Você vai ler na coluna hoje: Vendas crescem no comércio após proibição das bets, aponta relatório, Renda e idade não bastam para definir públicos de Marketing, Xuxa Schwarz é indicada ao Prêmio Amigos do Mercado 2026, Conjunto completa 28 anos de atuação no mercado, 89 anos ao lado de quem faz o varejo acontecer, Idade não entrega resultados. Capacidade, atitude e vontade de fazer acontecer, sim, Menos Séries, Mais Publicidade: Como o Streaming Está Mudando de Estratégia.
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Vendas crescem no comércio após proibição das bets, aponta relatório
Estudo vê famílias redirecionando para o consumo básico o dinheiro que antes ia para apostas, sobretudo entre as de menor renda
Por João Vitor Gomes (Tribuna Online)
O consumo de alimentos e remédios aumentou após a proibição das bets. É o que aponta um relatório de análise do BTG Pactual sobre o Assaí Atacadista, rede nacional do setor supermercadista, indicou sinais de melhora no consumo após o endurecimento das regras das apostas on-line.
O documento reúne avaliações feitas após uma reunião com o presidente da empresa, Belmiro Gomes, o diretor financeiro, Rafael Sachete, e a responsável por relações com investidores, Gabrielle Helu.
O banco afirma que a administração do Assaí identificou sinais iniciais de melhora no consumo em cidades do interior e bairros de menor renda, possivelmente relacionados aos primeiros efeitos de restrições mais rigorosas às apostas.
Para o coordenador do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, esse reflexo faz sentido quando se faz análise do ponto de vista econômico.
“O nosso estudo mostra que grande parte dos apostadores no nosso estado é de famílias que têm renda de até dois salários mínimos. O dinheiro que eu estou destinando à aposta vai para o consumo de entretenimento como um todo, comércio, serviços, e também entram os supermercados e farmácias”, comenta.
Ele afirma que, embora ainda não seja possível dizer com absoluta certeza que esse aumento de vendas é uma consequência direta da proibição — devido aos levantamentos ainda não terem sido consolidados —, há um indicativo muito forte.
“Uma vez que essa renda não é mais direcionada às bets, ela tende a ser direcionada a outros tipos de consumo, com um impacto muito maior nos consumos essenciais”, diz.
O economista e presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon-ES), Ricardo Paixão, concorda que as apostas esportivas passaram a disputar uma parcela importante do orçamento das famílias brasileiras, especialmente naquelas que têm uma renda menor.
“Portanto, as bets podem, sim, influenciar as decisões de compra do mês, levando os consumidores a reduzir a quantidade de produtos adquiridos”, diz.
Paixão ressalta, porém, que é importante compreender que a recuperação do consumo depende não apenas da redução das apostas, mas também da renda disponível, do tamanho do endividamento das famílias, da inflação e das condições do mercado de trabalho.
Maioria dos pequenos negócios a favor da proibição
A maioria dos donos de micro e pequenas empresas brasileiras apoia o fim das apostas on-line no País. É o que aponta uma pesquisa inédita do Sebrae, que revela que 66% dos pequenos negócios são a favor da proibição das bets, sendo 57% totalmente favoráveis e 8,8% parcialmente favoráveis.
Em contrapartida, 23,5% declararam-se contrários à medida (17% totalmente contra e 6% parcialmente contra).
O estudo aponta um impacto direto e negativo no desempenho comercial das empresas nos últimos 12 meses: 26% dos respondentes relataram redução no faturamento associada ao avanço das apostas virtuais.
Outros 23% afirmaram não saber avaliar a extensão da perda no caixa, 51% não identificaram efeitos diretos e apenas 0,2% registraram ganho com o segmento.
A perda do poder de compra dos clientes é o principal problema percebido no comércio de vizinhança. Do total de entrevistados, 48% identificaram ao menos uma mudança no comportamento do consumidor.
Com a proibição das apostas, o sentimento no setor produtivo é de otimismo. Perguntados sobre a expectativa para as vendas com o fim das bets, 38% esperam aumento no faturamento, enquanto 42% acreditam que as vendas continuarão iguais.
Proibição
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, assinou no final de setembro uma medida provisória que proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas e jogos on-line no Brasil, as chamadas bets.
A partir da publicação da MP, as plataformas ficam impedidas de receber novos apostas.
O governo prevê reforço da fiscalização contra plataformas ilegais e das investigações sobre movimentações financeiras relacionadas às apostas. A estratégia inclui a identificação e derrubada de sites ilegais, o bloqueio de contas bancárias utilizadas irregularmente para apostas e a integração de informações entre órgãos públicos.
Dinheiro circulando
Cerca de R$ 1,3bilhão que permaneceu nas contas de apostadores após o encerramento das plataformas de apostas on-line devem voltar a circular na economia brasileira.
Saldos não restituídos foram direcionados para a Caixa. O banco será responsável por devolver o dinheiro restante nos casos em que houver dificuldade operacional que impeça a devolução dos montantes.
Impacto no orçamento
As apostas on-line provocaram uma saída líquida de R$ 62,5 bilhões do orçamento das famílias em 2025, segundo a terceira edição do Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros.
entre outubro de 2024 e março de 2026, essa perda média foi estimada em R$ 4,7 bilhões por mês, de acordo com o levantamento.
Segundo um outro estudo, do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da Universidade de São Paulo (Made-USP), as apostas retiraram entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões da atividade econômica brasileira em 2025, o que equivale a cerca de 0,9% a 1,1% do PIB daquele ano.
Setores impactados
Os supermercados estão entre os primeiros setores que podem se beneficiar, segundo o economista Ricardo Paixão. Segundo ele, por comercializarem produtos essenciais, principalmente alimentos, produtos de higiene e limpeza.
Quando uma família deixa de comprometer parte da renda com apostas, aumenta a capacidade de direcionar esses recursos para necessidades cotidianas. Isso pode resultar tanto na compra de uma quantidade maior de produtos quanto na aquisição de itens de melhor qualidade, diz o especialista.
outros segmentos, como comércios de roupas, calçados, farmácias, restaurantes, pequenos estabelecimentos e prestadores de serviços, também são beneficiados.
Paixão analisa que, quando as famílias recuperam parte da renda disponível, podem voltar a realizar compras que estavam sendo adiadas. “Isso beneficia especialmente o comércio local, que depende diretamente da capacidade de consumo da população.”
Renda e idade não bastam para definir públicos de Marketing
Por Mundo do Marketing
Homens de 30 a 45 anos, residentes no Sudeste, com renda superior a cinco salários-mínimos e fatura média a partir de R$ 2 mil, podem apresentar características semelhantes sob a ótica demográfica e econômica. O comportamento de consumo, porém, indica diferenças significativas dentro desse grupo.
Um levantamento da Serasa Experian identificou nove perfis distintos entre consumidores que atendem a esses critérios e gastaram pelo menos R$ 500,00 em compras on-line no último ano. Para chegar a essa segmentação, a empresa analisou uma amostra de 70 mil CPFs e observou variáveis como volume de gastos, categorias de produtos adquiridos, canais de compra, modalidades de pagamento e relacionamento bancário.
A pesquisa identificou diferenças expressivas tanto no valor desembolsado quanto na distribuição das despesas. O gasto total médio anual dos nove grupos vai de R$ 5,3 mil a R$ 19,3 mil, uma variação de aproximadamente 3,6 vezes entre os extremos. A composição das compras também ajuda a distinguir os consumidores. Os dois segmentos com maior volume de gastos, por exemplo, direcionam seus recursos para categorias diferentes.
O perfil “Alimentos & Alto Gasto” concentra despesas com alimentação e outros itens de consumo recorrente, enquanto “Tecnologia & Alto Gasto” apresenta maior participação de eletrônicos, móveis e eletrodomésticos, telecomunicações e cuidados pessoais. A tabela abaixo reúne os nove grupos identificados pela Serasa Experian e alguns dos indicadores utilizados para caracterizá-los.
A segmentação demonstra que informações como faixa etária, localização e renda não são suficientes para explicar, isoladamente, as particularidades de cada audiência. Mesmo entre consumidores com condições demográficas e econômicas semelhantes, o gasto pode variar mais de três vezes. Além disso, pessoas que desembolsam quantias próximas podem apresentar preferências distintas de compra e pagamento.
Para Giovana Giroto, CMO e Vice-Presidente de Marketing Solutions da Serasa Experian, a análise conjunta dessas variáveis permite identificar diferenças que não aparecem em classificações mais abrangentes. Por isso, não é uma única característica que define um público, mas a combinação entre cesta de consumo, intensidade de gasto, canais, forma de pagar e contexto financeiro. Quanto mais camadas são combinadas, mais precisa se torna a compreensão de quem está dentro de cada audiência e de como esse público se relaciona com diferentes categorias.
Gastos semelhantes não significam as mesmas preferências de consumo
A proximidade entre os valores desembolsados também não garante que os consumidores tenham hábitos de compra equivalentes. É o que mostram os grupos “Digitais à Vista” e “À Vista & Cuidados”, cujos gastos médios anuais são de R$ 6.926,64 e R$ 7.040,46, respectivamente. Apesar da diferença reduzida entre os totais, a distribuição das despesas aponta para prioridades distintas entre os dois segmentos.
O grupo “À Vista & Cuidados” registra gastos cerca de 2,6 vezes maiores com cuidados pessoais e 3,6 vezes superiores com alimentos em comparação com “Digitais à Vista”. Este último, por sua vez, apresenta despesas mais elevadas nas categorias de eletrônicos e móveis e eletrodomésticos. As diferenças indicam que o montante consumido, quando analisado isoladamente, não permite identificar quais produtos têm maior relevância para cada público.
A modalidade de pagamento acrescenta outra dimensão a essa distinção. Entre os consumidores classificados como “Digitais à Vista”, 65% apresentam preferência por pagamentos à vista no comércio eletrônico. No segmento “À Vista & Cuidados”, a proporção chega a 100%. O indicador, contudo, representa a predominância de pedidos pagos à vista no comportamento observado, e não significa que todas as transações desses consumidores tenham ocorrido exclusivamente dessa maneira. A tabela comparativa a seguir detalha as diferenças entre os grupos.
Modalidade de pagamento e relacionamento bancário ampliam a segmentação
A combinação de variáveis também permite distinguir consumidores que compartilham preferências semelhantes na hora de pagar. Os segmentos “Banco Digital & Parcelado” e “Parcelado & Duráveis”, por exemplo, apresentam proporções próximas de consumidores que demonstram preferência pelo parcelamento nas compras on-line: 82,3% e 80,5%, respectivamente. Apesar dessa semelhança, os dados mostram diferenças na relação com os serviços financeiros e nas categorias que compõem as despesas.
No grupo “Banco Digital & Parcelado”, todos os consumidores, ou 100%, têm um banco digital como instituição financeira principal. Na amostra total analisada, esse percentual é de 21,4%. Já o perfil “Parcelado & Duráveis” se caracteriza pela maior participação de compras de móveis e eletrodomésticos e eletrônicos. Dessa forma, mesmo quando a preferência pela modalidade de pagamento é semelhante, o contexto bancário e os produtos adquiridos ajudam a estabelecer distinções entre os públicos. A tabela abaixo apresenta outros indicadores dos dois segmentos.
A análise reforça a importância de combinar diferentes sinais de comportamento para compreender as características de uma audiência. Idade, renda, volume de gastos e modalidade de pagamento oferecem informações relevantes, mas não explicam sozinhos as motivações e prioridades de consumo. Ao cruzar esses dados com as categorias adquiridas, os canais utilizados e o relacionamento bancário, as empresas conseguem identificar diferenças entre grupos aparentemente semelhantes e desenvolver estratégias de Marketing mais alinhadas às particularidades de cada segmento.
Giroto avalia que públicos semelhantes em uma dimensão podem ser bastante diferentes em outra. Idade, renda, valor gasto ou forma de pagamento ajudam a contar partes dessa história, mas é a combinação desses sinais que permite compreender com mais profundidade quem está dentro de uma audiência. Para as marcas, essa leitura contribui para construir estratégias de Marketing mais aderentes aos diferentes contextos de consumo.
Xuxa Schwarz é indicada ao Prêmio Amigos do Mercado 2026
Adriana Helena Schwarz, conhecida como Xuxa, concorre na categoria Mercado Regional, em reconhecimento à sua atuação no mercado publicitário gaúcho.
Xuxa Schwarz, à frente da ACASADAMIDIA, está entre os indicados ao Prêmio Amigos do Mercado 2026, na categoria Mercado Regional. A premiação reconhece profissionais do setor publicitário, e a indicação destaca sua atuação na aproximação entre marcas, agências e veículos de comunicação no Rio Grande do Sul.
Com foco na construção de relacionamentos e no fortalecimento do mercado, Xuxa trabalha para criar oportunidades e aproximar empresas e profissionais do setor.
A votação está aberta até 30 de outubro de 2026. Para participar, acesse: https://lnkd.in/daYAVfVq
Conjunto completa 28 anos de atuação no mercado
Agência celebra trajetória iniciada em 1998, marcada pela criação de projetos e pela construção de conexões com clientes e parceiros.
A Conjunto completa 28 anos de atuação neste mês de outubro. Desde 1998, a agência trabalha na criação de projetos e no desenvolvimento de conexões entre marcas e pessoas.
Ao longo dessa trajetória, a empresa construiu uma história ao lado de clientes, parceiros e profissionais que contribuíram para seu crescimento. A comemoração também marca a continuidade de um trabalho voltado à criatividade, às relações e à transformação de ideias em projetos.
89 anos ao lado de quem faz o varejo acontecer
Arcione Piva, Presidente do Sindilojas Porto Alegre
Uma história de 89 anos não se constrói olhando apenas para o passado. Ela se mantém viva quando consegue acompanhar as mudanças do seu tempo e continuar fazendo sentido para as pessoas que representa. Foi assim que o Sindilojas Porto Alegre chegou até aqui: criado para representar e defender os interesses dos lojistas, segue com o mesmo propósito de origem, mas atento às novas necessidades de quem empreende.
Ser empresário nunca foi uma tarefa simples. Hoje, os desafios passam pela transformação digital, pelas mudanças no comportamento do consumidor, pela gestão de pessoas, pela competitividade e pela necessidade de inovar sem perder de vista a saúde do negócio. Nesse cenário, o papel de uma entidade como o Sindilojas POA vai muito além da representação institucional. É estar próximo dos empreendedores, entender suas dificuldades e oferecer caminhos para que possam tomar decisões melhores, encontrar oportunidades e fortalecer suas empresas.
É por isso que, ao longo dos anos, ampliamos nossa atuação para reunir serviços, conhecimento, capacitação, inovação e conexões que façam diferença na rotina de quem empreende. Seja por meio de orientações para a gestão, benefícios que contribuem para reduzir custos, iniciativas de qualificação ou espaços que estimulam novas ideias e parcerias, nosso compromisso é transformar representação em apoio concreto. Porque fortalecer o varejo também significa cuidar de quem está por trás de cada loja, de cada equipe e de cada negócio.
Celebrar os 89 anos do Sindilojas POA, completados neste mês de outubro, é reconhecer a trajetória de quem ajudou a construir essa história e, principalmente, reafirmar o compromisso com o futuro. O varejo muda, as relações de consumo evoluem e os desafios se renovam. Nossa missão é seguir ao lado dos empreendedores, com escuta, proximidade e ação, para que tenham mais condições de crescer e prosperar. Fortalecer quem empreende é também contribuir para um comércio mais forte, uma economia mais dinâmica e uma Porto Alegre com mais oportunidades para todos.
Seguimos rumo aos 90 anos, ao lado dos lojistas a cada novo passo.
Idade não entrega resultados. Capacidade, atitude e vontade de fazer acontecer, sim
Por Rodrigo Hogera
O mercado continua refém de preconceitos velados que julgam o profissional pelo ano de nascimento no documento.
Julgar o valor do profissional pela data de nascimento é de uma pobreza gerencial rasteira e ultrapassada.
Idade avançada não é estagnação, assim como pouca idade jamais foi sinônimo de falta de compromisso.
O que move o ponteiro do negócio não é o ano do RG, mas a capacidade de entrega, resolução de problemas e fome de resultado.
Estudo da Harvard Business Review demonstra que equipes intergeracionais, focadas em atitude, são até 25% mais produtivas e inovadoras.
Além do mais, dados da McKinsey provam que decisões baseadas estritamente em competência e garra aumentam o desempenho operacional em 30%.
Liderança de verdade conecta a energia dos pequenos gafanhotos que querem conquistar com a sabedoria dos que já conhecem o caminho.
Sob a ótica da ISO 31000 (gestão de riscos), discriminar talentos por idade em vez de avaliar performance e perfil é um risco severo de capital humano.
Quem avalia certidão de nascimento antes de competência assiste o conhecimento vazar, a produtividade cair e o resultado voltar pra trás.
Eu NUNCA perguntei a idade durante entrevista…Penso comigo, pra que (!?)
Há anos falo sobre a necessidade de líderes identificarem brilho nos olhos, ávido desejo de entregar etc. e, caso não saibam, para buscarem desenvolver autoconhecimento e sensibilidade para tal.
Sem dizer que é só buscar referências, em possível dúvida, uma vez que contratar bem também dá trabalho, ok?!
O mercado maduro paga pela capacidade de promover a liderança eficaz que gera lucro e, eu, a fazer com que empresas vendam mais e melhor!
Faz sentido isso tudo? Espero ter contribuído.
Menos Séries, Mais Publicidade: Como o Streaming Está Mudando de Estratégia
O formato já representa 48,6% do consumo televisivo nos EUA e se aproxima da TV tradicional com mais anúncios, parcerias e eventos ao vivo
Por Rick Ellis (Forbes)
Segundo um estudo apresentado pela Glance durante a MIPCOM 2026, as plataformas de streaming estão cada vez mais próximas da televisão tradicional, em um cenário marcado pela redução das opções de distribuição de conteúdo, pelo avanço da publicidade e pela capacidade das séries de sucesso de manter públicos mais fiéis do que as novas estreias.
A empresa especializada em análises dos mercados televisivo e audiovisual examinou dados de audiência, catálogos das plataformas e tendências internacionais de conteúdo durante uma apresentação em Cannes. Os resultados revelam uma indústria na qual canais de televisão e serviços de streaming já não operam como negócios separados. Em vez disso, competem e, ao mesmo tempo, colaboram cada vez mais na disputa por espectadores e receitas publicitárias.
Para as plataformas de streaming, essa transformação também está mudando a maneira de investir em conteúdo. Em vez de depender exclusivamente de produções originais para conquistar assinantes, os serviços estão ampliando seus catálogos por meio de acordos com emissoras de televisão, apostando em franquias já conhecidas e buscando incorporar transmissões esportivas e outros eventos ao vivo capazes de atrair grandes audiências.
Catálogos crescem
Segundo a Glance, a quantidade de novas séries está diminuindo tanto na televisão tradicional quanto nas plataformas de streaming. Nos 48 mercados analisados, as estreias de séries na TV linear caíram 12% entre janeiro e setembro de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Já o catálogo global da Netflix encolheu 12%, enquanto o Disney+ registrou uma queda de 41%.
Na França, a quantidade de horas de conteúdo disponíveis na Netflix aumentou 61% em junho de 2026 após a inclusão de produções da TF1+. Já o catálogo do Prime Video cresceu 49% graças à incorporação de programas da M6+ e da france.tv.
De um lado, as emissoras de televisão encontram novas formas de distribuir seus conteúdos e gerar receitas por meio de acordos de licenciamento. De outro, os serviços de streaming conseguem ampliar e diversificar seus catálogos sem precisar produzir ou encomendar cada título por conta própria.
Protagonismo da publicidade
A televisão tradicional continua perdendo espectadores, embora a intensidade e o ritmo dessa queda variem de acordo com o país. De acordo com a Glance, o tempo diário dedicado à TV diminuiu em todos os mercados analisados durante o primeiro semestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior.
O Reino Unido registrou a maior redução, com nove minutos a menos por dia, chegando a uma média de duas horas. A Itália, por outro lado, manteve-se como o país da Europa Ocidental onde mais se assiste à televisão, com média diária de três horas e 32 minutos.
Nos Estados Unidos, a participação do streaming no consumo total de vídeo passou de 36% em janeiro de 2024 para 48,5% em junho de 2026. No mesmo período, a televisão aberta perdeu espaço, recuando de 24,2% para 19,8%, enquanto a TV por assinatura caiu de 27,9% para 19,5%.
Os dados da Nielsen também confirmam o avanço do streaming. Em maio de 2026, essas plataformas responderam por 48,6% do tempo total de consumo televisivo nos Estados Unidos, enquanto o YouTube, sozinho, representou 3,8%. Os números mostram que a concorrência já não se restringe aos serviços por assinatura, mas inclui também plataformas que distribuem vídeos produzidos por usuários e criadores de conteúdo.
Ainda, essa mudança está alterando o mercado publicitário. No Reino Unido, os serviços de vídeo sob demanda das emissoras de televisão aumentaram sua participação nas receitas publicitárias do setor de 23% para 29% entre 2023 e 2025. Na França, essa fatia avançou de 9% para 14%. Além disso, para a Glance, as receitas com publicidade dos serviços de streaming por assinatura no mercado francês cresceram de 23 milhões de euros em 2023 para 200 milhões de euros em 2025.
À medida que as plataformas de streaming passam a oferecer ou ampliar seus planos de assinatura com publicidade, começam a competir diretamente com as emissoras tradicionais pelos investimentos dos anunciantes.
Poder de atração
Os resultados da Glance mostram que séries que já possuem uma audiência consolidada estão ganhando importância nas plataformas de streaming.
Na Espanha, novas temporadas de produções já existentes representaram 58% dos títulos do Top 10 da Netflix, ante 35% em 2023. Em contrapartida, a participação das estreias de novas séries caiu de 65% para 33%.
Os eventos esportivos ao vivo mantêm grande capacidade de atrair espectadores. A Glance destacou que a Copa do Mundo da FIFA alcançou uma audiência acumulada de 2,6 bilhões de espectadores na China. No Reino Unido, 24 milhões de pessoas acompanharam a semifinal disputada pela Inglaterra, tornando-a a transmissão televisiva mais assistida no país desde a final da Eurocopa 2020. Na Espanha, a prorrogação da final da Copa do Mundo reuniu 16,6 milhões de espectadores. Já a vitória da Noruega sobre o Brasil foi acompanhada por 1,95 milhão de pessoas e concentrou 98% da audiência televisiva norueguesa.
As plataformas de streaming buscam adquirir direitos de transmissão esportiva para incorporar eventos capazes de reunir grandes públicos, algo difícil de alcançar apenas com conteúdos disponíveis sob demanda.
Entre os exemplos estão a UEFA Champions League no Paramount+, no Reino Unido; a NHL no Prime Video, nos Estados Unidos; e a Fórmula E no Disney+, em âmbito internacional.
Formatos internacionais e parcerias locais ganham espaço
A plataforma de pesquisa NoTa, da Glance, que analisa mais de 10 mil estreias de séries de televisão por ano em 48 mercados, identificou Estados Unidos e Reino Unido como os principais exportadores de séries de ficção. A França alcançou a terceira posição, empatada com a Turquia, apesar de ter um volume menor de produção. Juntos, esses quatro países respondem por 60% das exportações internacionais de séries de ficção.
As produções com maior distribuição internacional mudaram em relação ao ano anterior. Ao mesmo tempo, conteúdos originais das plataformas de streaming estão chegando a novos públicos por meio de canais de televisão locais e serviços regionais. Nesse cenário, coproduções e acordos de colaboração entre empresas de diferentes países também ganham relevância.
No segmento de programas sem roteiro, como reality shows e competições, Reino Unido, Estados Unidos e Países Baixos continuam entre os principais exportadores de formatos. No entanto, a participação conjunta desses países nas adaptações internacionais caiu cinco pontos percentuais, para 58%.
Os países nórdicos estão ganhando espaço tanto na venda quanto na compra de conteúdos, enquanto competições protagonizadas por celebridades, que colocam à prova suas capacidades psicológicas ou intelectuais, aumentam sua presença em diferentes mercados.
A Glance identificou novas tendências nos conteúdos televisivos. As séries de ficção incorporam cada vez mais temas ambientais, protagonistas que enfrentam instituições poderosas e histórias policiais ambientadas em restaurantes ou ligadas à gastronomia.
Já os programas sem roteiro apostam em formatos que combinam competições com elementos judiciais, desafios militares e provas de sobrevivência. Soma-se a isso uma integração crescente entre podcasts em vídeo, programas produzidos por criadores de conteúdo e vídeos verticais.
A próxima etapa
Para o fim de 2026, a Glance identificou diversos fatores que podem influenciar os rumos da indústria, entre eles os próximos grandes lançamentos, os processos de consolidação entre empresas de mídia e os investimentos publicitários relacionados às eleições de meio de mandato nos Estados Unidos.
Entre as produções que despertam maior expectativa estão a nova série de Harry Potter, da Warner Bros., e Blade Runner 2099, do Prime Video.
Tanto para as emissoras de televisão tradicionais quanto para as plataformas de streaming, entender quais conteúdos os espectadores escolhem e os motivos por trás dessas preferências está se tornando um fator essencial para orientar decisões comerciais e de programação.














