Governança: o ativo invisível que mais valoriza uma empresa na hora da venda – 21.08.2026

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Você vai ler na coluna hoje: Governança: o ativo invisível que mais valoriza uma empresa na hora da venda, Por que gastamos nossa energia com o que não podemos mudar?, Banrisul Cultural e Fundação Bienal do Mercosul lançam programa continuado de artes para escolas públicas de regiões vulnerabilizadas, Programa internacional no MIT prepara lideranças do Sicredi para desafios do futuro, Parceria inédita entre Globo e Eletromidia leva Jornal Nacional para o OOH, Como a Natura comprou os maiores concorrentes e agora perde R$ 2 milhões por dia, Economia prateada cresce com longevidade, mas mercado ainda não está preparado, Quando duas categorias deixam de competir e começam a criar uma nova ocasião, Festival Favela Cria: novo modelo conecta marcas à favela, Quanto mais conteúdo existe, mais caro fica conquistar atenção de verdade, As pessoas que vivem mais não praticam exercícios, mas moram em casas onde precisam andar o dia inteiro, GGR de apostas reguladas no Brasil atinge R$ 20,07 bi no 1º semestre de 2026.

 

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Governança: o ativo invisível que mais valoriza uma empresa na hora da venda

Por Fernando Röhsig – Conselheiro de Administração (CCA IBGC).

A venda de uma empresa costuma ser tratada como o ponto final de uma trajetória empreendedora. Na prática, é uma das decisões mais estratégicas da vida de um fundador – e, paradoxalmente, uma das menos planejadas. Em um mercado cada vez mais exigente, empresas não são adquiridas apenas por seus resultados econômicos e financeiros. São avaliadas pela qualidade de sua gestão, pela previsibilidade de seus processos e pela confiança que transmitem aos investidores.

É justamente nesse ponto que a governança corporativa deixa de ser um diferencial para se tornar um fator determinante de valor. Negociações bem-sucedidas começam muito antes da assinatura do contrato. Elas são construídas ao longo dos anos por meio de demonstrações econômicas e financeiras confiáveis, controles internos robustos, regras claras de decisão, gestão profissionalizada e uma cultura baseada na transparência e na prestação de contas. Quanto maior a maturidade da governança, menor a percepção de risco e maior a disposição do mercado em pagar por aquele negócio.

Nas empresas familiares, esse desafio é ainda mais complexo. A venda não envolve apenas ativos, contratos ou participação societária. Envolve história, identidade, relações familiares e, muitas vezes, o legado de gerações. Sem uma estrutura de governança, decisões estratégicas podem ser contaminadas por aspectos emocionais, comprometendo o processo de negociação e a preservação do patrimônio construído ao longo do tempo.

Fundadores e sucessores precisam compreender que preparar uma empresa para uma eventual venda não significa colocá-la à venda. Significa construir uma organização independente das pessoas, capaz de prosperar com processos sólidos, lideranças preparadas e mecanismos de decisão institucionalizados. Empresas que podem ser vendidas são, invariavelmente, empresas melhor administradas.

A governança também protege quem vende. Ela reduz conflitos entre sócios, organiza informações, facilita auditorias, fortalece a credibilidade perante investidores e amplia o universo de potenciais compradores. Mais do que isso, permite que a negociação preserve aquilo que nenhum valuation consegue mensurar: a reputação da empresa e o legado de seus fundadores.

No fim, vender uma empresa não é apenas realizar um ativo. É transferir uma história. E histórias de sucesso são aquelas construídas sobre bases sólidas de governança, capazes de gerar valor antes, durante e depois da transação.

Por que gastamos nossa energia com o que não podemos mudar?

Por Mateus Piveta – Fundador PVT Gestão Estratégica

Recentemente, estive em uma grande organização que tem um desafio gigante pela frente. Tão grande que, se bem-sucedido, pode alavancar o Brasil no cenário mundial. É algo assustador assumir uma responsabilidade tão grande, mas ao mesmo tempo é inspirador demais fazer parte de algo assim, quem não gostaria de ter seu nome ligado a um projeto desses?

Quando paramos para pensar nisso, imaginamos quantas partes da nossa sociedade estão envolvidas, a complexidade que é orquestrar interesses e necessidades políticas, sociais, econômicas e empresariais. E, ao fazer essa análise, caímos na armadilha de focar justamente no círculo em que não temos autonomia para mudar. Ficamos apontando tudo o que os outros deveriam fazer e desfocamos do que nós podemos fazer.

Trazendo o debate para nossa vida cotidiana: você já percebeu que, muitas vezes, passamos mais tempo reclamando do trânsito, do calendário ou da política do que efetivamente fazendo algo para melhorar nossa própria vida?

Vou trazer mais um exemplo, retirado da série documental da Netflix The Playbook: Estratégias para vencer. Nela, técnicos campeões revelam suas regras pessoais para alcançar o sucesso nos esportes e na vida. Um deles é José Mourinho, considerado por muitos no mundo do futebol um dos maiores treinadores de todos os tempos. E ele recebe esse título justamente por entender com clareza o seu papel como treinador. Em sua visão, cabe a ele fazer com que os jogadores descubram a melhor forma de jogar, de se organizar em campo e de executar as ações do jogo. O objetivo final de Mourinho é uma descoberta guiada até o que realmente importa: o que o time faz em campo. Ele acrescenta que seu papel é preparar os jogadores para a partida, mas dentro de campo a decisão é deles — eles farão as escolhas das melhores jogadas.

O exemplo de Mourinho é perfeito porque desmistifica a ideia de que “líderes controlam tudo”. Ele mostra que, mesmo no topo, a sabedoria está em saber onde termina o seu poder.

Ter essa consciência é um diferencial competitivo hoje em dia para tudo: negócios e vida. Esse assunto foi tratado com grande maestria por Stephen R. Covey, renomado autor, educador e palestrante norte-americano, mundialmente conhecido por seu best-seller Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes, publicado em 1989.

Covey dedicou sua carreira a desenvolver princípios éticos universais para a liderança e o desenvolvimento pessoal e profissional. É nesse contexto que ele introduziu o conceito dos “Círculos de Preocupação e Influência”, uma ferramenta poderosa para ajudar as pessoas a focarem sua energia no que realmente podem mudar. A ideia central é que, ao direcionarmos nossos esforços para o “Círculo de Influência” (onde temos o poder de agir), em vez de nos desgastarmos no “Círculo de Preocupação” (sobre o qual não temos controle), expandimos nossa capacidade de impacto e nossa eficácia pessoal. Covey, de certa forma, “popularizou” o que os estoicos já diziam há mais de 2.000 anos: “A infelicidade não vem dos fatos, mas do julgamento que fazemos sobre eles.”

A verdadeira inteligência emocional e produtividade não estão em resolver tudo, mas em saber identificar o que é “jogo” e o que é “treino”. Quando focamos no que podemos mudar, deixamos de ser vítimas das circunstâncias e viramos arquitetos da nossa reação.

Fica a reflexão: a grande virada não acontece quando o mundo muda; acontece quando você decide que, a partir de hoje, sua energia será gasta apenas dentro daquilo que você realmente pode mudar.

Banrisul Cultural e Fundação Bienal do Mercosul lançam programa continuado de artes para escolas públicas de regiões vulnerabilizadas

Com investimento de mais de R$ 4 milhões, o Banrisul Entre Artes atenderá 4 mil crianças e adolescentes de Porto Alegre e Alvorada com oficinas para sensibilizar e estimular a imaginação e a criação. A iniciativa também vai gerar oportunidades de trabalho para pelo menos 30 professores-artistas do Estado, que já podem se cadastrar para o processo seletivo. Foto: Nektar Design

O Banrisul Cultural e a Fundação Bienal do Mercosul lançam o Banrisul Entre Artes, escola aberta, descentralizada e em movimento, que oferece um programa continuado de artes para estimular a imaginação e o pensamento crítico. O programa terá início em regiões vulnerabilizadas do Rio Grande do Sul e ofertará oficinas extracurriculares que unem artes visuais, teatro, dança, circo e música.

Durante todo o ano letivo de 2027, a iniciativa atenderá 4 mil crianças e adolescentes da rede pública de ensino de Alvorada e de Porto Alegre. As atividades serão oferecidas a estudantes de 6 a 17 anos de idade, dos ensinos Fundamental e Médio de escolas localizadas em territórios atendidos pelo programa RS Seguro COMunidade, selecionadas com auxílio da Secretaria Municipal de Educação de Alvorada (SMED) e da Secretaria de Estado de Educação do Rio Grande do Sul (Seduc).

O investimento é de mais de R$ 4 milhões do Banrisul Cultural. “Entendemos que investir em cultura e em educação é fazer um investimento de longo prazo, com impactos permanentes, capazes de gerar grandes transformações na sociedade. É o que temos buscado desde o lançamento do Instituto Banrisul Cultural e Social e que queremos expandir com a atuação do Banrisul Entre Artes”, ressalta Fernando Lemos, presidente do Banrisul e do Banrisul Cultural.

As oficinas foram desenvolvidas como atividades extracurriculares, para serem integradas ao calendário escolar. “Queremos inserir a arte no cotidiano dos alunos, como uma linguagem capaz de contribuir para a formação humana integral, fortalecendo a identidade, os vínculos sociais, o desenvolvimento de senso crítico, a cidadania e a capacidade de atuação dessas crianças e jovens no mundo contemporâneo”, aponta Beatriz Araujo, diretora-geral do Banrisul Cultural.

A proposta pedagógica está sendo elaborada por uma equipe multidisciplinar de educadoras e pesquisadoras, formada pela artista e gestora cultural Adriana Boff, a encenadora e diretora de teatro Camila Bauer, a arquiteta Germana Konrath e a cantora, compositora e instrumentista Simone Rasslan. A partir das ementas e dos materiais elaborados pela equipe, as oficinas serão conduzidas por professores-artistas, com trajetórias que combinam atuação pedagógica e produção artística.

“A presença de educadores-artistas é um dos grandes diferenciais do Entre Artes, porque aproxima a experiência da criação artística do processo de aprendizagem. São profissionais que não apenas ensinam uma linguagem, mas também trazem para a sala de aula o olhar, a escuta, a curiosidade e a experiência sensível de quem vive a arte. Essa troca pode ampliar a forma como crianças e adolescentes percebem a si mesmos, o outro e o mundo”, analisa Gabriela Munhoz, diretora de programas e projetos culturais do Banrisul Cultural.

Em cada turma, os encontros serão ministrados pelo mesmo educador, favorecendo a construção de vínculos entre docente, aluno e comunidade. Serão selecionados pelo menos 30 professores-artistas, que podem se inscrever até o dia 20 de outubro, em banrisulcultural.com.br, para participar do processo seletivo. O cadastro e a seleção dos profissionais serão realizados de acordo com os critérios do edital de convocatória disponibilizado no site.

A organização do planejamento pedagógico está sendo feita pela Fundação Bienal do Mercosul, que há três décadas atua com educação por meio da arte. “Acreditamos que projetos dessa natureza estimulam a criatividade, a expressão, a atenção e o pensamento crítico, ampliando oportunidades de aprendizagem e contribuindo para uma trajetória escolar mais positiva de crianças e adolescentes, especialmente em contextos de maior vulnerabilidade social”, destacam Márcio Carvalho e Maria Fernanda Santin, copresidentes da Fundação Bienal do Mercosul. Através do Banrisul Entre Artes, a Fundação Bienal do Mercosul consolida uma atuação contínua por meio do seu Núcleo Educativo Permanente. “É um projeto que une nossa metodologia e vocação ao compromisso do Banrisul de gerar impacto social por meio da arte e da cultura”, complementam os copresidentes.

As ementas das oficinas foram concebidas como referências, e não como roteiros fechados, para que cada professor-artista tenha autonomia para adaptar os conteúdos à realidade das escolas, respeitando as características dos estudantes e dos territórios atendidos. As diferentes linguagens artísticas serão trabalhadas de maneira complementar, sem hierarquia entre elas.

O grande eixo temático que perpassa todas as atividades será a ecologia, entendida de forma ampla. O conceito será desenvolvido como reflexão sobre diferentes maneiras de habitar o mundo, de conviver com outras pessoas, culturas, territórios e espécies, relacionando temas como identidade, cuidado de si e pertencimento.

“As ementas deixam uma margem para que essas súmulas pedagógicas possam ser adaptadas à realidade de cada turma e comunidade, dando liberdade para que professores/as-artistas desenvolvam um olhar sensibilizador e provocador, que crie empatia e envolvimento entre estudantes. Em tempos de inteligência artificial e de ritmo acelerado, que não permite espaço para o tédio e para a criação, nossa proposta é estimular a imaginação, tendo a arte como uma maneira de ampliar horizontes”, explica Germana Konrath.

As escolas poderão aderir a uma ou mais atividades, nos turnos da manhã ou tarde, de acordo com sua disponibilidade de espaço físico, público, grade de horários e interesses. As instituições já estão sendo selecionadas para receber o projeto no próximo ano. Serão cerca de 25 escolas participantes, que serão reveladas em breve.

Sobre o Banrisul Cultural

O Instituto Banrisul Cultural e Social é uma instituição autônoma, ligada ao Banrisul, criada para desenvolver projetos culturais e sociais com atuação contínua e estruturada. Sua proposta se distingue das ações de patrocínio tradicionalmente realizadas pelo banco, voltadas ao apoio a iniciativas de terceiros. O Instituto nasce para conceber e executar programas próprios, com foco em acesso à cultura, valorização da memória, inclusão e geração de impacto duradouro em diferentes regiões do Rio Grande do Sul.

Sobre a Fundação Bienal do Mercosul

Há 30 anos, a Fundação Bienal do Mercosul atua na promoção da arte contemporânea e na ampliação do acesso à cultura, tendo a formação e a educação por meio da arte como pilares de sua trajetória. Responsável pela realização de 14 edições da Bienal do Mercosul, a instituição já alcançou mais de 8 milhões de visitantes e desenvolveu uma ampla experiência em mediação, formação de professores, formação de mediadores e programas educativos. Em 2026, inicia um novo ciclo de atuação, ampliando sua presença para além das mostras bienais e consolidando uma agenda permanente de projetos culturais, educativos e de impacto social.

Programa internacional no MIT prepara lideranças do Sicredi para desafios do futuro

O Sicredi realiza, de 24 a 28 de agosto, uma imersão internacional para gestores de suas cooperativas no Massachusetts Institute of Technology (MIT), em Boston, nos Estados Unidos. Desenvolvido em parceria com a Fundação Dom Cabral e com o apoio do Sescoop-RS, o Sicredi Financial Leadership Program reunirá conteúdos e experiências voltados a inteligência artificial, inovação, liderança, tecnologia, estratégia e transformação dos modelos de negócio. A iniciativa foi concebida para ampliar a visão de futuro dos participantes e conectar tendências globais aos desafios estratégicos e operacionais do Sicredi.

Ao longo de cinco dias, os participantes terão aulas na MIT Sloan School of Management, atividades práticas, momentos de síntese de aprendizagem e contato direto com o ecossistema de inovação de Kendall Square. A agenda aborda fundamentos e aplicações da inteligência artificial, pensamento estratégico, dinâmica de sistemas, inovação, confiança, liderança e adaptação organizacional em cenários complexos. Também serão discutidos os impactos da tecnologia sobre dados, produtividade, experiência do cliente, crédito, marketing, varejo e serviços financeiros.

A programação prevê ainda uma walking lecture pelo campus do MIT, com visitas a espaços que integram ciência, empreendedorismo e pesquisa aplicada, além de uma visita à Akamai, empresa fundada por um ex-aluno do instituto e referência em infraestrutura digital. A proposta é aproximar os participantes de experiências concretas de inovação e estimular reflexões sobre como transformar conhecimento, dados e tecnologia em soluções relevantes para associados, cooperativas e comunidades.

“Esta imersão representa uma oportunidade estratégica para ampliar repertórios, fortalecer uma liderança preparada para as transformações do presente e conectar tendências globais aos desafios concretos das nossas cooperativas. Mais do que conhecer novas tecnologias, queremos estimular uma visão de futuro capaz de transformar conhecimento em valor para os associados, as regiões onde estamos presentes e o nosso modelo de negócio”, afirma Leandro Gindri, diretor executivo da Central Sicredi Sul/Sudeste, que integrará a missão.

Parceria inédita entre Globo e Eletromidia leva Jornal Nacional para o OOH

Por Renata Suter

A Eletromidia, empresa de OOH, em parceria com a TV Globo para duas frentes de conteúdo multiplataforma, unindo a força da televisão ao alcance das telas urbanas: a série especial ‘JN nas Ruas – Brasil que ensina’, do Jornal Nacional, e um novo formato de distribuição de conteúdo interativo com pílulas de notícias do SP2. O objetivo de ambas as iniciativas é colocar o cidadão no centro do debate e oferecer notícias ao longo do dia e do trajeto da população.

A estratégia utiliza o alcance da Eletromidia para criar pontos de contato em diferentes locais do ambiente urbano, como elevadores, pontos de ônibus e shoppings, conectando o conteúdo jornalístico da Globo para além da televisão e do mobile, chegando ao cidadão de forma orgânica.

A primeira iniciativa, ‘JN nas Ruas – Brasil que ensina’, aconteceu em âmbito nacional durante as gravações do projeto. Em uma ação inédita de integração com o espaço urbano, os âncoras Renata Vasconcellos e César Tralli usaram as telas da Eletromidia para interagir com algumas pessoas e aproximar os bastidores da notícia do dia a dia do eleitor.

Com a proximidade das eleições, o Jornal Nacional lançou a série especial na última segunda-feira, dia 17 de agosto, e levou os âncoras do telejornal às cinco regiões do país para ouvir os eleitores sobre suas expectativas, preocupações e anseios na hora do voto, ampliando a compreensão dos desafios do Brasil a partir de experiências reais. O mobiliário urbano tornou-se a ponte para entrevistas em tempo real, promovendo o encontro dos profissionais com a audiência e colocando as vozes das ruas diretamente nas telas de todo o Brasil.

Já a segunda ação, com SP2, se desdobra em São Paulo. A partir de um projeto inovador, a presença do telejornal paulistano vai para além da TV, levando conteúdos exclusivos e em formatos dinâmicos para as telas da Eletromidia espalhadas pela capital.

Através de “cápsulas rápidas” pensadas especificamente para o público em movimento, a Eletromidia exibirá uma combinação de informações de prestação de serviço, notícias relevantes da cidade e destaques editoriais do SP2. O conteúdo terá atualização recorrente ao longo da semana, acompanhando o ritmo acelerado dos paulistanos.

“Estamos criando uma nova camada de informação nas cidades: multidimensional, multicanal e multilinguagem. Nossa presença física, integrada à rotina de milhões de brasileiros, é potencializada pela inteligência digital para dialogar em tempo real com os diferentes contextos urbanos. Ao somarmos essa capacidade à força e à credibilidade das principais franquias jornalísticas da Globo, transformamos nossas telas em uma extensão viva do jornalismo — capaz de informar, interagir e prestar serviço exatamente onde a vida acontece”, avalia Giovanni Rivetti, CMIO da Eletromidia.

Cristiana Sousa Cruz, editora-chefe do Jornal Nacional, conta que no ‘JN nas Ruas’, a Renata e Tralli surpreenderam os entrevistados ao surgirem em telas da Eletromidia em pontos de ônibus, halls, elevadores e até num campus universitário. “Nosso objetivo inicial era incluir um formato inovador na série especial sobre as eleições. Os dois âncoras tiveram conversas francas e profundas e criaram um canal direto com esses brasileiros que inspiram por suas trajetórias de vida e trocaram ideias sobre os caminhos para o desenvolvimento do país”.

As cápsulas do SP2 já fazem parte do ecossistema de telas da Eletromidia na capital paulista. Já a integração do mobiliário da empresa de OOH com o telejornal em rede nacional pode ser conferida pelo público diretamente na série ‘JN nas Ruas – Brasil Que Ensina’, atualmente em exibição no Jornal Nacional.

Como a Natura comprou os maiores concorrentes e agora perde R$ 2 milhões por dia

Por @marcioeugeniooficial 

Não é sorte, não é timing, não é mercado. É o TAMANHO da operação que você constrói.

A Natura gastou 1 bilhão de euros na The Body Shop e depois 2 bilhões de dólares na Avon. Virou gigante mundial.

O problema? Ela não percebeu que adicionava complexidade mais rápido do que ganhava capacidade de operar.

Resultado: a marca perdeu venda no Brasil porque FALTOU PRODUTO na ponta. O sistema travou. E depois de tanta ciranda pra sobreviver, ela vendeu a operação global da Avon por UMA LIBRA simbólica. De 2 bilhões de dólares pra uma libra. Crescer comprando é uma coisa. Operar a complexidade é outra.

Expansão não é lucro. É dívida com disfarce de sucesso. A Natura não quebrou pela economia. Quebrou pelo próprio tamanho.

O seu negócio está crescendo mais rápido do que a sua operação aguenta? Ou você está construindo um império que vai precisar ser desmontado?

Economia prateada cresce com longevidade, mas mercado ainda não está preparado

Por Maria Júlia de Figueiredo

A expansão da expectativa de vida está transformando a demografia do país e exigindo adaptações que vão muito além das reformas previdenciárias tradicionais.

Beia Carvalho, fundadora da consultoria Five Years From Now e autora do livro #FUI, destacou, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, que o aumento da longevidade redefine perspectivas existenciais e profissionais e exige que a sociedade deixe de enxergar os 65 anos como o fim da vida produtiva.

Segundo ela, uma extensão de 25, 30 ou 35 anos na expectativa de vida abre espaço para novos projetos pessoais e profissionais, como um novo casamento, uma mudança de carreira, a criação de uma empresa ou viagens para destinos ainda desconhecidos.A especialista também ressaltou que o mercado voltado à chamada economia prateada ainda carece de estruturas adequadas para atender esse público com conforto e personalização.

Na avaliação de Beia, hotéis, companhias aéreas e agentes de turismo ainda não estão preparados para as necessidades de uma população mais longeva. Ela citou como exemplo a necessidade de adaptar o transporte e a logística de excursões para grupos de idosos, com estruturas diferentes das oferecidas ao público em geral.

Além do turismo, o setor de bem-estar ganha protagonismo, embora a oferta comercial ainda esteja muitas vezes concentrada em uma abordagem estética. Para Beia, o conceito de wellness precisa avançar para além da busca por uma aparência mais jovem e incorporar uma visão mais ampla de saúde e qualidade de vida.

Quanto mais a longevidade se consolida no mundo, segundo ela, maior será a necessidade de tratar o bem-estar como uma questão ligada à qualidade de vida, e não apenas ao combate aos sinais do envelhecimento.

No mercado de trabalho, a extensão da vida profissional se torna uma necessidade para a sustentabilidade financeira e também pode funcionar como estímulo ao engajamento intelectual.

Para a especialista, manter-se profissionalmente ativa é uma das formas de continuar integrada ao futuro. O trabalho e os estudos, nesse contexto, passam a ter papel relevante não apenas na geração de renda, mas também na construção de novos projetos e na participação ativa na sociedade ao longo de uma vida mais longa.

Quando duas categorias deixam de competir e começam a criar uma nova ocasião

Por Fernanda Lima

A colaboração entre McDonald’s e Red Bull me chama atenção por um motivo que vai muito além de uma nova bebida no cardápio.

O movimento mais inteligente aqui não está na mistura de sabores. Está na mistura de territórios.

De um lado, uma marca dona de momentos de indulgência, conveniência e cultura. Do outro, uma marca que construiu seu valor em torno de energia, atitude e performance.

Quando essas duas forças se encontram, não estão simplesmente lançando um produto.

Estão criando uma nova ocasião de consumo.

E talvez essa seja uma das grandes oportunidades do marketing hoje: parar de perguntar “em qual categoria meu produto está?” e começar a perguntar:

“Em qual momento da vida do consumidor eu ainda não estou?”

A inovação mais relevante nem sempre nasce de um produto completamente novo.

Às vezes, nasce quando duas marcas entendem que, juntas, podem fazer o consumidor enxergar um momento conhecido de uma maneira completamente diferente.

É menos sobre co-branding.

É sobre criar significado novo a partir de ativos que já existem.

E isso, para mim, é muito mais interessante do que simplesmente colocar dois logos na mesma embalagem.

Festival Favela Cria: novo modelo conecta marcas à favela

Evento combina as leis de incentivo, ESG e marketing para viabilizar gratuidade e aproximar marcas da favela

Por Manuela Gregório (Meio & Mensagem)

Em um momento em que grandes festivais brasileiros enfrentam altos custos de produção e, muitas vezes, tem de repassar esse valor aos ingressos, que ficam menos acessíveis, o Festival Favela Cria surge com a proposta de ser um possível ponto de virada no mercado de entretenimento.

Agendado para ocorrer entre 30 de outubro e 02 de novembro, no Rio de Janeiro, o evento promete reunir 60 mil pessoas ao longo de quatro dias com acesso 100% gratuito, sustentado por um orçamento total de R$ 11 milhões.

Projeto Festival Favela Cria combina leis de incentivo e verba direta para viabilizar evento gratuito e conectar grandes marcas (Crédito: Divulgação)

A engenharia financeira por trás da empreitada combina R$ 6 milhões captados via Lei Rouanet, R$ 3 milhões por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura e R$ 2 milhões originados do caixa direto de marketing e ESG de grandes corporações, como Santander, Petrobras, Vale, YouTube, Light, Águas do Brasil e a Prefeitura do Rio.

A construção desse modelo exigiu fôlego e persistência dos realizadores, uma coalizão formada pelo Instituto Papo Reto, Voz das Comunidades e Instituto Pro Bono Brasil.

“O principal foi paciência e resiliência, porque a gente está há três anos captando esse festival, entramos em todos os editais de cultura, de pequenas a grandes empresas. A gente só colocou o projeto na rua quando estava 100% viabilizado. Tem patrocinador que deu OK há dois anos e está esperando e acreditando na entrega que vamos realizar agora”, detalha Daniel Barcinski, um dos idealizadores do evento.

Apesar da necessidade de altos volumes de investimento, os organizadores dizem que que estabeleceram limites éticos rígidos na relação com o mercado comercial.

“Recusamos patrocínio de casas de apostas pelo impacto negativo que discutimos ter nas favelas. Queremos que o Brasil olhe para a favela pelo que ela cria, porque quando ela tem recurso, transforma o país como um todo”, afirma Raull Santiago, co-idealizador do projeto.

Quebra de objeções corporativas e a potência de R$ 300 bilhões

O longo percurso de captação expôs o viés de risco que muitas empresas ainda mantêm em relação a investimentos direcionados aos territórios periféricos. Barcinski lembra que o caminho até a assinatura das cotas de patrocínio exigiu mapear e atuar em múltiplas frentes dentro do organograma das marcas.

“Houve discussões internas nas empresas. Teve gente lá dentro que lutou pela gente por um ano e meio. Se fosse um evento no Jockey Club, assinariam em 15 dias. Tivemos que diversificar as portas: tentávamos o instituto, depois a marca, depois a agência. Nosso compromisso agora é ter uma entrega perfeita para abrir caminho para outros players da favela apresentarem projetos direto para essas instituições sem medo”, revela Daniel.

A tese defendida pelo festival dialoga diretamente com a força econômica das periferias brasileiras, que movimentam cerca de R$ 300 bilhões por ano e abrigam mais de 5,2 milhões de empreendedores.

“O Favela Cria nasce para mostrar que a favela não é só o lugar de consumo. O nome ‘Cria’ vem do pertencimento de quem é da favela, mas principalmente pela riqueza da criatividade, economia, tecnologia e tendência. Durante muito tempo olharam para a favela pelo que supostamente faltava; o festival nasce para inverter essa lógica e mostrar o que transborda, colocando essa potência no centro do palco”, ressalta Santiago.

Matches no Backstage de Cria e acesso direto a CEOs

Um dos eixos estratégicos para integrar os patrocinadores de forma orgânica ao ecossistema do evento é o Backstage de Cria. O espaço foi projetado não como uma área VIP tradicional de entretenimento, mas como um ambiente de negócios e formação pensado para conectar lideranças corporativas a criadores locais.

“O time do Instituto Papo Reto terá a missão de pegar as pessoas pelo braço e dar matches entre quem é improvável de se encontrar na rotina comum e CEOs ou responsáveis de empresas. Teremos palestras e rodas de conversa construídas a partir do que nossos curadores sentiram. É promover encontros em um espaço acolhedor para que a nossa galera se sinta à vontade, de cabeça erguida, para abordar esses caras”, explica Santiago.

Para Barcinski, a iniciativa resolve um gargalo histórico de acesso no mercado de comunicação.

“Cada área, como artes plásticas, literatura e gastronomia, tem seu próprio curador para fazer essas conexões entre as grandes empresas e os artistas de favela. Não é reproduzir a lógica de levar algo pronto para dentro da favela, o festival parte do próprio território”, acrescenta.

Circulação de renda local e estrutura permanente

A intenção de fazer o capital investido pelas marcas circular dentro do próprio território orientou a curadoria artística. Em vez de criar eliminatórias próprias para selecionar atrações, a produção decidiu aportar recursos diretamente em coletivos que já realizam trabalhos comunitários de forma contínua.

“É fortalecer quem já faz. É transformador receber recurso para fazer o que você já faz sem precisar se moldar na caixinha de alguém de fora. É como eu penso o investimento social privado: potencializar o que já existe”, defende Raull Santiago.

Barcinski destaca que a identificação das demandas locais ocorreu diretamente em campo. “Visitando os espaços, a gente via a potência e a falta de investimento simultâneas. Fui a uma roda de rima no Rio que é a maior, mas o cara não tem som porque não tem verba. Outra nunca tinha sido legalizada em 15 anos; nós contratamos uma equipe para ensiná-los a se legalizarem. A essência é ajudar a ponta e garantir a circulação do dinheiro e a geração de oportunidades no próprio território”, pontua o idealizador.

O desdobramento desse modelo se estende para além dos quatro dias de evento. Os organizadores estão construindo um centro cultural fixo em São Conrado, equipado com estúdios de áudio, foto e vídeo, além de um espaço de coworking voltado para operadores culturais da periferia. Adicionalmente, as seletivas gravadas serão transmitidas no canal do YouTube do Centro Cultural Favela Cria, destinando os ganhos com a monetização de cliques aos próprios artistas das batalhas.

“O festival dura quatro dias, mas queremos construir para o ano inteiro. A favela não quer só estar no palco, quer participar dos orçamentos e da tomada de decisão. Foi uma convocação política. Fizemos os patrocinadores acreditarem em investir em uma tecnologia de reposicionamento do significado da favela no Rio de Janeiro”, conclui Santiago.

Quanto mais conteúdo existe, mais caro fica conquistar atenção de verdade

Mas fica a pergunta: será que a Ítaca para onde você está voltando ainda existe?

Por Mauro Rabello

Fui ao cinema ver A Odisseia. Com o perdão dos críticos de plantão, saí de lá com a sensação de ter assistido a uma aula de cinema, história e filosofia.
Três horas de Homero em tela grande, sem piscar o olho.

Do ponto de vista profissional, uma coisa chamou a atenção: o renascimento do cinema.
Ingresso concorrido, salas lotadas (não só na Odisseia). Fila monstra na bomboniere. Vagas no Estacionamento disputadas . E por aí vai.

Fui dar uma pesquisada e o fenômeno é global.
A Odisseia virou a maior bilheteria da carreira de Nolan. Um poema épico de quase 3 mil anos. Sem franquia, sem universo compartilhado, sem herói de capa.
A temporada de verão nos USA já passou de US$ 4 bilhões, algo que só aconteceu duas vezes desde a pandemia. No Brasil, a bilheteria cruzou R$ 1 bilhão já no começo de junho, no melhor desempenho pós-pandemia.

Durante uns bons 15 anos, ouvi que o streaming teria decretado o fim da sala escura e incontáveis vezes, que a mídia estava morta.
Talvez o que tenha morrido seja outra coisa: achar que atenção é commodity só porque conteúdo virou abundante e barato.
Acho que é justamente o contrário.

Como já se sabe, quando tudo está disponível o tempo todo, escassez vira luxo.
O horário marcado.
A sala cheia.
O ingresso disputado.
O evento que não dá para pausar.
Ter estado lá, num mundo de telas infinitas e conteúdo gerado por máquina, é uma coisa que ainda não dá para copiar.
Acredito que daí venha também todo o frisson dos shows e eventos esportivos superlotados e vendidos com antecedências inimagináveis.

Para quem vive de marca, uma mensagem importante:
Presença voltou a ser mídia premium.
E mídia premium não se compra no leilão do último clique.
E você? Tem colocado dinheiro onde ainda existe fila?

Dan Buettner, especialista em longevidade: ‘As pessoas que vivem mais não praticam exercícios, mas moram em casas onde precisam andar o dia inteiro’

Para viver mais e com saúde, o segredo pode estar em um estilo de vida surpreendentemente simples, segundo um especialista em longevidade

Por Purepeople

Quando o assunto é viver mais, muitas pessoas pensam em academia e treinos intensos. Mas, segundo o jornalista, escritor e pesquisador americano Dan Buettner, conhecido por seus estudos sobre as chamadas Zonas Azuis, a rotina das populações mais longevas do mundo mostra outro caminho: elas se movimentam constantemente durante as atividades do dia a dia.

Em entrevista ao podcast ZOE, o especialista explicou que os habitantes dessas regiões não necessariamente vivem mais por terem uma genética superior ou por seguirem planos rigorosos de exercícios. Para Buettner, a diferença está, principalmente, no estilo de vida e na menor incidência de doenças crônicas que costumam reduzir a expectativa de vida.

“Um centenário é simplesmente uma pessoa que atingiu os 100 anos de idade, e as zonas azuis não se referem necessariamente a centenários. Medimos a concentração de centenários, mas isso geralmente é um subproduto de uma população que produz pessoas longevas, em grande parte sem doenças crônicas, sem diabetes, doenças cardíacas, câncer ou demência”, explicou.

O pesquisador destacou ainda que a longevidade não é, necessariamente, resultado de corpos mais fortes ou de uma vantagem genética. “Elas evitam doenças que encurtam suas vidas em taxas mais altas. E é por isso que vivem tanto“, afirmou.

Dan Buettner diz que moradores das Zonas Azuis não fazem exercícios na academia

Segundo Dan Buettner, os moradores das regiões conhecidas como Zonas Azuis não costumam reservar parte do dia para frequentar academias ou seguir modalidades de exercícios específicas.

“As pessoas nas Zonas Azuis não fazem exercício. O que é chocante para muitos de nós. (…) Você não vê ninguém fazendo CrossFit ou Pilates ou, sabe, usando uma bicicleta elíptica no porão de casa. Mas elas moram em lugares onde, toda vez que vão trabalhar, à casa de um amigo ou sair para comer, precisam caminhar”, contou.

Na prática, caminhar para se deslocar, cuidar da casa e realizar tarefas comuns acaba fazendo com que essas pessoas passem menos tempo completamente sedentárias.

Jardins e tarefas domésticas também fazem parte da rotina das pessoas mais longevas

Buettner também citou a relação dessas populações com atividades como jardinagem e cuidados com a própria casa. De acordo com o especialista, muitos moradores mantêm hortas e jardins e passam parte da rotina realizando tarefas que exigem movimento físico: “Sempre têm jardins nos fundos de suas casas e geralmente têm duas ou três épocas de cultivo por ano“.

Além disso, ele chamou atenção para outro aspecto das casas onde essas pessoas vivem: a menor presença de recursos que substituem o esforço físico nas tarefas cotidianas. “Suas casas não estão repletas de comodidades mecânicas ou tecnológicas que façam o trabalho por elas. Elas mesmas fazem as tarefas domésticas”, concluiu.

GGR de apostas reguladas no Brasil atinge R$ 20,07 bi no 1º semestre de 2026

Por Magno José (BNLData)

Dados exclusivos obtidos pelo BNLData via LAI mostram crescimento de 15,3% na receita das apostas esportivas e jogos online e a base de apostadores chega a 30,9 mi de CPFs únicos em 2026; crescimento moderado contraria projeções alarmistas

O mercado regulado de apostas de quota fixa no Brasil encerrou o primeiro semestre de 2026 com um Gross Gaming Revenue (GGR), a receita bruta do setor, de R$ 20,07 bilhões, alta de 15,3% sobre o mesmo período de 2025. O número revela um crescimento consistente, mas distante da ‘explosão’ que parte dos estudos e narrativas públicas sobre o tema anunciava.

Os dados foram obtidos com exclusividade pelo BNLData por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) junto à Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA/MF). Entre janeiro e junho de 2026,  R$ 377,86 bilhões retornaram aos apostadores em prêmios.

A narrativa da “explosão” e o que os números dizem

Se havia uma expectativa de boom sem precedentes nas apostas durante o primeiro semestre de 2026, os dados confrontam essa visão diretamente. O crescimento de 15,3% no GGR em relação ao primeiro semestre de 2025, quando a receita bruta somou R$ 17,4 bilhões, não configura uma explosão por nenhum critério analítico razoável. Parte dos estudos sobre o tema projetava salto expressivo impulsionado pela Copa do Mundo, cujos jogos concentraram-se em junho.

Os números mensais apontam exatamente o contrário. O pico do semestre foi em janeiro, com GGR de R$ 4,29 bilhões, reflexo da antecipação dos calendários de campeonatos estaduais e do Campeonato Brasileiro para o início do ano justamente em função do Mundial. Junho, mês que concentrou 19 dias de Copa do Mundo e 72 partidas, registrou GGR de R$ 3,34 bilhões, os menores patamares do semestre nas duas métricas.

A tabela abaixo detalha a evolução mensal dos valores apostados e o GGR:

O GGR caiu para a faixa de R$ 2,8 bilhões em fevereiro e março e voltou a subir nos três meses seguintes, encerrando o período em R$ 3,34 bilhões, levemente abaixo da média mensal de R$ 3,35 bilhões.

Mais de 5 milhões fora das plataformas

O crescimento comedido do GGR pode ter uma explicação estrutural além da dinâmica dos campeonatos. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse na última quinta-feira (13/8) que mais de 5 milhões de brasileiros estão impedidos de apostar nas plataformas de bets no país.

Três grupos compõem esse contingente. Cerca de 3 milhões são beneficiários do Bolsa Família ou do Benefício de Prestação Continuada (BPC), programas sociais cujos cadastrados estão proibidos por lei de acessar as plataformas. Outros 1,2 milhão solicitaram voluntariamente a própria autoexclusão. Os 800 mil restantes aderiram ao Novo Desenrola, programa federal de renegociação de dívidas que veda apostas online por pelo menos seis meses a quem participa.

As medidas mitigatórias impostas pela SPA/MF, portanto, subtraem uma parcela mensurável do universo potencial de apostadores justamente nos segmentos de maior vulnerabilidade financeira.

30,9 milhões de apostadores ativos

A base de apostadores registrou crescimento em relação ao mesmo período de 2025. O levantamento identificou 30.895.934 CPFs únicos com cadastro ativo no primeiro semestre de 2026, ante 28.128.172 do total do ano anterior. No primeiro semestre de 2026, o numero de apostadores aumentou apenas em 2.767.762 CPFs únicos, que representa um crescimento de  com relação a quantidade do ano de 2025.

O crescimento da base acompanhou, em ritmo próximo, o avanço do GGR. O gasto médio por apostador subiu de R$ 618,60 para R$ 649,60 por semestre, alta de 5,0%, o equivalente a R$ 103,10 para R$ 108,27 por mês.

No primeiro semestre de 2025, as 78 empresas autorizadas, responsáveis por 182 marcas, registraram um GGR total de R$ 17,4 bilhões, com 17,7 milhões de brasileiros realizando apostas. No primeiro semestre de 2026, o número de empresas autorizadas subiu para 87 (+11,5%), o total de marcas chegou a 188 (+3,3%) e o GGR alcançou R$ 20,07 bilhões, alta de 15,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já o número de 30,9 milhões de apostadores refere-se a um período acumulado de 18 meses — e não a um semestre —, o que impede sua comparação direta com os 17,7 milhões registrados apenas no primeiro semestre de 2025.

Perfil dos apostadores

Do total de apostadores ativos em 2026, 68,47% são homens e 31,53% são mulheres. Por faixa etária, a maior concentração está entre 31 e 40 anos (28,95%), seguida por apostadores de 25 a 30 anos (21,98%) e de até 24 anos (21,30%). Na sequência aparecem os grupos de 41 a 50 anos (17,70%), 51 a 60 anos (7,22%), 61 a 70 anos (2,18%) e acima de 70 anos (0,66%).

Por faixa etária, a distribuição mostra concentração nos grupos economicamente ativos:

Destinação dos recursos; esporte lidera

Dos R$ 20,07 bilhões de GGR arrecadados no semestre, R$ 2,49 bilhões foram destinados por lei a políticas públicas e finalidades sociais, o equivalente a 12,4% da receita bruta. O esporte foi o maior beneficiário, com R$ 870,15 milhões distribuídos ao Ministério do Esporte e às Secretarias de Esporte dos estados e do Distrito Federal.

Os R$ 24,19 milhões destinados à saúde financiam o programa Cuidado para Pessoas com Problemas Relacionados a Jogos de Apostas, do Ministério da Saúde. Desde março, o SUS oferece teleatendimento em saúde mental para pessoas com necessidades relacionadas a jogos e apostas, serviço remoto, sigiloso e com acompanhamento profissional que também atende familiares e funciona como porta de entrada para a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). A oferta inicial era de 600 atendimentos mensais; diante da alta procura, a capacidade foi ampliada para até 100 mil teleatendimentos por mês por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS), em parceria com o Hospital Sírio-Libanês. O contrato do Ministério da Saúde com o hospital tem valor de R$ 2.942.538,05.

Receita Federal e a convergência de bases

Uma segunda consulta através dos códigos de recolhimento revela que a Receita Federal recolheu R$ 7,44 bilhões no semestre por meio de códigos específicos para apostas de quota fixa e loterias online. Desse total, R$ 2,48 bilhões (33,4%) vieram de apostas de quota fixa e R$ 4,96 bilhões (66,6%) de loterias, com a Loteria de Prognósticos Numéricos (Mega-Sena e similares) respondendo sozinha por 77,2% da arrecadação do bloco de loterias.

A arrecadação de apostas de quota fixa cresceu de forma consistente ao longo dos seis meses, de R$ 368,4 milhões em janeiro para R$ 513 milhões em junho, alta de 39,3%. Um segundo movimento chama atenção; o código de contribuição sobre receita de loterias numéricas saltou de R$ 11,6 milhões em janeiro para R$ 251,1 milhões em junho, com crescimento concentrado a partir de abril, o que sugere mudança de alíquota ou nova regra de incidência no meio do semestre.

Há ainda um achado metodológico relevante. O total arrecadado nos códigos de apostas de quota fixa pela Receita Federal (R$ 2.483.210.886,95) é praticamente idêntico ao valor das destinações sociais calculadas a partir dos dados da SPA/MF (R$ 2.488.647.762,68), com diferença de apenas R$ 5,4 milhões, ou 0,2%. A convergência indica que as duas bases, fiscal e regulatória, podem estar capturando o mesmo fluxo de recursos; os 12% do GGR destinados por lei a políticas públicas. Os dois valores não devem ser somados como arrecadações distintas.

A ausência da divulgação de dados públicos consolidados sobre o setor é o terreno fértil onde proliferam as narrativas mais distorcidas sobre as bets. Com os números da LAI em mãos, o que os dados do primeiro semestre de 2026 mostram é um mercado em expansão moderada, com crescimento de dois dígitos baixos na receita e na base de usuários, sujeito a restrições regulatórias efetivas e já gerando bilhões em destinações sociais. O que os dados não mostram é a explosão.

 

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