Você vai ler na coluna de hoje: CazéTV, Globo, SBT e N Sports marcam 100 dias para Copa 2026 com programação especial, Mulheres no comando: Bianca Coimbra e a ascensão da Lynv no mercado de bebidas naturais, Gen Z assume protagonismo nas marcas e está criando novas estratégias de comunicação, Pico de vendas no Dia do Consumidor pode pressionar estruturas de atendimento, Especialista aponta sete dicas de como consolidar o WhatsApp como infraestrutura de vendas e atendimento, Cinco estratégias acessíveis para PMEs transformarem a experiência do cliente em vantagem competitiva, O problema do Washington Post não é o jornalismo, é justamente o oposto, O novo calendário do varejo e como isso mudou a forma como consumimos e Nem toda mudança é ruptura.
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CazéTV, Globo, SBT e N Sports marcam 100 dias para Copa 2026 com programação especial
Por Redação Máquina do Esporte
Nesta terça-feira (3) será comemorado o marco de 100 dias para o início da Copa do Mundo de 2026, que será disputada nos Estados Unidos, Canadá e México.
Para destacar a data, CazéTV, Globo, SBT e N Sports, detentoras dos direitos de transmissão do Mundial da Fifa no Brasil, prepararam programações especiais com conteúdos voltados ao torneio e à seleção brasileira.
CazéTV
Na CazéTV, única emissora que exibirá todos os 104 jogos do próximo Mundial, a programação começará com uma live às 17h (horário de Brasília), comandada por Casimiro Miguel, que reagirá aos 100 gols mais marcantes da história da seleção brasileira em Copas do Mundo.
O conteúdo reúne lances de diferentes gerações e busca revisitar momentos importantes da trajetória da equipe nacional.
Após a exibição dos gols, a emissora transmitirá três edições do Recopa. Os jogos escolhidos foram Brasil x Inglaterra, da Copa de 1970; Brasil x Gana, de 2006; e a final entre Itália e França, também em 2006. Cada partida será apresentada como forma de aquecer o público para o clima do Mundial.
A iniciativa faz parte das ações da CazéTV para engajar os torcedores na reta final de preparação para a Copa do Mundo de 2026.
Globo
Na Globo, o marco de 100 dias será tema nas diferentes plataformas do grupo. No Globo Esporte, o correspondente Guilherme Pereira apresentará mais um episódio da série “As Caras da Copa”, direto de Nova York. Durante a competição, Luis Roberto será o narrador dos jogos da seleção brasileira na TV Globo.
No Sportv, a cobertura começará cedo, às 8h30, com o Sportv News. O canal seguirá com debates no Redação Sportv, que trará uma lista das principais candidatas ao título e um termômetro sobre os jogadores da seleção brasileira. À tarde, o Seleção Sportv analisará o ciclo das seleções e projetará os convocados do técnico Carlo Ancelotti.
A GeTV também participará da programação especial com o Tropa GeTV, às 18h, debatendo opções para o ataque da seleção brasileira.
A cobertura digital inclui reportagens no GE.Globo sobre a disputa por vagas na equipe nacional, os adversários do Brasil na fase de grupos (Marrocos, Haiti e Escócia) e a procura por ingressos.
A Copa do Mundo começará no dia 11 de junho, com México x África do Sul, no Estádio Azteca, na Cidade do México. O Brasil estreará no dia 13, contra Marrocos, no MetLife Stadium, em Nova Jersey.
SBT e N Sports
SBT e N Sports, que transmitirão em parceria 32 jogos da Copa do Mundo de 2026, também prepararam conteúdos especiais para marcar a data. O SBT estreará nesta segunda-feira (2) o programa Galvão FC, que falará do Mundial da Fifa, entre outros temas.
O programa será reexibido às terças-feiras, às 22h, na N Sports, em suas plataformas de FastTV, TV por assinatura e no YouTube.
O canal, que tem Galvão Bueno como um dos sócios, também terá dinâmicas especiais no programa Deu Jogo, apresentado por Wallace Neguerê, exibido de segunda a sexta, às 18h.
Na grade da programação desta terça-feira (3), a emissora também exibirá reportagens e vídeos gravados nos Estados Unidos com curiosidades e informações sobre a Copa do Mundo, as cidades-sede e as seleções participantes da competição.
Mulheres no comando: Bianca Coimbra e a ascensão da Lynv no mercado de bebidas naturais
Com a proximidade do Dia Internacional da Mulher, celebrado no dia 08 de março, o avanço feminino no empreendedorismo brasileiro já não é apenas uma tendência, mas uma força consolidada da economia. Entre 2012 e 2024, o número de mulheres à frente de negócios cresceu 42%, somando 10,4 milhões de empreendedoras no país, segundo o Data Sebrae. Esse protagonismo se projeta também para os próximos anos: elas representam 54,6% dos brasileiros que pretendem empreender até 2026, de acordo com o Monitor Global de Empreendedorismo (GEM 2023). É nesse cenário que se insere a trajetória de Bianca Coimbra, 35 anos, fundadora e CEO da Lynv, marca brasileira de água de coco 100% integral que vem ganhando espaço no mercado de wellness e já alcançou valuation estimado em R$ 30 milhões, além de se preparar para ampliar seu portfólio com o lançamento de uma nova geração de produtos voltados ao segmento.
O diferencial da Lynv está no controle rigoroso da cadeia produtiva, ainda pouco comum no setor. Enquanto o mercado é dominado por versões padronizadas, concentradas ou reconstituídas, que passam por diluições, recomposição e ajustes industriais de sabor, a marca segue o caminho oposto. Sua formulação leva apenas água de coco e vitamina C, antioxidante natural, sem misturas ou o uso de metabissulfito, conservante amplamente utilizado para evitar o escurecimento da bebida, atributos cada vez mais valorizados por consumidores atentos à origem do que consomem.
“Nosso maior desafio nunca foi só lançar um produto, mas educar o consumidor sobre o que ele está levando para casa. Quando a informação fica clara, a escolha se torna natural”, afirma Bianca.
Criada em Santos (SP), à beira-mar e em uma família de comerciantes, a empresária cresceu tendo a água de coco fresca como referência cotidiana. Essa memória afetiva ganhou contornos de negócio em 2023, quando, durante uma temporada em Miami, ela foi apresentada à proposta de desenvolver uma água de coco premium brasileira com potencial global. “Embora o Brasil seja líder na produção de coco, poucas marcas conseguem preservar origem, frescor e rastreabilidade em escala. Foi nessa lacuna que identifiquei a oportunidade”, explica Bianca.
Fundada no mesmo ano, a Lynv nasceu com investimento inicial de R$ 2 milhões e avançou rapidamente no varejo físico e digital. Em pouco mais de um ano, a marca conquistou presença nas principais redes do país e atingiu valuation estimado em R$ 30 milhões, consolidando atuação em São Paulo e no Rio de Janeiro.
O plano de crescimento segue acelerado. A empresa prepara expansão para Espírito Santo, Minas Gerais e Santa Catarina e tem no radar a entrada nos mercados dos Estados Unidos e da Europa nos próximos dois anos, acompanhando a demanda global por bebidas funcionais naturais.
Ao unir experiência institucional, domínio de branding e conexão com audiências digitais, Bianca Coimbra se firma como um dos nomes emergentes do novo empreendedorismo brasileiro, representando uma geração de mulheres que transforma vivência e propósito em negócios escaláveis e de longo prazo.
Gen Z assume protagonismo nas marcas e está criando novas estratégias de comunicação
A Geração Z deixou de ser apenas público-alvo para se tornar protagonista na construção das marcas. Segundo dados do Fórum Econômico Mundial, jovens nascidos entre 1997 e 2012, devem representar 58% da força de trabalho global até 2030. Esse perfil, promove uma transformação na forma como as empresas se posicionam, comunicam e constroem visibilidade, tornando-se curadores de tendências, criadores de conteúdo e agentes ativos na construção da reputação das empresas.
Para Caroline Jurdi, CEO e fundadora da CJ Hub, agência de Marketing as a Service, que é formada 100% por profissionais da Geração Z, antes as marcas investiam em campanhas publicitárias unidirecionais, hoje o diálogo é constante, descentralizado e orientado por comunidades. “Plataformas não são apenas canais de divulgação, mas ambientes de construção de narrativa, reputação e identidade. O discurso institucional mudou para uma linguagem mais próxima, com humor e interação em tempo real”, comenta Jurdi.
Segundo a CEO, três pontos são fundamentais para que as organizações alcancem sucesso nesse cenário, que são:
Cocriação com comunidades: as campanhas deixam de ser desenvolvidas de forma isolada e passam a ser construídas em conjunto com comunidades digitais, sendo testadas, ajustadas e validadas continuamente para gerar relevância e engajamento. “Como por exemplo uma marca esportiva lançar edições colaborativas com atletas, integrando a construção da identidade do produto”, comenta Jurdi.
Velocidade e adaptabilidade: tendências surgem e desaparecem em questão de horas, as marcas precisam reagir quase instantaneamente, ajustando campanhas e conteúdos para permanecerem relevantes e conectados ao público.
Narrativas multiplataforma: cada canal possui sua própria linguagem e dinâmica, os conteúdos são estrategicamente desenvolvidos para circular organicamente. “A marca pode contar uma história central e desdobrar em diferentes formatos, como vídeo, podcast, redes sociais e eventos”, exemplifica a CEO.
Influenciadores como parceiros estratégicos: a participação vai além da promoção de produtos, eles colaboram na criação de conteúdos, ajudam a moldar a narrativa da marca e fortalecem a conexão com nichos específicos.
Segundo Jurdi, a nova estratégia combina análise de dados em tempo real com leitura cultural. “Métricas tradicionais como alcance e impressões mudam para indicadores mais profundos, que medem engajamento qualitativo, retenção de atenção e participação ativa da audiência, refletindo de forma mais precisa o impacto real das campanhas. Além disso, as organizações passam a atuar como curadoras de experiências, criando espaços de pertencimento, seja por meio de eventos híbridos, collabs ou ativações digitais”, diz.
A Geração Z não quer apenas consumir marcas, e sim, cocriar, questionar e transformar. Ao assumir posições estratégicas em agências e departamentos de marketing, redefinem o branding para menos centrado na publicidade tradicional e mais focado em cultura, comunidade e conversa contínua.
Pico de vendas no Dia do Consumidor pode pressionar estruturas de atendimento
O Dia do Consumidor, celebrado em 15 de março, consolidou-se como uma das principais datas do calendário do comércio brasileiro. Para 2026, a expectativa é de crescimento no volume de vendas, impulsionado por campanhas promocionais e pela ampliação dos canais digitais de compra. Com mais pedidos, aumenta também o fluxo de contatos ao longo da jornada de compra, o que coloca em foco a capacidade das empresas de atender em escala e a capilaridade dos canais de relacionamento com o consumidor.
O desempenho registrado em 2025 ajuda a dimensionar o impacto do período. Dados da Neotrust indicam que o e-commerce faturou R$ 8,3 bilhões na Semana do Consumidor, com alta de 13,6% na comparação anual. Com o aumento das vendas, empresas do setor relatam maior volume de interações ao longo do processo de compra. Plataformas de chat, aplicativos de mensagens e sistemas de atendimento online concentram o contato com o consumidor desde a decisão até o pós-venda. Em operações pensadas para a rotina do varejo digital, esse volume adicional expõe limites de capacidade e de organização dos fluxos de atendimento.
“Datas promocionais como o Dia do Consumidor mudaram a dinâmica do atendimento. O volume de mensagens cresce no mesmo ritmo das vendas, mas a operação nem sempre está preparada para funcionar nesse regime concentrado”, afirma Marcos Guerra, especialista em tecnologia e mensageria corporativa do Grupo Ótima Digital.
Durante o processo de compra, a busca por respostas rápidas se intensifica. Perguntas sobre validade das ofertas, formas de pagamento e prazos logísticos se concentram nos canais digitais e passam a influenciar a decisão do consumidor. Em operações pouco integradas, o aumento no tempo de resposta tende a ocorrer nos períodos de maior demanda, com impacto sobre a conversão.
“Em cenários de alta demanda, o tempo de resposta passa a ter impacto direto na conversão. Estruturas que não estão integradas ou preparadas para priorização de atendimentos tendem a gerar filas, perda de contexto e abandono da jornada pelo consumidor”, explica o especialista.
Já após a compra, o fluxo de contatos se mantém elevado. Atualizações sobre status de entrega, confirmação de pagamento e orientações sobre troca e devolução passam a concentrar parcela relevante das interações. A ausência de comunicação estruturada nesses pontos amplia o número de contatos iniciados pelo consumidor e estende o impacto operacional da campanha para além do período de vendas.
Para Guerra, o Dia do Consumidor passou a ser usado por empresas como referência para avaliar a maturidade das estruturas de atendimento digital. “O que aparece nesse período mostra como a operação funciona sob pressão. Quando o atendimento não está organizado para absorver esse volume de mensagens, os gargalos ficam visíveis rapidamente”.
Nos últimos anos, o planejamento para datas promocionais passou a integrar a organização operacional do e-commerce. A projeção de volume de contatos, a definição de níveis de serviço compatíveis com o período e a coordenação entre áreas como marketing, tecnologia e atendimento fazem parte da preparação para o evento. A intenção é alinhar a promessa feita ao consumidor durante a campanha com a capacidade real de resposta da operação.
Nesse contexto, a automação tem sido usada para organizar o fluxo de interações em escala. A triagem inicial de mensagens e o atendimento de demandas recorrentes reduzem a pressão sobre equipes responsáveis por casos que exigem análise específica e ajudam a manter a operação dentro da capacidade prevista nos picos de demanda.
A leitura de indicadores operacionais durante o período promocional tem orientado ajustes nas edições seguintes do evento. Métricas como tempo médio de resposta, volume de interações por canal e taxa de abandono de conversas ajudam a dimensionar gargalos e a orientar mudanças na organização dos canais de atendimento.
Na avaliação de Guerra, o Dia do Consumidor passou a funcionar como um ponto de observação da relação entre vendas e atendimento no e-commerce. “O volume de mensagens acompanha o crescimento das vendas. Quando a estrutura não acompanha esse movimento, o impacto aparece primeiro no atendimento e acaba refletindo no resultado da própria campanha”.
Especialista aponta sete dicas de como consolidar o WhatsApp como infraestrutura de vendas e atendimento
Com presença em mais de 90% dos celulares brasileiros e cerca de 147 milhões de usuários no país, segundo estimativas consolidadas de mercado reunidas por Statista e relatórios setoriais, o WhatsApp se tornou um dos principais pilares da atividade comercial no Brasil.
Em pequenos e médios negócios, o aplicativo deixou de ser apenas um canal de conversa para assumir funções centrais da operação, como vendas atendimento ao cliente e pós-venda.
Sabrina Nunes, especialista em estratégia digital com foco na estruturação de vendas atendimento e pós-venda via WhatsApp e fundadora da Francisca Jóias, explica que essa centralidade ocorre por que o aplicativo passou a operar como uma engrenagem essencial da economia cotidiana. Levantamentos do Sebrae indicam que mais de 80% dos pequenos negócios de serviços utilizam o WhatsApp como principal meio de comunicação com clientes. “O WhatsApp é o caixa o SAC e o CRM do pequeno negócio tudo ao mesmo tempo”, afirma.
Esse uso intensivo transformou o aplicativo em uma infraestrutura invisível do comércio brasileiro. Embora não apareça nos balanços nem nos planos estratégicos formais, sua indisponibilidade ou mau uso pode interromper o faturamento de forma imediata.
Para Sabrina, o risco está na falta de consciência sobre essa dependência. “Muitos empreendedores só percebem o peso do WhatsApp quando a conta é bloqueada ou quando o volume de mensagens se torna impossível de administrar”, diz.
Pós-venda e recompra ganham protagonismo
O avanço do WhatsApp como principal canal de contato também reposicionou o pós-venda no centro da estratégia comercial.
Listas de transmissão segmentadas mensagens de acompanhamento após a entrega e comunicação clara sobre prazos passaram a ser decisivas para estimular a recompra. “O aplicativo permite proximidade real com o cliente mas exige método. Sem organização o pós-venda vira ruído e desgaste”, alerta.
Dados do Sebrae mostram que negócios que mantêm contato estruturado com a base de clientes apresentam maior taxa de fidelização especialmente no comércio local e no setor de serviços. A diferença está na forma de uso do canal. “Responder tudo de maneira improvisada cria dependência pessoal do dono do negócio. Estruturar fluxos simples protege o empreendedor e melhora a experiência do cliente”, declara.
Bloqueios e excesso de mensagens viram ameaça
À medida que o WhatsApp se torna essencial, crescem também os problemas associados ao uso inadequado. Relatórios da Meta apontam aumento no bloqueio de contas comerciais por denúncias de spam uso incorreto de listas de transmissão e ausência de consentimento do cliente.
Para quem vende pelo aplicativo, a suspensão representa impacto direto na receita. “Quando o WhatsApp cai a venda para. É uma fragilidade enorme para quem concentra tudo em um único canal”, observa.
Ela avalia que parte desses bloqueios está ligada à tentativa de transformar o aplicativo em ferramenta de disparo em massa sem critérios. “O WhatsApp não foi feito para funcionar como panfleto digital. Quem ignora isso paga o preço”, adverte.
Negócios liderados por mulheres concentram ainda mais funções
Nos negócios liderados por mulheres, a centralidade do WhatsApp costuma ser ainda maior. Dados do IBGE sobre empreendedorismo feminino indicam que microempreendedoras acumulam funções operacionais administrativas e comerciais, recorrendo ao aplicativo como principal ferramenta para dar conta da rotina.
Segundo a especialista, estabelecer horários respostas automáticas e critérios de atendimento é uma medida de sustentabilidade. “Organizar o uso do WhatsApp não afasta clientes. Pelo contrário traz previsibilidade e profissionaliza a relação”, pontua.
A consolidação do WhatsApp como infraestrutura invisível das vendas brasileiras revela um paradoxo. Ao mesmo tempo em que democratiza o acesso ao mercado e reduz custos de entrada, amplia a dependência de uma única plataforma para funções críticas do negócio. “Tratar o WhatsApp como estratégia e não apenas como ferramenta é o que diferencia quem cresce de quem apenas mantém a operação de pé”, conclui.
Como aplicar o WhatsApp no dia a dia das empreendedoras
A consolidação da ferramenta como principal canal de vendas e atendimento exige organização mínima para não se transformar em sobrecarga. Para Sabrina Nunes, o erro mais comum é tratar o aplicativo como extensão informal da vida pessoal. “Sem regras, a tarefa vira jornada de trabalho infinita”, afirma.
A especialista indica um passo a passo básico para estruturar o uso do aplicativo no cotidiano do negócio:
Separar o número pessoal do comercial
O primeiro passo é utilizar um número exclusivo para o negócio, preferencialmente com o WhatsApp Business. A separação protege a privacidade da empreendedora, facilita a organização das conversas e permite o uso de recursos como perfil comercial, etiquetas e mensagens automáticas.
Definir horários e comunicar o cliente
Estabelecer horário de atendimento e informá-lo de forma clara no perfil e nas mensagens automáticas evita ruídos e expectativas irreais. Segundo Sabrina, previsibilidade reduz conflitos e melhora a percepção de profissionalismo, especialmente no pós-venda.
Organizar conversas com etiquetas
Classificar contatos por status como orçamento enviado, pedido confirmado, pós-venda ou recompra ajuda a manter controle da operação sem depender exclusivamente da memória. “Etiqueta é método simples que tira o peso da cabeça da dona do negócio”, diz.
Avaliar quando criar grupos
Grupos não devem ser usados como canal de venda indiscriminado. A recomendação é utilizá-los apenas em contextos específicos, como turmas, programas fechados ou comunidades com propósito claro. Para comunicação comercial recorrente, listas de transmissão segmentadas são mais seguras e menos invasivas.
Usar listas de transmissão com critério
As listas permitem falar com vários clientes sem expor contatos, mas exigem consentimento prévio e relevância da mensagem. Disparos frequentes ou genéricos aumentam o risco de bloqueios e denúncias por spam.
Estruturar respostas automáticas e fluxos simples
Mensagens de saudação, confirmação de pedido e orientações de pós-venda reduzem retrabalho e dependência direta da empreendedora. “Automatizar o básico não tira o humano do atendimento. Tira o caos”, afirma.
Centralizar informações fora do chat
Pedidos, pagamentos e histórico de clientes não devem ficar apenas no WhatsApp. Planilhas, sistemas simples ou plataformas de gestão evitam perdas de dados em caso de bloqueio ou troca de aparelho.
Para a especialista, tratar o WhatsApp como infraestrutura operacional, e não apenas como aplicativo de conversa, é o que sustenta o crescimento sem desgaste. “O canal precisa trabalhar para o negócio, e não o negócio trabalhar o tempo todo para o canal”, conclui.
Cinco estratégias acessíveis para PMEs transformarem a experiência do cliente em vantagem competitiva
A experiência do cliente deixou de ser privilégio de grandes corporações. Com a popularização de ferramentas digitais gratuitas e o avanço da inteligência artificial, pequenas e médias empresas (PMEs) têm hoje acesso às mesmas estratégias que marcas líderes de mercado utilizam para fidelizar consumidores e aumentar suas taxas de conversão. Quem afirma isso é Adriano Valadão de Freitas, designer especialista em UX e Design de Serviço. “Quando a interação com o consumidor é bem pensada, o processo de compra fica mais simples e a empresa transmite mais profissionalismo. Não se trata apenas da parte estética, é fornecer clareza, facilidade, consistência para ganhar a confiança”, explica.
Segundo dados do relatório State of the Connected Customer, da Salesforce (2023), 88% dos consumidores consideram a experiência oferecida pela empresa tão importante quanto o próprio produto ou serviço. Para Freitas, esse número revela uma oportunidade direta para PMEs que ainda competem apenas por preço. ” Estas empresas muitas vezes perdem vendas não por falta de qualidade, mas por obstáculos invisíveis que geram dúvida, insegurança e cansaço no cliente”, avalia o especialista.
Ele também explica que é possível começar com ajustes simples/estruturados e lista cinco ações práticas que qualquer PME pode implementar, com baixo ou nenhum custo:
1) Mapeie a jornada do cliente. Identifique cada ponto de contato, da primeira pesquisa ao pós-venda, e localize onde o processo trava ou confunde. Ferramentas como Miro e Canva oferecem templates gratuitos de mapeamento de jornada. Ferramentas de IA como ChatGPT e Claude também podem ajudar: basta descrever o processo de venda e pedir que identifiquem pontos de fricção.
2) Elimine a burocracia desnecessária. Formulários longos, etapas repetidas e excesso de informação afastam o cliente antes da decisão de compra. O Tally.so (gratuito) e o Notion permitem criar fluxos mais simples e documentar processos com clareza.
3) Padronize o tom de atendimento em todos os canais. Um cliente que recebe comunicações inconsistentes perde confiança na marca. Ferramentas como ChatGPT e Gemini (gratuitas) ajudam a criar scripts, templates e guias de abordagens em minutos. Algumas ferramentas também ajudam a automatizar respostas básicas no WhatsApp e Instagram sem custo.
4) Torne sua proposta comercial mais clara. Explique o que faz, para quem e quais resultados entrega, sem jargão técnico. Plataformas como Gamma.app e Canva com IA geram apresentações gratuitamente. Uma dica valiosa, peça a uma IA que leia sua proposta atual e aponte o que ficou confuso ou desnecessário.
5) Ative o pós-venda. Acompanhar o cliente após a entrega gera retenção, recompra e indicações. Estudos de marketing de relacionamento mostram que reter um cliente custa até sete vezes menos do que conquistar um novo. Google Forms e ferramentas de IA para análise de feedbacks tornam esse processo simples e acessível.
Para Freitas, o avanço da inteligência artificial representa uma virada de chave para o setor. “Hoje, pequenas e médias empresas podem implementar boas práticas de UX e Design de Serviço sem grandes gastos. O capital necessário fica mais na atenção, vontade de aprender e disposição para testar”, conclui o executivo.
O problema do Washington Post não é o jornalismo, é justamente o oposto
Por Guilherme Ravache
O jornal de Jeff Bezos perde leitores e vai demitir 1/3 da redação porque cada vez mais atende aos interesses de uma oligarquia. Então, produz cada vez menos jornalismo.
Ironicamente, menos noticiado, tem sido o crescimento de outras publicações americanas. NYT, Bloomberg, People Inc e Dow Jones apresentaram bons números no último trimestre, como mostra a ótima reportagem de Charlotte Tobitt na Press Gazette.
O Post ainda é uma marca reconhecida e com boa audiência, mas está sendo defenestrado porque perdeu a relevância para Bezos. Essa é a tese de Matt Stoller, especialista em monopólio, que em sua newsletter destaca a mudança no clima político, com Trump e bilionários aliados. Isso diminuiu a necessidade de Bezos ter influência por meio do jornal.
Como Stoller escreve:
Sempre houve magnatas da mídia, mas esses magnatas fizeram fortuna na própria mídia. Bezos, porém, fez seu dinheiro em outro lugar e subsidiava a mídia. Na época da compra, a Amazon começava a entrar na mira de reguladores e veículos de imprensa por causa da consolidação da indústria do livro, além das vantagens sobre varejistas decorrentes de brechas na cobrança de impostos sobre vendas.
No ano anterior à compra do jornal, Bezos fez outros movimentos para fortalecer seu poder político. Colocou a superadvogada profundamente conectada Jamie Gorelick no conselho da Amazon, provavelmente porque ela tinha influência junto ao governo Obama. Alguns anos depois, comprou uma mansão gigantesca em Washington, partindo do pressuposto de que assumiria o papel da família Graham como liderança social local. Em seguida, concedeu à região de Washington a “segunda sede” da Amazon.
Em retrospecto, a compra do Post parece parte de uma campanha para angariar favores das elites políticas e midiáticas de Washington, com o objetivo de obter contratos governamentais, proteger os negócios da Amazon, afastar escrutínio regulatório e manipular a política.
Poucos anos depois de Bezos comprar o Post, Donald Trump disse em discursos de campanha que Bezos tinha um “problema antitruste” e que, se eleito, iria atrás da empresa. Em 2017, o famoso artigo acadêmico de Lina Khan, Amazon’s Antitrust Paradox, viralizou. Trump, apesar da pressão de aliados do setor imobiliário — irritados porque a Amazon prejudicara seus investimentos em shopping centers —, não atacou a empresa. Mas Joe Biden o fez, nomeando Khan para comandar a FTC. Em setembro de 2023, a FTC processou a Amazon por monopólio, um caso ainda em andamento. A partir do momento em que a ação foi movida, o Post tornou-se menos útil.
Quando Trump voltou a concorrer em 2024, deixou claro que retaliaria líderes empresariais hostis e recompensaria os que se mostrassem deferentes. Assim, o valor político do Washington Post desapareceu, e “A democracia morre na escuridão” virou uma piada de mau gosto — como o “Don’t Be Evil”, do Google.
O novo calendário do varejo e como isso mudou a forma como consumimos
Por Júlio Alves
Durante muito tempo, o varejo operou seguindo um calendário previsível, guiado por datas tradicionais como Natal, Dia das Mães e Dia dos Pais. Hoje, esse modelo já não explica o ritmo do consumo. O varejo contemporâneo deixou de apenas reagir às datas existentes para assumir um papel mais ativo: passou a criar seus próprios marcos, inventar motivos de compra e estruturar uma agenda contínua de ativações ao longo do ano.
Essa transformação vai além da comunicação ou da promoção. Ela nasce de um entendimento mais sofisticado sobre atenção, recorrência e comportamento. Em um ambiente em que o consumidor é disputado todos os dias, quem define o ritmo da conversa passa a ocupar um espaço privilegiado na mente e na rotina das pessoas.
Datas criadas para gerar recorrência
Nos últimos anos, surgiram os chamados calendários “mecânicos”: datas criadas estrategicamente para preencher lacunas do ano e estimular a recorrência de visitas e compras. Esse movimento já se traduz em comportamento real. Em 2025, dados da Confi Neotrust mostram que a Black Friday movimentou mais de R$ 10 bilhões no e-commerce brasileiro, com consumo diluído ao longo de semanas, antes e depois da data oficial. O varejo deixou de operar por picos isolados e passou a construir ritmo, expectativa e recorrência.
O fim do calendário local
Esse movimento também reflete a globalização do varejo. O calendário promocional deixou de ser regional. Um exemplo claro vem da China: datas como o 11/11 (Singles’ Day) e o 12/12 deixaram de ser apenas campanhas promocionais para se tornarem verdadeiros festivais de consumo, com lives, influenciadores, lançamentos exclusivos e jornadas que duram dias. Criadas por plataformas digitais, essas datas hoje influenciam estratégias, preços e expectativas de consumo em diversos mercados ao redor do mundo.
A adaptação como vantagem competitiva
É nesse contexto que o varejo brasileiro se destaca pela capacidade de adaptação. A Black Friday é um exemplo claro. Enquanto, em sua origem, ela se concentra em um único dia, no Brasil, a data foi expandida para um ciclo mais longo, criando aquecimento, desdobramentos e presença contínua ao longo do mês.
O mesmo acontece com datas que não faziam parte da cultura local, como o Halloween, que ganha relevância à medida que o varejo constrói ambientação, ofertas e experiências que justificam a ocasião.
Outra característica singular do setor é sua liberdade criativa para gerar contexto. Diferente das pessoas, o varejo pode celebrar múltiplos aniversários ao longo do ano: da marca, da bandeira, da fusão, da operação digital. Cada um desses momentos funciona como um gatilho legítimo para criar narrativas, campanhas e conversões. No varejo, o motivo importa tanto quanto a oferta.
Quem define o calendário, define a relevância
Essas ativações não existem de forma isolada. Elas se sobrepõem e se conectam. A Black Friday já prepara o terreno para o Natal, que, por sua vez, abre espaço para liquidações e novos ciclos. O resultado é uma jornada contínua, em que o desafio não é apenas gerar tráfego, mas entrar na agenda do consumidor e fazer com que ele sinta que aquele momento pede interação.
No fim, o varejo que lidera tendências não é o que reage mais rápido, mas o que entende melhor o ritmo das pessoas. Criar datas, adaptar calendários e inventar motivos de compra é, acima de tudo, uma forma de organizar a atenção em um mundo saturado de estímulos. E quem define o calendário, define também a relevância.
Nem toda mudança é ruptura. Algumas são consolidação.
Por Ivana Moreira
Durante dez anos, vivi entre dois mundos: o do jornalismo e o do empreendedorismo.
Mas chegou minha hora de escolher.
Comecei no jornalismo como estagiária e cheguei à cadeira de CEO, trabalhando para alguns dos veículos de imprensa mais respeitados do país. Foram anos intensos de reportagem, edição, liderança e gestão. Uma escola rigorosa. Uma formação que me moldou profundamente.
Encerrar esse ciclo não foi uma decisão simples. Há identidade, história e afeto envolvidos. Mas meu momento exige lucidez. E direção.
Hoje, atualizo meu LinkedIn para CEO do Festival Parental, principal produto da minha empresa Parental Impacto. E não como um gesto simbólico, mas como uma escolha de foco.
Sou jornalista e continuarei sendo. O jornalismo me ensinou a escutar, investigar e sustentar conversas difíceis. Agora, no entanto, escolho direcionar essa experiência integralmente para os negócios que eu mesma construí.
À frente do Festival Parental e como cofounder do Mind Summit, sigo trabalhando em plataformas que fomentam o desenvolvimento humano.
Negócio e propósito, para mim, não são coisas separadas.
O Festival nasceu como um congresso, em 2020. Amadureceu, expandiu seu público e hoje é reconhecido como o maior e mais relevante evento de parentalidade do país. Mais do que um evento, tornou-se um espaço de formação para adultos que entendem que educar é responsabilidade — e que relações familiares saudáveis constroem sociedades mais saudáveis.
Minha decisão profissional coincide com outro passo relevante: aceitar o convite para assumir a presidência da ABRAEP (Associação Brasileira de Educação Parental). Um desafio voluntário que carrego como missão: ajudar a tornar a educação parental compreendida e respeitada no Brasil como ferramenta concreta de desenvolvimento social.
Maturidade profissional, para mim, hoje, significa coerência.
Porque coerência também é estratégia. Quero alinhar visão, negócio e impacto.
Se você acredita que desenvolvimento humano é pauta estratégica — para as famílias, para as empresas e para o país —, há muitas formas de caminhar junto, como apoiador dessa agenda. Vamos nos conectar!