Na coluna de hoje, você vai ler artigos sobre: Amazon lança Bazaar e entra na disputa com Shein e Temu no mercado de baixo custo, No final do dia todos querem ver o ponteiro mexer, Dicotomia do discurso: a essência vs. a embalagem, SBT faz mudança organizacional e anuncia saída de Vicente Varela, Mastercard entrega verba global de mídia à WPP Media e Delator do esquema envolvendo a Ultrafarma diz que empresa sonegava 60% das vendas.
Amazon lança Bazaar e entra na disputa com Shein e Temu no mercado de baixo custo
Por Alice Lopes
A Amazon estreou uma nova seção exclusiva em seu aplicativo móvel, o Amazon Bazaar, voltada para produtos de moda, lifestyle e utilidades a preços acessíveis. O serviço já está disponível no México e sinaliza a entrada direta da gigante americana em um segmento dominado por plataformas chinesas como Shein e Temu.
Inspirado nos mercados populares, o Bazaar oferece uma experiência de compra simplificada e voltada para o “garimpo digital”. A seção reúne milhares de itens que vão de roupas e acessórios a utensílios domésticos, beleza e eletrônicos.
Segundo a Amazon, a maior parte dos produtos custa menos de US$ 11. Há ainda uma área especial dedicada a artigos de até US$ 3, em uma clara resposta ao modelo de preços agressivos que tornou Shein e Temu referências no mercado low-cost.
Por enquanto, a novidade está restrita ao México e não há confirmação de planos de expansão para outros países.
Estratégias de desconto para estimular compras
Além da política de preços baixos, a Amazon aposta em incentivos para compras em volume. Pedidos com cinco ou mais itens recebem 5% de desconto, enquanto compras de dez ou mais produtos contam com 10% de abatimento.
A estratégia segue a lógica já conhecida das plataformas chinesas, em que consumidores costumam adquirir diversos itens pequenos de uma só vez, muitas vezes de forma impulsiva.
Categorias variadas para ampliar alcance
O Bazaar concentra uma ampla gama de categorias, entre elas moda feminina e masculina, casa, beleza, esportes, cozinha, escritório, artesanato, jardim, eletrônicos e até produtos para pets.Com essa diversidade, o usuário encontra desde bijuterias e roupas casuais até utensílios de cozinha, artigos de decoração e brinquedos para animais de estimação em uma única experiência de compra.
Experiência de compra como diferencial
Todos os pedidos feitos no Bazaar contam com frete grátis, com prazo de entrega entre 6 e 14 dias. Apesar de maior do que os prazos tradicionais da Amazon, o tempo segue dentro do padrão já aceito por consumidores de plataformas como Shein e Temu.
O serviço também oferece devolução gratuita em até 15 dias após a entrega, buscando reforçar a confiança do consumidor. Outro ponto é a presença de avaliações em estrelas e comentários de clientes, recurso essencial para reduzir riscos de frustração e diferenciar a plataforma da concorrência, que muitas vezes sofre com feedbacks pouco confiáveis.
Coleções temáticas para engajar clientes
O Bazaar também aposta em curadorias visuais e coleções temáticas que variam de acordo com tendências ou momentos sazonais. Entre os destaques estão Favoritos Bazaar, Decoração com estilo, Comodidade ao máximo, Especial pet, Verão ao sol, Modo cozinha, Tudo em tons pastel e Volta às aulas.
A proposta é recriar a sensação de descoberta típica de um bazar físico, mas dentro do ecossistema digital da Amazon.
Uma resposta direta a Shein e Temu
O lançamento do Bazaar reforça a estratégia da Amazon de disputar espaço em um mercado de rápido crescimento, hoje impulsionado por players chineses que conquistaram consumidores com preços baixos e logística eficiente.
Com uma marca consolidada, regras claras de devolução e base de clientes habituada ao aplicativo, a Amazon busca equilibrar a concorrência e conquistar uma fatia relevante no segmento de moda e lifestyle de baixo custo.
No final do dia todos querem ver o ponteiro mexer
Por Sandro Santos
Nos últimos anos tive a oportunidade de trabalhar em projetos que unem mídia, esporte e entretenimento, sempre com foco em gerar impacto real e conexão com o público.
O mercado está cada vez mais dinâmico e desafiador, novas plataformas, novos hábitos de consumo e, principalmente, novas formas de engajar audiências.
Muito se fala em audiência, e claro que ela é importante. Atingir métricas, gerar engajamento, performance. No final do dia todos querem ver o ponteiro mexer.
Mas o que realmente acho legal é quando conseguimos ir além: criar projetos de mídia que conectam veículo e marca de forma autêntica, trazendo relevância para todos os lados. Não se trata só de quantas pessoas assistem, mas de como essa audiência se relaciona com o conteúdo e com a marca.
Vi de perto como ativações criativas podem gerar valor muito maior do que números brutos: desde ações integradas em transmissões esportivas até formatos inéditos de branded content que transformaram a percepção de marca. Esse tipo de projeto é o que move o mercado para frente.
Nos veículos por onde passei, sempre incentivei as equipes a criar e acredito que não existe verba curta para uma boa ideia, assim como não existe audiência baixa quando a criação é forte. Quando a ideia é boa, os números vêm depois. E isso, na prática, se traduz em receita.
E deixo uma provocação: o que vocês acreditam que encanta mais hoje, uma grande audiência ou um projeto criativo e bem conectado entre veículo e marca?
Dicotomia do discurso: a essência vs. a embalagem.
Por Fernando Carara Lemos
Há tempos, tenho questionado a distância entre o que as empresas desejam ser e o que de fato entregam, especialmente no que se refere a discursos publicitários e ao storytelling de marca. Já provoquei essa reflexão em organizações onde atuei, ao trazer as pessoas para pensarem sobre essa dicotomia do discurso, quando perguntava exemplos práticos do que queriam que a comunicação e marketing produzissem conteúdos para vender uma imagem, um produto, um serviço, etc.
Com a maturidade profissional e o estudo crítico do nosso fazer em comunicação, essa questão se tornou um filtro ainda mais atento. Por isso, quando surge a oportunidade de valorizar as empresas que cumprem o que prometem, eu aproveito.
Durante o evento Campeãs da Inovação, do Grupo Amanhã, a Usaflex Calçados foi uma das marcas premiadas. Tive a oportunidade de conversar com o Luis Fabio Kenji Tamaki, representante da marca no evento, e dizer que admiro o trabalho deles, pois é uma marca que se reposicionou no mercado sem perder a “essência do conforto”. Lembro de ir nas lojas com a minha mãe, que só podia usar os sapatos da marca por conta de joanetes. Eles pareciam mais ortopédicos do que sapatos femininos. Com o tempo, a marca evoluiu no design, conquistando um novo público.
Mas a prova real de que o discurso se traduz em prática veio na hora de ir embora. Coincidentemente, eu e o Luis entramos no mesmo elevador. Uma mulher vestida de forma executiva já estava dentro e, em seus pés, eu conseguia ver apenas a ponta do sapato. Ele olha fala: “Bonito o sapato, é Usaflex?!”. A resposta dela foi instantânea e sincera: “Sim, são muito confortáveis!”
Essa cena confirmou: um produto que, mesmo com a evolução estética, continua a cumprir sua promessa de conforto no dia a dia do seu público.
E você, quais marcas admira por cumprirem o que prometem em seus discursos?
SBT faz mudança organizacional e anuncia saída de Vicente Varela
Por Propmark
O SBT anunciou nesta sexta-feira (15) a saída de Vicente Varela da superintendência de negócios e comercialização. O executivo assumiu o cargo durante a reestruturação da emissora, que aconteceu em novembro de 2024.
Antes, o executivo atuava na emissora como diretor de Operações Comerciais e Inteligência de Mercado.
Em comunicado enviado a imprensa, o SBT afirmou que “Varela teve papel fundamental na reestruturação da área ”. A nota também destaca “sua parceria, dedicação e todos os avanços conquistados nas frentes comerciais, de negócios e de relacionamento com o mercado”.
O cargo passa a ser ocupado por Fernando Fischer, que desde fevereiro deste ano, estava na posição de diretor de relações institucionais e novos negócios no Grupo Silvio Santos.
Fischer tem trajetória consolidada no grupo, especialmente na própria emissora, e seguirá somando na gestão da área de licenciamento. Segundo o SBT, o objetivo é “acelerar as iniciativas estratégicas” nesse segmento.
Leia o comunicado na integra:
“O SBT informa que Vicente Varela deixa, a partir de hoje, a Superintendência de Negócios e Comercialização. Ao longo de sua trajetória, Varela teve papel fundamental na reestruturação da área comercial e de negócios, contribuindo de forma decisiva para o fortalecimento da atuação da emissora no mercado.
A emissora agradece sua parceria, dedicação e todos os avanços conquistados nesse período, nas frentes comerciais, de negócios e de relacionamento com o mercado. Sua contribuição foi essencial para a jornada de transformação do SBT.
A Superintendência de Negócios e Comercialização passa a ser assumida por Fernando Fischer, que retorna ao SBT após sua relevante atuação no fortalecimento do ecossistema do Grupo Silvio Santos, liderando a área de Novos Negócios e Relações Institucionais.
Com uma trajetória sólida no Grupo, especialmente no próprio SBT, Fischer reúne ampla experiência no setor e profundo conhecimento da emissora. Ele seguirá também à frente da área de Licenciamento do Grupo, com o objetivo de acelerar as iniciativas estratégicas.
O SBT deseja sucesso a Vicente Varela e a Fernando Fischer nesta nova etapa e reforça o compromisso em seguir avançando em sua jornada de transformação e inovação.”
Mastercard entrega verba global de mídia à WPP Media
Por Meio & Mensagem
Conquista da verba de mídia da Mastercard dá alento ao WPP Media, que recentemente perdeu duas contas grandes para o Publicis Groupe (Crédito: Reprodução)
A Mastercard nomeou o WPP Media como sua agência global de mídia, encerrando, assim, a relação de 11 anos que mantinha com a Carat, empresa da Dentsu.
Outra mudança no escopo de agências é que a Ogilvy passa a responder, globalmente, pelas entregas de social do anunciante. A McCann, que atende a Mastercard há décadas, se mantém como rede responsável pela criação do cliente. No Brasil, a WMcCann é a agência full service da marca e informou à reportagem que não haverá mudanças no escopo de atuação.
A escolha do WPP Media é decorrente do preparo da companhia para o “futuro do marketing na era da inteligência artificial (IA) e dos dados”, afirmou, em comunicado. “Por isso tomamos a decisão estratégica de firmar parceria com a WPP Media para cuidar de nossa estratégia, compra e planejamento de mídia em mais de 70 mercados internacionais”.
Essa é a primeira conquista significativa do WPP Media desde o rebranding da companhia, apresentado em maio, e ocorre depois de o grupo ter encerrado relações com o PayPal, sob a justificativa de ir em busca de outras oportunidades.
Ao descrever a decisão de contratar o WPP Media, a Mastercard citou o alcance global da rede e suas “capacidades avançadas em IA e dados” – fortalezas que o grupo vêm ressaltando por meio de investimentos recentes como o Open Intelligence, sistema propriterário de IA e dados, que sustenta o Open Media Studio, plataforma de entrega de mídia da holding.
“Temos mais dados do que qualquer um de nossos competidores e alcançamos 5 bilhões de consumidores conectando inteligência de todas as maneiras”, disse Brian Lesser, CEO do WPP Media, em comunicado publicado no balanço semestral do WPP.
A decisão do Mastercard também ocorre semanas antes de Cindy Rose, ex-COO global da Microsoft, assumir o lugar de Mark Read como CEO do WPP, em 1º de setembro. A notícia também ajuda o grupo a se recuperar de perdas expressivas em mídia, como a conta global de US$ 1,7 bilhão da Mars, e a verba da Coca-Cola na América do Norte, ambas conquistadas pelo Publicis Groupe.
Em 2024, a Mastercard investiu US$ 180 milhões em mídia, segundo dados da COMvergence.
Delator do esquema envolvendo a Ultrafarma diz que empresa sonegava 60% das vendas
Por Marina Verenicz
A rede de farmácias Ultrafarma, do empresário Sidney Oliveira, sonegava até 60% das vendas, segundo delação feita por Manoel Conde Neto, ex-dono da Farma Conde, ao Ministério Público de São Paulo. A informação foi obtiva pela TV Globo e revelada no programa Fantástico no último domingo (17).
“Até o ano passado, ela [a Ultrafarma] vendia o produto num preço que é inexplicável. E é inexplicável o Fisco não ir lá fechá-la também. Porque nós, mesmo sonegando, e eu sonegava 10% do que vendia. Eles sonegavam 60% do que vendia e tava na cara que a sonegação lá era e é até hoje muito grande.”, diz Conde.
A acusação faz parte de um conjunto de revelações que levou o Ministério Público de São Paulo a abrir uma investigação sobre um esquema bilionário de restituições fraudulentas de ICMS, com participação de grandes empresas do varejo e servidores públicos.
Segundo ele, a prática era conhecida no setor e inexplicavelmente tolerada pelas autoridades fiscais até recentemente.
O ex-empresário já havia sido investigado em 2017, quando a Farma Conde teve que devolver mais de R$ 300 milhões aos cofres públicos. Com o perdão judicial em mãos, Conde passou a colaborar com os promotores e agora mira sua principal concorrente.
O esquema tinha como peça central o auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto, servidor da Secretaria da Fazenda de São Paulo, que usava seu cargo para montar, acelerar e aprovar processos de restituição de ICMS, atuando paralelamente como consultor tributário de empresaa, prática ilegal para servidores públicos. Em troca, cobrava comissões de até 40% sobre os valores recuperados.
Segundo o MP, Artur recebia R$ 33 mil por mês como servidor, mas movimentou valores muito superiores por meio da Smart Tax, empresa usada para receber os pagamentos. Ele também tinha acesso ao certificado digital da Ultrafarma, o que lhe permitia realizar pedidos de restituição diretamente, como se fosse representante da empresa.
Ultrafarma no centro do esquema
A Ultrafarma, do empresário Sidney Oliveira, é apontada como uma das principais beneficiadas. Segundo o MP, o auditor tinha acesso ao certificado digital da empresa e fazia ele mesmo os pedidos de restituição em nome da rede.
Em junho, Sidney confessou a fraude e assinou um acordo de não persecução penal, comprometendo-se a pagar R$ 32 milhões para evitar o processo criminal.
A atuação de Artur como consultor informal da Ultrafarma aparece em mensagens interceptadas. Em um dos diálogos, um funcionário da empresa confirma o envio de documentos “conforme solicitação do fiscal”. Sidney responde: “Ótimo”.
A Ultrafarma nega irregularidades e afirma colaborar com as investigações para provar sua inocência.
Fast Shop e novos alvos na mira
Além da Ultrafarma, o esquema envolve também a Fast Shop, cujo diretor, Mário Otávio Gomes, foi preso preventivamente. A varejista afirmou, por meio de nota, que colabora com as autoridades.
O Ministério Público estima que mais de R$ 1 bilhão tenha sido movimentado pelo grupo em reembolsos irregulares. Parte dos pagamentos ao auditor era feita por meio da Smart Tax, empresa de fachada ligada a Artur.
Foi por meio dessa consultoria que Fernando Capez, ex-promotor e ex-presidente do Procon-SP, foi contratado para defender a Ultrafarma. Seus honorários, de R$ 3,6 milhões, foram pagos em três parcelas pela Smart Tax. Capez afirma que desconhecia o esquema à época e que atuou dentro dos limites legais.