Todo mundo fala que a TV está morrendo – 10.07.2026

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Você vai ler na coluna hoje: Todo mundo fala que a TV está morrendo, É muito comum encontrar empresas que confundem os papéis entre Comercial e Trade Marketing, O shopping ressignificado: um negócio de comunidade e cultura, Tem uma coisa que muita empresa só percebe quando já perdeu gente boa demais, Mesa Temática debate desenvolvimento econômico e inovação na revisão do Plano Diretor de Canoas, Quando estar sempre disponível virou sinônimo de comprometimento?, Reflexão sobre maturidade e pessoas importantes, Como o espanto com Sacerdotes, alquimistas e mágicos migrou para a inteligência artificial?

 

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Todo mundo fala que a TV está morrendo.

Por José Travagin

Trabalho com mídia há 26 anos. Ouço isso há pelo menos 20.
Os dados de janeiro de 2026 da Kantar IBOPE dizem outra coisa: canais de TV aberta e paga concentram 72,4% do consumo de vídeo no Brasil. O YouTube — com todos os seus milhões de criadores — fica com 15,5%. O VOD inteiro, incluindo Netflix, Prime e Globoplay juntos, com 12,1%.
Mas o dado que mais me impressiona não é esse.
É o seguinte: a TV aberta chega a esses números com basicamente cinco emissoras. O YouTube chega nos seus com milhares de canais.
Pense nisso por um segundo.
Não estou dizendo que o digital não importa. Estou dizendo que quem decretou o fim da TV errou a análise — e provavelmente está errando a verba também.
A TV não morreu. Ela dividiu a tela. E quem entende essa diferença vende mais.

É muito comum encontrar empresas que confundem os papéis entre Comercial e Trade Marketing.

Por Rubens Sant´Anna

Em muitos casos, as fronteiras não estão claras.
Onde termina a responsabilidade de vendas?
Onde começa a responsabilidade do Trade?
Quem deve puxar o sell-in?
Quem deve garantir o sell-out?
A verdade é que essas duas frentes não podem ser tratadas como mundos separados.
Sell-in e sell-out são processos complementares, interdependentes e totalmente conectados.
O sell-in garante a entrada do produto no cliente, mas sem sell-out ele pode virar excesso de estoque, baixa rentabilidade e pressão por desconto.
Já o sell-out depende de execução, campanha, visibilidade, abastecimento, material de PDV e ativação, mas também precisa de uma boa negociação comercial para existir.
Por isso, o ponto central não é criar uma disputa entre Comercial e Trade.
O ponto é definir papéis, responsabilidades e mecanismos de atuação para que as duas áreas trabalhem em sinergia.
Vendas tem um papel fundamental na negociação, no relacionamento, no volume e na abertura de oportunidades.
Trade tem um papel essencial na transformação dessas oportunidades em giro, conversão e resultado no ponto de venda.
Quando cada área entende seu papel, o processo flui melhor.
Quando uma invade ou ignora a função da outra, começam os conflitos.
No fim, uma empresa madura não separa sell-in de sell-out.
Ela conecta os dois.

O shopping ressignificado: um negócio de comunidade e cultura

O que três dias no 19º Congresso da ABRASCE revelaram sobre o que potencialmente sustentará um shopping center no futuro.

Por Gustavo Schifino

Tive a honra de subir ao palco do 19º Congresso Internacional da ABRASCE para contar como foi nossa imersão na China. Mas, antes de falar, assumi um compromisso com a ABRASCE: ao final de cada dia, fazer um alinhavo do conteúdo, e no encerramento conectar tudo. Um super desafio, sem PPT ou qualquer recurso durante a fala. Fiquei como sempre fico, tenso, mas foi incrível. Não pela entrega, que a generosa audiência tornou ótima, mas principalmente porque me fez ficar cem por cento atento a todos os conteúdos, o que raramente consigo nos eventos.

Então este artigo é o sumo do sumo, a matéria-prima da consistência. Esse conteúdo caberia em qualquer grande evento global ligado a shopping center. Sem alma de viralata aqui: foi o melhor conteúdo que já assisti dessa indústria no mundo. Foi espetacular. Parabéns, ABRASCE. Leiam este artigo até o final, não vão se arrepender.

Ricardo Cavallini, da Singularity, deu nome ao que estava no ar. O que fizemos até aqui foi medíocre”, não no sentido de ruim, mas no sentido original da palavra. Mediano. Climatizar, dar segurança, conveniência e vender deixou de ser conquista e virou o piso. E o problema de viver no mínimo é que ele nunca foi o nosso destino.

Doug Stephens nos levou a 1956, quando Victor Gruen desenhou o Southdale Center, em Minneapolis, Minnesota, o primeiro shopping fechado do mundo. Gruen não sonhava com uma caixa de lojas, e sim com uma praça coberta, um coração urbano cercado de moradias, escolas e vida. Anos depois, renegou publicamente a paternidade daquilo que o mundo passou a chamar de shopping, dizendo que o modelo havia traído sua ideia. Virou compra. Deixou de ser encontro. E aqui está a chave do momento atual. Se o pai chegou a negar o filho, talvez o shopping nunca tenha sido, de verdade, um negócio imobiliário, e sim um negócio de cultura e pertencimento.

No Brasil, o shopping quase sempre foi mais do que ponto de venda. Foi segurança, climatização, lazer e vendas. Mas agora parece evidente que precisa acentuar, ou iluminar, algo a mais: cultura e comunidade.

Os números da ABRASCE comprovaram o que sentimos. O tempo médio de permanência saltou de cerca de oitenta minutos, há cinco anos, para mais de três horas hoje, e lazer aparece em mais de noventa por cento das menções sobre o que o shopping representa. As pessoas continuam comprando, mas não vão mais pela compra. Vão pelo encontro.

E isso fica mais decisivo a cada dia, porque vivemos um mundo híbrido, em que a inteligência artificial começa a resolver nossas dores antes mesmo que a gente formule o problema. A próxima massa de tomate da sua casa talvez nunca mais seja escolhida num corredor de supermercado. Talvez ela simplesmente chegue, como parte da receita que seu assistente sugeriu para o jantar com os amigos. Se comprar vai ser cada vez mais automático e invisível, a pergunta que deveria tirar o sono de todo empreendedor é brutal. Por que alguém ainda vai sair de casa?

A resposta não está no produto, porque o produto chegará sozinho. Marcus Collins nos ensinou que marcas e lugares precisam conhecer profundamente as pessoas, seus códigos culturais e seus pertencimentos, para conseguir tocá-las de verdade. Estevan Sartoreli, da Dengo, mostrou que esses ambientes podem ir além da venda e até melhorar a saúde mental de quem os frequenta. A oportunidade do setor é ser um lugar que, ao conhecer melhor o cliente, não vende apenas mais, mas acolhe mais.

Fred Gelli traduziu isso na imagem mais bonita do Congresso. Os recifes de coral ocupam uma fração mínima dos oceanos e, ainda assim, concentram uma das maiores biodiversidades do planeta. A vida se aglomera em volta deles. Shoppings sonham em ser corais. Ocupam uma parte limitada da cidade, mas podem concentrar encontros, marcas, cultura, memória, afeto e comunidade. O que faz a vida se aglomerar em torno do coral não é o espaço. É o pertencimento, é resolver necessidades, por vezes invisíveis, dos seus visitantes.

Foi isso que Doug Stephens nomeou ao dizer que o shopping deixou de monetizar espaço para monetizar audiência, com três avenidas de futuro: mídia, entretenimento e hospitalidade. Nada disso mata o varejo. Valoriza ainda mais o varejo que gera desejo e comunidade, o que vira destino e não obrigação. Mas muda o papel de quem empreende. Como disse Cavallini, o empreendedor não é apenas uma empresa de real estate, e sim o responsável pelo sistema operacional de uma jornada de experiência. E nenhum sistema entrega essa experiência sozinho. Quem entrega são os lojistas, todos os dias, no atendimento e na vitrine. Por isso a relação entre empreendedores e lojistas precisa deixar de ser uma mesa de negociação de aluguel para assumir o que de fato é. Uma coautoria. Uma sociedade em busca da melhor experiência. O jardim é o shopping, as flores são os lojistas.

Precisamos, então, enterrar um medo antigo. O concorrente do shopping nunca foi o online. O concorrente do shopping é o tédio. E quem briga contra o tédio precisa abrir as portas para o que ainda não cabe no manual de locação: modelos híbridos, marcas nativas digitais em busca de corpo físico, serviços, gastronomia, cultura, creators e comunidades. O futuro raramente chega com o contrato pronto, mas chega para quem deixou a porta aberta.

No fundo, tudo aponta para duas palavras. Pierre Mantovani, da Omelete, lembrou que comunidades são grupos de pessoas apaixonadas por algo em comum. Se eu tivesse que resumir a nova era dos shopping centers, escolheria comunidade e cultura. Não porque soam bonitas, mas porque são exatamente aquilo que um algoritmo não entrega na porta da sua casa. São a parte do nosso negócio que a inteligência artificial não automatiza nem substitui. São, portanto, a parte mais valiosa.

Doug Stephens disse que o Brasil pode ser protagonista dessa fase, e eu acredito nisso. Não por otimismo ingênuo, mas porque nós já sabemos transformar espaço em encontro. Sempre soubemos, como disse Glauco Humai, presidente da associação. Estamos diante de uma escolha. Continuar administrando metros quadrados ou começar a orquestrar pertencimento. Continuar alugando espaços ou começar a desenhar futuros. Continuar sendo destino de compra ou se tornar lugar de vida.

No final do dia, escolheremos o coral, pois lá somos felizes, humanamente felizes.

Tem uma coisa que muita empresa só percebe quando já perdeu gente boa demais.

Por Luciana Regina Mascari
Não é falta de salário, não é falta de oportunidade, não é nem mercado.
É convivência mal cuidada por tempo demais.
Já vi ambientes onde uma pessoa claramente difícil, que desrespeita, que gera ruído, que desgasta todo mundo, continua ali porque “entrega resultado”. Enquanto isso, do outro lado, quem segura a rotina, quem ajuda, quem constrói junto começa a ficar cansado.
No começo, é só um incômodo pequeno. Uma situação aqui, outra ali. Nada “grave o suficiente” para uma decisão.
Mas o tempo vai fazendo o resto.
O bom profissional começa a falar menos, a se envolver menos, a se proteger mais. Até que um dia ele não quer mais crescer ali, só quer sair em paz.
E quando ele vai embora, quase sempre a pergunta é a mesma: “como a gente perdeu alguém tão bom?”
A resposta, muitas vezes, não está na saída dele. Está no que a empresa deixou permanecer por tempo demais.
Ambiente não se perde de uma vez. Ele vai sendo corroído em silêncio, no dia a dia, nas pequenas concessões que parecem inofensivas.
E no fim, cultura não é discurso. É o que a gente tolera quando ninguém está olhando.

Mesa Temática debate desenvolvimento econômico e inovação na revisão do Plano Diretor de Canoas

Encontro na próxima segunda-feira (13) discutirá estratégias para fortalecer a economia, estimular a inovação e consolidar o conceito de Cidade do Conhecimento no planejamento urbano do Município

A Prefeitura de Canoas promove, na próxima segunda-feira (13), mais uma Mesa Temática da revisão do Plano Diretor Urbano Ambiental (PDUA). Com o tema “Desenvolvimento Econômico e Cidade do Conhecimento”, o encontro será realizado das 14h às 16h30, na Associação dos Servidores Municipais de Canoas (Rua Nerci Pereira Flores, 179, Centro), reunindo representantes da sociedade civil, entidades, instituições e a comunidade para contribuir com a construção do futuro da cidade.

A revisão do PDUA tem como objetivo atualizar as diretrizes do desenvolvimento urbano de Canoas diante dos desafios atuais e futuros, especialmente após os impactos provocados pelas enchentes de 2024. A participação da população é um dos pilares desse processo, permitindo que diferentes setores da sociedade apresentem sugestões e propostas para o planejamento do município.

Nesta etapa, o debate estará voltado ao desenvolvimento econômico como um dos principais vetores para tornar Canoas uma cidade mais próspera, inovadora e com mais oportunidades para a população. O tema envolve a criação de um ambiente favorável para a instalação e expansão de empresas, a geração de empregos, o fortalecimento do comércio, da indústria, dos serviços, da economia criativa e do empreendedorismo.

A discussão também abordará fatores fundamentais para impulsionar esse crescimento, como infraestrutura de qualidade, mobilidade urbana eficiente, segurança jurídica, qualificação profissional e um planejamento urbano capaz de atrair novos investimentos.

Outro destaque da Mesa Temática será o conceito de Cidade do Conhecimento, que reconhece a educação, a pesquisa, a inovação e a tecnologia como elementos essenciais para o desenvolvimento econômico e social. A proposta busca integrar universidades, centros de pesquisa, empresas, poder público e sociedade na construção de soluções inovadoras, no estímulo a novos negócios, no aumento da competitividade e na preparação da cidade para os desafios do futuro.

As Mesas Temáticas integram o processo participativo de revisão do Plano Diretor Urbano Ambiental e têm o objetivo de ampliar o diálogo com a sociedade, assegurando que o planejamento de Canoas reflita as necessidades e as perspectivas da população para os próximos anos.

Quando estar sempre disponível virou sinônimo de comprometimento?

Por Luciana Regina Mascari

Há alguns anos, responder uma mensagem de trabalho à noite era uma exceção.

Hoje, para muita gente, virou rotina.

O celular toca durante o jantar.

Chega uma mensagem no grupo da empresa em um domingo.

Uma reunião termina e outra já é marcada para o início da manhã seguinte.

As férias são interrompidas por uma ligação “rapidinha”.

E, sem perceber, começamos a acreditar que estar sempre disponível faz parte do que significa ser um bom profissional.

O mais preocupante é que essa mudança aconteceu de forma silenciosa.

Ninguém acordou um dia e decidiu abrir mão do próprio tempo.

Isso aconteceu aos poucos.

Respondendo uma mensagem porque “era só dessa vez”.

Levando o notebook para casa “por precaução”.

Aceitando mais uma demanda para demonstrar comprometimento.

Até que o extraordinário se tornou rotina.

E aquilo que deveria ser exceção passou a ser esperado.

Ao longo da minha experiência em Recursos Humanos, tenho observado um comportamento que merece atenção.

Muitas pessoas não estão exaustas apenas pelo volume de trabalho.

Elas estão cansadas porque nunca conseguem sair dele.

Existe uma diferença importante entre trabalhar muito em determinados períodos e viver permanentemente em estado de alerta.

Quando a mente permanece conectada o tempo todo, ela deixa de encontrar espaço para descansar.

Mesmo quando o expediente termina.

Mesmo quando o computador é desligado.

Mesmo quando o corpo está em casa.

Porque o trabalho continua ocupando um espaço invisível.

Ele permanece nas notificações.

Na ansiedade de verificar o celular.

Na preocupação com a reunião do dia seguinte.

Na sensação de que qualquer demora para responder pode ser interpretada como falta de interesse.

Esse tipo de desgaste raramente aparece de uma vez.

Ele vai sendo construído em pequenas escolhas que, isoladamente, parecem inofensivas.

Responder uma mensagem fora do horário.

Cancelar um compromisso pessoal.

Adiar as férias.

Almoçar em frente ao computador.

Levar trabalho para o fim de semana.

Nenhuma dessas atitudes parece grave quando acontece uma única vez.

Mas quando se repetem durante meses ou anos, deixam de ser um esforço pontual e passam a moldar a forma como nos relacionamos com o trabalho.

E é justamente nesse momento que surge uma pergunta importante.

Será que estamos valorizando profissionais comprometidos?

Ou estamos premiando aqueles que aprenderam a nunca se desconectar?

Essa reflexão também precisa chegar às lideranças.

Muitas vezes, a intenção nunca foi criar um ambiente de pressão.

Uma mensagem enviada à noite pode parecer apenas uma necessidade operacional.

Uma ligação fora do expediente pode ser vista como urgência.

Um elogio ao colaborador que está sempre disponível pode soar como reconhecimento.

Mas toda liderança comunica, inclusive quando não percebe.

Quando apenas quem responde imediatamente é visto como engajado, uma mensagem silenciosa começa a ser construída dentro da equipe.

Estar disponível o tempo todo virou expectativa.

E expectativas repetidas acabam se transformando em cultura.

A consequência é que muitas pessoas deixam de estabelecer limites por medo de serem interpretadas como menos comprometidas.

Com o tempo, descansar gera culpa.

Desconectar gera ansiedade.

Dizer “não consigo hoje” passa a parecer falta de dedicação.

É nesse ponto que o equilíbrio entre vida pessoal e trabalho deixa de ser uma escolha individual.

Ele passa a ser um reflexo da cultura construída diariamente pelas organizações e pelas lideranças.

Isso não significa que empresas não enfrentem momentos de alta demanda.

Nem que profissionais nunca precisarão fazer esforços extras.

A realidade do mercado exige flexibilidade em diferentes situações.

O problema surge quando a exceção deixa de ser exceção.

Quando a urgência se torna permanente.

Quando a disponibilidade constante passa a definir quem é considerado comprometido.

Como profissional de Recursos Humanos, acredito que o verdadeiro compromisso não deve ser medido pelo tempo em que alguém permanece conectado.

Deve ser percebido pela qualidade das entregas, pela responsabilidade, pela colaboração e pela confiança construída ao longo do tempo.

Cuidar da saúde mental nas organizações não depende apenas de programas de bem-estar.

Depende, principalmente, das pequenas mensagens que transmitimos todos os dias.

Da forma como reconhecemos as pessoas.

Do respeito aos limites.

Da coerência entre aquilo que defendemos e aquilo que praticamos.

Talvez o futuro do trabalho não esteja em encontrar profissionais cada vez mais disponíveis.

Mas em construir ambientes onde as pessoas possam entregar o seu melhor sem sentir que precisam abrir mão da própria vida para provar seu valor.

E termino com uma pergunta que deixo para líderes, gestores, profissionais de RH e também para cada um de nós:

Quando foi que começamos a admirar quem nunca se desconecta… em vez de admirar quem consegue trabalhar com excelência sem deixar de viver?

A maturidade ensina, às vezes com certa ironia, que existem pessoas que somem no sol, no calor das conquistas, na calmaria dos dias bons… e reaparecem pontualmente quando a tempestade cai.

Por Ester Morgan

Nessas horas, não querem conversa, afeto ou troca, querem apenas abrigo, e de preferência seco, confortável e sem esforço.

Gente interesseira tem radar, elas sentem quando você está forte, disponível, bem resolvido, com recursos emocionais, profissionais, financeiros ou até contatos. E do nada surgem com um “oi sumida”, um pedido disfarçado de carinho e uma urgência que nunca é sua.

Passou a chuva, o guarda-chuva volta dobrado… ou nem volta. E você fica ali, encharcado, tentando entender onde errou!!!

Mas o ponto não é endurecer o coração, mas sim amadurecer o olhar para entender que amizade verdadeira não chega só na tempestade, ela aparece antes, durante e depois.

É sobre quem te liga sem agenda, quem celebra suas vitórias sem inveja, quem te escuta sem pressa e te confronta quando precisa, mesmo que doa. Amigo de verdade não usa você como abrigo temporário, ele caminha ao seu lado, faça sol ou faça chuva.

Em tempos de redes sociais, curtidas fáceis e relações descartáveis, cultivar amizades reais virou quase um ato revolucionário. Exige presença, tempo, entrega e intenção, e principalmente exige escolher melhor para quem você oferece seu guarda-chuva, sua energia e o seu coração.

A reflexão que eu quis trazer hoje, não é sobre negar ajuda a ninguém, é sobre parar de se molhar por quem nunca se importou se você estava seco, e além disso sobre aprender a valorizar, cuidar e proteger quem sempre esteve ali, mesmo quando o céu estava azul.

Durante séculos, o espanto pertenceu aos sacerdotes, aos alquimistas, aos mágicos. Eram eles que nos faziam olhar para algo e perguntar: “Como isso é possível?”

Por Walter Longo

Curiosamente, esse território mudou de endereço. Hoje, o espanto migrou para a tecnologia. O que uma inteligência artificial faz em segundos, o que um robô executa com precisão ou o que um algoritmo descobre em meio a milhões de dados produz um assombro que, há poucas décadas, pareceria magia.

Talvez por isso tanta gente ainda enxergue a IA pela lente errada. O debate insiste em girar em torno dos empregos que ela pode substituir, quando a discussão mais relevante deveria ser sobre o tempo que ela pode devolver. A tecnologia é moralmente neutra; o uso que fazemos dela é que não é. Se uma tarefa que consumia horas agora pode ser resolvida em minutos, a questão deixa de ser tecnológica e passa a ser humana.

O que faremos com esse tempo recuperado? Estudar mais, conviver mais, refletir mais, viver mais. No fundo, a grande promessa da inteligência artificial não é a automação. É a possibilidade de nos dedicarmos menos ao repetitivo e mais àquilo que nos torna humanos.

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