Ave Serra reforça posicionamento no mercado de churrasco – 29.09.20226

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Você vai ler na coluna hoje: Ave Serra reforça posicionamento no mercado de churrasco, Pedro Brair, fundador e presidente da Rede de Farmácias São João, é a Personalidade de Marketing e Vendas 2026, Serra Gaúcha presente no CongregaRH, O futuro já chegou e ainda estamos discutindo se a experiência tem prazo de validade, Quanto mais a IA pensa por nós, mais precisamos aprender a pensar, O Futuro do Trabalho Não Tem Idade, A próxima disputa das marcas, A referência de confiança mudou de lugar, “O Marketing não sabe falar a língua do negócio”, Nike: a marca que não perdeu o nome, perdeu a razão de ser escolhida, Quando a marca deixa de disputar categorias e passa a atender estilos de vida.

 

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Ave Serra reforça posicionamento no mercado de churrasco

Novo momento da marca de alimentos apresenta Tia Gaúcha como embaixadora e celebra a entrada no churrasco

No Sul do Brasil, linguiça é quase sinônimo de churrasco. Mas, para a Ave Serra, o produto vai muito além da brasa. É a partir dessa ideia que a marca da Granja Pinheiros, empresa de alimentos com sede em Presidente Lucena (RS), celebra seus 45 anos com novidades. Uma delas é a Tia Gaúcha, personagem interpretada pelo ator e criador de conteúdo Rafa Hack (@rafahack_), como sua nova embaixadora.

A parceria também marca a estreia do ator em uma campanha que ultrapassa o ambiente digital, combinando ações on e off-line nas principais praças do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Ao longo de 2026, a Tia Gaúcha estará à frente das novidades da Ave Serra, apresentadas em diferentes formatos de mídia.

A campanha, idealizada pela agência Protarget, parte de um hábito profundamente ligado à cultura: a presença da linguiça no churrasco. A proposta da Ave Serra é ampliar esse imaginário e mostrar que o produto também pode ganhar espaço em diferentes momentos e preparos do dia a dia – da air fryer ao forno, da frigideira ao feijão, do petisco ao lanche.

“No Sul do Brasil, a linguiça é fortemente associada ao churrasco, mas seu potencial vai além da brasa. Ela pode estar em diferentes momentos e ocasiões”, destaca o diretor administrativo da Granja Pinheiros, Roberto Kehl.

A escolha da Tia Gaúcha reforça justamente essa proximidade com os hábitos do consumidor do Sul. Com linguagem descontraída e identificação regional, a personagem passa a representar a Ave Serra em uma comunicação que dialoga com diferentes perfis e mostra novas formas de consumir os produtos.

Além da brasa
A estratégia construída pela agência Protarget acompanha um movimento da Ave Serra de expansão de portfólio e de territórios de consumo. No mês em que completou 45 anos, a Granja Pinheiros apresentou sete novidades na Expoagas 2026, uma das principais feiras supermercadistas do Sul do país, incluindo produtos voltados ao churrasco, à air fryer, às refeições cotidianas e a momentos de celebração.
O principal destaque é a nova linha de Linguiças Ave Serra para o churrasco, apresentada em três versões: linguiça de frango, desenvolvida para facilitar o preparo no espeto; linguiça de churrasco, feita com filé de peito de frango e pernil suíno; e linguiça para parrilla, produzida com cortes como coxa, sobrecoxa e filé de peito.

“A Ave Serra tem uma história muito ligada ao consumidor e queremos ampliar essa relação. O churrasco é uma ocasião muito importante para nós, e nosso portfólio permite estar presente nesta e em outras ocasiões. A Tia Gaúcha chega para ajudar a contar essa história de uma forma leve, próxima e com a identidade que tem tudo a ver com a nossa região”, reforça o diretor Roberto Kehl.

Sobre a Granja Pinheiros
Fundada em agosto de 1981, em Nova Petrópolis (RS), a Granja Pinheiros completou 45 anos em agosto de 2026, consolidando-se como uma das principais referências da avicultura brasileira. Neste ano, inaugurou um dos incubatórios mais modernos do Sul do país, e ampliou seu processo de expansão com a aquisição de uma unidade de recria. É responsável pela marca Ave Serra e está presente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.

Pedro Brair, fundador e presidente da Rede de Farmácias São João, é a Personalidade de Marketing e Vendas 2026

De vendedor de picolé, na infância, a presidente da 4ª maior rede de farmácias do país, legado de Pedro Brair é reconhecido pelo Conselho de Administração da ADVB/RS. Primeira loja foi adquirida aos 20 anos de idade, no interior gaúcho; hoje, rede tem mais de 1,2 mil unidades e 13 milhões de clientes na região Sul do país

O fundador e presidente da Rede de Farmácias São João é a Personalidade de Marketing e Vendas 2026. A escolha reconhece o legado empreendedor de Pedro Brair no desenvolvimento e no incentivo à cultura de marketing e vendas à frente da maior rede de farmácias do Sul do país e a quarta maior do Brasil. A distinção será entregue na próxima quinta-feira (1º/10), durante a cerimônia de premiação do Prêmio TOP de Mkt, a partir das 17h, no Vista Pontal, em Porto Alegre.

Esta é a única categoria do prêmio que não passa por inscrição e pelo júri: o nome do homenageado é indicado e votado pelos membros do Conselho de Administração da ADVB/RS. “A escolha da Personalidade de Marketing e Vendas é, talvez, uma das atividades mais complexas na governança da ADVB/RS. Nomes são apresentados, discutidos entre conselheiros e diretores na busca de um consenso, sempre muito difícil. O RS tem muitas personalidades com destaque regional, nacional e até global. A escolha deste ano reflete um exemplo de empreendedorismo, de capacidade de inovação e de posicionamento no mercado, além de formação de um time de pessoas comprometidas com os clientes. É um orgulho para a ADVB/RS reconhecer o trabalho de Pedro Brair na liderança das Farmácias São João.”, explica o presidente do conselho de administração da ADVB/RS, Carlos Biedermann.

“Para mim, esta premiação representa a validação de um propósito: o de construir marcas que se conectam de verdade com as pessoas, geram valor e que têm coragem de inovar em um mercado tão competitivo. É a prova de que, quando caminham juntos, desejo, fé e esforço transformam a realidade em resultado”, diz Pedro Brair, sobre a distinção.

Empreendedorismo precoce
Filho de agricultores e o mais velho de cinco irmãos, Brair nasceu em Santa Rosa (RS), no noroeste gaúcho, e começou a vida de empreendedor ainda na infância: aos 9 anos, ele vendia picolés, frutas e vassouras de palha para ajudar no sustento da família, em Santo Augusto (RS), onde cresceu. Aos 14, ele se mudou para Iraí, na divisa com Santa Catarina, onde trabalhou como atendente na farmácia dos tios. Depois da experiência no balcão e, posteriormente, como auxiliar de enfermagem em hospitais da região, aos 20 anos, em 1979, Brair comprou a primeira farmácia, em Campo Novo (RS), dando início à trajetória como empreendedor no setor farmacêutico.

A partir dos anos 2000, a expansão da rede ganhou força com a transferência da sede para Passo Fundo (RS), cidade que também foi palco, em 2016, da inauguração do Centro de Distribuição e Operação Administrativa da rede. Em 2023, Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre, também acolheu um amplo centro de distribuição, e a São João atingiu a marca de 1.000 lojas. Hoje, são 1.250 unidades e 25 mil colaboradores que geram um faturamento próximo de R$ 10 bilhões.

Com a missão de cuidar da saúde, a rede investe também no legado social. Entre as ações, a revitalização de hospitais, como a ampliação do Hospital da Brigada Militar em Porto Alegre, realizada recentemente.

Sobre o TOP de Mkt
O TOP de Mkt ADVB/RS, principal reconhecimento das boas práticas de marketing e vendas do Sul do Brasil, completa 43 anos em 2026 com recorde de 138 cases inscritos. Referência no desenvolvimento da cultura do setor no Rio Grande do Sul, o projeto contribui para a identificação, disseminação e valorização dos melhores cases de marketing e vendas, além de premiar com as distinções Ouro, Prata e Bronze os mais bem avaliados entre todos os vencedores da edição, por um grupo de jurados diversificado e gabaritado. O acompanhamento do processo seletivo e a consolidação dos dados são realizados pela BakerTilly Brasil, responsável pela guarda das informações, com apoio e acompanhamento jurídico do escritório Freire Saraiva. O TOP de Mkt também concede o

reconhecimento de Personalidade de Marketing e Vendas a um profissional que tenha incentivado o desenvolvimento da cultura de marketing e vendas no Rio Grande do Sul. Em 2025, o homenageado foi Alexandre Heineck, presidente do Conselho de Administração da Docile.

Serra Gaúcha presente no CongregaRH

Marcus Rossi, CEO da Gramado Summit, leva a experiência de empreendedor para conversa sobre engajamento, propósito e liderança. Bate-papo ocorre no dia 30 de setembro, às 14h05, no Palco Principal.

A Serra Gaúcha estará representada no CongregaRH 2026, um dos maiores encontros de gestão de pessoas do Sul do Brasil. O CEO da Gramado Summit, Marcus Rossi, leva a experiência de quem está à frente de um evento de inovação e empreendedorismo para uma conversa sobre engajamento, propósito e liderança. O painel ocorre no dia 30 de setembro, às 14h05, no Palco Principal do Centro de Eventos da PUCRS, em Porto Alegre.

Com o tema “Marcas Gaúchas que Imaginam e Constroem o Futuro: liderando times que sonham grande”, o bate-papo conta também com a presença de Caroline Torma, diretora-executiva de Marketing e Entretenimento do Grupo RBS, e mediação da consultora de RH Ali Silveira.

Realizado pela ABRH-RS, o CongregaRH 2026 ocorre de 30 de setembro a 2 de outubro e tem como tema “Quem Imagina o Futuro?”. Além do palco principal e da feira de negócios, o evento conta com duas arenas de palestras sobre tendências de mercado, tecnologia e liderança.

O futuro já chegou e ainda estamos discutindo se a experiência tem prazo de validade

Por Jeferson Motta

Pela primeira vez, há mais idosos do que crianças de até 5 anos no mundo. E a população idosa deve dobrar até 2060.

O dado é demográfico. Mas suas consequências são econômicas, sociais e, principalmente, profissionais.

O problema é que o mercado de trabalho ainda trata o envelhecimento como exceção, quando ele já é parte estrutural da sociedade.

Não basta viver mais. É preciso garantir que as pessoas possam trabalhar, contribuir, empreender, aprender e continuar sendo reconhecidas por sua capacidade, não descartadas pela idade.

É exatamente nesse ponto que o Movimento 50+ Contra o Etarismo Brasil atua.

A longevidade não pode ser acompanhada pela redução de oportunidades. Uma sociedade que envelhece precisa de empresas preparadas para a diversidade geracional, políticas públicas que valorizem a experiência e um mercado de trabalho que abandone a ideia de que juventude é sinônimo de competência.

O futuro não será apenas dos jovens. Será de todas as gerações.

E a pergunta que precisamos fazer é: estamos preparando o mercado para essa realidade ou continuamos tentando ignorá-la?

Quanto mais a IA pensa por nós, mais precisamos aprender a pensar

Por Cezar Taurion

Refletindo aqui. Depois de mais de quatro décadas trabalhando com tecnologia, percebo que boa parte do que hoje chamo de experiência não veio das respostas que encontrei.

Veio do caminho que precisei percorrer para encontrá-las. Dos programas que não funcionaram. Das hipóteses que pareciam corretas e não eram. Dos textos que reescrevi. Das decisões que precisei rever. Das discussões em que descobri que meu argumento era mais frágil do que imaginava.

Foi esse processo, repetido milhares de vezes, que ajudou a construir algo difícil de definir: julgamento. Por isso, quanto mais uso IA, mais uma questão me inquieta.

Estamos criando ferramentas extraordinariamente capazes de eliminar esforço intelectual. Mas começamos a tratar todo esforço como ineficiência. E talvez esse seja um erro.

Escrever não serve apenas para produzir um texto. Escrevendo descobrimos o que pensamos. Pesquisar não serve apenas para encontrar respostas. Procurando aprendemos a distinguir evidência de opinião.

Programar não serve apenas para produzir software. Depurando aprendemos a formular hipóteses e conviver com o erro. Até a dificuldade tem uma função. Nem toda fricção intelectual é desperdício.

A IA agora pode remover grande parte dessa fricção. Eu mesmo a utilizo intensamente e não tenho qualquer nostalgia de um mundo sem ela.

O paradoxo é que, quanto melhor a IA se torna, mais precisamos de pensamento crítico para perceber quando ela está errada. Mas, quanto mais terceirizamos para ela o trabalho intelectual, menos exercitamos justamente a capacidade necessária para questioná-la.

Isso me preocupa especialmente quando penso em quem está começando. Um profissional experiente percebe que algo “não parece certo” porque passou anos errando, comparando, revisando e corrigindo. Seu julgamento foi construído antes que pudesse terceirizar essas etapas.

Mas como formaremos os próximos profissionais experientes se começarmos a eliminar justamente o percurso que ajudava a formá-los?

Estamos medindo a revolução da IA com uma régua incompleta. Calculamos horas economizadas, tarefas automatizadas e aumento de produção. Não contabilizamos o conhecimento que deixamos de construir quando uma máquina percorre o caminho intelectual em nosso lugar.

Não defendo usar menos IA. Defendo usá-la sem terceirizar nossa responsabilidade de pensar. Preservar momentos para formular hipóteses antes do prompt, escrever antes da sugestão, tentar antes da resposta e explicar uma conclusão sem recorrer novamente ao modelo.

Pensamento crítico não é um patrimônio adquirido para sempre. É uma capacidade construída pelo exercício. E aquilo que deixamos de exercitar pode atrofiar. O maior risco da IA é descobrirmos, tarde demais, que nos acostumamos a pensar cada vez menos.

O Futuro do Trabalho Não Tem Idade

Por Líbero Miguel Garcia

Tenho mais de 62 anos de idade. Mais de 44 anos de trajetória profissional. Mais de 37 anos em cargos de gestão e liderança. E não, eu não quero parar de atuar profissionalmente.

Mas a pergunta que deixo para o mercado é: e se o futuro do trabalho não tiver idade?

O preconceito etário nasce quando usamos a idade para explicar competência, abertura, capacidade de aprender ou valor profissional. Num mundo que associa juventude à inovação e experiência ao passado, corremos o risco de trocar a avaliação real por meros estereótipos. O desafio não é defender uma geração contra outra, mas compreender como essas crenças afetam oportunidades, aprendizagem, reconhecimento e participação.

Para entender esse cenário, precisamos analisar por quatro prismas fundamentais:

OLHAR SOCIOLÓGICO: A sociedade vinculou juventude à velocidade e maturidade à obsolescência. O problema começa quando “renovar a organização” passa a significar “rejuvenescer as pessoas”, confundindo transformação cultural com substituição geracional.

OLHAR ANTROPOLÓGICO: Quem tem 50 ou 60 anos hoje atravessou inúmeras transições: da máquina de escrever ao computador, do offline ao online, do telefone fixo ao smartphone e, agora, à inteligência artificial. Não estamos diante de uma geração que não mudou. Estamos diante de pessoas que precisaram reconstruir várias vezes sua maneira de trabalhar e viver.

OLHAR FILOSÓFICO: O verdadeiro valor não está na novidade pela novidade, nem na experiência que cristaliza práticas ultrapassadas. Está na capacidade de colocar repertório e aprendizagem em diálogo. O futuro não precisa escolher entre experiência e inovação; precisa impedir que uma exista sem a outra.

OLHAR PSICOLÓGICO: Dizer que os mais velhos não aprendem tecnologia cria barreiras invisíveis. Menos oportunidades geram menor exposição e maior insegurança — e o resultado é usado para confirmar o estereótipo. A pergunta correta é: que condições as empresas oferecem para que essas pessoas continuem aprendendo?

Para quebrarmos esses paradigmas de vez, deixo algumas provocações:
1️⃣ Se uma geração atravessou do analógico ao digital, em que evidência se sustenta a afirmação de que ela não consegue aprender IA?
2️⃣ Quem decidiu que juventude significa capacidade de adaptação e maturidade significa resistência?
3️⃣ A pessoa não acompanha a tecnologia ou deixou de ser convidada para aprender?
4️⃣ O problema está na idade das pessoas ou na idade dos nossos modelos mentais?
5️⃣ Estamos dispensando quem tem experiência e, simultaneamente, reclamando que quem chega ainda não tem repertório?

Talvez o problema não seja uma geração que não se adaptou.
Talvez sejam as organizações que ainda não aprenderam a integrar diferentes gerações.

Eu continuo pronto(a) para o futuro. E a sua empresa, está pronta para integrar esse repertório?

A próxima disputa das marcas

Por Agência Develop

As marcas estão disputando atenção. Mas talvez a próxima disputa seja por algo muito mais difícil: significado.

Estamos vivendo um momento em que as pessoas são expostas a mais conteúdo, mais publicidade e mais estímulos do que conseguem consumir. E, nesse cenário, chamar atenção ficou cada vez mais difícil. Além disso, fazer alguém sentir alguma coisa parece ser um desafio ainda maior.

A WGSN, no relatório Consumidor do Futuro 2027, coloca as emoções no centro das transformações no comportamento de consumo. Um dos dados que mais chama a atenção é que 70% dos consumidores desejam fazer parte de algo maior, de grupos e comunidades.

Isso diz muito sobre o momento que vivemos.

Ao mesmo tempo em que estamos cada vez mais conectados digitalmente, existe uma busca crescente por pertencimento, identificação e relações que tenham significado. A WGSN também aponta que 73% da Gen Z nos Estados Unidos dizem se sentir frequentemente sozinhos.

E isso não é apenas uma discussão sobre comportamento. Também é uma discussão sobre crescimento.

Segundo a Kantar, marcas com maior clareza emocional apresentam 58% de vantagem de crescimento de valor de marca em relação às marcas com menor clareza emocional.

Ou seja, emoção não é o oposto de estratégia. Ela pode ser parte da estratégia.

Para nós, esse é um dos grandes desafios das marcas nos próximos anos: não apenas entender o que as pessoas compram, mas entender por que determinadas experiências permanecem na memória e outras desaparecem rapidamente.

A referência de confiança mudou de lugar

Por Carlos Toillier

Na era da atenção, ser visto já não basta: é preciso ser escolhido. E crescer exige tomar as decisões que estamos adiando.

Essas três ideias atravessaram a palestra de Marcus Buaiz no evento Varejo 360, realizado pela Fecomércio-RS . Entre os pontos que trouxe para a minha reflexão, cinco merecem destaque:

A referência de confiança mudou. Na apresentação, Marcus mostrou um dado segundo o qual 41% da Geração Z procura primeiro as redes sociais quando precisa de informação. Para os veículos tradicionais, vejo aí um desafio e uma oportunidade: fortalecer sua credibilidade também nos ambientes em que essa geração estabelece suas relações.

A atenção é um recurso cada vez mais disputado. Passar mais tempo online não significa prestar mais atenção a uma marca. Em meio a tantos estímulos, clareza e relevância passam a ser condições para conquistar espaço.

Empresas precisam de vozes reconhecíveis. Lideranças e colaboradores podem aproximar a marca das pessoas quando compartilham conhecimento, visão e experiências reais. Protagonismo, nesse contexto, pede conteúdo e verdade.

Crescimento exige decisões desconfortáveis. Algumas oportunidades só se revelam depois que alguém assume o risco de defendê-las. E, à medida que o negócio evolui, também é preciso ter discernimento para mudar de papel, rever prioridades e encerrar ciclos.

Consistência constrói mais relevância do que viralização. Um conteúdo pode alcançar muita gente em um dia; confiança e preferência são resultado de uma presença coerente ao longo do tempo.

Saí da palestra com uma pergunta que vale para marcas, veículos e profissionais: estamos apenas buscando mais visibilidade ou construindo razões para que as pessoas confiem em nós?

“O Marketing não sabe falar a língua do negócio”. “Marketing é pra fazer campanha e gerar engajamento”. Sabe quantas vezes eu já ouvi ou li isso em algum lugar?

Por Mariana Passos

Uma pesquisa recente com centenas de líderes de marketing mostra que a pressão vinda do CFO e do CEO só cresce. Mas existe um descompasso, que acaba desgastando a relação e afastando o Marketing da estratégia da operação: enquanto 85% desses líderes dizem ser capazes de medir o ROI das campanhas, apenas 32% o medem de fato, segundo um relatório da Nielsen.

Não à toa, a presença de CMOs nos comitês executivos das maiores empresas do mundo caiu de 71% para 66% em só um ano, segundo levantamento da Spencer Stuart. Não é questão de falta de talento ou repertório. É um problema de governança: quando o Marketing opera isolado de outras áreas essenciais do negócio, cada um acaba defendendo a sua própria versão da verdade.

Por isso tenho tentado fazer diferente: ouvir antes de medir, buscar a mesma régua com as outras áreas, e mostrar que o KPI de Marketing impacta, sim, o negócio inteiro.

É por isso que, para mim, tem sido uma jornada incrível liderar o Marketing da Buk Brasil, lado a lado com o Christian Schmidt Brech, nosso Country Manager. Acredito que as melhores decisões de negócio acontecem quando o Marketing está 100% envolvido, da estratégia à execução, de ponta a ponta.

Nike: a marca que não perdeu o nome, perdeu a razão de ser escolhida

Por Altair Correa Soares

Talvez você tenha parado de comprar Nike sem perceber exatamente por quê.

Não foi apenas pelo preço. Nem porque a marca deixou de ser famosa. Você parou porque, em algum momento, ela deixou de parecer indispensável.

A Nike passou a vender mais passado do que futuro: muitos clássicos, pouca inovação percebida; muita estética retrô, menos autoridade técnica; mais presença digital, menos presença onde o consumidor experimenta, compara e decide.

Ao se afastar do varejo multimarcas para priorizar o modelo direto ao consumidor, a empresa ganhou controle, mas perdeu capilaridade. Enquanto isso, #On, #HOKA, #ASICS e #NewBalance ocuparam espaços que antes pareciam naturalmente nikeanos: corrida, conforto, performance e comunidade.

A crise não é de notoriedade. É de relevância.

A Nike ainda tem atletas, tecnologia, distribuição global e um dos maiores patrimônios culturais do esporte. O que faltou foi transformar esses ativos em uma nova promessa.

A solução não é outra campanha. É outra entrega:

1. Criar o próximo ícone
Os clássicos continuariam fortes, mas financiariam novas plataformas de produto. Cada categoria precisaria apresentar inovações capazes de resolver problemas reais de atletas, não apenas novas combinações de cores.

2. Reequilibrar os canais
A Nike voltaria a tratar o varejo especializado como parceiro estratégico. Lojas de corrida, basquete e treinamento seriam espaços de experimentação, orientação e comunidade, não simples pontos de venda.

3. Transformar consumidores em praticantes
Clubes de corrida, treinos gratuitos, desafios locais e experiências presenciais conectariam o produto à evolução do cliente. Antes de vender um tênis, a marca ajudaria alguém a começar, ou continuar, no esporte.

4. Reconstruir a confiança pela prova
Menos discursos sobre inovação. Mais testes, dados, atletas envolvidos no desenvolvimento e demonstrações concretas de desempenho.

5. Pensar localmente
Na China e em outros mercados estratégicos, a Nike precisaria ouvir atletas, designers, varejistas e comunidades locais, em vez de apenas traduzir campanhas globais.

A pergunta não seria: “Como fazer o consumidor comprar Nike novamente?”

Seria: O que precisamos entregar para que ele sinta que comprar Nike é voltar a acreditar no próprio potencial?

É por isso que tanta gente parou de comprar.

Mas, se a Nike voltar a criar produtos que surpreendem, apoiar quem pratica, estar onde as pessoas compram e provar que ainda entende o futuro do esporte, a decisão também pode mudar.

Porque o consumidor não abandonou a Nike por falta de memória.

Abandonou porque esperava mais.

E marcas realmente grandes não recuperam prestígio pedindo atenção. Recuperam entregando motivos para serem escolhidas novamente.

Quando a marca deixa de disputar categorias e passa a atender estilos de vida

Por Daniela Klaiman

Durante muito tempo a lógica das marcas era construir relevância dentro de uma categoria específica. Agora, com consumidores cada vez mais orientados por necessidades e momentos de vida, começa a fazer sentido pensar menos em “qual mercado eu disputo?” e mais em “quais necessidades dessa mesma pessoa eu consigo atender?”

É daí que nasce uma nova lógica de empresas, que passam a expandir sua presença para diferentes contextos de consumo e construir relações mais recorrentes ao longo da vida do consumidor.

A Lojas Renner S.A. é um exemplo muito interessante desse movimento no Brasil, e vem conectando moda, lifestyle, casa e serviços financeiros dentro de um mesmo ecossistema.

Essa é uma mudança gigantesca: de uma lógica category-centric para life-centric e essa transição pode redefinir onde termina uma marca e começa outra categoria.

 

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