Usaflex transforma áudio de WhatsApp em ação de Dia das Mães – 05.05.2026

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Você vai ler na coluna hoje: Usaflex transforma áudio de WhatsApp em ação de Dia das Mães,  Marketing desperdiça até 30% do investimento com dados e mídia desconectados, Dado Schneider apresenta “A Palestra Dura”, Roberta Selister, O ‘Efeito Mounjaro’ além do físico: como as canetas estão impactando as compras do brasileiro, Do humano ao sistema: como Maslow e a homofilia são reconfigurados pela inteligência artificial, “Vale a pena ler”

 

Com as modificações das regras de envio do WhatsApp, criamos uma nova comunidade da Coluna do Nenê. Te convidamos a clicar no link abaixo para entrar na nossa comunidade e receber diariamente a nossa coluna. CLIQUE AQUI!   

 

 

Usaflex transforma áudio de WhatsApp em ação de Dia das Mães

Com base em dado da Meta, Usaflex cria ação que gera vídeos personalizados para o Dia das Mães

São Paulo, maio de 2026 – A Usaflex, marca gaúcha referência em calçados femininos de conforto no Brasil, apresenta sua ação central para o Dia das Mães 2026: uma experiência digital que transforma o gesto mais brasileiro de todos — o áudio de WhatsApp — em uma homenagem afetiva e personalizada para as mães. Batizada de “Seu amor em alto e bom som”, a iniciativa convida qualquer pessoa a gerar um vídeo especial para a própria mãe, combinando fotos e uma mensagem de voz de até 15 segundos.

A escolha do WhatsApp como canal não é casual. Segundo a Meta, empresa controladora do WhatsApp, o Brasil é o país que mais utiliza mensagens de voz no mundo, enviando quatro vezes mais áudios do que a média global e o comportamento está em crescimento: a frequência de envio aumentou 7% em comparação com 2024, e a duração dos áudios cresceu 8%. Ao todo, são 9,4 bilhões de áudios enviados diariamente no mundo, e cada pessoa passa em média 150 horas por ano gravando ou ouvindo mensagens de voz. Com esse dado como ponto de partida, a Usaflex identificou no áudio uma linguagem afetiva já incorporada ao cotidiano dos brasileiros e decidiu potencializá-la, dando forma e conteúdo a um gesto que já acontece naturalmente todos os dias.

A mecânica é simples: anúncios e ações nas redes sociais convidam o público a acessar a plataforma da campanha, onde um chatbot guia toda a experiência. Por ali, a pessoa envia fotos com sua mãe, grava uma mensagem de voz e escolhe os elementos que vão personalizar a homenagem. A tecnologia, desenvolvida em parceria com a Stayfilm, combina esses elementos e gera automaticamente um vídeo único, pronto para ser compartilhado nas redes sociais ou enviado diretamente para a mãe via WhatsApp.

A ação será amplamente divulgada em mídia digital, redes sociais e outros pontos de contato ao longo de toda a campanha, que vai de 23 de abril a 10 de maio.

“O Dia das Mães sempre foi uma data importante para a Usaflex, mas este ano optamos em ir além do presente. Quisemos criar um momento. A gente percebeu que o brasileiro já se comunica de forma afetiva pelo WhatsApp todos os dias e a nossa campanha apenas potencializou isso, dando forma e conteúdo a esse gesto tão natural. É exatamente o que a Usaflex representa: conforto que vai além dos pés”, afirma Manuela Cardona, diretora de marketing da Usaflex. Como desdobramento presencial da ação, a Usaflex instala nos dias 8 e 9 de maio uma cabine interativa no Shopping Center Norte, em São Paulo, onde o público poderá vivenciar ao vivo a mecânica do “Seu Amor em Alto e Bom Som” com o suporte da equipe da marca.

A iniciativa integra uma estratégia 360° que combina experiência presencial, conteúdo digital e influência. Nas redes, a campanha se desdobra em três editorias: Drops de Afeto, que trabalha a camada emocional com pílulas de conteúdo extraídas do filme principal da campanha; Roubartilhar, que celebra a conexão geracional entre mães e filhas que compartilham estilo e conforto; e Dicas de Presentes, que direciona o público para a conversão destacando os diferenciais tecnológicos e sensoriais dos produtos.

Na frente de influência, a estratégia combina nomes de grande alcance para ancorar a narrativa emocional de “mães que abrem caminhos” com um squad de sustentação focado em curadoria de presentes e na experiência sensorial dos calçados, todos atuando como amplificadores da ação de áudio e humanizando o conceito da campanha em diferentes camadas de público.

A estratégia de comunicação da campanha foi desenvolvida pela agência gaúcha Paim United Creators, responsável pela execução das frentes de conteúdo e experiência ao longo do período da campanha. “Quando entendemos a potencialidade do uso de áudios de WhatsApp no Brasil, enxergamos um meio até mais íntimo de demonstração de carinho. Não é à toa que um dos países com as pessoas mais receptivas do mundo utilize tanto as mensagens de voz: isso é afeto”, explica Mateus Tourinho, Head de Planejamento da Paim United Creators.

“Mandar um feliz Dia das Mães por escrito não reflete o sentimento que temos ao enviar uma mensagem de voz. E poder usufruir dessa oportunidade com a Usaflex trouxe ainda mais empolgação para o time da PAIM. A campanha é uma maneira de demonstrar, mesmo à distância, o amor e o vínculo com as mães. Ficamos extremamente felizes com a possibilidade de realizar essa ação em parceria com a Usaflex”, conclui, Rodrigo Pinto, VP de Criação e Conteúdo na Paim United Creators.

 

O custo da exclusão já está sendo medido — e as empresas estão pagando por isso…

Paulo Fernandes

Essa semana, um dado chamou atenção.
A exclusão de pessoas LGBTQIA+ no mercado de trabalho custa ao Brasil cerca de R$ 94 bilhões, segundo estudo citado pelo Banco Mundial.
Quando um número desse tamanho aparece, ele muda o nível da conversa.
Deixa de ser um tema apenas social.
Passa a ser um tema econômico.
E, principalmente, um tema de negócio.
Os dados mostram que pessoas LGBTQIA+ enfrentam taxas maiores de desemprego.
Em 2024, enquanto a taxa média de desemprego no Brasil gira em torno de 7%, dentro da comunidade LGBTQIA+ esse número chega a aproximadamente 15%.
Mesmo quando empregadas, muitas vezes essas pessoas ainda recebem menos.
Esses números não são coincidência.
São consequência direta de ambientes que ainda não conseguem integrar, desenvolver e reter pessoas de forma plena.
Ao longo da minha trajetória profissional, tive a oportunidade de ver esse impacto de perto — não em números, mas no dia a dia das organizações.
Em determinados momentos, parte da energia que pode estar sendo direcionada para o resultado acaba sendo desviada para a adaptação.
Para o cuidado com o que dizer, como se posicionar, como será percebido.
Esse tipo de esforço não aparece nos relatórios.
Mas aparece no desempenho.
E, muitas vezes, aparece no turnover.
Quando o ambiente não permite que as pessoas sejam quem são, o custo não é apenas cultural.
É operacional.
Impacta produtividade.
Impacta confiança.
Impacta retenção.
E, no fim, impacta o resultado.
O número de R$ 94 bilhões não surge de forma isolada.
Ele é resultado de decisões diárias — ambientes que não acolhem, lideranças que não enxergam e talentos que não conseguem performar no seu máximo.
No fim, empresas mais inclusivas não são apenas mais corretas.
São mais eficientes.
E os números começam a mostrar isso com cada vez mais clareza.
Tenho refletido bastante sobre esse tema e vejo cada vez mais espaço para levá-lo para dentro das empresas, conectando cultura, desempenho e resultado.

Paulo Fernandes

 

 

Marketing desperdiça até 30% do investimento com dados e mídia desconectados

Por Priscilla Oliveira

Mais investimento não está, necessariamente, gerando mais resultado em Marketing. Os dados do CMO Pulse 2026, conduzido pela Zoho em parceria com a M15 Drops e a Layer, mostram um cenário de ineficiência estrutural: até 30% dos recursos podem estar sendo desperdiçados, enquanto ferramentas seguem subutilizadas e a integração de dados ainda não acompanha a complexidade da jornada do consumidor.

Hoje, 44% das soluções contratadas são pouco aproveitadas. Ao mesmo tempo, uma parcela significativa da operação ainda está concentrada em tarefas operacionais. Cerca de 37% do tempo das equipes é dedicado à organização de dados, enquanto apenas 22% é direcionado à geração de insights, o que limita a capacidade de transformar informação em decisão e impacto de negócio. A fragmentação aparece como um dos principais desafios para 65,7% dos profissionais, que afirmaram que a integração de dados é o maior gargalo da área.

Jornada avança, estrutura não acompanha 

Esse descompasso se torna mais evidente quando observado do lado do consumidor. Mais de 80% utilizam múltiplos canais antes de decidir uma compra, em trajetórias cada vez menos lineares. No B2B, a complexidade também avançou e o número médio de interações praticamente dobrou na última década, passando de cerca de cinco para aproximadamente dez pontos de contato.

Apesar desse cenário, a distribuição de investimentos ainda não acompanha totalmente a dinâmica da jornada. Hoje, 61,1% da verba está concentrada em canais digitais. Ao mesmo tempo, meios tradicionais como televisão e rádio continuam liderando em confiança entre os consumidores, enquanto redes sociais e influenciadores apresentam menor credibilidade declarada, especialmente entre públicos mais maduros.

Investimento não reflete confiança 

A busca por performance imediata e escala faz com que parte das decisões priorize alcance e conversão de curto prazo, deixando em segundo plano fatores como confiança, reputação e construção de marca. Isso se torna ainda mais crítico em um cenário em que apenas 12% dos consumidores se dizem fiéis a uma marca independentemente do preço.

Ao mesmo tempo, novos formatos ganham espaço dentro da estratégia. Os creators, por exemplo, já aparecem entre os canais de melhor performance para metade dos líderes de Marketing. O avanço está ligado à capacidade de gerar identificação cultural e engajamento em nichos, ainda que esses canais não liderem em confiança declarada.

A combinação desses fatores mostra que a jornada não segue mais um funil linear, mas uma dinâmica distribuída, em que diferentes pontos de contato se influenciam continuamente. Com isso, a eficiência depende menos do volume de investimento e mais da capacidade de integrar dados, ferramentas e decisões.

 

 

Dado Schneider apresenta “A Palestra Dura”

Dado Schneider apresenta “A Palestra Dura”, descrita como uma nova palestra, mais longa e muito mais direta, com verdades que incomodam sobre as novas gerações.

A apresentação acontece nesta quinta-feira, 7 de maio, às 18h45, no palco principal.

 

 

A Morte do E-comerce Nacional

Por Eduardo Zuppo

Em novembro de 2024, o Mercado Livre pediu ao governo que barrasse as plataformas chinesas. Em janeiro de 2026, denunciou a Temu por concorrência desleal. Em março de 2026, abriu um centro de distribuição na China e passou a enviar produtos direto das fábricas para o Brasil.

Três movimentos. Uma contradição. E uma lição sobre o que acontece quando a defesa não funciona.

A Temu chegou à América Latina com 105 milhões de usuários e crescimento de 143% em um ano. O comércio de compras feitas direto do exterior já movimenta mais de US$ 10 bilhões na região. O recado era simples: ou entra na rota chinesa, ou fica preso a uma cadeia mais cara e mais lenta.

O Mercado Livre não é uma empresa fraca. Em 2025 registrou receita de US$ 28,9 bilhões e 120 milhões de compradores ativos. Mesmo assim as ações caíram 12% após o último balanço. O mercado financeiro enxergou o risco antes da empresa admitir publicamente.

Quando o concorrente tem uma vantagem que você não consegue eliminar regulando, existe uma única saída: entrar no território dele. O Mercado Livre escolheu sobreviver em vez de ter razão. E pagou o preço de contradizer tudo que disse antes.

Essa contradição não é fraqueza. É estratégia sob pressão. E vai acontecer no seu setor também, de um jeito ou de outro.

Isso muda o jogo para quem vende online no Brasil. Manda esse post para um empresário que precisa ver isso.

 

 

Roberta Selister

Tráfego do ecommerce caiu? CAC subiu?

Não é teoria. Já está nos números.  A venda online agora acontece em 3 camadas:

1. Descoberta (IA, creators, social)

2. Operação (automação, eficiência, escala)

3. Conversão (conversa, personalização, contexto)

Quem conecta as três, cresce. Quem não conecta, sente o custo subir e a margem cair.  Estarei nessa quarta, dia 6, no Palco Share, mediando o painel Presente e Futuro da Venda Online com grandes feras do mercado a convite da Cíntia Carvalho e Rafael Martins no Gramado Summit

 

 

O ‘Efeito Mounjaro’ além do físico: como as canetas estão impactando as compras do brasileiro

Por Roberta Terra

“Famílias com usuários de GLP-1 compram menos.”

Essa frase tem potencial de mexer com o maior motor do varejo: volume.

E quando o volume muda, não é só uma categoria que sente — é o modelo inteiro.

Um estudo global já capturou os primeiros sinais: lares com usuários dessas terapias reduziram, em média, 3,8% no volume de compras de alimentos e bebidas e 3,1% no valor gasto.

A leitura estratégica indica que esse é apenas o começo de uma curva.

No Brasil, o comportamento já se traduz em decisões práticas: 55% reduziram pedidos no delivery, 47% passaram a frequentar menos restaurantes e 95% diminuíram o consumo de pelo menos uma categoria.

Não se trata de intenção declarada.
É mudança executada.

E ela não é homogênea — os cortes são direcionados.

Chocolates caem 17,9%, snacks 13,5%, vinho 12,5% e cerveja 11,4%.

No Brasil, a intensidade é ainda maior: snacks e doces apresentam retração de 70%, bebidas açucaradas 50%, massas e outros carboidratos 47%, bebidas alcoólicas 45% e ultraprocessados 42%.

Esse padrão revela algo mais profundo do que simplesmente “consumir menos”.

O carrinho deixa de ser acumulativo e passa a ser curado.

Enquanto isso, algumas categorias avançam: proteínas magras crescem 30%, frutas e vegetais 26%, alimentos integrais 25% e águas e chás sem açúcar 22%.

Essa combinação é particularmente sensível para modelos baseados em frequência e impulso.

O impacto já começa a aparecer fora do supermercado.

Quando mais da metade dos usuários reduz pedidos, plataformas de delivery entram diretamente na equação.
Quando a frequência de ida a restaurantes cai, o foodservice sente.
Quando categorias indulgentes perdem relevância, indústrias e redes de alimentação precisam revisitar portfólio, comunicação e estratégia de preço.

Há ainda um dado que costuma passar despercebido, mas talvez seja o mais relevante.

A projeção global de GLP-1 aponta um mercado de US$ 150 bilhões até 2030.
No Brasil, o setor já movimenta mais de R$ 6 bilhões ao ano.
São 24 milhões de usuários projetados até 2035, com potencial de redução de até 30% na ingestão calórica.
O país já figura como o segundo maior mercado global.

Ao mesmo tempo, mais de 1,13 bilhão de adultos convivem com obesidade no mundo, com projeção de 31% da população brasileira nessa condição até 2025.

Ou seja, não se trata de um nicho.
Trata-se de escala.

A frase “a caneta nasceu no consultório, mas já está mudando a gôndola” ganha uma nova dimensão quando observamos o sistema completo:

Menos apetite altera frequência.
Frequência altera volume.
Volume altera produção.
Produção altera portfólio.
Portfólio altera estratégia de marca.

E estratégia mal ajustada custa market share.

O risco está em perder relevância diante de um consumidor que reorganiza prioridades sem aviso prévio.

Não existe campanha que aumente fome.

Se o crescimento sempre veio de fazer o consumidor comprar mais, o que acontece com o seu modelo quando ele passa a querer menos — e melhor?

 

 

Do humano ao sistema: como Maslow e a homofilia são reconfigurados pela inteligência artificial

Introdução: dois conceitos clássicos, uma ruptura a caminho

Este artigo propõe uma análise do comportamento de consumo no futuro a partir de dois conceitos que historicamente auxiliaram na sua compreensão. O primeiro é a pirâmide de Maslow, que organiza o porquê consumimos o que consumimos, partindo das necessidades fisiológicas até a realização pessoal. O segundo é a homofilia, que explica como o consumo se propaga por meio da influência entre indivíduos, na medida em que pessoas confiam, validam e replicam comportamentos de outros percebidos como semelhantes.

À luz dessas duas lentes, o argumento central é que a entrada da inteligência artificial, especialmente com a democratização de agentes pessoais e agentes de compra, não apenas altera o consumo em, mas altera sua origem estrutural. A pirâmide de Maslow passa a ser influenciada por bolhas algorítmicas que moldam o desejo, enquanto os agentes introduzem uma camada de aparente racionalidade na decisão, que, na prática, opera como uma forma de homofilia virtual.

1. A pirâmide de Maslow como arquitetura do consumo

– Necessidades Fisiológicas
Alimentação, água, sono, abrigo, reprodução, excreção e manutenção da vida.

– Necessidades de Segurança
Segurança, estabilidade, proteção, ordem, leis, saúde e propriedade.

  • Necessidades Sociais
    Relacionamentos, amizade, amor, pertencimento e aceitação.
  • Necessidades de Estima
    Autoestima, confiança, conquista, respeito dos outros e reconhecimento.
  • Autorrealização
    Alcançar todo o seu potencial, crescimento pessoal e realização.

A pirâmide de Maslow sempre funcionou como uma importante base na organização do consumo. Ao estruturar a progressão das necessidades humanas, ela ofereceu ao mercado um mapa claro para posicionar produtos e serviços. Consumimos primeiro para sobreviver, depois para garantir segurança, em seguida para pertencer, posteriormente para sermos reconhecidos e, por fim, para buscar realização.

Essa progressão não é apenas psicológica; ela é econômica e estratégica. Ela estruturou categorias e definiu territórios de marca. Mais do que isso, consolidou a premissa de que o desejo nasce no indivíduo e que o consumo é uma resposta a uma necessidade percebida por ele em relação ao mundo exterior. Essa lógica sustentou a evolução do marketing e do branding ao longo das décadas.

 2. A homofilia como motor da influência

Se Maslow explica a origem do consumo, a homofilia explica sua propagação. A decisão de consumo não é construída apenas na relação entre indivíduo e produto, mas, sobretudo, na relação entre indivíduos. Pessoas confiam em pessoas semelhantes ou aspiracionais, e essa similaridade ou espelho reduzem incerteza, aceleram decisões e legitimam escolhas.

Nesse contexto, o produto perde seu protagonismo para quem o valida. A mensagem, por si só, deixa de ser suficiente. O que sustenta a decisão é a identificação com quem comunica, o tão conhecido termo “influenciador”. Essa lógica sempre existiu, mas ganhou escala com as redes sociais, onde a influência passou a operar de forma seletivamente distribuída,  relacional e contínua.

 3. O pressuposto comum: o humano como centro

Apesar de atuarem em dimensões diferentes, Maslow e homofilia compartilham um pressuposto estrutural: o humano como origem, meio e fim da decisão. A pirâmide assume que o desejo nasce internamente a partir da relação com o meio externo. A homofilia assume que a influência ocorre entre humanos no meio externo, impactando no desejo.

Esse modelo funcionou de forma consistente enquanto o consumo era um fenômeno exclusivamente humano. No entanto, esse pressuposto começa a se fragilizar no momento em que sistemas passam a atuar ativamente tanto na formação do desejo quanto na execução da decisão de compra.

 4. A pirâmide de Maslow sob influência algorítmica

A inteligência artificial não altera as necessidades humanas, mas altera a forma como elas são acessadas, interpretadas e ativadas. Ambientes digitais deixam de ser neutros e passam a operar como sistemas de construção de realidade, organizando o que é visto, repetido e validado. Um prisma parcial do mundo que passa a ser aceito como o mundo do indivíduo. Beira algo ficcional, mas é verdade.

Nesse cenário, o desejo deixa de ser exclusivamente percebido pelo indivíduo e passa a ser continuamente sugerido e reforçado por algoritmos. A necessidade deixa de ser apenas sentida para ser inferida. O consumo, que antes operava como resposta, passa a operar como indução externa forçada.

A pirâmide de Maslow continua válida, mas muda de natureza. Ela deixa de ser um mapa interno que se relacionava com o meio e passa a ser uma estrutura que pode ser lida e acionada por sistemas, sendo radicalmente persuadido. O indivíduo mantém a sensação de escolha, mas essa escolha ocorre dentro de um repertório previamente organizado.  A liberdade de escolha é míope.

 5. Agentes de compra e a ilusão de racionalidade

A introdução de agentes pessoais e agentes de compra adiciona uma nova camada ao processo decisório. O indivíduo deixa de executar a escolha diretamente e passa a definir critérios, preferências e objetivos. A decisão operacional é delegada a sistemas que processam informações e realizam a melhor escolha possível dentro desses parâmetros.

Esse movimento cria uma percepção de maior racionalidade. A decisão parece mais lógica, mais eficiente e menos sujeita a vieses. No entanto, essa racionalidade é limitada, pois os critérios que orientam esses agentes continuam sendo formados em ambientes influenciados por algoritmos.

A execução se torna racional, mas sem a análise crítica do comprador, sem a observação das diferenças entre um fornecedor e outro, sem a emoção e a razão trabalhando juntas. A autonomia percebida não corresponde integralmente à autonomia real.

 6. A homofilia virtual e a simulação de semelhança

A transformação mais profunda ocorre no campo da homofilia. Se a influência sempre dependeu da percepção de semelhança entre humanos, a inteligência artificial introduz a possibilidade de simular essa semelhança.

Sistemas passam a reproduzir linguagem, comportamento e repertório alinhados ao perfil do usuário, ocupando gradualmente um espaço relacional. De um “Companheiro Virtual”.  Hoje já existem plataformas prestando este serviço e as próprias IA´s, inúmeras opções em franca utilização no mundo, avançam para o diálogo e o relacionamento com seu usuário. A interação deixa de ser apenas funcional e passa a gerar identificação.

A questão central é que a máquina passa a tecer uma amizade com seu usuário. Se a homofilia opera pelo vínculo e pelo reconhecimento do outro em si próprio, então a simulação dessa proximidade é suficiente para ativar o mesmo mecanismo cognitivo.

7. O consumo em dois sistemas simultâneos

O consumo deixa de ser um processo linear e passa a operar em dois sistemas complementares. O primeiro é invisível, contínuo e emocional, responsável por moldar preferências, aprendendo gradativamente com as interações e construindo um ambiente que privilegie o interesse do usuário. O segundo é explícito, lógico e orientado à execução, no qual agentes processam informações e realizam decisões de escolha e de compra. De certa forma eles se retroalimentam, fomentando e direcionando a atenção e as preferências do usuário.

Um forma o desejo, o outro executa a decisão. O indivíduo transita entre ambos, muitas vezes sem perceber a distinção entre eles.

8. Implicações estratégicas para empresas e conselhos

Essa transformação não reposiciona apenas o marketing. Ela reposiciona a própria lógica de competitividade dos negócios e do branding.

Quando o desejo passa a ser moldado em ambientes algorítmicos e a decisão começa a ser executada por agentes, o consumo deixa de ser um tema de comunicação e passa a ser uma questão estrutural de negócio. A disputa deixa de ocorrer apenas por preferência de marca e passa a acontecer dentro dos sistemas que organizam atenção, influência e decisão.

Esta robustez de decisões desloca o tema para a pauta de Conselho.

Passa a ser responsabilidade estratégica discutir como a empresa se integra a plataformas e agentes, como estrutura sua infraestrutura de dados para dialogar com esses sistemas e quais são os limites éticos e de governança na construção de influência e no uso de informações dos consumidores. Não se trata apenas de capturar demanda, mas de compreender como ela está sendo formada e por quem.

Ao mesmo tempo, abre-se uma nova frente de geração de valor. A lógica de faturamento começa a incorporar a atuação via agentes, novos intermediários digitais e dinâmicas automatizadas de recomendação e execução.

Sem esse letramento conceitual, o risco não é apenas perder eficiência. É perder relevância no ponto onde o consumo efetivamente acontece.

 Conclusão: o consumo deixa de ser exclusivamente humano

Maslow e homofilia continuam sendo estruturas fundamentais para interpretar o consumo, mas deixam de ser suficientes para explicá-lo em sua totalidade. A pirâmide de Maslow passa a ser influenciada por ambientes algorítmicos que moldam o desejo antes da consciência, enquanto a homofilia passa a ser replicada por sistemas que simulam semelhança.

Os agentes introduzem uma camada de racionalidade operacional que mascara a complexidade do processo que antecede a decisão. O consumo não deixa de ser humano, mas deixa de ser exclusivamente humano.

 

 

“Vale a pena ler”

Todas as quintas-feiras, pontualmente às 10h, na sala 3B de um prédio da faculdade no centro de Bucareste (capital da Romênia), um grupo peculiar toma seus lugares:
Ninguém tem menos de 70 anos.

Alguns chegam com bengalas, outros de bicicleta.

Uma mulher traz bolos caseiros.

Outra distribui citações de autores gregos.

Todos sorriem como crianças em sua primeira excursão escolar.

Eles se autodenominam “A Universidade das Quintas-feiras”, embora não haja mensalidades nem provas.

Apenas o desejo de aprender.

Tudo começou com Mihnea Dragomir, um ex-professor de literatura romena que, após se aposentar, sentiu algo dentro de si se apagando.

“Eu tinha livros, eu tinha tempo… mas me faltava o brilho nos olhos para compartilhar minha história.”

Então, ele pediu permissão para usar uma sala de aula vazia uma vez por semana.

Ela colocou um anúncio na padaria do bairro:

“Aulas para pessoas com mais de 65 anos. Grátis. Sem dever de casa. Só curiosidade.”

Na primeira vez, apareceram três pessoas. Na segunda, sete. Na terceira, vinte.

Agora, toda quinta-feira, mais de quarenta idosos se reúnem para conversar sobre tudo: história, poesia, cinema, tecnologia, neurociência, arte africana, evolução, inteligência emocional.

Cada aula começa com uma rodada de perguntas:

—O que você aprendeu esta semana fora da escola?

E as respostas são surpreendentes:

—Aprendi a fazer videochamadas com minha neta em Berlim.

—Descobri que as baleias cantam em diferentes dialetos.

—Assisti a um filme coreano sem entender uma palavra… mas chorei mesmo assim.

Mihnea não cobra. Ela não faz chamada. Ela simplesmente oferece um quadro branco, uma história e uma xícara de chá ao final de cada sessão.

Mas o que acontece naquela sala de aula vai muito além do conhecimento.

“Vim pela cultura”, diz Adela, de 82 anos, “mas encontrei algo mais urgente: pertencimento.”

Muitos deles moravam sozinhos. Alguns haviam parado de sair. Um deles até confessou que não conversava com ninguém por mais de cinco minutos há anos.

Agora, eles trocam mensagens. Emprestam livros. Comemoram aniversários. E se alguém falta na quinta-feira, o telefone toca:

“Você está bem? Precisa de alguma coisa?”

A Universidade das Quintas-feiras não concede diplomas, mas oferece algo mais valioso: significado.

Em uma sociedade que empurra os idosos para o esquecimento, esse grupo demonstra que a sede de conhecimento não envelhece. Ela apenas se transforma.

Há alguns meses, eles foram convidados para uma conferência universitária sobre inovação educacional.

A plateia silenciou ao ver aquele grupo de pessoas de cabelos grisalhos, com andadores e risos contidos, entrar. Um dos estudantes perguntou:

“E que tipo de inovação vocês trazem?”

O mais velho, Pavel, de 90 anos, respondeu:

“Inovamos não desistindo. Continuando a fazer perguntas. Não é isso que um bom cientista faz?”

A plateia o aplaudiu de pé.

Hoje, vários jovens se juntaram à plateia como ouvintes. Alguns dizem que entendem melhor seus avós.

Outros dizem que finalmente aprenderam a ouvir sem pressa.

E Mihnea, o professor que não queria parar de lecionar, diz que não tem mais medo de envelhecer.

“Porque agora eu sei que, enquanto houver quinta-feira, haverá um motivo para acordar com entusiasmo.”

 

 

 

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