Endividamento no Brasil vai muito além das bets – 25.08.2026

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Você vai ler na coluna hoje: Endividamento no Brasil vai muito além das bets, O podcast que saiu do fone de ouvido para criar encontros presenciais entre mulheres, Startup Energia das Coisas apresenta na Intersolar 2026 solução para condomínios e gestão de recarga de veículos elétricos, Felipe Heimbeck deixa a Globo após 26 anos, Samba Ads 360 anuncia Alexandra Zagur como Diretora de Novos Negócios, Expoagas 2026 encerra maior edição da história com R$ 830 milhões em negócios, Na indústria, a corrida por produtividade passa pelas pessoas, “Construa uma Vida, Não uma Carreira”, Defende Autor Best-Seller Britânico, Quanto Custa Poder Mudar de Ideia?, Por que o boticário tem mais de 4.000 lojas e continua abrindo mais se você pode comprar perfume pela internet em 40 segundos?, SXSW 2027 ganha festival de podcasts e novos endereços.

 

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Endividamento no Brasil vai muito além das bets

O debate sobre o endividamento dos brasileiros ganhou um alvo preferencial: as bets. As apostas podem, sim, comprometer a renda e levar pessoas ao endividamento. Mas colocar esse problema quase exclusivamente na conta das apostas é ignorar uma realidade muito maior.

Segundo a CNC (Confederação Nacional do Comércio), 82% das famílias brasileiras tinham algum tipo de dívida em julho de 2026. E nessa conta entram cartão de crédito, empréstimos, consignados, financiamentos e outras modalidades de crédito.

Também entram as despesas que chegam todos os meses: alimentação, luz, aluguel, transporte, internet, telefone e tantos outros boletos que pressionam o orçamento.

As bets fazem parte desse cenário e precisam ser fiscalizadas, principalmente diante do mercado ilegal. Mas o debate precisa separar o que é problema das apostas do que é um problema estrutural de renda, crédito e juros.

E há ainda outra discussão: as contas públicas, com arrecadação, despesas, déficit e dívida do governo. São questões diferentes do endividamento das famílias, mas que também fazem parte do debate sobre a saúde financeira do país.

A pergunta, portanto, não deveria ser apenas quanto as bets endividam o brasileiro. Mas por que milhões de famílias precisam recorrer ao crédito para conseguir fechar as contas todos os meses.

Se queremos discutir endividamento de verdade, é preciso olhar para o conjunto e não escolher um único culpado.

O podcast que saiu do fone de ouvido para criar encontros presenciais entre mulheres

Criado pela gaúcha Débora Tessler, Falando com o Coração amplia proposta de autoconhecimento e conexão entre mulheres com duas novas edições presenciais

O que começou diante de um microfone, em conversas sobre autoconhecimento, vulnerabilidade e os desafios de ser quem se é, agora ganha espaço para o olho no olho. Criado pela publicitária e empreendedora gaúcha Débora Tessler, o Falando com o Coração nasceu como um projeto autoral nas redes sociais, transformou-se em podcast e, depois de reunir sua primeira turma presencial em julho, terá novas edições do Falando com o Coração – O Encontro em Porto Alegre, em setembro e novembro.

A proposta é levar para o presencial a essência construída no podcast: criar um ambiente de escuta, troca e reflexão entre mulheres. As próximas turmas estão marcadas para 11 e 12 de setembro e 6 e 7 de novembro, em encontros de dois dias e vagas limitadas. O endereço é informado exclusivamente às participantes inscritas.

“Não é curso, não é palestra. É uma vivência de fala e escuta genuína e muito autoconhecimento também. O que eu proponho é exercitar o que eu mesma venho realizando comigo, a autocompaixão, pois acredito em um mundo melhor para as mulheres, mas precisamos nos enxergar para nos fortalecermos”, afirma Débora.

Do microfone à roda de conversa

O Falando com o Coração surgiu da vontade de criar um espaço para conversas mais honestas, sem filtros ou a necessidade de corresponder a expectativas. Ao longo dos episódios, Débora passou a reunir histórias de mulheres que compartilham experiências, dúvidas, transformações e diferentes processos de vida.

A experiência presencial surgiu justamente a partir dessa conexão construída no ambiente digital. Se o podcast abre espaço para a reflexão individual, o encontro propõe uma experiência coletiva, em que a escuta e a troca acontecem presencialmente.

“O podcast abriu a conversa e a vivência presencial, em grupo, é onde a gente termina — ou melhor, onde a gente começa de novo, mas dessa vez juntas e presentes”, diz Débora.

Durante os dois dias, as participantes participam de rodas de conversa, dinâmicas vivenciais, momentos de escuta e conexão, além de receberem um Diário do Coração, desenvolvido especialmente para a experiência. A ideia é criar um espaço de acolhimento e segurança para que cada mulher possa olhar para a própria trajetória e compartilhar suas experiências sem a necessidade de apresentar respostas prontas.

A proposta é destinada tanto a quem já acompanha o podcast quanto a mulheres que desejam iniciar ou aprofundar um processo de reflexão sobre si mesmas.

A criação do Falando com o Coração também acompanha uma transformação na trajetória profissional de Débora. Gaúcha de Porto Alegre e residente no Rio de Janeiro desde 2015, ela é formada em Publicidade e Propaganda pela ESPM/RS, com pós-graduação em Gestão de Pessoas pela UFRGS e em Produção e Comunicação Cultural pela Universitat Ramon Llull, de Barcelona.

Por duas décadas, esteve à frente de sua própria empresa de comunicação. Em 2023, com o nascimento da filha, Stella, decidiu encerrar esse ciclo profissional e abraçar uma nova fase.

“A maternidade me empurrou para a transformação e eu decidi fluir e abraçar as novas possibilidades que se apresentaram”, comenta.

Atualmente, Débora é responsável pelo agenciamento artístico e pela produção do escritor Fabrício Carpinejar e também se dedica ao Falando com o Coração, que reúne conteúdos em vídeo, redes sociais e um podcast semanal disponível no YouTube e Spotify. Com os encontros presenciais, o projeto amplia sua atuação sem perder a proposta original: incentivar conversas sobre autoconhecimento, coragem, pertencimento, aceitação e vulnerabilidade.

Serviço Falando com o Coração – O Encontro Turma de setembro 11 e 12 de setembro Sexta-feira, das 18h30 às 22h Sábado, das 10h às 18h Porto Alegre – local informado exclusivamente às inscritas

Inscrições:Sympla ou WhatsApp: (51) 99841-2554 – com Tatiana Meuser Turma de novembro 6 e 7 de novembro Sexta-feira, das 18h30 às 22h Sábado, das 10h às 18h Porto Alegre – local informado exclusivamente às inscritas

Inscrições: Sympla ou WhatsApp: (51) 99841-2554 – com Tatiana Meuser Vagas limitadas.

Instagram: @deboratessler | @falandocomocoracaooficial

Startup Energia das Coisas apresenta na Intersolar 2026 solução para condomínios e gestão de recarga de veículos elétricos

A Energia das Coisas leva uma nova solução para gestão da recarga de veículos elétricos aplicada a condomínios comerciais e residenciais à Intersolar South America 2026, maior feira da América Latina para o setor solar, que acontece de 25 a 27 de agosto, no Expo Center Norte, em São Paulo. A participação coloca a startup, vinculada ao UpLab SENAI/SP e Tecnopuc/RS, no principal ponto de encontro do setor de energia na região e marca a apresentação de uma tecnologia voltada a um desafio que ganha espaço com a expansão da mobilidade elétrica: como medir, distribuir e controlar o consumo de energia gerado pelos carregadores, separando sua carga das áreas comuns dos condomínios.

A solução permite monitorar o consumo de cada ponto de recarga e individualizar os gastos entre os usuários. Com isso, síndicos e gestores passam a ter uma visão mais precisa da energia utilizada pelos veículos e áreas comuns, como iluminação, estacionamento e áreas de lazer, facilitando o controle dos custos e a gestão da infraestrutura elétrica. Outro foco da tecnologia é a distribuição da carga. À medida que mais veículos são conectados simultaneamente, o gerenciamento do consumo se torna relevante para evitar sobrecargas e utilizar de forma mais eficiente a capacidade disponível na rede elétrica do empreendimento.

A novidade chega à feira em um momento de avanço da eletromobilidade no Brasil, o movimento mostra como a eletrificação do transporte e a gestão de energia estão cada vez mais conectadas. “A solução amplia a atuação da Energia das Coisas, que já trabalha com monitoramento e análise de dados de consumo de energia. Nossa plataforma permite acompanhar o comportamento energético de diferentes instalações e identificar oportunidades de eficiência, aproximando a gestão de energia de decisões mais precisas sobre consumo e custos”, destaca o fundador e CEO Rodrigo Lagreca. “Na Intersolar vamos mostrar na prática como essa inteligência pode ser aplicada a um dos novos desafios dos condomínios: incorporar a recarga de veículos elétricos à rotina do empreendimento sem perder o controle sobre o consumo e a distribuição da energia”.

Sobre EDC:

A Energia das Coisas, startup gaúcha referência em inovação para eficiência energética e descarbonização, vem acumulando importante reconhecimento nacional e internacional no setor de tecnologia. A empresa foi premiada com o 3º lugar na categoria Startups Growth Stage no Energy Summit 2026, evento promovido em parceria com o MIT (Massachusetts Institute of Technology), destacando-se entre as principais soluções de transição energética do país. Sua projeção global também se consolidou ao ser selecionada pela ApexBrasil como uma das 38 empresas representativas da inovação industrial do Brasil na Hannover Messe 2026, a maior feira mundial de tecnologia industrial, realizada na Alemanha. Somam-se a essas conquistas o destaque no Ranking 100 Open Startups 2025, no qual foi reconhecida como uma das TOP 3 Energytechs do Brasil, reafirmando sua posição de liderança e relevância em inovação aberta.

Felipe Heimbeck deixa a Globo após 26 anos

Após 26 anos na Globo, sendo 12 deles como diretor comercial, Felipe Heimbeck deixa a empresa neste mês de agosto. O executivo, que liderou as operações comerciais no Rio e no Sul e atuou em soluções de negócios em São Paulo, construiu uma trajetória marcada pela forte proximidade com o trade e pelo fomento aos mercados regionais.

“Foram 26 anos de muita entrega, parcerias sólidas e conquistas inesquecíveis. Tive o privilégio de liderar equipes brilhantes e de construir relações profundas com o mercado”, afirma Heimbeck. “Agora, sigo aberto a novos desafios, focado em acompanhar de perto as mudanças e as novas dinâmicas que vêm transformando a nossa indústria”.

Samba Ads 360 anuncia Alexandra Zagur como Diretora de Novos Negócios

A Samba Ads 360 anuncia a chegada de Alexandra Zagur como Diretora de Novos Negócios. A executiva passa a atuar na frente comercial da empresa, com foco em crescimento de receita, desenvolvimento de negócios e aproximação com marcas, agências e parceiros estratégicos em todas as regionais de atuação da empresa, inclusive em LATAM, no escritório regional em Bogotá – COL

Alexandra traz 25 anos de experiência na construção de oportunidades e no fortalecimento de relações de mercado atendendo clientes como: Danone, Livelo, ASICS Brasil, Avon Cosméticos, Instituto Ayrton Senna, Natura entre outros.

A chegada reforça o momento de expansão da Samba Ads 360, que integra as frentes Samba Ads Media, unidade especializada em mídia digital e programática, e Samba Ads.AI, iniciativa voltada ao uso de inteligência artificial para prospecção, automação comercial e
eficiência operacional.

“A entrada da Alexandra fortalece uma área central para o nosso crescimento: relacionamento, novos negócios e desenvolvimento comercial. A Samba Ads 360 está ampliando sua atuação em mídia, dados e IA, e a chegada dela ajuda a acelerar esse movimento com mais presença de mercado”, afirma Marcio Figueira, fundador da Samba Ads 360.

Expoagas 2026 encerra maior edição da história com R$ 830 milhões em negócios

Feira reuniu 69 mil visitantes nos três dias, 610 expositores e consolidou crescimento recorde com ampliação da estrutura, novas tecnologias e programação voltada aos desafios do varejo

O presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), Lindonor Peruzzo Junior, apresentou os resultados da Expoagas 2026 em coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (20), na Carreta da Agas, no Centro de Eventos Fiergs, em Porto Alegre, e os números foram recordes, consolidando a edição como a maior da história. A feira movimentou R$ 830 milhões em negociações transacionadas entre os 610 expositores e compradores ao longo dos três dias, e reuniu 69 mil visitantes.

Além do volume de negócios e do público recorde, o balanço destacou a presença de profissionais e empresas de diferentes regiões do Brasil e a consolidação da Expoagas como um dos principais ambientes de relacionamento, negócios e qualificação para o varejo. “Encerramos esta Expoagas com a sensação de que demos um passo importante para o futuro da feira e para o próprio varejo gaúcho. Os números confirmam a força do nosso setor, mas o que mais nos anima é perceber a qualidade dos negócios, das conexões e das oportunidades que foram construídas aqui. A Expoagas cresceu porque o varejo está em transformação e precisa, cada vez mais, de espaços que aproximem empresas, inovação e conhecimento”, afirmou Peruzzo.

A edição de 2026 marcou uma nova fase para a feira. Com a criação do Pavilhão 3, estrutura de 7 mil metros quadrados anexa ao Centro de Eventos, a Expoagas ampliou sua capacidade e abriu espaço para novas empresas.

Negócios, inovação e conhecimento

Ao longo dos três dias, supermercadistas, fornecedores, representantes da indústria e profissionais do setor tiveram acesso a lançamentos, condições comerciais especiais e soluções voltadas aos desafios atuais do varejo. A programação também levou ao público debates sobre inovação, inteligência artificial, automação, gestão, sucessão empresarial, desenvolvimento de lideranças, comportamento do consumidor e futuro do trabalho.

Entre os destaques estiveram o Painel Político, que reuniu candidatos ao Governo do Estado para ouvir suas propostas e debater a relação do poder público com o setor; o Agas Jovem, com o tema Conectando gerações, abordando sucessão, inovação e formação de novas lideranças; e o Agas Mulher, que reuniu lideranças femininas para uma reflexão sobre gestão de pessoas e as competências exigidas por um mercado em constante transformação.

“O supermercado está presente diariamente na vida das pessoas, mas o setor vive desafios complexos e precisa se preparar permanentemente para o futuro. Por isso, a Expoagas não pode ser apenas um espaço para comprar e vender. Ela precisa ajudar o empresário a entender as transformações do mercado, conhecer novas soluções e voltar para sua empresa mais preparado”, destacou o presidente da Agas.

Tecnologia e experiência do visitante

A edição de 2026 também foi marcada por novidades voltadas à experiência dos participantes. Pela primeira vez, o credenciamento da feira contou com reconhecimento facial, agilizando o acesso dos visitantes. O evento também disponibilizou um aplicativo para acompanhamento da programação e localização dos expositores, além de linhas especiais de ônibus partindo de diferentes regiões de Porto Alegre.

A setorização dos espaços foi outra das principais apostas da Agas. Os expositores foram organizados por categorias, facilitando a busca dos compradores e permitindo uma agenda mais eficiente de visitas e reuniões. A organização também reforçou o foco comercial da feira, com iniciativas destinadas a estimular a geração de negócios e ampliar as oportunidades para expositores e empresas visitantes.

Setor estratégico para a economia

Para o presidente, os resultados da Expoagas refletem também a relevância econômica do varejo supermercadista no Rio Grande do Sul. O setor movimenta cerca de R$ 75 bilhões por ano, gera 162 mil empregos diretos e atende aproximadamente 4 milhões de consumidores diariamente, conforme dados apresentados pela Agas durante a abertura do evento. “Quando fortalecemos o supermercado, fortalecemos uma cadeia que envolve indústria, agricultura, fornecedores, logística, serviços e milhares de trabalhadores. A Expoagas é um grande ponto de encontro dessa cadeia e os resultados desta edição mostram a disposição do setor para continuar investindo, inovando e buscando novos caminhos para crescer”, ressaltou.

Os resultados de 2026 dão continuidade à trajetória de expansão da feira. Na edição anterior, a Expoagas havia encerrado com R$ 795,1 milhões em negócios. “Nossa responsabilidade agora é transformar os aprendizados desta edição em novos avanços. Fizemos mudanças importantes, algumas delas bastante desafiadoras, mas necessárias para que a Expoagas continue crescendo. Queremos uma feira cada vez mais moderna, tecnológica e, principalmente, útil para quem faz o varejo acontecer todos os dias”, concluiu Lindonor Peruzzo Junior.

SOBRE A EXPOAGAS

A Expoagas, promovida pela Agas (Associação Gaúcha de Supermercados), é a maior feira do setor supermercadista do Cone Sul e um dos principais encontros de negócios do varejo da América Latina. O evento anual reúne milhares de líderes, expositores, empresários e visitantes para fomentar a cadeia de abastecimento e a economia regional.

SOBRE A AGAS

A Associação Gaúcha de Supermercados foi fundada em 1971 e há mais de cinco décadas representa, fortalece e impulsiona o setor supermercadista do Rio Grande do Sul. Reconhecida como uma das principais entidades do varejo brasileiro, promove capacitação, representação institucional, geração de negócios e inovação para seus associados. É responsável pela organização da Expoagas, uma das maiores feiras do setor na América Latina, além de manter uma ampla agenda de eventos, cursos e programas de qualificação. Com sede própria em Porto Alegre, conta com estrutura voltada à formação profissional e ao apoio técnico aos associados, por meio de departamentos especializados. Atualmente, a entidade é presidida pelo empresário Lindonor Peruzzo Jr, da Rede de Supermercados Peruzzo, com matriz em Bagé.

Na indústria, a corrida por produtividade passa pelas pessoas

Estudo da Michael Page mostra como desenvolvimento profissional ganha peso em um setor pressionado por produtividade e escassez de talentos

A Inteligência Artificial avança, a automação ganha espaço e a produtividade se torna prioridade nas empresas. Ainda assim, o principal desafio da engenharia e da manufatura continua sendo um dos mais tradicionais: encontrar, desenvolver e reter profissionais qualificados. É o que mostra o Talent Trends 2026, estudo realizado pela Michael Page, com mais de 5 mil profissionais da área de engenharia e manufatura entrevistados globalmente.

O levantamento revela que, diante da escassez de mão de obra especializada e da crescente pressão por eficiência, empresas passam a olhar para desenvolvimento de carreira, capacitação e bem-estar como fatores estratégicos para sustentar ganhos de produtividade. “A tecnologia evolui rápido, mas as pessoas precisam evoluir junto. Na indústria, o diferencial não está apenas nas máquinas, mas na capacidade de desenvolver profissionais na mesma velocidade em que o trabalho se transforma ”, afirma Rodrigo Videira, Gerente Executivo da Michael Page Brasil.

Esse movimento já aparece na percepção dos próprios profissionais. No Brasil, 56% dos profissionais de engenharia e manufatura afirmam estar satisfeitos com o trabalho, índice superior à média nacional (48%). Além disso, apenas 34% dizem que mudariam de emprego exclusivamente por salário, abaixo da média dos profissionais brasileiros (38%). Crescer não significa apenas ser promovido A pesquisa mostra que profissionais da indústria já não associam crescimento apenas à promoção ou ao próximo cargo.

Participar de projetos mais estratégicos e desenvolver novas competências passa a ter peso crescente na construção da carreira. Entre as principais prioridades para os próximos anos estão atuar em projetos mais complexos e de maior visibilidade (53%), desenvolver novas habilidades (52%) e investir em treinamentos e especializações (49%).

O equilíbrio entre vida pessoal e profissional aparece em seguida, citado por 34% dos entrevistados. “As empresas que conseguirem transformar desenvolvimento em uma experiência concreta terão uma vantagem competitiva importante na retenção de talentos. As pessoas permanecem onde conseguem enxergar evolução, propósito e espaço para construir a próxima etapa da carreira”, explica Videira.

Da adoção ao uso: o novo desafio da IA A Inteligência Artificial também avança na engenharia e na manufatura, mas sua adoção ainda encontra barreiras. De acordo com o estudo, 69% das empresas incentivam o uso de Inteligência Artificial Generativa, enquanto 55% dos profissionais afirmam utilizar essas ferramentas no dia a dia. A diferença mostra que o desafio deixou de ser oferecer acesso à tecnologia e passou a ser incorporá-la de forma consistente à rotina das equipes.

“Na indústria, a discussão sobre IA precisa ir além da tecnologia. Quanto mais rápido as ferramentas evoluem, maior a necessidade de desenvolver as pessoas que vão usá-las. É essa combinação que pode transformar inovação em produtividade”, afirma o executivo. Embora a tecnologia siga acelerando a transformação da indústria, o Talent Trends 2026 reforça que produtividade e competitividade dependerão cada vez mais da capacidade das empresas de preparar pessoas para atuar em um ambiente em constante evolução.

Sobre a Michael Page

Fundada em Londres, em 1976, a Michael Page é uma consultoria global presente em 34 mercados, com mais de 6 mil colaboradores. Reúne soluções de recrutamento especializado, executive search, consultoria em liderança, contratações por projeto e soluções escaláveis para gestão de talentos. No Brasil, está presente em cinco cidades, com sede em São Paulo e unidades em Campinas, Curitiba, Recife e Rio de Janeiro, unindo profundo conhecimento do mercado brasileiro à força e ao alcance de uma rede global.

“Construa uma Vida, Não uma Carreira”, Defende Autor Best-Seller Britânico

Aos 81 anos, Richard Barrett reflete sobre nova era do trabalho e aponta a inteligência relacional como o grande diferencial dos brasileiros

Por Mariana Krunfli

O britânico Richard Barrett, de 81 anos, começou sua carreira como engenheiro no Banco Mundial. Aos 51 anos, mudou de rota para estudar cultura organizacional. Desde então, já publicou mais de 40 livros sobre o tema, como o best-seller “A Organização Dirigida por Valores”, e fundou o Barrett Values Centre, instituição global que avalia se o ambiente de trabalho das empresas é produtivo ou tóxico.

Há três anos, viveu mais uma virada: por um impulso criativo, decidiu se tornar pintor de retratos. A aventura, porém, durou pouco, e ele retornou ao mundo corporativo logo em seguida. “Eu não acredito em carreiras. Se você se conecta com você mesmo, pode começar em uma área, descobrir outra paixão e mudar de rumo”, disse em entrevista exclusiva à Forbes Brasil durante o CONARH, maior evento de RH do país, em São Paulo. “Construa uma vida, não uma carreira”, aconselha o autor.

A vantagem brasileira

Barrett encerrou o evento na última quinta-feira (20) com uma plenária sobre a vantagem competitiva do Brasil no futuro do trabalho: a cultura.

Visitante frequente do país há três décadas, lançou neste ano o livro “The New Brazilian Leader: From Vitality to Coherence” (O Novo Líder Brasileiro: Da Vitalidade à Coerência). “Já trabalhei para muitas empresas brasileiras. E quando paro para olhar, meu trabalho decolou mais no Brasil do que em quase qualquer outro lugar do mundo”, diz.

Os brasileiros, segundo ele, naturalmente têm um diferencial na era da inteligência artificial. “Vocês são muito calorosos e acolhedores. Essa inteligência relacional é a próxima grande revolução nos negócios, porque a IA não consegue duplicar isso.” O desafio, porém, é o foco. “O líder precisa canalizar essa vitalidade em vez de deixá-la disparar para todos os lados.”

Para isso, as organizações precisam de coerência — um misto de diferenciação, integração e adaptabilidade. “Pense no corpo humano: pulmões e coração possuem funções diferentes, mas trabalham em conjunto. Se a mente for brilhante o suficiente, ela sabe se adaptar à situação.”

O especialista, contudo, aponta um traço cultural que pode prejudicar as empresas: o personalismo corporativo. “Na cultura brasileira, as pessoas se reúnem ao redor de personalidades fortes. Mas, quando essa figura desaparece, a empresa consegue continuar? Não necessariamente”, diz. “Você precisa institucionalizar essas qualidades na cultura para que o negócio sobreviva.”

Liderança na era da IA

Com 60 anos de carreira, Barrett acompanhou a transição do aparelho de fax para o computador e, agora, para a IA. O segredo para atravessar tantas revoluções e se manter relevante é a adaptabilidade. “Se você não se adapta, é extinto como um dinossauro. E eu sou muito jovem para ser extinto”, brinca.

Com essa mentalidade, ele fez upload de todas as suas obras em uma plataforma de IA e criou um “clone” digital de si mesmo. “Tenho um parceiro de trabalho que entende perfeitamente a minha visão e sugere novas ideias. Minha produtividade disparou.”

Para o autor, o segredo para ser um líder bem-sucedido nos próximos anos é usar a tecnologia como um auxílio. E, enquanto isso, focar em qualidades humanas como empatia, compaixão, autenticidade e vulnerabilidade. “Precisamos criar empresas gentis. Isso não significa falta de realismo. Você pode demitir funcionários, mas pode fazer isso com gentileza”, afirma. “É uma nova forma de existir: menos medo e mais amor.”

Quanto Custa Poder Mudar de Ideia?

Em um mundo de mudanças aceleradas, ter recursos, tempo e autonomia pode ser o que transforma a necessidade de mudar de rumo em uma escolha

Por Iona Szkurnik

Minha família chegou ao Brasil depois do Holocausto sem praticamente nada. Meu avô havia sobrevivido a um campo de concentração e, no Rio de Janeiro, começou vendendo botões. Depois abriu uma pequena loja de aviamentos no centro da cidade. O negócio cresceu com a família, vieram outras lojas e, algumas décadas mais tarde, eles tinham construído uma operação de varejo relevante no Rio.

Eu cresci cercada por essa história e demorei para entender o quanto ela moldou minha relação com dinheiro. Numa família que já tinha visto as condições de uma vida desaparecer de forma brutal, ter segurança carregava um sentido muito concreto. Dinheiro significava também a possibilidade de atravessar mudanças sem ficar completamente à mercê delas.

Essa memória voltou durante uma conversa recente com as irmãs Ingrid e Sigrid Guimarães — esta última CEO e gestora patrimonial — sobre mulheres, trabalho e autonomia financeira. Ingrid escreveu em uma de suas colunas que “independência financeira não é ter mais dinheiro. É ter mais escolhas”. A frase ficou comigo porque toca diretamente em uma questão que tenho pensado muito desde que escrevi aqui sobre incerteza radical.

Quando o futuro se torna difícil de prever, cresce o valor da capacidade de mudar de direção. Só que essa capacidade também depende das condições que cada pessoa possui para absorver uma mudança.

É aí que dinheiro entra numa conversa sobre inteligência artificial e futuro do trabalho. Falamos bastante sobre aprender novas ferramentas, desenvolver competências, experimentar e rever carreiras. Faz sentido: as funções estão mudando e algumas tarefas já começam a ser redistribuídas entre pessoas e máquinas. Só que a adaptação profissional exige coisas bastante concretas. Uma formação ocupa tempo e custa dinheiro. Uma mudança de área pode reduzir a renda durante meses. Procurar um trabalho melhor é muito diferente quando existe algum espaço entre você e a próxima conta.

Passei anos no Vale do Silício e conheço bem a cultura do “pivotar”. Uma hipótese deixa de funcionar, você aprende e muda a direção. O princípio continua válido para empresas e pessoas. O que muda é o custo do erro. Há quem consiga testar um caminho e voltar. Para outros, uma escolha profissional que não funciona compromete uma parte muito maior da vida.

Essa diferença deveria ter um lugar mais central nas discussões sobre IA e empregos. Quanto mais cobramos capacidade de adaptação, mais precisamos olhar para as condições que tornam essa adaptação possível.

Há ainda um outro fator que muda essa conta por completo: estamos vivendo muito mais tempo do que vivíamos há poucas décadas. Em 1970, a expectativa de vida no Brasil era de 57,6 anos. Em 2024, segundo o IBGE, ela chegou a 76,6 anos — quase 19 anos de vida a mais em pouco mais de cinco décadas. Isso muda radicalmente o horizonte sobre o qual qualquer decisão financeira precisa ser pensada. Planejar não é mais planejar para os 60 anos. É planejar para os 80, os 90, às vezes mais. Aposentadoria, saúde, moradia, apoio a filhos e pais — tudo isso passou a se estender por muito mais tempo, e a margem de que falo neste texto precisa durar mais também.

Para as mulheres, o tema ganha uma camada própria. Ter salário transformou profundamente a autonomia feminina, mas a vida econômica passa também por patrimônio, cuidado, tempo e participação nas decisões financeiras da família. Uma mulher pode ter uma carreira consolidada e ainda encontrar pouca margem para reduzir a renda, estudar durante meses ou reorganizar a rotina quando o trabalho muda. Pode ganhar bem e conhecer poucas das decisões patrimoniais da própria casa. Pode ter dinheiro e pouco tempo porque boa parte do cuidado continua sob sua responsabilidade.

Há também uma mudança na forma como vivemos os relacionamentos, e ela reforça esse ponto. O número de divórcios no Brasil bateu recorde em 2022, com mais de 420 mil casos registrados pelo IBGE — um crescimento de 8,6% em relação ao ano anterior —, e o país voltou a registrar aumento em 2023. As uniões também vêm durando menos: em 2010, os casamentos que terminavam em divórcio duravam em média 15,9 anos; em 2022, essa média já havia caído para 13,8 anos. Viver mais tempo em relações que também duram menos tempo é uma combinação que exige de cada pessoa — e sobretudo das mulheres — a capacidade de sustentar a própria vida financeira de forma independente. Não porque um relacionamento deva ser visto como algo temporário, mas porque autonomia é exatamente o que garante que, se um dia for necessário mudar de vida, essa mudança seja uma escolha e não uma imposição.

Amartya Sen oferece uma lente útil para essa discussão ao tratar liberdade a partir das possibilidades reais que uma pessoa consegue exercer.

Os recursos importam pelo que permitem fazer. Essa ideia ajuda a enxergar um ponto cego do discurso atual sobre empregabilidade: duas pessoas igualmente talentosas podem perceber a mesma transformação profissional e ter possibilidades completamente diferentes de responder a ela.

Vale olhar para a própria vida por essa perspectiva. Se sua profissão mudasse nos próximos anos, quais condições permitiriam que você mudasse junto? Quanto tempo existe disponível para aprender? Que decisões financeiras você domina? Que parte da sua estabilidade depende do salário atual, de outra pessoa, de uma rede de apoio ou de estruturas de cuidado? Essas perguntas dizem mais sobre autonomia do que uma fotografia isolada da renda ou dos investimentos. Elas mostram a margem disponível para tomar decisões quando alguma coisa sai do roteiro.

E margem me parece uma palavra especialmente importante agora. Ela pode vir de dinheiro, patrimônio, tempo, apoio familiar ou proteção social. É distribuída de forma desigual e não elimina o risco. Sua função é ampliar o espaço entre a mudança e a obrigação de reagir imediatamente a ela.

Hoje entendo melhor uma coisa que atravessou minha história familiar por gerações. Meus avós sabiam, de uma forma que eu felizmente nunca precisei aprender, que estabilidade pode desaparecer.

Previsibilidade nunca esteve disponível para aquela família. Construir condições de escolha virou uma forma concreta de lidar com o futuro.

Num momento em que a inteligência artificial volta a embaralhar certezas sobre trabalho, carreira e competências, essa herança ganhou para mim um sentido novo. Margem não serve para prever o que vem depois. Ela serve para preservar alguma liberdade quando o futuro muda de direção.

Iona Szkurnik é fundadora e CEO da Education Journey, plataforma de educação corporativa que usa Inteligência Artificial para uma experiência de aprendizagem personalizada. Com mestrado em Educação e Tecnologia pela Universidade de Stanford, Iona integrou o time de criação da primeira plataforma de educação online da universidade. Como executiva, Iona atuou durante oito anos no mercado de SaaS de edtechs no Vale do Silício. Iona é também cofundadora da Brazil at Silicon Valley, fellow da Fundação Lemann, mentora de mulheres e investidora-anjo.

Por que o boticário tem mais de 4.000 lojas e continua abrindo mais se você pode comprar perfume pela internet em 40 segundos?

A internet não matou a loja física. O Boticário entendeu como dar uma nova função para ela.

Por Marcos Pezolato 

Enquanto muita gente imaginava que o e-commerce reduziria a necessidade de pontos físicos, a marca seguiu na direção contrária: abriu 113 novas lojas em 2025 e passou de 4.000 unidades.

O motivo fica mais interessante quando você percebe que essas lojas não servem apenas para vender no balcão. Elas ajudam o cliente a experimentar, retirar compras online, receber produtos mais rápido e manter contato com a marca.

No fim, a pergunta não é por que O Boticário ainda tem tantas lojas. É por que conseguiu fazer o físico e o digital trabalharem juntos.

SXSW 2027 ganha festival de podcasts e novos endereços

Próxima edição acontecerá de 15 a 21 de março com hubs temáticos realocados e badge para C-levels

Por Isabella Lessa (Meio & Mensagem)

O South by Southwest (SXSW) continuará com a duração de sete dias que foi adotada pela organização neste ano. Pela primeira vez, o festival realizado em Austin, no Texas, começará numa segunda-feira. A realização está prevista para ocorrer de 15 a 21 de março de 2027.

Na programação, a novidade é a adição do Podcast Festival, que passa a compor a programação ao lado dos festivais Film & TV, Music e Comedy. A decisão é decorrente da expansão dos podcasts dentro do SXSW – acompanhar a gravação de episódios de programas de Esther Perel, Scott Galloway e Brené Brown durante tornou-se algo concorrido durante o evento.

O festival de podcasts estará aberto a todas as badges e será realizado de 17 a 20 de março.

Novos endereços

Um elemento implementado na edição mais recente e que permanecerá são as Clubhouses, espaços temáticos – Film & TV, Music e Innovation – pensados para serem pontos de encontro e de trocas entre os participantes.

A iniciativa, adotada diante da reforma do Austin Convention Center, será reforçada com mais hubs. O Music Clubhouse, que já existia, será realocado para o hotel The Thompson e a programação voltada à música se dividirá entre este local e o The Westin, outro hotel de Austin.

Segundo a organização, a mudança fará com que os interessados no tema fiquem concentrados perto da Sixth Street e próximos do Red River Cultural District, coração do Music Festival.

Já as estreias de filmes ocuparão, de forma temporária, o The Moody Theater e o ACL Live, já que o Paramount Theatre, que, historicamente, abrigou as premieres de filmes lançados no festival, está em processo de restauração. O retorno dos red carpets ao local original está previsto para 2028.

A conferência dedicada a filmes e televisão, por sua vez, acontecerá nos hotéis The Driskill e Stephen F., ficando mais próxima da ACL Live e do Film & TV Clubhouse, localizado na Congress Avenue.

Outras trilhas e nova badge

Dentro da Innovation Conference também há novidades: a trilha Culture foi rebatizada como Lifestyle, no intuito de explorar como identidade pessoal, cultura e tendências emergentes em moda, bem-estar, relacionamentos e mídia digital moldam escolhas diárias.

Sports e Gaming voltarão a ser trilhas separadas: a primeira focará em temas como desempenho dos atletas, engajamento dos fãs e entretenimento no esporte, enquanto a de games se debruçará sobre a evolução do papel dessa indústria em tecnologia, storytelling e entretenimento.

Já estão abertas as vendas da CxO Badge, nova credencial designada a C-levels e fundadores de empresa que estejam, segundo a organização, em busca de uma experiência premium, com acesso fluido a todas as partes do evento.

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