Você vai ler na coluna de hoje: A volta da formalidade no branding, Inovação no setor público ganha destaque com o Prêmio GovTech Summit, Marketplaces exigem novo padrão operacional das marcas, Alta insatisfação de mulheres com conteúdo digital questiona autenticidade do “empoderamento” nas redes, Veja quais são as empresas mais amadas para trabalhar no Brasil e Como a música tem sido moldada pelas novas demandas de mercado.
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A volta da formalidade no branding
Por Ewerton Mokarzel
Quando todo mundo veste moletom, o terno vira atitude. O mesmo está acontecendo com as marcas. Depois de uma década de minimalismo pasteurizado que trocou brasões por tipografias sans-serif em caixa alta, a formalidade reaparece não como nostalgia, mas como estratégia. Não nasceu no Photoshop. Veio de um mercado mais duro, da competição por margens e do cansaço cultural com a estética do app. O branding sempre foi pendular e o pêndulo voltou.
Blanding – O custo da limpeza excessiva
O ciclo anterior foi eficiente para um mundo que precisava caber numa tela de cinco polegadas. Logotipos limpos, tipografias geométricas e tom jovial prometeram velocidade e escala. O fenômeno ganhou até nome blanding. A crítica é: todo mundo parece a mesma startup moderninha. Quando todos limpam demais, a identidade evapora, a distinção morre e o luxo começa a soar genérico.
A troca simultânea de marcas históricas por wordmarks geométricos funcionou no digital, mas apagou significados acumulados por décadas. O resultado é uma eficiência que empobrece.
Comparativo de logotipos de marcas de luxo mostrando a transição de fontes clássicas e
O contexto que empurrou a virada
O The State of Fashion 2026 projeta crescimento tímido e consumidores que priorizam valor real em vez de preço alto. Nesse cenário, atributos como utilidade, durabilidade e legado ajudam a sustentar valor e preferência. O mercado de segunda-mão deve crescer de duas a três vezes mais rápido que o primário até 2027; quase 60% dos consumidores globalmente dizem que provavelmente comprarão resale em 2026.
No varejo, sinais de comportamento apontam a mesma direção. O interesse por alfaiataria e códigos mais sérios reacendeu nos mercados maduros com a volta dos rituais sociais. No Reino Unido, a John Lewis reportou alta de 68% nas vendas de ternos da marca própria e um salto de 584% em outerwear formal; a Marks & Spencer vendeu 37.500 ternos de £120 em um único mês e afirma que as vendas de ternos cresceram 18% em dois anos. Sintoma claro de um consumidor mais consciente de preço que usa a formalidade como linguagem de confiança.
Burberry e o retorno do cavaleiro
Se você quer enxergar o pêndulo, olhe a Burberry. Em 2018, a casa trocou a serifa clássica por um sans-serif robusto no espírito do tempo. Com a nova liderança, a rota foi recalibrada. Retorno ao Equestrian Knight, lema Prorsum, wordmark com sotaque histórico e um azul proprietário que reposiciona a marca. Nada aqui é gesto decorativo. É uma política de identidade.
“In some ways, we had lost our way”, assume o CEO Joshua Schulman.
Como o próprio Schulman pontua, a marca havia deslizado para uma visão estreita de luxo inglês. Era preciso uma linguagem que qualquer mercado reconhecesse sem explicação. “Our brand expression had gone with a very niche view of British luxury rather than a globally recognised view.”
Voltar ao core. “Burberry has authority, heritage and legitimacy as a leader in outerwear and scarves.” A empresa recalibrou a pirâmede de preços e abandonou o consumidor de entrada – a passarela deixa de ser o negócio e volta a ser laboratório com reinvestimento focado em desejo, design e marketing.
De histórias para ser história
No luxo, a reorganização criativa também foi pendular. Nove das 15 maiores casas trocaram de diretor criativo em 12 meses. A ironia do momento é que a estética que parecia libertar marcas da “caretice” terminou aprisionando todas no mesmo grid. É a busca por códigos estáveis em tempos instáveis.
Há quem confunda formalidade com caretice. Formalidade é valorizar o que tem valor e como se reconhece valor. Por isso ela se atualiza. No branding, significa abandonar a ansiedade de parecer moderno e redescobrir formas que suportam memória, ritual e preço. É o que separa um selo de um logotipo. O primeiro carrega uma história que continua criando histórias. O segundo apenas ocupa espaço.
Inovação no setor público ganha destaque com o Prêmio GovTech Summit
A transformação digital dos governos tem ganhado cada vez mais espaço no debate sobre gestão pública no Brasil. Um dos movimentos que simboliza essa mudança é o Prêmio GovTech Summit, iniciativa criada para reconhecer projetos que utilizam tecnologia e inovação para melhorar serviços públicos e enfrentar desafios sociais e ambientais.
A premiação integra a programação do GovTech Summit, considerado um dos principais encontros do país dedicados ao ecossistema GovTech, que reúne startups, gestores públicos, especialistas e representantes da sociedade para discutir como a tecnologia pode tornar os governos mais eficientes, transparentes e centrados no cidadão.
O prêmio tem como objetivo valorizar iniciativas capazes de transformar a administração pública por meio da inovação tecnológica, com foco especial em sustentabilidade e resiliência. Podem concorrer tanto startups quanto projetos desenvolvidos por órgãos públicos ou parcerias entre diferentes setores. Os projetos são avaliados por critérios como originalidade, impacto socioambiental, viabilidade e potencial de escala.
Mais do que reconhecer boas práticas, a iniciativa busca fortalecer um ecossistema que aproxima governos de empreendedores e pesquisadores. A lógica por trás das GovTechs é simples: utilizar soluções tecnológicas para resolver problemas reais da gestão pública, desde mobilidade urbana e educação até digitalização de serviços e gestão de dados.
Em um momento em que cidades e governos enfrentam desafios cada vez mais complexos — como mudanças climáticas, crescimento urbano e demanda por serviços digitais — iniciativas como o prêmio ajudam a identificar e difundir soluções que podem ser replicadas em diferentes regiões.
Ao destacar cases de impacto, o Prêmio GovTech Summit reforça a ideia de que a inovação no setor público não depende apenas de tecnologia, mas também de colaboração entre governos, empresas, academia e sociedade. O resultado é um ambiente mais propício para criar políticas públicas mais ágeis, eficientes e alinhadas às necessidades da população.
Marketplaces exigem novo padrão operacional das marcas
O avanço dos marketplaces no Brasil redefiniu as regras de competitividade no e-commerce. Se, em um primeiro momento, o diferencial estava concentrado em preço e sortimento, o cenário atual mostra que reputação, SLA de entrega e eficiência operacional passaram a ser determinantes para crescimento sustentável nos canais digitais.
Datas duplas favorecem marketplaces no e-commerce brasileiro
Dados de mercado indicam que os marketplaces já representam cerca de 78% das vendas online no país (Ebit/Nielsen), consolidando-se como principal ambiente de transação digital. Nesse contexto, vender deixou de ser o maior desafio. A nova fronteira competitiva está na capacidade de executar com excelência tudo o que acontece após o clique.
Score, SLA e reputação se tornam ativos estratégicos
Nos marketplaces, a visibilidade de um produto não depende apenas de mídia ou preço competitivo. O desempenho operacional influencia diretamente o ranqueamento, a exposição e, consequentemente, a conversão.
Indicadores como prazo de despacho, taxa de atraso, índice de cancelamento, eficiência na logística reversa e qualidade do atendimento ao cliente impactam o score da marca dentro das plataformas. Uma operação fragmentada — com múltiplos fornecedores desconectados entre logística, financeiro e atendimento — aumenta o risco de falhas, retrabalho e perda de competitividade.
Além disso, a conciliação financeira passou a ocupar papel central na gestão de sellers e indústrias que atuam em múltiplos canais. Taxas, repasses, divergências e controle de recebíveis exigem uma estrutura integrada e automatizada. Sem isso, parte da margem é consumida por ineficiências invisíveis.
A profissionalização da operação como vantagem competitiva
Diante desse cenário, cresce a demanda por modelos operacionais mais integrados, capazes de consolidar estoque, sincronizar sistemas e unificar dados financeiros e logísticos em tempo real. É nesse contexto que surge a categoria Click to Delivery, modelo que estrutura toda a jornada pós-clique — da gestão de catálogo à integração, passando por serviços financeiros, logística, atendimento ao cliente e business intelligence — de forma unificada.
A After Click nasce como pioneira nesse posicionamento no Brasil, com foco na etapa que mais impacta a experiência do consumidor e a performance nos marketplaces: o pós-clique. A empresa opera com estrutura capaz de processar mais de 2 milhões de pedidos por ano, mantendo indicadores como 95%+ de entregas dentro do prazo e 99,5% de acuracidade de estoque. Com centro de distribuição em Extrema (MG), a operação combina eficiência logística e inteligência fiscal, permitindo modalidades como same day delivery para a Grande São Paulo e next day para as principais capitais do país.
Operação passa a ser marketing
A consolidação dos marketplaces elevou o nível de exigência das plataformas. Hoje, excelência operacional não é apenas um requisito técnico — é um fator direto de geração de receita.
Marcas que estruturam de forma integrada logística, atendimento e conciliação financeira conseguem reduzir rupturas, melhorar reputação, elevar score e ampliar exposição orgânica dentro dos próprios marketplaces.
Nesse novo estágio do e-commerce brasileiro, a execução deixou de ser bastidor para se tornar protagonista. A operação passou a influenciar diretamente conversão, retenção e crescimento.
À medida que o setor avança para uma era de maior especialização, modelos fragmentados tendem a perder espaço para estruturas integradas e focadas na jornada completa do pós-clique. Em um ambiente onde reputação e previsibilidade definem competitividade, eficiência operacional se consolida como ativo estratégico das marcas digitais.
Alta insatisfação de mulheres com conteúdo digital questiona autenticidade do “empoderamento” nas redes
O marketing digital se apresenta, cada vez mais, como território estratégico para marcas que desejam dialogar com o público feminino. No entanto, estudo realizado para Mestrado em Marketing Digital da MUST University (Flórida, EUA) revela que há um descompasso significativo entre o discurso de empoderamento adotado por muitas empresas e a percepção real das mulheres que consomem esses conteúdos.
O estudo “O uso do marketing digital como instrumento de empoderamento feminino: análise de estratégias, desafios e oportunidades na comunicação contemporânea”, desenvolvido pela jornalista Monica Kulcsar, ouviu 134 mulheres entre os dias 31 de janeiro e 20 de fevereiro de 2026. A pesquisa analisou percepções sobre representatividade, autenticidade, uso de inteligência artificial, algoritmos e vieses de gênero nas campanhas digitais.
Com 25 anos de experiência na área de saúde e comunicação, a jornalista decidiu investigar o tema ao observar a crescente apropriação do discurso do empoderamento feminino pelas marcas nas redes sociais.
“Meu objetivo foi compreender se o marketing digital está, de fato, contribuindo para ampliar autonomia, representatividade e inclusão, ou se estamos diante de uma estratégia predominantemente simbólica, mais estética do que estrutural”, afirma.
Alta exposição, olhar crítico
O perfil das participantes revela mulheres altamente inseridas no ambiente digital: a maioria acessa redes sociais várias vezes ao dia e possui elevado nível de escolaridade. A faixa etária predominante está entre 35 e 54 anos, grupo com forte poder de decisão de consumo e carreira.
Esse recorte contribui para um dado central do estudo: a leitura crítica das campanhas de empoderamento.
Entre as respondentes:
92,5% afirmam já ter recebido anúncios considerados sexistas ou inapropriados;
72,4% concordam totalmente que o empoderamento feminino é frequentemente utilizado mais como estratégia de marketing do que como compromisso real;
87,3% concordam totalmente que mulheres negras, gordas, LGBTQIAP+ ou com deficiência são sub-representadas nas campanhas digitais.
Os dados indicam que, embora as mulheres reconheçam o potencial do marketing digital como ferramenta de transformação social, há desconfiança em relação à autenticidade das marcas.
“Muitas campanhas falam em autonomia, mas continuam reproduzindo padrões estéticos restritos e narrativas superficiais. Esta divergência está cada vez mais evidente para as mulheres, que pedem coerência entre discurso e prática organizacional”, explica Monica.
Empoderamento: discurso ou prática?
A pesquisa dialoga com a literatura acadêmica, que aponta para o fenômeno do chamado “feminismo de mercado”, ou seja, pautas feministas têm sido incorporadas à comunicação publicitária sem necessariamente promover mudanças estruturais nas empresas.
Para as participantes, tornam uma campanha mais autêntica a presença de mulheres e histórias reais (44%), ações concretas além do marketing (30,6%), transparência das ações (12,7%), representatividade diversa (6%) e linguagem inclusiva (4,5%).
O estudo identificou que 62,7% das mulheres se sentem motivadas ao ver mulheres em posições de liderança nas redes sociais, indicando que a representatividade pode ter impacto relevante, desde que autêntica.
Algoritmos e vieses de gênero
Outro ponto sensível revelado pela pesquisa diz respeito ao papel da inteligência artificial e da personalização algorítmica.
A maioria das respondentes (79,9%) acredita que algoritmos tratam homens e mulheres de forma desigual, direcionando conteúdos mais centrados em aparência e consumo para mulheres, enquanto áreas como carreira, tecnologia e finanças são menos frequentes.
“Há consciência crescente de que a tecnologia não é neutra. As mulheres percebem quando os algoritmos reforçam desigualdades históricas”, destaca a pesquisadora.
Apesar disso, as participantes reconhecem benefícios da personalização digital, desde que acompanhada de ética, transparência e governança de dados sensível às questões de gênero.
Marcas e referências de empoderamento
Quando questionadas sobre marcas consideradas exemplos de empoderamento feminino, nomes como Natura (51,6%), Dove (25,8%) e Magazine Luiza (19,3%) e Avon (12,9%) apareceram com maior recorrência.
Entre personalidades citadas, surgiram artistas, parlamentares, intelectuais e influenciadoras digitais, demonstrando que o empoderamento é percebido como fenômeno plural, que ultrapassa o campo do consumo. Um dado curioso: entre 188 nomes distintos mencionados como referências de empoderamento, apenas três eram homens, indicando que a pauta ainda é socialmente percebida como responsabilidade majoritariamente feminina.
Dentre os nomes mais lembrados, destacam-se a deputada federal Erika Hilton (6,9%), a atriz Paola Oliveira (5,8%), a deputada federal Sâmia Bomfim (5,3%), jornalista e ex-deputada federal Manuela d’Avila (4,2%) e a atriz Taís Araújo (3,2%).
Conclusão: potencial existe, mas exige coerência
A conclusão do estudo é clara: o marketing digital pode, sim, atuar como instrumento de empoderamento feminino, mas apenas quando orientado por autenticidade, responsabilidade social e compromisso real com diversidade e equidade.
“Empoderamento não pode ser apenas narrativa. Precisa ser prática organizacional, política interna e postura ética diante da tecnologia”, resume Monica.
Para a pesquisadora, o desafio para as marcas não é apenas comunicar diversidade, mas incorporá-la estruturalmente, inclusive no desenvolvimento de tecnologias, segmentação de campanhas e definição de métricas de sucesso.
O trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética da MUST University e integra a conclusão do Master of Science in Digital Marketing.
Veja quais são as empresas mais amadas para trabalhar no Brasil, segundo pesquisa
Ranking da Consultoria ILoveMyJob traz recorte nacional e lista geral, além de indicar os fatores que pesam na atração e na permanência de profissionais CLT
A consultoria ILoveMyJob divulgou a pesquisa de marca empregadora Loved Companies 2025, realizada com cerca de dois mil respondentes em regime CLT, que ranqueia as empresas mais lembradas como destino desejado para trabalhar e indica os fatores associados à atração, permanência e saída voluntária no mercado.
A Loved Companies 2025 apresenta o ranking em dois recortes: o nacional (apenas empresas brasileiras) e o geral (com empresas brasileiras e multinacionais). O critério principal é o volume de menções positivas, em caso de empate, entram critérios do Glassdoor como desempate.
Ranking nacional (empresas brasileiras):
1- Itaú
2- Sicredi
3- O Boticário
4- Natura
5- Nubank
6- Eurofarma
7- Ambev
8- Vale
9- iFood
10- SESC
Ranking geral (com brasileira e multinacionais):
1- Google
2- Itaú
3- Apple
4- Sicredi
5- Amazon
6- Grupo Boticário
7- Natura
8- Coca-Cola
9- Nubank
10- Microsoft
Plano de carreira supera salário no emprego ideal e lidera motivos de saída
Plano de carreira é o principal fator associado ao emprego ideal na percepção de profissionais brasileiros e também o motivo mais citado para desligamento quando falamos de saída voluntária.
Segundo o levantamento, o crescimento ou plano de carreira aparece como a primeira menção de 20,42% dos participantes ao definir o emprego ideal. Na sequência, surgem salário e benefícios (13,60%), colaboração entre equipes (12,46%), transparência (9,69%), autonomia e flexibilidade (8,69%) e liderança próxima ou inspiradora (6,68%).
“A pesquisa mede a percepção dos profissionais para entender o que torna uma empresa desejada e quais atributos pesam na decisão de permanecer ou de querer trabalhar ali. Essa avaliação começa cedo, ainda no recrutamento, quando o candidato compara a promessa da marca empregadora com a experiência do processo seletivo”, afirma a especialista em marca empregadora Angélica Madalosso, CEO e cofundadora da ILoveMyJob.
O mesmo tema que lidera o que os profissionais buscam também aparece como principal gatilho de saída. Ao serem questionados sobre os motivos de desligamento, os respondentes apontaram, em primeiro lugar, a falta de oportunidades de crescimento ou de um plano de carreira estruturado (14,66%). Depois aparecem salário e benefícios (13,78%), falta de reconhecimento e valorização (13,46%), sobrecarga de trabalho (12,02%) e trabalho 100% presencial (10,42%). De acordo com o estudo, a avaliação do candidato começa no recrutamento e se confirma na experiência ao longo do tempo. A repetição do tema nas duas listas reforça esse ponto.
Na avaliação da ILoveMyJob, a leitura dos resultados reforça dois movimentos do mercado de trabalho atual. O primeiro é a valorização do plano de carreira e da solidez das organizações. A consultoria aponta que empresas mais tradicionais, consolidadas ou amplamente reconhecidas tendem a aparecer com maior destaque entre as mais citadas, o que indica busca por ambientes percebidos como mais estáveis para construção de carreira no médio e longo prazo. A leitura se conecta à valorização de organizações que investem de forma consistente no desenvolvimento das pessoas, com estrutura, aprendizagem contínua e oportunidades reais de crescimento, como diferencial na atração e na permanência de talentos.
O segundo ponto aparece nos fatores de desistência, em que cresce a menção ao excesso de demanda e à sobrecarga de trabalho. Angélica Madalosso destaca que esse dado pode ser analisado em conjunto com indicadores que apontam uma epidemia de saúde mental no Brasil, com impactos diretos na relação das pessoas com o trabalho. O reflexo, segundo ela, é menor tolerância a jornadas excessivamente intensas e contínuas, especialmente em contextos sem suporte, priorização clara ou práticas de cuidado com as pessoas. Nesse cenário, a avaliação reforça a importância de modelos de gestão que equilibrem performance, bem-estar e sustentabilidade do trabalho no longo prazo.
Importância da presença digital
Entre os canais citados na busca por emprego, o levantamento aponta o LinkedIn como principal plataforma, seguido por networking. O dado sugere que presença digital e consistência entre comunicação de carreira e experiência do candidato seguem relevantes na disputa por talentos.
O levantamento destaca que o Top 10 de 2025 é puxado por marcas com forte presença B2C – empresas já muito presentes no cotidiano do consumidor – e aponta um “efeito halo”, já que alta visibilidade e investimento em marca tendem a transbordar para a percepção como empregadora. A pesquisa também chama atenção para sinais de transformação digital, agenda ESG e benefícios/flexibilidade como elementos associados à atratividade dessas marcas. Outro ponto levantado no documento é que quase 15% dos respondentes não indicaram nenhuma empresa, um dado interpretado como sinal de expectativas mais exigentes e busca por autonomia no trabalho.
A Loved Companies adota metodologia Top of Mind, com 95% de grau de confiança e margem de erro de 5%. Segundo o estudo, o cálculo considerou o total de trabalhadores CLT no país (48,69 milhões, com base em dados do Governo Federal).
A amostra foi de cerca de dois mil profissionais de todas as regiões brasileiras, com predominância de respondentes do Sudeste (74,41%) e do Sul (14,08%). No recorte setorial, 40% dos respondentes estavam em serviço (varejo/bens de consumo) e 20% em finanças. Os demais setores aparecem com 10% cada, incluindo tecnologia e serviços/educação.
Como a música tem sido moldada pelas novas demandas de mercado
Por Matheus Conci
A música está no nosso dia a dia, seja o formato que for. Ela relaxa, ela agita, ela emociona, ela distrai, ela concentra. Para um mercado que vive querendo a atenção do consumidor, a música é um assunto que dificilmente perde a sua relevância no tempo e acompanhar sua evolução é nos entender como sociedade – e cultura.
Para esta newsletter, mostramos como a fórmula muda, mas como a música segue fazendo o que sempre fez: organizando gente em torno de pertencimento. A cultura de festivais e o possível fim das baladas, a ascensão do streaming de áudio, e o que ele ainda pode revolucionar, além de como os artistas precisam se reinventar no setor são temas que trazemos para vocês.
Ser latino virou vantagem competitiva
Não precisamos falar do que foi a experiência das duas datas do show do Bad Bunny neste ano no Brasil. O cantor acertou no nervo porque o conceito do seu recente trabalho sempre evidênciou o “nós” antes de ser “eu”. E nisso, Brasil e Porto Rico tem muito o que dividir culturalmente, como irmãos de experiência (colonização, pobreza estrutural, resistência pela arte, alegria como ato político).
Por isso, podemos prever que a atração confirmada para o novo Todo Mundo no Rio, Shakira, não foi uma escolha equivocada. Não é novidade da relação da colombiana com o Brasil, país que ela sempre incluiu em suas turnês, e que ela sabe falar a língua nativa. O que pouca gente sabe é como Shakira foi pioneira em colocar o Brasil no centro de sua estratégia.
No inicio da sua carreira, em 1997, não houve o que a artista não fizesse para conquistar o público brasileiro. Além de tocar em muitas cidades fora das capitais, ela também aceitou o teatro da TV aberta como sambar, dançar a dança do ventre e aprendeu a “dança da bundinha”. E não parou por aí: teve encontro com vendedor de loja para empurrar a distribuição onde o CD realmente girava e até parceria com a rádio Jovem Pan, como “sócia do produto”, com execução de três a quatro vezes por dia e um acordo de US$ 1 por disco — que, segundo o relato, rendeu US$ 1 milhão à rádio nessa operação. Ou seja, Shakira abriu portas para ser quem é – e ter tudo para ocupar cada grão de areia de Copacabana, em maio.
O streaming quer fechar a conta
A elasticidade de produto é a grande estratégia da gigante Spotify para tentar driblar os anos de prejuízo – por mais que tenha atingido o primeiro resultado positivo há pouco tempo! Uma dessas estratégias é a integração da venda de ingressos “dentro do aplicativo”, com a promessa explícita de eliminar etapas e reduzir fricções. Isso é mais do que conveniência: é o streaming tentando virar o hub central da jornada do fã, conectando descoberta e conversão no mesmo ambiente.
A ambição vai além do ticketing: em entrevista, a executiva Dustee Jenkins diz que um festival do Spotify no Brasil está sendo avaliado com a equipe de marketing, como “uma proposta” que poderia ser divertida. Isso porque o país é um mercado de atenção para eles, já que não só é destaque no número de assinantes globalmente e regionalmente, como também a paixão brasileira pela sua própria música impressiona a nossa fidelização pela produção local.
A gente lembra que a ideia não seria inédita: o “This Is Marília Mendonça” no Allianz Parque, reuniu 25 mil pessoas para um tribo à cantora falecida precocemente em 2021. Outros momentos como esse parecem estar na rota do Spotify – e a gente agradece muito!
O último acende a luz
A noite techno de Berlim sempre foi uma vitrine – e um termômetro – para as baladas mundo a fora. Porém, ela também lança o conceito de Clubsterben, uma palavra perfeita pra um problema bem concreto: “morte dos clubes”. Rendas subindo, gentrificação, custos (energia, equipe, DJs) e uma cidade que vai ficando cara demais pra sustentar a própria cultura noturna – e isso puxa fechamentos e pânico coletivo. Quando sair à noite vira artigo de luxo, a pista começa a esvaziar antes mesmo de tocar a primeira faixa.
A Geração Z entra nessa história não como “culpada”, mas como consequência: teve gente que chegou à maioridade com clube fechado e simplesmente não foi “iniciada” na cultura – e dois anos e meio fazem diferença. Soma isso com uma busca por festas mais soltas, com playlists dançáveis (trance e pop nostálgico) e mais diversidade musical nos coletivos. A noite não acabou: ela está trocando de formato porque o mundo trocou primeiro.
O detalhe mais irônico: o techno de Berlim virou patrimônio cultural imaterial pela UNESCO na Alemanha — dividindo prateleira com gaita-de-foles turca, falcoaria europeia e dança do tambor inuit. É lindo, mas também é sintoma de “respeitabilidade de meia-idade”: quando a contracultura vira certificado, ela precisa se esforçar dobrado pra continuar sendo convite para os mais jovens. É a noite ganhando medalha… e perdendo o seu fôlego.
Lembra dele, o videoclipe?
No último dia de 2025, a MTV encerrou seus canais dedicados à exibição de videoclipes 24 horas. Embora ela não tenha dado detalhes, com certeza a ação é parte de um fenômeno observado no mercado fonográfico global: o fim dos videoclipes como estratégia dos artistas.
Foi-se o tempo que o trabalho caríssimo compensava: hoje, a competição com a rolagem infinita é pedir pra apanhar, fora segurar alguém durante toda a duração de uma música. A audiência de videoclipes despencou nos últimos anos, com artistas como Beyoncé e Drake parando de lançar vídeos, e dificuldade crescente de se destacar numa plataforma que antes dominavam.
A notícia sobre a Taylor Swift é quase um estudo de caso desse novo tabuleiro: ela não estreou inicialmente o clipe de “Opalite” no YouTube, escolhendo lançar “exclusivamente” no Spotify e Apple Music. O motivo é totalmente comercial: os streamings nas duas plataformas contam para a posição da parada da Billboard, os views de Youtube, não. Isso faz os videoclipes serem menos importantes ou relaxarem na qualidade? Não, mas muda muita coisa no tabuleiro musical. É ver como essa nova configuração vai mexer no mercado.
O Mercado está mudando?
164.000 unidades vendidas de fitas cassetes em 2025, um aumento de 53% em relação ao ano anterior.
33% dos usuários escutam seu podcast pelo Youtube, enquando Spotify (≈25–27%) e Apple Podcasts (≈14–15%) vêm a seguir como os aplicativos mais populares.
2.500.000 de pessoas, é o número estimado de público para o show da Shakira, em Copacabana. O evento espera repetir os feitos passados também com a ocupação hoteleira, em torno de 90%.
1ª vez que um artista não-baiano leva o prêmio de hit do verão. Pedro Sampaio e Melody, com a música JetSki, não só tocaram em todo o país durante o feriado, como deixaram muita gente com a coreografia no pé.
8% de penetração do streaming de música em mercados emergentes, em 2024. Com a saturação dos mercados mais desenvolvidos, analistas preveem que esse número subirá para 14% em uma década.