Você vai ler na coluna de hoje: Calçadistas do Vale do Sinos e do Brasil vendem mais de R$ 102 milhões na maior feira de sapatos do mundo, Shopping TOTAL lança novos espaços em parceria com Grupo Melnick e amplia conexão do empreendimento com a comunidade, O varejo não está mais prevendo o futuro, está operando nele, Fenapro reúne lideranças do mercado publicitário em evento de posse da nova diretoria em São Paulo, Nubank se torna maior banco privado em clientes, Por que Nestlé e Unilever estão separando seus negócios de sorvetes e O alerta que veio de dentro da própria indústria de IA.
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Calçadistas do Vale do Sinos e do Brasil vendem mais de R$ 102 milhões na maior feira de sapatos do mundo
Por DuduNews
A indústria calçadista brasileira voltou da 101ª edição da Micam Milano, em Milão, na Itália, com resultados expressivos e novas portas abertas para o mercado internacional.
Encerrada nesta terça-feira (24), a maior feira de calçados do mundo contou com 71 marcas brasileiras, que abriram 448 novos contatos durante os três dias de evento. No local, foram comercializados 273 mil pares, gerando mais de US$ 8,4 milhões. Somando os negócios alinhavados, a expectativa chega a 1 milhão de pares e US$ 20,4 milhões – convertendo dólares para reais, são mais de R$ 102 milhões.
A participação brasileira foi promovida pelo Brazilian Footwear, programa de incentivo às exportações mantido pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos.
Empresas relataram abertura de mercados na Austrália, Estados Unidos, Japão, Índia, Coreia, Estônia, China, Taiwan, Kuwait, Ilhas Maurício e Singapura. Algumas dessas regiões ainda não eram atendidas por marcas brasileiras. A redução de tarifas para os Estados Unidos também foi apontada como fator positivo, com clientes retomando negociações.
Além dos negócios, o Brasil também ganhou destaque nos desfiles oficiais da feira. Dezessete marcas nacionais tiveram calçados selecionados para a passarela. Entre os destaques do Vale do Sinos está a marca Dinasty, da Calçados Sandra, de Nova Hartz (RS), que participou pela primeira vez da feira e já fechou dois pedidos durante o evento, iniciando uma nova fase de expansão internacional.
Jornada e produtividade: causa ou efeito?
Por José Pastore
Dados recentes mostram que os países que praticam as menores jornadas de trabalho têm alta produtividade. É o caso, por exemplo, da Austrália, da Alemanha e da França, com 32, 34 e 36 horas por semana. Nesses países, um trabalhador produz mais de US$ 70 por hora. No Brasil, apenas US$ 17. Será que isso pode dar um salto se reduzirmos a jornada para 36 horas, trabalhando apenas quatro dias por semana e descansando três? Afinal, com mais descanso, os trabalhadores podem fazer cursos e se qualificar melhor.
A qualificação do trabalhador conta muito na produtividade do trabalho, sem dúvida. Mas está longe de ser o único fator.
Contam muito também a gestão das empresas, o ambiente de trabalho, a tecnologia utilizada, a infraestrutura, a carga de impostos, a segurança jurídica e vários outros fatores que vão muito além da mera qualificação dos trabalhadores.
Ou seja, a produtividade do trabalho é o resultado da conjugação de inúmeros fatores que no Brasil são problemáticos. Temos estradas precárias, armazenamento insuficiente, portos sobrecarregados, energia incerta, burocracia exagerada, sentenças judiciais erráticas, e tantos outros entraves que conspiram contra a produtividade.
Para reduzir a jornada e cancelar uma escala de trabalho é inevitável usar a negociação coletiva
Tal estado de coisas não mudará da noite para o dia ou por força de se trabalhar menos dias por semana. Assim foi também nos países avançados. Essa é a razão que levou aqueles países a dar o passo de acordo com a perna, ou seja, ir reduzindo gradualmente a jornada de trabalho em função de avanços na produtividade e por negociação coletiva entre empregados e empregadores.
Mas não é só isso. As jornadas e as escalas de trabalho são ajustadas também em função da natureza das milhares de atividades do mundo do trabalho. Cada atividade tem suas peculiaridades e exige jornadas e escalas adequadas. Por exemplo, a pecuária de leite exige quebrar a jornada diária em duas partes, pois há uma ordenha de manhã e outra à tarde. A pecuária de corte, ao contrário, requer uma jornada contínua para vigiar o gado que pasta a céu aberto.
Portanto, para reduzir a jornada e cancelar uma escala de trabalho é inevitável usar a negociação coletiva. Não dá para fazer isso por PEC como pretende a deputada Erika Hilton (Psol-SP). O que está em discussão, portanto, não é o mérito da sua proposta, e sim o método.
Shopping TOTAL lança novos espaços em parceria com Grupo Melnick e amplia conexão do empreendimento com a comunidade
O Shopping TOTAL anuncia um projeto de revitalização na área externa do empreendimento. As novidades contemplam a construção de um boulevard e uma nova operação gastronômica de destaque, além da criação de uma praça e nova área de convivência, pet friendly, conectando ainda mais o empreendimento com o bairro, principalmente com a Rua Gonçalo de Carvalho, conhecida como “rua mais bonita do mundo”.
A renovação é realizada em parceria com o Grupo Melnick e foca na expansão das operações, zelando pela conservação ambiental, integração com as belezas naturais e preservação de todas as árvores que compõem a paisagem. Também estão previstas melhorias na via, preservando os paralelepípedos, meios fios e todas as características originais da rua.
“É um dos espaços arborizados de maior destaque de Porto Alegre e reconhecido como um ponto turístico, por isso pensamos na criação de um boulevard, novas operações e novos espaços externos que ofereçam atrações de qualidade às pessoas. Nossa intenção é que a revitalização do shopping ocorra em harmonia com a beleza natural da Gonçalo de Carvalho”, destaca Eduardo Oltramari, Superintendente do Shopping TOTAL.
Outro destaque é que a operação gastronômica será assinada por uma cervejaria, remetendo à história do Shopping TOTAL, que revitalizou e potencializou os prédios de patrimônio histórico originalmente construídos para abrigar uma antiga fábrica de cerveja.
Desde a concepção da proposta e a busca por parcerias, a iniciativa propôs um olhar sensível para o local, buscando formas de integrar o urbano e o ambiente natural em uma iniciativa que sirva ao público e conserve a identidade do bairro. Em razão da característica da região, que é predominantemente residencial, com alto potencial turístico, o objetivo foi criar benefícios urbanísticos e sociais, ao mesmo tempo em que conserva os aspectos ambientais e revitaliza áreas que farão parte do cotidiano dos residentes da região e visitantes.
Neste contexto, o Grupo Melnick foi convidado a participar da revitalização, seguindo o propósito da empresa de transformar Porto Alegre. Esse movimento vai ao encontro do esforço que a Capital faz para renovação do Centro e do Quarto Distrito. A ideia de renovação de um espaço culturalmente tão importante na cidade que já existe há anos e vai fazer o Shopping Total se conectar mais com a cidade.
“Fomos convidados a desenvolver esse projeto em parceria com a intenção de harmonizar a revitalização dos espaços externos do shopping às belezas naturais da região, ampliando o mix de atrações do empreendimento. No espaço livre do estacionamento, teremos um empreendimento imobiliário com unidades residenciais voltadas para famílias. Tudo foi pensado para valorizar ainda mais a Rua Gonçalo de Carvalho, patrimônio cultural e imaterial da cidade, preservando a tradição e a história das árvores (Tipuanas) que foram plantadas há mais de 90 anos por trabalhadores alemães”, destaca o Gerente de Novos Negócios, João Paulo Maria.
Além da preservação de todas as Tipuanas, nome das árvores da rua que darão nome ao empreendimento imobiliário, serão realizadas melhorias na iluminação e nos passeios públicos da via. A revitalização do shopping, com a abertura do boulevard e novas operações previstas já para junho, além da criação dos novos espaços de convívio, irá ampliar a circulação de pessoas e a segurança no entorno.
O varejo não está mais prevendo o futuro, está operando nele
Todo começo de ano, Nova York vira o centro do varejo global. A NRF Retail’s Big Show não é apenas o maior evento do setor, mas também um espaço onde o mercado testa convicções, ajusta expectativas e, às vezes, leva um choque de realidade. Em 2026, sob o tema “The Next Now”, a mensagem foi menos inspiradora e mais prática: a ideia é de que o futuro do varejo não está mais em planejamento. Ele já está rodando em produção.
Estive no evento a convite da Amazon, integrando uma delegação de parceiros estratégicos construída ao longo de 2025, com um objetivo de entender o que realmente vai moldar o comportamento do varejo digital nos próximos anos. A sensação geral foi, digamos, curiosa. Muitas novidades apareceram, de fato, mas o mais relevante foi perceber que várias teses que já vínhamos defendendo, dentro da nossa sede em Maringá, já ganhou escala global. O mercado não está mais discutindo se vai mudar, mas está ajustando como muda.
A inteligência artificial como infraestrutura do varejo
Uma das transformações mais visíveis, sem dúvida, é o papel da inteligência artificial. Se hoje ainda existe quem trate IA como um projeto paralelo, a NRF deixou claro que essa fase ficou para trás. A tecnologia começa a assumir a função de parte da infraestrutura do comércio. Não como algo que “ajuda” a vender, mas como parte da engrenagem que decide estoque, precificação, logística, personalização e atendimento, mostrando que, na prática, o impacto é em eficiência e escala, ou seja, financeiro.
Com o avanço de agentes inteligentes, o consumidor passa a delegar parte das decisões, mudando o que anos atrás entendíamos como a lógica da jornada de compra. Em vez de buscar manualmente, ele pede contexto do que está fazendo ou procurando, como se estivesse conversando com um vendedor numa loja presencial. A tecnologia cruza preço, prazo, reputação e uso, tudo ao mesmo tempo; e a mudança de paradigma é que o consumidor deixa de ter um comportamento de “buscador” para um ambiente de “múltiplas descobertas”, que podem influenciar na compra daquilo que nem ele mesmo sabia que precisava.
As empresas, por sua vez, também passam a operar com agentes para vender, surgindo um comércio mediado por máquinas dos dois lados. Logo, se temos agentes vendendo para agentes, o Google lançou o UCP para padronizar essa comunicação. Para o seller, a provocação que faço é a seguinte: sua operação está estruturada para ser compreendida por uma IA, ou só por um humano navegando no seu e-commerce?
Dados estruturados e integração real entre canais
E aqui aparece um dos maiores desencontros do mercado ao meu ver, pois esse movimento só funciona quando os dados acompanham. Ainda há empresas que tratam dados como planilha, relatório mensal ou dashboard bonito que olha para o passado. O varejo de 2026 opera com comportamento vivo, analisando tempo de hesitação, abandono silencioso, mudança de rota e interação em tempo real. Informações que vão além da sua operação também são uma realidade, como a análise de concorrentes e parceiros. O acesso à informação é abundante, o ponto de reflexão é: como você está estruturando toda essa informação? Não existe IA sem dados estruturados. Pensar no seu catálogo para a IA pode ser um bom pontapé inicial, enquanto você organiza a casa.
Estar em vários canais não resolve nada se eles não funcionam juntos, mostrando um esgotamento do omnichannel feito de forma superficial. O consumidor não separa físico, e-commerce e marketplace, mas enxerga a marca como um todo. Quando a empresa continua organizada de forma separada, o problema surge de diversas formas, seja como atraso, falhas no estoque, até mesmo como comunicação desalinhada e, por fim, na perda de confiança lá da ponta.
Em qualquer canal, o consumidor final não faz uma divisão clara na sua cabeça de “marca no físico” e “marca no digital”; toda estratégia tem que ser fluida intercanais e o cliente tem que estar no centro de tudo, pois, quando ocorre algum atrito ou desgaste, a marca é que perde, e não o canal.
Execução, cultura e previsibilidade como diferencial competitivo
Durante muito tempo, vários sellers cresceram priorizando volume e resolvendo os problemas depois. Esse modelo começa a perder eficiência, mostrando que escalar hoje exige controle operacional, visão financeira por canal, integração logística e leitura clara do comportamento do consumidor. O marketplace deixa de ser apenas um lugar para transacionar e passa a ser um ambiente onde se constrói relacionamento, recorrência e previsibilidade.
Por fim, a NRF mostrou algo que vai além da tecnologia: cultura e conexão. Marcas já não vendem apenas produtos, mas rituais, contexto e recorrência. Social commerce cresce puxado por plataformas como TikTok Shop, lives passam a converter mais e o físico e o digital entram numa zona cinza na qual não competem, se complementam.
E longe de pensar que tudo que eu quis trazer aqui foi mostrar que o “Next Now” trata de futurismo. Na verdade, ele me mostrou que o cerne está na execução. A IA ajuda nas transações meio e não no fim, pois são os humanos que continuam sendo centrais nas relações. Quem insiste em separar tecnologia de cultura, marketing de operação e físico de digital vai sentir mais dificuldade nesse processo.
O varejo de 2026 não premia quem fala melhor sobre o futuro, e sim quem organiza a casa para operar dentro dele: governança, dados e segurança da informação. E isso começa agora.
Fenapro reúne lideranças do mercado publicitário em evento de posse da nova diretoria em São Paulo
A Federação Nacional das Agências de Propaganda (Fenapro) realizou nesta quarta-feira (25/02) evento que marcou a posse da nova diretoria que estará à frente da entidade no biênio 2026-2027. Ao todo, participaram cerca de 70 representantes e líderes da indústria da comunicação no país.
Comandada pela publicitária Ana Celina Bueno, primeira mulher a assumir o cargo de presidente na Fenapro, e pelo publicitário Juliano Brenner Hennemann, presidente do Sistema Nacional das Agências de Propaganda do Rio Grande do Sul (Sinapro-RS), a diretoria conta com um time de diretores que representam as diversas regiões do país. Além de Hennemann (RS) na vice-presidência, a diretoria é composta por Daniel Queiroz (PE), que ocupava a presidência da entidade e assume como diretor de relações institucionais, Alexandre Pedroni (ES), diretor-tesoureiro, e pelos diretores conselheiros Roberto Tourinho (SP), Adriany Bueno (MS) e João Daniel (RN).
“Essa composição da diretoria traz muito da regionalização do Brasil. É importante termos essa diversidade e um olhar mais plural para o setor e as agências dos diferentes portes distribuídas em todo o país, que movimentam a roda da publicidade brasileira. Essa representatividade de diversas regiões nos tornará mais fortes”, afirmou Ana Celina.
Engajada há muitos anos em defesa do movimento associativo, a nova presidente da Fenapro defende a proximidade com todas as entidades da comunicação e da economia criativa para a construção de pautas conjuntas. O evento de posse marcou essa integração, com a presença de Luiz Lara, presidente do CENP (Fórum de Autorregulação do Mercado Publicitário); Marcia Esteves, presidente da ABAP (Associação Brasileira das Agências de Propaganda); Sandra Martinelli, presidente-executiva da ABA (Associação Brasileira de Anunciantes); Juliana Albuquerque, VP-executiva do Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária), além de presidentes de 16 Sinapros e executivos de agências de diversos estados.
“Nossa pauta de trabalho tratará de questões como a rentabilidade das agências, a capacitação empresarial, a universalização do uso da Inteligência Artificial, de forma linear e transversal em todas as áreas das agências, bem como a regulamentação das plataformas digitais e a transição da reforma tributária”, afirmou Ana Celina, ao destacar ainda o foco nas pessoas e no seu bem-estar.
Ela lembrou que, hoje, o Sistema Nacional das Agências de Propaganda representa quase 850 agências associadas e 1,5 mil sindicalizadas, que somam mais de 50 mil colaboradores. “É um mercado importante, que precisa ser cuidado e olhado”, observou. “É preciso defender o modelo de negócio das agências e, ao mesmo tempo, estarmos abertos às transformações do mercado, fortalecendo a publicidade brasileira como um grande produto nacional e de exportação”, concluiu a nova presidente da Fenapro em seu pronunciamento. Fundadora da Acesso Estratégia Criativa, agência com sede em Fortaleza (CE), Ana Celina possui trajetória consolidada no mercado publicitário e atuação em entidades representativas do setor, incluindo o Sinapro-CE e o Conselho Superior do CENP.
Juliano Brenner Hennemann, ao conceder entrevista exclusiva para um portal do trade publicitário durante o evento de posse, destacou o trabalho estruturado e de referência executado pela entidade. “A Fenapro traz as boas práticas de cada estado e elas são replicadas, atuando realmente em ecossistema, ou melhor, como nos ressignificamos: Sistema Nacional das Agências de Propaganda. Ser vice-presidente desse Sistema é um orgulho e uma satisfação imensa, até porque é uma continuidade de uma gestão muito bem-feita liderada pelo Daniel Queiroz com sua diretoria. Tenho certeza de que esses dois anos serão muito potentes e poderosos”, afirmou. Sócio-fundador da SPR, agência com sede no RS criada em 1997, Hennemann tem trajetória consolidada no mercado da propaganda gaúcha e da região Sul, com atuação e representatividade junto a entidades do setor como o Sinapro-RS. Também é professor de pós-graduação e MBA da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e cofundador da Nexo Governança Corporativa.
Entre as lideranças regionais, participaram do evento de posse da nova diretoria os dirigentes dos Sinapros da Bahia, do Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Pernambuco, Paraná, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe.
Nubank se torna maior banco privado em clientes
Por Meio & Mensagem
A Nu Holdings Ltd. divulgou nesta terça-feira, 25, os resultados do quarto trimestre e do ano de 2025, reportando crescimento de base, avanço de monetização e lucro líquido histórico. A companhia encerrou o ano com 131 milhões de clientes — 17 milhões adicionados em 2025 — e receita média mensal por cliente ativo (Arpac) de US$ 15 no período.
A receita trimestral atingiu US$ 4,9 bilhões, enquanto o lucro líquido no quarto trimestre somou US$ 894,8 milhões. No acumulado de 2025, o lucro chegou a US$ 2,9 bilhões, com ROE de 33%. Segundo David Vélez, fundador e CEO, o desempenho reflete “crescimento disciplinado com lucratividade consistente”, apoiado por alavancagem operacional e gestão de risco.
No Brasil, o banco afirma ter se tornado a maior instituição financeira privada em número de clientes, com 113 milhões. No México, a operação atende 15% da população adulta e lidera a emissão de novos cartões de crédito. A companhia também destacou avanços em IA, incluindo a aplicação do modelo nuFormer na concessão de crédito e o uso de inteligência artificial no PIX, que superou dez milhões de usuários ativos mensais.
Para 2026, o Nubank indica foco em consolidar liderança na América Latina e avançar na estratégia internacional, após solicitar licença bancária nos Estados Unidos e receber aprovação condicional do órgão regulador americano.
Por que Nestlé e Unilever estão separando seus negócios de sorvetes
No ultimo resultado anual divulgado pela Nestlé, a multinacional anunciou a venda operação de Sorvetes para a Froneri nos países onde isso ainda não foi feito. Em 2024, outra gigante multinacional, a Unilever também anunciou a separação do seu negócio de sorvetes. O que pode estar por trás dessas decisões?
Por trás dessas decisões está um redesenho estratégico que prioriza foco no core business e simplificação de portfólio. O mercado de sorvetes, embora relevante em receita e marcas, possui uma complexidade logística própria, a chamada “cadeia do frio”, além de uma sazonalidade que exige agilidade e investimentos muito específicos.
“Separar essas divisões permite que as operações de sorvetes ganhem autonomia na gestão, velocidade na inovação e maior eficiência na distribuição, garantindo que o negócio receba a atenção e os recursos necessários para competir em um mercado cada vez mais dinâmico”, afirma Martin Eckhardt, presidente da Associação Brasileira do Sorvete e Outros Gelados Comestíveis (Abrasorvete).
Para Cristina Souza, CEO da Tanjerin, esse movimento também está ligado à racionalização de ativos industriais e à alocação mais eficiente de capital. “As grandes indústrias de alimentos vêm se desfazendo de fábricas de sorvetes porque, em muitos casos, esses ativos deixaram de ser estratégicos ou eficientes dentro do portfólio. A operação de sorvetes costuma exigir alto investimento e manutenção (equipamentos específicos, utilidades e cadeia de frio), além de demandar capital que poderia ser direcionado para categorias com retorno mais previsível e menor complexidade industrial”, afirma.
Cristina acrescenta que a estrutura econômica do setor impõe desafios adicionais às indústrias, como a sazonalidade, que gera subutilização em períodos de baixa e gargalos no pico, e a volatilidade de custos (insumos, embalagens e energia), que nem sempre é repassada integralmente, comprimindo margens e aumentando o risco.
“Muitas empresas estão migrando para modelos mais asset-light, terceirizando a produção com co-manufacturers para ganhar flexibilidade de volume e mix, reduzir imobilização de capital e simplificar a operação”, destaca.
Categoria avança como negócio independente
De acordo com Eckhardt, o sorvete vem se consolidando como uma categoria autônoma e de alto valor agregado, e não apenas como um “braço” de grandes conglomerados de alimentos diversificados.
“Isso pode gerar um mercado mais competitivo, com maior diversidade de produtos e novas frentes de investimento em sustentabilidade e saudabilidade. Para o setor no Brasil, esse movimento reforça a importância da nossa indústria como um pilar estratégico do varejo de alimentos, mostrando que o sorvete é um negócio robusto o suficiente para caminhar com as próprias pernas”, destaca.
Consumo no Brasil
A pesquisa da Abrasorvete revelou que o consumo médio anual de picolé no Brasil é de 3,19 litros por pessoa, ou cerca de 45 unidades por ano. Já o sorvete de massa registra consumo médio de 5,94 litros anuais. Considerando todos os formatos, o estudo indica consumo total de 9,1 litros de sorvete por pessoa ao ano.
As regiões que mais consomem sorvete são:
São Paulo: 20%
Minas Gerais: 9,87%
Rio de Janeiro: 9,73%
Segundo o levantamento, 25,20% dos consumidores têm entre 25 e 34 anos, indicando que o sorvete é consumido por diversas faixas etárias. O formato mais popular é o sorvete de massa, com 73,47% de preferência, seguido por picolé, com 13,20%, e soft (casquinhas de fast food), com 10,93%.
Os principais motivos para o consumo de sorvete são sobremesa, para 64,40% dos consumidores; durante passeios, para 60,27%; e como lanche, para 21,20%. Além disso, 66,53% afirmam que o clima influencia a decisão de compra, enquanto 33,47% não consideram a temperatura.
Quanto aos locais de compra, as sorveterias lideram, com 69,6%, seguidas pelos supermercados, com 54,8%, e por cafeterias, geladeiras e restaurantes e cafés, com 28,13%.
Eckhardt explica que o mercado brasileiro de sorvetes tem mostrado maior resiliência e amadurecimento, deixando de ser um País que consome sorvete apenas como sobremesa de verão para incorporá-lo como um alimento de indulgência ao longo de todo o ano.
“Quando grandes players decidem dar independência às suas unidades de sorvete, é um sinal de que enxergam o potencial de expansão e rentabilidade do setor no Brasil, que ainda tem uma margem de crescimento de consumo per capita muito grande em comparação a outros países”, completa.
Mercado Livre perde o posto de empresa mais valiosa da América Latina; veja o ranking
Por Bruno Nogueira
Mercado Livre perdeu posto para empresas brasileiras
O Mercado Livre, gigante do e-commerce, perdeu o posto de empresa mais valiosa da América Latina com a valorização da Petrobras e do Itaú Unibanco, posição que ocupava desde agosto de 2024. Os dados são de um levantamento da Elos Ayta consultoria, com valores do fechamento da última segunda-feira (23).
No final do ano passado, o Mercado Livre era avaliado em US$ 102 milhões, cerca de R$ 524,6 milhões. Até a última segunda-feira, a empresa acumulava uma desvalorização de 7,8% em 2026, caindo para US$ 94,5 milhões (R$ 486,05 milhões).
Já no caso da Petrobras, o valor de mercado saiu de US$ 74,5 milhões para US$ 100 milhões, ou aproximadamente R$ 514 milhões na cotação atual, uma valorização de 34%. Em relação ao Itaú Unibanco, o crescimento foi na ordem de 28%, saindo de US$ 75,6 milhões para US$ 97 milhões (R$ 498,9 milhões).
Segundo o especialista Einar Riveiro, da Elos Ayta, o movimento marca uma inflexão clara no eixo de valor da região. “Se nos últimos anos a narrativa dominante apontava para a supremacia das plataformas digitais, o início de 2026 mostra uma volta, ainda que parcial, ao protagonismo dos setores tradicionais, especialmente energia e sistema financeiro”, explicou.
No top 10 de empresas mais valiosas da região, cinco são brasileiras, com BTG Pactual, Vale e Ambev completando a lista. O especialista cita a valorização do real como um fator decisivo para o aumento do valor de mercado das companhias nacionais.
“A desvalorização de 6,16% do dólar em 2026 inflou automaticamente os valores de mercado quando convertidos para a moeda americana, amplificando a percepção de ganho de valor das empresas listadas na B3. O resultado é uma mudança silenciosa, porém profunda, na hierarquia corporativa latino-americana”, disse.
Veja o ranking de empresas mais valiosas (US$ Milhões)
Petrobras Brasil 74.559 100.866
Itaú Unibanco Brasil 75.639 97.792
Mercado Libre Argentina 102.117 94.523
GMexico México 73.533 92.685
Nu Holdings Ilhas Cayman 80.664 78.014
Btgp Banco Brasil 58.654 74.177
Vale Brasil 55.827 72.247
América Movil México 62.343 71.938
Wal Mart México 53.919 57.623
Ambev S/A Brasil 39.336 48.965
O alerta que veio de dentro da própria indústria de IA
O aviso mais contundente sobre os riscos da inteligência artificial não partiu de políticos nem de órgãos reguladores, mas de um dos principais nomes por trás dessa revolução tecnológica. Dario Amodei, CEO da Anthropic, responsável pelo sistema Claude, afirmou publicamente que o mundo não está preparado para o impacto das ferramentas que sua própria empresa desenvolve.
Em entrevistas recentes, Amodei comparou o avanço da IA a um tsunami já visível no horizonte e criticou a falta de preparo de governos, instituições e da sociedade para lidar com a velocidade das transformações. Segundo ele, sistemas capazes de superar humanos em diversas tarefas intelectuais podem surgir até 2027, com potencial para provocar uma das maiores mudanças econômicas e sociais em um século.
O executivo avalia que a automação não ficará restrita a funções isoladas. Fluxos completos de trabalho intelectual, como engenharia de software do projeto à implementação, tendem a ser executados por sistemas de IA em um futuro próximo. Setores baseados em conhecimento, entre eles direito, finanças, consultoria e pesquisa científica, aparecem entre os mais expostos.
O alerta ganha relevância por vir de dentro da própria indústria. Ao ser questionado pelo jornalista Anderson Cooper no programa 60 Minutes sobre quem teria legitimidade para tomar decisões capazes de remodelar a economia global, Amodei reconheceu a ausência de governança internacional efetiva sobre o tema. Ele também demonstrou preocupação com a concentração de poder tecnológico em um número reduzido de empresas.
Em textos recentes, o CEO descreve uma escalada de riscos associados à IA. No curto prazo, aponta problemas como desinformação e vieses algorítmicos, já observados atualmente. No médio prazo, menciona a possibilidade de sistemas produzirem conhecimento sensível ou perigoso. No longo prazo, levanta o risco de perda de autonomia humana diante de tecnologias altamente autônomas.
A avaliação reforça a percepção de que a inteligência artificial deixou de ser uma promessa distante e passou a atuar como força imediata de reorganização econômica. Após os primeiros impactos no setor de software, outras áreas intensivas em trabalho intelectual podem enfrentar mudanças profundas nos próximos anos.
Quando o alerta parte de um dos arquitetos dessa transformação, o debate deixa de ser especulativo e passa a ocupar o centro das decisões estratégicas de governos e empresas.