Você vai ler na coluna hoje: Comung celebra 30 anos destacando impacto das universidades comunitárias no desenvolvimento do RS, As Pessoas Mudaram, a epidemia da solidão e o desafio de criar vínculos reais, Da economia da atenção à valorização das cidades: o futuro do OOH, Por que o mercado precisa resgatar a ciência do marketing, Mulheres viram maioria nas agências, mas ganham menos, A economia da solidão: o mercado de uma pessoa só está reorganizando o consumo.
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Comung celebra 30 anos destacando impacto das universidades comunitárias no desenvolvimento do RS
Café com a Imprensa, realizado na Universidade Feevale, apresentou dados que evidenciam a contribuição das 14 instituições comunitárias para a educação, a ciência, a inovação e o desenvolvimento social e econômico do Estado
O Consórcio das Universidades Comunitárias Gaúchas (Comung) reuniu, nesta terça-feira, 25, reitores de instituições integrantes da entidade para marcar os 30 anos de atuação no Rio Grande do Sul. Realizado no Teatro Feevale, no Câmpus II da Universidade Feevale, em Novo Hamburgo, o Café com a Imprensa apresentou dados sobre a abrangência e o impacto das 14 universidades comunitárias nas áreas de ensino, pesquisa, inovação, internacionalização, saúde e desenvolvimento regional.
Participaram do encontro os reitores José Paulo da Rosa, da Universidade Feevale; Rafael Frederico Henn, da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc); Ir. Manuir José Mentges, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS); Pe. Sérgio Eduardo Mariucci, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos); Dieter Rugard Siedenberg, da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (Unijuí); Edison Alencar Casagranda, da Universidade de Passo Fundo (UPF); Ir. Cledes Antonio Casagrande, da Universidade La Salle; Asdrubal Falavigna, da Universidade de Caxias do Sul (UCS); e Evania Schneider, da Universidade do Vale do Taquari (Univates).
Durante a atividade, foi destacada a importância e a atuação das instituições comunitárias no Estado. Em 2025, as universidades do Comung ofertaram 524 cursos de graduação presencial, com 85.588 estudantes matriculados. Desses, 28.611 possuíam algum tipo de bolsa ou gratuidade, o equivalente a 33,4% do total. No mesmo ano, 13.889 estudantes concluíram cursos de graduação presencial.
Na pós-graduação, foram ofertados 1.305 cursos lato sensu, com 103.516 estudantes matriculados. Já a pós-graduação stricto sensu contava com 182 cursos e 7.673 estudantes, sendo que 3.941 possuíam algum tipo de bolsa ou gratuidade. Em 2025, as instituições formaram 1.589 mestres e 720 doutores.
A atuação científica e tecnológica também se destaca. As universidades comunitárias reuniam, em 2025, 6.487 professores, dos quais 4.922 possuíam, no mínimo, mestrado acadêmico concluído. No mesmo período, foram registradas 13.849 publicações científicas, enquanto 360 patentes haviam sido registradas até o ano passado.
Outro destaque é a estrutura de inovação mantida pelas instituições. Os nove parques tecnológicos vinculados a universidades do Comung reúnem 729 empresas, responsáveis por 14.438 postos de trabalho. Além disso, as 13 incubadoras de empresas vinculadas às instituições registravam 266 empresas incubadas em 2025.
A dimensão internacional também integra a atuação do Consórcio. Ao longo de 2025, foram desenvolvidos 615 projetos relacionados à internacionalização, envolvendo 1.015 instituições internacionais parceiras e 8.665 alunos.
Na área da saúde, as instituições realizaram 11.043 projetos com atendimento ao público em 2025, envolvendo 4.999 colaboradores e 10.755 alunos. As iniciativas, que incluem serviços gratuitos como atendimento psicológico e odontológico e programas de atividade física para idosos, alcançaram 590.620 pessoas. Também foram desenvolvidos 110 projetos voltados especificamente a pessoas em situação de vulnerabilidade social, que atenderam 126.518 pessoas.
Para o reitor da Universidade Feevale, José Paulo da Rosa, a estrutura das universidades comunitárias reflete a capacidade de investimento e de transformação das instituições nas regiões onde estão inseridas. “O Teatro Feevale, onde este evento está sendo realizado, é um exemplo da qualidade das estruturas das 14 universidades que compõem o Comung. Além de teatros, todas possuem excelentes bibliotecas, laboratórios de pesquisa, que nos permitem realizar pesquisas”, afirmou.
José Paulo também destacou a diferença do modelo comunitário em relação às instituições privadas tradicionais. “Há 30 anos, as instituições organizaram o consórcio, não porque são melhores que as demais, mas porque são diferentes. Nós não visamos o lucro, mas objetivamos os resultados para reinvestir em nossa operação e, assim, beneficiar as nossas comunidades. Então, essas três décadas precisam ser comemoradas, porque a existência de uma universidade comunitária é sinal de desenvolvimento regional”, ressaltou.
O reitor da Unisc e presidente do Comung, Rafael Frederico Henn, reforçou o papel estratégico das universidades comunitárias para o desenvolvimento do Estado. “Não há como ter uma sociedade desenvolvida econômica e socialmente sem uma universidade forte. Então, não há dúvida que as universidades comunitárias são fundamentais no desenvolvimento social e econômico, e acreditamos que esse modelo comunitário se configura como a maior rede de ensino superior do Rio Grande do Sul”, destacou.
Segundo Henn, a articulação entre as instituições também fortalece a capacidade do Rio Grande do Sul de avançar em diferentes áreas. “Temos convicção que o nosso Estado pode, através do Comung, ficar cada vez mais forte perante o Brasil”, completou.
O evento contou, também, com uma apresentação de dados socioeconômicos da região de atuação das instituições comunitárias gaúchas, conduzida por Marcos Lelis, coordenador do Grupo de Pesquisa Competitividade, Economia Regional e Internacional (CEI), da Unisinos. Segundo Lelis, as regiões abrangidas pelo Comung concentram 85,5% do PIB do Rio Grande do Sul, além de responderem por 50,6% da produção agropecuária e 87% da atividade industrial. Durante o evento o professor Juan Felipe Almada, da Feevale, apresentou a marca comemorativa dos 30 anos do Comung.
Criado em 1996, o Comung atua na defesa e no fortalecimento do modelo comunitário de educação superior e na articulação de iniciativas voltadas ao ensino, à pesquisa, à inovação, à extensão e ao desenvolvimento regional. As instituições integrantes não possuem fins lucrativos e reinvestem seus resultados na própria educação e em serviços oferecidos às comunidades.
Ao longo de sua trajetória, as instituições que integram o Consórcio já formaram mais de 674 mil estudantes em cursos de graduação, exceto licenciaturas, e mais de 220 mil em cursos de licenciatura. Na pós-graduação stricto sensu, o acumulado histórico supera 31 mil mestres e 8,9 mil doutores formados.
Integram o Comung, além da Universidade Feevale, a Universidade de Caxias do Sul (UCS), Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), Universidade Franciscana (UFN), Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Universidade de Cruz Alta (Unicruz), Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (Unijuí), Universidade La Salle, Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), Universidade do Vale do Taquari (Univates), Universidade Católica de Pelotas (UCPel), Universidade de Passo Fundo (UPF), Centro Universitário da Região da Campanha (Urcamp) e Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI).
As Pessoas Mudaram, a epidemia da solidão e o desafio de criar vínculos reais
O mundo nunca esteve tão conectado. E as pessoas nunca estiveram tão sozinhas.
Para entender como paradoxos como esse afetam o mercado, a e21 desenvolveu o projeto “As Pessoas Mudaram”, uma série de estudos focada em decifrar os comportamentos que transformam hábitos, prioridades e desejos.
A ideia é, a partir disso, estabelecer discussões profundas com as marcas que precisam estar atentas aos movimentos sociais, capturando sempre novas oportunidades de gerar relevância e valor.
Neste recorte, a e21 mergulhou em uma dor silenciosa que atravessa gerações e exige atenção das marcas: a epidemia da solidão.
Hiperconexão e o fim da aldeia global: as redes sociais seriam pura ilusão?
Por muito tempo, a publicidade e o ecossistema digital venderam a imagem de uma vida hiper-social: pessoas sempre cercadas de amigos, churrascos em família, sorrisos em viagens inesquecíveis, curtidas aos milhares e notificações piscando a todo instante.
Mais recentemente, criou-se a ideia de que a tecnologia nos tornaria uma grande comunidade, onde ninguém jamais estaria só.
No entanto, a realidade por trás das telas revela uma verdade muito mais complexa e um tanto mais sombria/desafiadora:
Dados recentes da Comissão sobre Conexão Social da Organização Mundial da Saúde (OMS) acenderam um alerta vermelho global: 1 em cada 6 pessoas no mundo é afetada pela solidão.
Essa percepção de isolamento vai muito além da tristeza passageira que, de alguma forma, em algum tempo, pode afetar a todos.
A OMS revela o impacto devastador da falta de conexões reais: mais de 871 mil mortes por ano no mundo estão associadas à solidão.
E se engana quem pensa que o isolamento é um problema exclusivo da terceira idade. A epidemia emocional atinge em cheio justamente aqueles que já nasceram com um smartphone nas mãos: entre 17% e 21% (1 em cada 5, praticamente) dos jovens de 13 a 29 anos relatam se sentir solitários com frequência.
Esse cenário se agrava consideravelmente dependendo do contexto socioeconômico: o índice chega a 24% entre pessoas de países de baixa renda, mais que o dobro das taxas registradas em nações de alta renda (11%).
Modernidade líquida: conexões instantâneas, vínculos superficiais
Como é possível viver uma epidemia de solidão no auge da era digital?
Não era para a hiperconexão nos tornar os seres mais sociais de toda a história da humanidade?
Um estudo de especialistas da Universidade de São Paulo (USP), analisado pela e21, aprofunda as razões desse fenômeno: O excesso de conectividade criou relações rápidas, porém efêmeras e extremamente superficiais.
A chamada “modernidade líquida”, conceituada pelo sociólogo Zygmunt Bauman, como uma época em que relações, identidades, valores e estruturas sociais se tornam cada vez mais flexíveis, instáveis e provisórias, em constante transformação, materializou-se também no cotidiano: laços voláteis, relações descartáveis e convívios baseados unicamente na lógica da performance.
Performance?
Nas redes sociais, as pessoas acabam se comparando o tempo todo.
A busca por likes, validação, filtros estéticos e o medo de ficar de fora — o famoso FOMO (Fear Of Missing Out) — têm gerado sentimentos profundos de inadequação.
Os jovens estão moldando suas vidas com base na opinião de uma “plateia virtual”, o que afeta diretamente o senso de pertencimento e a própria identidade.
É a ilusão de estarmos cada vez mais juntos, enquanto vivenciamos menos contato real humano do que nunca.
E a matemática desse isolamento também cobra um preço físico e produtivo: Há comprovação de que a solidão aumenta o risco de AVC, doenças cardíacas e diabetes, além de dobrar a probabilidade de desenvolvimento de depressão e ansiedade.
No aspecto educacional e profissional, jovens solitários têm 22% mais chances de obter notas baixas, enquanto adultos enfrentam mais dificuldades para manter um emprego e progredir financeiramente.
O que a solidão tem a ver com as marcas?
A análise da e21 aponta que entender a profundidade dessa solidão crônica é essencial para uma comunicação mais humana, empática e capaz de criar valor real para o público.
A superficialidade cede espaço para a urgência de vínculos reais. O consumidor quer se sentir pertencente a algo antes de ser bombardeado por ofertas ou informações impositivas, em monólogos estabelecidos para uma relação de consumo. (E só).
Para a comunicação, alguns recados se tornam ainda mais valiosos.
É preciso parar de retratar um mundo irreal e plastificado, onde todo mundo é popular e está feliz o tempo todo no Instagram. Ninguém se identifica com o perfeito. E, inclusive, tem medo dele.
Também é necessário cuidado com a comunicação que estimula a comparação nociva e a competição por status.
Em vez de focar na construção de “audiências”, as marcas podem ajudar a construir “comunidades”, criando espaços de diálogo, escuta e interação genuína.
Equilibrar a tecnologia com o incentivo ao contato humano verdadeiro é o melhor caminho.
A e21 desenvolveu um estudo muito mais abrangente sobre o assunto e oferece workshop sobre o tema para ser realizado junto aos times de marketing das empresas.
O projeto propõe uma troca de conteúdo para aprofundar como a comunicação pode responder a essa realidade com mais escuta, vínculo e relevância.
FONTES E REFERÊNCIAS DE ESTUDO:
AGÊNCIA BRASIL / ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). OMS: uma em cada seis pessoas no mundo é afetada pela solidão. Disponível em: Agência Brasil.
JORNAL DA USP (UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO). Solidão entre jovens expõe epidemia emocional em plena era digital. Disponível em: Jornal da USP.
Da economia da atenção à valorização das cidades: o futuro do OOH
Por Fabi Soriano (CNN Brasil)
As principais discussões internacionais sobre Out of Home (OOH) reforçam uma percepção importante: a mídia exterior vive um momento de transformação profunda. Criatividade, inteligência artificial, dados, sustentabilidade, mensuração e colaboração deixaram de ser tendências para se consolidar como pilares que orientam o desenvolvimento da indústria em diferentes mercados. E o mais interessante é perceber que muitas dessas mudanças já fazem parte da realidade brasileira.
Os números ajudam a explicar esse movimento. Dados recentes do Painel Cenp-Meios mostram que a mídia exterior movimentou R$ 827,1 milhões apenas no primeiro trimestre do ano. Em quatro anos, o setor cresceu 132,3%, mais que o dobro da expansão registrada pelo mercado publicitário brasileiro no mesmo período, de 61,8%. Com isso, a participação do OOH no bolo publicitário passou de 10,3% para 14,8%, consolidando o meio entre os três principais destinos dos investimentos em publicidade no país.
Esse crescimento não acontece por acaso. Ele reflete uma transformação na forma como as marcas buscam se conectar com as pessoas. Entre especialistas da indústria, existe um consenso cada vez mais evidente: em um cenário de excesso de informação, fragmentação das audiências e saturação das plataformas digitais, o mundo real voltou a ocupar um espaço estratégico na comunicação. Nesse contexto, a confiança, atributo historicamente associado à mídia exterior, ganha ainda mais relevância e se consolida como um diferencial competitivo.
Durante muito tempo, acreditou-se que a tecnologia, por si só, seria capaz de resolver todos os desafios da comunicação. Hoje, o debate segue outro caminho. A inteligência artificial ganhou espaço, a compra programática evolui rapidamente, os dados se tornaram mais sofisticados e as ferramentas estão mais acessíveis do que nunca. Ao mesmo tempo, cresce o entendimento de que tecnologia e dados deixaram de ser diferenciais para se tornar infraestrutura indispensável para qualquer estratégia de comunicação.
O verdadeiro diferencial continua sendo a capacidade de criar conexões relevantes. Um dos principais consensos entre especialistas é que a economia da atenção exige muito mais do que eficiência operacional. Em um ambiente em que consumidores são impactados por milhares de mensagens diariamente, apenas ideias capazes de surpreender, emocionar ou provocar conversas conseguem gerar lembrança de marca. É por isso que a criatividade permanece como o principal ativo estratégico do OOH.
A rua continua sendo um espaço coletivo. Enquanto as telas digitais disputam segundos de atenção individual, a mídia exterior transforma cidades em palco para experiências compartilhadas. Não por acaso, o Out of Home vem sendo cada vez mais associado ao conceito de In Real Life (IRL), ou “mídia da vida real”. Em um momento em que consumidores valorizam experiências autênticas fora das telas, o OOH conecta marcas aos espaços onde a vida acontece: nas ruas, nos deslocamentos, nas praças, nos centros comerciais e nos encontros cotidianos. Grandes formatos, intervenções urbanas, projetos especiais e campanhas contextualizadas têm a capacidade de ultrapassar o espaço físico, ganhar repercussão espontânea nas redes sociais e ampliar exponencialmente seu alcance. Criatividade e presença no mundo real deixam de ser atributos isolados e passam a atuar de forma complementar na construção de experiências memoráveis.
Outro tema que ganhou protagonismo nas discussões internacionais foi a inteligência artificial. Ao contrário do que muitos imaginam, o debate não gira em torno da substituição das pessoas, mas da ampliação de suas capacidades. A IA já acelera processos, organiza dados, apoia o desenvolvimento de campanhas e aumenta a eficiência operacional. Mas repertório, sensibilidade, contexto e visão estratégica continuam sendo atributos essencialmente humanos. A tecnologia amplia possibilidades; a criatividade continua sendo o elemento capaz de transformar uma campanha em uma experiência memorável.
A mensuração consolidou-se como uma das principais prioridades da indústria global de Out of Home. Se há alguns anos os dados representavam uma vantagem competitiva, hoje passaram a ser uma condição para competir. Os anunciantes querem compreender, com cada vez mais precisão, o impacto dos investimentos em comunicação. Por isso, métricas robustas, modelos de audiência, integração entre plataformas e padronização de indicadores tornaram-se temas centrais para o desenvolvimento do setor. Esse movimento vem impulsionando a criação de referências e metodologias que tornam a mensuração mais consistente, transparente e comparável entre diferentes mercados, contribuindo também para o amadurecimento dessa agenda no Brasil.
A sustentabilidade também deixou de ser tratada apenas como uma agenda reputacional para assumir um papel estratégico nos negócios. Grandes anunciantes já incorporam critérios ambientais em seus processos de contratação, enquanto eficiência energética, redução de emissões e transparência passaram a influenciar decisões de investimento. Para a mídia exterior, isso representa uma oportunidade importante de reforçar sua contribuição para cidades mais inteligentes, responsáveis e conectadas às demandas da sociedade.
O fortalecimento do associativismo também se consolidou como um dos grandes temas para o futuro da mídia exterior. Em diferentes mercados, fica evidente que desafios relacionados à regulamentação, mensuração, tecnologia e reputação são enfrentados de forma coletiva, com forte atuação das entidades representativas na construção de padrões, no diálogo com governos e no fortalecimento institucional da indústria. O desenvolvimento do setor depende, cada vez mais, da capacidade de empresas concorrentes colaborarem em pautas que beneficiam todo o ecossistema.
Essa atuação coletiva também contribui para ampliar a visibilidade internacional de iniciativas brasileiras. Projetos desenvolvidos no país têm conquistado reconhecimento por sua capacidade de combinar criatividade, inovação e impacto social. Mais do que conquistas pontuais, esses resultados demonstram que o Brasil está conectado às principais discussões globais do setor e tem contribuído com soluções que inspiram diferentes mercados. O intercâmbio de conhecimento e a troca de experiências fortalecem a indústria como um todo e estimulam o desenvolvimento de novas práticas para a mídia Out of Home.
Tudo isso reforça uma convicção: o futuro da mídia exterior será construído pela combinação entre criatividade, confiança, inteligência, dados, sustentabilidade e colaboração. São movimentos que já transformam o mercado e que exigem investimentos contínuos em inovação, qualificação e desenvolvimento coletivo.
Da mesma forma, acompanhar as estratégias adotadas por exibidores, agências e empresas de tecnologia ao redor do mundo mostra que compartilhar conhecimento continua sendo uma das formas mais eficientes de acelerar a evolução do setor. Benchmarking, troca de experiências e cooperação entre mercados ampliam repertórios e contribuem para que boas práticas sejam adaptadas às diferentes realidades.
Tenho uma convicção cada vez mais forte: o crescimento do OOH brasileiro não dependerá apenas do aumento dos investimentos em mídia exterior. Ele será resultado da nossa capacidade de transformar conhecimento em ação, acelerar aquilo que já fazemos bem e continuar trabalhando de forma colaborativa para fortalecer toda a indústria. O futuro do OOH pertence a quem conseguir combinar inovação tecnológica, criatividade e uma conexão genuína com o mundo real. E acredito que o Brasil reúne todas as condições para ocupar esse espaço.
Por que o mercado precisa resgatar a ciência do marketing
Como resume o psicólogo Kurt Lewin, “nada é mais prático do que uma boa teoria”
Por Cristiano Amaral (Meio & Mensagem)
Nas rodas de conversa corporativas, nos eventos da indústria e no feed das redes sociais, é comum ouvirmos, quase como um mantra, uma falsa dicotomia: de um lado, a “teoria acadêmica”, tratada como algo distante, burocrático e ultrapassado; do outro, a “prática do mercado”, celebrada como o único conhecimento real, dinâmico e aplicável.
Trata-se de um grande equívoco. A ideia de que prática e teoria caminham em direções opostas é sintoma de um mercado que se sente pressionado a reaprender a roda a cada novo ciclo tecnológico. Mas, como bem resumiu o psicólogo Kurt Lewin em sua célebre frase, “nada é mais prático do que uma boa teoria”.
O marketing não nasceu ontem. Há mais de um século, pesquisadores, cientistas sociais e estudiosos dedicam suas vidas a investigar, testar e sistematizar as dinâmicas de mercado. As dores, as dúvidas e os dilemas que os profissionais de marketing enfrentam na mesa de reunião hoje (como construir valor de marca, entender a tomada de decisão do cliente ou navegar por mudanças de hábito) já foram estudados e documentados por gerações de pensadores. Negar esse acúmulo de conhecimento não torna ninguém mais “prático”, é apenas abrir mão de um atalho valioso e escolher recomeçar do zero, a cada vez.
Escrevo isso depois de estar dos dois lados da mesa: quinze anos gerenciando produto dentro de multinacionais, e outros tantos pesquisando e ensinando essas mesmas dinâmicas na universidade. A tentação de descartar a teoria em nome da urgência do dia a dia é real, eu mesmo senti isso na pele antes de entender o preço que ela cobra depois, lá na frente.
Teoria não é ferramenta. É lente.
Parte da resistência do mercado em relação à teoria vem de um mal-entendido sobre o que ela realmente é. No ritmo acelerado do dia a dia, executivos costumam buscar “ferramentas”: templates de apresentação, checklists de execução ou matrizes prontas para preencher. Esperam que a teoria se comporte como um aplicativo que se baixa para resolver um problema imediato.
Mas uma teoria não é uma ferramenta nova, assim como uma ferramenta nova não é uma teoria. Uma teoria é uma forma diferente de pensar.
Ela não exige uma plataforma de software nem um novo relatório para ser colocada em prática. A teoria funciona como uma lente conceitual. Quando você domina uma teoria sólida, muda a maneira como enxerga o mesmo problema.
Por exemplo: quando você entende o conceito de etnocentrismo — a tendência, descrita pela antropologia, de julgar outras culturas pelos padrões da própria —, você passa a ler o comportamento do consumidor sem aplicar os preconceitos da sua própria bolha; quando você domina os conceitos da Teoria da Cultura do Consumo (CCT), deixa de olhar para uma marca como um mero logotipo e passa a enxergá-la como um ecossistema de significados culturais e rituais sociais; quando você absorve a Lógica Dominante de Serviço, entende que não existe produto, que tudo é serviço e que só existe cocriação de valor.
Colocar uma teoria em prática não significa “aplicar um passo a passo”, colocar num template ou preencher uma tabela, mas sim tomar decisões com mais lastro, mais embasadas e mais precisas, porque o seu olhar sobre o fenômeno foi refinado.
Nem tudo o que se chama de teoria é teoria
Essa defesa exige uma pausa para uma explicação importante.
Uma teoria, no sentido rigoroso do termo, nasce de observação sistemática, é testada empiricamente, submetida à crítica de pares e revisada — muitas vezes ao longo de décadas — até se consolidar. Christensen propôs o Jobs to Be Done depois de anos de pesquisa em Harvard; Arnould e Thompson construíram a Teoria da Cultura do Consumo a partir de duas décadas de estudos etnográficos publicados e debatidos no Journal of Consumer Research; Vargo e Lusch desenvolveram a Lógica Dominante de Serviço enfrentando o escrutínio da comunidade acadêmica de marketing por mais de uma década antes de o conceito virar referência.
É esse processo, e não o carisma de quem apresenta o conceito no palco ou no YouTube, que separa uma teoria de um pitch. Reconhecer essa diferença não é elitismo, mas sim a mesma exigência de rigor que qualquer profissão aplica a quem se apresenta como especialista.
O custo do pragmatismo cego voltando….
Quando o mercado rejeita a teoria em nome do “pragmatismo”, o resultado é um ciclo exaustivo de tentativa e erro. Soluções rasas são vendidas como revoluções inéditas, jargões em inglês substituem conceitos consolidados e táticas operacionais de curto prazo são confundidas com estratégia de negócio.
Sem a teoria, o profissional fica mais exposto aos modismos da vez e às impressões pessoais. Precisa retestar tudo do zero porque não tem um modelo mental que o ajude a antecipar comportamentos.
A teoria, ao contrário da crença comum que existe por aí, não engessa a prática: ela a protege da superficialidade. Oferece o mapa estruturado para que a execução não seja apenas um tiro no escuro.
O resgate do rigor no Marketing
Autoridade duradoura em marketing não vem de acompanhar a ferramenta da vez, mas sim de ter teoria como fundação da prática diária e do uso da ferramenta da vez.
Valorizar o conhecimento acumulado em mais de cem anos de pesquisa não é um exercício de nostalgia acadêmica. É, pelo contrário, a atitude mais pragmática que um líder de marketing pode adotar.
No fim das contas, a prática sem teoria é apenas intuição fantasiada de execução. E, no cenário complexo em que vivemos, o mercado não precisa de mais intuição superficial. Precisa de clareza, repertório e profundidade.
Mulheres viram maioria nas agências, mas ganham menos
O levantamento ainda revela que essa mudança ocorreu em um período em que a remuneração do setor recuou para ambos os gêneros. Entre 2014 e 2024, a participação feminina passou de 48% para 55,5% dos vínculos formais.
Apesar da queda salarial, de 19,1% entre as mulheres e 18,8% entre os homens, a desigualdade permanece entre os profissionais mais bem pagos. No grupo dos 10% com maiores salários, os homens recebem de 8,7% a 18,6% mais do que as mulheres. Nas agências de São Paulo, a média salarial dos homens na área é 20,9% superior à das mulheres.
Já na área de criação registrou o maior crescimento da participação feminina entre as ocupações analisadas, as mulheres passaram de 27% para 42%, mas ainda permanecem minoritárias.
Intitulado “Presença não é poder”, o estudo analisa dez anos de remuneração em sete áreas das agências. A pesquisa considera apenas profissionais contratados via CLT, com salários corrigidos pela inflação, excluindo PJs, freelancers e informais.
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A economia da solidão: o mercado de uma pessoa só está reorganizando o consumo
Por Antônio NettoHead de Planejamento e Conteúdo @Pullse
O Brasil dobrou em treze anos o número de pessoas que moram sozinhas. Eram 7,5 milhões em 2012 e chegaram a 15,6 milhões em 2025, segundo a PNAD Contínua do IBGE, um crescimento de 109,8%. Quase um em cada cinco domicílios do país tem um único morador, e o número médio de moradores por casa caiu de 3,8 em 2000 para cerca de 2,8 em 2022. Só no Sudeste são 7,1 milhões de pessoas nessa condição.
Boa parte do consumo massivo brasileiro ainda opera como se esse cliente fosse exceção. Gramatura, preço promocional, formato de embalagem, mecânica de fidelidade, plano de mídia e até o horário do anúncio partem do arranjo nuclear, que o IBGE define como o domicílio com pelo menos um casal, mãe com filhos ou pai com filhos.
O domicílio familiar segue predominante, com 65,6% dos lares, e vem perdendo espaço desde 2012, quando era 68,4%, enquanto o domicílio unipessoal saiu de 12,2% para 19,7% no mesmo período.
Um cuidado conceitual
Viver só e sentir solidão são coisas distintas, e essa distinção é bem importante!
A Comissão sobre Conexão Social da Organização Mundial da Saúde separa o isolamento, que é a ausência objetiva de vínculos, do sentimento de solidão, que nasce da distância entre as conexões desejadas e as reais. Uma pessoa pode morar sozinha e estar plenamente conectada, e pode se sentir profundamente só cercada de gente.
Do ponto de vista comercial, cada uma gera uma demanda:
Quem vive só gera demanda funcional: porção adequada, eletrodoméstico compacto, serviço que dispensa uma segunda pessoa, logística que cabe em um apartamento de 30 metros quadrados. É um jogo de utilidade, onde preço e eficiência pesam.
Quem sente falta de conexão gera demanda de vínculo: recorrência, pertencimento, comunidade, presença. É um jogo de marca, onde o critério de escolha incorpora confiança e identidade.
Um erro recorrente é tentar atender demanda de vínculo com produto desenhado apenas para conveniência, ou cobrar preço de vínculo por uma entrega puramente funcional.
Morar sozinho é um dado demográfico. Sentir-se sozinho é um dado de demanda. Confundir os dois é erro!
Carrinho de compras: mais itens, menores e mais vezes
O padrão de abastecimento brasileiro se reorganizou em torno de carrinhos menores e visitas mais frequentes. O Consumer Insights da Worldpanel, divisão da Kantar, mediu três movimentos simultâneos no primeiro trimestre de 2025. O brasileiro levou 1,8% mais unidades para casa. Em 55% das categorias analisadas, o volume médio de cada unidade caiu. E o carrinho ganhou, em média, duas categorias novas.
Traduzindo para a prateleira: mais itens comprados, cada um em tamanho menor, e mais variedade dentro da mesma compra.
Esse dado descreve o consumidor brasileiro em geral. Para o consumidor unipessoal, a fragmentação da compra ganha uma camada adicional. Um carrinho menor não significa necessariamente menor valor mensal. Indicadores construídos sobre tíquete médio passam a contar metade da história, e o que importa vira o valor gerado pelo cliente ao longo do mês somado à recorrência.
Aqui mora a primeira armadilha. Boa parte da migração para embalagem menor no Brasil responde a inflação e a restrição de renda, não a arranjo domiciliar. Dados da NielsenIQ mostram que, diante de alta de preços, 38% dos brasileiros preferem tamanhos econômicos maiores com preço mais baixo por porção, contra 20% que querem embalagens menores a custo total menor.
Encolher o pacote e manter o preço por grama é redução disfarçada, e o consumidor identifica. Desenhar para um significa entregar porção certa com preço por porção competitivo, o que exige mexer em custo de embalagem e em logística, não apenas em ficha técnica.
Cinco setores que já saíram na frente
Imobiliário foi um dos primeiros a virar a chave. Segundo o Secovi-SP, unidades de até 40 metros quadrados saíram de 561 lançamentos em 2016 para 2.393 até julho de 2024, e os compactos passaram a representar 54% da oferta na cidade em 2024, com 20,7 mil imóveis, enquanto a faixa de 45 a 65 metros quadrados caiu de 44% para 17%.
O setor foi um dos primeiros a reorganizar produto inteiro em torno dessa transformação, incluindo área comum com lavanderia e coworking para compensar o que não cabe dentro da unidade.
Food service capturou a rotina. Os pedidos de marmita cresceram 18% em 2024 no iFood, e o formato de kit semanal com entrega programada, cinco a sete refeições por vez, resolve a equação exata de quem cozinha para um: porção controlada, preço por refeição menor que o avulso e desperdício reduzido.
Pet virou pilar afetivo com ticket premium. O mercado brasileiro faturou cerca de R$ 78 bilhões em 2025 conforme a Abinpet e o Instituto Pet Brasil, com serviços e veterinária crescendo acima das demais linhas. O tamanho desse mercado vem de renda, urbanização e demografia.
Para quem mora só e concentra no animal um vínculo cotidiano importante, o critério de escolha pode incorporar ainda mais confiança e cuidado. Esse movimento ajuda a explicar por que categorias de maior valor agregado, como planos de saúde, alimentação natural e estética, ganham espaço.
Turismo criou produto (com uma leitura equivocada junto). A Booking.com aponta 15% dos viajantes brasileiros planejando ao menos uma viagem solo de lazer em 2025, com maior incidência na Geração Z, e o Airbnb registrou alta superior a 60% nas viagens solo com origem no Brasil ante 2021.
Há aí uma oportunidade que boa parte da comunicação de turismo solo ignora: entre quem viajou sozinho, 55% manifestaram interesse em conhecer pessoas novas no destino, e pesquisa do Skyscanner mostra 75% dos brasileiros dispostos a viajar com o objetivo específico de conhecer gente. Vender infraestrutura de encontro, e não apenas silêncio e introspecção, é um território de posicionamento ainda pouco ocupado.
Companhia digital virou linha de receita recorrente. Os aplicativos de companhia artificial, um mercado praticamente inexistente até 2022, movimentaram US$ 221 milhões em gasto de consumidor até julho de 2025 segundo a Appfigures, com receita 64% maior que a do ano anterior, e a Harvard Business Review apontou terapia e companhia como o uso número um de IA generativa em 2025.
A categoria ainda é pequena em faturamento perto de qualquer uma das anteriores. A velocidade é o que importa aqui, e o fato de a assinatura mensal ter se provado modelo viável para vender presença.
A embalagem é individual, mas a intenção continua social. Quem lê só a primeira metade constrói o produto errado.
Viver só custa mais caro pela mesma entrega
No aluguel, a Zillow calcula nos Estados Unidos uma sobretaxa média anual de US$ 10.470 para quem mora sozinho, chegando a US$ 23.400 em Nova York. No Brasil, um paralelo aparece no mercado de compactos: entre 2016 e julho de 2024, o valor médio do metro quadrado das unidades monitoradas pelo Secovi-SP subiu de R$ 8.094 para R$ 14.144, alta de 75%. Parte disso responde a localização e custo de terreno, e o efeito prático para quem compra permanece: o metro quadrado de quem precisa de menos metros ficou mais caro.
No turismo, a diária individual carrega o suplemento de ocupação simples. No supermercado, o preço por grama costuma ser maior nas embalagens menores. Em serviços de assinatura, o plano família custa pouco mais que o individual e não tem versão equivalente para quem não tem com quem dividir.
Em streaming, a conta ficou explícita. O Disney+ bloqueia o compartilhamento fora da residência do titular no Brasil desde novembro de 2024 e cobra entre R$ 20,90 e R$ 34,90 por membro extra, conforme o plano, o que leva uma assinatura Premium com um convidado a R$ 104,80 mensais.
O Globoplay restringe o acesso a moradores do mesmo endereço, e quem mora em outra casa precisa de assinatura própria, a partir de R$ 22,90. Quem divide domicílio dilui esse custo entre duas ou mais pessoas. Quem mora sozinho paga o valor cheio por um catálogo que consome sozinho.
O Brasil produziu uma resposta de mercado a essa conta. O Kotas, criado em 2017 em Belo Horizonte, funciona como marketplace de vagas ociosas em assinaturas: alguém abre um grupo para um serviço que aceita múltiplos usuários, outras pessoas entram e a plataforma administra a divisão dos pagamentos.
A empresa afirma reunir mais de um milhão de usuários e cobrir mais de 500 serviços. Boa parte dos grupos é aberta, formada por desconhecidos, o que converte uma capacidade criada para a família em grupo econômico montado entre estranhos.
Em abril de 2024, o Kotas cancelou em massa os grupos de Netflix, Spotify, Max e Apple, alegando questões comerciais relevantes, movimento simultâneo ao endurecimento das plataformas contra o compartilhamento entre residências.
As vantagens econômicas do consumo coletivo sobreviveram ao fim do domicílio coletivo. O que mudou foi quem forma o grupo.
Esse choque produziu três respostas mercadológicas distintas, e vale identificar em qual delas a sua categoria pode jogar.
A primeira é a do intermediário, que junta indivíduos para recuperar a escala de um grupo. A segunda é a do plano individual, que adapta preço, quantidade e formato ao consumidor solo. A terceira é a da monetização do compartilhamento, adotada por Netflix, Disney+ e HBO Max, que reconheceram a existência de pessoas conectadas afetivamente sem morar juntas e passaram a cobrar por esse vínculo.
Existe aí um espaço competitivo inteiro. A marca que conseguir eliminar ou reduzir a sobretaxa do sozinho em uma categoria relevante abre espaço para capturar uma demanda hoje atendida com resignação, e ganha argumento de comunicação difícil de copiar rápido, porque a mudança é estrutural de custo e não de campanha.
Três frentes ainda abertas no Brasil
Porção certa com preço justo. A oportunidade está em produto pensado desde a formulação para consumo unitário, com custo de embalagem diluído em escala e preço por porção competitivo. Categorias óbvias: proteína, hortifruti, panificação, bebida alcoólica, produto de limpeza concentrado.
Recorrência no lugar de volume. Assinatura, clube, entrega programada e reposição automática convertem o comportamento de compra fracionada em previsibilidade de receita. O kit semanal de refeição já provou o modelo em food service. A mesma lógica está livre em higiene, limpeza, café, cuidado pessoal e reposição de despensa.
O mercado que se organizar em torno de frequência, e não de volume, vai capturar essa demanda antes de quem continuar medindo carrinho cheio.
Experiência coletiva pagante. Enquanto o consumo individual cresce, a demanda por encontro organizado cresce junto: clubes de corrida, viagens em grupo, comunidades de assinatura, jantares entre desconhecidos, programação de loja. É uma frente em que ainda há bastante espaço para propostas de marca mais estruturadas, e a que melhor resolve o cliente que compra sozinho por falta de opção.
Vale registrar que a Fortune publicou em março de 2026 artigo assinado por Fabio Bin, cofundador da WeRoad, defendendo que o próximo grande mercado de consumo será construído fora da tela, com consumidores dispostos a pagar caro pelo atrito da experiência presencial. Como aposta de quem tem interesse no setor, merece ceticismo. Como sinal de para onde o capital está olhando, merece atenção.
Por fim…
Uma mudança estrutural na composição dos domicílios altera unidade de consumo, frequência, sensibilidade a preço, conveniência, logística e expectativa de experiência.
Tudo isso acontece antes de qualquer decisão de comunicação, e por razões que não vão se reverter: envelhecimento populacional, casamento mais tardio, autonomia financeira e urbanização.
15,6 milhões de brasileiros compram todos os meses em categorias que, em grande parte, ainda foram desenhadas para outra configuração de casa. Estampar “para uma pessoa” na embalagem resolve a superfície. A oportunidade real está em redesenhar a economia do produto para uma pessoa: custo, porção, distribuição, recorrência e preço.














