Você vai ler na coluna hoje: Inteligência artificial já influencia a compra de produtos para 46% dos brasileiros, Mercado Livre terá entrega de remédios em uma hora em disputa com iFood e farmácias e venderá também GLP-1, Bets notificam clubes de possível rescisão de contrato e preparam ação contra governo, Quem ainda divide a mídia em tradicional e digital? “Você não pode esperar para ser mais feliz até que o mundo melhore, porque você estará esperando o resto da sua vida”, Sadia, Nestlé e Perdigão lideram preferência nas favelas, Pergunta rápida: o que o seu filho ou filha quer ser quando crescer?, Vivemos cercados de absurdos, Lojas Renner S.A. vence o Prêmio Valor 1000 como a melhor empresa do setor de Indústria da Moda.
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Inteligência artificial já influencia a compra de produtos para 46% dos brasileiros
Pesquisa da Fbiz mostra como brasileiros usam IA para pesquisar produtos, pedir recomendações e até resolver questões pessoais
Por Soraia Alves (Exame)
46% dos brasileiros que usam inteligência artificial já recorrem à tecnologia para pesquisar produtos ou serviços antes de comprar. O dado faz parte de um levantamento inédito realizado pela Fbiz, em parceria com a plataforma de pesquisas On The Go. Chamada “Prompt-me”, a pesquisa, compartilhada em primeira mão com a EXAME, ouviu 1.200 brasileiros com 16 anos ou mais, de todas as regiões do país e das classes A a E, entre 23 de julho e 3 de agosto.
Segundo a pesquisa, o comportamento de consumo é tão novo quanto o próprio uso da IA como ferramenta na rotina. Entre os entrevistados, 80% já utilizam pelo menos uma ferramenta de IA no dia a dia. A média de uso da tecnologia entre eles é de cerca de 11 meses.
Do total de usuários de IA, 42% dizem recorrer à tecnologia várias vezes ao dia e outros 44%, algumas vezes por semana.
Da busca à recomendação
É na relação com o consumo, porém, que o levantamento traz uma das mudanças de comportamento mais relevantes. Os 46% que usam IA antes de comprar mostram que a ferramenta começa a funcionar como uma espécie de camada de pesquisa e curadoria.
A mudança no Brasil segue uma tendência global. Dados da GWI compilados pelo DataReportal mostram que 22,1% dos adultos conectados usam serviços de IA para pesquisar marcas, produtos e serviços. Os mecanismos de busca tradicionais ainda aparecem à frente, com 45,8%, mas a participação da IA nesse tipo de pesquisa vem crescendo.
“Todo mundo está falando sobre inteligência artificial, mas pouco se fala sobre os impactos dessas ferramentas no comportamento. Nunca podemos olhar a tecnologia só pela tecnologia. Por isso, decidimos fazer um estudo sobre como o brasileiro está usando a IA. O objetivo é compreender de que maneira a IA está transformando a vida dos brasileiros, seus hábitos, comportamentos e decisões de consumo”, comenta Vitor Amos, VP de estratégia da Fbiz.
Chatbot virou conselheiro
Segundo o estudo, 42% dos entrevistados usam IA para produzir conteúdo, incluindo fotos, vídeos e textos. Outros 37% utilizam ferramentas para melhorar textos, enquanto 32% recorrem à tecnologia para trabalhos de escola, faculdade ou cursos e outros 32% usam IA para análise de dados e automação de tarefas profissionais.
Mas alguns números mostram uma expansão mais particular da relação entre humanos e máquinas: 29% afirmam utilizar ferramentas de IA para tirar dúvidas sobre diagnósticos médicos. Um quarto (25%) diz usar a tecnologia como uma espécie de amigo ou conselheiro para conversar e resolver questões pessoais e emocionais.
O uso também aparece no entretenimento e no consumo personalizado: 25% recorrem à IA para criar memes, fazer brincadeiras ou se divertir; 24% consomem conteúdo personalizado em plataformas como Netflix, Spotify e YouTube; e 20% utilizam plataformas de educação e aprendizado com tutores virtuais.
O retrato é de uma tecnologia que começa a ocupar diferentes funções ao longo do dia, e não apenas um lugar específico dentro da rotina profissional.
Mais de uma ferramenta
Outro aspecto relevante para marcas é a multiplicidade de plataformas. Em média, os entrevistados dizem conhecer 5,2 ferramentas de IA e já ter utilizado 3,4.
Isso dificulta uma estratégia baseada em uma única plataforma. Uma resposta dada pelo ChatGPT pode não ser a mesma oferecida pelo Gemini ou por outra ferramenta, e a maneira como cada sistema apresenta uma empresa passa a fazer parte da experiência de descoberta.
Na prática, nasce uma nova preocupação para as marcas: não basta produzir conteúdo para ser encontrado. É preciso entender como esse conteúdo é interpretado, sintetizado e citado pelas ferramentas de IA.
Para Fernanda Tedde, CEO da Fbiz, o levantamento coloca essa mudança no centro da discussão ao propor que a jornada de consumo mediada por IA não seja tratada como uma busca linear por palavras-chave, mas por diferentes interações até o consumidor chegar à marca.
“Quando o assunto é inovação e conhecimento, a Fbiz sempre foi pioneira. Logo, é importante manter esse conhecimento atualizado para nos consolidarmos cada vez mais como parceiros estratégicos para as marcas”, destaca a CEO.
Quantos brasileiros usam inteligência artificial antes de comprar?
Segundo a pesquisa Prompt-me, da Fbiz em parceria com a On The Go, 46% dos brasileiros que usam inteligência artificial recorrem à tecnologia para pesquisar produtos ou serviços antes da compra.
Como foi realizada a pesquisa Prompt-me?
O levantamento ouviu 1.200 brasileiros com 16 anos ou mais, das classes A a E e de todas as regiões do país, entre 23 de julho e 3 de agosto. A pesquisa foi realizada pela Fbiz em parceria com a plataforma On The Go.
Com que frequência os brasileiros usam ferramentas de IA?
Segundo o estudo, 42% dos usuários recorrem à inteligência artificial várias vezes ao dia e 44% usam a tecnologia algumas vezes por semana. Entre os entrevistados, 80% já utilizam ao menos uma ferramenta de IA na rotina, com tempo médio de uso de cerca de 11 meses.
Quais são os principais usos da inteligência artificial no Brasil?
De acordo com a pesquisa Prompt-me, 42% usam IA para produzir fotos, vídeos e textos, 37% para melhorar textos e 32% para trabalhos educacionais. Outros 32% recorrem à tecnologia para análise de dados e automação de tarefas profissionais.
Brasileiros usam inteligência artificial para questões médicas e emocionais?
Sim. Segundo o levantamento, 29% utilizam ferramentas de IA para tirar dúvidas sobre diagnósticos médicos, enquanto 25% recorrem à tecnologia como amigo ou conselheiro para conversar e resolver questões pessoais e emocionais.
Quantas ferramentas de inteligência artificial os entrevistados conhecem?
Segundo a pesquisa, cada entrevistado conhece, em média, 5,2 ferramentas de IA e já utilizou 3,4. A pesquisa completa está disponível no site da Prompt-me.
Mercado Livre terá entrega de remédios em uma hora em disputa com iFood e farmácias e venderá também GLP-1
O Mercado Livre anunciou nesta quinta-feira (24) que vai reduzir de três horas para até 60 minutos o prazo de entrega dos medicamentos vendidos em sua plataforma em São Paulo.
A mudança coloca a empresa mais perto do padrão de rapidez oferecido por aplicativos de delivery, como Rappi e iFood, e pelas próprias redes de farmácias, atacando um dos principais obstáculos à sua entrada nesse mercado.
As ações de grandes redes de farmácias encerraram com queda nesta quarta, em movimento atribuído por analistas ao anúncio do Meli: a RD Saúde perdeu 5,38%, e a Pague Menos, 8%.
A nova modalidade, chamada Envios Agora, vale também para produtos de outras categorias, desde que sejam elegíveis, pesem até 15 quilos e estejam em uma das regiões atendidas.
Os pedidos serão retirados diretamente no estabelecimento do vendedor. Neste início, o serviço está disponível para vendedores selecionados em algumas áreas da capital paulista.
Velocidade importa
Na farmácia, porém, o tempo tem um peso especial. Quem precisa de um remédio para dor ou febre pode preferir uma loja próxima a esperar a entrega de um marketplace.
Por isso, a promessa de uma hora é central para o plano do Mercado Livre de transformar sua operação ainda pequena de medicamentos em uma plataforma para redes parceiras.
A empresa comprou no ano passado uma farmácia para iniciar os testes, mas diz que seu objetivo é conectar farmácias aos consumidores dentro do marketplace. As primeiras parceiras devem começar a operar na primeira quinzena de outubro.
Segundo a companhia informou na coletiva, serão três nessa etapa inicial; a meta é terminar o ano com 20 farmácias de redes terceiras, distribuídas por São Paulo.
O Mercado Livre também passou a oferecer medicamentos que exigem prescrição e retenção de receita, incluindo antibióticos e canetas GLP-1. A operação, antes restrita a uma área menor, foi ampliada para atender a Região Metropolitana de São Paulo. A validação das receitas cabe ao farmacêutico.
A Associação Brasileira de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) informou que vai questionar a Anvisa sobre a legalidade da operação de venda de medicamentos do Meli.
“No entendimento da entidade, enquanto não for concluída a regulamentação em discussão na agência, permanece vedada a comercialização de medicamentos por marketplaces”, afirma a Abrafarma.
Fernando Yunes, vice-presidente sênior e líder das operações do Mercado Livre no Brasil, argumenta que a lei de que aprovou a venda de medicamentos em supermercados daria o entendimento de que a liberação se estende aos marketplaces.
“Com relação ao marketplace, a entendemos que, com o projeto de lei que teve nos supermercados e depois do pronunciamento da Anvisa, a operação de marketplaces está autorizada no Brasil.”
Investimento na logística
O desafio é entrar em uma disputa na qual o iFood já tem escala. Um levantamento do Citi apontou R$ 3,4 bilhões em vendas na categoria farmácia do aplicativo nos 12 meses encerrados no primeiro trimestre de 2026.
O número inclui outros produtos vendidos por farmácias, além de medicamentos. Dados divulgados pelo iFood apontam mais de 22 mil farmácias parceiras ativas em 984 cidades do país.
Essa diferença de cobertura importa para a promessa de velocidade: quanto mais perto a farmácia estiver do comprador, menor será o percurso da entrega.
O Mercado Livre terá de atrair estabelecimentos e entregadores parceiros em número suficiente para sustentar o prazo de uma hora à medida que a operação crescer.
O Envios Agora faz parte de uma expansão mais ampla da logística do Mercado Livre. A companhia prevê abrir 20 operações de grande porte no Brasil ao longo de 2026, entre centros de armazenagem, triagem e distribuição. Se cumprir o plano, terminará o ano com 72 centros desse tipo, 39% mais que em 2025.
Bets notificam clubes de possível rescisão de contrato e preparam ação contra governo
Casas de apostas que patrocinam clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro já começaram a notificar as equipes sobre a possibilidade de rescisão imediata de seus contratos comerciais. Atualmente, 14 dos 20 times da Série A exibem marcas de bets em seu espaço mais nobre da camisa.
A reportagem do Estadão ouviu diferentes relatos sobre notificações. Corinthians, São Paulo e Fluminense foram alguns dos que receberam alertas. O time alvinegro é patrocinado pela Esportes da Sorte, que paga R$ 150 milhões anuais.
São Paulo e Fluminense contam com a Superbet. Aos paulistas, a empresa prevê R$ 80 milhões em 2026. Já aos cariocas, R$ 53 milhões, podendo chegar a R$ 86 milhões.
Se o governo proibir apenas os cassinos online e jogos de azar (como o do “Tigrinho”), os contratos vigentes terão de ser renegociados. Caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decida proibir toda a operação de bets no País, o fim dos acordos de patrocínio é considerado inevitável pelas operadoras.
As bets aguardam a decisão do presidente Lula, que deve desencadear uma onda de ações judiciais. O Estadão apurou com executivos e fontes ligados ao setor que as casas de apostas vão recorrer à Justiça assim que a MP for decretada, sob o argumento de que a medida do governo é inconstitucional. Já existe um escritório de advocacia contratado.
As casas de apostas despejaram mais de R$ 1 bilhão aos clubes em 2025 nos contratos de patrocínio. O próprio Brasileirão leva o nome de uma plataforma de apostas, a Betano.
Somente a Betano, que é líder no mercado de apostas do País, com 25% de participação, paga R$ 268 milhões anuais ao Flamengo. A empresa diz monitorar “com muita preocupação” a discussão atual e afirma que tomará decisões “no momento apropriado”.
Dona do terceiro maior contrato de patrocínio da Série A, a Sportingbet pagou ao Palmeiras R$ 120 milhões em 2025, sendo R$ 100 milhões fixos. A empresa, que também exibe sua marca no Vasco, diz que prefere aguardar a íntegra da MP para “avaliar os desdobramentos e eventuais medidas cabíveis”.
Patrocinadora do Cruzeiro, a Betnacional admite que mudanças que alterem de forma significativa as suas condições de operação podem “afetar diretamente sua capacidade de investimento e, consequentemente, a sustentabilidade dos atuais contratos de publicidade e patrocínio”. “Qualquer avaliação dependerá do conteúdo e da extensão das medidas eventualmente adotadas pelas autoridades.”
As companhias basearam-se em cláusulas contratuais. A lógica das empresas é de que não há sentido manter a exposição das marcas se houver proibição de todos os serviços. Em caso de veto apenas ao cassino online, a possibilidade mais plausível é a redução dos valores acordados, como adiantou o Estadão na semana passada.
Considerando os patrocínios de 2025, os aportes somaram R$ 1,14 bilhão. Isso corresponde a 7,9% das receitas totais dos clubes no ano passado. Os 20 atingiram R$ 14,9 bilhões em faturamento, com endividamento chegando a R$ 14,3 bilhões.
Um manifesto de associações que representam empresas do setor, além do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), defendeu a manutenção das regras sobre as apostas esportivas. São citados efeitos como proteção ao apostador, arrecadação e segurança jurídica.
“Os desafios são reais. A resposta é fiscalização e reforço da regulação: publicidade mais rígida, proteção reforçada aos vulneráveis, fiscalização efetiva e combate firme aos ilegais. Regular é controlar. Proibir é perder o controle”, diz um trecho.
“Na prática, trata-se de uma ruptura provocada por uma mudança abrupta do próprio Estado, que inviabiliza contratos firmados sob um marco regulatório vigente e cria insegurança jurídica para toda a cadeia de investimentos, empregos e negócios construída em torno do mercado regulado”, afirma Bernardo Cavalcanti Freire, consultor jurídico da ANJL e sócio do Betlaw, escritório de advocacia especializado no setor de apostas.
Clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro buscaram o governo federal para um programa de renegociação de dívidas, com juros menores e prazos mais longos. A iniciativa é liderada por dirigentes de Corinthians, Internacional e Atlético Mineiro, diante do receio de perder patrocínios de casas de apostas.
Não está definido o modelo do auxílio, mas o plano é que a ajuda financeira seja feita por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que estuda abrir uma linha de crédito para socorrer os clubes.
O Internacional não tem uma bet como patrocinador. O clube teve um acordo de R$ 50 milhões em 2025 com a Alfa, mas rescindiu e cobra judicialmente valores não pagos. O rival Grêmio viveu a mesma situação, mas fechou um acordo para receber R$ 12 milhões atrasados.
Os gremistas ficaram com a camisa sem patrocínio máster desde dezembro de 2025, quando houve a rescisão. A direção tricolor havia demonstrado intenção de não fechar com uma nova bet para o espaço. Após nove meses, porém, nesta quarta-feira, o clube anunciou a parceria com a Pitaco, por três anos. O valor anual é de R$ 46 milhões.
Os clubes receberam a informação de que haveria duas versões para a medida provisória sobre o tema. Uma dizia respeito apenas aos cassinos online. Outra proibiria “todas as apostas de quota fixa no Brasil”.
O presidente Lula esteve reunido com os ministros Dario Durigan (Fazenda), Bruno Moretti (Planejamento) e Miriam Belchior (Casa Civil) nesta quarta-feira, e avaliou que precisava “cortar o mal pela raiz”, inclusive incentivado pelo titular da Comunicação Social, Sidônio Palmeira, a adotar uma medida mais drástica.
Uma pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta quarta-feira apontou que o apoio à proibição das bets chega a 75% dos brasileiros. Apenas 17% disseram ser contrários à medida.
Quem ainda divide a mídia em tradicional e digital?
Por Alan Giuliano Dall Alba Ceppin
A mídia morreu. De novo.
Todo ano alguém decreta a morte da TV. Depois do rádio. Depois do OOH. Agora, provavelmente, alguém vai decretar a morte de tudo que não cabe na tela do celular. Só esqueceram de combinar com os números.
No primeiro semestre de 2026, a Internet ficou com 40,7% da verba de mídia. A TV, 40,6%. O OOH chegou a 13,4%, seu maior share histórico no Cenp-Meios. E o mercado de compra de mídia cresceu 15,8%. Ou seja: enquanto o mercado ainda perde tempo discutindo “digital versus tradicional”, o consumidor continua cometendo o pecado de consumir tudo. Assiste TV, está no Instagram, escuta rádio no carro, vê um painel no trânsito, pesquisa no Google, recebe uma mensagem e depois compra pelo celular. Uma falta de respeito completa com os planejamentos de mídia que adoram colocar o consumidor dentro de uma caixinha.
A grande mudança, portanto, não é simplesmente para onde está indo o dinheiro. É a forma como precisamos pensar mídia. A pergunta inteligente já não deveria ser “qual meio ganhou?”. Deveria ser: “qual combinação de meios consegue transformar atenção em negócio?”. Parece uma diferença semântica. Não é. É uma mudança de arquitetura estratégica.
E aqui está uma das maiores miopias do nosso mercado: ainda tratamos TV, rádio, OOH, digital, social, conteúdo e performance como departamentos diferentes, quando o consumidor nunca enxergou essa divisão. Ele não pensa “agora vou consumir um pouco de mídia tradicional e depois migrar para digital”. Ele simplesmente encontra uma marca em diferentes momentos da sua jornada.
O mais curioso é ver gente chamando OOH de mídia tradicional enquanto o meio cresce e o DOOH transforma o velho conceito de outdoor em uma plataforma cada vez mais dinâmica, tecnológica, contextual e mensurável. Talvez o problema nunca tenha sido a mídia tradicional. Talvez seja o pensamento tradicional sobre mídia.
Marketing não é escolher um canal. É construir presença. E mídia, quando bem pensada, não é uma coleção de formatos: é uma arquitetura capaz de gerar atenção, relevância, conexão e, principalmente, negócio.
No fim, talvez o futuro não pertença ao digital, à TV, ao rádio ou ao OOH. Pertence a quem entender antes dos outros uma coisa bastante simples: o consumidor não enxerga canais. Ele enxerga marcas.
E é exatamente nessa diferença aparentemente pequena que mora uma quantidade enorme de dinheiro.
Arthur Brooks, especialista em felicidade: “Você não pode esperar para ser mais feliz até que o mundo melhore, porque você estará esperando o resto da sua vida”
Esse é um comportamento bastante comum — e foi justamente o ponto central abordado por Arthur C. Brooks, especialista em felicidade, pesquisador e professor de Harvard, durante uma palestra no Auditório Laurie, no Trinity College.
Ele destacou como as circunstâncias externas podem nos afastar da verdadeira felicidade — e como nossa autonomia pessoal pode superar esses desafios. “A ideia de que algo externo pode arruinar nosso tempo ou segurança sempre existiu”, explicou. E reforçou: “Você não pode esperar para ser mais feliz até que o mundo melhore, porque estará esperando o resto da vida”.
O impacto da tecnologia no nosso bem-estar
Brooks ressaltou que, embora fatores externos influenciem nosso bem-estar, eles não são os únicos determinantes. Existem “intervenções pessoais” capazes de melhorar nossa qualidade de vida — e uma das principais, segundo ele, é a desintoxicação digital. O pesquisador aponta que a tecnologia vem reconfigurando nossos cérebros, “deixando o hemisfério direito inativo”, conforme noticiado pelo jornal universitário.
A neurocientista Dra. Alicia Vargas reforça que o uso excessivo ou inadequado de tecnologia pode trazer efeitos negativos, principalmente no desenvolvimento cerebral. Isso pode prejudicar nossa atenção e concentração, afetar a memória, influenciar emoções, comprometer relações sociais e até impactar a saúde mental.
Quando o hemisfério direito fica “adormecido”
O psiquiatra Iain McGilchrist explica que “o hemisfério direito do cérebro é, literalmente, mais inteligente que o esquerdo”. A divisão clássica — esquerdo lógico e direito criativo — já é considerada simplista. Desde os anos 1970, sabe-se que ambos participam de todos os processos, mas existe uma lateralização funcional complexa, que não se resume a “um lado ou outro”.
Em entrevista ao The Voice of Health, McGilchrist afirma que a diferença está na forma como cada hemisfério presta atenção ao mundo. Segundo ele, o hemisfério direito percebe e compreende melhor, enquanto o esquerdo é essencial para a execução de tarefas.
Se levamos as palavras de Brooks a sério, percebemos que a tecnologia tem abafado justamente o hemisfério mais perceptivo. A recomendação do especialista é estabelecer períodos sem telas nas primeiras e últimas horas do dia e durante as refeições, deixar o celular fora do quarto e da sala de aula e fazer um “jejum digital” anual de quatro dias. Mas isso é apenas parte da solução: ele lembra que também há um déficit de conexão humana causado pela tecnologia.
Falta amor no mundo real
Como já mostrou o famoso Estudo de Harvard sobre desenvolvimento, relacionamentos são fundamentais não apenas para a felicidade, mas também para uma vida mais longa. No entanto, Brooks afirma que “o problema é que falta amor na vida real”. Embora estejamos mais conectados do que nunca, muitas pessoas se sentem mais solitárias porque redes sociais e tecnologia mudaram profundamente a forma como nos relacionamos.
No podcast do Dr. Jared Zimmerer, Brooks comenta que estamos vivendo uma grande crise de saúde mental iniciada em 2008, afetando principalmente pessoas com menos de 40 anos. “É como um furacão”, disse ele. “2008 e 2009 foram os anos em que todos ganharam um smartphone e acesso às redes sociais — e isso, na minha opinião, foi o ponto de virada mais prejudicial na nossa história recente da felicidade.”
Hoje, 20,8% dos adultos na Europa vivem em isolamento social objetivo, e 13% se sentem sozinhos na maior parte do tempo. Em outra apresentação, Brooks reforça: “A tecnologia está nos separando muito”.
Quando a tecnologia substitui relacionamentos reais — os pilares do bem-estar — e trocamos amizades verdadeiras por interações superficiais, nossa qualidade de vida diminui. Talvez a resposta para a nossa crescente infelicidade não esteja no mundo em que vivemos, mas na forma como escolhemos viver dentro dele.
Sadia, Nestlé e Perdigão lideram preferência nas favelas
Tracking das Favelas indica que a escolha futura é mais aberta do que a preferência atual
Por Fernando Murad
A Nestlé assumiu a liderança em intenção de compra na atual onda do Tracking das Favelas, Estudo da NÓS – Novo Outdoor Social publicado com exclusividade por Meio & Mensagem. A marca alcançou 37,3% após avançar nas últimas três ondas. Sadia aparece em segundo lugar, com 36,1%, seguida de perto pela Perdigão. Apesar da proximidade na intenção, Sadia mantém a maior preferência, com 13,9%.
A relação entre preferência e intenção mostra que a escolha futura é mais aberta do que a preferência atual. Perdigão possui 11,3% de preferência, mas alcança intenção próxima de 36%, indicando potencial para ampliar sua participação mesmo sem liderar como primeira escolha.
“Na favela, liderança em alimentos não depende apenas de estar na cesta, mas de transformar compra em preferência e lealdade”, analisa Emilia Rabello, sócia e fundadora da NÓS – Novo Outdoor Social
Marcas de alimentos nas favelas
Na atual onda, a Sadia apresenta o funil mais equilibrado da categoria, liderando em awareness (66%), preferência (16%) e intenção de compra (38%). A Nestlé se destaca em compra (58%), recomendação (9,1) e NPS (69%). Já Perdigão registra 52% de compra, 12% de preferência e 33% de intenção, além de um NPS de 64%, igual ao da Sadia.
Nescau e Garoto, por sua vez, chegam ao consumo, mas perdem força na escolha. Mesmo com compra acima de 50%, registram apenas 5% e 4% de preferência.
Atributos e percepção de marca
A Nestlé apresenta a percepção mais completa no total e entre os jovens. Na avaliação geral, lidera em confiança (40,9%), admiração (41,7%), diversidade (40,4%) e facilidade de encontrar (47,8%). Entre 18 e 34 anos, mantém os maiores resultados na maioria dos atributos, com destaque para facilidade de encontrar (43,6%), ser para todos (39,3%) e qualidade (37,7%).
Entre os adultos com 35 anos ou mais, Sadia assume a liderança em atributos fundamentais. A marca alcança 52,8% em qualidade, 52,6% em facilidade de encontrar e 46,7% em confiança. A diferença em relação aos jovens é expressiva, especialmente em confiança, que passa de 28,4% para 46,7%, indicando uma conexão mais forte com o público adulto.
Nescau apresenta a percepção mais equilibrada entre as gerações, mas em patamar inferior às líderes. A qualidade registra 36,7% entre jovens e 36% entre adultos, enquanto a confiança permanece próxima de 32% nos dois grupos. O recorte mostra que Nestlé possui maior força entre gerações, enquanto Sadia e Perdigão concentram sua reputação principalmente no público adulto.
Metodologia
O levantamento faz parte do Tracking de Marcas da Favela, estudo que monitora a percepção e o comportamento de consumo de moradores de favelas em todo o Brasil. A pesquisa foi realizada com 800 entrevistados, selecionados por meio de um aplicativo com usuários previamente perfilados por critérios de classe social, gênero, idade e localização, incluindo clusters específicos de favelas. A amostra segue controle de cotas por gênero e faixa etária, e todas as respostas passam por processos de validação automática e manual para garantir a qualidade dos dados. O estudo possui margem de erro de 3,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Pergunta rápida: o que o seu filho ou filha quer ser quando crescer?
Por Hugo Rodrigues
Uma pesquisa da Global Web Index ouviu 21.502 crianças e adolescentes da Geração Alpha — nascidos a partir de 2010 — em 18 países, incluindo o Brasil.
Entre as meninas, ser artista (música, dança, teatro, pintura) lidera com 21% dos sonhos. Médica vem logo atrás, com 19%, e cientista ou inventora, com 17%. Tem algo muito bonito aí: as meninas desta geração estão mirando alto e em todas as direções. 54% delas acreditam que podem exercer qualquer profissão que quiserem. E os dados confirmam essa autoconfiança no mundo real — em 2025, pela primeira vez na história, as mulheres são maioria entre médicos no Brasil, segundo o estudo Demografia Médica no Brasil.
Já entre os meninos, o domínio da ciência e da tecnologia é significativo: 30% querem ser cientistas, engenheiros ou inventores, e 25% querem criar videogames ou desenvolver tecnologia. Mas aqui tem um dado que me chamou atenção: apenas 37% deles acreditam que podem fazer qualquer coisa que quiserem. Ou seja, a crise de autoestima e de referências positivas para os meninos é real e pede atenção.
E influenciador? Aparece com 12% entre os meninos e 11% entre as meninas. Não é mais o sonho dominante.
O que me parece mais revelador nessa pesquisa não é a lista de profissões em si, mas o que ela diz sobre os valores desta geração. Eles querem criar, construir, curar e inventar. Querem impactar o mundo de forma concreta. A Geração Alpha está crescendo com mais acesso à informação, mais autonomia e mais consciência do que qualquer geração anterior. Faz sentido?
Vivemos cercados de absurdos
Por Walter Longo
Um homem prende-se a balões para voar. Um bilionário implode a própria vida buscando mais dinheiro. Multidões acreditam em mentiras evidentes. Pessoas matam por orgulho, destroem famílias por vaidade, trabalham até morrer, sacrificam a própria identidade em troca de aprovação e transformam ideologias em prisões emocionais.
Mas este livro não foi escrito apenas para narrar histórias inacreditáveis.
Foi escrito para revelar algo muito mais desconfortável: talvez apenas “aos outros”.
Em Absurdo!, Walter Longo conduz o leitor por quarenta capítulos intensos, filosóficos e profundamente humanos, mostrando como a irracionalidade atravessa governos, empresas, multidões, relações pessoais e a própria consciência humana. Com uma escrita densa, elegante e provocadora, o autor demonstra que a humanidade talvez tenha desenvolvido inteligência demais para continuar inocente — e maturidade emocional de menos para suportar plenamente aquilo que sabe sobre si mesma.
Entre tragédias reais, reflexões psicológicas, filosofia, sociologia e comportamento humano, este livro revela como o absurdo se infiltra lentamente na vida cotidiana até tornar-se paisagem.
E faz um alerta poderoso: o maior perigo não é o absurdo existir. É nos acostumarmos a ele.
Lojas Renner S.A. vence o Prêmio Valor 1000 como a melhor empresa do setor de Indústria da Moda
Por Fabio Adegas Faccio (Presidente Renner)
Com muita honra e alegria, recebi em nome da Lojas Renner S.A. o Prêmio Valor 1000 como a melhor empresa do setor de Indústria da Moda!
É a 9ª vez que recebemos esse reconhecimento, promovido pelo Valor Econômico e pela Época NEGÓCIOS, celebrando os resultados das maiores e melhores empresas do país.
Para o nosso Time, ele representa a força de uma trajetória construída com encantamento, consistência e visão de longo prazo.
É uma conquista que reflete nossos investimentos contínuos em produto, expansão, tecnologia, digitalização, omnicanalidade e eficiência operacional, que possibilitam que o nosso negócio cresça, amplie margens e gere valor.
Esse reconhecimento pertence a cada pessoa que faz parte do nosso Time. É também dos nossos clientes, que nos escolhem e nos desafiam a evoluir. E dos nossos acionistas e parceiros, que confiam na nossa capacidade de construir uma companhia cada vez mais forte, rentável e preparada para o futuro.













