Você vai ler na coluna de hoje: Mulheres que empreendem transformam a sociedade , E-commerces perdem até 30% da receita antes de investir em mídia, aponta levantamento, Revelados os cinco nomes de Novo Hamburgo no Fórum de Empreendedores Locais 2026, Inovação não é tecnologia e custa milhões às empresas, Atenção ! Etarismo velado: a pior das hipocrisias e Quem ocupa a cadeira de CEO não lidera apenas uma operação.
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Mulheres que empreendem transformam a sociedade
Por Denise Joaquim Marques
Todo ser humano nasce com a capacidade de criar. Ignorar esse potencial, seja em homens ou mulheres, é um desserviço à sociedade. Mas quando pensamos no momento histórico em que vivemos, no qual tecnologia e conhecimento progridem de forma acelerada, o desperdício do talento feminino se torna ainda mais incompreensível. A mulher é fonte de vida, e também de ideias, de negócios e de prosperidade. Não aproveitar essa potência significa frear o desenvolvimento coletivo.
Quando uma sociedade não cria espaço real para que mulheres participem plenamente, empreendam, liderem e cresçam, torna-se praticamente impossível imaginar um avanço consistente. Os obstáculos que ainda enfrentamos, sejam preconceitos, exclusões ou barreiras silenciosas, não fazem sentido diante do que se deseja construir. São atitudes improdutivas que nos afastam da possibilidade de alcançar um desenvolvimento maduro e sustentável. A discussão aqui não é de privilégio, mas de lógica social. Não há como excluir a criatividade de metade da população e esperar inovação.
Esse apagamento feminino se torna evidente quando observamos os momentos de crise. O estudo “Mulheres, Empresas e o Direito 2021” (WBL 2021) do Banco Mundial mostrou que, durante a pandemia, as primeiras a serem dispensadas foram as mulheres, muitas delas arrimos de família. O impacto econômico dessas decisões reverbera na educação dos filhos, na saúde mental, na capacidade de planejamento das famílias e, consequentemente, na produtividade da sociedade. A pandemia apenas escancarou um quadro que já existia: mulheres sustentam, mas não são sustentadas por estruturas coerentes.
Agora, com dados mais recentes, vemos que o Brasil chegou ao final de 2024 com 51,7% dos lares sob liderança financeira feminina. Mesmo sustentando a economia doméstica, as mulheres ganham em média 32% a menos do que os homens. As mães solos chegam a receber 41% a menos do que homens na mesma situação. Esses números do estudo da FGV IBRE confirmam o que já era intuitivo: mulheres não estão apenas participando, elas estão sustentando. Então, por que ainda não são tratadas como pontos estratégicos do desenvolvimento nacional?
É comum ouvir que os jovens de hoje não têm interesse, não buscam resultados, não se engajam. Mas cada jovem tem uma história, um contexto e tem pais que também tiveram seus caminhos influenciados por barreiras e crenças do passado. A base precisa mudar. A visão empreendedora deve ser fomentada desde cedo, e o papel das mulheres nessa construção é determinante. Elas empreendem por necessidade, por vocação e por contribuição social. Olhar para isso não é proteger um grupo em detrimento de outro, é olhar para o ser humano e para o que ele tem a oferecer.
Quando excluímos talentos, perdemos desempenho. Alta performance nunca é apenas um número. O número é consequência. O que determina o resultado são as atitudes que o constroem. E atitudes preconceituosas, discriminatórias e excludentes não favorecem performance alguma. Pelo contrário, geram insegurança, abalam a saúde mental, inibem a criatividade e tornam qualquer discurso sobre inovação vazio. Não faz sentido desejar produtividade se sustentamos comportamentos que minam a produtividade na raiz.
Uma sociedade que quer resultados precisa ser coerente com as ações que levam até eles. E isso significa garantir espaço de criação para todos. É preciso que instituições, empresas e cidadãos se questionem para saber se o discurso de desenvolvimento está alinhado com práticas reais de aproveitamento de talentos. É responsabilidade de cada um mobilizar conhecimento, desenvolver ambientes criativos, fomentar negócios liderados por mulheres e enxergar a inovação como algo que nasce da diversidade.
O empreendedorismo feminino não é uma pauta isolada. Ele é um meio para que a sociedade avance. O que está em jogo não é a disputa entre gêneros, mas a construção de um futuro em que o potencial humano seja plenamente utilizado. Se queremos prosperidade, se buscamos resultados consistentes, precisamos de mulheres empreendendo, liderando, inspirando e transformando. Essa é a lógica, simples e direta, que sustenta qualquer economia que deseja evoluir.
Revelados os cinco nomes de Novo Hamburgo no Fórum de Empreendedores Locais 2026
O Fórum de Empreendedores Locais (FEL) 2026 foi oficialmente lançado durante o Bora Meeting realizado em Novo Hamburgo, nesta terça-feira (3) à noite. E chegou anunciando uma série de novidades.
Além da confirmação dos palestrantes da edição de abertura, o projeto apresentou sua nova identidade visual, reforçou compromissos com sustentabilidade e confirmou o circuito regional que passará por três cidades ao longo do ano.
No lançamento na terça à noite, no Gastromundi, o público também assistiu a uma palestra do empresário Márcio Martins, presidente da Mundo Voa. Ele compartilhou sua trajetória como empreendedor.
OS NOMES
Foram anunciados oficialmente os cinco nomes que sobem ao palco no dia 7 de abril:
Daiane Ajalla – Fundadora do Mestre do Frango
Diego Alano – Fundador da The Fools Immersion
Maria Eduarda Wecker – CEO da Scale Reabilitação
Juliano Falcão – Fundador da Juliano Falcão Negócios Imobiliários
Maicon Dias – CEO da Gampi Casa Criativa
Os palestrantes são empreendedores locais de diferentes segmentos que estão se destacando no mundo dos negócios e que vão ao palco compartilhar suas trajetórias na construção e consolidação de suas empresas. São histórias com o poder de inspirar e impactar outros empreendedores.
REGIONAL
Em 2026, o projeto amplia seu alcance regional e passa por três cidades:
Novo Hamburgo – 7 de abril
Estância Velha – 18 de agosto
Campo Bom – 25 de novembro
Cada cidade contará com sua própria mobilização local e embaixadores, fortalecendo o ecossistema empreendedor de toda a região.
FEL Novo Hamburgo 2026
7 de abril
Sítio 3 Figueiras – Lomba Grande
Abertura e recepção: 13 horas
Início das palestras: 15 horas
O encontro contará com cinco talks principais, painel de estimuladores do empreendedorismo e, como mais uma novidade em conteúdo, um painel especial com o tema: “O digital como acelerador de negócios: como empresas locais podem crescer usando estratégias digitais.”
INGRESSOS:
Os ingressos para o FEL Novo Hamburgo 2026 já estão disponíveis nas modalidades Start e Networking, por meio da plataforma Bora.club – https://bora.club/e/fel-novo-hamburgo-2026_b?utm_source=SPRINTA&utm_campaign=eventBox
PARCEIROS DO EVENTO
Apresentação
Apta Resinas Termoplásticas | Sicoob MaxiCrédito
Patrocínio Master
Ailos Viacredi Alto Vale | Boome Performance Digital | Gampi Casa Criativa | Voa Negócios
Patrocínio
Lyp Branding & Estratégia | Sicredi Pioneira | Unimed Vale do Sinos
Apoio
Iron Legion | Sítio 3 Figueiras
Parceiros de experiência
Apoena Socioambiental | RZ Art Foto e Vídeo Profissional | TH Arquitetura Estratégica
Parceiro de mídia
Correio do Povo | Rádio Massa FM 90.3
Realização
Bora.Club
E-commerces perdem até 30% da receita antes de investir em mídia, aponta levantamento
E-commerces brasileiros deixam de capturar entre 20% e 30% da receita potencial antes mesmo de ampliar investimentos em mídia, segundo dados da Yever, fintech especializada em soluções de pagamento e checkout inteligente. De acordo com a empresa, falhas no checkout e no processamento de pagamentos seguem como entraves estruturais do setor, limitando o impacto das estratégias de aquisição justamente em um momento de revisão dos modelos de crescimento no varejo digital.
Esse diagnóstico ganha ainda mais relevância em um cenário marcado por pressão por eficiência e previsibilidade financeira. Um estudo da Uncover sobre marketing mix estima que escolhas ineficientes na alocação de verba publicitária podem estar deixando até R$ 1,8 bilhão em receita sobre a mesa no Brasil. A pesquisa aponta que uma redistribuição estratégica dos investimentos teria potencial de elevar as vendas em até 30%, desde que a operação consiga, de fato, capturar o valor gerado pelas campanhas.
Na prática, o principal limitador para escalar mídia paga e ações com influenciadores não está apenas no orçamento disponível, mas na eficiência da própria jornada de compra. Dados operacionais da Yever indicam que a taxa média de conversão no checkout do e-commerce brasileiro varia entre 30% e 50%. Isso significa que até metade dos consumidores que chegam ao site com clara intenção de compra abandona o processo antes da finalização, transformando parte relevante do investimento em aquisição em desperdício.
Mesmo quando a jornada avança até o momento do pagamento, outro gargalo compromete a captura de receita.
Segundo a base da empresa, a taxa média de aprovação de pagamentos no país oscila entre 85% e 89%. Na prática, isso representa uma perda adicional de 11% a 15% do faturamento potencial, afetando não apenas a receita imediata, mas também a previsibilidade financeira e a eficiência do crescimento no comércio eletrônico.
Para Andrews Vorodimos, CEO e fundador da Yever, esse conjunto de falhas exige uma mudança de perspectiva sobre crescimento no e-commerce. “Em um cenário de mídia mais cara e pressão por eficiência, crescimento não pode começar na aquisição. Se a operação não captura o valor das vendas que já gera, qualquer estratégia de marketing passa a amplificar ineficiências e comprometer a rentabilidade”, afirma.
É nesse contexto que a otimização da infraestrutura de conversão e pagamentos passa a ter impacto direto sobre os resultados. De acordo com relatório da companhia, melhorias no checkout podem elevar a taxa de conversão para até 65%, a depender do nicho, o que representa um ganho mínimo estimado de 15% em receita apenas nessa etapa. Já no processamento de pagamentos, a Yever utiliza um gateway multi adquirentes com reprocessamento automático de transações recusadas em milissegundos, elevando a taxa média de aprovação para cerca de 98% em 97% dos clientes, um incremento adicional aproximado de 9% no faturamento.
Somados, esses ganhos ajudam a explicar por que muitos e-commerces deixam entre 20% e 30% da receita potencial pelo caminho antes mesmo de discutir novas estratégias de mídia ou aumento de orçamento. Além do impacto direto no faturamento, a baixa eficiência operacional também impõe desafios à gestão financeira. É comum que lojas virtuais operem com três ou mais adquirentes, cada uma com contratos, taxas e plataformas distintas, o que encarece a operação e dificulta a leitura consolidada de performance, margens e fluxo de caixa.
Com a crescente complexidade da gestão financeira no e-commerce, a centralização de adquirentes, taxas e relatórios em um único ambiente tem se consolidado como resposta à fragmentação operacional, ao ampliar a visibilidade sobre margens e fluxo de caixa. Ao reduzir a fragmentação operacional e ampliar a visibilidade sobre margens e fluxo de caixa, esse modelo favorece uma alocação mais racional dos investimentos e sustenta a expansão das vendas em um contexto de maior disciplina de capital. “Quando a empresa passa a enxergar toda a jornada financeira de forma integrada, o foco deixa de ser quanto investir em mídia e passa a ser quanto da receita gerada, de fato, é capturada”, conclui Andrews Vorodimos.
Inovação não é tecnologia e custa milhões às empresas
Por André Carvalho, CEO e Fundador da Tempus Inova
Durante os últimos anos, inovação virou sinônimo de tecnologia. Inteligência artificial, automação, big data, CRMs e plataformas digitais passaram a ocupar o centro das decisões estratégicas das empresas. Esse deslocamento conceitual gerou uma confusão recorrente: ao equiparar inovação a tecnologia, muitas organizações passaram a investir pesadamente em ferramentas sem refletir sobre o valor que pretendiam criar. Tecnologia não é inovação. Tratar ferramentas como estratégia tem levado empresas a investir cada vez mais e, ainda assim, gerar cada vez menos relevância percebida. O resultado é um paradoxo recorrente no mercado brasileiro e global: empresas tecnicamente avançadas, porém incapazes de se diferenciar ou justificar seu valor.
Os dados deixam claro que o problema não está na tecnologia, mas na forma como ela vem sendo utilizada Segundo a McKinsey, cerca de 70% das iniciativas de transformação digital falham em atingir seus objetivos de negócio, apesar de consumirem volumes significativos de investimento. De acordo com a Gartner, mais de 80% dos projetos de inteligência artificial não geram retorno mensurável quando desconectados de uma estratégia clara de valor. Esses dados não revelam uma limitação tecnológica, e sim um erro de origem na tomada de decisão. Quando a inovação começa pela ferramenta, e não pelo problema a ser resolvido, o resultado costuma ser eficiência aplicada a questões irrelevantes para o mercado.
Inovação é, antes de tudo, uma escolha estratégica. Ela começa quando a empresa decide onde competir, que dor resolver, por que alguém deveria se importar e como essa solução se traduz em valor percebido. Tecnologia entra depois, como meio para executar essa decisão. Ao inverter essa ordem, as organizações passam a criar produtos sofisticados que ninguém entende, plataformas robustas que não resolvem problemas reais e sistemas caros que apenas replicam modelos antigos com mais complexidade. É nesse ponto que milhões são desperdiçados não por incompetência técnica, e sim por ausência de clareza estratégica.
Outro erro recorrente está no papel subestimado do branding nesse processo. Muitas organizações tratam marca como acabamento estético ou mera comunicação institucional, quando, na prática, o branding funciona como o sistema que dá sentido à inovação. Segundo estudo da Interbrand, empresas com marcas fortes geram, em média, 30% mais retorno sobre investimento em inovação do que concorrentes com capacidade técnica similar. É o branding que responde às perguntas que a tecnologia não responde: por que essa inovação importa, que mudança ela representa e por que o mercado deve confiar nela. Sem essas respostas, a inovação até existe, contudo permanece invisível.
A tecnologia, por si só, raramente sustenta diferenciação por longos períodos. Em um ambiente de rápida disseminação de soluções digitais, vantagens tecnológicas tendem a se tornar comuns em pouco tempo. Segundo a Deloitte, o intervalo médio para que uma inovação tecnológica seja replicada caiu mais de 40% na última década. Nesse contexto, a opinião defendida é clara: o que diferencia empresas não é a ferramenta em si, e sim o significado que ela constrói para o mercado. Por isso, organizações com menos recursos tecnológicos frequentemente são percebidas como mais inovadoras do que concorrentes altamente estruturadas, pois conseguem transformar inovação em valor percebido.
Inovação sustentável é cultural, não apenas digital. As empresas que inovam de forma consistente tratam tecnologia como meio, constroem alinhamento entre estratégia, marca e operação e investem em decisões antes de investir em sistemas. A pergunta central para líderes não deveria ser qual tecnologia adotar, mas sim que valor gerar e como o mercado vai reconhecer isso. Enquanto inovação continuar sendo confundida com ferramenta, o desperdício seguirá silencioso, estratégico e caro.
Aos vencedores, a propaganda travestida de Carnaval
Por Katia Magalhães
A purpurina perdeu seu brilho, as fantasias retornaram ao mofo de seus depósitos, os carros alegóricos foram devolvidos ao anonimato dos barracões, e a bateria se calou. O que foi vendido como espetáculo de euforia vai se tornando uma triste recordação esmaecida e a arrogância dos ídolos de barro substituída pela rotatividade das manchetes midiáticas. Porém, o lodo subjacente à farsa segue cada vez mais nauseabundo, emporcalhando nossa triste republiqueta.
No domingo de carnaval, o desfile das escolas de samba no Rio foi marcado por uma propaganda antecipada de Lula, pré-candidato à próxima corrida presidencial. A descrição da trajetória de político vivo e em plena atuação como saga heroica, o uso do estribilho do longevo jingle de campanha como refrão do samba-enredo, a apresentação do “homenageado” como um boneco gigante, o destaque escancarado à marca mista da sigla partidária (letras e figura da estrela) e o louvor a políticas públicas supostamente implementadas por Lula transformaram o que deveria ter sido um desfile em indisfarçável ato de campanha. Isso sem falar no abuso de poder econômico caracterizado pelo desvio de recursos públicos para a irrigação dos cofres da escola e no abuso de poder político configurado pelo gesto do “faz o L” (símbolo maior do império lulista devolvido ao poder), pela presença do próprio Lula na avenida e pela escolha, por parte do casal presidencial, dos atores encarregados da mise-en-scène. Contudo, nem só da idolatria ao lulopetismo se alimentou a escola de Niterói.
Logo no carro abre-alas, o carnavalesco fez questão de brindar seus prosélitos com a representação da prisão de Bolsonaro, levando-os a um delírio orgíaco. Em plena Sapucaí, um palhaço mostrado como um Bozo-Coringa era capturado por um careca togado e trancafiado na masmorra. Não se tratava ali de insinuação ou mensagem subliminar; ao contrário, era um brado de louvor ao aliado disfarçado de juiz, cujo “feito” maior havia consistido precisamente no sequestro do arqui-inimigo político do homenageado. Não à toa, a cena de encarceramento do “malévolo” palhaço sucedia a da subida da rampa por Lula em 23, em um indicativo, na linguagem teatral, de uma nítida relação de causa e efeito entre os eventos. Tanto na vida quanto na arte cênica, o petista, cuja corrupção havia sido desnudada por três instâncias judiciais, precisou aniquilar seus oponentes para garantir a própria sobrevida no Planalto. E, para tanto, contou com os ótimos préstimos de um magistrado dado a prisões fora do devido processo legal, à censura e aos demais decretos de morte civil contra todos aqueles que ousassem questionar o arbítrio dos donos do poder.
Enfatizando o seu êxtase diante do modus operandi da atual composição do STF, a escola ainda apresentou outro carro retratando o mesmo Bozo-Coringa em sua jaula, de tornozeleira eletrônica, e destacou na letra do samba a expressão “sem anistia”, bandeira da esquerda brasileira e de todos os defensores dos abusos togados. O espetáculo degradante na Sapucaí ultrapassou em muito a esfera já reprovável de uma campanha antecipada; o desfile não apenas confessou, como idolatrou todas as violações protagonizadas por togados desde a instauração do inquérito das fake news. Não foi apenas a propaganda de um indivíduo, mas de um regime autoritário protagonizado por figurões do judiciário, que pisotearam o primado da Constituição e das leis para implementarem o império de seus próprios caprichos. Confiantes na impunidade reinante entre nós, os organizadores do evento incorreram em sincericídio ao levarem à avenida a representação de um binômio vencidos-vitoriosos, onde a vitória não foi definida por razões jurídicas, mas pelo emprego da violência pura e simples. Sem o arsenal das forças de defesa, é certo, mas graças às armas de uma polícia federal servil ao autoritarismo judicial.
“Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas”. Poucas vezes a conclusão da filosofia de Quincas Borba, personagem-título da obra machadiana, me pareceu tão ilustrativa da realidade quanto no desfile dos niteroienses. Lá estava Bolsonaro, vencido em sua jaula gradeada e alvo da ira da turba petista ou, na melhor das hipóteses, de um ou outro olhar compassivo diante das feições ridículas do palhaço; lá estavam Lula e Alexandre de Moraes, os vencedores do butim do campo de batatas ou, em português mais claro, do poder desenfreado entre nós. Na era dos juízes despóticos, o humanitismo de Quincas vem sendo aplicado a um país onde a “paz” é a destruição das instituições e das garantias constitucionais, e onde a guerra a pretensos “golpistas” é a conservação do establishment. Ou alguém ainda haverá de duvidar da adoção, nos últimos anos, de uma lógica beligerante por parte de togados que se vangloriaram da “derrota” ao bolsonarismo ou do “combate” a um pretenso extremismo?
A depender de seus cálculos politiqueiros, juízes eleitorais até podem vir a excluir Lula da disputa de 26. No entanto, não é crível que nossos senadores venham a tomar todas as medidas legais cabíveis contra Moraes e seus pares abusivos. Em um cenário povoado por uma massa política nada confiável, que renunciou à própria autonomia em arranjos promíscuos com togados, é possível e até provável que eventuais mudanças venham a ser engendradas a partir de conflitos entre clãs de togados em guerra pela repartição do butim. Talvez somente a partir do confronto entre interesses nada institucionais possam surgir revelações ainda mais aterradoras sobre os intestinos da nossa republiqueta, tornando inviável a manutenção de certas figuras em seus postos de mando.
Até que as “batatas” venham a ser desfrutadas pelo povo, do qual deveria emanar todo o poder, ainda teremos de acompanhar os saques de poderosos a vários campos e, mais grave ainda, a proibição às investigações sobre possíveis ilícitos incorridos na aquisição de extensos “batatais”. Até lá, nossos donos do poder seguirão protagonizando as mais grotescas folias institucionais, e nossas liberdades continuarão a perigo. Que tenhamos coragem para desnudar e enfrentar um Humanitas cada vez mais faminto e mais avesso à ética.
Atenção ! Etarismo velado: a pior das hipocrisias
Por Jefferson Motta
Ninguém assume.
Ninguém escreve.
Mas todo mundo pratica.
O etarismo velado é aquele que sorri enquanto exclui.
Não diz “você está velho”, diz: “seu perfil não está alinhado”.
Não fala em idade, fala em fit cultural, energia, momento de carreira.
É a hipocrisia corporativa em sua forma mais sofisticada.
Empresas discursam sobre diversidade, mas só enquanto ela não envelhece.
Celebram inclusão no LinkedIn e descartam currículo no bastidor.
Exaltam experiência nos posts institucionais e a tratam como custo na planilha.
O mais cruel do etarismo velado é que ele se esconde atrás da meritocracia.
Finge ser técnico, neutro, racional.
Mas na prática, seleciona pela data de nascimento, só que sem deixar rastro.
E quando a exclusão acontece, a culpa nunca é do sistema.
É sempre do profissional:
“não se atualizou”,
“não se vendeu bem”,
“não entendeu o novo mercado”.
Mentira.
O problema não é falta de capacidade.
É medo da maturidade.
É a recusa em aceitar que experiência questiona decisões ruins, modismos vazios e lideranças frágeis.
O etarismo velado não grita.
Ele cochicha.
E por isso mesmo, é mais perigoso.
Porque enquanto fingimos que ele não existe, milhares de profissionais plenamente capazes são empurrados para a invisibilidade.
Hipocrisia pura.
E das piores.
Quem ocupa a cadeira de CEO não lidera apenas uma operação. Lidera percepção.
As empresas que entenderam o jogo da influência na nova economia estão ajudando a transformar os seus C Levels em embaixadores da marca.
Por quê? Executivos que constroem uma comunidade sólida no ambiente digital e sabem contar boas histórias tornam-se ativos estratégicos para as corporações .
Durante muito tempo, o poder esteve concentrado nas instituições tradicionais, como companhias, empresas de mídia e governos (você pode ver a representação disso na linha vertical do gráfico abaixo). Mas, quando falamos na nova economia, temos uma força complementar intensa: a potência das pessoas.
Quando essas linhas se encontram, nasce uma nova dinâmica de influência.
Executivos que entendem esse movimento ampliam o alcance das suas visões, fortalecem a mensagem institucional e, de forma orgânica, influenciam decisões.
Ao gerar capital social próprio e adicionar isso à marca corporativa, abrem caminho para uma relação mais direta e eficiente com os consumidores.
Para isso funcionar de fato, essa presença não pode ser institucionalizada. Precisa ser autêntica, estratégica e inteligente.
Um estudo recente da McKinsey & Company, baseado em centenas de entrevistas ao redor do mundo, reforça isso.
Seis em cada dez pessoas afirmam que as ações do CEO impactam diretamente sua opinião sobre a empresa. Não é o time de marketing. Não é o comunicado institucional. É a figura do CEO como pessoa.
A pesquisa aponta algumas frentes em que o papel do CEO como líder da narrativa se torna essencial:
Definir o tom da organização.
Pesquisas do instituto mostraram que os CEOs de melhor desempenho do mundo dedicam, em média, 30% do seu tempo a stakeholders externos: clientes, investidores, reguladores e comunidades locais.
O cofundador da Netflix, Reed Hastings, por exemplo, alocava um terço do seu tempo para relações governamentais, públicas e com acionistas. Somado ao contato que mantinha com clientes, o comprometimento de Hastings com a gestão de stakeholders ocupava 50% da sua agenda.
Independentemente do tempo investido, CEOs que traçam uma estratégia intencional para construir relações não fortalecem apenas sua imagem pessoal, como também criam um espaço estruturado de diálogo e geram maior alinhamento entre as lideranças da organização.
Defesa de cultura, propósito e valores.
Grandes líderes entendem que a cultura de uma empresa é a base para uma comunicação eficaz.
Pesquisas mostram que muitos candidatos a emprego visitam primeiro o site principal da marca, mas o próximo clique geralmente é para a página do CEO no LinkedIn.
O engajamento geral de CEOs na plataforma aumentou mais de 20% nos últimos anos, enquanto o número de seguidores cresceu quase 40%.
Defendo isso diariamente na Singular. A presença do CEO nas redes não é apenas um movimento individual. É uma extensão da estratégia corporativa.