O Boticário coloca os pais na “For You” dos filhos para pedir o presente ideal de Dia dos Pais – 30.07.2026

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Divulgação

Você vai ler na coluna hoje: O Boticário coloca os pais na “For You” dos filhos para pedir o presente ideal de Dia dos Pais, O problema do excesso: quando todo mundo comunica, quem ainda constrói sentido?, Quem vai cuidar de nós quando envelhecermos?, Por que o Brasil cobra 50 salários mínimos por um Kwid e a Alemanha entrega um Porsche?, 143 milhões de brasileiros acompanharam a Copa na Globo.

 

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O Boticário coloca os pais na “For You” dos filhos para pedir o presente ideal de Dia dos Pais

Na campanha “A Trend das Trends”, Tadeu Schmidt ajuda os pais a dominarem a linguagem das redes sociais para se aproximarem da nova geração e mostrarem o que querem ganhar

O Boticário, reconhecido como a marca preferida para presentear*, traz para sua campanha de Dia dos Pais uma reflexão sobre como os algoritmos das redes sociais vêm transformando a forma como diferentes gerações consomem conteúdo, se relacionam e presenteiam. Hoje, cada usuário recebe recomendações personalizadas de acordo com seus interesses, criando experiências de navegação cada vez mais individuais. Como consequência, pais e filhos passam a acompanhar referências, criadores e tendências distintas, formando diferentes bolhas digitais que dificultam o diálogo e deixam os filhos com cada vez menos referências — inclusive sobre o que os pais realmente gostariam de ganhar na data.

Para transformar esse cenário, O Boticário apresenta “A Trend das Trends”, campanha estrelada pelo apresentador Tadeu Schmidt, desenvolvida pela SoWhat. Em vez de disputar a atenção da nova geração com campanhas tradicionais de Dia dos Pais, a marca subverte a lógica do algoritmo e convida os pais a ocuparem o mesmo universo digital dos filhos, criando conteúdos inspirados em alguns dos formatos mais populares das redes sociais — como ASMR, reacts, “arrume-se comigo” e unboxings — para marcar os filhos e mostrar os presentes que gostariam de ganhar.

A proposta é simples: trocar as indiretas nos grupos de família por vídeos feitos na linguagem que domina as redes sociais. Em vez de esperar que os filhos descubram sozinhos o presente ideal, os pais passam a usar o humor, as trends e formatos nativos da internet para fazer esse pedido chegar diretamente à “For You”. Assim, O Boticário transforma o algoritmo, antes responsável por criar bolhas digitais, em uma ponte entre gerações e faz do entretenimento uma ferramenta para aproximar pais e filhos.

“Mais do que falar sobre presentes de Dia dos Pais, criamos uma ação divertida que aproxima pais e filhos ao colocá-los dentro do mesmo universo cultural e digital. Ao mesmo tempo, acompanhamos um movimento de homens cada vez mais interessados em perfumaria, autocuidado e bem-estar, o que torna a escolha do presente mais individual e conectada à personalidade de cada pai”, explica Carolina Carrasco, diretora de Branding e Comunicação do Boticário e Quem Disse, Berenice?. “Com ‘A Trend das Trends’, transformamos uma situação muito verdadeira entre as famílias em uma oportunidade de conexão e entretenimento, reforçando o papel da marca em facilitar conversas mais diretas entre gerações e tornar o ato de presentear ainda mais relevante.”

Com linguagem nativa das redes, o apresentador dança, faz “arrume-se comigo”, brinca com códigos do entretenimento e convoca outros pais a ocuparem o feed dos filhos. “Se você é da geração do ‘farmar aura’, seja lá o que isso signifique, não aguenta uma piada de tiozão… pode pular o vídeo. O papo aqui é de pai para paii”, destaca o apresentador, convocando os pais, no início do filme de campanha.

“O ponto de partida dessa campanha foi o reconhecimento de que pais e filhos já não navegam na mesma internet. As gerações consomem mídias, códigos e linguagens completamente diferentes, e tentar falar com eles usando os formatos de comunicação do passado pode não funcionar mais. Para a SoWhat, o conceito de Social-First vai além de criar posts. Nós acreditamos em uma estratégia que usa verdades culturais do ecossistema digital para pautar todo o planejamento da marca. Usabilidade, dados e comportamento de feed foram a faísca para criarmos uma narrativa divertida e proprietária, que ensina os pais a usarem o entretenimento nativo das redes a seu favor e resolve a dor real de presentear”, afirma Gui Zunttini, Diretor de criação da SoWhat.

Após ajudar os pais a furarem a bolha digital dos filhos, O Boticário leva essa conexão para o momento da escolha do presente com o Crie Seu Presente. A iniciativa permite que os consumidores montem combinações personalizadas com produtos participantes, criando kits que refletem o estilo e a personalidade de quem será presenteado. A ação conta com descontos progressivos: 20% na compra de dois itens e 25% a partir de três. Além disso, para facilitar a escolha do presente ideal, a marca preparou uma curadoria especial para o Dia dos Pais com 28 kits e combos, a partir de R$ 54,90, reunindo fragrâncias consagradas, itens de cuidados pessoais e acessórios para diferentes estilos de pais.

O problema do excesso: quando todo mundo comunica, quem ainda constrói sentido?

Por Luciano Tadeu de Oliveira

Dessa vez, quero contar sobre um dos programas mais interessantes da TV brasileira atual, e que eu adoro: é o Linhas Cruzadas, da TV Cultura , com a jornalista Thaís Oyama e o professor e filósofo Luiz Felipe Pondé. No programa, os 2 debatem temas contemporâneos, à luz da filosofia. A sacada é que eles fazem isso com uma aplicabilidade prática nas nossas vidas, de forma absurda! Não dá pra não gostar…

Ontem o tema era “O problema do excesso”. Excesso de informação, de opções, de estímulos, de opiniões, de cansaço. Excesso de gente dizendo o que devemos ver, comprar, pensar, sentir e escolher.

E aí, em determinado momento, apareceu uma provocação especialmente precisa: chegamos ao ponto de precisar de curadores para nos ajudar a escolher quais curadores podem nos ajudar.

A frase é quase cômica! Mas olha… talvez seja uma das melhores descrições da vida contemporânea que vi nos últimos tempos. Vou tentar desenvolver o conceito…

O megafone comunicacional

Não vivemos mais apenas uma escassez de informação – vivemos uma crise de seleção. E isso muda profundamente o papel da comunicação.

Durante muito tempo, comunicar era, em grande parte, ampliar alcance: ter acesso ao microfone, entrar na mídia, ganhar espaço, falar com mais gente.

A tecnologia digital mudou esse jogo de forma radical. E isso teve um lado extraordinário!

O digital democratizou o megafone. Pessoas, empresas, especialistas, artistas, pequenos negócios, causas sociais e profissionais independentes passaram a ter meios próprios de publicação, relacionamento e influência. e isso é uma conquista importante.

Mas toda conquista traz uma consequência…

Quando todos podem falar, todos falam; quando todos podem publicar, todos publicam; quando todos podem opinar, realmente todos opinam.

E, nesse ambiente, a pergunta deixa de ser apenas “como eu faço minha mensagem circular?” e passa a ser por que alguém deveria prestar atenção nela?”.

É aqui que a discussão sobre excesso encontra a comunicação estratégica. Porque informação demais não gera necessariamente conhecimento; em muitos casos, gera apenas ruído.

Zygmunt Bauman (1925-2017), ao falar da modernidade líquida (essa referência também é do programa!), ajudou a descrever um mundo em que estruturas, vínculos e certezas se tornam mais frágeis, instáveis e provisórios. A vida fica mais rápida, as relações ficam mais soltas, as escolhas se multiplicam e os vínculos se formam e se desfazem com mais facilidade.

 

Na comunicação, eu acho que algo bem parecido aconteceu… A autoridade também ficou líquida!

Antes, poucas instituições concentravam a capacidade de narrar o mundo: jornais, revistas, emissoras, universidades, especialistas reconhecidos, grandes marcas. Hoje, qualquer pessoa pode comentar praticamente qualquer assunto. Isso pode ser libertador, mas também pode ser perigoso. Porque nem toda voz com alcance tem responsabilidade, nem todo influenciador é especialista e nem todo especialista sabe comunicar.

O excesso de informação criou uma espécie de mercado permanente de interpretação. Há sempre alguém explicando o que aconteceu, alguém reagindo, alguém fazendo cortes.

Nesse ambiente, fica fácil confundir velocidade com inteligência.

Influência é coisa séria!

É aí que o mundo dos influenciadores entra na conversa. Há influenciadores sérios, preparados, consistentes e capazes de traduzir temas complexos para grandes audiências.

Mas também há uma lógica de incentivo muito perigosa: a plataforma recompensa frequência. Ela recompensa a reação rápida, a opinião forte, o conflito e a presença constante. Poucas vezes recompensa pausa, estudo, ponderação, contexto e dúvida honesta.

E comunicação de verdade precisa exatamente disso: contexto, critério, repertório e, principalmente, muita responsabilidade.

A questão não é falar menos por falar menos, mas sim falar melhor. É entender que, num mundo saturado de conteúdo, relevância não nasce do volume. Nasce da curadoria – daquilo que se publica, mas também do que se escolhe não publicar, do que se decide aprofundar, da coerência entre discurso e prática. Isso vale para qualquer pessoa, organização, liderança ou influencer que queira construir reputação em um ambiente barulhento.

A comunicação do futuro não será vencida por quem falar mais, mas sim por quem conseguir ser mais necessário. Em um ambiente de excesso, a escassez mudou de lugar. Antes, faltava informação – agora, falta atenção, confiança, profundidade, critério e, às vezes, silêncio inteligente.

Comunicação estratégica volta a ser tão importante exatamente neste cenário: uma disciplina para organizar pensamento, mensagem, narrativa, presença e reputação. O digital nos deu o megafone, mas ele não é estratégia. Alcance não é autoridade. E conteúdo não é, necessariamente, comunicação.

Em uma sociedade cansada de excesso, comunicar bem talvez seja menos sobre ocupar todos os espaços e mais sobre merecer o espaço que se ocupa.

Pergunte-se: “no meio de tanto ruído, por que isso merece ser ouvido?”

Quem vai cuidar de nós quando envelhecermos? A Demografia, o cuidado e a importância da licença-paternidade.

Por Leonardo Penna

Imagine chegar aos 80 anos e se perguntar quem vai estar do seu lado para te levar ao médico numa segunda-feira de manhã, separar seus remédios no horário certo ou simplesmente sentar ao seu lado quando o dia estiver difícil. Parece uma pergunta distante. Mas ela está mais perto da gente do que imaginamos.

Há algum tempo venho escrevendo aqui sobre um dos fenômenos mais importantes do século XXI que é sobre o envelhecimento populacional. O Brasil envelhece rápido. Em poucas décadas, deixamos de ser um país predominantemente jovem para caminhar a passos largos rumo a uma estrutura etária cada vez mais envelhecida. Isso acontece pela combinação de dois processos clássicos da Demografia que são a queda da fecundidade e o aumento da expectativa de vida.

O primeiro é a chamada transição da fecundidade que hoje as mulheres têm, em média, muito menos filhos do que tinham décadas atrás. O segundo faz parte da transição epidemiológica, puxada pela queda da mortalidade, pelos avanços da medicina, da vacinação, do saneamento, da renda e do acesso à saúde. Juntos, esses dois movimentos mudaram por completo a cara da população brasileira. No entanto, viver mais também traz perguntas novas. E talvez a mais importante delas seja bem simples. Quando eu envelhecer, quem vai cuidar de mim?

Segundo o Censo Demográfico de 2022, as pessoas com 60 anos ou mais já representam cerca de 15% da população brasileira, enquanto a fecundidade permanece abaixo do nível de reposição. Parece contraditório, não é? Vivemos mais do que nunca e, ao mesmo tempo, nunca tivemos tão poucas pessoas para cuidar de quem envelhece. Essa pergunta, que parece só minha ou só sua, virou um dos desafios demográficos do nosso tempo. Durante boa parte da história brasileira, cuidar era tarefa da família, e de uma família grande, com filhos, noras, filhas, irmãs, primas, avós, vizinhos, todo mundo dividindo essa rede de apoio. Esse modelo, porém, está perdendo sua sustentação.

Hoje temos menos filhos, casamos mais tarde, mais gente vive sozinha, os divórcios aumentaram, os domicílios com várias gerações sob o mesmo teto diminuíram, a casa própria virou um projeto adiado e as mulheres passaram a ocupar, cada vez mais, o mercado de trabalho. Tudo isso são conquistas sociais enormes. Mas espera… elas também trazem uma consequência da qual pouco se fala, se as pessoas que tradicionalmente cuidavam estão trabalhando fora, estudando, morando sozinhas ou têm menos filhos para dividir essa tarefa, quem vai fazer esse trabalho?

É justamente sobre isso que a socióloga Bila Sorj, uma das principais pesquisadoras brasileiras sobre trabalho de cuidado, chama atenção. Segundo ela, o Brasil vive uma reorganização profunda daquilo que chama de arenas de cuidado, ou seja, dos espaços e das pessoas responsáveis por cuidar de quem precisa. O raciocínio dela é direto como o envelhecimento aumenta a demanda por cuidado, a queda da fecundidade reduz o número de filhos disponíveis para cuidar dos pais no futuro, e a entrada das mulheres no mercado de trabalho reduz o tempo que, historicamente, elas dedicavam a essa função. Em outras palavras a demanda por cuidado cresce exatamente no momento em que a oferta tradicional de cuidadoras diminui.

Existe até um nome para esse desequilíbrio que é a crise dos cuidados. Pensa comigo, de um lado, cada vez mais gente precisando de cuidado (crianças, idosos, pessoas com deficiência, pessoas doentes, e até o funcionamento básico do dia a dia de uma casa). Do outro lado, cada vez menos pessoas disponíveis, dispostas ou socialmente designadas para exercer esse papel. É esse descompasso, mais demanda de um lado e menos oferta do outro, que os pesquisadores chamam de crise dos cuidados. E ele não é um acidente, é a consequência direta da transição demográfica e das transformações que a família brasileira enfrenta.

O problema é que essa transformação não afetou todo mundo do mesmo jeito. As mulheres conquistaram espaço no mercado de trabalho, sim, mas isso não veio acompanhado de uma divisão mais justa das tarefas em casa. Os dados da PNAD Contínua, do IBGE, mostram isso sem meias palavras, de modo que as mulheres brasileiras ainda dedicam, em média, o dobro do tempo semanal aos afazeres domésticos e ao cuidado de outras pessoas, se comparadas aos homens.

A literatura chama isso de divisão sexual do trabalho, um conceito desenvolvido por pesquisadoras como Helena Hirata, Nadya Guimarães e Danièle Kergoat. Não precisa de definição complicada para entender que durante muito tempo, a sociedade simplesmente decidiu que existiam tarefas de homem e tarefas de mulher. Ao homem, o trabalho remunerado, fora de casa. À mulher, o cuidado da casa, dos filhos e da família, um trabalho essencial que, no entanto, quase nunca foi reconhecido, remunerado ou sequer contado como trabalho de verdade.

O resultado disso é que milhões de mulheres passaram a acumular duas, às vezes três jornadas a de emprego, os afazeres domésticos e o cuidado de crianças, idosos e familiares dependentes. Além disso, essa sobrecarga pesa ainda mais sobre mulheres negras e famílias de baixa renda, que têm menos acesso a creches, a serviços privados de cuidado e a equipamentos públicos de apoio.

Foi diante desse cenário que pesquisadores e formuladores de política pública começaram a defender algo que parece pequeno, mas não é, ou seja, dividir melhor essa responsabilidade entre homens e mulheres desde o começo. É justamente aqui que entra um tema que, à primeira vista, parece não ter nada a ver com Demografia: a licença-paternidade.

Perceba uma coisa. Se o problema é que o cuidado ficou concentrado nas mãos das mulheres, e se essa concentração começa lá na chegada de um filho, então mexer nesse ponto de partida muda o resto da história. Quando o Estado garante ao pai mais tempo ao lado do recém-nascido, ele não está apenas concedendo um benefício trabalhista. Ele está interferindo diretamente na forma como aquela família vai organizar o cuidado dali para frente é quem vai acordar de madrugada, é quem vai levar ao pediatra, é quem vai aprender, desde os primeiros dias, que cuidar também é parte do seu papel.

Por isso mesmo, a licença-paternidade é, sim, um tema demográfico. Ela influencia a forma como as famílias se organizam. Também interfere na permanência das mulheres no mercado de trabalho, já que menos sobrecarga doméstica significa mais espaço para carreira. Pode influenciar inclusive a decisão de ampliar ou não a família, porque parte do medo de ter mais filhos vem justamente do peso que recai sobre uma única pessoa. Afeta o desenvolvimento infantil, porque crianças que crescem com dois cuidadores presentes desde cedo tendem a se beneficiar disso. Ajuda ainda a construir, olhando para o futuro, sistemas de cuidado mais sustentáveis, inclusive o cuidado que um dia vamos precisar quando formos nós os idosos da história.

No fundo, talvez este artigo nunca tenha sido sobre licença-paternidade. Talvez ele seja sobre quem estará ao nosso lado daqui a quarenta anos.

Talvez você esteja se perguntando por que estou escrevendo sobre isso justamente agora. A resposta é simples. Nos últimos dias, o Brasil aprovou a ampliação gradual da licença-paternidade e muita gente passou a discutir se vinte dias são muitos ou poucos. Porém, antes dessa pergunta, existe outra ainda mais importante. O por que essa política importa? Foi justamente essa pergunta que tentei responder ao longo deste texto.

Essa discussão aparece com muita clareza no artigo “Licenças maternidade e paternidade no Brasil: direitos e desigualdades sociais”, de Bila Sorj e Alexandre Barbosa Fraga, publicado na Revista Brasileira de Estudos de População (REBEP). Usando dados da PNAD Contínua de 2017, os autores mostram algo importante, pois o acesso às licenças parentais no Brasil está longe de ser universal. Ele depende, na prática, de estar empregado formalmente, ao que reproduz desigualdades de gênero, renda, raça e escolaridade. Ou seja, quem mais precisaria desse direito é, muitas vezes, quem menos tem acesso a ele. Os autores relacionam esse modelo àquilo que o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos chamou de cidadania regulada, uma cidadania em que os direitos sociais não pertencem à pessoa por ela existir, mas dependem do seu vínculo formal de emprego.

Outro estudo interessante neste sentido é o da Luana Pinheiro e Natália Fontoura, pesquisadoras do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), e do Marcelo Galiza, economista especializado em políticas sociais. No artigo “Novos arranjos familiares, velhas convenções sociais de gênero: a licença-parental como política pública para lidar com essas tensões”, eles mostram que a legislação brasileira foi construída sobre um modelo de família que já não representa a maioria das famílias reais, o homem como provedor, a mulher como responsável pelo lar e pelos filhos. Para os autores, ampliar a licença parental é uma resposta institucional às transformações demográficas e familiares das últimas décadas, uma forma de permitir que homens e mulheres dividam, de verdade, as responsabilidades do cuidado desde o nascimento da criança.

Ainda assim, existe uma pergunta incômoda por trás de tudo isso, será que a sociedade brasileira está pronta para essa mudança? É aqui que entra uma pesquisa muito interessante, conduzida pela Quaest e que deu origem ao livro “Brasil no Espelho: um guia para entender o Brasil e os brasileiros”, do cientista político e estatístico Felipe Nunes, PhD, Um diferente do que se poderia imaginar, não era uma pesquisa de mercado. O objetivo era outro entender os valores, as atitudes e as percepções dos brasileiros sobre temas como família, religião, política e relações sociais. Quase 10 mil pessoas foram ouvidas, em 340 municípios espalhados pelo país.

Os números ajudam a entender por que discussões sobre divisão de tarefas dentro de casa nunca são só técnicas, elas mexem com cultura, tradição e fé. Quase todo mundo entrevistado afirmou que Deus é muito importante em sua vida e foram 97% dos participantes. Praticamente a mesma proporção acredita que Deus está no comando do que acontece com eles cerca de 96%. E mais da metade diria que colocaria a fé acima da ciência se as duas entrassem em conflito, isso é 86%. Não é à toa que temas ligados à família, aos papéis de homens e mulheres e à criação dos filhos costumam gerar debates tão acalorados que eles não tocam só em política pública, tocam em algo muito mais profundo.

Ao comparar o Brasil com o modelo de valores do cientista político Ronald Inglehart, o Felipe chega a uma conclusão que ajuda a explicar boa parte das resistências que políticas como a licença-paternidade encontram pelo caminho, o país continua predominantemente tradicional, e nos últimos anos parece até ter havido um movimento de volta a posições mais conservadoras sobre família, religião e papéis sociais.

Mas talvez a lição mais importante do livro seja outra a que não existe um único Brasil. Existe o Brasil urbano e o Brasil rural. O Brasil jovem e o Brasil já envelhecido. O Brasil mais religioso e o Brasil mais secular. Regiões, gerações, rendas e histórias completamente diferentes convivendo dentro das mesmas fronteiras. É justamente aqui que essa ideia se encontra com tudo que discutimos até agora e não dá para pensar política de cuidado imaginando uma família brasileira padrão. Existem famílias monoparentais, casais sem filhos, famílias recompostas, casais homoafetivos, idosos morando sozinhos, mulheres chefes de domicílio, e cada uma dessas configurações exige um jeito diferente de pensar quem cuida de quem. Uma política pública desenhada para “a família brasileira” no singular está, na prática, deixando de fora boa parte das famílias reais.

Nos últimos anos, um conceito vem ganhando força em discussões da CEPAL, da ONU Mulheres, da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e também no Brasil, com a criação da Política Nacional de Cuidados: o de Sociedade do Cuidado. A ideia, no fundo, é simples. Cuidar não pode continuar sendo tratado como problema individual das mulheres ou das famílias, precisa ser entendido como responsabilidade compartilhada entre Estado, mercado, comunidade e família. É dentro dessa lógica que a licença-paternidade ganha outro tamanho e ela deixa de ser só uma linha na CLT e passa a ser uma peça de uma política maior, que tenta reorganizar, como sociedade, quem cuida de quem e como.

Talvez a resposta para o desafio do envelhecimento não esteja só em construir mais hospitais, mais instituições de longa permanência ou mais tecnologia médica. Talvez ela comece bem antes: na forma como educamos nossos filhos, dividimos as tarefas dentro de casa e entendemos, de uma vez por todas, que cuidar nunca foi, e não deveria continuar sendo, tarefa exclusivamente feminina.

No fim das contas, a pergunta que abriu este texto continua sem resposta definitiva. Mas eu queria deixar esse gostinho de “quero mais” para você, leitor, refletir e comentar aqui:

Quem vai cuidar de nós quando envelhecermos?

Talvez ela comece justamente na forma como decidimos cuidar uns dos outros desde o primeiro dia de vida. Pois o jeito como cuidamos das crianças hoje diz muito sobre a sociedade que estaremos construindo para cuidar de nós amanhã.

Por que o Brasil cobra 50 salários mínimos por um Kwid e a Alemanha entrega um Porsche? A escolha (perversa) por tributar o consumo em vez da renda

Por Francisco Tramujas

Circulou recentemente nas redes sociais uma imagem que, em poucos segundos, expõe o atestado de ineficiência da economia brasileira. De um lado, um trabalhador brasileiro precisa desembolsar o equivalente a 50 salários mínimos para comprar um Renault Kwid – o carro zero-quilômetro mais barato do país (cerca de R$ 80 mil). Do outro, um trabalhador alemão, com o mesmo número de salários mínimos, estaciona na garagem um Porsche Macan, SUV de luxo que custa a partir de € 69.000 (cerca de R$ 370 mil).

Por que países ricos tributam pouco o consumo e muito a renda, enquanto o Brasil faz exatamente o oposto?

A resposta a essa pergunta não apenas explica o preço absurdo de um carro popular no Brasil, mas também revela por que o trabalhador que ganha R$3.000 por mês financia, proporcionalmente, muito mais o Estado do que o executivo que ganha R$300 mil.  E mais: mostra que o problema não é técnico, mas escolha política.

O problema não é o tamanho da carga tributária – é o peso sobre os ombros errados

Grande parte do debate público no Brasil gira em torno do tamanho da carga tributária, que é de fato elevada. Em 2024, ela atingiu 33,5% do PIB, patamar próximo ao de países desenvolvidos como Reino Unido (33,5%) e Coreia do Sul (32,0%), e superior ao dos Estados Unidos (27,7%).

Mas o verdadeiro problema não é quanto se arrecada – é quem paga essa conta e como esse peso é distribuído.

Segundo o Estudo da OCDE (2024), o Brasil tem uma das estruturas tributárias mais regressivas do mundo. Enquanto a média da OCDE arrecada 33% da receita total com impostos sobre renda e patrimônio, no Brasil esse número é de apenas 22%. No lado oposto, a tributação sobre bens e serviços (consumo) responde por 48% da arrecadação brasileira, contra uma média de 32% nos países da OCDE.

Traduzindo: no Brasil, o imposto não pergunta quem você é – ele pergunta apenas o que você comprou. E isso penaliza desproporcionalmente quem ganha menos.

A arqueologia da regressividade: números que escancaram a distorção

Estudos recentes aprofundam essa compreensão. Uma pesquisa da Oxfam Brasil revelou que os 10% mais pobres destinam 32% de sua renda ao pagamento de tributos, enquanto os 0,1% mais ricos pagam apenas 10%. Essa diferença não é marginal – é um abismo estrutural.

O fenômeno se agrava quando cruzamos renda, raça e gênero:

  • Os 0,15% mais ricos concentram R$ 1,1 trilhão em renda – 14,1% do total nacional. Desses, 81% são homens brancos.
  • As mulheres negras lideram 65% dos lares mais pobres – e são elas que suportam a maior carga tributária relativa.
  • A tributação sobre consumo incide com mais peso sobre itens essenciais, enquanto serviços – consumidos predominantemente pelos ricos – são subtributados.

O Ministério da Fazenda escancara o paradoxo: o 1% mais rico (renda anual acima de R$ 5,5 milhões) paga 20,6% de imposto efetivo. Já a classe média, que representa cerca de 35% da renda nacional, arca com 42,5% – mais que o dobro da elite econômica.

Ou seja: a progressividade do Imposto de Renda – princípio que deveria garantir que quem ganha mais contribui proporcionalmente mais – se inverte a partir de certo patamar de renda. O sistema é progressivo apenas até cerca de R$ 39 mil mensais; acima disso, quanto maior a renda, menor a alíquota efetiva.

O impacto real na vida das pessoas: um exercício prático

Para entender a profundidade do problema, basta comparar duas famílias reais.

Família A (renda de R$ 4.000/mês):

  • Gasta R$ 3.600 (90% da renda) em bens e serviços tributados.
  • Com alíquota média efetiva de 28%, paga R$ 1.008 em impostos por mês.

Família B (renda de R$ 80.000/mês):

  • Gasta R$ 20.000 (25% da renda) em consumo.
  • Sobre esse valor, paga os mesmos 28% – ou seja, R$ 5.600.

Em números absolutos, a família rica paga mais. Mas o que importa é o esforço tributário relativo: a Família A compromete 25,2% de sua renda com impostos sobre consumo; a Família B, apenas 7%.

Esse é o cerne da regressividade: o pobre financia o Estado com um quarto do que ganha; o rico, com menos de um décimo.

O que os países ricos fazem diferente – e por que o Brasil insiste no erro

Países desenvolvidos não aboliram o IVA – a Alemanha cobra 19%, a França 20%, a Dinamarca 25%. A diferença está no equilíbrio da cesta tributária.

Nessas nações, a tributação sobre a renda e o patrimônio é progressiva e tem alíquotas marginais muito mais altas. Enquanto o Brasil estacionou a alíquota máxima do IRPF em 27,5% (sem correção pela inflação desde 1996), países da OCDE aplicam faixas superiores a 40%, 45% e até 55% para os estratos mais elevados.

Conteúdo do artigo

A lógica é o princípio da capacidade contributiva: quem tem mais renda e patrimônio contribui proporcionalmente mais. Esse princípio, além de mais justo, é mais eficiente, pois não penaliza o ato de consumir – que é o motor da economia real para a classe trabalhadora.

Pesquisa do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) mostrou que, em economias com grande setor informal – como a brasileira –, aumentar a progressividade da tributação sobre a renda pode, simultaneamente, reduzir a desigualdade e aumentar o PIB, sem perda de arrecadação. Esse achado derruba o argumento de que tributar mais os ricos prejudica o crescimento.

A tabela do IR: o congelamento que empurra a classe média para o topo

Um dos elementos mais perversos do sistema brasileiro é a defasagem da tabela do Imposto de Renda. Desde 1996, ela não é corrigida pela inflação de forma integral. Estudo do DIEESE mostra que, entre 1996 e 2024, a defasagem acumulada supera os 100%.

Isso significa que:

  • Em 1996, a isenção beneficiava quem recebia até 6,55 salários mínimos.
  • Em 2025, a isenção chega a apenas 2,47 salários mínimos (a isenção de imposto para quem ganha até 5 mil reais pretende corrigir isso).

O resultado: trabalhadores que antes estavam isentos foram empurrados para a condição de contribuintes – o chamado “abono de pobreza”. Quem recebe um aumento real vê esse ganho ser consumido pelo imposto, já que a tabela não acompanha a inflação.

A Lei Complementar nº 214/2025 ampliou a isenção para rendimentos de até R$5.000, retirando 15 a 16 milhões de brasileiros da obrigação de declarar IRPF. Para compensar, criou uma alíquota mínima efetiva de R$600 mil – cerca de US$120 mil -, com a alíquotas progressivas que cheguem a R$1,2 milhão.

Embora seja um avanço, o mecanismo é limitado: incide apenas sobre lucros distribuídos – não sobre o estoque de riqueza acumulado – e permite que altos contribuintes antecipem a distribuição de lucros acumulados até 2025 para escapar da tributação, reduzindo o impacto redistributivo imediato.

A reforma do consumo: avanços e limites da EC 132/2023

A Emenda Constitucional 132/2023 concentrou-se na tributação do consumo. Seus benefícios esperados são:

  • Fim da cumulatividade: tributos incidem apenas sobre o valor agregado, evitando o “efeito cascata”.
  • IVA Dual (IBS e CBS): unificação de PIS, COFINS, ICMS e ISS.
  • Transparência: nota fiscal explicitará o valor do imposto.

Mas o potencial de combate à regressividade foi enfraquecido por três fatores:

  1. Alíquotas reduzidas para setores de serviços – forçam a alíquota padrão do IVA a ser mais alta, e beneficiam mais as famílias de alta renda em termos absolutos.
  2. Cashback tímido – devolução de tributos para famílias do CadÚnico, com alcance limitado e impacto redistributivo modesto.
  3. Imposto Seletivo (IS) – incide sobre produtos prejudiciais à saúde e ao meio ambiente, mas opera de forma regressiva, onerando proporcionalmente mais os pobres.

O paradoxo dos MEIs: mulheres negras pagam a conta da informalidade

A reforma exclui os Microempreendedores Individuais (MEIs) da não cumulatividade plena – eles não geram nem repassam créditos de IBS/CBS. Estudo do Sebrae (2023) mostra que mulheres negras são donas de negócios menores e mais vulneráveis, atuando sem empregados formais. A exclusão dos MEIs da cadeia de créditos agrava desigualdades de gênero e raça, pois são essas mulheres que suportam o custo da exclusão.

O modelo nórdico: impostos altos, mas com retorno visível

Dinamarca e Suécia têm carga tributária de 46,5% do PIB, mas oferecem:

  • Universidade gratuita.
  • Saúde universal eficiente.
  • Auxílio-doença e seguro-desemprego com altas coberturas.
  • Infraestrutura de primeiro mundo.

No Brasil, o cidadão paga carga próxima a 40% do PIB e recebe escolas precárias, filas nos hospitais e estradas esburacadas. O debate correto não é sobre o tamanho do Estado, mas sobre o retorno do investimento e a qualidade do gasto público.

A geografia da desigualdade: por que a reforma da renda é inevitável

O sistema tributário brasileiro não apenas falha em reduzir a desigualdade – ele a reforça ativamente. Tributa desproporcionalmente o trabalho em comparação com o capital, isenta lucros e dividendos, e oferece incentivos fiscais que beneficiam as classes mais altas.

Pesquisas do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made/USP) mostram que o Brasil está entre os dez países mais desiguais do mundo, com índice de Gini acima de 0,53. A tributação regressiva é um dos principais fatores que explicam a persistência dessa desigualdade.

A reforma da tributação sobre a renda e o patrimônio – a segunda etapa da reforma – é, portanto, indispensável. Sem ela, as distorções permanecerão, e a simplificação do consumo será insuficiente para promover justiça fiscal.

O dilema brasileiro e a oportunidade histórica

Existe a ilusão de que basta aumentar impostos sobre os ricos para resolver o déficit fiscal. A realidade é mais complexa: o Brasil tem renda média baixa (cerca de US$ 10.000 per capita ao ano contra US$ 50.000 dos Estados Unidos, o que limita a base de arrecadação sobre a renda. A transição precisa ser gradual, com reformas que evitem evasão fiscal e fuga de capitais.

Mas manter a estrutura excessivamente baseada no consumo não é uma opção técnica – é uma escolha política que perpetua um modelo onde o pobre financia o luxo dos ricos.

A Lei Complementar nº 214/2025 é um primeiro passo, mas seu impacto redistributivo ainda é modesto – o índice de Gini deve cair em apenas 0,3%. A reforma avança menos do que prometeu, e sua progressividade dependerá de futuras regulamentações.

A lição final do Kwid e do Porsche

A imagem que viralizou não é sobre carros. É sobre produtividade, renda e, acima de tudo, sobre como cada país escolhe arrecadar seus recursos.

O trabalhador alemão não compra um Porsche porque a Alemanha é mágica. Ele compra porque a Alemanha construiu um sistema onde a alta produtividade gera salários robustos, e o sistema tributário progressivo garante que o consumo não seja penalizado.

A reforma tributária é a chance histórica de corrigir essa rota. Um sistema moderno não deve apenas arrecadar; deve estimular o crescimento, premiar a produtividade e distribuir a carga com justiça.

Porque a diferença entre um país onde 50 salários mínimos compram um carro popular e outro onde a mesma quantia compra um Porsche não está no motor do carro – mas no motor da economia.

E esse motor, no Brasil, ainda está atolado na lama de um século de impostos regressivos.

143 milhões de brasileiros acompanharam a Copa na Globo

Manzar Feres

isso equivale a 3x a população da Espanha. Foram 6,8 bilhões de views em redes sociais e GETV com o projeto Convocados que envolveu mais de 2000 influenciadores.

Poucos eventos têm essa força de unir milhões de pessoas em torno de uma mesma emoção. A Copa do Mundo é um deles. Um acontecimento que atravessa gerações, cria memórias coletivas e transforma paixão em conexão.

Pensando nisso, criamos o Torcida Verde Amarela, onde conectamos TV, streaming e digital em uma jornada única. Mais do que um projeto comercial, ele funcionou como um envelopamento estratégico que espalhou o clima da Copa por toda a programação da Globo. A experiência Copa foi muito além dos 90 minutos de uma partida. Ela acompanhou o movimento que toma conta do país antes, durante e depois dos jogos.

A torcida aconteceu na transmissão mas ganhou vida nas resenhas, nas redes sociais, nos bolões, nas conversas em família, nos grupos de amigos e nos debates que transformam o futebol em um dos maiores fenômenos culturais do nosso país.
Para as marcas, essa foi uma oportunidade única de fazer parte desse ambiente multiplataforma, confiável, seguro e profundamente conectado à cultura brasileira.

75% dos consumidores associaram as marcas patrocinadoras da Copa à Globo.

E ano que vem temos a Copa do mundo feminina! Pela primeira vez, o Brasil será o país sede, e nós aqui na Globo estaremos juntos prestigiando nossas meninas, e conectando milhões de brasileiros a esse momento histórico, que vai muito além do esporte.

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