Você vai ler na coluna hoje: Qual o papel dos livros na era da economia da atenção?, Bets investiram R$ 327 mi em mídia no trimestre, diz estudo, Telas, eventos e cultura: como será a “Times Square” de SP?, A Casa do Patrão terá patrocínios de Assaí e PicPay, A inteligência humana é analógica – e isso é bom.
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Qual o papel dos livros na era da economia da atenção?
Por Amanda Shnaider
Nesta quinta-feira, 23, é celebrado o Dia Mundial do Livro. E, em meio a uma enxurrada de conteúdos online publicados todos os dias e a deterioração mental e intelectual causada pelo consumo incessante desses conteúdos – fenômeno que ficou conhecido como “brain rot” (cérebro podre, em inglês) – os livros reemergem como uma ferramenta cada vez mais necessária.
“Os livros ressurgiram, portanto, como um antígeno ao recrudescimento fisiológico, já que a atividade leitora age justamente ao contrário: ela aumenta a velocidade de condução de impulsos nervosos; cria novos circuitos cerebrais e fortalece a memória de curto e longo prazos”, analisa Ana Erthal, professora e pesquisadora pós-doc ECA-USP.
A pesquisadora, no entanto, acha curioso que as pessoas usem as redes sociais, em suas bolhas algorítmicas, como um guia para a leitura. Nos últimos anos, inclusive, surgiu um fenômeno, chamado BookTok, que em que creators publicam vídeos contando curiosidades sobre livros que estão lendo. No TikTok, a hashtag “BookTok” já conta com 77,5 milhões de publicações.
“Os perfis que falam sobre livros na rede têm um potencial calendoscópico. Eles espalham ideias, conceitos, afetos e trechos de narrativas que comovem, que atiçam a curiosidade das pessoas para descobrir mais”, pontua Ana.
No entanto, há um paradoxo, uma vez que ainda não é possível afirmar que as redes impulsionam a volta da leitura. “O que sabemos é que impulsiona o aquecimento do mercado editorial, vide as últimas edições das bienais e o repaginada das livrarias de rua” destaca.
Inclusive, dados da 6ª edição da pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, do Instituto Pró-Livro, de 2024, revelam o contrário: que 53% dos entrevistados não leram nem mesmo parte de um livro, impresso ou digital, de qualquer gênero nos três meses anteriores à pesquisa.
Por isso, mesmo com o impulso das redes sociais, na visão da professora, ainda não é possível celebrar a atividade leitora como disseminada, valorizada ou simplesmente, compreendida em sua relevância fisiológica (como mecanismo da evolução), sociológica (como mecanismo para o pensamento crítico) ou psicológica (como mecanismo para compreensão das emoções).
Pedro Pacífico, influenciador e colunista, mais conhecido como Bookster, reforça que a leitura sempre esteve presente na vida das pessoas e, que o que o fenômeno do BookTok e das redes sociais fez foi tirar o livro de um lugar solitário e colocá-lo de volta na conversa, atingindo pessoas que não se deparavam com esse tema no seu dia a dia.
E, neste ambiente tão acelerado das redes sociais, o livro acaba virando quase que um contraponto, na visão de Bookster. “Ele aparece como uma pausa muito necessária. É um convite para que o usuário deixe a tela e mergulhe em uma história que exige mais da sua própria criatividade”.
Apesar de não contribuírem comprovadamente para o aumento da leitura, as redes sociais e os influenciadores desse segmento podem ser bons “marketeiros” para o reforço deste hábito.
“As redes permitem que o livro deixe de ser apenas um produto e passe a ser uma experiência compartilhada. Quando alguém fala de um livro com emoção em uma postagem e conta sobre a sua experiência com aquelas páginas, há um forte poder de incentivo para outros leitores”, argumenta Bookster. Neste sentido, ele ressalta que clubes de leitura, criadores de conteúdo literários e recomendações espontâneas acabam tendo um impacto nas vendas, uma vez que são honestos e conseguem se aproximar do leitor que está do outro lado da tela.
Ana concorda que se as pessoas souberem detalhes sobre a narrativa, sobre escritores, sobre suas propostas discursivas, sobre o potencial mobilizador de cada obra, talvez haja uma chance de atrair mais leitores para aquisição de livros. “Tem que operar como toda comunicação mercadológica, ou seja, criando desejo, oferecendo uma esfera de valor intangível e um campo simbólico que se conecte com o leitor”, complementa.
Ler ainda não é entretenimento
Ainda que não seja possível comprovar a influência das redes sociais no aumento da leitura no Brasil, o que se pode comprovar são os livros mais vendidos no último ano.
Segundo informações da Nielsen-PublishNews, com informações coletadas por meio do BookScan – que reúne dados de livrarias estabelecidas, como Leitura, Curitiba, Martins Fontes, Travessa e Vila, e dos principais e-commerces de livros do Brasil, como Amazon, Mercado Livre e Magazine Luiza – dos dez livros mais vendidos em 2025, quatro foram os livros de colorir Bobbie Goods, que viraram uma febre ano passado.
A lista também conta com livros de não-ficção ou de autoajuda como Café com Deus Pai 2025, do pastor evangélico Junior Rostirola, e A psicologia financeira, de Morgan Housel.
Para Bookster, esse comportamento de consumo é resultado de como as pessoas enxergam os livros atualmente. “Há um certo entendimento de que a ficção seja perda de tempo, porque não traria um resultado imediato. As pessoas acabam buscando nos livros uma ferramenta de mudança instantânea de suas vidas e aí surgem os livros de auto-ajuda com promessas tentadoras. Eles vendem muito, porque endereçam uma demanda da nossa sociedade utilitarista e imediatista”.
O influenciador enfatiza que a leitura precisa ser cada vez mais apresentada não como obrigação, mas como entretenimento. “Temos que entender que um livro pode ser tão prazeroso como assistir a um filme ou a uma série. Ou seja, não é uma competição, mas há momento para os dois”, argumenta.
Além disso, com as telas comprovadamente atuando de forma prejudicial na capacidade de concentração e aprendizado das pessoas, para Bookster, os livros surgem como uma ferramenta necessária para combater esses malefícios de conteúdos instantâneos e superficiais.
Já em relação aos livros de colorir, na sua visão, eles se assemelham mais a cadernos e, por isso, não deveriam entrar nessa categoria para um ranking de mais vendidos. “A confusão acaba apenas deturpando os resultados do mercado editorial”, frisa.
Desafio anterior
Antes mesmo de qualquer discussão sobre interesse e hábito de leitura dos brasileiros, é preciso olhar para um desafio anterior: a desigualdade. Neste sentido, Bookster ressalta que o MEC Livros, biblioteca digital pública e gratuita lançada no início deste mês pelo governo federal, é essencial pois endereça justamente um ponto essencial: o acesso.
“No Brasil, nem todos têm a oportunidade de ler um livro a hora que quiser. Uma ferramenta gratuita como essa, e que conta com uma curadoria incrível, ajuda a combater esse problema, permitindo que pessoas com acesso à internet possam ler um livro a qualquer momento e de qualquer lugar”, complementa.
Na visão de Ana, o MEC Livros, inclusive é uma excelente oportunidade para uma virada de chave dos brasileiros para a leitura. “Os livros disponíveis gratuitamente já representam a quebra de duas barreiras: preço e acesso”, comenta.
Apesar de brilhante, para a professora, a iniciativa deve vir acompanhada de um processo educativo, que apresente todos os benefícios do ato leitor e como a leitura é capaz de transformar vidas. “A plataforma foi muito bem desenhada, o catálogo disponível é variado e extenso, o prazo para a leitura é adequado e a campanha de divulgação foi bem-feita. Falta, porém, mostrar para a população o que acontece quando lemos e como devemos nos dedicar a essa prática”, opina.
Bets investiram R$ 327 mi em mídia no trimestre, diz estudo
Por Meio & Mensagem
As maiores empresas de apostas que atuam no Brasil investiram um total de R$ 327 milhões em mídia no primeiro trimestre do ano, de acordo com levantamento realizado pela empresa de monitoramento Tunad.
A empresa avaliou as inserções na mídia de empresas como Betano, Superbet, Bet do Milhão, Betnacional, Bet365, Novibet, Esportes da Sorte, BetBoom e BETesporte.
O levantamento da Tunad também monitorou o volume de buscas por essas empresas nas mídias digitais, apontando um total de 167 milhões de buscas nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2026. Esse número é 22% maior do que o apurado no trimestre anterior.
Ainda de acordo com esse levantamento, a Betano lidera o ranking dos investimentos, tendo direcionado R$ 57,9 milhões à publicidade no período.
Na sequência, aparecem Superbet, com R$ 40,5 milhões e Bet do Milhão (R$ 38,1 milhões).
A TV aberta é o meio que direciona a maior parte dos investimentos das bets na TV, com destaque para a Globo, que angariou 59% de toda a verba publicitária das empresas de apostas direcionada à televisão. O SBT ficou em segundo lugar, com 22%.
Telas, eventos e cultura: como será a “Times Square” de SP?
Por Bárbara Sacchitiello
Na tarde desta quinta-feira, 23, em coletiva de imprensa, a Prefeitura de São Paulo e o Governo do Estado fizeram a apresentação oficial do projeto do Boulevard São João, que popularmente vem sendo chamado de “Times Square Paulistana”.
Aprovado em março pela Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU), da Prefeitura, o projeto – que prevê a instalação de painéis de LED, com veiculação publicitária, em alguns pontos da região central da cidade – ganhou o apoio e parceria do governador do Estado, Tarcísio de Freitas, que nessa quarta-feira 22, já havia assinado um termo de cooperação, junto ao prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes.
De acordo com o detalhado pela administração municipal e estadual nesta quinta-feira, 23, o Boulevard São João é um projeto não apenas de telões de mídia exterior e conteúdo, mas uma iniciativa que visa ampliar a circulação de pessoas no centro da cidade e, consequentemente, valorizar os negócios e a paisagem local. A ideia é que o projeto tenha início nos meses de agosto e setembro deste ano.
A intervenção, segundo a Prefeitura e Governo do Estado, abrange uma área total de 42 mil metros quadrados, contemplando, na Avenida São João, a região que vai da proximidade ao Largo do Paissandu até a Praça Júlio Mesquita.
Elaborado pela Fábrica de Bares, empresa proprietária do Bar Brahma e de outros estabelecimentos da região, o Boulevard São João prevê a instalação de quatro grandes painéis de LED nas fachadas de alguns prédios. As telas irão exibir cerca de 70% de conteúdo de utilidade pública e 30% de publicidade das marcas patrocinadoras do projeto.
Em contrapartida da veiculação publicitária, tais marcas terão de se comprometer com algumas obras de revitalização e manutenção dos locais em que os painéis estarão instalados.
Os painéis serão instalados nos edifícios Cine Paris República, Herculano de Almeida, Galeria Sampa e New York. Também haverá projeção mapeada no Edifício Independência 2.
Na apresentação oficial do projeto, o prefeito Ricardo Nunes esclarece que o Boulevard São João não fere a Lei Cidade Limpa, uma vez que a legislação de publicidade exterior, que entrou em vigor em 2007, prevê a realização de projetos especiais de veiculação publicitária a partir da realização de contrapartidas urbanas. Veja, abaixo, o vídeo de apresentação do Boulevard São João, feito pela Prefeitura de São Paulo:
Revitalização do centro
Na apresentação, Prefeitura e Governo do Estado destacaram o potencial do Boulevard São João como uma ferramenta de revitalização da região central da cidade. Ricardo Nunes pontuou que é importante que a cidade possa ter locais atrativos e destacou que a área será mais um grande espaço de turismo para a metrópole.
Nos locais de instalação dos painéis de LED estão previstas a instalação de palcos para apresentações musicais e culturais aos finais de semana. Nesses dias, inclusive, o Boulevard São João deverá ficar fechado para a passagem de carros, permitindo apenas a circulação de pedestres.
“São quatro grandes painéis e a gente vai, com certeza, dar um grande passo depois de uma longa caminhada de discussão com a sociedade e de audiência pública que nos fez chegar nesse momento”, declarou o Prefeito.
“O que a gente está fazendo é resgatar a história e devolvendo o Centro -, que antigamente era chamado de Cidade – para a população”, disse o governador, Ricardo Nunes.
Captação de recursos
De acordo com o que a Comissão de Proteção à Paisagem Urbana divulgou em março, a proposta é que a iniciativa privada (os patrocinadores do projeto) invista um total de R$ 6 milhões para a viabilização do Boulevard São João. Não está prevista a utilização de recursos públicos para o novo espaço.
Não foi detalhado, ainda, quantos patrocinadores poderão fazer parte do projeto.
Projeto da Times Square divide opiniões
O placar da votação que apoiou a criação do Boulevard São João, em março, terminou em oito votos a favor do projeto e seis contra.
A decisão apertada sinaliza que o projeto de mídia exterior não é consenso entre os membros da comissão e representantes da sociedade civil.
A presidente da CPPU, Regina Monteiro, uma das responsáveis pela criação da Lei Cidade Limpa, disse, em março, que há 20 anos a Prefeitura pretendia criar acordos desse tipo, em que marcas patrocinadoras ganham o direito de explorar alguns ambientes urbanos em troca de contrapartidas para o município. Porém, ao longo dessas duas décadas, Regina destacou que nunca foi possível tirar esse projeto do papel.
“Não se trata de mudar a Lei Cidade Limpa. Queremos ter regiões bem setorizadas, com projetos bem estruturados e definidos. Se as marcas patrocinadoras podem ajudar a melhorar a infraestrutura da cidade e colaborar com isso, é o que queremos fazer”, relatou.
Segundo a presidente da Comissão, a Lei Cidade Limpa prevê duas formas de exploração de publicidade exterior em São Paulo. A primeira se dá pelas concessões de mobiliário urbano (que estão, por exemplo, nas mãos de Eletromidia, no caso dos abrigos de ônibus e de JCDecaux, nos relógios de rua).
Além disso, a Lei, segundo lembrou Regina, na época da aprovação do projeto, sempre estabeleceu a possibilidade de acordos de cooperação, em que as marcas patrocinadoras se comprometem com melhorias urbanas podendo, então, fazer veiculação de publicidade. Esse modelo que, segundo ela, embasou a proposta do Boulevard São João.
Também defensor do projeto, Álvaro Aoas, empresário e criador da Fábrica de Bares, destacou que o Boulevard São João está calcado na ideia de ampliar a movimentação e ocupação da região central da cidade pelos cidadãos e que, com o aumento da frequência, os comércios e estabelecimentos locais se beneficiariam, permitindo, assim, a exploração de patrocínio e as contrapartidas à cidade. “Alguém precisa pagar a conta dos restauros e da recuperação do centro da cidade”, pontuou.
Já entre os argumentos de quem votou contra o projeto estão, na maioria dos casos, o temor de um possível enfraquecimento da Lei Cidade Limpa e de uma eventual abertura para explorações irregulares de publicidade exterior em outros locais da cidade. Além disso, a questão do excesso de luminosidade e dos impactos no trânsito e na circulação de carros e pedestres também foram apontados.
A Casa do Patrão terá patrocínios de Assaí e PicPay
Por Valeria Contado
A partir do próximo dia 27, a Record e o streaming Disney+ exibirão, diariamente, a convivência de 18 pessoas anônimas, de diferentes cidades do Brasil, que passarão por provas e dinâmicas para ganhar o direito de ser o “patrão” do jogo, com regalias e mais chances de alcançar um prêmio milionário.
Essa é a essência de Casa do Patrão, primeiro projeto de Boninho com a Record e que conta com produção da Disney. Os detalhes da dinâmica, bem como os primeiros participantes da atração, foram revelados nesta quinta-feira, 23, em coletiva de imprensa realizada em Itapecerica da Serra, em São Paulo, onde fica localizada a sede do confinamento.
Como já haviam adiantado, Record e Disney dividiram o reality em duas casas: a “do Patrão”, como o nome do reality já diz, que reunirá alguns dos participantes para viverem com mais conforto durante a semana. Enquanto isso, outro grupo de participantes estará na “Casa do Trampo”, onde terão a missão de realizar as tarefas domésticas e desfrutarão de menos conforto do que na casa principal.
Além das duas casas, haverá uma terceira, chamada Casa de Convivência, em que os dois grupos se reunirão no dia a dia. A formação de cada um dos grupos, bem como a definição de quem será o “patrão” da semana será feita a partir de provas e dinâmicas.
Patrocinadores de Casa do Patrão
O novo reality da Record e Disney já estreia com duas marcas patrocinadoras: PicPay, que será o banco oficial de Casa do Patrão, e Assaí, que terá a missão de ser o mercado oficial do jogo.
Na coletiva de imprensa, foi adiantado que os clientes da instituição financeira terão peso dobrado nas votações da competição.
Já a rede de supermercado terá algumas marcas parceiras no projeto, como é o caso de Embalixo Itaipava e Gomes da Costa.
De acordo com a Record, o departamento comercial negocia a inserção de outras marcas no programa. A ideia é anunciar os demais patrocinadores ainda antes da estreia.
“O público de casa precisa de leveza e queremos ajudar a descomprimir e entregar isso às pessoas, com a ajuda de Leandro Hassum”, declarou Boninho, durante a coletiva de imprensa, a respeito do humorista que será responsável pela apresentação do reality.
A Casa do Patrão terá exibição diária na TV Record e também transmissão ao vivo no Disney+.
A inteligência humana é analógica – e isso é bom
Por Claudio Titericz
Eu gostaria de retomar o tema da inteligência, porque me parece muito pouco desenvolvido no âmbito da educação atual, onde se confunde com outras características, as quais se prendem mais à memória e a algumas habilidades matemáticas. Quando vemos personalidades diversas apresentando o entendimento de que é possível a uma máquina pensar, já é sinal de falta de compreensão sobre o que seja realmente uma inteligência.
Também observo constantemente pessoas conversarem com animais, principalmente cachorros, como se estes estivessem entendendo o que se diz, e existem, até mesmo, aqueles que dizem que os animais têm alguma inteligência. Mas teriam mesmo os animais e as máquinas alguma forma de inteligência ou apenas estamos vivendo uma confusão sobre esta faculdade tão importante para o ser humano?
Bem, não irei repetir os conceitos que já apresentei anteriormente em outros artigos, mas vou fazer algumas comparações para diferenciarmos, de forma definitiva e pragmática, o que vem a ser uma inteligência, para podermos separar e designar corretamente algumas atitudes inteligentes ou não.
Vamos iniciar um progresso gradual com um vegetal que possui vida, pois uma pedra não possui qualquer forma de vida e não preciso provar que ela não tem inteligência. O fato de uma semente de alguma árvore evoluir independentemente de uma vontade externa não garante que exista ali uma inteligência – há efetivamente uma vida, como já falei, entendendo que esta vida é a capacidade de provocar movimentos imanentes –, mas isso não garante uma capacidade intelectiva. A força da natureza impulsiona os entes de maneira natural, com leis definidas, as quais não precisam de intelecto para serem executadas, até porque não precisam ser entendidas.
Assim, podemos identificar, dessa forma, que há nos seres vivos uma certa capacidade que Aristóteles e Tomás de Aquino definiriam como uma forma substancial que atua sobre a matéria, definindo esta matéria, a qual tem potência à vida. Dessa forma, observando os seres vivos, depois dos vegetais, vemos os animais ditos irracionais, os quais são dotados de vida imanente, como as plantas, com uma característica mais interessante – a capacidade de movimento local –, perseguindo um instinto predefinido, em que há uma vocação natural ou um apetite sensitivo para tal. Esta forma substancial, a qual dá a vida aos entes naturais, foi traduzida do grego psiqué (ψυχή) para o latim como anima, e desta para o português traduziu-se por alma.
Podemos ver que, filosoficamente falando, há então uma alma vegetativa própria dos vegetais, uma alma sensitiva própria dos seres animais e, seguindo aquela progressão que comentei, existe uma alma intelectiva que é diferente dos níveis anteriores. Esta alma intelectiva abrange todos os graus anteriores e acrescenta algo a mais. Neste ser é acrescentado o entendimento e a formulação do verbo ou do conceito de outro ser.
Esta capacidade intelectiva pode formular um conceito que é extrínseco ao próprio intelecto, mas não é extrínseco ao próprio inteligir do intelecto. Este ente inteligente pode formular um verbo de si mesmo e inteligir-se a si mesmo – ou seja, ter a consciência de sua própria existência como um ser pensante. Ele não irá agir simplesmente porque há uma lei que define tais fatos, mas este ser tem uma alma que possibilita pensar e, por vezes, não fazer.
Este ser pensante, ao qual me refiro, é o ser humano. Por isso, este ser possui capacidade que vai além dos sentidos externos, incluindo os sentidos internos, os quais alguns animais também possuem, para elaborar um raciocínio até chegar a um final que chamamos de verdade – um julgamento devidamente impresso na inteligência. Este processo de se chegar à formulação do verbo ou da verdade se processa do chamado intelecto paciente até o intelecto agente.
Explicando melhor, é a capacidade passiva de receber todos os conhecimentos inteligíveis que podem existir no universo e, a partir deste ponto, produzir novos conceitos. Há, assim, um intelecto possível dentro das almas humanas que as torna capazes de “ver” a verdade de todas estas coisas, mas este processo não é digital como nos computadores.
A maneira do trabalho intelectual ocorre por meio analógico. Faz-se necessário a produção do verbo por meio da inteligência e, deste verbo, avança-se para o próximo julgamento – e nova formulação verbal é realizada. É a chamada espécie expressa, pela qual a pessoa transforma suas conclusões em expressão verbal ou escrita, a fim de transmitir o novo conhecimento a outra inteligência.
Este processo humano de inteligir, chamado de analógico, é o único método de progredir no conhecimento de verdades menores até se chegar aos conhecimentos superiores e é totalmente abstrato. Vou usar um raciocínio abstrato para desenvolver melhor esta ideia de abstração – vou falar da matemática.
Como vou calcular a área de um círculo? Faz-se necessário conhecer, primeiramente, a ideia dos números, os quais não existem na natureza física. Depois, preciso definir o que seja uma área para, então, raciocinar sobre como medir dimensões retas e curvas. Percebe-se que há uma progressão no inteligir abstrato, da qual um animal irracional não possui a mínima capacidade.
Ao formular uma frase no nosso próprio idioma, também se evidencia que não é qualquer animal que pode ler ou entender, ainda menos responder com uma outra reflexão que me seja destinada e que eu possa interpretá-la. A fala é própria das pessoas – e pessoas aqui significam seres inteligentes ou racionais –, fato também impossível aos animais irracionais.
A capacidade analógica, portanto, é de fundamental importância neste processo intelectivo. Quando nos referimos a um conceito não material, como, por exemplo, a responsabilidade, não há como explicá-lo se não formos para um desenvolvimento comparativo de fatos materiais até atingir o imaterial – ou, como gosto de dizer, o espiritual. Não há como mostrar fisicamente o que seja responsabilidade ou beleza. Podemos dar exemplos, mas não apontar a coisa em si.
Por isso, ao escrevermos, não conseguimos esgotar, com palavras físicas, aquilo que é abstrato. Daí a necessidade da analogia. E, por esse motivo, necessitamos recorrer à meditação dos textos que lemos, para mergulhar em seus significados. Ao realizar esse mergulho, vamos nos deparando com cada vez mais informação, de acordo com a capacidade intelectiva de cada ser humano que lê o texto. Quanto maior a capacidade de abstração e reflexão, maior a capacidade de descobrir a verdade na informação capturada.
Deixo claro que, se apenas ensino um aluno a ler um texto, ofereço apenas o nível mais superficial do conhecimento. Se apresento um texto e obrigo todos a aceitá-lo sem questionar, sem estimular raciocínio, sem promover um ato intelectivo mais profundo – ora, isso é o que podemos chamar de ideologização. Se não propiciar o encontro com a verdade da ideia apresentada, não terei conduzido o estudante à experiência da verdade.
O que conhecemos por ciência é excelente em fazer a experiência da verdade, pois observa um evento natural ou artificial repetidas vezes e o estuda sob diversos aspectos até se obter a verdade sobre suas causas. Só então podem ser elaboradas leis. Agora, ciência sem experimentação não é ciência – e esta, sem reflexão, também não o é.
Creio que agora fica mais claro o questionamento sobre a máquina poder pensar. Está evidente sua incapacidade de realizar autoconsciência. Ela não tem vida e é apenas um conjunto de peças organizadas por uma inteligência. Não possui vida imanente – é como se fosse um “frankenstein”, onde se reúne membros de diversas pessoas para formar um novo ser. A máquina é uma reunião de peças montadas que não refletem, tão somente realizam processos digitais, portanto físicos, e não têm capacidade abstrativa.
Nunca irá entender o que seja uma piada, nem rir de uma brincadeira, pois não tem consciência de ser. O processo digital serve apenas para executar um programa definido por um programador – e o fato de a máquina executar procedimentos rápidos não demonstra inteligência. Ela deve ser considerada uma ferramenta adequada ao ser humano, mas não o substitui naquilo que o define como superior na natureza: sua inteligência.
Antigamente, consultava uma enciclopédia em minha estante quando tinha alguma dúvida. Hoje faço o mesmo, apenas com mais facilidade. No entanto, é curioso observar pessoas agradecendo a uma máquina como se fosse uma pessoa inteligente respondendo. Ora, estamos diante de uma ferramenta – e sempre será apenas uma ferramenta, nunca um aumento de inteligência.
Já podemos antever um problema sério – que já se apresenta na nossa realidade – que é a delegação de responsabilidades humanas a sistemas computacionais.
Quero agora tratar da utilização de ferramentas no trabalho cotidiano. Muitas atividades são necessárias, mas isso não as torna intelectivas. Executar tarefas predefinidas – seja um médico aplicando um protocolo, um pedreiro seguindo uma planta, dirigir um automóvel por um trajeto – não implica necessariamente uso da inteligência, mas execução de habilidade aprendida.
Máquinas substituem tais funções justamente porque não exigem inteligência no sentido pleno. Isso evidencia a necessidade de educar o ser humano para desenvolver suas capacidades intelectuais – e não apenas treiná-lo para executar tarefas.
Se a educação não conduz à verdade, o estudante permanece restrito à superficialidade. Ao contrário, quando se desenvolve a capacidade intelectiva, abre-se o acesso à realidade.
Esse desenvolvimento se manifesta naqueles que criam, planejam, inovam – em quem vai além da informação inicial e constrói conhecimento novo. Quando lia livros, iniciava-se um processo intelectivo que não consistia apenas em ler, mas em unir informações e formar algo inédito dentro da alma.
O sistema pedagógico atual parece ignorar essas ideias. Mantém o aluno na superficialidade e não o conduz à reflexão profunda. É necessário educar para a verdade – desenvolvendo inteligência e vontade.
Essa pedagogia não é nova – aliás, é bem antiga. Os gregos já falavam nela ao construírem sua paideia (παιδεία), formando o cidadão com areté (αρετή), enfatizando virtudes como prudência, justiça, temperança e fortaleza.