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Web Summit Rio 2026: 4 dias para entender melhor o futuro
Por Marcia Budke
A primeira participação no Web Summit Rio superou em muito minhas expectativas.
Antes mesmo de entrar nos temas que dominaram os palcos, é preciso dizer que uma das coisas mais apreciáveis em grandes eventos é assistir às sessões de abertura. Sei que muita gente aproveita esse momento para chegar mais tarde ou para organizar a agenda dos próximos dias. Eu faço exatamente o contrário.
Além de sinalizarem os temas que irão nortear o evento, as aberturas têm uma energia contagiante. É quando milhares de pessoas, vindas de diferentes lugares, com diferentes experiências e perspectivas, se reúnem movidas pela mesma curiosidade: entender o que está mudando no mundo. Para mim, esse é um dos momentos mais inspiradores de um Web Summit.
As aberturas costumam revelar o contexto, as preocupações e os temas que irão conduzir as discussões ao longo dos dias. Essa sensação se repetiu nos primeiros momentos do Web Summit Rio 2026.
Realizado no Riocentro, o evento reuniu mais de 40 mil participantes, 1.572 startups, centenas de investidores, empreendedores, executivos e lideranças globais. É um evento gigantesco, um dos maiores do mundo e uma referência quando o assunto é tecnologia e inovação. Mais do que impressionar pelos números, o encontro mostrou a força das transformações que estamos vivendo e o papel cada vez mais estratégico da tecnologia na sociedade e nos negócios.
E a abertura do Web Summit já deu pistas importantes sobre o que viria pela frente. No diálogo entre Luana Lopes Lara (cofundadora da Kalshi) e Tom Giles, editor de tecnologia da Bloomberg, temas como liderança, transformação, impacto e responsabilidade empresarial apareceram de forma bastante consistente. Em um momento em que a tecnologia ocupa cada vez mais espaço nas organizações, esse diálogo trouxe para o centro das discussões a importância das pessoas, da cultura e do propósito.
Outro momento de muito destaque foi o painel “Quem é o dono do meu rosto?”, com Lázaro Ramos e Natuza Nery, focado nos impactos da Inteligência Artificial na arte, nos direitos individuais e na identidade. Afinal, quando a IA consegue clonar rostos, replicar vozes e até falar pelas pessoas, os debates jurídicos e éticos se tornam mais importantes do que nunca.
Em um evento onde a Inteligência Artificial dominou praticamente todas as trilhas, foi inspirador ouvir reflexões sobre criatividade, comunicação, diversidade, trajetória profissional e conexões humanas. Em vários momentos me peguei pensando que, enquanto discutimos o avanço acelerado da tecnologia, continuamos buscando respostas para questões profundamente humanas: como nos comunicamos, como aprendemos e como conseguimos reter tanta informação em um mundo hiperconectado e, ao mesmo tempo, cada vez menos presente.
Talvez tenha sido justamente essa combinação que mais me chamou a atenção ao longo dos quatro dias.
A Inteligência Artificial foi, sem dúvida, a protagonista do evento. A própria MIT Technology Review Brasil destacou a IA como tema central das discussões deste ano. Mas o que mais marcou não foi apenas a tecnologia em si. Foi perceber como ela está influenciando praticamente todas as dimensões da nossa vida: o trabalho, o consumo, os negócios, a educação, a criatividade e até a forma como tomamos decisões importantes.
O fato é que muita coisa acontece ao mesmo tempo naquele espaço imenso. Claro que é impossível ver tudo. Mas senti que a organização acertou ao estruturar as verticais de conteúdo de forma muito clara. Na prática, parecia haver vários “IA Summits” dentro de um grande guarda-chuva chamado Inteligência Artificial, distribuídos entre temas como Health, Fintech, Marketing, Corporate Innovation, Growth, Creativity, Commerce e New Media, além do Center Stage, que reuniu os principais keynotes do evento.
Porque, no fim das contas, o que realmente importa é entender como a IA impacta cada área individualmente.
Por interesse pessoal e profissional, escolhi acompanhar principalmente os conteúdos do Marketing Summit, IA Summit, Growth Summit e Commerce Summit, além de alguns painéis diversos que reuniram personalidades e grandes nomes no imenso palco principal.
Ao longo dos painéis, dos encontros e das inúmeras conversas de corredor, uma mensagem apareceu repetidamente: a IA deixou de ser apenas uma ferramenta de produtividade. Ela passou a ocupar um papel central na estratégia, na operação e na criação de valor das organizações.
E esse impacto vai muito além dos processos internos.
No Marketing Summit, uma das reflexões que mais chamou a atenção foi a transformação do comportamento do consumidor e da jornada de descoberta. Durante anos, aprendemos a pensar em SEO, redes sociais e marketplaces como os principais canais de influência. Agora estamos assistindo ao surgimento de uma nova camada de intermediação, que são os agentes inteligentes capazes de recomendar, comparar e até decidir entre diferentes opções. Foto 3 e 4 Neil Patel e Bernardo Beltrão
Nesse contexto, o guru Neil Patel e Bernardo Beltrão, da Nuvemshop, trouxeram provocações muito interessantes. Também Digna de nota foi a apresentação de Daniela Dantas, da WGSN, que mostrou como estamos entrando em uma era em que não escolhemos mais tudo o que consumimos. Depois dos algoritmos, chegam os agentes inteligentes para influenciar, selecionar e comprar por nós.
A questão que fica é: quando tudo é otimizado, inclusive as nossas escolhas , o que ainda será percebido como genuinamente humano?
Sua abordagem reforçou algo em que acredito: a inovação não acontece apenas porque novas tecnologias surgem. Ela acontece quando conseguimos compreender mudanças de comportamento, interpretar sinais emergentes e transformar tendências em decisões estratégicas.
Isso muda tudo.
Muda a forma como produzimos conteúdo, construímos autoridade, fortalecemos marcas e nos relacionamos com nossos públicos.
No mesmo palco, descobri Jay Richards, da Disrupt, durante o provocativo painel “Storytelling Is Killing the Creator Economy”. Em uma crítica dura a marcas e influenciadores que se prendem a fórmulas repetitivas, ele defendeu que o excesso de formatos engessados está saturando o público e enfraquecendo a verdadeira arte de contar histórias.
E, sinceramente, isso é verdade, né?
O futuro do trabalho também apareceu de forma recorrente em diferentes palcos. As reflexões compartilhadas por Márcio Carvalho reforçaram uma percepção que atravessou praticamente todo o evento: à medida que a tecnologia evolui, aumenta também o valor das competências humanas.
Pensamento crítico, criatividade, comunicação, colaboração e capacidade de adaptação deixaram de ser apenas habilidades desejáveis. Tornaram-se competências essenciais.
Um marco significativo deste Web Summit também foi a representatividade feminina. Nada menos que 43% das startups participantes foram fundadas ou cofundadas por mulheres, um dos maiores índices já registrados na história dos eventos globais do Web Summit.
Esse avanço é impulsionado pelo programa Women in Tech, que oferece ingressos com desconto, mentorias especializadas e oportunidades exclusivas de networking com fundos de investimento.
Participei de dois meetups femininos e saí inspirada, com muitos insights e ideias para aplicar na BrazoMidia.
O protagonismo das mulheres também brilhou nos palcos. Assisti à nossa gaúcha Daniela Lazarotto, da Cordão, no painel “AI and the Death of Brand vs Performance”. Entre vários insights, uma frase me marcou especialmente: se a clareza sempre foi um poder na era humana, na era da IA ela se torna um poder ainda maior na construção de estratégias para as marcas.
Este Web Summit também trouxe uma forte presença das big techs e dos gigantes da infraestrutura tecnológica.
O presidente do Google Brasil, Fábio Coelho, falou sobre a necessidade de “construir nas profundezas” da tecnologia. A empresa anunciou ainda a ampliação do seu compromisso de capacitação tecnológica no país, triplicando a meta anterior para formar 3 milhões de pessoas em IA e computação em nuvem nos próximos anos.
Já a presidente da Microsoft Brasil, Priscyla Laham, destacou a busca por eficiência operacional e reforçou que a IA não tornará cargos obsoletos, mas transformará profundamente as atividades realizadas dentro de cada função.
Além das empresas de software, gigantes da infraestrutura e do ecossistema tecnológico, como Equinix, Nvidia, IBM e OpenAI, reforçaram uma mensagem importante: a IA exige uma infraestrutura massiva de data centers, processamento e energia. E esse é um ponto que, como sabemos, chega a ser de arrepiar.
Saí do evento com a sensação de que os profissionais mais preparados para o futuro não serão necessariamente aqueles que dominarem mais ferramentas, mas aqueles que conseguirem aprender continuamente e trabalhar de forma complementar às novas tecnologias.
As empresas que capturarão mais valor nesses novos tempos serão aquelas capazes de alinhar inovação, cultura, pessoas e execução.
Assim, voltamos do Web Summit Rio com muitos insights, novas conexões e ainda mais curiosidade sobre os próximos capítulos dessa transformação. Mas, acima de tudo, com a convicção de que estamos apenas no começo.
A Inteligência Artificial continuará evoluindo. Novas plataformas surgirão. Novos modelos de negócio serão criados.O que permanecerá como diferencial será nossa capacidade de aprender, adaptar, colaborar e transformar tecnologia em impacto real.
E talvez tenha sido essa a principal mensagem que trouxe comigo do Web Summit Rio 2026!














