Você vai ler na coluna hoje: Rádio e Mercado em Sintonia estreia no RS com foco em tendências e resultados, Meta deve ultrapassar o Google em receita publicitária pela primeira vez, HOC assina campanha de Dia das Mães da Lojas Pompéia e reforça proposta de felicidade da marca, ARP celebra 70 anos com campanha sobre reinvenção da propaganda, Mercado de luxo estratégico, sustentabilidade e integração da cadeia marcam a programação do Inside Fashion Business
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Rádio e Mercado em Sintonia estreia no RS com foco em tendências e resultados
Por Rádio e Mercado POA
A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT) e a Associação Gaúcha de Emissoras de Rádio e Televisão (AGERT) realizarão, na quinta-feira (30), das 8h30 às 11h30, o seminário “Rádio & Mercado em Sintonia”, no Espaço Caldeira, em Porto Alegre (RS), A edição no Rio Grande do Sul será a primeira de uma série de encontros regionais, que reunirá personalidades da publicidade, anunciantes e radiodifusores em painéis que debaterão tendências, indicadores, oportunidades e a força do rádio na construção de resultados concretos para marcas e negócios.
Meta deve ultrapassar o Google em receita publicitária pela primeira vez
Por Carlos Merigo
Por duas décadas, o Google dominou a publicidade digital. Em 2026, pela primeira vez, deve perder o topo.
A projeção é da eMarketer: US$ 243,5 bilhões em receita publicitária global para a Meta em 2026, contra US$ 239,5 bilhões do Google. Em participação de mercado, 26,8% contra 26,4%.
Só que o Google não está encolhendo. Cresce 11,9% ao ano, número que em qualquer outro contexto seria excelente. O problema é que a Meta cresce a 24,1%, com um motor que tem nome: IA aplicada a recomendação de conteúdo, automação de compra de mídia e geração de criativos.
Por duas décadas, o Google dominou a publicidade digital. Em 2026, pela primeira vez, deve perder o topo.
A projeção é da eMarketer: US$ 243,5 bilhões em receita publicitária global para a Meta em 2026, contra US$ 239,5 bilhões do Google. Em participação de mercado, 26,8% contra 26,4%.
Só que o Google não está encolhendo. Cresce 11,9% ao ano, número que em qualquer outro contexto seria excelente. O problema é que a Meta cresce a 24,1%, com um motor que tem nome: IA aplicada a recomendação de conteúdo, automação de compra de mídia e geração de criativos.
O Reels superou US$ 50 bilhões de receita anual. O Advantage+, sistema automatizado de compra de mídia da Meta, está em US$ 60 bilhões. As ferramentas de geração de vídeo por IA bateram US$ 10 bilhões só no Q4 de 2025. Impressões de anúncios subiram 18% ano a ano. Preços subiram 6%. Receita por usuário quase dobrou em cinco anos.
“A questão para a grande maioria dos anunciantes não é se devem gastar dinheiro nos apps da Meta — é quanto devem gastar”, disse Max Willens, analista da eMarketer.
Google continua crescendo, só que mais devagar, e com um problema estrutural que ele mesmo criou. O YouTube Premium tem 125 milhões de assinantes pagantes. São 125 milhões de pessoas que o Google não consegue monetizar com anúncios. A diversificação do negócio virou limitador de crescimento publicitário.
Tem também a pressão na busca. A participação do Google nos EUA deve cair abaixo de 50% pela primeira vez em mais de uma década. TikTok, Instagram e ferramentas de IA estão mudando como as pessoas procuram coisas e o Google não está do lado certo dessa mudança.
O risco que paira sobre a Meta é de outra natureza. Um juiz está avaliando proibir a rolagem infinita como remédio antitruste. Se implementado, isso reduz diretamente o tempo que os usuários passam nos apps e, por consequência, o inventário publicitário disponível. “Milhões de pessoas entram num transe de rolagem nesses apps. Se isso se tornasse impossível, criaria um problema enorme para a Meta e seus anunciantes”, disse Willens.
Por que importa: A virada Meta-Google é mais do que uma troca de liderança num ranking. É a validação de duas apostas diferentes sobre o que a publicidade digital é. O Google construiu seu império vendendo intenção: você busca algo, recebe anúncio relacionado. A Meta construiu o seu vendendo atenção: você está no feed, um anúncio aparece no meio. Por anos, intenção valia mais, só que a IA mudou o cálculo: quando o algoritmo consegue prever o que você vai querer antes de você procurar, atenção vira o ativo mais valioso. E ninguém tem mais atenção do que o ecossistema Meta no momento.
A ironia de fundo é que o Google está perdendo a corrida publicitária em parte porque fez a coisa certa. Diversificou receita, construiu um negócio de assinaturas robusto, investiu em produtos que não dependem de anúncio. Mas cada assinante do YouTube Premium é inventário que desaparece. A Meta, por outro lado, apostou tudo em atenção monetizável. Quando IA turbinou a retenção, o efeito foi multiplicador.
HOC assina campanha de Dia das Mães da Lojas Pompéia e reforça proposta de felicidade da marca
Por HOC
Com o conceito “Felicidade é ver você feliz”, agência traduz afeto em estratégia criativa e posiciona a marca como destino de presentes acessíveis e cheios de significado
Campanha ressalta a moda como ligação entre mãe e filhas
Porto Alegre, abril de 2026 – No Dia das Mães 2026, a Lojas Pompéia dá mais um passo na consolidação de seu território de felicidade com uma campanha que conecta emoção e estratégia comercial. Desenvolvida pela HOC, agência especializada em estratégias criativas, a comunicação parte do conceito “Felicidade é ver você feliz” para transformar o ato de presentear em uma expressão genuína de afeto, reforçando a marca como o lugar ideal para encontrar opções acessíveis e versáteis para todas as mães.
A campanha traz como protagonistas Manuela e Gabriela Bordasch, ao lado da mãe, Verônica Bordasch. Manuela é uma das idealizadoras do Steal The Look e referência nacional em moda, já Gabriela é comunicadora, com uma trajetória ligada ao universo fashion e ao jornalismo.
As duas cresceram influenciadas pela mãe, que sempre teve a moda como forma de expressão. O filme principal acompanha momentos de styling, trocas de looks e interações espontâneas entre as três, revelando diferentes perspectivas sobre felicidade a partir da vivência entre mãe e filhas.
Além do filme principal, a campanha se desdobra em conteúdos complementares que aprofundam essa conexão. Em vídeos individuais, Manu e Gabi compartilham memórias e referências que marcaram suas trajetórias, enquanto o conteúdo especial “Missão: fazer ela feliz” propõe um desafio afetivo: montar looks para a mãe conectando cada escolha a histórias e características pessoais. A estratégia contempla um ecossistema completo de mídia, com presença em TV, redes sociais, OOH e outros pontos de contato.
Para a HOC, o principal desafio foi equilibrar a construção emocional da narrativa com os objetivos comerciais do cliente: comunicar variedade e moda acessível, sem perder a autenticidade da história. A solução foi ancorar a campanha em uma verdade humana potente, usando a moda como linguagem para expressar cuidado, proximidade e identidade.
Nosso papel foi traduzir o território de felicidade da Pompéia em uma história real, que gerasse identificação imediata com o público. A escolha da família Bordasch trouxe essa verdade de forma muito natural, permitindo que o discurso comercial estivesse inserido em uma narrativa emocional forte, sem parecer forçado, afirma Lara Piccoli, CEO da HOC.
ARP celebra 70 anos com campanha sobre reinvenção da propaganda
A Associação Riograndense de Propaganda (ARP) lança oficialmente, em evento para o mercado, a campanha que celebra seus 70 anos de atuação. Com o conceito “Mais Vivos do que Nunca”, a iniciativa foi criada pela agência Escala, vencedora do “Desafio ARP”, e propõe uma reflexão provocativa sobre a constante reinvenção da atividade publicitária.
Partindo de um debate recorrente — a suposta “morte da propaganda” —, a campanha ressignifica essa narrativa ao evidenciar a capacidade do setor de se adaptar e evoluir ao longo das décadas. “Se a propaganda morresse mesmo, a gente não estaria há décadas anunciando o fim dela. Cada ‘morte’ sempre foi só o começo de uma nova fase”, afirma Roberto Lopes, Sócio e Diretor Executivo de Criação da Escala. “Essa campanha de 70 anos da ARP não é sobre o passado. É uma provocação sobre o presente. Um chamado para que o mercado responda, na prática, que está vivo e pronto para transformar momentos de incerteza em um futuro cheio de possibilidades.”
Com forte apelo visual e narrativo, o filme — peça central da campanha — nasce de um processo criativo que combina direção humana e inteligência artificial como ferramenta de produção, reforçando o diálogo entre tradição e inovação que norteia o projeto. A escolha estética contribui para traduzir, em linguagem contemporânea, o espírito de transformação contínua da indústria.
“Esta campanha nasce de um esforço coletivo. A Escala, como vencedora do nosso Desafio de 70 anos, se envolveu profundamente na construção da ideia a partir de um briefing claro e necessário para tudo que estamos vivendo no mercado. Além, claro, das produtoras que abraçaram o projeto com o mesmo nível de comprometimento e sensibilidade, mostrando que nosso mercado está mais vivo e forte do que nunca. O filme é resultado dessa soma de talentos, capacidade de colaborar, criar e entregar relevância.” reforça Fernando Silveira, presidente da ARP.
Além do filme, a campanha terá presença multiplataforma, com veiculação em mídia externa, rádio, televisão, jornal e ambientes digitais, ampliando o alcance da mensagem e reforçando a relevância da publicidade em diferentes pontos de contato.
Mercado de luxo estratégico, sustentabilidade e integração da cadeia marcam a programação do Inside Fashion Business
Por Gouvêa
Executivos discutem transformação do varejo de moda, novos modelos de consumo, experiência e comportamento do consumidor, mais volúvel e vulnerável.
A programação da tarde do Inside Fashion Business, promovido pela Gouvêa Experience no último dia 27, no auditório da TOTVS, aprofundou os debates sobre a transformação do setor de moda e varejo, com destaque para o avanço da inteligência artificial, o reposicionamento do luxo, a evolução do comportamento do consumidor e a crescente necessidade de integração entre os elos da cadeia.
A abertura foi conduzida por Roberta Andrade, sócia-diretora da Friedman, que abordou como a IA vem redesenhando estruturas organizacionais, automatizando processos e exigindo novas competências em um varejo cada vez mais orientado por dados e eficiência.
Na sequência, Mariana Santiloni, Head de Client Engagement LATAM da WGSN, apresentou uma análise sobre o futuro do luxo como estratégia de portfólio, destacando que marcas devem deixar de apenas reproduzir produtos icônicos e passar a utilizá-los como base para inovação e geração de valor no longo prazo.
Entre os dados apresentados, chamou atenção o fato de que 52% dos consumidores brasileiros de luxo adquiriram itens de segunda mão nos últimos 12 meses, reforçando a percepção desses produtos como ativos e não apenas como consumo. A executiva também destacou novos códigos de status ligados à autenticidade, além da importância da exclusividade, da construção de comunidade e da relevância cultural, citando cases de marcas como Rolex e Valentino.
Outro destaque foi a participação de Carima Orra, fundadora da Doha, que apresentou o crescimento da moda modesta, segmento que movimenta US$ 327 bilhões globalmente e pode alcançar US$ 433 bilhões até 2028. Criada em São Paulo, a marca surgiu para atender a uma demanda por roupas com maior cobertura, aliando funcionalidade, conforto e estilo, e reflete um movimento mais amplo de consumo orientado por propósito, pertencimento e identidade.
No painel sobre o consumidor orientado por valor, mediado por Roberto Wajnsztok, executivos destacaram a mudança estrutural nas estratégias de mercado. Daniel Milaré, Head of Retail do Grupo Dass, ressaltou a transição do marketing de massa para modelos baseados em personalização e co-criação, afirmando que, na era da inteligência artificial, a vantagem competitiva está na capacidade de compreender profundamente o consumidor e transformar esse entendimento em sistemas consistentes de entrega de valor.
Já Daniel Soares, CCO da Dafiti, apresentou a escala da operação da companhia, com mais de 50 milhões de sessões mensais, um centro logístico de cerca de 45 mil m² e mais de 15 anos de atuação na América Latina, destacando iniciativas como inteligência híbrida, automação de campanhas — que reduz o tempo de lançamento para horas — e monetização de mídia. Na mesma linha, Gabriela Silvarolli, diretora de Marketing da Corello, reforçou que o consumidor atual não escolhe apenas produtos, mas histórias e experiências, destacando o papel da loja física como espaço de conexão emocional, construção de marca e geração de valor.
A agenda seguiu com o painel sobre sustentabilidade, que apresentou dados concretos de impacto e escala. Maria Augusta Bottino, diretora de Sustentabilidade da Alpargatas, destacou que a companhia produz cerca de 10 pares de Havaianas por segundo, está presente em mais de 350 mil pontos de venda e mantém 650 pontos de coleta, além de parcerias com 50 cooperativas que impactam mais de 3.200 famílias.
Já Ticiana Abreu, diretora de Sustentabilidade da Riachuelo, ressaltou que 86% das matérias-primas utilizadas já são sustentáveis e que 63% da produção é nacional, com forte atuação no Nordeste. Bruna Vasconi, fundadora da Peça Rara, destacou o crescimento da moda circular no país, com uma rede de 130 lojas, mais de 400 mil fornecedores cadastrados e cerca de 6 milhões de peças movimentadas em 2025, reforçando que esse modelo representa uma transformação estrutural no consumo.
No painel sobre espaços físicos, tecnologia e serviços, Silvina Mirabella, da EssilorLuxottica, abordou sua operação com cerca de 1.600 lojas no Brasil e a necessidade de adaptação a um consumidor hiperconectado, que demanda experiências personalizadas e integração entre canais. Eduardo Souza, CEO da PatBO, reforçou a importância do serviço como diferencial competitivo, com vendedores atuando como consultores e lojas sendo utilizadas como mídia e espaço de experiência.
O encerramento reuniu Marcos Gouvêa, Edmundo Lima, diretor executivo da ABVTEX; Cinthia Kim, presidente da ABIV; Juliano Oria, CEO da Loungerie; Fabio Vasconcelos, presidente da Calvin Klein; e Daniela Valadão, managing director da Pandora, que discutiram a integração como caminho para ganho de competitividade, eficiência e escala em um setor cada vez mais pressionado por custos e concorrência internacional.
Cinthia Kim, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Vestuário (ABIV), destacou a importância da integração para enfrentar desafios estruturais. A integração é crucial para que o setor encontre formas de se reinventar, melhorar sua performance e se diferenciar, especialmente diante da concorrência dos produtos importados. As associações têm papel fundamental nesse processo. Hoje, a maior barreira não é técnica, mas cultural. Ainda existe uma mentalidade muito competitiva dentro dos próprios elos, quando o ganho real está no coletivo. Precisamos nos enxergar cada vez mais como parceiros e consultores mútuos. Isso vale, inclusive, entre players do mesmo elo da cadeia. O próximo passo é transformar essas conversas em ações práticas, como grupos de trabalho, projetos-piloto e trocas estruturadas de informações. A integração não vai acontecer de forma espontânea: ela precisa ser construída, afirma.
O encontro reforçou que o futuro da moda no Brasil passa pela combinação de tecnologia, escala, propósito e colaboração entre todos os elos da cadeia.