O varejo descobriu que loja não é mais ponto de venda. É ponto de experiência – 29.05.2026

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Você vai ler na coluna hoje: O varejo descobriu que loja não é mais ponto de venda. É ponto de experiência, A TV é irrelevante? Ou só mudou de forma?, Comunidade, pertencimento e relevância no consumo brasileiro. O consumo é, essencialmente, um ato social, A nova geração não quer menos cobrança. Quer líderes que saibam cobrar sem destruir, Da série: “Coisas que o trabalho me proporciona”, Viradas geoeconômicas: como países periféricos se transformaram em potências econômicas, Quem tenta carregar o mundo nas costas quase sempre termina carregando a própria exaustão, A pior empresa não é a que te demite. É a que faz você acreditar que nunca foi bom o suficiente, Matriz reforça área de criação com retorno de Beto Philomena e novas contratações

 

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O varejo descobriu que loja não é mais ponto de venda. É ponto de experiência

Por Daniella Borges

Luiza Helena Trajano anunciou em dezembro que a Magalu mapeou 50 lojas no Brasil com potencial para virar Galeria, o novo conceito inaugurado na Avenida Paulista com 4 mil metros quadrados. A expectativa é que em um ano a Galeria registre volume de vendas equivalente ao de 10 lojas tradicionais. No mesmo período, a Inditex, dona de Zara, Bershka e Massimo Dutti, concluiu o fechamento de 136 lojas para concentrar investimentos em megastores tecnológicas.

Quem lê superficialmente vê dois movimentos contraditórios. Quem opera varejo vê a mesma tese.

A Magalu está transformando loja de venda em ponto de experiência. A Inditex está fazendo exatamente o mesmo, só que pelo outro lado da equação. Onde a Magalu amplia, a Inditex enxuga. Mas o destino é idêntico: menos pontos de venda, mais hubs de relacionamento integrados ao digital. Os dois movimentos têm os mesmos ingredientes porque respondessem à mesma pressão do consumidor. Click and collect para fluidez entre canais. Provadores inteligentes com tecnologia RFID que reconhecem peças e exibem informações de tamanho e combinação. Self checkout para eliminar filas. Logística integrada entre loja e e-commerce. Espaços de convivência, conteúdo, café, permanência.

A loja parou de ser metro quadrado para vender. Virou metro quadrado para conectar. Vi executivos desmontarem redes inteiras achando que e-commerce era a única resposta. E vi do outro lado o consumidor continuar entrando em loja, só que querendo outra coisa: experiência, fluidez entre canais, razão para ficar além de comprar.

Quem entendeu primeiro está liderando agora. A pergunta para quem dirige rede no Brasil hoje não é mais quantas lojas fechar ou abrir. É outra: cada metro quadrado que você mantém aberto está vendendo produto ou está construindo marca e integrando canais? Porque os dois maiores movimentos do varejo nesta semana mostram que o jogo virou. Quem ainda mede loja só por venda por metro quadrado vai chegar atrasado.

Inspirado no post de Alexandre H. Hashiguchi.

A TV é irrelevante? Ou só mudou de forma?

Por Débora Radaelli Spader

A TV é irrelevante? Ou só mudou de forma? A Globo tem hoje cerca de 150 milhões de usuários cadastrados, 66% da população brasileira. Mas o número não é o principal. A Globo não só alcança, ela conhece o brasileiro. Porque combina: – alcance massivo; – consumo diário; – dados identificados. A Globo entende comportamento + identidade + cultura. E com a TV 3.0, isso só tende a crescer. No fim, a discussão não é sobre a morte da TV. É sobre quem transforma alcance em relacionamento e relacionamento em dados. Alcance cria fandom. Dados criam negócios. E, hoje, poucos conhecem tão bem o brasileiro quanto a Globo.

Comunidade, pertencimento e relevância no consumo brasileiro. O consumo é, essencialmente, um ato social.

Por Marcelo Rubin de Lima

Na sociologia e na antropologia, as análises mais interessantes sobre o tema são as que se distanciam da lógica da escolha racional de custo-benefício. Nós não consumimos apenas produtos. Consumimos significados, símbolos de pertencimento e marcadores de identidade. O que vestimos, o que comemos e onde passamos as férias são um idioma que comunica aos outros quem somos e, principalmente, quem não somos. Quando alguém escolhe um produto nas gôndolas de um supermercado, está construindo sua identidade. O consumo opera como um espelho e um escudo: ele projeta para o mundo a imagem de quem a pessoa deseja ser (identidade) e demarca seu lugar na estrutura social (posição). Consumimos para dizer: Eu pertenço a este grupo, compartilho destes valores e possuo este status. O antropólogo britânico Daniel Miller (A Theory of Shopping), considera o ato de fazer compras no supermercado como um verdadeiro ritual. Miller enxerga o consumo como uma prática de produção de relacionamentos e afetos. Quando abastecemos o carrinho, raramente pensamos apenas em nós mesmos. A escolha de cada item é moldada pelo cuidado (cura), pelo amor e pela manutenção de laços familiares e comunitários. Os produtos que escolhemos materializam sentimentos e sustentam nossos relacionamentos. Trazendo essa ótica para a nossa realidade, pesquisas contemporâneas no país, (Clotilde Perez, USP) apontam que o consumo no Brasil está fortemente atrelado à dimensão dos afetos e da ritualização do cotidiano. Nesse sentido, o consumidor brasileiro é altamente relacional. O vínculo com marcas e produtos é utilizado para estreitar laços familiares, celebrar a resiliência diante de crises econômicas e construir narrativas de identidade. Minha posição sobre o tema é: o consumidor brasileiro busca marcas que validem esses laços de afeto no seu cotidiano. Laços com a família, amigos e colegas de trabalho. Por isso, o varejo que sobrevive e prospera não é o que foca apenas no preço, mas o que entende o papel que ocupa na cultura e na comunidade do seu cliente. Um papel de materialização dos afetos.

A nova geração não quer menos cobrança. Quer líderes que saibam cobrar sem destruir

Por Ester Morgan

Estamos vivendo uma mudança clara na relação com o trabalho. A nova geração não quer um chefe, quer um terapeuta.
E o pior é que não é força de expressão.

Hoje, muitos jovens profissionais têm dificuldade em receber feedback sem se sentirem desconfortáveis, injustiçados ou até assediados.
Correção virou ataque e ajuste virou ofensa. E isso revela uma fragilidade emocional que a maioria dos líderes ainda não sabe como lidar.

Pesquisas indicam que nove em cada dez (cerca de 90% a 91%) jovens com até 28 anos (Geração Z) relatam sentir o impacto do estresse no ambiente de trabalho, com muitos descrevendo o estado emocional como “em frangalhos”, e 61% considerariam trocar de emprego por melhores condições de suporte emocional e psicológico.

Ao mesmo tempo, existe a expectativa de fazer o mínimo e ser elogiado por cumprir o básico: chegar no horário, entregar o que foi combinado, bater uma meta.

Querem trabalhar menos, ter qualidade de vida, o que é legítimo, mas também esperam um salário “justo” muito acima do mercado, muitas vezes sem a mesma entrega proporcional.

Dados recentes mostram que saúde mental e equilíbrio entre vida pessoal e trabalho já superaram o salário como prioridade entre os mais jovens. O problema começa quando bem-estar passa a ser confundido com ausência de cobrança e responsabilidade.

Aqui vai a provocação: empatia não elimina disciplina, e acolhimento não substitui performance, está claro??

Empresas precisam, sim, ser mais humanas, mas os profissionais também precisam entender que crescimento passa por ouvir o que incomoda, ajustar rotas, ser produtivo e sustentar resultados.

O futuro do trabalho não será feito nem por chefes autoritários, nem por ambientes onde ninguém pode ser contrariado. Será construído por líderes firmes e humanos, e preferencialmente por profissionais emocionalmente maduros para crescer.

Da série: “Coisas que o trabalho me proporciona”

Por Gabriela Duarte Machado

Quem é do Rio Grande do Sul conhece e/ou já andou de Unesul. E também deve ter acompanhado as movimentações das últimas semanas: a Ouro e Prata agora faz as rotas de Porto Alegre até o litoral gaúcho. Mais do que trabalho, essa movimentação também tem um gostinho pessoal. Eu, que desde muito nova sempre fui de Unesul para Capão, hoje faço a minha primeira viagem para lá agora de Ouro e Prata. Poder comunicar essa mudança, encantar os clientes e, ao mesmo tempo, lembrar das viagens que fizeram parte da minha infância tem um significado diferente. Além da experiência profissional, também fica registrado na memória o dia em que fui para a praia com a empresa em que trabalho.

Viradas geoeconômicas: como países periféricos se transformaram em potências econômicas

As viradas geoeconômicas raramente acontecem de forma rápida ou espontânea. Em geral, elas surgem quando países conseguem combinar estratégia, abertura econômica, inserção internacional e capacidade de adaptação às mudanças do sistema global. E talvez uma das maiores lições da história econômica recente seja justamente esta: países considerados periféricos podem, sim, se transformar em protagonistas globais.

Nem sempre os vencedores do sistema internacional são os mais ricos em recursos naturais. Em muitos casos, são os que conseguem interpretar melhor as transformações da economia mundial.

Nos anos 1960, por exemplo, poucos apostariam que a Coreia do Sul se transformaria numa potência tecnológica global. O país havia sido devastado pela guerra, possuía renda extremamente baixa e enfrentava enormes limitações estruturais. Em diversos indicadores, estava atrás de muitos países latino-americanos.

Hoje, porém, a Coreia do Sul abriga gigantes globais de tecnologia, indústria automotiva, entretenimento e inovação. Essa transformação não ocorreu por acaso. O país investiu pesadamente em educação, industrialização voltada à exportação, inserção internacional e desenvolvimento tecnológico. Mais importante: compreendeu cedo que precisaria competir globalmente, e não apenas sobreviver regionalmente.

Cingapura talvez represente um caso ainda mais impressionante.

Sem recursos naturais relevantes, pequeno território e cercado por desafios geopolíticos, o país apostou em eficiência logística, segurança jurídica, educação e integração ao comércio internacional. Décadas depois, tornou-se um dos maiores centros financeiros e portuários do planeta.

A posição geográfica ajudou. Mas foi a estratégia econômica que transformou vantagem geográfica em riqueza.

A Irlanda seguiu caminho diferente, mas igualmente revelador.

Durante muito tempo, o país conviveu com emigração em massa, baixo crescimento econômico e pouca relevância internacional. A mudança veio quando Dublin passou a atrair multinacionais, especialmente de tecnologia e farmacêutica, utilizando ambiente regulatório competitivo, qualificação profissional e forte integração com mercados internacionais.

O resultado foi uma profunda transformação econômica que reposicionou o país dentro da Europa.

Mais recentemente, o Vietnã vem chamando atenção nas grandes cadeias globais de produção.

Nas últimas décadas, o país deixou para trás a imagem associada apenas à guerra e passou a se tornar peça importante da manufatura global. Empresas internacionais ampliaram investimentos no território vietnamita buscando diversificação produtiva, especialmente em meio às tensões entre Estados Unidos e China.

O Vietnã compreendeu algo fundamental da geoeconomia contemporânea: integração internacional pode ser instrumento de desenvolvimento estratégico.

Existe um elemento comum em praticamente todas essas viradas geoeconômicas.

Nenhum desses países apostou no isolamento econômico como caminho principal de crescimento. Pelo contrário. Todos buscaram aumentar competitividade, atrair investimentos, ampliar exportações, inserir empresas em cadeias globais e criar vantagens estratégicas no comércio internacional.

Isso não significa ausência de Estado. Mas significa um Estado voltado à competitividade internacional — e não simplesmente ao fechamento econômico ou à proteção permanente de ineficiências internas.

O Brasil costuma aparecer como um contraponto interessante nesse debate.

O país possui enorme mercado interno, abundância de recursos naturais e posição estratégica relevante. Ainda assim, frequentemente enfrenta dificuldades para transformar potencial em protagonismo econômico global. Em muitos momentos, prevalece uma lógica excessivamente voltada ao consumo interno e à exportação de produtos de baixo valor agregado.

Exportamos soja, minério e commodities enquanto importamos tecnologia, inovação e produtos industrializados de maior complexidade.

No fundo, as grandes viradas geoeconômicas da história recente mostram que desenvolvimento não depende apenas de riqueza natural. Depende de estratégia, inserção internacional e capacidade de entender para onde o mundo está se movendo. Porque, na economia global, países que ficam parados normalmente acabam ficando para trás.

Quem tenta carregar o mundo nas costas quase sempre termina carregando a própria exaustão

Por Geraildo Santana

síndrome do herói esconde uma armadilha, a exaustão. ​Muitos de nós acreditamos que cuidar de todos é a prioridade, mas esquecemos da regra básica do avião, coloque a máscara de oxigênio em você primeiro. ​Cuidar de si não é egoísmo, é estratégia. Máquina sem manutenção para. Pessoas sem cuidado também.

A pior empresa não é a que te demite. É a que faz você acreditar que nunca foi bom o suficiente

Por Luciana Regina M.

Tem ambientes que não demitem pessoas. Eles fazem as pessoas desacreditarem de si mesmas até pedirem para sair. E isso é mais comum do que parece. Recentemente acompanhei um profissional em um processo seletivo que, no papel, tinha experiência, conhecimento e resultados. Mas na conversa, o que mais aparecia era insegurança. A sensação constante de que nunca estava bom o suficiente. Em nenhum momento faltava competência. O que faltava era um ambiente saudável. Ambientes tóxicos não destroem apenas a motivação. Eles afetam autoestima, silenciam talentos e fazem profissionais capacitados questionarem o próprio valor. Como RH, cada vez mais percebo que cultura organizacional não se resume a benefícios, frases na parede ou discursos inspiradores. Cultura é como as pessoas são tratadas nos dias difíceis, nos erros, nas cobranças e principalmente no reconhecimento. Empresas precisam de performance. Mas performance sustentável não nasce do medo, nasce da confiança. A pior empresa para trabalhar é aquela que te faz duvidar do seu potencial. E infelizmente, muitas pessoas só percebem isso depois de já estarem emocionalmente esgotadas.

Matriz reforça área de criação com retorno de Beto Philomena e novas contratações

O publicitário Beto Philomena está retornando para a criação da Matriz após um ano sabático. Fundador da agência ao lado de Luiz Coronel e Alberto Freitas, Philomena reassume a direção de criação, função que passa a dividir com Davi dos Santos e Marcos Paco Hübner. Entre as prioridades da nova fase estará a dedicação à conta do Grupo Zaffari. “O ano sabático me mostrou o que eu já sabia: a Matriz é um timaço que sempre joga bem, independentemente da escalação”, afirma Philomena.

A agência também anuncia reforços em diferentes áreas de seu núcleo criativo com a contratação do redator Leonardo Theobald, dos diretores de arte Gabriel Martinez e Christiansen Salazar, e da designer Camila Romais.

Despedida

O movimento ocorre ao mesmo tempo em que Thiago “Cabelo” Ferreira deixa a agência. Até então diretor de criação da Matriz, ele passa a se dedicar a projetos pessoais. “Somos imensamente gratos pela contribuição inestimável do Cabelo à Matriz nos seus mais de 11 anos de agência. Agora é tempo de desejarmos a ele sucesso pleno em sua nova jornada”, declara Marcos Paco Hübner.

 

 

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