Você vai ler na coluna hoje: Novo Hamburgo Feevale Summit, Quando a mídia encontra a cidade: nasce a Galeria L’île, Sua marca não precisa esperar o cliente chegar até ela. Ela pode estar no caminho, A cidade se move. Sua marca acompanha, Streaming gera audiência. Cobertura é gerada pelo sinal da emissora, João Branco: “O melhor marketing foca em um grupo de clientes”
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Novo Hamburgo Feevale Summit
Novo Hamburgo Feevale Summit chega à 4ª edição para fortalecer a inovação regional
Inscrições já estão abertas para evento realizado pela Universidade Feevale em setembro
Diante de parceiros e imprensa no Câmpus II nesta quarta-feira, 10, a Universidade Feevale lançou o Novo Hamburgo Feevale Summit 2026. Gratuito, o evento tem o propósito de conectar empresas, instituições, academia, alunos e comunidade em um ambiente inspirador, com conteúdos de qualidade e conexões de valor, tornando a inovação e o empreendedorismo acessível a todos. Em sua quarta edição e com o mote Onde a inovação vira referência. Ideias, tecnologia e pessoas construindo o futuro, as atividades estão marcadas para os dias 15, 16 e 17 de setembro.
A diretora de Inovação da Feevale, Manuela Bruxel, falou sobre as atrações dessa edição. Serão dois palcos simultâneos: Conexões 360 e Negócios Conscientes Inspiram. Com previsão de mais de 100 speakers, os conteúdos abordarão temas relevantes para a inovação aplicada, como saúde, indústria e economia criativa, tecnologia e indústria 4.0, educação e futuro do trabalho. São esperados mais de três mil participantes, mais de 100 empresas, e a produção de mais de 15 podcasts, o que permitirá multiplicar os conhecimentos produzidos ao longo dos três dias de atividades.
Atrações confirmadas
Manuela confirmou atrações como a Vila de Startups, espaço dedicado para que startups de diferentes ecossistemas apresentem seus modelos de negócio, a Rodada de Negócios, momento exclusivo de networking entre empresas e startups com foco na resolução de desafios reais do mercado, e o Be International, quando universidades internacionais parceiras da Feevale compartilham experiências. “O Novo Hamburgo Feevale Summit tem como foco o fortalecimento do sistema local de inovação que está sendo estruturado, mostrando as experiências que temos aqui. A ideia é que possamos movimentar esse conteúdo, baseado na inovação de Novo Hamburgo”, disse a diretora.
Acontecerá, também, o Open Labs, abertura dos laboratórios da Universidade à visitação, a Open City, realização de roteiros turísticos especiais por Novo Hamburgo, e haverá um espaço da Sala do Empreendedor. Outras atrações incluem a Vila Gastronômica, com empreendedores locais, e apresentações culturais. Foram apresentados, ainda, os primeiros nomes de speakers confirmados. Confira:
– Arthur Diehl, líder de Marketing de Produto na Dell Technologies
– Eduardo Ogawa, professor de IA e Analytics, já foi head of Marketing Science da Meta
– Patrícia Jaczak, CEO do Ella Hub, estrategista digital e consultora de startups
– Fabio Makita, fundador da Equinox, Consultoria Estrategista de Inovação
– Felipe Paniago, cofundador e CMO do Reclame AQUI
As inscrições já estão abertas, são gratuitas e podem ser feitas pelo site nhfs.feevale.br.
Evento enfoca o desenvolvimento regional
Mais uma vez, o Novo Hamburgo Feevale Summit reforça o compromisso da Feevale, como universidade comunitária, em estar ainda mais próxima de iniciativas e projetos locais. O objetivo é garantir, à comunidade, amplo acesso ao ecossistema de inovação, promovendo conexões em atuação conjunta com seus parceiros regionais.
O reitor da Universidade Feevale, José Paulo da Rosa, destacou que o Novo Hamburgo Feevale Summit representa a união entre academia, poder público e iniciativa privada para impulsionar a inovação e o desenvolvimento regional. “Teremos um grande encontro que reúne os eixos que caracterizam um verdadeiro ecossistema de inovação. Este é o nosso principal diferencial. Não estamos promovendo apenas mais um evento sobre inovação. Estamos realizando um evento dentro de uma universidade, cercado por laboratórios, pesquisadores, estudantes, empreendedores, gestores públicos e lideranças empresariais. Aqui, a pesquisa está ao alcance das empresas. Aqui, o poder público participa ativamente das discussões. Aqui, os empreendedores encontram conhecimento, conexões e oportunidades”, ressaltou.
Na opinião da secretária de Desenvolvimento Econômico e Inovação de Novo Hamburgo, Daiana de Leonço Monzon, o resultado da parceria para a realização do evento traduz a realidade da cidade. A diversidade econômica, de empregabilidade e gastronômica reflete o potencial que se transforma no evento de sucesso. Com destaque ao empreendedorismo, a secretária reforçou que, durante a realização do Novo Hamburgo Feevale Summit, a Sala do Empreendedor estará instalada na Universidade. “Vamos reforçar essa vocação estando ainda mais perto das pessoas”, disse Daiana.
O gerente da Regional Sinos, Caí e Paranhana do Sebrae-RS, Maico Fabiano Fernandes, afirmou a importância da integração entre o movimento econômico tradicional e o fluxo de inovação. “Quero dizer, em nome do Sebrae RS, especialmente do nosso Sebrae Regional, o quanto estamos felizes em apoiar mais uma edição desse importante evento para a nossa cidade. Eu acredito muito na integração das nossas instituições. Afinal, a inovação não acontece de forma isolada. Ela acontece quando conseguimos conectar diferentes setores da economia, incluindo aqueles mais tradicionais, que continuam sendo a base do desenvolvimento econômico da nossa região”, ressaltou.
Já o gerente do Espaço Sicredi Feevale, Daniel Klein, externou a satisfação em ver como o evento, apoiado pela cooperativa desde a sua primeira edição, vem crescendo e oferece, ainda, muitas oportunidades de crescimento. “Acreditamos muito que a educação é um fator importantíssimo para o desenvolvimento, não só local, mas principalmente regional, e esse movimento se conecta com o nosso propósito, de juntos construímos comunidades melhores”, afirmou.
Saiba mais
As três primeiras edições impactaram, em um total de 122 horas de programação, cerca de oito mil participantes, contaram com 510 empresas, cerca de 276 speakers, diversas atrações culturais e desafios para incentivar a transformação de ideias em negócios e a visibilidade de startups.
O Novo Hamburgo Feevale Summit 2026 é realizado pela Universidade Feevale, com correalização de Prefeitura Municipal de Novo Hamburgo e Sicredi Pioneira e apoio máster de Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-RS). Conta, ainda, com os seguintes apoiadores: BCS Eventos, Dem-Bas Embalagens, InBetta, RecStream, Reverse, Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Sest-Senat), Take Films, Techdec Informática, Unimed e Vipal Borrachas.
Também terá os parceiros institucionais: Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom, Estância Velha, Dois Irmãos e Ivoti (ACI-NH/CB/EV/DI/IV); Câmara de Dirigentes Lojistas de Novo Hamburgo (CDL-NH); Sindilojas Vale Germânico; Fundação Escola Técnica Liberato Salzano Vieira da Cunha; Aliança para Inovação; Feevale Techpark; Novo Hamburgo Centro de Inovação e Tecnologia (CIT); Sinos Valley; Sistema Fiergs; e ARP.
Quando a mídia encontra a cidade: nasce a Galeria L’île
Por Andrè Oliver
Ao longo dos últimos meses, tenho usado este espaço para falar sobre grandes marcas, campanhas memoráveis e iniciativas que estão ajudando a transformar a forma como enxergamos a mídia Out of Home.
Hoje, peço licença para falar sobre um projeto muito especial para mim. Um projeto da nossa casa.
Florianópolis acaba de ganhar um novo espaço de encontro entre arte, arquitetura, paisagem e tecnologia.
Na Rua Bocaiuva, ao lado do Beiramar Shopping, nasce a Galeria L’île, uma iniciativa da Impactooh | Viva Out of Home que carrega uma convicção que tenho há muito tempo, a mídia pode e deve contribuir para tornar as cidades mais humanas.
Quando começamos a imaginar esse projeto, a pergunta não era “como vender publicidade?”. A pergunta era: como podemos gerar valor para a cidade?
A resposta veio de forma muito clara.
Criar um espaço onde artistas locais possam ser vistos. Onde a tecnologia respeite a paisagem. Onde a mídia dialogue com a arquitetura. Onde as pessoas possam desacelerar por alguns instantes e simplesmente apreciar o lugar onde vivem.
Integrada à praça concebida pelo escritório JA8, sob liderança da arquiteta Juliana Castro, a Galeria L’île reforça algo em que acredito profundamente: o melhor do Out of Home acontece quando deixamos de pensar apenas em impacto e passamos a pensar em pertencimento.
Tenho repetido, há algum tempo, que o futuro do OOH não está apenas na ocupação dos espaços. Está na capacidade de criar significado.
Nem toda mídia precisa interromper.
Algumas podem acolher.
Nem toda tecnologia precisa disputar atenção.
Algumas podem ampliar a experiência humana.
Confesso que escrever sobre a própria empresa é sempre mais difícil. Existe uma linha muito tênue entre compartilhar uma conquista e parecer autopromoção.
Por isso, escolho falar sobre gratidão.
Gratidão por poder continuar fazendo aquilo em que acredito há mais de duas décadas. Gratidão às pessoas que confiaram na nossa visão. Gratidão à equipe da Impactooh, que transforma ideias em realidade todos os dias. E gratidão a Florianópolis, cidade que nos inspira e que nos ensina que desenvolvimento e identidade podem caminhar juntos.
A Galeria L’île nasce para celebrar a arte, a história e a essência da nossa gente.
Porque, no fim das contas, acredito que a cidade é a maior obra coletiva já construída.
E quando arquitetura, paisagismo, cultura e tecnologia caminham na mesma direção, a mídia deixa de ser apenas mídia.
Ela passa a fazer parte da história do lugar.
Sua marca não precisa esperar o cliente chegar até ela. Ela pode estar no caminho
Por Ana Cássia Miguel
Todos os dias, milhares de pessoas circulam por Porto Alegre para trabalhar, estudar, consumir, se divertir e viver a cidade. É nesse movimento que a comunicação ganha força.
Apresentamos aqui duas soluções que transformam deslocamentos em oportunidades de visibilidade: Busdoor e mídia em carros de aplicativo. SEM DISPUTAR ESPAÇO COM OUTRAS MARCAS.
Os ônibus oferecem grande impacto visual, ampla cobertura geográfica e alta frequência de exposição, levando a marca para diferentes bairros, rotas e horários. Já os carros de app ampliam a presença em regiões estratégicas, conectando campanhas a públicos qualificados e gerando exposição contínua ao longo do dia.
A lógica é simples: quanto mais a cidade se movimenta, mais sua marca aparece.
Na Exibe, trabalhamos exclusivamente com mídia em transporte, criando campanhas que acompanham a rotina das pessoas e transformam trajetos cotidianos em pontos de contato valiosos entre marcas e consumidores.
Com a mídia em transporte você ganha:
– Alcance urbano
– Presença contínua
– Excelente custo-benefício
– Milhares de impactos diários
A cidade se move. Sua marca acompanha
Por Paulo Fernandes
“Às vezes, o próximo passo é parar por alguns dias.” No início deste ano, vivi uma mudança importante na minha trajetória profissional com a venda da Clear Channel, uma empresa pela qual tenho enorme admiração e gratidão. Como acontece com muitos profissionais experientes, a primeira reação foi acelerar. Buscar oportunidades, fazer contatos, desenhar novos projetos, encontrar rapidamente o próximo passo. Mas, em meio a esse processo, percebi algo que nem sempre praticamos: Descansar também é uma decisão inteligente. Existe uma pressão silenciosa para estarmos sempre produzindo, entregando e avançando. Como se parar por um momento fosse sinônimo de perda… Me propus pensar diferente: Recuperar energia, reorganizar ideias, cuidar da saúde, estar próximo das pessoas que amamos e permitir que a mente respire não é uma pausa na carreira. É parte dela. Por isso, nos próximos dias, vou desacelerar um pouco e aproveitar um período de férias. Volto em breve, com novos aprendizados, novas histórias e a mesma vontade de contribuir, aprender e construir. Até a volta.
Streaming gera audiência. Cobertura é gerada pelo sinal da emissora
Após muitas perguntas de parceiros, clientes e anunciantes, decidi trazer uma análise técnica sobre um tema que vem gerando interpretações equivocadas no mercado de rádio.
Com o crescimento do consumo digital, muitas apresentações comerciais passaram a destacar os números de streaming como se eles representassem aumento automático de cobertura para uma campanha.
Mas existe uma diferença importante:
Cobertura geográfica
É determinada pelo alcance do sinal da emissora (FM e AM ainda em algumas pequenas cidades).
Streaming
Gera audiência digital e acesso ao conteúdo, mas não amplia a cobertura técnica da rádio.
Por esse motivo, analisar apenas os números digitais pode levar a conclusões equivocadas.
Uma pergunta simples ajuda a entender:
Onde esses ouvintes estão?
Nem toda audiência digital está dentro da praça de interesse comercial do anunciante.
Dependendo da estratégia, parte significativa dos ouvintes conectados pode estar fora da área de cobertura da emissora e fora da região onde a campanha precisa gerar resultado.
Por isso, o planejamento correto deve considerar:
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Cobertura geográfica da emissora
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Alcance no dial
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Frequência de exposição
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Perfil do público
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Audiência digital
João Branco: “O melhor marketing foca em um grupo de clientes”
Por Roseani Rosa
Recentemente, João Branco trouxe às livrarias físicas e e-commerces seu terceiro livro: O cliente percebe. Anteriormente, vieram Dê propósito e Desmarketize-se. A publicação atual, segundo o autor, reflete sobre o que significa colocar o cliente no centro “de verdade” – já que a primeira parte da frase costuma ser dita por muita gente, mas aparentemente, não é praticada por todos. Na entrevista a seguir, João, que antes de virar consultor, autor, professor e palestrante esteve por quase uma década à frente do marketing do McDonald’s comenta os cenários hoje ainda mais complexos enfrentados pelos CMOs e agravados pela velocidade das mudanças.
Meio & Mensagem – Este é o seu terceiro livro, qual a questão principal que ele aborda e é diferente em que sentido principalmente em relação aos anteriores?
João Branco – O cliente percebe é um livro sobre como conseguir resultados que vão além das vendas colocando o cliente no centro, de verdade. É direto, prático e recheado de ideias para ajudar o leitor a tirar o seu público do alvo e colocá-lo no coração. Uma das frases de que eu mais gosto nele é que “a melhor estratégia de marketing do mundo é você se importar com o seu cliente”. Depois de mais de 1 milhão de livros vendidos com o Dê Propósito (sobre como colocar significado no trabalho) e Desmarketize-se (sobre como fazer um marketing que não parece marketing), esse novo livro completa a sequência com o foco no personagem mais importante da nossa profissão: o cliente. Os três têm uma essência parecida, mas apresentam provocações bem diferentes.
M&M – Os CMOs e, consequentemente as marcas das quais cuidam, estão muito perdidos hoje em relação ao propósito de sua atividade e seu papel em relação aos clientes?
João – Acho que eles estão mais distraídos do que perdidos. Como têm um alto nível de cobrança e expectativas, profissionais de marketing acabam tendo uma rotina tomada por “incêndios que precisam ser apagados”, promoções que precisam ser implementadas, novas tecnologias que precisam ser adotadas, planos de reação à concorrência e outras urgências diárias. A gente até queria colocar mais o cliente no centro do negócio, mas… não consegue. O livro O cliente percebe vem para reforçar a grande oportunidade que temos de focar o nosso trabalho em quem realmente precisa dele.
M&M – Depois que virou autor, a que público você busca se direcionar principalmente (ou detectou que seus livros têm atraído mais)?
João – Eu escrevo para quem tem clientes. Comecei compartilhando ideias com profissionais de marketing, mas esse público se expandiu muito ao longo dos anos. Hoje, sou acompanhado por empreendedores, empresárias, médicos, professoras, consultores, esteticistas, dentistas, prestadores de serviço de diversos segmentos. O que une esse grupo é que eles têm consumidores, precisam mudar algo em seus negócios e acreditam na força das marcas. No fundo, eles não querem uma aula de marketing, querem uma ajuda. E é para eles que eu faço meus livros, cursos, palestras, podcasts e conselhos. São pessoas que não enxergam seu trabalho apenas como um lugar onde empurram produtos para quem não precisa comprar. Algo diferente acontece dentro delas quando ouvem que “construir marcas é deixar marcas na vida dos seus clientes”. Eu os defino assim, porque acho que isso é o que os meus clientes mais satisfeitos têm em comum. E, como escrevo no livro, descobrir isso é um tesouro para qualquer negócio. Eles são os seus melhores “consultores de marketing”.
M&M – Ao longo da sua trajetória, você viu o marketing passar da era da construção de marca para a era dos dados e, agora, para a da inteligência artificial. O que continua igual e o que mudou definitivamente no papel do CMO?
João – Tenho duas definições de marketing das quais gosto muito. Uma delas é que “marketing é viabilizar satisfação para os clientes”. A inteligência artificial e as novas tecnologias estão mudando radicalmente a forma e a viabilidade das coisas. Então um novo mundo de oportunidades se abre para conseguir ser mais rápido, eficiente, produtivo e até criativo. Mas não podemos esquecer que o trabalho do CMO deve estar sempre guiado pelas necessidades das pessoas que estão “do outro lado do balcão” e isso exige muita sensibilidade humana. Essa essência não mudou. E sobre a minha outra definição preferida de marketing… você vai ter que ler o livro para descobrir.
M&M – O McDonald’s é um caso emblemático de construção de marca de longo prazo. Que lições do período em que esteve à frente da marca você considera mais relevantes para empresas que hoje enfrentam pressão por resultados cada vez mais imediatos?
João – Fiquei quase dez anos no marketing do Méqui. E gosto de resumir tudo que aprendi lá com essa frase: “o resultado sempre vem quando o cliente ama muito tudo isso”. A passagem pelo varejo alimentar mudou muito a minha visão sobre marketing. Porque quando você vê uma criança pegar uma batatinha frita que você serviu e sorrir, isso dá sentido ao seu trabalho. A verdade é que todos os negócios fazem isso, mas muitas vezes não sabemos nada sobre a história daquela consumidora e não fazemos ideia do impacto que estamos causando na vida dela. Mas quando conseguimos enxergar isso com mais profundidade, trabalhamos diferente. E quando a gente faz isso, o cliente percebe. E nos recompensa com mais vendas, mais fidelidade, melhores avaliações, menos elasticidade a preço e… até mais significado no que fazemos.
M&M – Como professor e consultor, quais são os erros mais frequentes que você observa entre executivos e profissionais de marketing quando tentam se aproximar dos consumidores?
João – Os três erros mais comuns que vejo acontecendo são: tentar falar com clientes demais, tentar falar sobre coisas demais e tentar falar cada vez de um jeito diferente. O melhor marketing é aquele que é CONSISTENTEMENTE focado em um grupo de clientes que PRECISA MUITO daquela UMA coisa que só você consegue fazer por eles. Existe uma oportunidade gigante de melhoria nesses três pontos, até em marcas grandes. Muitos profissionais estão mais preocupados com a concorrência, com o bolso da empresa ou com a sua própria carreira do que com o consumidor. E quando isso acontece, o cliente também percebe.
M&M – Você costuma defender que marketing é, antes de tudo, entender pessoas. Em um cenário cada vez mais mediado por algoritmos e automação, existe o risco de as empresas perderem essa sensibilidade humana?
João – Cada vez mais as marcas vão parecer que adivinharam o que os clientes querem. E a tecnologia vai ajudar demais nesse processo. Mas isso não vai acontecer apenas com sistemas automatizados. Algoritmos são excelentes para identificar padrões. Mas clientes não são apenas padrões, eles também são contradições. Ouso dizer que as melhores empresas usarão tecnologia para ganhar eficiência e usarão humanidade para ganhar preferência. E à medida em que os resultados forem mostrando isso, o risco de perder a sensibilidade tende a diminuir.
M&M – O que mais tem chamado sua atenção nas conversas com alunos, empreendedores e lideranças empresariais nos últimos anos? Há alguma mudança de mentalidade que indique para onde o marketing está caminhando?
João – Vejo dois sentimentos crescendo ao mesmo tempo: empreendedorismo e insegurança. Nunca foi tão fácil montar um negócio do zero e “escalar”. Isso está incentivando grandes empresas a fazerem muito mais testes e projetos de inovação. E também está criando uma geração de empreendedores que enxerga possibilidades inéditas de crescer e impactar mercados. Mas, ao mesmo tempo, todos parecem mais inseguros. Nunca foi tão preocupante dormir sabendo que no dia seguinte podem brotar cinco novos concorrentes no seu segmento. Nunca foi tão difícil acompanhar a velocidade de mudança no mundo. Nunca foi tão incerto saber se o seu cliente vai continuar preferindo você no ano que vem. Talvez isso ajude a explicar a força da nostalgia em tantas categorias. Ela nos conecta com algo familiar em um mundo cada vez mais imprevisível. Mas, apesar dessa insegurança, acredito que estamos vivendo um dos momentos mais interessantes da história para quem trabalha com marcas.
M&M – Uma vez que hoje existem mais ferramentas, dados e tecnologia do que nunca à disposição dos profissionais de marketing. Por que, então, tantas marcas parecem ter dificuldade para se diferenciar de forma relevante?
João – Porque a diferenciação não nasce apenas de ferramentas e dados. A relevância vem menos de perguntas como “o que o mercado está fazendo?” e mais de perguntas como “o que só nós podemos fazer pelos nossos clientes?”. O consumidor não escolhe a marca que tem mais anos de história, a maior fábrica ou a tecnologia mais avançada. Ele escolhe a solução que melhor atende o que ele precisa. Colocar o cliente no centro não é apenas decidir uma nova forma de trabalhar, mas é também entender a real razão do seu negócio existir.












