Você vai ler na coluna hoje: Novas regras de publicidade de bets transferem responsabilidade legal para toda a cadeia de divulgação, A luta do varejo físico contra o rebaixamento, Os últimos territórios livres dos algoritmos (Por que os rituais voltaram a importar), O Ponto cego da audiência de TV no Brasil, TV 3.0: A Revolução da televisão aberta brasileira e o futuro do planejamento de mídia, O que a eliminação da Seleção Brasileira pode ensinar aos profissionais de vendas?
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Novas regras de publicidade de bets transferem responsabilidade legal para toda a cadeia de divulgação
Por Renata Suter
A partir de hoje, 17 de julho, agências, veículos, plataformas digitais e produtores de tráfego passam a responder legalmente por verificar se a casa de apostas que divulgam é autorizada pela Secretaria de Prêmios e Apostas. A mudança recai sobre um mercado em que a operação ilegal pode representar quase metade do total movimentado no país.
O governo federal publicou no Diário Oficial da União, em 10 de julho, duas portarias que endurecem as regras de publicidade das apostas de quota fixa no Brasil.
A primeira, a Portaria SPA/MF nº 1.964, de 3 de julho de 2026, torna obrigatória a exibição de advertências sobre os riscos do jogo e passa a valer em 17 de julho. A segunda, a Portaria Interministerial MF/SECOM/MJSP nº 73, de 10 de julho de 2026, tem efeito imediato e redesenha quem responde pela publicidade do setor.
Além da exigência do selo de advertência, que passará a estampar cada anúncio, a grande mudança é em quem a lei responsabiliza.
Pela primeira vez, a obrigação de checar a regularidade do anunciante deixa de ser exclusiva da casa de apostas e se estende a todos os elos que participam da divulgação, como influenciadores, creators, veículos e afiliados do setor.
O que muda para quem veicula publicidade de apostas?
Até agora, a conformidade era cobrada principalmente da operadora. Com a Portaria Interministerial nº 73, qualquer pessoa física ou jurídica que produza, patrocine, divulgue, transmita, distribua, impulsione ou veicule publicidade de apostas passa a ter deveres próprios.
Antes de veicular um anúncio, esses agentes precisam verificar se o anunciante possui autorização do Ministério da Fazenda, consultando a lista oficial mantida pela Secretaria de Prêmios e Apostas.
Também ficam obrigados a obter e guardar dados mínimos do anunciante, como nome ou razão social, CNPJ e o número da autorização, e a manter essa identificação visível e acessível na interface em que o anúncio aparece.
Sendo assim, a agência, o veículo, a plataforma e o afiliado passam a ser corresponsáveis pela regularidade daquilo que ajudam a divulgar. O próprio Ministério da Fazenda descreveu a medida como uma ampliação da responsabilidade para todos os agentes envolvidos na divulgação do serviço.
Um mercado em que o ilegal disputa espaço com o regulado
O peso dessa exigência fica mais claro diante do tamanho do problema que ela mira. Um estudo da consultoria LCA, encomendado pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável, avalia que as apostas clandestinas representem entre 41% e 51% do mercado total, o equivalente a algo entre 26 e 39 bilhões de reais.
No mesmo período, a fiscalização avançou. Mais de 25 mil endereços de sites de apostas foram bloqueados ao longo do último ano, e o mercado regulado hoje reúne 85 empresas autorizadas, que operam cerca de 187 sites.
É nesse contexto que a nova regra ganha sentido: ao obrigar cada elo da cadeia a checar a autorização do anunciante, o governo fecha uma porta que antes permitia à operação ilegal circular por canais legítimos de divulgação.
Segundo Matheus Bastos, analista da Matching Visions Brasil, rede B2B que conecta produtores de tráfego exclusivamente a operadores licenciados, a mudança formaliza uma prática que o mercado sério já deveria adotar.
“A regra agora deixa explícito algo que sempre foi bom senso: quem divulga precisa saber para quem está divulgando. A diferença é que agora isso tem peso legal, com sanção para quem não fizer a checagem”, afirma.
A conformidade da cadeia como novo divisor
O ponto de atenção, avalia Bastos, é operacional. A verificação da autorização e a guarda dos dados do anunciante precisam virar rotina antes da veiculação, e não mais uma conferência posterior. Mas, para quem já trabalha estruturado, a adaptação é de processo.
“O que essa portaria faz é separar o mercado que se profissionalizou daquele que ainda apostava na informalidade”, diz o analista. “Nos próximos meses, a conformidade de cadeia vai passar a ser condição mínima para participar do jogo. Quem não verifica a origem do que divulga assume um risco um pouco mais caro.”
O risco a que o analista se refere está nas sanções previstas. O descumprimento pode resultar em multa de até 20% do faturamento da operadora, suspensão da autorização por até 180 dias e, em caso de reincidência grave, cassação definitiva da licença. Para quem veicula publicidade irregular, as punições seguem o Código de Defesa do Consumidor.
Copa do Mundo acelera o debate
O endurecimento chega em meio à reta final da Copa do Mundo de 2026, período de maior exposição publicitária do setor. O gatilho recente foi a repercussão em torno de anúncios de apostas exibidos durante transmissões esportivas, que levaram o Ministério da Fazenda a abrir investigação sobre mensagens de quatro empresas e motivaram liminares do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária pedindo a suspensão de determinadas ações.
Entre as práticas agora vedadas está justamente a mistura entre análise esportiva e publicidade: narradores, comentaristas e apresentados como especialistas não podem recomendar plataformas ou sugerir apostas específicas durante as transmissões.
Também ficam proibidas mensagens que criem senso de urgência, apresentem a aposta como investimento ou fonte de renda, ou exibam histórico de premiações para estimular novas apostas.
Para o mercado de afiliação e para os veículos, a leitura de Bastos é clara. “A Copa amplifica tudo, inclusive os erros. Nunca foi tão importante ter clareza sobre a origem de cada campanha que passa pela sua estrutura. A régua subiu para todo mundo ao mesmo tempo, e quem se antecipou vai atravessar esse momento com bem menos ruído.”
A luta do varejo físico contra o rebaixamento
O varejo físico brasileiro enfrenta queda nas vendas decorrente de fatores macroeconômicos, avanço do comércio eletrônico e o alto endividamento das famílias. Contudo, análises apontam que a principal vulnerabilidade do setor reside no amadorismo administrativo de lojistas de médio porte. Segundo o varejista e marketeiro Márcio Alcântara, o mercado vive um ponto de inflexão histórico, onde a profissionalização é vital.
Por DINO Agência de Notícias Corporativas
O varejo físico brasileiro registrou queda nas vendas em 2023, reflexo de fatores macroeconômicos, expansão do comércio eletrônico e alto endividamento das famílias, segundo dados da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC) e da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC). Analistas do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) apontam que a falta de planejamento estratégico e a deficiência técnica na gestão operacional são responsáveis por grande parte dos encerramentos prematuros de estabelecimentos de médio e pequeno porte.
Pressões macroeconômicas, como a oscilação das taxas de juros e a cautela gerada por períodos de transição política, reduzem a disposição de investimento das empresas e o consumo das famílias. Paralelamente, o aumento das importações de produtos de consumo direto, impulsionado por plataformas digitais internacionais, intensifica a competição de preços, reduzindo a margem de lucro dos varejistas que operam exclusivamente em canais presenciais.
Dados da SBVC indicam que a migração de consumidores para canais digitais se consolidou nos últimos anos. O custo operacional de manter lojas físicas – aluguel, energia, folha de pagamento – permanece elevado, pressionando ainda mais a rentabilidade dos negócios tradicionais.
A pesquisa PEIC, realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), revelou que 81,6% das famílias brasileiras estavam endividadas em 2023. O acesso restrito ao crédito levou os consumidores a adotar postura mais seletiva, exigindo maior valor agregado e priorizando compras que ofereçam conveniência e eficiência. Nesse cenário, estabelecimentos que não apresentam diferenciais competitivos perdem participação para o comércio eletrônico.
Em contrapartida, o segmento de luxo demonstra resiliência. O estudo “A Nova Era do Mercado de Luxo”, elaborado pela Bain & Company em parceria com a Valor Econômico, projeta que o faturamento do mercado de luxo nacional alcance R$ 120 bilhões, superando a média de crescimento observada em mercados consolidados na Europa e na Ásia. Especialistas atribuem esse desempenho à ênfase em experiência de compra, personalização e conveniência, aspectos ainda pouco explorados pelo varejo tradicional.
Especialistas em varejo ressaltam que a vulnerabilidade das lojas de médio porte está ligada à ausência de metodologias profissionais de administração e divulgação. Historicamente, muitos empreendedores iniciaram suas atividades por oportunidade ou necessidade, sem acesso a programas de capacitação técnica ou orientação governamental. Essa lacuna impede a implementação de sistemas eficientes de controle de fluxo de caixa, monitoramento de estoque e análise de mercado.
Márcio Alcântara, empresário varejista e mentor de lojas físicas, descreve o momento como um ponto de inflexão que exige reestruturação imediata. “Estamos vivenciando no Brasil e no mundo um momento chamado de ponto de inflexão, ou seja, uma mudança radical na forma como os acontecimentos se processam. As lojas físicas não deixarão de existir, mas os estabelecimentos que não se adequarem às demandas do novo varejo tendem a encerrar suas atividades”, afirma.
As perspectivas de adaptação apontam que a sobrevivência do comércio tradicional depende da profissionalização da gestão e da adoção de capacitação contínua. A convergência entre os ambientes físico e digital deixa de ser diferencial competitivo para se tornar requisito de permanência. A implementação de processos eficientes de estoque, atendimento consultivo e estratégias de omnichannel são apontados como caminhos para melhorar a competitividade das lojas físicas no cenário atual.
Os últimos territórios livres dos algoritmos (Por que os rituais voltaram a importar)
Por Paulo Nassar
xiste uma hipótese que merece ser considerada. Talvez estejamos vivendo o maior processo de ritualização da sociedade desde a Revolução Industrial. À primeira vista, a afirmação parece absurda.
Nunca fomos tão conectados, tão acelerados, tão monitorados, tão submetidos à lógica dos dados. Nunca a inteligência artificial, as plataformas digitais e os algoritmos participaram tão intensamente da organização da vida cotidiana. Compramos, trabalhamos, estudamos, amamos, viajamos, adoecemos e votamos em ambientes permanentemente mediados por sistemas capazes de prever, sugerir, induzir e influenciar comportamentos.
Entretanto, é precisamente nesse ambiente que emerge um fenômeno silencioso. Quanto maior a presença dos algoritmos, maior parece ser o desejo humano por espaços onde eles simplesmente não entram. Essa talvez seja uma das grandes etno-observações de nosso tempo.
Os rituais deixaram de ser apenas heranças religiosas ou tradições culturais. Transformaram-se em territórios de resistência antropológica.
O algoritmo vive da permanência.
O ritual vive da interrupção.
O algoritmo elimina intervalos.
O ritual fabrica intervalos.
O algoritmo deseja nossa atenção contínua.
O ritual devolve a atenção para nós mesmos.
A sociedade industrial separava trabalho e descanso.
A sociedade algorítmica dissolve essa fronteira.
Não existe mais “fora”.
Toda pausa tornou-se potencialmente produtiva.
Toda caminhada pode gerar conteúdo.
Todo jantar pode produzir imagens.
Toda viagem pode ser transformada em postagem.
Todo silêncio pode ser interrompido por uma notificação.
É exatamente por isso que o silêncio voltou a adquirir valor cultural. Aquilo que antes era considerado ausência passou a representar liberdade. Estar inacessível tornou-se um privilégio.
Não responder imediatamente converteu-se numa forma de autonomia. Pela primeira vez na história moderna, desaparecer por algumas horas pode representar um gesto político.
O filósofo Byung-Chul Han observou que a sociedade contemporânea produz excesso de positividade, excesso de desempenho e excesso de exposição. Já o sociólogo Hartmut Rosa descreve a aceleração permanente como uma das características centrais da modernidade tardia e propõe a ideia de ressonância: momentos em que voltamos verdadeiramente a estabelecer vínculos com o mundo, com as pessoas e com a natureza.
Talvez os novos rituais sejam precisamente máquinas de produzir ressonância. Enquanto isso, cresce, em praticamente todos os continentes, uma geografia da desconexão.
Não é coincidência que hotéis anunciem a ausência de internet como diferencial competitivo. Que retiros de silêncio tenham listas de espera. Que mosteiros recebam executivos. Que jovens atravessem centenas de quilômetros em peregrinações como o Caminho de Santiago. Que práticas japonesas como o shinrin-yoku (o banho de floresta) tenham se difundido mundialmente. Que a cerimônia do chá continue ensinando que um encontro pode durar horas sem que ninguém consulte o telefone. Que parques urbanos lotem nos fins de semana enquanto milhões procuram simplesmente caminhar.
Não se trata de turismo. Nem de bem-estar. Muito menos de uma moda.
Trata-se da reconstrução dos ambientes nos quais a experiência humana continua pertencendo aos seres humanos. Esses espaços possuem algo em comum. Eles recusam a lógica da otimização. Ali, a eficiência perde importância. O tempo deixa de ser comprimido. A produtividade desaparece como critério. A lentidão deixa de ser defeito para tornar-se método. O silêncio deixa de ser vazio para tornar-se linguagem. O ausente volta a existir.
Essa talvez seja a maior ruptura antropológica produzida pela sociedade digital. Durante milhares de anos convivemos com os ausentes. Os mortos. Os ancestrais. As tradições. Os lugares de memória. As histórias familiares. As gerações futuras.
Os rituais sempre foram construídos para fazer com que os ausentes permanecessem presentes. É isso que ocorre numa missa. Num funeral. Num casamento. Na cerimônia do chá. Num ritual comunitário. Numa refeição familiar. Numa peregrinação.
Os algoritmos operam segundo lógica inversa. Eles trabalham exclusivamente com aquilo que produz presença mensurável. Cliques. Tempo de tela. Engajamento. Dados. Interações. Sua economia depende do presente permanente. Por isso talvez exista um conflito silencioso entre ritual e algoritmo.
O ritual não produz dados. Produz significado. O algoritmo organiza comportamentos. O ritual organiza existências.
Essa distinção talvez seja decisiva para compreendermos o momento histórico. Durante décadas imaginamos que a tecnologia substituiria os rituais. Talvez esteja acontecendo exatamente o contrário. Quanto mais sofisticada se torna a tecnologia, mais necessários se tornam os rituais. Não para preservar o passado. Mas para preservar aquilo que nenhuma inteligência artificial consegue produzir. A presença. A contemplação. A escuta. A memória. A comunidade. O limite. O mistério.
A antropologia sempre ensinou que nenhuma sociedade vive sem rituais. Arnold van Gennep demonstrou que toda passagem importante necessita de formas ritualizadas. Victor Turner mostrou que a liminaridade suspende temporariamente a ordem cotidiana para permitir transformações profundas. Mircea Eliade compreendeu que o ritual rompe o tempo profano e reinstaura um tempo qualitativamente diferente.
Talvez seja necessário acrescentar um novo capítulo a essa tradição.
Os rituais do século 21 já não protegem apenas o sagrado. Protegem a atenção humana. Protegem o direito ao silêncio. Protegem o corpo contra a aceleração. Protegem a memória contra a atualização permanente. Protegem o encontro contra a mediação. Protegem o invisível contra a transparência absoluta. Protegem o direito de não produzir. Protegem o direito de desaparecer.
Há uma ironia histórica nesse movimento.
A sociedade que acreditava caminhar para a desritualização talvez esteja inventando a maior quantidade de rituais desde a modernidade.
São pequenas zonas autônomas onde a humanidade reaprende, lentamente, aquilo que sempre soube fazer antes que os dispositivos passassem a organizar a experiência: olhar uma paisagem sem fotografá-la; caminhar sem registrar o percurso; conversar sem interromper a conversa; tomar um café sem consultar uma tela; permanecer em silêncio sem sentir culpa.
Talvez esse seja o verdadeiro luxo do século 21. Não possuir mais tecnologia. Mas possuir, ainda, alguns lugares onde ela deixa de comandar quem somos.
E talvez possamos formular uma hipótese final. No século 20, as instituições protegiam os indivíduos da natureza.
No século 21, os rituais talvez precisem proteger os indivíduos dos próprios sistemas que criamos.
Porque, se a inteligência artificial se tornar a principal organizadora da experiência humana, o último espaço verdadeiramente livre talvez não seja tecnológico.
Será antropológico.
O Ponto cego da audiência de TV no Brasil
Por Cesar Sponchiado
Assisti a uma excelente entrevista do CEO da CNN Brasil onde acabou de expor ,sem meias palavras, o maior ponto cego do mercado de mídia.
Em entrevista à Folha, João Vitor Xavier questionou a métrica de audiência que o mercado utiliza há anos: ela considera um número muito limitado de lares, concentra-se na TV por assinatura e ignora Samsung TV, LG, TCL, YouTube e todo o consumo digital.
Ele resume a disputa atual em uma frase certeira:
“A disputa hoje é por atenção.”
Ele tem razão. Mas eu diria que o mercado ainda está preso a uma pergunta antiga.
A pergunta não é mais: “Quantas pessoas assistiram?”
A pergunta é: “Quantas pessoas AGIRAM depois de assistir?”
E é exatamente aí que a Tunad olha.
A medição convencional de audiência estima quantas pessoas POSSIVELMENTE estavam assistindo à TV naquele instante.
Nós medimos o que aconteceu imediatamente depois: quantas pessoas buscaram a marca no Google, visitaram o site, abriram o app ou demonstraram intenção real de consumo após a exposição ao anúncio.
Isso muda completamente a conversa.
Veja o próprio exemplo citado por Xavier: a CazéTV. Nas métricas da Tunad, ela apresenta um índice de geração de interesse de consumo bem acima da média.
Ou seja, não é apenas um grande volume de pessoas possivelmente assistindo. É gente reagindo, buscando e se movimentando em direção ao anunciante.
Quando medimos o sinal de interesse coletivo, por meio de buscas, visitas e outros indicadores de intenção, a disputa por décimos de audiência entre uma caixinha e outra se torna menos relevante.
O que passa a importar é uma pergunta simples e brutal para o anunciante:
O meu anúncio gerou movimento real nas pessoas ou apenas ocupou espaço na grade?
Enquanto o mercado discute a liderança dentro de uma amostra limitada de lares, a Tunad mede o interesse gerado na audiência que reage ao que assiste, em tempo real, canal a canal, anúncio a anúncio.
Audiência é o começo da história.
Interesse gerado é a história que importa.
TV 3.0: A Revolução da televisão aberta brasileira e o futuro do planejamento de mídia
Quando a tecnologia encontra a tradição: como a TV interativa está redefinindo o consumo de mídia e transformando o papel dos planejadores
Por Rosana Gonçales Oliveira Rocha
Quem acompanha TV aberta, nos últimos dias tem visto na Globo uma mensagem falando sobre TV interativa. Gerou curiosidade? Vamos entender o que está acontecendo e como esse cenário começa a redesenhar a forma como vimos e, principalmente, interagimos com essa mídia.
Por mais de 70 anos, a televisão aberta brasileira funcionou com a mesma lógica: uma emissora transmitia um sinal único para milhões de pessoas simultaneamente. Você sentava em frente ao aparelho de TV, assistia passivamente ao conteúdo que lhe era oferecido e a publicidade era massiva, certo? Essa era está chegando ao fim.
A partir de 2026, com a implementação da TV 3.0 (também chamada de DTV+), a televisão aberta brasileira sofrerá a transformação mais radical de sua história. Não será apenas uma atualização técnica, mas a reimaginação completa do que significa assistir TV, fazer publicidade e planejar mídia.
A pergunta é simples: como a indústria de mídia, publicidade e as agências vão se preparar para um mundo onde a TV é interativa, personalizada, mensurável e integrada ao e-commerce?
Mas, o que é a tal TV 3.0 e por que importa?
A TV 3.0 não é ficção científica. É regulamentação oficial (decreto presidencial de 27 de agosto de 2025), investimento aprovado (R$ 90 milhões pela Anatel), e implementação em andamento (os primeiros testes em 2026 já começaram).
Tecnicamente, a TV 3.0 combina três camadas de inovação:
Primeira camada: qualidade técnica. A TV 3.0 oferece imagem em 4K e 8K com HDR (High Dynamic Range), som imersivo com até 10 canais posicionados espacialmente, e taxa de atualização aumentada. Essas melhorias não são cosméticas. Por exemplo, quando você está assistindo a partida de futebol do seu time, aumentar a taxa de quadros por segundo de 30 para 60 ou 120 fps (com auxílio de internet) leva a experiência de cinema para a sua sala. Esqueça o excesso de termos técnicos: na prática, o som te envolve por completo e a imagem é tão nítida e fluida que faz você se sentir na arquibancada.
Segunda camada: interatividade. Aqui está a verdadeira revolução, que é colocar o espectador no controle. Você deixa de apenas assistir e passa a participar da programação. Dá para escolher a câmera no evento ao vivo, interagir com o conteúdo e até fazer compras sem sair do sofá. Se você gostar da roupa que um ator está usando na série, pode comprá-la com um clique no controle remoto. É a união perfeita entre conteúdo e e-commerce.
Terceira camada: personalização. A TV 3.0 dá à televisão aberta o mesmo poder de segmentação da internet. Imagine 48 milhões de pessoas assistindo à mesma novela, mas cada uma sendo impactada por um anúncio diferente no intervalo, desenhado para o seu perfil de consumo. É o melhor dos dois mundos: o alcance gigantesco da TV com a precisão cirúrgica do streaming. É o que torna a TV 3.0 única globalmente.
Por que agora? Por que Brasil?
A TV 3.0 é o contra-ataque da TV aberta na era digital. Mesmo com a força do streaming, a TV aberta ainda é dona de 65% da audiência no Brasil. A TV 3.0 é a evolução natural para manter essa liderança. Ela junta o melhor dos dois mundos: o alcance gigantesco da TV com a personalização da internet. Em vez de apenas copiar modelos de fora, o Brasil está criando uma tecnologia própria, levando interatividade gratuita e massiva para a casa das pessoas. Enquanto Estados Unidos e Coreia do Sul desenvolvem sistemas como ATSC 3.0, o Brasil aposta em interatividade gratuita e massiva via sinal aberto. Isso posiciona o país como referência global em radiodifusão inclusiva.
Certo. Agora você deve estar se perguntando quando, como?
Muitos na indústria tratam TV 3.0 como promessa futura. Erro. A implementação começou em 2026, com lançamento em Grandes Capitais.
A TV 3.0 será implementada inicialmente em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Recife e Belo Horizonte. Coincidência? Não, a Copa do Mundo 2026 é o cenário perfeito e a primeira grande oportunidade de demonstrar a tecnologia em escala. Transmissões em 4K/8K, com possibilidade de escolher ângulos de câmera, votações em tempo real sobre melhores momentos do jogo, e integração com e-commerce de merchandising oficial.
Mas calma, mesmo com toda a agilidade dos tempos de IA, a transição será gradual e deve levar até 15 anos.
O Brasil aprendeu com a transição do sinal analógico para digital (2007-2018). Não será mudança rápida. O sistema atual de transmissão digital continuará operando em paralelo, garantindo estabilidade e acessibilidade.
Já deu ansiedade, né? Mas o gargalo está nos equipamentos. Os primeiros conversores compatíveis com TV 3.0 começaram a chegar ao mercado entre 2025-2026. Aqui está o desafio: nem toda TV brasileira será imediatamente compatível. O governo estuda políticas públicas para fornecer conversores a famílias de baixa renda, similar ao que fez na transição analógico-digital. Quem dera fosse um país que como a China e os EUA que descartam TVs como descartam meias…
Hoje, o que se pode afirmar é que a regulamentação está aprovada. O investimento foi autorizado. Os testes estão em andamento. Os primeiros equipamentos estão chegando. A implementação inicial em grandes capitais começou. Não é “quando”, é “agora”.
Para os já sofredores planejadores de mídia, “agora” significa que decisões tomadas em 2026 definirão estratégias para os próximos 5, 10 anos. As agências que começarem a testar TV 3.0 com clientes em 2026 terão vantagem competitiva quando a tecnologia se expandir. As que esperarem ficarão para trás.
Mas, antes de entender o futuro, é essencial compreender o presente. A TV aberta brasileira é um fenômeno de alcance sem paralelo (guarde bem essa informação para quando ouvir alguma teoria da conspiração). Para dados não há argumentos. Em 2026, tem alcançado 48,9 milhões de telespectadores, o que é mais que qualquer plataforma digital. Streaming é crescente, mas ainda representa apenas 25% do tempo de consumo em domicílios. Lembre-se disso quando pensar em jogar toda a sua verba de marketing no digital. Para cada caso, uma estratégia. Para cada verba, um plano.
Essa realidade é frequentemente ignorada por analistas que focam em tendências globais. Nos EUA ou Europa, streaming já superou TV tradicional. No Brasil, a TV aberta permanece rainha. Mas reinados podem ser perdidos.
Como assim?
A ameaça à TV aberta é real. Público jovem (13-24 anos) já consome mais streaming que TV tradicional. A tendência é de migração contínua. Se a TV aberta não evoluir, em 10 anos pode estar reduzida a 50% ou menos do consumo de mídia.
Aqui está onde TV 3.0 muda o jogo. A TV 3.0 oferece o que streaming oferece (personalização, interatividade, dados em tempo real) mantendo o que TV oferece (alcance massivo, confiabilidade, inclusão). Essa combinação é única.
Copo meio cheio: TV 3.0 reconecta público jovem. Interatividade, qualidade 4K/8K, possibilidade de compra direta pela tela e tudo isso atrai quem migrou para streaming. TV aberta mantém ou aumenta sua participação para 70%+ do consumo.
Realidade: TV 3.0 captura parte do público que migrou. Streaming continua crescendo, mas em ritmo mais lento. TV aberta estabiliza em 65-70% do consumo.
Copo meio vazio: TV 3.0 não consegue reverter tendência. Streaming continua crescendo. TV aberta cai para 55-60% do consumo.
Em todos os cenários, TV aberta permanece como principal canal de mídia no Brasil. Mas o formato, a dinâmica e a oportunidade mudam radicalmente. Lembre-se que o nosso país é desigual em muitos aspectos e todos contribuem para essa realidade: diferentes níveis culturais e educacionais, desigualdade na distribuição de renda e por aí vai.
A TV 3.0 muda o jogo porque junta tudo em um só lugar. Ela deixa de ser apenas transmissão para se tornar e-commerce, streaming e interatividade simultaneamente. Na prática: você pode estar vendo um programa de culinária, votar na melhor receita e comprar os ingredientes daquele prato direto pelo controle remoto. É uma experiência totalmente integrada, com dados em tempo real, que redefine o conceito de televisão.
Vamos entrar na ceara dos planejadores de mídia, que já tem sofrido bastante com o ritmo das mudanças no universo digital. Agora muda de novo, de planejamento linear para planejamento interativo.
Planejamento linear significa: “Vou colocar meu anúncio em um horário específico, para uma audiência massiva, com uma mensagem única.” É previsível, escalável, mas inflexível.
Planejamento interativo significa: “Vou segmentar minha audiência, personalizar minha mensagem, medir interação em tempo real, e ajustar estratégia continuamente.” É complexo, mas infinitamente mais eficiente.
As quatro mudanças fundamentais
De alcance para engajamento
De: GRP (Gross Rating Points). Quantos pontos de audiência meu anúncio alcançou?
Para: Interação + Conversão. Quantas pessoas interagiram com meu anúncio? Quantas converteram em compra?
Essa mudança é profunda. Significa que planejadores precisam pensar diferente. Não é mais “quanto maior o alcance, melhor”. É “qual é o ROI da interação?”
Uma campanha que alcança 10 milhões de pessoas, mas gera 1% de interação, pode ser menos eficiente que uma campanha que alcança 5 milhões, mas gera 5% de interação e 2% de conversão.
De mensagem única para mensagens segmentadas
De: uma marca cria um anúncio, e esse anúncio é transmitido para todos os espectadores simultaneamente.
Para: uma marca cria múltiplas versões de um anúncio, cada uma otimizada para um segmento específico. Um espectador em São Paulo vê uma versão. Um espectador no Rio vê outra. Um espectador jovem vê uma. Um espectador idoso vê outra.
Isso exige nova forma de pensar criação. Não é mais “criar um anúncio”. É “criar blocos criativos modulares que podem ser combinados e personalizados”.
De planejamento anual para planejamento em tempo real
De: agência e cliente planejam campanha em janeiro. Executam de fevereiro a dezembro. Medem resultado em janeiro do ano seguinte.
Para: campanha começa com hipótese. Dados de interação chegam em tempo real. Planejador ajusta estratégia continuamente. Testes A/B são executados durante campanha, não após.
Isso exige agilidade. Planejadores precisam ser capazes de tomar decisões rápidas baseadas em dados em tempo real.
Vamos de TV como awareness para TV como awareness + engajamento + conversão
De: TV é para awareness (conhecimento). Performance marketing (Google, Facebook) é para conversion (venda).
Para: TV é para tudo. Awareness (4K/8K cria impacto visual), engagement (interatividade mantém atenção), conversion (compra direta pela tela).
Isso significa que a separação entre “brand” e “performance” desaparece. Tudo é mensurável. Tudo é otimizável.
Deu ruim e você, planejador, deve ter mais uma pergunta: o que preciso aprender mais além de IA, agentes?
Segmentação geográfica em tempo real. Imagine uma marca de refrigerante lançando novo sabor. Em planejamento tradicional, ela cria um anúncio nacional. Em TV 3.0, ela pode:
- Transmitir anúncio nacional em 4K para criar awareness
- Segmentar por região: “Novo sabor disponível em São Paulo” (anúncio diferente em SP)
- Segmentar por bairro: “Compre em lojas próximas a você” (geolocalização)
- Integrar com OOH: Painel digital no bairro reforça call-to-action
Resultado: Campanhas hiperlocais em escala nacional. Algo impossível antes de TV 3.0.
Personalização de anúncios por perfil. Mesma novela, 48 milhões de espectadores, mas anúncios diferentes. Um espectador jovem vê anúncio de smartphone. Um espectador idoso vê anúncio de medicamento. Um espectador de baixa renda vê anúncio de produto acessível. Um espectador de alta renda vê anúncio de produto premium.
Tudo baseado em dados de login, histórico de visualização, e preferências declaradas.
Isso é publicidade programática aplicada a TV aberta. Algo que parecia impossível agora é realidade.
Interatividade como métrica. Não é mais “quantos viram meu anúncio”. É “quantos clicaram, votaram, compartilharam, ou compraram”.
Uma marca de moda pode oferecer votação: “Qual óculos você prefere?” Dados de votação chegam em tempo real. Se 65% votou em um Ray Ban, a marca sabe que aquele é o preferido. Pode ajustar estoque, reforçar marketing, ou criar nova campanha baseado nesse insight.
Interatividade vira fonte de inteligência de mercado.
E-commerce integrado. TV deixa de ser apenas mídia. Vira canal de vendas. Um espectador assistindo a um programa de moda vê um look que gosta. Clica no controle remoto. Compra diretamente pela TV. Produto chega em casa. Você já viu isso no TikTok Shop…
Isso é revolucionário para categorias como moda, beleza, home, e até alimentos. A TV se torna não apenas inspiração, mas ponto de venda.
Convergência TV + OOH + Digital. Dados de visualização em TV + dados de fluxo em OOH digital + dados de clique em digital = visão completa da jornada do consumidor.
A marca agora acompanha o cliente do início ao fim. Ele assiste ao anúncio da geladeira na TV, vê o mesmo produto no painel do bairro, é impactado no Instagram e, finalmente, compra na loja virtual. A jornada inteira é 100% rastreável, conectando todas essas mídias para otimizar os resultados com uma precisão inédita.
Com grande poder vem grande responsabilidade. TV 3.0 oferece capacidades incríveis, mas também desafios.
Privacidade vs. Personalização. Como personalizar sem invadir privacidade? Como usar dados de usuário sem violar LGPD? Essas perguntas ainda não têm respostas claras. Planejadores precisarão navegar regulamentação complexa e expectativas de consumidor sobre privacidade.
Mensuração complexa. Quando tudo é mensurável, como priorizar o que medir? Um planejador pode ter acesso a 50+ métricas diferentes. Qual delas importa? Como conectar dados de TV com dados de OOH com dados de digital? Mensuração integrada é complexa.
Criação multiplataforma. Criar um anúncio para TV 3.0 não é mais criar um anúncio. É criar um sistema de anúncios: versão em 4K, versão personalizada por perfil, versão para OOH, versão para digital. Criação modular e flexível é nova realidade.
Transição gradual. Sistema legado continua por 15 anos. Planejadores precisam manter dois modelos em paralelo. Alguns clientes estarão em TV 3.0, outros em TV tradicional. Estratégias precisam funcionar em ambos.
Amigos planejadores, se pareceu difícil, podemos melhorar isso com algumas mudanças essenciais.
Mudança de mindset
Se há uma mudança que resume o novo comportamento esperado de planejadores, é essa: de executores para estrategistas de dados.
Planejador Tradicional: Conhece audiência, seleciona horários, compra espaços, mede audiência.
Planejador TV 3.0: Entende dados de interação, segmenta audiência, personaliza mensagens, mede ROI, otimiza continuamente.
Essa transformação exige mindset diferente. Não é mais “quanto alcance consigo?” É “qual é o ROI de interação?” Não é mais “qual é meu GRP?” É “qual é meu ROI de conversão?”
As cinco top competências
Pensamento omnichannel. Planejadores precisam integrar TV 3.0 + OOH + Digital em estratégia única. Não é mais pensar em canais isolados. É pensar em jornada do consumidor através de múltiplos touchpoints.
Isso exige compreensão profunda de como cada canal funciona, como se complementam, e como medir impacto combinado.
Domínio de dados e analytics. Planejadores precisam entender dados de interação em tempo real. Usar DSP (Demand-Side Platform) para programação. Medir múltiplas métricas simultaneamente. Conectar dados de diferentes fontes.
Não precisa ser data scientist, mas precisa ser data-literate. Precisa entender o que os dados dizem e como usá-los para tomar decisões melhores.
Criação modular e flexível. Planejadores precisam trabalhar com agências em novo formato. Não é mais “criar um anúncio”. É “criar blocos criativos que podem ser combinados e personalizados”.
Isso exige compreensão de como criação funciona em contexto modular. Como manter coerência de marca enquanto permite personalização.
Compreensão de e-commerce. TV 3.0 é canal de vendas. Planejadores precisam entender jornada de compra integrada. Como otimizar para conversão. Como medir ROI de venda direta.
Isso aproxima planejadores de performance marketing. Precisam pensar em CPA (custo por aquisição), não apenas CPM (custo por mil impressões).
Conhecimento regulatório. LGPD, privacidade de dados, regulamentações de publicidade interativa. Planejadores precisam entender conformidade. Não podem fazer tudo que é tecnicamente possível – apenas o que é legalmente permitido e eticamente aceitável.
As mudanças operacionais
Planejamento em tempo real. Não é mais “planejamento anual”. É planejamento contínuo. Dados chegam em tempo real. Decisões são tomadas em tempo real. Estratégia é ajustada continuamente.
Isso exige nova estrutura operacional. Agências precisam de times dedicados monitorando dados 24/7. Precisam de processos ágeis para tomar decisões rápidas.
Colaboração com tecnologia. Planejadores precisam trabalhar com times de tech. Entender limitações e possibilidades técnicas. Participar de testes e pilotos. Ser co-criadores de solução, não apenas usuários.
Isso exige novo tipo de relacionamento entre criatividade e tecnologia.
Segmentação estratégica. Definir públicos-alvo com precisão. Criar estratégias diferentes por segmento. Medir efetividade por segmento. Otimizar alocação de budget por segmento.
Isso é mais complexo que planejamento massivo, mas infinitamente mais eficiente.
Integração com performance. Planejadores de mídia + performance marketing juntos. Não é mais separação entre “brand” e “performance”. Tudo é mensurável. Tudo é otimizável.
Isso exige novo tipo de colaboração interna.
Roadmap prático
Curto prazo (2026-2027): experimentação
- Começar a testar TV 3.0 com primeiros clientes (especialmente em grandes capitais)
- Desenvolver expertise em planejamento interativo
- Treinar times em novas métricas
- Criar cases de sucesso para demonstrar valor
Médio prazo (2027-2028): integração
- Integrar TV 3.0 em planejamentos padrão
- Desenvolver soluções omnichannel TV + OOH
- Automatizar processos com programação
- Expandir para cidades secundárias
Longo prazo (2028+): liderança
- TV 3.0 como padrão de planejamento
- Transição completa para modelo interativo
- Liderança em inovação de mídia
Para fechar, e facilitar, vamos deixar em tabela as oportunidades e os riscos para essa grande aventura.
O que a eliminação da Seleção Brasileira pode ensinar aos profissionais de vendas?
Por Reinaldo Valdez
Essa semana foi marcada por muitos comentários sobre a eliminação da Seleção Brasileira da Copa do Mundo. Como em toda Copa, ficaram as mesmas sensações: mais quatro anos de espera, críticas sobre desempenho, falta de atitude, escolhas equivocadas… Afinal, estamos falando de uma paixão nacional capaz de mobilizar o país inteiro.
Confesso que iniciei a Copa como um torcedor realista, sem grandes expectativas. Mas, como acontece com todo apaixonado por futebol, a cada jogo fui me envolvendo. A emoção aumentava, principalmente porque o SBT transmitiu a Copa do Mundo e toda a nossa rede entrou na corrente positiva do “Pra Frente Brasil”.
Então veio a eliminação. Um despertar abrupto diante da Noruega, encerrando mais uma vez o sonho do hexacampeonato.
Depois da frustração, comecei a refletir. Não apenas como torcedor, mas como profissional de vendas. E foi impossível não perceber o quanto o esporte se parece com a vida corporativa.
Vender também é uma competição. Treinamos, estudamos, nos preparamos, enfrentamos desafios diários, ouvimos inúmeros “nãos” e, mesmo assim, seguimos acreditando que o próximo contato poderá ser um “sim”. O vendedor é um atleta corporativo. Todo mês disputa um campeonato. Ao fechar uma meta, um novo jogo começa imediatamente.
Foi pensando nisso que extraí algumas lições que a Seleção Brasileira nos deixa.
1. Reputação abre portas. Resultados mantêm as portas abertas.
A Seleção Brasileira continua sendo uma das marcas esportivas mais fortes do planeta. Sua história impressiona.
Mas história não vence campeonato.
Nas vendas acontece exatamente o mesmo. Nossa empresa pode ter uma marca reconhecida, excelentes produtos e tradição. Isso abre portas. Porém, quem mantém essas portas abertas é a entrega consistente de resultados para o cliente.
Contratos são renovados por valor percebido, não apenas por reputação.
2. Talento sem disciplina e processo não ganha campeonato.
Durante muito tempo bastava ser simpático, ter bom relacionamento e boa argumentação para vender.
Esse tempo passou.
Hoje, vendas exige método, organização, planejamento, inteligência comercial, CRM, indicadores e processos muito bem definidos.
No futebol isso se traduz em esquema tático, treinamento, leitura de jogo, repetição de movimentos e sincronismo entre todos os jogadores.
O talento decide jogos.
O processo ganha campeonatos.
3. Grandes equipes trabalham com previsibilidade.
Toda equipe de alta performance possui padrões de comportamento.
Nas vendas chamamos isso de funil, follow-up, indicadores, pipeline e previsibilidade comercial.
Essas ferramentas criam volume de oportunidades e permitem adaptar estratégias durante a negociação.
Como torcedores, fica uma pergunta:
Quantas variações ofensivas conseguimos enxergar na Seleção Brasileira durante esta Copa?
Nos negócios acontece o mesmo. Quem possui apenas uma forma de vender torna-se previsível para o mercado.














