Press release (comunicado imprensa) – 02.07.2026

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Você vai ler na coluna hoje: Press release (comunicado imprensa), A Dopamina e a Sedução do Amanhã, Um sinal do futuro, A e21 assume o atendimento da RUDDER Segurança, marca gaúcha líder regional em vigilância patrimonial e parte do Grupo GPS, FIFA e o Efeito Streisand que catapultou 3 marcas, Economia doméstica segue resiliente apesar dos juros restritivos, enquanto petróleo caminha para normalização

 

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Press release (comunicado imprensa)

Nova rede social brasileira cria refúgio digital seguro e exclusivo para pessoas neurodivergentes Aplicativo “Atípico” já está disponível para iOS e Android, com o objetivo de combater o isolamento social e promover conexões reais entre autistas, pessoas com TDAH, dislexia e outros perfis neuroatípicos. Brasília, DF – 30 de maio de 2026 – Em um mundo hiperconectado onde as redes sociais tradicionais muitas vezes geram sobrecarga e ansiedade, uma nova plataforma brasileira está seguindo o caminho oposto. O Atípico, recém-lançado nas lojas de aplicativos, é a nova rede social de impacto criada exclusivamente para a comunidade neurodivergente, oferecendo um espaço digital onde o acolhimento, o respeito ao ritmo individual e a identificação genuína são as regras principais. Idealizado em Brasília pela enfermeira, educadora e mulher autista Adriana Alves, em parceria com o cientista da computação e mestre em Informática pela UnB, Cláudio Henrique Pereira de Castro, o Atípico nasceu da união entre vivência real, sensibilidade comunitária e alta capacidade tecnológica. “A proposta é permitir que pessoas neurodivergentes encontrem outras com experiências, interesses e formas de comunicação semelhantes. Nós criamos não apenas uma adaptação de uma rede genérica, mas um ambiente pensado desde a sua base para as necessidades sensoriais, sociais e emocionais do nosso público”, destacam os fundadores. A solução para um problema silencioso Pessoas neurodivergentes frequentemente enfrentam o isolamento social, dificuldades de pertencimento e barreiras de comunicação em ambientes hostis ou pouco compreensivos das redes tradicionais. O Atípico resolve isso valorizando o que há de mais autêntico na comunidade: os hiperfocos. No aplicativo, as conexões (e os “matches” para amizade ou relacionamento) são formadas a partir de interesses específicos e hobbies, promovendo vínculos muito mais profundos do que a simples atração visual. O perfil de cada usuário é detalhado, permitindo incluir o tipo de diagnóstico, preferências sensoriais, nível de bateria social e gatilhos desconfortáveis. Muito além de curtidas: um impacto real A recepção inicial da comunidade tem sido calorosa e orgânica. Entre os usuários ativos da plataforma, os relatos confirmam o sucesso do modelo. “Muito melhor, aqui sinto como se falássemos a mesma língua, sem precisar esconder nada!”, relatou recentemente uma usuária no fórum interno do app. “Eu não interajo nas outras redes tanto quanto aqui. Acho que isso pode ser um feedback positivo pra quem idealizou. A criação desse aplicativo vem ajudando muitos neurodivergentes a se encontrar”, diz outro depoimento espontâneo.A plataforma oferece um visual limpo e confortável (modo claro e escuro estudados para não gerar sobrecarga visual), fóruns comunitários organizados por temas, chats privados e grupos específicos por estado, tudo sob ferramentas rigorosas de moderação de conteúdo e bloqueio para manter o ambiente seguro. Diferenciais: Atípico vs. Redes Tradicionais As redes sociais tradicionais são voltadas ao público geral e priorizam a velocidade. O Atípico inverte a lógica: foca no conforto e no pertencimento da pessoa neurodivergente. Diferenças para o Instagram: • Foco no Interesse, não na Aparência: O Instagram foca em estética superficial e algoritmos de recomendação. O Atípico conecta pessoas pelos seus hiperfocos e afinidades reais. • Menos Sobrecarga Sensorial: O Instagram é barulhento (vídeos automáticos, poluição visual). O Atípico possui design limpo e cores estudadas para evitar exaustão. Diferenças para o WhatsApp: • Foco no Próprio Ritmo: O WhatsApp cobra atenção imediata (notificações e “vistos azuis”). O Atípico valoriza a interação no próprio tempo, sem pressão por respostas rápidas. • Privacidade e Descoberta Segura: O WhatsApp exige que você exponha seu número de celular. No Atípico, você usa um perfil protegido para conhecer novas pessoas com os mesmos hiperfocos em fóruns e chats seguros. Segurança: Tolerância Zero com Abusos Para garantir que o espaço seja um refúgio seguro contra catfishing, assédio e trolls, a rede conta com: • Rastreabilidade: Acesso com autenticação válida (telefone via SMS, Google ou Apple ID). • Defesa Imediata (Bloqueio): Ferramentas ágeis para o usuário bloquear ou denunciar qualquer mensagem abusiva com poucos cliques. • Moderação e Banimento: Perfis falsos, abusivos ou hostis são banidos permanentemente da plataforma. • Aperfeiçoamento Contínuo: o Atípico mantém escuta ativa da comunidade neurodivergente e evolui a partir dos interesses, necessidades e sugestões dos próprios usuários. Disponibilidade O aplicativo Atípico já pode ser baixado gratuitamente em todo o Brasil. • Google Play (Android): Acessar na Play Store • App Store (iOS): Acessar na App Store Para mais informações, acesso ao fórum de atualizações e suporte, visite o site oficial: https://www.atipico.app/ ou o perfil no Instagram @atipico.app.br.

 

A Dopamina e a Sedução do Amanhã

Por Walter Longo

Por que o futuro nos seduz tanto

Se alguém perguntasse qual é a substância química mais influente na construção da civilização humana, muitos responderiam que seria a adrenalina, associada ao risco, ou talvez a serotonina, frequentemente relacionada ao bem-estar. No entanto, há fortes argumentos para defender que a grande protagonista da aventura humana seja outra: a dopamina.

Durante muito tempo, a dopamina foi apresentada de forma simplificada como a molécula do prazer. A expressão se tornou popular porque parecia intuitiva. Faz sentido imaginar que uma substância química esteja associada às sensações agradáveis que experimentamos quando alcançamos um objetivo, recebemos reconhecimento ou conquistamos algo desejado.

Contudo, pesquisas mais recentes revelaram um quadro mais interessante e mais relevante para tudo que nos move. A dopamina não está relacionada apenas ao prazer. Ela está relacionada, sobretudo, à expectativa.

Em outras palavras, ela não recompensa apenas aquilo que conseguimos. Ela nos impulsiona em direção àquilo que acreditamos poder conseguir.

Essa diferença muda completamente nossa compreensão do comportamento humano.

Ao contrário do que imaginamos, o cérebro não se entusiasma apenas com a conquista. Muitas vezes, ele se entusiasma ainda mais com a possibilidade da conquista. Existe uma energia peculiar associada ao futuro, um poder psicológico que nasce não daquilo que já possuímos, mas daquilo que ainda não possuímos.

Talvez seja por isso que tantas experiências percam intensidade logo após serem conquistadas. O carro desejado durante anos torna-se apenas mais um carro. A promoção profissional tão aguardada rapidamente se transforma na nova rotina. O aparelho recém-comprado deixa de despertar entusiasmo poucos dias depois de sair da embalagem. A viagem sonhada acaba se tornando uma lembrança.

Não porque fossem objetivos sem valor, mas porque o cérebro humano é extraordinariamente eficiente em transformar novidades em normalidade.

A expectativa alimenta a dopamina. A familiaridade a reduz.

Essa dinâmica nos conduz diretamente ao coração do paradoxo humano.

Desejamos segurança porque ela reduz ameaças. Desejamos novidade porque ela alimenta expectativa.

Precisamos da estabilidade para viver, mas precisamos da surpresa para sentir que estamos vivos.

Como nos relembra Arthur Schopenhauer: “A vida é uma constante oscilação entre a ânsia de ter e o tédio de possuir.”

A busca como estado contínuo

Essa talvez seja uma das razões pelas quais a felicidade se mostra tão difícil de capturar de maneira permanente. Passamos a vida imaginando que ela será encontrada em algum estado futuro de realização definitiva.

Quando eu conquistar isso. Quando eu chegar lá. Quando eu resolver aquele problema. Quando eu acumular determinado patrimônio. Quando eu alcançar determinado reconhecimento.

Mas a mente humana parece ter sido construída para o movimento, não para a permanência. A satisfação é um ponto de passagem.

A busca é um estado contínuo.

Em certo sentido, somos organismos biologicamente programados para desejar o próximo capítulo antes mesmo de terminar o atual.

Essa característica foi fundamental para nossa sobrevivência como espécie. Se nossos ancestrais se sentissem plenamente satisfeitos após cada conquista, talvez nunca tivessem explorado novos territórios, desenvolvido novas ferramentas ou criado novas formas de organização social. A inquietação produziu desconforto, mas também produziu progresso.

A civilização é, em grande medida, filha dessa inquietação.

O problema é que aquilo que foi extremamente útil para a evolução pode se tornar fonte de sofrimento psicológico quando não compreendemos seu funcionamento.

Muitas pessoas passam a vida inteira acreditando que existe um ponto de chegada onde finalmente encontrarão tranquilidade absoluta e satisfação permanente. Trabalham para alcançá-lo. Lutam para alcançá-lo. Sacrificam-se para alcançá-lo. E, quando chegam, descobrem algo desconcertante.

O horizonte mudou de lugar. Sempre muda.

Porque a mente não foi projetada para permanecer parada diante de uma conquista. Ela rapidamente passa a procurar o próximo objetivo, o próximo desafio, a próxima possibilidade.

A promessa da possibilidade

Talvez seja por isso que o futuro exerça tamanho fascínio sobre nós. O amanhã carrega uma promessa que o presente não consegue oferecer: a promessa da possibilidade. E a possibilidade é uma das formas mais sofisticadas de sedução.

Quando observamos o comportamento humano sob essa perspectiva, começamos a entender por que a surpresa possui um papel tão central em nossa existência. Ela não representa apenas uma interrupção da previsibilidade. Ela representa também uma renovação das possibilidades.

A surpresa reabre o futuro. Ela rompe a sensação de que tudo já está definido. Ela nos lembra que existem caminhos que ainda não enxergamos.

Essa percepção ajuda a explicar fenômenos aparentemente desconectados. Ajuda a compreender por que pessoas compram bilhetes de loteria apesar das probabilidades mínimas de sucesso. Ajuda a compreender o fascínio exercido pelos mercados financeiros, pelas apostas esportivas, pelos jogos eletrônicos e pelas redes sociais. Também ajuda a entender por que histórias de superação nos emocionam e por que trajetórias improváveis capturam nossa atenção.

Em todos esses casos, existe um elemento comum: a possibilidade de que algo inesperado aconteça.

O cérebro humano parece possuir uma relação quase magnética com o inesperado positivo. Uma possibilidade improvável frequentemente produz mais excitação do que uma certeza modesta.

É exatamente esse mecanismo que plataformas digitais aprenderam a explorar com enorme eficiência. Redes sociais, aplicativos e sistemas de entretenimento utilizam princípios psicológicos profundamente ligados à antecipação.

Cada atualização, cada notificação e cada nova interação carrega uma pequena dose de incerteza. Não sabemos exatamente o que encontraremos. E é justamente essa imprevisibilidade que mantém nossa atenção.

O mistério nos relacionamentos humanos

Curiosamente, a mesma dinâmica aparece nos relacionamentos humanos.

O início de uma relação costuma ser marcado por uma intensa atividade dopaminérgica. Não porque já exista segurança, mas porque existe descoberta. Cada conversa revela algo novo. Cada encontro amplia o território do desconhecido. Cada mensagem pode trazer uma surpresa agradável.

Com o passar do tempo, a previsibilidade aumenta. A intimidade cresce. A estabilidade se fortalece. Tudo isso é valioso. Mas, ao mesmo tempo, diminui uma parcela do mistério que alimentava a curiosidade inicial.

Talvez por isso relacionamentos duradouros exijam algo que raramente é discutido de forma explícita: a capacidade de continuar surpreendendo e sendo surpreendido.

Não necessariamente por meio de grandes gestos, mas por meio da evolução. Pessoas que continuam crescendo permanecem parcialmente desconhecidas, seguem capazes de revelar novas dimensões de si mesmas e continuam capazes de produzir descoberta.

A estagnação, por outro lado, transforma a convivência em repetição. E a repetição prolongada reduz o encantamento.

Essa observação não vale apenas para relacionamentos amorosos. Vale para amizades, carreiras, empresas e até para a relação que mantemos conosco mesmos.

Existe algo profundamente vitalizante em perceber que ainda não sabemos tudo. Que ainda podemos aprender. Que ainda podemos mudar. Que ainda podemos ser surpreendidos.

O amanhã ainda não foi escrito

Talvez seja essa a verdadeira função psicológica da surpresa. Não apenas quebrar expectativas, mas impedir que a realidade se transforme numa prisão de certezas.

É interessante ressaltar que os seres humanos vivem permanentemente divididos entre duas necessidades legítimas. De um lado, buscamos estabilidade porque ela oferece proteção. De outro, buscamos novidade porque ela oferece expansão.

A dopamina funciona como uma espécie de ponte biológica entre essas duas forças. Ela nos lembra constantemente que existe valor naquilo que ainda não aconteceu.

O futuro nos atrai porque permanece aberto.

E talvez seja justamente por isso que a surpresa continue exercendo tamanho fascínio sobre nós. Ela é a manifestação concreta de que o amanhã ainda não foi escrito.

Enquanto esse amanhã permanecer aberto, continuará existindo espaço para descoberta, transformação e esperança.

Um sinal do futuro

Por Junior Borneli

No México, a Novo Nordisk, que fabrica o Ozempic, abriu uma loja oficial dentro do Mercado Livre. Isso significa que o Meli se tornou um canal de distribuição oficial de um dos medicamentos que mais gera receita no mundo.

Imediatamente as ações das principais redes de farmácia no Brasil caíram. Afinal de contas, as canetas emagrecedoras já são parte relevante (entre 10 e 20%) da receita das farmácias brasileiras.

Isso é um “sinal do futuro”. O que aconteceu lá no México pode ser um experimento que, se der certo, deve aparecer em outras localidades. Porém, há ainda um outro elemento nessa história. Mais um sinal.

Nos EUA, a Amazon criou um “protocolo de emagrecimento”. Como ela tem redes de clínicas médicas, ficou fácil integrar: o paciente consulta, compra o remédio e ela ainda acessa um pacote com nutricionista, exames e treinos.

Ao invés de apenas vender o remédio (que é o que todo mundo faz), a Amazon decidiu vender uma solução. E, como você sabe, Amazon e Mercado Livre atuam no mesmo ramo, mais ou menos na mesma lógica.

Por aqui, o Mercado Livre já entrou no serviço de venda de remédio on-line. Até comprou uma farmácia física. Será que veremos um movimento parecido? Não sei. Mas eu não ignoraria esses sinais.

A e21 assume o atendimento da RUDDER Segurança, marca gaúcha líder regional em vigilância patrimonial e parte do Grupo GPS

Com orgulho e responsabilidade, iniciamos esse novo desafio: fortalecer a comunicação de uma empresa consolidada, conectando estratégia, criatividade e inovação para acompanhar seus próximos passos.

FIFA e o Efeito Streisand que catapultou 3 marcas

Por Francisco Tramujas

Poucos fenômenos explicam tão bem o comportamento do consumidor na era digital quanto o Efeito Streisand.

O nome surgiu em 2003, quando a cantora e atriz Barbra Streisand tentou retirar da internet uma fotografia aérea de sua mansão na Califórnia. A imagem fazia parte de um projeto sobre a erosão do litoral e havia sido vista por pouquíssimas pessoas.

Ao processar o fotógrafo para impedir sua divulgação, Streisand conseguiu exatamente o oposto do que pretendia.

O processo virou notícia mundial.

Milhões de pessoas passaram a procurar justamente a fotografia que antes praticamente ninguém conhecia.

Desde então, o marketing, a comunicação e a psicologia passaram a utilizar a expressão Efeito Streisand para descrever um fenômeno curioso: quanto maior a tentativa de esconder uma informação, maior tende a ser sua divulgação.

Mais de vinte anos depois, a FIFA acabou produzindo um dos maiores exemplos desse efeito em escala global.

Quando esconder virou propaganda

Na tentativa de proteger os bilhões de dólares pagos pelos patrocinadores oficiais da Copa do Mundo de 2026, a FIFA aplicou sua tradicional política de clean venue (estádio limpo).

A lógica parecia simples.

Nenhuma marca que não fosse patrocinadora oficial poderia aparecer durante a competição.

No papel, fazia sentido.

Na prática, tornou-se um case de marketing involuntário.

Porque existe uma enorme diferença entre proteger contratos comerciais e tentar controlar a atenção das pessoas.

O primeiro é estratégia.

O segundo costuma gerar curiosidade.

E curiosidade é uma das moedas mais valiosas da economia digital.

O estádio da Levi’s que deixou de ser Levi’s

O caso mais emblemático ocorreu no estádio da Levi Strauss & Co., na Califórnia.

A FIFA cobriu os enormes logotipos da marca com lonas brancas e rebatizou temporariamente o local como “San Francisco Bay Area Stadium”.

O objetivo era impedir que milhões de telespectadores vissem a marca.

O resultado foi exatamente o contrário.

As imagens das lonas brancas dominaram redes sociais, programas esportivos, jornais e portais especializados em branding.

A própria Levi’s respondeu com inteligência.

Transformou a censura em campanha.

Brincou com a situação nas redes sociais e conquistou algo que nenhum investimento em mídia garante: publicidade espontânea em escala mundial.

Heinz: quando até o ketchup virou notícia

Se esconder um estádio já parecia exagerado, a FIFA conseguiu ir além.

Nas salas de imprensa, funcionários cobriram com fita preta o nome Heinz presente em frascos de ketchup, mostarda e outros condimentos, já que a marca também não integra o grupo de patrocinadores oficiais.

Pense na cena.

Centenas de jornalistas do mundo inteiro fotografando frascos de ketchup com uma tarja escondendo a marca.

Aquilo que deveria passar despercebido virou notícia.

A Heinz respondeu de maneira brilhante.

Criou campanhas reproduzindo exatamente a censura aplicada pela FIFA e mostrou ao mercado uma lição clássica de branding: você pode esconder um logotipo, mas dificilmente consegue esconder uma marca que já ocupa espaço na memória do consumidor.

Gillette entrou na conversa

A Procter & Gamble também viu o logotipo da Gillette ser coberto no estádio de Foxborough.

A resposta foi igualmente inteligente.

Nas redes sociais, a marca publicou imagens cobrindo seu próprio logotipo como se estivesse com espuma de barbear, ironizando a situação.

Mais uma vez, a tentativa de invisibilizar uma marca fez exatamente o oposto.

Ela ganhou alcance.

Ganhou compartilhamentos.

Ganhou mídia espontânea.

E tudo isso sem fazer parte do seleto grupo de patrocinadores oficiais.

A neurociência explica

Existe uma explicação científica para esse comportamento.

Nosso cérebro possui uma forte tendência a completar aquilo que está incompleto.

Quando vemos uma tarja preta…

Uma lona escondendo um nome…

Ou um logotipo parcialmente coberto…

Automaticamente sentimos vontade de descobrir o que está sendo ocultado.

A psicologia chama isso de gap de curiosidade.

É um mecanismo cognitivo extremamente poderoso.

Quando ele se combina com o Efeito Streisand, o resultado costuma ser previsível:

Quanto mais alguém tenta esconder algo…

Mais atenção esse algo recebe.

A ironia bilionária

Os patrocinadores oficiais desembolsam centenas de milhões de dólares para conquistar exclusividade durante uma Copa do Mundo.

É natural que a FIFA queira proteger esse investimento.

O problema é que, desta vez, a estratégia produziu exatamente o efeito contrário.

Levi’s, Heinz e Gillette passaram dias ocupando manchetes internacionais.

Milhões de pessoas que jamais reparariam nesses logotipos começaram justamente a comentar sobre eles.

A entidade tentou reduzir visibilidade.

Acabou multiplicando-a.

A maior lição para o marketing

Esse episódio ensina algo que vai muito além do futebol.

Vivemos na economia da atenção.

E atenção não obedece a contratos.

Ela obedece ao comportamento humano.

Marcas fortes compreendem isso.

Por isso, Levi’s, Heinz e Gillette não perderam tempo reclamando.

Transformaram uma restrição em conteúdo.

Converteram censura em criatividade.

E fizeram do erro de outra organização uma oportunidade de fortalecer seu próprio branding.

No fim, a FIFA tentou proteger seus patrocinadores.

Mas entregou gratuitamente um dos maiores cases de marketing da Copa do Mundo de 2026 para três marcas que sequer estavam na lista oficial.

É a prova de que, na comunicação, existe uma regra que continua absolutamente atual:

Quando você tenta esconder algo relevante, muitas vezes está apenas convidando o mundo inteiro a olhar exatamente para aquilo.

Economia doméstica segue resiliente apesar dos juros restritivos, enquanto petróleo caminha para normalização

Por Fernando Honorato Barbosa

Cenário Doméstico

Choques, estímulos e resiliência doméstica

Sob fortes estímulos que se contrapõem à política monetária, revisamos a projeção para o PIB de 1,8% para 2,0% em 2026. A economia cresceu 1,1% no primeiro trimestre, acima das estimativas, mas o resultado foi liderado por segmentos menos ligados ao ciclo econômico, enquanto os setores cíclicos cresceram apenas 0,6%. Do lado da demanda, o consumo das famílias retomou algum dinamismo, impulsionado pelo mercado de trabalho, medidas de crédito e pela isenção do imposto de renda para rendimentos até R$ 5 mil. As medidas de estímulo ao crédito implementadas pelo governo devem moderar a desaceleração da atividade, mas os juros em patamares ainda mais restritivos continuarão levando a expansão do PIB para abaixo do potencial.

Sob esse contexto, revisamos a projeção para o PIB de 2,0% para 1,5% em 2027. Nossa hipótese segue sendo a de que o impulso fiscal será negativo, e o crédito expandido em 2026 se converte em maior comprometimento de renda ou menor geração de caixa no ano seguinte, pressionando o consumo e os investimentos, na margem. O mercado de trabalho deve mostrar alguma acomodação, com a taxa de desemprego subindo de 5,9% em 2026 para 6,8% em 2027. Ainda será uma taxa de desemprego baixa para padrões históricos brasileiros, mas que tende a contribuir para o alargamento do hiato do produto ao longo dos próximos trimestres.

Com o ambiente global mais ambíguo para os emergentes, o real mostrou desempenho ligeiramente inferior aos pares. Ainda assim, diante de múltiplos choques globais e locais, a moeda tem se mostrado bastante resiliente, nos levando a manter a projeção ao final deste ano em R$/US$ 5,00. O déficit em transações correntes deve convergir para 2% do PIB em 2026, sustentado pelo superávit comercial, com crescimento relevante das exportações de petróleo, acompanhado de um fluxo de investimento estrangeiro direto robusto e estável. Para o próximo ano, por sua vez, diante das assimetrias para o dólar, globalmente, revisamos a taxa de câmbio para R$/US$ 5,20.

Essas expectativas para um alargamento do hiato, certa estabilidade do Real e um petróleo mais contido (vide seção internacional) são elementos chave em nosso cenário para a inflação e os juros. O acúmulo de choques fez nossa projeção para o IPCA sair de 5,0% para 5,3% em 2026 e de 3,7% para 4,1% em 2027. Os choques vindos da guerra, de preços de alimentos, incluindo aqueles vindos do El Niño, e, em alguma medida, a resiliência do setor de serviços explicam essas mudanças. Sem o impulso vindo do câmbio e com queda nos preços do petróleo, entretanto, o choque na cadeia de bens industriais está se dissipando, com alívio esperado para o quarto trimestre. A inflação de serviços permanece resistente, com os núcleos ainda pressionados, mas sem deterioração adicional.

O Banco Central cortou a Selic em 0,25 p.p. em junho, levando-a para 14,25%, e sinalizou na ata da reunião do Copom que o ciclo de calibração pode incluir pausas ao longo do caminho. A ata argumentou que há diversas trajetórias de juros consistentes com a convergência da inflação à meta no horizonte relevante, e que uma convergência mais rápida implicaria movimentos abruptos que levariam a inflação abaixo da meta nos trimestres seguintes. O Comitê optou por uma trajetória mais gradual, a despeito de um balanço de riscos assimétrico para cima — reflexo tanto do choque da guerra quanto de riscos ainda não inteiramente incorporados, como o El Niño. A preferência por preservar flexibilidade nas próximas reuniões, ao invés de oferecer um guidance preciso, reflete esse ambiente de maior incerteza e tornará a trajetória futura de política monetária ainda mais dependente dos dados e da evolução do cenário. Assim, revisamos nossa expectativa para a Selic ao final de 2026 de 12,75% para 13,75%.

Para 2027, projetamos Selic em 11,00% ao final do ano. O juro real elevado, a expectativa de certa estabilidade cambial e de impulsos fiscais e de crédito negativos no próximo ano nos levam a crer em um quadro de inflação esperada consistente com a convergência nos futuros horizontes relevantes, abrindo espaço para cortes. Vale destacar que, em 11%, o juro real ao final do próximo ano, em cerca de 7,5%, ainda estará acima do nível que nós e o Banco Central estimamos como neutro para a economia na ausência dos estímulos correntes e dos choques vigentes.

Por fim, no âmbito fiscal, mantemos a expectativa de cumprimento das regras do arcabouço em 2026 e de algum ajuste em 2027. As despesas primárias devem permanecer dentro dos limites estabelecidos e a meta de resultado primário deve ser alcançada em 2026, ainda que insuficientes para estabilização da dívida. Para 2027, nossa expectativa é de que o país avance na direção de um ajuste estrutural das contas públicas, condição necessária para interromper essa trajetória de expansão da dívida, ainda que a magnitude e a composição desse ajuste permaneçam em aberto. Esse, ao mesmo tempo, segue sendo o maior risco em nosso cenário. Na ausência de sinais de consolidação fiscal, os parâmetros do cenário podem se alterar de forma substancial ao projetado inicialmente, especialmente se o ambiente externo se provar menos benigno aos países emergentes.

Cenário Internacional

Petróleo caminha para normalização

O memorando de entendimentos entre EUA e Irã assinado em 17 de junho marcou uma virada no conflito. O acordo de 60 dias estabelece cessar-fogo, reabertura do Estreito de Ormuz sem cobrança de pedágios e uma janela de negociações sobre o programa nuclear iraniano. A retomada do fluxo pré-guerra (cerca de 120-130 embarcações transitando diariamente) ainda deve tomar algum tempo e há riscos de retrocessos no acordo. Mais de 500 embarcações ainda aguardam saída do Golfo Pérsico e operadores de navios permanecem cautelosos após quase quatro meses de ataques e restrições. A limpeza de minas, o reparo de infraestrutura portuária e a retomada das operações de seguro marítimo são etapas que ainda precisam ser superadas. De todo modo, os preços já reagiram e o barril de WTI opera ao redor de US$ 70.

A inflação americana irá se beneficiar da redução do preço do petróleo. Os componentes mais voláteis (energia, gasolina, passagens aéreas) devem recuar com a reabertura de Ormuz e a normalização do petróleo. A inflação, que chegou a 4,2% em maio, provavelmente fez o pico. Há, porém, um componente mais persistente na inflação dos EUA. O núcleo do PCE está rodando em torno de 3,3% ao ano. Para que a inflação termine de acordo com a estimativa dos membros do Fed (3,3% em 2026, 2,5% em 2027), o núcleo precisa de uma desaceleração importante em relação ao ritmo dos últimos seis meses. Soma-se a essa dificuldade, o boom de inteligência artificial, que eleva a demanda por infraestrutura. Esse fenômeno deve manter pressionada a inflação nos próximos trimestres.

O mercado de trabalho americano tem se mostrado mais firme do que o esperado. O ritmo de contratações segue firme e o número de novos entrantes está próximo de zero, pressionado para baixo pela queda na imigração e pelo envelhecimento populacional. Assim, a taxa de desemprego tem ficado estável, ao redor de 4,3%, e o foco do Fed deverá se deslocar para o mandato de estabilidade de preços nos próximos meses.

Seguimos vendo o juro americano parado por um período prolongado, mas reconhecemos um risco assimétrico de alta. A última reunião do FOMC confirmou que a preocupação dos membros do comitê vai além dos efeitos da Guerra no Oriente médio, com maior foco nos núcleos de inflação. A decisão de manter os juros em 3,50–3,75% foi unânime, mas o comunicado, mais curto e sem qualquer viés de afrouxamento, trouxe uma mudança de tom relevante. A mediana das projeções dos membros migrou para 3,8%, com nove dos dezenove dirigentes projetando ao menos uma alta de juros ainda em 2026 — o novo presidente, Kevin Warsh, não submeteu sua projeção. A possibilidade de alta deixou de ser apenas uma hipótese de cauda e se tornou um viés na comunicação do Fed. Essa mudança de postura limita desvalorização do dólar. Ao mesmo tempo, seguimos avaliando que com uma política econômica errática dos EUA, o dólar não tem muito espaço para fortalecimento contínuo.

O BCE subiu os juros para 2,25% e o tom do comunicado deixou claro que não foi um movimento preventivo. Os riscos de inflação foram explicitamente classificados como assimétricos para cima e o núcleo da inflação foi revisado, ficando acima da meta até 2028. A possibilidade de um novo aumento de juros em julho não foi descartada, mas o cenário base é de pausa, com nova alta em setembro.

Com núcleo resistente, estoques de gás abaixo da média e atividade resiliente, os dados ainda não validam o cenário benigno que permitiria ao BCE interromper o ciclo. O núcleo acelerou para 2,6%, com serviços rodando a 3,5% e o componente de tecnologia perdendo força como amortecedor desinflacionário. O risco energético europeu ainda merece monitoramento, especialmente para o inverno. O preço do gás natural segue acima do patamar anterior ao conflito no Oriente Médio, enquanto os estoques de gás seguem abaixo da média sazonal. O memorando de entendimentos, de toda forma, reduz o risco imediato.

Na China, o momento positivo do primeiro trimestre não se sustentou. Os dados de maio sugerem fraqueza da demanda doméstica chinesa. As vendas no varejo recuaram 0,6% em termos anuais — a primeira queda desde dezembro de 2022. O investimento em ativos fixos acumulado até maio cedeu 4,1% no ano, contra alta de 1,7% no primeiro trimestre. O investimento imobiliário aprofundou a contração e o crédito também decepcionou. Esse enfraquecimento da economia deve limitar a contaminação do núcleo de inflação, mesmo que os dados ao produtor tenham mostrado pressão de custos ligada ao boom de inteligência artificial. A alta dos preços ao produtor, contudo, pode diminuir o vetor desinflacionário vindo do país para o resto do mundo.

Na América Latina, não vemos muito espaço para afrouxamento monetário. No México, o diferencial de juros com os EUA (em mínimas históricas) limita a capacidade do Banxico de promover novos cortes. No Chile, o BCCh manteve a taxa em 4,50%, mas mostrou certa preocupação com o consumo. O risco inflacionário diminuiu, com expectativas ancoradas em torno de 3% — consistentes com um choque de petróleo transitório. Mantemos a projeção de taxa em 4,50% ao longo de 2026–27, mas o comitê preserva viés para um último corte de 25 pontos base.

 

 

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