Você vai ler na coluna hoje: Vagas PJ já são maioria no setor de comunicação, diz estudo, Hoje a Clube Social Pertence completa 15 anos, Sinal verde para a paquera no LOOF, O brasileiro empobreceu sem sair do lugar, The Led compra TailyAds e avança na consolidação de ecossistema, Ele demitiu pessoas que batiam todas as metas e manteve quem entregava menos, Quais são os 7 pilares de transformação da publicidade?, “A urgência funciona para mim, não para você”, Governança é o novo storytelling, Em algum momento você pensou que eu era velho demais para essa vaga?
Com as modificações das regras de envio do WhatsApp, criamos uma nova comunidade da Coluna do Nenê. Te convidamos a clicar no link abaixo para entrar na nossa comunidade e receber diariamente a nossa coluna. CLIQUE AQUI!
Vagas PJ já são maioria no setor de comunicação, diz estudo
Estudo da Trampos destaca que pejotização no setor avançou de 49% para 60% de 2021 para 2025
Por Meio & Mensagem
A participação de vagas PJ no mercado brasileiro de comunicação avançou de 49% para 60%, entre 2021 e 2025, consolidando esse modelo como majoritário nas contratações de agências, produtoras, estúdios e times de marketing.
Isso é o que revela o estudo “Retrato da Pejotização no Mercado de Comunicação”, realizado pela plataforma de recrutamento especializada em marketing e comunicação Trampos.
O levantamento também revela que entre 2021 e 2025, no setor, as vagas PJ atraíram, em média, 64% mais candidatos do que vagas CLT, e concentraram 73% das contratações sêniores.
Ao longo do período, a pesquisa indica que a migração do CLT para o PJ caminhou em ritmo constante, sem períodos de retração, o que representa uma mudança estrutural.
Em nota, o CEO da Trampos, Tiago Yonamine, avalia ainda que houve uma mudança na natureza dessa decisão. Segundo ele, se em 2021, escolher entre uma vaga CLT e PJ passava pelo campo financeiro ou ideológico, em 2025, o modelo de contratação virou a primeira variável de atração do anúncio.
Quanto maior a senioridade, maior a pejotização
O levantamento mostra também que quanto maior a senioridade dos profissionais, maior é a pejotização, visto que entre os profissionais mais sêniores, 73% das vagas anunciadas são PJ, versus 65% nos cargos plenos e 40% nas vagas júnior. Esse último nível é o único em que a carteira assinada segue majoritária.
Ao analisar por áreas de atuação, o estudo indica que a média de 64% de atração pelo PJ se dilui. Áreas administrativa e financeiras (+68%) e de tecnologia (+66%) atraem aproximadamente cinco vezes mais candidatos em vagas PJ do que o núcleo criativo.
No núcleo criativo, design (+13%) e marketing (+12%) ficam a um quinto da média geral de contratações PJ. E na área de mídia, essa lógica se inverte, uma vez que as vagas CLT atraíram 14% mais candidatos. Essa área foi a única na qual a carteira assinada venceu.
O que explica a atratividade do PJ?
De acordo com o estudo, dois fatores explicam a preferência pelo modelo de contratação PJ. O primeiro é a remuneração bruta anunciada: em tecnologia, vagas PJ pagam, em média, 73% mais do que vagas CLT da mesma área. É também uma das áreas em que o modelo mais atrai candidatos.
O segundo é o formato de trabalho, visto que apenas 38% das vagas PJ são presenciais, contra 69% das vagas CLT. Na prática, 62% das vagas PJ oferecem algum formato flexível, exatamente o dobro do observado nas vagas com carteira assinada.
Apesar disso, os dados fazem um alerta para quem contrata: parte do que parece preferência por PJ é, na verdade, preferência por flexibilidade e por remuneração bruta mais alta. Neste sentido, o levantamento indica que uma vaga PJ anunciada com salário de CLT transfere o risco do modelo ao candidato sem oferecer o prêmio. E o mercado percebe esse risco na velocidade das candidaturas.
Metodologia
Para construir um retrato do avanço da pejotização no mercado de comunicação no Brasil, a Trampos analisou 36.597 vagas publicadas entre 2021 e 2025.
O estudo também levou em consideração um recorte adicional de comportamento sobre 8.876 vagas nos últimos 24 meses (atratividade, remuneração bruta anunciada e formato de trabalho) e dados públicos do IBGE sobre o mercado de trabalho brasileiro. Confira o estudo completo aqui.
Hoje a Clube Social Pertence completa 15 anos
15 anos de histórias, dedicação, transformação e inclusão.
Há 15 anos, nossa querida Sara Zinger, mais conhecida como Sarita, não tinha um plano, ela tinha um olhar atento ao outro e uma pergunta simples: por que pessoas com deficiência não têm histórias próprias para contar? Pouco depois, @victor_freiberg se juntou a ela, e o que já era um sonho ganhou ainda mais força para se tornar um verdadeiro movimento.
Hoje contamos a história do Pertence com a voz de quem a viveu desde o início.
Porque antes de sermos metodologia, antes de sermos referência em inclusão, fomos e sempre seremos pessoas que decidiram que ninguém deveria viver sem sua própria história.
Feliz aniversário, Pertence.
Sinal verde para a paquera
O LOOF – Food & Fun entra no clima do Dia do Solteiro com uma festa neste sábado (15), a partir das 19h, no Bourbon Shopping Country, em Porto Alegre. Com entrada gratuita e som do DJ Lê Araújo, a noite terá ainda o drink Flerte, criado para ajudar a quebrar o gelo: quem estiver com a bebida na mão sinaliza que está aberto à paquera.
Criado pelo chef de bar Roni Soares, o Flerte combina morango, laranja, capim-limão e, na versão alcoólica, vodka. A mistura equilibra o dulçor da fruta com a acidez cítrica da laranja e as notas herbais e refrescantes do capim-limão.
A proposta da festa é reunir solteiros em uma noite de música e diversão, usando o Flerte como um sinal descontraído de que vale chegar para conversar — e, quem sabe, transformar a comemoração em um novo encontro.
O LOOF – Food & Fun é um hub de gastronomia e diversão localizado no segundo andar do Bourbon Shopping Country, em Porto Alegre. O espaço, que vai completar um ano em setembro, reúne oito pistas de boliche, arcade com jogos eletrônicos e de diversão, restaurante com cardápio inspirado nos diners americanos, sports bar, arremesso de machado para maiores de 18 anos e cinema Cinesystem, concentrando diferentes opções de diversão e gastronomia em um único ambiente.
SERVIÇO Festa do Dia do Solteiro no LOOF – Food & Fun Data: sábado, 15 de agosto Horário da festa: a partir das 19h Atração: DJ Lê Araújo Entrada: gratuita Local: LOOF – Food & Fun | 2º andar do Bourbon Shopping Country Endereço: Av. Túlio de Rose, 80 – Porto Alegre
Horário de funcionamento do LOOF: Domingo a quinta-feira: das 11h às 23h Sexta-feira e sábado: das 11h à meia-noite
O brasileiro empobreceu sem sair do lugar
Em 2010, uma família guardou R$ 10 mil para uma viagem aos Estados Unidos. O dólar fechou aquele dezembro a R$ 1,66: eram cerca de US$ 6.000.
A viagem foi adiada. O dinheiro ficou no CDI, rendendo bem. Em reais, o saldo cresceu.
Hoje, com o dólar perto de R$ 5,13, os mesmos R$ 10 mil compram cerca de US$ 1.950.
Nenhum ativo quebrou. Nenhuma decisão errada foi tomada. Ainda assim, medida na moeda que precifica a viagem, o carro importado e o remédio, essa família ficou 68% mais pobre.

Duas erosões, não uma
O investidor brasileiro é treinado para vigiar uma variável: o IPCA. É a régua do “ganho real”, do CDI, do IPCA+.
Mas o patrimônio sofre duas erosões simultâneas, em velocidades diferentes. Entre o fim de 2010 e o fim de 2025, o IPCA acumulou cerca de 132%. No mesmo intervalo, o dólar subiu cerca de 256%.

Quem só olha o IPCA mede uma cesta doméstica: arroz, aluguel, ônibus. A cesta de quem tem patrimônio relevante é outra — educação no exterior, imóveis fora, tratamentos, exposição a empresas globais. Essa é cotada em dólar.
O câmbio também empurra os preços daqui
Há um segundo canal, menos visível: o repasse cambial (pass-through). No Relatório de Política Monetária de março, o Banco Central estima coeficiente de 0,10 para o IPCA cheio em quatro trimestres: uma alta de 10% no dólar tende a somar 0,1 ponto percentual à inflação em um ano.
O número parece pequeno, mas engana. A distribuição é desigual: para preços administrados, como energia e combustíveis, o coeficiente sobe a 0,18.

E o repasse é assimétrico: depreciações se transmitem mais rápido e com mais força do que apreciações. O preço sobe fácil e desce devagar.
A consequência é incômoda. O investidor 100% doméstico está duplamente exposto ao mesmo choque: o dólar sobe, seu poder de compra internacional cai, e a inflação que corrói o lado brasileiro da carteira sobe junto. Não há hedge. Há amplificação.
O que fica de fora da carteira
Diversificar costuma ser vendido como aposta em performance — “o S&P 500 rende mais”. É o argumento mais fraco disponível: depende de o futuro repetir o passado.
Há dois melhores, e nenhum é sobre retorno.
O primeiro é estrutural: a moeda estrangeira tem correlação historicamente negativa com o risco brasileiro. Quando o cenário doméstico piora, o real se deprecia — exatamente quando a bolsa local cai. O dólar não é um ativo que sobe muito; é um ativo que sobe quando o resto da carteira desce. Isso tem preço: houve janelas longas de real forte em que diversificar custou retorno.
O segundo é o custo de oportunidade. O Brasil respondeu por cerca de 2% do PIB global em 2025. Nos mercados acionários, a desproporção é maior: os Estados Unidos representam 63,5% do MSCI ACWI, índice que mede a bolsa mundial. O Brasil sequer aparece entre os cinco maiores pesos.
Não é só tamanho. É acesso. As dez maiores posições do ACWI concentram 25% do índice e são dominadas por Nvidia, Apple, Microsoft, Amazon e Alphabet. A revolução de inteligência artificial em curso — a maior realocação de capital produtivo desde a internet — está sendo capitalizada quase inteiramente fora da B3.
O investidor 100% doméstico não está apenas concentrado em risco. Está ausente da fronteira tecnológica.
Offshore não é o que dizem que é
Aqui é preciso desfazer um mal-entendido, porque a regra mudou.
Durante anos, estruturas offshore foram vendidas na chave da economia tributária. A Lei Complementar 227, sancionada em janeiro de 2026, encerrou a ambiguidade: o ITCMD passa a alcançar expressamente bens no exterior, incluindo offshores e trusts com beneficiários residentes no Brasil.
O que permanece — e ficou mais valioso — é outra coisa: organização e liquidez sucessória.
Um inventário judicial no Brasil leva tipicamente de dois a cinco anos, com os bens bloqueados. Herdeiros enfrentam falta de caixa justamente quando precisam pagar ITCMD, honorários e custas, que somados costumam consumir entre 6% e 15% do patrimônio. Não é raro que a família venda ativos em condição desfavorável apenas para honrar o próprio espólio.
Uma estrutura internacional bem desenhada não elimina o imposto. Mas pode separar a transmissão do bloqueio e dar liquidez à família enquanto o inventário corre.
A conversa que falta
Dolarizar patrimônio não é pessimismo com o Brasil. É reconhecer que um patrimônio construído em uma moeda, gasto em várias e transmitido sob regras que mudam precisa de mais de uma régua.
Mas exposição internacional é decisão de alocação. E alocação não é neutra em relação a quem a recomenda.
As duas perguntas são: contra o que essa carteira me protege? E quanto custa, exatamente, quem me disse para montá-la assim?
A segunda é mais difícil de fazer. Também é a única cuja resposta está inteiramente sob o seu controle.
The Led compra TailyAds e avança na consolidação de ecossistema
Aquisição acelera a integração com inteligência comercial; Heitor Pontes assume como diretor de novos negócios
Por Meio & Mensagem
The Led compra a TailyAds, antiga Tail Ads, do publicitário Heitor Pontes, incorporando inteligência comercial à uma operação cada vez mais integrada em retail media.
Vindo da Helloo e JCDecaux, Pontes fundou o negócio em 2024 sob a premissa de fortalecer a relação entre a indústria, o varejo e o consumidor, fazendo uso estratégico de dados para conectar a comunicação do topo e do meio do funil com o ponto de venda.
Em dezembro do ano passado, a The Led recebeu um aporte de R$ 150 milhões da Kinea, fundo de private equity controlado pelo Itaú. O investimento contribui para a viabilização do plano de dobrar o tamanho da empresa em três anos.
Os recursos têm sido dedicados à expansão e aceleração da operação, crescimento da presença da companhia no varejo físico e viabilização de movimentos estratégicos. À época do anúncio, o CEO, Richard Albanesi, indicou, ainda, para o investimento em práticas de governança e na aceleração do desenvolvimento de novas tecnologias.
De acordo com a The Led, a chegada da TailyAds ao portfólio acelera a expansão do inventário por meio de maior capacidade de prospecção, relacionamento e abertura de novas redes.
A partir da aquisição, Heitor Pontes assume como diretor de novos negócios da The Led e terá como missão ampliar o relacionamento com clientes e parceiros, desenvolver novas oportunidades comerciais e potencializar projetos especiais em mídia.
Em nota, Pontes afirma que integrar a The Led permite acelerar a construção do retail media em maior escala. “Não basta apenas conectar marcas e varejistas; é preciso integrar tecnologia, operação, inteligência e relacionamento para gerar resultados consistentes”, pontuou.
A The Led projeta alcançar 20 mil telas no varejo físico até o final do ano. Atualmente, conta com 15,5 mil telas instaladas em mais de 5 mil lojas.
Em 2025, a empresa comprou a Retail Media, ingressando na área de publicidade. Até então, a The Led era provedora de soluções para painéis de mídia out-of-home e indoor.
Ele demitiu pessoas que batiam todas as metas e manteve quem entregava menos. Isso salvou a empresa e quase destruiu a carreira dele
Por Tiago Henrique Bona
1981. Japão.
A Toyota enfrentava um dilema interno.
Algumas equipes batiam metas de produção com folga.
Outras ficavam para trás.
O caminho óbvio?
Premiar quem entregava mais.
Pressionar quem entregava menos.
Taiichi Ohno, arquiteto do Sistema Toyota de Produção, fez o oposto.
Ele começou a observar o chão de fábrica.
Não os números.
As pessoas.
Percebeu algo inquietante:
As equipes “campeãs” escondiam problemas.
Pulavam etapas.
Ignoravam defeitos pequenos.
Empurravam falhas para o próximo turno.
As equipes “lentas” faziam algo diferente.
Paravam a linha.
Puxavam o cordão andon.
Exibiam erros para todos verem.
Pareciam piores.
Na prática, eram melhores.
Ohno tomou uma decisão radical.
Promoveu quem parava a produção.
Cortou quem batia meta escondendo defeito.
O choque foi imediato.
Gerentes reclamaram.
Executivos questionaram.
A carreira dele ficou em risco.
Mas os dados vieram depois.
Menos retrabalho.
Menos recall.
Qualidade superior.
Custos menores no longo prazo.
A Toyota entendeu algo que a maioria das empresas ainda ignora:
Bater meta não é o objetivo.
Construir um sistema que não precisa de heróis é.
Quando você recompensa só o resultado,as pessoas escondem o caminho.
Quando você recompensa o processo, o resultado se sustenta.
É por isso que a Toyota virou referência mundial.
Não por correr mais rápido.
Mas por parar quando todo mundo acelera.
Nos negócios, o maior risco não é errar.
É fazer parecer que tudo está funcionando.
Quais são os 7 pilares de transformação da publicidade?
Primeiro estudo do Observatório Abap destaca como a geopolítica e tecnologia devem remodelar a indústria da comunicação até 2029
Por Bárbara Sacchitiello
As diversas mudanças pelas quais o mercado de comunicação internacional passa não são fruto de instabilidade ou de acontecimentos momentâneos, mas sim de uma profunda transição estrutural que deve redefinir todo o modelo de negócios do setor.
É dessa maneira que a Abap – Espaço de Articulação Coletiva do Ecossistema Publicitário – resume o estudo “A Publicidade na Era da Ordem Fragmentada”, o primeiro fruto do Observatório Abap, iniciativa voltada a oferecer análises e estudos de longo prazo acerca da indústria da comunicação.
A análise, assinada por Pyr Marcondes, consultor estratégico de inteligência artificial e inovação da Abap, procura, a partir do estudo de diversos dados de mercado, projetar as principais transformações que devem nortear a indústria publicitária pelos próximos três anos.
De forma geral, o relatório considera como a fusão de diferentes forças sistêmicas e a geopolítica deslocam o trabalho da comunicação para diferentes caminhos, além de apontar reflexões de como as empresas de comunicação podem atuar em meio a um cenário em constante transformação.
Os sete pilares de transformação
O estudo da Abap lista sete pilares que devem nortear a indústria global – e também a brasileira – de comunicação até 2029, pontuando como cada um deles influencia no trabalho de marketing e desenvolvimento de negócios.
Veja, abaixo, um resumo de cada um deles. O estudo completo está disponível apenas para associados da ABAP.
1- Mudança permanente de regime
A crise não é mais um episódio e sim o novo sistema operacional do mercado. Não se trata mais de planejar e ajustar conforme imprevistos. Trata-se de construir organizações e marcas cuja própria arquitetura pressupõe a instabilidade como estado normal das coisas.
2- Fusão de Forças Sistêmicas
O que torna o atual momento singular é a simultaneidade e interdependência de três forças: geopolítica, inteligência artificial e economia e pressão sobre margens. A pressão econômica acelera a adoção de IA, que, por sua vez, reorganiza as cadeias de valor e desloca empregos, alimentando a instabilidade social que tem componente geopolítico. E a geopolítica encarece insumos e tecnologia, aprofundando a pressão sobre margens.
3- Geopolítica no Briefing
Uma marca que opera globalmente precisa hoje navegar regimes regulatórios incompatíveis entre si, padrões de privacidade que variam por continente, exigências de soberania de dados que obrigam a duplicar infraestrutura, e expectativas culturais que mudam de mercado para mercado.
4- A Internet em Arquipélago
A Internet deixou de ser uma praça global única. Está virando um arquipélago de ecossistemas. A internet que a publicidade aprendeu a usar — global, aberta, integrada, uma praça pública planetária — está deixando de existir. No seu lugar, forma-se um arquipélago de ecossistemas digitais, cada um com sua soberania, suas regras e suas plataformas.
5- A nova fronteira da criatividade
A IA agêntica é a tecnologia que reorganiza a cadeia de valor. Quando um agente passa a comprar mídia, otimizar campanhas, descobrir produtos ou negociar em nome de uma empresa ou de um consumidor, a questão deixa de ser “como produzimos mais rápido?” e passa a ser “quem, ou o quê, está tomando as decisões?”.
6- Nova Geologia da Mídia e do Consumo
As placas tectônicas que sustentaram o setor por décadas — a televisão linear, a busca tradicional, a mídia de massa — estão se deslocando, e novas formações emergem onde antes havia terreno estável.
7- O Posicionamento Estratégico do Brasil
O Brasil reúne uma combinação rara: capacidade técnica em expansão acelerada e descentralizada, tradição criativa de classe mundial e posição geopolítica de não alinhamento. Essa tríade é precisamente o que se exige de uma ponte ativa. O risco não é falta de talento — é falta de articulação entre talento técnico, capital e narrativa.
“A urgência funciona para mim, não para você”
Ouvi isso de um diretor lá em 2004.
Na época, soou terrivelmente arrogante. Deixei para lá e transformei a frase em uma história engraçada de café.
Depois, passei por empresas com culturas fortes, onde entregas de resultados jamais justificavam comportamentos tóxicos. Acho que vivi meio em Nárnia — confesso.
Há dois anos fundei a minha consultoria e adivinhe? Reencontrei a mesma postura em um cliente. O pacote era completo:
→ Zero escuta e muita culpabilização;
→ Nenhum tempo para alinhamentos e conversas difíceis (e importantes);
→ Urgências que só valiam para um lado e prazos eram absurdos;
→ Um medo tão grande da gestão que a equipe mapeava o humor do chefe antes de decidir quais assuntos poderiam ser tratados no dia.
O que me impressiona é que nem precisa de um olhar estratégico tão profundo para ver que esse é o caminho mais rápido para a mediocridade.
A base da inovação e de qualquer bom trabalho é a segurança psicológica. Sem ela, ninguém arrisca, ninguém traz a verdade para a mesa e os melhores talentos apenas pisam em ovos.
Liderar não é imobilizar o time com a sua própria urgência. É construir o ambiente onde as pessoas conseguem realizar o seu melhor.
Fica a reflexão de hoje: você sabe o impacto real da sua liderança ou sua equipe também precisa checar o seu humor antes de trabalhar?
Em marcas complexas, a espontaneidade é o luxo que a governança financia
Por Thiago Cesar Silva
A era da marca espontânea acabou, se é que algum dia existiu. Para mantê-la de pé, o marketing precisa aprender com uma das figuras mais subestimadas da indústria do entretenimento: o showrunner.
Durante anos, contar boas histórias foi o verbo sagrado do marketing e o termo “storytelling” dominou os slides de palestras e apresentações. A premissa parecia simples: quem soubesse narrar melhor venceria, no entanto, pouca gente perguntou quem sustentaria a narrativa no momento em que ela precisasse atravessar centenas de pessoas, canais, pontos de contatos e anos de execução sem perder coerência.
A resposta nascia na televisão norte-americana, por volta dos anos 1950 com a criação desta figura, o showrunner.
O showrunner é a pessoa mais importante de um show, série, novela e, paradoxalmente, a menos visível. Não é apenas o roteirista, nem o produtor executivo, mas é quem tem a árdua missão de ser o guardião da história. Enquanto roteiristas escrevem episódios diferentes, diretores filmam e atores interpretam, é ele quem garante que tudo pareça obra de uma única consciência. Seu trabalho é basicamente proteger a coerência, consistentemente, mantendo a bíblia impecável (documento que pode ser livremente traduzido para o universo de construção de marcas como “brand book”), aprovando roteiros, reescrevendo diálogos e o mais difícil, cortando cenas brilhantes, mas que traem o conjunto.
Quando ele faz bem seu trabalho, ninguém percebe sua existência e o público apenas acredita que aquela série “simplesmente funciona” por si só. Sua importância só aparece quando ele desaparece: basta uma troca de comando para que personagens passem a agir fora do próprio caráter, o tom oscile e a narrativa comece a se contradizer. O espectador sente que algo se perdeu muito antes de conseguir explicar o quê.
O mesmo acontece com as marcas. Uma marca também é escrita por dezenas de pessoas ao mesmo tempo: agências, a turma do marketing, as equipes de social media, trade, atendimento, jurídico, vendedores e executivos. O que impede que cada interação conte uma história diferente não é talento individual. É governança. Ou, se preferirmos a analogia: o showrunner.
Governança não engessa, sustenta
Durante muito tempo tive resistência a essa palavra, “governança”, pois sempre me pareceu sinônimo de burocracia, comitês e reuniões que poderiam ter sido resolvidas em um e-mail, até perceber que ela produz justamente o efeito contrário.
Numa organização grande, a espontaneidade é o luxo que a governança financia. Quanto mais sólida for, mais liberdade existirá para improvisar. Porque, cá entre nós, improvisar só é seguro quando existe um chão firme sob os pés.
É justamente nesse lugar que a consistência não engessa a criatividade; a protege. Sem esse acordo prévio, cada campanha renegociaria a identidade da marca desde o início. Nenhuma marca relevante é espontânea. O que acontece é a naturalidade cuidadosamente construída e não existe nada de cínico nisso, afinal, uma orquestra não soa menos bela porque existe uma partitura. É justamente a partitura que faz cem instrumentos parecerem um único pensamento.
O mercado, porém, continua celebrando quem conta histórias e segue ignorando quem garante que elas continuem verdadeiras amanhã. Premia campanhas virais, mas negligencia o sistema que impede a próxima campanha de contradizê-las.
É uma miopia cara pois a história mais bem contada do mundo perde valor quando a seguinte a desmente. Ser guardião de marca é aceitar uma tarefa quase invisível e que exige um trabalho árduo na terapia junto ao seu próprio ego. É proteger o tom quando ninguém está olhando ou dizer não a boas ideias porque elas pertencem a outra história. É compreender que o maior elogio seja justamente não receber elogio algum.
O showrunner de uma série trabalha numa sala fechada e tem direito ao corte final. A marca, não. Ela é escrita ao vivo pelo vendedor no ponto de venda que improvisa uma resposta, pelo estagiário que publica um comentário, pelo executivo que concede uma entrevista sem briefing. Naquele instante, qualquer um deles se torna o showrunner da marca inteira.
Por isso, governança não é colocar um guardião no topo da organização. É construir uma cultura em que qualquer pessoa que toque na marca saiba protegê-la. Basta um episódio fora do tom para romper a ilusão mais sofisticada que uma marca pode sustentar: a de que toda aquela espontaneidade aconteceu naturalmente.
Em algum momento você pensou que eu era velho demais para essa vaga?
Por Juliana Simas Araujo
Recentemente entrevistei um profissional de 59 anos que estava fora do mercado há algum tempo.
No início da conversa, percebi algo além do nervosismo: ele parecia querer provar o tempo todo que ainda era capaz.
Mas bastaram poucos minutos para ficar claro que ali existia algo que o mercado tem ignorado cada vez mais: bagagem.
Experiência de quem já enfrentou crises, resolveu problemas, aprendeu com os próprios erros e desenvolveu um repertório que só o tempo proporciona.
No fim da entrevista, ele me fez uma pergunta:
“Em algum momento você pensou que eu era velho demais para essa vaga?”
Aquela pergunta me fez refletir.
Porque ninguém faz esse tipo de pergunta sem já ter sentido o peso desse preconceito antes.
Minha resposta foi simples:
“Não. Porque talento não tem idade.”
E talvez esse seja um dos maiores erros do mercado hoje: associar idade à perda de capacidade.
Na prática, tenho visto algo diferente. Muitos profissionais mais experientes demonstram uma disponibilidade, comprometimento e disposição para contribuir que, em muitos casos, superam a de candidatos bem mais jovens.
Isso não significa que uma geração seja melhor do que a outra. Significa apenas que competência, energia e vontade de trabalhar não dependem da idade.
No fim, não contratamos idade.
Contratamos competência, maturidade, atitude e resultados.
E isso não envelhece.














