), Alemanha (US$ 5,66 trilhões), Índia (US$ 4,52 trilhões), Reino Unido (US$ 4,49 trilhões), Japão (US$ 4,47 trilhões) e França (US$ 3,65 trilhões). Atrás do Brasil ficam Itália (US$ 2,77 trilhões) e Rússia (US$ 2,68 trilhões) no grupo das dez maiores economias globais.
Mas e o agro? Qual é a contribuição do setor para esse salto do Brasil? Confira cinco motivos que explicam o peso do campo na conta do FMI.
1– O campo puxou o crescimento do país
Em 2025, a economia brasileira cresceu 2,3% e chegou a R$ 12,7 trilhões, segundo o IBGE. Quem puxou a fila foi a agropecuária, com alta de 11,7%, ritmo seis vezes maior que o dos Serviços (1,8%) e oito vezes o da Indústria (1,4%). Mesmo com cerca de 6% do PIB, o setor respondeu por 32,8% de todo o crescimento do país no ano. As safras recordes de milho (+23,6%) e soja (+14,6%) sustentaram o resultado. E o fôlego continua: no segundo trimestre deste ano, a agropecuária avançou 6,8% sobre o mesmo período de 2025.
2 – Um quarto da economia passa pela cadeia do agro
Quando a conta inclui a cadeia inteira, das fábricas de fertilizantes às agroindústrias e ao transporte da safra, o peso do setor fica bem maior. O PIB do agronegócio cresceu 12,20% em 2025, de acordo com o Cepea/CNA, e a fatia do setor na economia subiu de 22,9% para 25,13% em apenas um ano. Para 2026, porém, o cenário é de ajuste. Com a queda dos preços agrícolas, o PIB do agronegócio recuou 2,01% no primeiro trimestre, e a projeção para o ano é de R$ 3,13 trilhões, ou 22,8% da economia. O campo produz mais, mas recebe menos por tonelada vendida.
3 – Os dólares que pesam no ranking
O FMI compara as economias em dólares, e nenhum setor traz tanta moeda forte para o Brasil quanto o agro. Em 2025, as exportações do agronegócio bateram o recorde de US$ 169,2 bilhões, quase metade (48,5%) de tudo o que o país vendeu ao exterior. O superávit do setor chegou a US$ 149,07 bilhões. Essa entrada de divisas ajuda a sustentar o real e, com ele, o tamanho do PIB brasileiro convertido em dólares. A pauta também ficou mais diversa: a carne bovina in natura saltou para US$ 16,6 bilhões (+42,5%) e o café verde atingiu US$ 14,86 bilhões (+31,1%), ambos recordes. A China segue como principal compradora, com US$ 55,3 bilhões, e o país acumula 525 mercados abertos desde 2023, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
4 – A safra que chega em 2027
O campo já prepara a colheita que vai alimentar a economia justamente no ano em que o FMI projeta o Brasil em oitavo lugar. Em 15 de outubro, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimou a safra 2026/27 em 367,14 milhões de toneladas, novo recorde. A área plantada deve crescer 2,3%, para 85,41 milhões de hectares. A soja pode chegar a 181,61 milhões de toneladas e o milho, a 148 milhões. Do lado das vendas externas, a Conab projeta embarques de 117,97 milhões de toneladas de soja e até 46 milhões de milho.
5 – Um em cada quatro trabalhadores
O agro também pesa no bolso dos brasileiros. Em 2025, 28,4 milhões de pessoas trabalhavam no agronegócio, o equivalente a 26,3% dos 108,1 milhões de ocupados no país, segundo a CNA. Isso significa que um em cada quatro trabalhadores está em alguma etapa da cadeia, da indústria de insumos à logística da safra.
Desafio não é IA, mas repensar modelo de negócios, diz especialista
George Westerman, do MIT Sloan, afirma que a IA já é realidade, mas o verdadeiro desafio é transformar a forma como as empresas operam
A inteligência artificial já deixou de ser uma promessa futura para se tornar uma realidade concreta no mundo dos negócios.
No entanto, segundo o especialista George Westerman, do MIT Sloan School of Management, o verdadeiro desafio não está na tecnologia em si, mas na capacidade das empresas de repensarem seus modelos de operação.
A declaração foi feita em entrevista ao CNN Cast, durante o Universo TOTVS, evento anual de tecnologia e negócios promovido pela TOTVS. Westerman destacou que a IA não gera valor por si só — ela permite que as empresas façam negócios de forma diferente, e é essa transformação que representa o maior obstáculo.
Tarefas rotineiras em xeque
Westerman explicou que, historicamente, a tecnologia sempre foi capaz de substituir tarefas repetitivas.
Com a IA, esse processo se acelera e alcança atividades que antes se acreditava serem exclusivamente humanas, como escrever e conversar com pessoas.
Para ele, quem ainda executa tarefas rotineiras deve buscar formas de se afastar delas, pois os computadores aprenderão a realizá-las rapidamente.
Sobre quais habilidades humanas permanecerão relevantes, o especialista foi cauteloso.
Ele mencionou que criatividade, relacionamento interpessoal e pensamento fora do padrão são competências que se espera continuarem tendo valor, mas reconheceu a incerteza:
“Ainda não sabemos exatamente o que restará depois que a IA assumir o controle”, afirmou.
O verdadeiro desafio é o modelo de negócios
Para Westerman, a parte mais difícil da adoção da IA não é a tecnologia em si.
“A IA não é a parte difícil, a parte difícil é pensar como você negocia”, disse.
Isso inclui repensar a forma como as empresas vendem para seus clientes e como desenvolvem produtos.
A IA, segundo ele, viabiliza essas mudanças, mas a liderança e a iniciativa para conduzir as transformações ainda precisam vir das próprias organizações.
A lição que CEO da Microsoft aprendeu após ficar em silêncio diante de Bill Gates
O CEO da Microsoft, Satya Nadella, passou mais de duas décadas ascendendo na empresa antes de assumir o comando da companhia, em 2014. Mas, olhando para trás, o bilionário admitiu recentemente que certa vez deixou de se manifestar quando acreditava que a empresa estava tomando uma decisão equivocada e que a lembrança ainda o assombra.
Nadella relembrou uma reunião realizada por volta de 2008 ou 2009, convocada pelo então presidente do conselho, Bill Gates, para avaliar uma possível aquisição envolvendo uma equipe que trabalhava com armazenamento paralelo de dados. Na época, Nadella liderava a divisão de buscas da Microsoft e acreditava que a operação não fazia sentido.
“Olhei para aquilo e pensei: ‘Arquitetonicamente, isso era completamente absurdo comprar naquele momento’”, disse Nadella no podcast Confessions With Ali Partovi, em episódio divulgado nesta semana. Mas, em vez de questionar a proposta, ele passou pela reunião sem expor suas preocupações.
“Isso me assombra, pensar que posso estar em uma reunião na qual alguém enxerga o futuro muito mais claramente do que eu e do que a pessoa que está apresentando, mas não defende sua visão”, afirmou Nadella. “E foi exatamente isso que eu fiz.”
Ele saiu da reunião pensando que tinha sido uma “perda de tempo”. Em retrospecto, porém, a experiência se tornou um lembrete de como é fácil permanecer em silêncio em vez de desafiar uma decisão, mesmo quando se acredita que falar pode levar a um resultado melhor.
Como Steve Ballmer ensinou Satya Nadella a expressar suas preocupações
Nadella admitiu que discordar abertamente pode ser difícil em qualquer empresa, especialmente em uma organização do porte da Microsoft. Mas uma conversa com o então CEO da companhia, Steve Ballmer, ajudou a moldar sua visão de liderança: os funcionários devem pensar além de suas responsabilidades individuais e adotar uma mentalidade de dono, considerando o que é melhor para a empresa como um todo.
“A vida não deve ser vivida de forma tão transacional”, disse Nadella. “Porque, no fim das contas, todos nós morremos, e ninguém vai olhar para um balanço patrimonial ou uma demonstração de resultados. A pergunta será: ‘Como você viveu sua vida?’”
Em outras palavras, o sucesso profissional não consiste apenas em cumprir tarefas ou evitar conflitos. Trata-se de ter coragem para defender aquilo em que se acredita e ajudar a empresa a tomar decisões melhores, mesmo que isso signifique questionar colegas. A chave, segundo Nadella, é aprender a defender o resultado correto sem colocar outras pessoas na defensiva.
Agora à frente da gigante de US$ 4 trilhões, Nadella tenta construir uma cultura na qual os funcionários se sintam à vontade para se manifestar e buscar o melhor resultado possível.
“Criar um ambiente em que alguém pense: ‘Quero sempre buscar o melhor resultado possível’, e fazer disso uma norma cultural é algo muito difícil de orquestrar.”
Reed Hastings e Ray Dalio defendem a discordância no trabalho
A capacidade de discordar respeitosamente de um colega ou chefe é uma característica valorizada por muitos líderes empresariais. Mas criar esse ambiente de franqueza exige esforço deliberado.
O cofundador da Netflix, Reed Hastings, já reconheceu que discordar de um chefe ou colega não é algo natural para a maioria das pessoas. Na Netflix, porém, gestores são incentivados a “cultivar a discordância” entre os funcionários.
“Discordar em silêncio é um ato de deslealdade”, afirmou Hastings em 2024.
O fundador da Bridgewater Associates, Ray Dalio, segue uma filosofia semelhante, resumida em uma regra simples: “Fale, assuma a responsabilidade ou vá embora”.
“Assim como qualquer outra coisa, princípios precisam ser questionados e debatidos”, escreveu Dalio. “O que não é permitido é reclamar ou criticar em particular, seja para outras pessoas ou apenas na sua cabeça. Se você não pode cumprir essa obrigação, então deve sair.”
A ex-CEO da PepsiCo, Indra Nooyi, também sugeriu uma forma prática de garantir que vozes divergentes sejam ouvidas: convidá-las ativamente para a conversa.
“No fim da reunião, a pessoa que está na cabeceira da mesa deveria sempre perguntar a todos os demais: ‘Você tem mais alguma coisa a acrescentar?’”, disse Nooyi em um curso da MasterClass.
“Isso é muito, muito importante, porque às vezes as pessoas sentem que não serão ouvidas ou que os outros simplesmente falam por cima delas.”
Avanços tecnológicos desafiam universidades a atualizar currículos, ampliar parcerias e oferecer novos cursos
Instituições de Ensino Superior tentam aproximar a formação acadêmica de um mercado de trabalho cada vez mais digital
Por Sofia Lungui (Zero Hora)
Em um mercado de trabalho marcado por transformações tecnológicas e pelo surgimento de novas áreas de atuação, as universidades enfrentam o desafio de acompanhar as exigências profissionais sem comprometer a qualidade da formação acadêmica.
Com isso, as instituições apostam em atualização de currículos, aproximação com as empresas, análise de tendências e construção de percursos de aprendizagem que preparem os estudantes para mudanças que ainda estão por vir.
Na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), esse processo envolve diferentes frentes e diálogo com a sociedade. Segundo a gerente de desenvolvimento do ensino da instituição, Cristiane Schnack, a Unisinos conta com empresas parceiras, que são convidadas a apresentar problemas reais para que os estudantes desenvolvam soluções.
— Essa aproximação dos currículos com as empresas abre um canal muito importante de as empresas também serem ouvidas, do perfil profissional que elas precisam. Essa demanda pode ser sempre respondida com novos currículos, reformulações, modelagens curriculares, novas disciplinas e temáticas — destaca.
Os tópicos de inteligência artificial (IA) e sociedade e de responsabilidade socioambiental aparecem transversalmente em todos os atuais currículos de bacharelado da universidade. Outro exemplo é a disciplina de diversidade e inclusão em contextos profissionais.
— Os alunos são convidados para ir em instituições e empresas que já atuam e mapear o que há de políticas de diversidade, como esse contexto profissional se organiza para que todas as pessoas se sintam parte daquele lugar. Como temos um hub para o ODS11 (Objetivo de Desenvolvimento Sustentável), iniciativa da ONU, também temos disciplinas que lidam com a cidade, como espaços colaborativos de formação na cidade — explica.
É preciso haver adaptações, mas sem deixar de garantir uma formação acadêmica consistente. Essa lógica orientou a reformulação de graduações presenciais iniciada em 2023 na Unisinos. Entre as mudanças, estão as microcertificações de competências transversais, atividades optativas para aprofundar conhecimentos em áreas como:
- cultura digital e tecnologias exponenciais
- empreendedorismo de impacto e inovação
- pensamento crítico e ética
- diversidade e cidadania
A intenção é dar mais flexibilidade à formação, permitindo que cada aluno construa parte de seu percurso de acordo com seus interesses e objetivos profissionais. A criação de cursos interdisciplinares é outra aposta.
A Unisinos está com inscrições abertas para ingresso no próximo ano letivo em três novas graduações que articulam conhecimentos de diferentes campos:
- Engenharia de Software
- Design, Tecnologia e Negócios
- Gestão, Tecnologias e Agronegócio
As propostas buscam formar profissionais capazes de integrar competências distintas. Os cursos oferecerão atividades como workshops, sprints e hackathons, nas quais os estudantes podem trabalhar a partir de desafios apresentados por empresas.
O desenvolvedor Lucas Müller, 18 anos, aluno do 2º semestre do curso de Ciência da Computação na Unisinos, observa que a universidade vem investindo em aplicações de IA na formação, o que contribui para sua integração no mercado:
— Logo no início do curso eu consegui ter acesso a projetos de iniciação científica, eventos, maratona de programação, competições, feiras. Isso abre muitas oportunidades.
A aproximação com empresas foi fundamental – na semana passada, Lucas iniciou seu primeiro estágio.
— Participamos de eventos que proporcionam essa experiência de conhecer pessoas novas, ambientes, pessoas que estão trabalhando em projetos completamente diferentes do que vemos na sala de aula. Isso permite ver como as coisas se aplicam no mercado de trabalho, na vida real.
Flexibilidade na formação
Na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), a adaptação às transformações também envolve revisão de cursos, criação de novas graduações e busca por percursos de formação mais flexíveis. Conforme o vice-reitor da instituição, Tiago Marchesan, a UFSM tem incentivado cursos de graduação e pós-graduação a realizar processos de autoavaliação:
— Hoje, com a IA, conseguimos gerar dados e realizar análises muito mais precisas, inclusive de impacto dos nossos cursos na sociedade.
Como exemplo, Marchesan cita a criação dos cursos de Ciência de Dados e Inteligência Artificial em 2025, no campus de Cachoeira do Sul, e de Nanotecnologia e Inovação Computacional, neste ano, no campus em Santa Maria. A universidade também trabalha na reformulação de cursos relacionados à segurança cibernética, cinema e audiovisual e gestão de recursos hídricos.
Para o vice-reitor, a transformação passa pelas demais frentes de atuação das universidades: pesquisa, inovação e extensão universitária.
— As universidades têm um papel muito maior do que somente cursos de graduação. Elas passam a ser entes de desenvolvimento regional. As pesquisas que desenvolvemos aqui viram aplicação na sociedade e geram inovação. Nossa extensão está presente na comunidade — destaca.
A UFSM também busca integrar as etapas de ensino. Uma das estratégias é a chamada “verticalização” da formação, que permite aproveitar conhecimentos adquiridos em cursos técnicos na continuidade dos estudos em nível superior. A proposta é investir em trajetórias mais articuladas e, sempre que possível, reduzir o tempo de formação, sem perder de vista as competências exigidas em cada etapa.














