Você vai ler na coluna hoje: Gramado Summit: como a disputa digital saiu da busca e entrou na IA, Moda, Poder e Experiência de Marca, Governança em empresas familiares: o risco de confiar apenas na natureza, Muito Além da Audiência, Quem Está Controlando Quem?, Crescimento com Consistência, Pertencimento que Impulsiona, Marca e memória: o legado como vantagem competitiva, O novo papel dos influenciadores na estratégia de marca, Como evoluir os agentes de IA para programática?, ChatGPT começará os testes com anúncios no Brasil, Possuir ficou obsoleto, Humanidade como estratégia, Por que Guaraná Antarctica e Renner estão juntos na Copa?
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Gramado Summit: como a disputa digital saiu da busca e entrou na IA
Especialistas indicam que mudança no comportamento de busca leva empresas a reorganizarem estratégias digitais para modelos generativos
O avanço das plataformas de Inteligência Artificial generativa tem mudado a forma como as marcas são encontradas no ambiente digital, pressionando as empresas a revisarem estratégias tradicionalmente baseadas em SEO e mídia de busca. O tema será debatido durante a Gramado Summit 2026, entre esta quarta (6) e sexta-feira (8), no Serra Park, em Gramado (RS), por Alexandre Caramaschi e Ariel Alexandre, cofundadores da Naia, primeira plataforma brasileira de Generative Engine Optimization (GEO).
Em Gramado, os especialistas ocupam três blocos da programação. No Palco AI Brasil, debatem o estado da arte de Generative Engine Optimization aplicada ao mercado nacional; já na Arena E-Commerce Brasil, os especialistas levam a discussão para Agentic Commerce, a frente em que o agente de IA executa a compra pelo usuário e a vitrine relevante deixa de ser o site para virar a representação estruturada da marca consumida pelo modelo; por fim, no Palco Insurgente, participam do ciclo de Startups em IA Generativa.
Segundo os executivos, uma parcela crescente das jornadas de busca e consumo começa fora dos buscadores tradicionais e termina diretamente em respostas produzidas por modelos de linguagem, como o ChatGPT, Gemini, Claude e Perplexity. É nesse cenário que ganha espaço o conceito de Generative Engine Optimization (GEO), uma estratégia voltada à presença de marcas dentro das respostas geradas por IA.
“Hoje, o CFO ainda olha o orçamento de mídia e enxerga 70% de SEO e SEM. Em 18 meses, a parcela alocada para presença em LLMs vai estar entre 5% e 15% para qualquer marca que dependa de aquisição digital. A lógica da descoberta digital está mudando. O ativo que passa a ser otimizado não é apenas o site da empresa, mas todo o ecossistema de informações que a IA considera confiável para construir suas respostas”, afirma Caramaschi.
A discussão ocorre em um momento em que as empresas começam a reajustar suas estratégias digitais diante do crescimento das buscas baseadas em IA. Estudos da ALM Corp e da Gracker.ai indicam que plataformas generativas já representam entre 12% e 15% das buscas globais, com expectativa de crescimento acelerado nos próximos anos.
Para Ariel Alexandre, a mudança ainda acontece de forma pouco perceptível para grande parte do mercado, pois existe uma reorganização silenciosa da visibilidade digital. Em muitos casos, a marca líder no Google não é necessariamente a mais citada pelos modelos de IA.
“A maioria dos CMOs brasileiros ainda contrata GEO como se contratasse SEO em 2012, sem instrumentação, benchmark e/ou critério para demitir o fornecedor. Em três meses de operação, a NAIA cobriu mais de 100 categorias e o padrão é consistente: a marca número um da categoria no Google é citada pelo LLM em menos da metade das vezes. Existe uma reorganização silenciosa de share-of-voice acontecendo, e ela não aparece no Search Console”, explica Ariel.
Fundada em 2026, a Naia desenvolveu uma plataforma voltada ao monitoramento da presença de marcas em ferramentas generativas. Segundo os executivos, a tecnologia permite identificar como empresas aparecem — ou deixam de aparecer — nas respostas automatizadas produzidas pelos modelos. A companhia fechou o primeiro trimestre de 2026 atendendo clientes em educação, varejo e indústria.
Além do debate sobre GEO, os palestrantes também abordarão durante a Gramado Summit o avanço do chamado “Agentic Commerce”, o conceito que prevê o uso de agentes de IA capazes de executar compras e decisões em nome dos usuários.
“A tendência é que a experiência digital se torne cada vez mais mediada por inteligência artificial. Isso altera não apenas o marketing, mas também a forma como as marcas organizam suas informações e constroem autoridade digital”, afirma Ariel.
Os executivos também avaliam que o mercado ainda atravessa uma fase inicial, sem métricas consolidadas ou modelos padronizados de mensuração. “Quem promete garantia de citação está simplificando demais um cenário que ainda está em formação. O que existe hoje são estratégias de diagnóstico, organização de dados e aumento de relevância para os modelos”, conclui Caramaschi.
Moda, Poder e Experiência de Marca
O lançamento do filme “O Diabo Veste Prada 2” marca o retorno de um dos universos mais icônicos da cultura pop, colocando a moda como palco de poder, influência e construção de imagem. O filme revela como narrativas bem construídas são capazes de moldar percepções, comportamentos, desejos e acompanhar tendências, criando um paralelo direto com o papel das marcas na atualidade.
No contexto do live marketing e brand experience, essa narrativa ganha forma em experiências imersivas que conectam público e marca de maneira real. Assim como no ambiente da Runway, onde cada detalhe comunica status e intenção, eventos e ativações precisam ser pensados como histórias vivas, em que cenografia, interação e conteúdo trabalham juntos para criar impacto.
Governança em empresas familiares: o risco de confiar apenas na natureza.
Por Fernando Rohsig
A fábula do sapo e do escorpião ilustra os limites da racionalidade. No contexto das empresas familiares, ela serve como metáfora para um dos principais desafios da governança: o conflito entre propriedade e gestão.
Na história, o sapo aceita transportar o escorpião pelo rio – aqui entendido como o ambiente competitivo – acreditando que os interesses estão alinhados. No meio da travessia, é picado. A justificativa é direta: “é da minha natureza”. O erro não foi falta de lógica, mas excesso de confiança ao ignorar riscos comportamentais previsíveis.
A analogia é especialmente pertinente no Brasil. Empresas familiares representam cerca de 90% dos negócios, respondem por aproximadamente 65% do PIB e concentram grande parte dos empregos. Ainda assim, poucas atravessam gerações: cerca de 30% chegam à segunda, e menos à terceira. O principal obstáculo não está fora, mas em fragilidades internas de governança.
Em muitas organizações, confiança e laços afetivos substituem estruturas formais. Assume-se que gestores – frequentemente familiares – não tomarão decisões prejudiciais. Na prática, interesses individuais, como poder, benefícios ou reconhecimento, podem se sobrepor ao coletivo, mesmo com riscos conhecidos.
Esse desalinhamento raramente decorre de má-fé, mas de incentivos mal desenhados e ausência de supervisão independente. Sem conselhos atuantes, critérios objetivos de avaliação e regras claras de sucessão, decisões estratégicas tendem a refletir dinâmicas familiares, não fundamentos econômicos.
O mercado – o “rio” – amplifica esse risco. Pressões competitivas, mudanças tecnológicas e ciclos adversos expõem rapidamente fragilidades antes latentes.
Empresas familiares mais longevas adotam práticas conhecidas: profissionalização da gestão, separação entre propriedade e administração, conselhos com membros independentes e acordos societários formais, incluindo planejamento sucessório. Ainda assim, essas práticas não são regra.
A governança corporativa parte de uma premissa simples: sistemas devem considerar que agentes respondem a incentivos, não apenas à confiança. Ao ignorar a “natureza” do escorpião, o sapo abdica dos instrumentos necessários para uma
Muito Além da Audiência
Por Aline Silveira
Saindo do primeiro dia do Gramado Summit 2026 com uma sensação muito clara:talvez o mercado esteja finalmente entendendo que audiência e comunidade são coisas completamente diferentes.
Audiência você alcança.
Comunidade você constrói.
E isso muda tudo!
Em muitos painéis, falou-se sobre IA, automação, dados, performance… mas o que mais me chamou atenção foi perceber como as marcas mais relevantes hoje são justamente as que conseguem criar identificação, participação e pertencimento.
Pensei muito nisso olhando para os ecossistemas da Webedia , nossa parceira comercial aqui na ab² house, vejam só:
O TudoGostoso não reúne milhões de pessoas apenas porque entrega receitas.
Ele conecta memórias, rotina, afeto e troca.
O AdoroCinema não fala só de filmes.
Ele ativa conversas, expectativas, identificação cultural.
E o IGN talvez seja um dos maiores exemplos de como conteúdo pode virar território de pertencimento para uma comunidade inteira e intensa dos gamers.
No fundo, nenhum deles vende apenas conteúdo.
Eles criam espaços onde as pessoas se reconhecem.
E talvez esse seja um dos maiores movimentos da comunicação agora: marcas deixando de disputar somente atenção para começar a construir significado.
Porque alcance sem conexão vira número.
Mas quando existe comunidade, existe vínculo.
E vínculo gera permanência, conversa, lembrança e valor real.
Saio do GS pensando muito menos em mídia como interrupção… e muito mais em mídia como ecossistema de relação.
Quem Está Controlando Quem?
Por Isabel Maldaner
A Gramado Summit deste ano trouxe como tema “Make it Human”. Confesso que não sou muito fã de temas em inglês em eventos brasileiros, apesar de entender que talvez seja uma forma mais rápida de gerar conexão, impacto ou resumir uma ideia que conversa com muitos conteúdos ao mesmo tempo.
E ironicamente, no meio de tantas palestras sobre humanidade, conexão e futuro, saí com uma sensação estranha.
Muito conteúdo bom. Muito insight. Muita tecnologia.
Mas olhando ao redor, vejo as pessoas cada vez mais cansadas de existir sem registrar. Tudo virou conteúdo. Todo mundo virou vitrine. É vídeo maker particular, câmera ligada o tempo inteiro, recortes de vida transformados em performance. Existe uma necessidade quase urgente de aparecer, postar, provar, mostrar.
E aí veio a reflexão que mais ficou comigo: talvez as máquinas já tenham dominado os humanos.Não porque elas pensam mais do que nós, mas porque nós já não conseguimos mais viver sem elas validarem nossa existência.
A tecnologia deveria nos aproximar da essência humana. Mas, muitas vezes, parece estar nos afastando dela.
Crescimento com Consistência
Por Julio Mottin Neto
O primeiro trimestre costuma dizer muito sobre a qualidade da execução de uma companhia ao longo do ano. E, olhando para este início de 2026, vejo sinais bastante consistentes.
Continuamos crescendo, mas existe um ponto que, para mim, chama especialmente atenção: a maior parte desse avanço vem da produtividade da própria operação. O desempenho das mesmas lojas e, principalmente, das lojas maduras, mostra uma base eficiente, resiliente e menos dependente de expansão para sustentar o resultado.
Esse talvez seja um dos movimentos mais relevantes quando pensamos em crescimento de longo prazo. Falando em números, tivemos R$ 38,5 milhões de lucro líquido ajustado, alta de 38,1% em comparação com o mesmo período, e Ebitda ajustado de R$ 81,2 milhões, alta de 25,6%.
Seguimos avançando e escalando o digital. O app segue influenciando recorrência, engajamento e valor para nosso cliente. A evolução da nossa base mostra isso com bastante consistência.
Ao mesmo tempo, outras frentes continuaram a ganhar relevância na composição de valor da companhia, como marca própria e Panvel Ads. Tudo isso apoiado por uma operação financeiramente equilibrada, com geração de caixa e um nível de alavancagem que preserva flexibilidade para os próximos ciclos, mesmo em um trimestre sazonalmente mais pressionado.
No fim, o 1T26 consolida que entramos em 2026 com a consistência, produtividade e com fundamentos sólidos que sustentam crescimento com qualidade e com a confiança de que seguimos a estratégia traçada e defendida no Panvel Day.
Pertencimento que Impulsiona
Por Fábio Pinheiro
Convenção incrível da Eletromidia.
Muita troca, muitos insights das lideranças e novas ferramentas que revolucionam o trabalho e a entrega para o cliente.
Duas palestras bem diferentes, mas igualmente marcantes, de dois caras extremamente determinados: Beto Pandiani, grande velejador que cruzou alguns dos oceanos mais complicados do mundo em um veleiro, com muito planejamento e capacidade de adaptação, e Bernardo (Bernardinho) Rezende, que o nome fala por si, mas segue todos os dias buscando o limite e extraindo o melhor de todos ao seu redor.
Teve também a participação do Fábio Porchat na entrega do EletroAwards, reconhecendo os destaques do ano.
Semana que reforça o quanto 2026 promete.
Esses dias reunidos só confirmam o quanto estou feliz, adaptado e com um senso de pertencimento muito grande com o Eletroteam. Me sinto em casa, e isso passa muito pelo trabalho do Guilherme Valim. Obrigado.
Pronto para os desafios que se apresentam em 2026. Temos muito a fazer.
Marca e memória: o legado como vantagem competitiva
Por Marco Rapeli
Estamos vivendo a era dos remakes. De Vale Tudo, que bateu recorde de audiência ao vivo no streaming Globoplay com a morte da vilã Odete Roitman; ao Frankenstein de Guillermo del Toro e Bugonia, de Yorgos Lanthimos, remake do sul-coreano Salve o Planeta Verde. O retorno às origens, o revisitar de lugares e memórias, a busca por legados: é um movimento que vai muito além das telas e que chegou com força às marcas.
A Jaguar é o caso mais emblemático dos últimos anos. Em 2024, a montadora britânica renunciou ao felino como mascote, abandonou a tipografia de décadas e trocou um posicionamento clássico por uma estética fashion-oriented, conectada a códigos da moda e da cultura pop. A reação foi imediata e majoritariamente negativa.
Enquanto a marca olhava para frente sem olhar para trás, o mercado olhava justamente para a trajetória como um todo. O resultado: desde que anunciou a troca da agência responsável pelo rebranding, a Jaguar vem sinalizando recuo. O logotipo histórico já reaparece no site e em pontos de contato da marca.
Não é um caso isolado. A Fiat aproximou gradualmente seu logo à tipografia usada no início de sua história. A Pepsi e o Burger King usaram códigos visuais históricos em seus rebrandings. A Cracker Barrel foi outra que voltou atrás e recuperou seu símbolo clássico, após enfrentar forte rejeição do público.
Esses movimentos não acontecem por acaso. Vivemos um momento de explosão de novas marcas. De acordo com o ConJur (Consultor Jurídico), o número de pedidos de registro de marca no Brasil cresceu 143% na última década, atingindo pico histórico em 2024. Nesse cenário de proliferação, mostrar tradição, legado e longevidade tornou-se uma ferramenta poderosa de diferenciação. E, também, prova de capacidade de reinvenção de tempo em tempo. O passado virou um diferencial competitivo.
Isso não é tendência nova, nem exclusivamente brasileira. Em 2003, o escritor britânico David Boyle já observava, no livro Authenticity, que a busca por autenticidade se tornaria um dos principais motores do consumo contemporâneo. Desde então, o movimento só se intensificou.
Em minha pesquisa de mestrado, em 2016, investiguei o crescimento do vinil em plena era do streaming, um fenômeno movido exatamente por esse apelo à autenticidade. Em meu doutorado, o objeto mudou: estudo as cidades como produtos de consumo e como suas memórias são mobilizadas nos discursos de incorporadoras para comunicar edifícios de retrofit.
Em ambos os casos, o mecanismo é o mesmo: o passado como ferramenta de construção de valor no presente e combustível para o futuro.
A explicação para “por que as marcas que mudam demais e se desconectam de suas trajetórias geram revolta” – e para o fenômeno dos comebacks – é uma só: marcas são ativos da cultura! Do ponto de vista legal, pertencem a um CNPJ. Mas é na cultura que ganham vida, significado e permanência. É no imaginário das pessoas que as marcas de fato existem.
Isso propõe dois lembretes fundamentais para quem gerencia branding. Primeiro: marcas são lugares de referência, ajudam pessoas a se situarem no mundo, geram vínculos e constroem memórias afetivas. Segundo: reposicionar uma marca exige escuta para além da liderança e da análise da concorrência. É preciso investigar que espaços a marca ocupa na mente das pessoas – e respeitar isso.
Como já observou o semioticista Iuri Lotman, é na cultura que os sistemas simbólicos preservam e reorganizam suas memórias ao longo do tempo. Marcas com mais trajetória têm um privilégio maior no lastro do inconsciente coletivo. Mas não basta estampar um “Desde 1925” no rodapé do logo: é preciso demonstrar coerência, continuidade e conexão com a essência que faz aquela marca existir há tanto tempo.
A Volkswagen parece ter entendido isso muito bem. Quando fez uma campanha inteira apenas para se despedir da Kombi, quando relançou o Fusca com o nome original (deixando para trás o New Beetle), ou quando trouxe Elis Regina para tracionar seu lugar no futuro (em uma célebre e, também, polêmica campanha), a marca reconheceu algo importante: existe uma marca viva nas ruas, na boca do povo e na memória das pessoas que nenhum documento de reposicionamento apaga. A essência já está estabelecida. Os próximos passos precisam partir dela.
Em um momento em que as essências das marcas precisam ser reveladas com mais urgência do que nunca, criar um propósito desconectado da trajetória real resulta em mais uma frase salva em algum PDF esquecido nos computadores dos brand managers. Marca, negócio e experiência precisam andar juntos. Conectados pela essência, não por uma declaração de intenções sem raiz.
Por isso, sempre defendi que o papel do estrategista de marca não é criar algo novo, mas tornar visível aquilo que já existe. Revelar.
Marcas relevantes não vivem apenas nas decisões de compra. Vivem na cultura. E é na cultura que constroem seu maior valor – aquele capaz de transformar memória em ativo, e legado em vantagem competitiva real.
O novo papel dos influenciadores na estratégia de marca
Por Thiago Bispo
Por que o papel dos influenciadores mudou?
Existe a saturação da publicidade tradicional e queda de confiança em anúncios, os algoritmos priorizam conteúdo nativo e criadores, as audiências querem autenticidade, identificação e comunidade, e não apenas mensagens de venda.
Se antes os influenciadores tinham alcance e número de seguidores como principal critério, faziam ações pontuais e campanhas isoladas.
De fato, o conteúdo era engessado, com o produto no centro.
Agora, portanto, têm que buscar relevância, afinidade e capacidade de gerar conversa e manter relacionamentos de médio e longo prazo.
Ou seja, creators devem agir como cocriadores de conteúdo, embaixadores da marca, consultores culturais e até mesmo como desenvolvedores de produtos.
Creator como mídia
Dessa forma, o creator passa a ser visto como mídia, conteúdo e comunidade.
Assim, tem que entregar segmentação orgânica e contextual, ajudar marcas a furar bolhas algorítmicas e funcionar como complemento ou alternativa à mídia paga.
Deve, ainda, abranger conteúdo que domina linguagem, formato e timing da plataforma; cria narrativas mais humanas e críveis.
Por fim, o conteúdo deve ser reaproveitável em campanhas, ads e owned media.
Assim, também existem novos formatos de parceria.
Entre os quais, programas de embaixadores contínuos; cocriação de produtos, serviços ou coleções; conteúdo always-on em vez de campanhas pontuais.
Ainda, pode exercer o papel de hosts de lives, eventos e comunidades.
E, até mesmo, pensar em licenciamento de conteúdo para mídia paga (creator-led ads).
Porque, agora, as métricas que importam, além do alcance, são o engajamento qualificado (comentários, saves, shares), tempo de visualização e retenção; conversa gerada e sentimento; impacto em consideração, preferência e intenção de compra; e performance híbrida: branding + conversão.
Já o papel das marcas nesse novo cenário é exercer menos controle, mais colaboração; fazer briefings orientados por objetivos, não por scripts; ter escuta ativa da comunidade do creator; elaborar construção de relações de longo prazo; e ter entendimento profundo da cultura digital.
Como evoluir os agentes de IA para programática?
Por Lucas Reis
Há um debate de como será o padrão de agentes de inteligência artificial (IA) para mídia programática para que a agentic advertising (publicidade agêntica) evolua de anúncios baseados em regras para agentes autônomos que planejam e otimizam campanhas.
Por conta disso, existem algumas iniciativas no mundo numa espécie de corrida por padrões de agentes de IA para mídia programática.
Entre essas iniciativas, a maior parte aborda, sobretudo, a interoperabilidade.
Isso significa, portanto, que viabilidade tem os diferentes protocolos para que conversem entre si para permitir as transações entre compradores e vendedores de mídia.
Os Agentic Advertising Management Protocols (AAMP), por exemplo, são novos protocolos baseados em três pilares: fundações, protocolos e confiança.
Agentes de IA e a interoperabilidade
A interoperabilidade, como dito, é outro requisito para que esses padrões de agentes de IA aconteçam.
Nesse mundo da programática comandada por agentes de IA, a Agentic RTB Framework (ARTF) é a estrutura que permite que agentes participem de leilões (RTB) de forma segura de forma a reduzir a latência
Dessa forma, na evolução da programática, os agentes de IA funcionam como “gerentes de portfólio” porque alocam orçamentos com base em objetivos de longo prazo, diferentemente dos protocolos atuais que focam apenas no leilão.
Evolução dos agentes de IA na programática
Portanto, para evoluir para esses novos padrões de agentes de IA para programática, existem algumas questões:
– Quais são os princípios fundamentais de agentes e frameworks (Agentic AI) a serem considerados?
– Como devem ser os padrões de orquestração de agentes de IA?
– Quais são os fundamentos da IA agêntica para negócios e orquestração de experiência?
– Que importância tem o prompting na publicidade programática?
Neste mês, o webinar é com o convidado Lucas Reis, chairman da Zygon Adtech.
ChatGPT começará os testes com anúncios no Brasil
Por Sergio Damasceno Silva
O Brasil está entre os países que deve iniciar, nas próximas semanas, a fase piloto de anúncios no ChatGPT para o País.
Também estenderá essa fase para o México, Reino Unido, Japão, Coréia do Sul.
Os anúncios no ChatGPT começaram a ser testados nos EUA em janeiro deste ano, exclusivamente para usuários adultos dos planos de assinatura Gratuito e Go.
Já os planos Plus, Pro, Business, Enterprise e Education não terão anúncios, segundo a OpenAI, proprietária do ChatGPT.
Essa expansão dá continuidade ao piloto inicial dos Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia e reflete o crescente interesse de empresas em alcançar usuários em ambiente mais conversacional e intencional.
A OpenAI diz que, como parte da implementação, continuará a adotar abordagem cuidadosa para entender o que funciona melhor para usuários e anunciantes em diferentes regiões, sempre guiados pelos princípios de independência das respostas, privacidade e controle do usuário.
ChatGPT: sem impacto nas métricas
O piloto de anúncios tem como foco apoiar acesso mais amplo ao ChatGPT, diz a empresa, e preservar a confiança do consumidor, a utilidade e o controle do usuário.
“Não observamos impacto nas métricas de confiança do consumidor, as taxas de descarte de anúncios são baixas e seguimos melhorando a relevância dos anúncios à medida que aprendemos com o feedback. Esses sinais positivos dão suporte à nossa passagem para a próxima fase do nosso piloto”, afirma a OpenAI.
Quando começaram os testes de anúncios nos EUA, contudo, a OpenAI garantiu que o conteúdo patrocinado não seria exibido em contas de menores de 18 anos e não deveria aparecer próximos a temas sensíveis ou regulados, como saúde, saúde mental e política.
Diversificação de receita
Assim, a parceria com anunciantes dentro do ChatGPT é um dos caminhos que a OpenAI adota para a diversificação de receita.
A ideia, portanto, em linha com a estratégia de longo prazo da OpenAI, é ampliar a oferta de produtos que possam ser comercializados aos usuários e empresas.
Também é uma maneira, dessa forma, de manter a gratuidade de uma das versões, de forma a tornar a ferramenta mais acessível.
Em novembro de 2024, de fato, a plataforma introduziu uma funcionalidade que permite a consulta de produtos e compra diretamente pelos links indicados pelo chatbot com versão do GPT-5 mini.
Nesse caso, é preciso indicar o comando do produto desejado e, na sequência, a IA oferece diversas opções.
À época, também apresentou pesquisas de compras no ChatGPT Pulse, disponível para usuários do ChatGPT Pro.
Possuir ficou obsoleto
Por Clarice Santana e Luana Aquino
A economia circular deixou de ser um conceito aspiracional para se tornar uma urgência concreta. No Brasil, sinais positivos começam a surgir: segundo a Confederação Nacional da Indústria, em 2024,85% das indústrias brasileiras adotaram ao menos uma prática circular – reciclagem aparece em um terço das empresas, seguida pelo uso de matéria-prima secundária (30%) e pelo desenvolvimento de produtos mais duráveis (29%).
O contraste com o cenário global, porém, é evidente. A Circular Economy Foundationaponta que o mundo opera com apenas 7,2% de circulação, enquanto a Global Footprint Network estima que consumimos o equivalente a 1,75 planetas por ano.
Esse descompasso não é recente: desde 1970, a extração de recursos naturais triplicou, como mostra o relatório Global Resources Outlook, da Organização das Nações Unidas.
A transição energética, embora essencial, não é suficiente. AEllen MacArthur Foundation alerta que a eficiência energética pode atingir cerca de 55% das emissões globais. Os outros 45% estão ligados diretamente à forma como produzimos e consumimos, ainda ancorados na lógica linear de extrair, fabricar e descartar.
É nesse ponto que a economia do acesso ganha relevância. Modelos baseados em uso, e não em propriedade, mantêm produtos em circulação por mais tempo e reduzem a pressão sobre recursos naturais.
A Box24x7, startup residente do STATE (centro de inovação baseado em São Paulo) exemplifica esse caminho: oferece aluguel sob demanda de itens do dia a dia com entrega rápida. A lógica é simples: grande parte dos objetos que compramos permanece inutilizada por quase toda sua vida útil.
“Posse não é liberdade, é responsabilidade. Guardar, manter, limpar, ocupar espaço… tudo isso é custo invisível. Não tentamos convencer no discurso. Convencemos na experiência”, explica Fabio Ginzel, CEO da Box24x7.
Para o cofundador Artur Carvalho, o modelo funciona porque “a necessidade é temporária, mas a vontade é imediata”. De airfryers a power banks, itens comuns ganham nova vida em contextos específicos.
O desafio, portanto, não é apenas tecnológico, mas cultural. A economia circular exige menos acúmulo e mais inteligência no uso. Menos propriedade e mais acesso. E, sobretudo, uma revisão profunda sobre o que realmente precisamos manter e o que já poderia estar circulando.
Humanidade como estratégia
Por Jorge Pacheco
O futuro do trabalho não será decidido apenas por algoritmos. A partir de 2026, a inteligência artificial deixará de ser diferencial para se tornar infraestrutura, como a eletricidade foi um dia.
O The Future of the Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, projeta que 59% das habilidades atuais precisarão ser atualizadas até 2030, enquanto 39% tendem a se tornar obsoletas.
Crescem as competências analíticas, criativas e socioemocionais. A tecnologia avança; o que se torna escasso, e estratégico, é o humano.
Concordo com Renata Rivetti quando afirma que a grande mudança necessária é direcionar o olhar para o ser humano, e não apenas para o resultado do trabalho.
Em um ambiente híbrido, globalizado e orientado por dados, conectar repertórios, transitar entre áreas e resolver problemas complexos passa a valer mais do que executar tarefas repetitivas, cada vez mais automatizadas.
O alerta, porém, é contundente. O State of the Global Workplace 2025, da Gallup, revela que apenas 21% dos profissionais estão engajados no mundo. Em outras palavras, quatro em cada cinco trabalhadores não se sentem conectados às empresas em que atuam.
No Brasil, estresse e exaustão seguem em alta. Ignorar saúde mental não é apenas insensibilidade; é erro estratégico. Absenteísmo, rotatividade e queda de produtividade já impactam os resultados.
Outro ponto decisivo são os espaços de trabalho. Parte das empresas tenta impor o retorno ao presencial sem rever cultura e propósito. As que têm êxito fazem o oposto: transformam escritórios em polos de conexão, colaboração e troca genuína.
A neurociência organizacional mostra que ambientes diversos ampliam criatividade e inovação. Hubs e espaços compartilhados favorecem encontros improváveis – e a inovação raramente nasce do pensamento homogêneo.
No modelo híbrido, não basta reunir pessoas fisicamente; é preciso criar rituais, objetivos comuns e experiências significativas.
Há o risco de romantizar o futuro enquanto mantemos lideranças presas ao século 20. Bem-estar não pode ser benefício periférico em estruturas adoecidas.
É urgente revisar jornadas, modelos de gestão e métricas de sucesso. Talvez seja hora de permitir que parte do modelo atual desmorone para que outro, mais sustentável, possa surgir.
Se o futuro do trabalho pudesse ser resumido em uma palavra, seria humanidade. Não como retórica, mas como estratégia competitiva.
Em um mundo onde produtos se copiam e serviços se replicam, o diferencial sustentável está na empatia, no pensamento crítico, na criatividade e na colaboração. A tecnologia será onipresente. O humano, não.
E é exatamente por isso que ele estará no centro.
Por que Guaraná Antarctica e Renner estão juntos na Copa?
Por Ana Serra
A Renner e o Guaraná Antarctica anunciaram o lançamento de uma coleção colaborativa em edição limitada voltada para o público que acompanha o futebol brasileiro. Prevista para chegar às lojas físicas e ao e-commerce em 19 de maio, a linha é composta por 21 itens, incluindo camisetas, polos e acessórios como bonés, meias e lenços, todos inspirados em momentos históricos da seleção nacional.
De acordo com Juliana Frasca, diretora de estilo da Renner, a coleção foi pensada para incorporar elementos tradicionais do refrigerante e do futebol à modernidade da varejista: “Isso se materializa em estampas, grafismos e detalhes que equilibram passado e presente, além de modelagens que transitam entre o esportivo e o urbano, permitindo composições versáteis — do look de torcida a produções mais elaboradas”.
A iniciativa representa a maior incursão da Ambev em parcerias de vestuário até o momento, visando expandir a presença da marca Guaraná Antarctica em novos pontos de venda e territórios de estilo de vida. Para a varejista de moda, o projeto reforça a estratégia de se conectar a movimentos culturais e criar experiências de consumo que vão além do vestuário comum.
“A escolha de Guaraná partiu de uma conexão genuína com a cultura brasileira — um território que também é central para a Renner. Com este projeto, enxergamos a oportunidade de unir duas marcas profundamente enraizadas na cultura do país, criando algo único, relevante e cheio de significado”, destaca Renata Altenfelder, CMO da Lojas Renner S.A..
Comercializada em mais de 430 unidades da rede em todo o Brasil, a coleção aposta na fusão entre a estética esportiva e o estilo urbano, utilizando uma paleta de cores que revisita tons tradicionais do país sob uma perspectiva contemporânea. “Isso se materializa em estampas, grafismos e detalhes que equilibram passado e presente, além de modelagens que transitam entre esses dois estilos focais”, explica Frasca.
A campanha de lançamento é protagonizada pelo streamer Brino e pela influenciadora Laura Brito, buscando estabelecer um diálogo entre diferentes gerações. A escolha de ambos, conforme detalha Altenfelder, representa justamente a união do nostálgico com o moderno: “A presença do Brino e da Laura reforça esse encontro, traduzido na alegria de torcer pela Seleção”.