Você vai ler na coluna de hoje: A integração omnicanal com IA pode transformar o serviço de varejo, Maximídia 2025: um mergulho na criatividade que (ainda) nos torna humanos, Uma Análise do MAXIMIDIA 2025, A Fábrica De Gurus: Quando O Discurso Substitui A Sabedoria, Adeus, Carrefour: supermercado decide vender 700 lojas e está de saída desse país, 14 anos sem Steve Jobs: Apple se prepara para nova sucessão no comando, Ler muda seu cérebro por dias, TV te deixa passivo em minutos: estudos mostram diferença brutal em linguagem, atenção, memória e conexões sociais, Setor produtivo culpa Bolsa Família pela falta de mão de obra, Os jovens da elite tech do Vale do Silício abandonaram o álcool: sua nova “festa” é trabalhar 92 horas, CEO da NVIDIA diz que chips chineses de IA estão apenas “alguns nanossegundos” atrás dos EUA, Novo método elimina até 92% de resíduos plásticos presentes na água em duas horas e Os líderes sênior são mestres, mas também falham se não continuarem a aprender.
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A integração omnicanal com IA pode transformar o serviço de varejo
Solução integra voz, WhatsApp, chat e e-mail com automação e análise para que varejistas ganhem eficiência e fidelidade
Com o rápido avanço digital e as crescentes demandas dos consumidores brasileiros, as empresas de varejo enfrentam um desafio urgente: oferecer um serviço integrado, consistente e inteligente em lojas físicas, e-commerce e atendimento ao cliente. Segundo estudo da Opinion Box, 90% dos consumidores esperam uma estratégia omnicanal. Além disso, 77% já utilizaram mais de um canal de compra para a mesma marca, segundo dados do Consumidor Moderno.
Nesse contexto, a Total IP+IA oferece aos seus parceiros integração multicanal com Inteligência Artificial (IA) para impulsionar a transformação digital no varejo. A solução conecta voz, chat , WhatsApp e e-mail , automatiza o pós-venda e monitora a qualidade com Speech Analytics .
Benefícios da integração multicanal
Para Ariane Abreu, diretora de negócios e parcerias da Total IP+IA, há uma série de vantagens para os empreendedores. Veja:
Verdadeira integração de canais: o cliente transita entre a loja física, o e-commerce e o atendimento sem precisar “reiniciar” o atendimento.
Pós-venda automatizado : rastreamento de pedidos, status de entrega e promoções personalizadas.
FAQ inteligente para comércio eletrônico : os bots resolvem consultas simples e encaminham apenas solicitações complexas para a equipe humana.
Análise de fala : transforma chamadas em dados acionáveis para treinar equipes e evitar erros.
Consultoria estratégica: a Total IP+IA oferece suporte à implementação, ao design da jornada e ao treinamento para garantir que cada interação se torne uma oportunidade.
“Nossa missão é garantir que cada ponto de contato com a marca gere valor, não apenas resolva um problema. Valorizamos o atendimento ao cliente como um diferencial competitivo no varejo”, afirma Ariane. “Não basta simplesmente implementar bots ou chats : precisamos orquestrar jornadas inteligentes que acompanhem o cliente do início ao fim.”
A solução já está disponível para pequenas, médias e grandes empresas. A implementação é personalizada, em fases modulares, e inclui integração com sistemas de ERP, CRM e logística. Os clientes podem começar com um único módulo (por exemplo, pós-venda automatizado) e expandir conforme o desenvolvimento.
De acordo com um relatório da consultoria Allied Market Research, o mercado global de Contact Center como Serviço (CCaaS) deve atingir US$ 19,8 bilhões até 2031, com forte demanda na América Latina, segundo dados apresentados no IT Forum. A Total IP+IA prevê que o Brasil será um dos polos de adoção dessa tecnologia, especialmente no varejo.
Além dos seus pontos fortes em tecnologia, a empresa oferece vantagens em consultoria: treinamento intensivo para a equipe interna do cliente, design personalizado da jornada de varejo, suporte contínuo e adaptação ágil com base nos resultados. “Não vendemos software padronizado . Nosso compromisso é garantir o progresso de cada cliente com a solução e alcançar resultados concretos, como redução do custo por contato, aumento da fidelidade e aumento do desempenho de vendas”, afirma Ariane.
Maximídia 2025: um mergulho na criatividade que (ainda) nos torna humanos.
Por Fernando Silveira*
Entre os dias 30 de setembro e 02 de outubro, vivi intensamente o Maximídia 2025, promovido pela Meio & Mensagem em São Paulo. Sem dúvida, uma enxurrada de tendências, provocações e insights. Mas, acima de tudo, uma certeza: a criatividade humana continua sendo o coração pulsante da comunicação. Se fosse resumir numa frase, diria que foi um dos mais importantes encontros sobre o futuro da publicidade, das marcas e, claro, da IA. E o grande tema que atravessou o evento não estava apenas nas telas ou nos slides, mas nas entrelinhas: a tecnologia é incrível, mas não substitui o humano.
A discussão sobre IA e emoção ficou evidente em painéis como “Solidão e IA terapeuta”, que trouxe o alerta de que a inteligência artificial está cada vez mais presente nas relações humanas, mas nem sempre com profundidade real. Afinal, um algoritmo pode até ouvir, mas jamais sentir.
Outros momentos trouxeram a inspiração necessária para equilibrar razão e sensibilidade. No Papo de CEO, Juliana Sztrajtman (Amazon) e André Felicíssimo (P&G) reforçaram que inovação e resultados não nascem do controle, e sim da confiança, da escuta e da clareza de propósito. O evento também deu palco às reflexões sobre ESG e inovação social, mostrando que marcas legítimas não “comunicam o que fazem”, mas fazem o que comunicam. E quando o assunto foi OOH, ficou claro que o meio está vivendo um renascimento espetacular — tecnológico, criativo e mensurável como nunca. Entre os grandes nomes que encerraram cada dia, Selton Mello, Rebeca Andrade e Mônica Martelli lembraram que emoção, talento e autenticidade continuam sendo os ativos mais valiosos — dentro e fora das telas.
Outro ponto alto, no meu modo de ver, foi o painel “Agências em transformação: como holdings globais e grupos locais abrem novas frentes de negócios?”, muito bem conduzido pela jornalista Isabela Lessa (Meio & Mensagem), que muito bem conduz o podcast quinzenal A Ideia, o qual recomendo fortemente a todos. O painel contou com os talentosos Eduardo Simon, CEO, Galeria, e Chairman, Galeria Holding; Luiz Fernando Musa, CEO, Grupo Ogilvy Brasil e Fundador, DAVID; e o incrível Luiz Lara, Chairman, Grupo TBWA e Presidente do CENP. Neste momento ficou claro a força das full agency na evolução, consolidação e valorização das marcas. O papel das agências de propaganda ficou evidente e trouxe luz a qualquer pequena sombra que ainda insistia em questionar ao grande agente transformador da publicidade brasileira e mundial.
Por outro lado, mesmo diante de apresentações tecnológicas como a GETV da Globo ou o “The Red Print” do Google, o recado foi direto: as ferramentas mudam, mas o olhar humano é insubstituível. O Maximídia 2025 foi, portanto, mais do que um evento — foi um lembrete de que a criatividade não pode ser automatizada. Podemos (e devemos) usar a IA como parceira estratégica, mas jamais como substituta da sensibilidade, do insight e da empatia que só nós, humanos, somos capazes de gerar. Em tempos de algoritmos brilhantes e prompts cada vez mais precisos, é bom lembrar: a publicidade ainda é feita de gente, para gente. Portanto, atenção ao pensamento, sentimento, sensação e intuição, pilares vitais nos caminhos sociais e econômicos.
*Fernando Silveira é sócio-fundador da Integrada Comunicação Total e Presidente da ARP
Uma Análise do MAXIMIDIA 2025
Felipe Saft Eugênio
Semana passada aconteceu, em São Paulo, a 39ª edição do Maximídia, organizado pelo Meio & Mensagem. Em quase 40 anos de evento, foi minha primeira participação. Então, peço desculpas de antemão se eu escrever alguma obviedade ou parecer um pouco deslumbrado. Por ser um evento tão tradicional da publicidade e da comunicação, finalmente tive a oportunidade de estar presente.
O tema geral foi “Discutir o agora. Construir o futuro”, e a abordagem é muito voltada para lideranças, quem faz a gestão e toma as decisões das organizações de comunicação e marketing. Durante três dias, a dinâmica foi dividida em palestras online pela manhã e presenciais ao longo das tardes, no Hotel Unique. A estrutura do evento foi excelente, com bastante espaço para ativação de marcas e dos patrocinadores — afinal, até mesmo CEOs e CMOs gostam de brindes. Inclusive, achei bem equilibrada a presença das marcas, entre tradicionais e novas: de Globo e Disney a Google e Eletromídia.
Os temas das palestras e painéis foram bem variados, cobrindo diversas áreas da comunicação — de gestão de pessoas, reputação e cultura até performance, creator economy e modelo de negócio. Como não poderia faltar, inteligência artificial apareceu bastante, mas de uma forma diferente, mostrando como essa ferramenta já está muito assimilada na cultura corporativa.
Abaixo, fiz uma nuvem de palavras com os termos que mais apareceram nas palestras que acompanhei, com bastante destaque para um dos fundamentos do nosso trabalho: entender e estar atento ao comportamento do consumidor. Para dar uma visão geral do que foi falado, quebrarei o texto em quatro temáticas.

Estratégias de Negócios e Inovação em Modelos
Talvez um dos temas que mais interessou as pessoas ao longo do evento tenha sido as discussões com as lideranças de agências, justamente sobre o futuro delas. O público queria respostas, mas a última coisa que conseguiu foi isso, pois a tônica é que não existe um modelo de negócio ganhador, um formato infalível. O modelo de negócios ideal para uma agência é aquele que funciona para ela. Claro que isso abre espaço para muito teste, inovação e criatividade. É justamente entendendo as novas dinâmicas e necessidades de mercado que as agências podem criar novas divisões, oferecer outros serviços e fugir do modelo tradicional de fee e/ou comissionamento apenas.
Por estar longe do mercado de agências de São Paulo, algumas conversas também se mostraram distantes da realidade do Rio Grande do Sul, principalmente quando se tratava de grandes grupos de comunicação, holdings, aquisições e fusões, multinacionais ou a opção de permanecer independentes. O único consenso foi sobre o sucesso do modelo brasileiro: da excelência criativa e da presença de profissionais de mídia em todo o processo, ao contrário do que as agências gringas costumam fazer. Eu, como head de mídia, pensei: “é isso aí!”.
Comportamento do Consumidor, Comunicação e Mídia
Quando começo qualquer trabalho, entender o comportamento do consumidor é o primeiro passo para propor qualquer coisa. Ao longo das palestras, ficou evidente a importância dessa compreensão para montar estratégias e identificar tendências.
Todos os patrocinadores tinham direito a 30 minutos de palestra, e achei incrível a decisão da NEOOH de, ao invés de usar esse tempo todo para falar sobre si, chamar ao palco um profissional de neuromarketing que, ao detalhar o funcionamento do cérebro na tomada de decisão, aplicou esse conhecimento ao mercado de comunicação. Em resumo, a publicidade é como quando alguém nos pergunta o que almoçamos ontem: simplesmente não lembramos. Por isso, a melhor estratégia é reter a atenção por meio da repetição, com um circuito de recompensa que seja de fácil compreensão. É o básico, mas nem sempre é o que vemos.
Outros dois pontos que também mudaram bastante a dinâmica da comunicação são a creator economy e o streaming. O primeiro, vive uma fase de maturidade e de maior profissionalismo. As empresas já possuem seu orçamento para essa frente, os criadores e criadoras sabem muito bem como conectar as marcas às suas comunidades, então o grande desafio do momento é como realizar a mensuração dessas ações.
Já o streaming ainda está dando uma bagunçada legal em todo o ecossistema. Na palestra do Google sobre o YouTube, vimos na tela um rapaz assistindo um vídeo longo em um celular na horizontal escorado em um copo enquanto almoçava e uma menina consumindo shorts na TV da sala: é completamente inversa à lógica do que foi criado e como estão utilizando. É claro, a nova dinâmica de consumo de esporte, completamente multiplataforma, com uma linguagem menos formal, com muita interação e o desafio de manter a credibilidade do jornalismo nesse espaço tão volátil.
Temas Sociais, Cultura e Governança (ESG)
Assim como a IA, o ESG foi um dos pontos mais debatidos nos últimos anos em eventos e palestras, mas recentemente deu a impressão de ter perdido seu protagonismo, ou seja, passado o hype, as empresas deixaram de lado seu comprometimento. Inclusive, esse foi justamente um dos pontos levantados pelo painel “Inovação Social”, onde se questionou se o retrocesso da sociedade com pautas sociais e ecológicas tinha ligação com isso. Não houve uma confirmação, foi colocado mais como outro desafio a ser solucionado, enquanto deram preferência em olhar para o que está sendo feito de positivo.
Talvez até como resposta, a organização do evento foi muito coerente em colocar muitas mulheres no palco para discutir os assuntos que o Maximídia estava se propondo a conversar, e não apenas o reforço de estereótipo de uma liderança de uma grande companhia. Mais do que discutir os temas, é bom vê-los em prática.
Inteligência Artificial (IA) e Transformação Tecnológica
Meu desejo é que muito em breve, quando eu fizer um novo texto sobre algum evento, eu não tenha que fazer um trecho só para tratar de IA. E pelo que parece, isso está muito perto de acontecer. Nos últimos anos chegou a ser insuportável a quantidade de vezes que esse tema foi abordado, mas o que eu tenho sentido é que passado um pouco do encantamento, a Inteligência Artificial deixou de ser uma divindade mágica que chegou para mudar tudo e passou a fazer parte do nosso cotidiano.
Nesse ponto, o consultor e ex-Publicis Rishad Tobaccowala soltou uma boa provocação: dizer que sua empresa utiliza IA é como dizer que sua empresa utiliza eletricidade, já não é mais nenhuma vantagem competitiva. Então ao longo de todo o evento, os participantes compartilharam casos em que soluções de IA estão ajudando a acelerar processos e testes.
Certamente uma das discussões mais profundas do tema aconteceu no início do evento, quando foi discutido o uso de plataformas de IA como terapeutas, uma resposta à tendência chamada de epidemia da solidão — algo que parece extremamente distópico, mas dados apontam que 23% da população se diz solitária, com um alto grau entre jovens. E essas plataformas são produtos que foram criados e treinados para que os usuários passem mais tempo os utilizando, reforçando ideias e instruídas a não confrontar as pessoas, algo que vai completamente na contramão da terapia. Esse é o tipo de pauta que rende muito mais do que um painel de 30 minutos e achei interessante colocarem na programação, para gerar um certo desconforto nos participantes. Pronto, militei.
Conclusão
Não tenho a expectativa de ir a algum evento e sair de lá cheio de ideias inovadoras, ver coisas completamente inéditas com a sensação do cérebro entrar em combustão. Tem evento o tempo todo e conteúdo por todo lado. O Maximídia foi muito certeiro quando sintetizou seu tema em “Discutir o agora. Construir o futuro”, pois foi exatamente isso que foi entregue. Boas discussões sobre o que está acontecendo na comunicação, visões sobre mudanças de comportamento e como isso irá afetar o futuro — e não apenas no mundo do marketing e agências.
A Fábrica De Gurus: Quando O Discurso Substitui A Sabedoria
Por Mateus Piveta
Talvez, assim como eu, você deve ter observado a enorme quantidade de novos eventos sobre empreendedorismo, inovação e criatividade que se somam aos diversos já existentes e que nasceram no intervalo de 10 anos no máximo.
Um aspecto positivo desse movimento é a democratização de conteúdos que, anteriormente, eram exclusividade de um grupo restrito, aqueles que podiam arcar com ingressos caros para eventos nacionais ou mesmo viagens internacionais. A escassez de acesso fazia com que quem participasse de um evento grandioso retornasse como uma espécie de guru, já que poucos conseguiam tal façanha.
O lado preocupante é que, para preencher a grade de centenas de horas desses novos e gigantescos eventos, iniciou-se uma procura frenética por palestrantes. Sabemos que, muitas vezes, quando a prioridade é o volume, a qualidade é comprometida. As palestras que antes traziam um conhecimento profundo tornaram-se superficiais. O momento, que deveria ser de aprendizado, transformou-se em mais uma oportunidade de entretenimento, por meio de discursos bem ensaiados e apresentações impecavelmente construídas. Com frequência, saímos de lá com uma nova piada na memória, mas com poucos ensinamentos ou provocações genuínas capazes de nos transformar.
Não sei dizer ao certo que veio antes, os palcos ou os palestrantes, mas a certeza que tenho é que atualmente a maioria dos palestrantes não surgiram de forma orgânica dos “Ecos de Ancestralidade”, aquela sabedoria reverberante que atravessa gerações e traz consigo a conquista da excelência. Eles são fabricados, produtos de uma linha de montagem que identifica um vazio (oportunidade de mercado) e o explora com um discurso brilhante, porém oco, as vezes até equivocado e perigoso para quem opta por seguir.
Tudo impulsionado pelas redes sociais e pelo sentimento de abundância de informações que estão disponíveis a nós todo o tempo. A pergunta deixou de ser uma busca autêntica e se tornou uma mera solicitação de dados, a conversa perdeu sua profundidade e tornou-se “vazia”, enfraquecendo a conexão entre as pessoas.
Essa curiosidade dialógica que vem se extinguindo nas novas gerações não é um simples “fazer perguntas”. É a arte da busca conjunta, a humildade de reconhecer que não se detém a verdade absoluta e que o outro, com sua experiência única, pode revelar uma faceta do mundo que você sozinho nunca veria.
E é nesse deserto dialógico que a indústria de gurus se fortaleceu. Hoje qualquer voz que se erga com confiança soa como a de um profeta. A nova geração de influenciadores, muitas vezes desenraizada e sem compreensão dos ecos que a constitui, percebeu que não é preciso ser, basta parecer.
Existem diversas pessoas sérias, competentes e experientes por aí. Cabe a nós reaprendermos a fazer melhores perguntas. Segundo a pesquisadora Sherry Turkle do MIT, nos conectamos através das redes para fugir da complexidade das conversas face a face. Preferimos textos a vozes, e-mails a encontros, porque podemos controlar a interação. E quando fazemos isso acabamos atrofiando nossa mente, passamos a ser menos críticos, com poucas referências e isso favorece ainda mais esse universo.
Sou a favor de eventos, palestras, rodadas de conversa e todo tipo de encontro, presencial ou virtual, que sirva para troca de ideias e experiência. Acredito que cada pessoa tem uma história incrível, um orgulho ou um aprendizado. Todo mundo já passou por desafios e cada um os enfrentou de uma forma diferente e única. Porém, nem toda história precisa ser contada em um palco. E isso me lembra uma frase do Marty Cagan, uma das maiores referências em gestão de produtos digitais:
Só porque investimos tempo e esforços para criar um produto potente não significa que alguém deseja comprá-lo. (Cagan, 2020)
E é sobre isso, basta só uma bela história, uma fórmula ou conceito que você investiu muito tempo para desenvolver. Isso não necessariamente deve se tornar uma palestra ou torna você um especialista. Dessa forma, será que estas pessoas estão conquistando um espaço ou preenchendo uma lacuna na programação desses inúmeros eventos, que procuram quantidade de palestrantes para usar como grande diferencial de seu produto?
A minha crítica reside, especificamente, na quantidade de “gurus” espalhados por ai que tem como principal critério de sucesso o número de seguidores nas redes. Posso, e faço, essa crítica a mim mesmo. Vivo um momento de me questionar: O que faz alguém querer me ouvir? Qual impacto positivo eu posso deixar em cada um? E o que me credencia para estar na posição de palestrante? E assumo para vocês, nem sempre eu consigo responder essas perguntas, o que me leva a ficar de fora de alguns palcos por ai.
E você? Tem a mesma sensação eu eu? Ou é apenas uma reclamação descabida de um “velho” ranzinza?
Adeus, Carrefour: supermercado decide vender 700 lojas e está de saída desse país
Por Alan da Silva
O Carrefour está em uma movimentação estratégica significativa ao buscar compradores para suas cerca de 650 lojas na Argentina. Essa iniciativa integra uma reestruturação global com o objetivo de concentrar seus esforços em mercados considerados mais estáveis, como Brasil, França e Espanha.
As lojas seguem operando normalmente, mas espera-se que o anúncio do comprador ocorra até este mês de outubro de 2025. A empresa contratou o Deutsche Bank para liderar o processo de avaliação e negociação, com ofertas estimadas entre US$ 800 milhões e US$ 1,5 bilhão.
Quem está na corrida para comprar as lojas?
A venda das operações Carrefour na Argentina atrai o interesse de vários grupos. Destacam-se Coto e Francisco De Narváez, do grupo GDN, além de fundos internacionais interessados no potencial de revitalização do mercado varejista argentino.
Por que o Carrefour está deixando a Argentina?
O Carrefour atua na Argentina desde 1982 e conquistou uma posição sólida no mercado. No entanto, a instabilidade econômica e condições locais comprometeram a rentabilidade. Estes fatores motivaram a revisão de suas operações para focar em áreas com maior potencial de crescimento e estabilidade, como estabelecido pelo plano de reestruturação global.
A potencial saída do Carrefour pode causar transformações no setor de consumo argentino, que já enfrenta dificuldades. A transferência de lojas a novos operadores apresenta desafios, mas também oportunidades para revitalizar o varejo.
14 anos sem Steve Jobs: Apple se prepara para nova sucessão no comando
Por Marcelo Fischer Salvatico
Há 14 anos morria, o mundo perdia uma de suas mentes mais brilhantes. Em 5 de outubro de 2011, aos 56 anos, morria Steve Jobs, visionário que revolucionou a relação entre tecnologia e criatividade. Ironia do destino, o executivo se foi um dia após o lançamento do iPhone 4S e da assistente virtual Siri.
Cofundador da Apple em 1976, Jobs transformou uma pequena garagem em Cupertino, na Califórnia, no berço de inovações que moldaram a atual era digital.
Com uma visão que combinava design, funcionalidade e propósito, sua filosofia deu origem a produtos como o Macintosh, o iPod, o iPhone e o iPad. Jobs via a tecnologia não como apenas uma ferramenta, mas como extensão da experiência humana.
Sua morte precoce, devido à complicações de um câncer, marcou o fim de uma das trajetórias mais marcantes da história empresarial moderna. Mas, seu legado continuou vivo na Apple: o foco na qualidade, a obsessão por simplicidade e a crença de que “as pessoas que são loucas o bastante para achar que podem mudar o mundo são as que o mudam”.
“Ele transformou a forma como pensamos design, experiência do usuário e integração de hardware, software e serviços. Ao colocar a estética e a simplicidade no centro da inovação tecnológica, Jobs inaugurou o conceito de tecnologia emocional, aquela que não apenas funciona, mas que conecta, inspira e gera pertencimento”, conta Paulo Henrique Fernandes, head de produtos e Tecnologia na V+ Tech.
A era pós-Jobs
Em 2011, já com complicações de saúde, Jobs se afastou do cargo de CEO da Apple e escolheu Tim Cook, então diretor de operações, como seu sucessor.
Sob o guarda-chuva de Cook, a Apple multiplicou seu valor de mercado, ultrapassando os trilhões de dólares, e expandiu a gama de produtos com relógios inteligentes, fones de ouvido sem fio e serviços de streaming. O executivo também foi responsável por tornar a empresa referência em sustentabilidade e privacidade digital.
Mas, prestes a completar 65 anos e em meio ao atraso da Apple na era da inteligência artificial, Cook está próximo da aposentadoria, talvez indesejada.
De acordo com o jornalista Mark Gurman, da Bloomberg, o atual vice-presidente sênior de engenharia de hardware da empresa, John Ternus, é o principal nome para o cargo de CEO.
O possível sucessor, Ternus, está na Apple desde 2001 e teve participação central na criação de produtos como o iPad, o iPhone e os AirPods. É engenheiro formado pela Universidade da Pensilvânia e foi peça-chave na transição dos Macs para utilização de chips próprios da linha Apple Silicon.
Aos 50 anos, mesma idade de Cook quando assumiu o cargo de CEO, Ternus é visto como uma forma da empresa se reaproximar de suas raízes de engenharia e inovação, na busca de estabilidade após terem a confiança abalada no mercado.
Os atrasos da Apple com a Siri alimentada com IA generativa fizeram a empresa perder um pouco de sua relevância com assistentes virtuais frente à concorrência do ChatGPT e do Gemini.
Inclusive, o chefe de IA da empresa, John Giannandrea, que é ex-Google, também corre risco de perder o cargo, no que a Bloomberg classificou como “fracasso estratégico” da divisão.
Caso Ternus de fato assuma o comando, a Apple pode se voltar novamente à engenharia de produto, em uma época em que software e IA são o novo campo de disputa.
Enquanto Jobs representava um gênio criativo e Cook um gestor pragmático, Ternus pode vir como uma fusão da técnica com a visão: um líder que conhece o DNA da Apple e pode reacender a inovação na companhia.
Ler muda seu cérebro por dias, TV te deixa passivo em minutos: estudos mostram diferença brutal em linguagem, atenção, memória e conexões sociais
Por Bruno Teles
Estudos científicos mostram que ler muda seu cérebro ao ativar regiões ligadas à linguagem, atenção, memória e empatia, enquanto a TV reduz o esforço cognitivo e provoca respostas rápidas e superficiais que afetam até suas conexões sociais
Entre as atividades culturais mais acessíveis, poucas têm um impacto tão profundo quanto a leitura. Diversos estudos mostram que ler muda seu cérebro por dias, fortalecendo áreas ligadas à linguagem e até ativando regiões sensório-motoras que fazem o leitor “viver” mentalmente as ações da história. Os efeitos permanecem após o fim do livro, o que melhora vocabulário, atenção e capacidade de compreender contextos complexos.
Já a televisão atua de modo oposto. O cérebro recebe o conteúdo pronto e reduz o esforço cognitivo. Em minutos, o corpo relaxa, a mente desacelera e o estado se torna passivo, o que limita a concentração e o raciocínio crítico quando o consumo é prolongado. A diferença entre ler e assistir não é moral, e sim neurológica e comportamental.
O que os estudos revelam
Pesquisas com diferentes faixas etárias confirmam que a leitura exige participação ativa.
Cada página obriga o cérebro a decodificar símbolos, criar imagens mentais e organizar informações abstratas em sequências lógicas.
Esse trabalho constante gera conexões entre múltiplas regiões cerebrais.
Já a TV oferece o pacote completo: imagem, som, contexto e emoção vêm prontos. O cérebro apenas acompanha.
Estudos com crianças mostraram que quanto maior o tempo diante da tela, menor o vocabulário e a expressão verbal. O raciocínio fica mais superficial, e a atenção se dispersa com mais facilidade.
Linguagem e vocabulário: por que ler fortalece mais
A leitura aciona áreas frontais e temporais envolvidas na compreensão de significado, sintaxe e associação de ideias.
Cada frase decodificada funciona como um exercício de reconstrução semântica, o que amplia repertório e melhora a comunicação.
A TV, por sua vez, entrega estímulos visuais e sonoros prontos. Não há necessidade de imaginar, prever ou completar lacunas.
Isso reduz a plasticidade verbal ao longo do tempo, especialmente quando o conteúdo é repetitivo. O resultado é um pensamento mais curto, voltado à reação imediata.
Atenção e memória: o treino silencioso da leitura
Ler exige foco sustentado e memória de longo alcance. O leitor precisa lembrar nomes, lugares, falas e desfechos.
Essa prática mantém o cérebro em modo ativo, favorecendo o raciocínio lógico e a concentração prolongada.
Ao contrário, o consumo de vídeos rápidos e sequenciais treina a mente para distrações curtas. A cada estímulo, o cérebro busca nova recompensa.
O ciclo se repete, diminuindo a tolerância a tarefas lentas. Ler muda seu cérebro justamente por restaurar o controle interno da atenção.
Conexões sociais e empatia
A leitura não apenas estimula a linguagem individual, mas aproxima as pessoas.
Estudos com pais e filhos mostraram que, ao ler juntos, o número e a qualidade das conversas aumentam significativamente. As interações se tornam mais profundas e afetuosas.
Já diante da TV, mesmo programas educativos geram trocas menores.
O adulto tende a comentar menos e a responder de forma superficial. Ler em conjunto, ao contrário, cria diálogo, curiosidade e senso de vínculo, fortalecendo a empatia e a compreensão emocional.
Passividade da TV: o efeito em minutos
Bastam poucos minutos de exposição para que o cérebro entre em modo de recepção automática.
As áreas de excitação e recompensa dominam, enquanto o córtex responsável pelo raciocínio complexo reduz a atividade. Esse relaxamento é prazeroso, mas diminui o engajamento intelectual.
Conteúdos informativos e documentários têm valor, mas exigem moderação.
O problema está no excesso e na rotina sem pausa. Quanto mais tempo se passa diante da tela, mais difícil se torna retomar tarefas que demandam concentração.
Como criar o hábito da leitura
Para ler mais, comece pequeno e com propósito. Escolha temas que realmente despertem interesse. Pode ser romance, biografia, ciência ou ficção. A regularidade importa mais que o volume.
Prepare o ambiente: deixe um livro visível, crie um ponto de leitura agradável e mantenha o celular longe.
Quinze minutos por dia antes de dormir já bastam para notar mudanças na clareza mental e na qualidade do sono. A leitura reeduca o foco e reduz o estresse.
Equilíbrio entre leitura e TV
Nem toda leitura é enriquecedora, e nem toda TV é rasa. O equilíbrio está na intenção e no conteúdo. A leitura estimula o pensamento lento e crítico, enquanto a TV pode informar e entreter quando usada de forma consciente.
A chave é definir qual efeito você quer cultivar: profundidade e retenção com livros ou estímulo rápido e momentâneo com vídeos. Alternar com consciência é o caminho mais saudável.
Setor produtivo culpa Bolsa Família pela falta de mão de obra
Por Karina Lignelli
A questão demográfica (queda na taxa de natalidade versus envelhecimento da população), o alto custo dos encargos sociais do regime CLT, a baixa produtividade e a falta de qualificação são algumas explicações encontradas para explicar o problema da escassez de mão de obra enfrentada por vários setores da economia.
Com a taxa de desocupação em 5,6% em agosto – a menor da série histórica do IBGE desde 2012, o que é considerado na linguagem econômica como ‘pleno emprego’ -, esse seria o momento ideal para revisar o assistencialismo e fazer uma espécie de redesenho em programas como o Bolsa Família, na tentativa de mitigar seus efeitos negativos no mercado de trabalho, incentivar a qualificação e minimizar os impactos do problema no dia a dia das empresas.
A questão foi tema de debate entre empresários e economistas que se reuniram para avaliar a conjuntura econômica no final de setembro na Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Para eles, em especial o Bolsa Família, atualmente com valor médio de R$ 671,54, têm colaborado para a redução de oferta de mão de obra, pois acaba levando especialmente jovens e pessoas de baixa escolaridade a trabalharem como informais ou por conta própria para não perderem o benefício.
O impacto negativo tem sido sentido em diversos ramos, como supermercados, padarias, agricultura e comércio em geral, com empresários relatando dificuldade crescente para preencher vagas – principalmente de baixa qualificação. Segundo Marcel Solimeo, economista-chefe da ACSP, a situação é mais grave em regiões com forte concentração de beneficiários, chegando a casos em que “há mais pessoas recebendo Bolsa Família que os empregados com carteira assinada.”
Esse movimento, que aumenta os gastos do governo e resulta em taxas de juros muito altas, acaba por agravar o problema fiscal, afetando a economia e, em consequência, a geração de empregos e os índices de produtividade.
“Por isso o ideal é que o programa mantenha uma ‘porta de saída’ para que o cidadão deslanche na vida profissional, com avaliações periódicas e oferta de treinamento e assistência para que a pessoa possa evoluir”, afirma o economista.
Em junho último, as regras do Bolsa Família foram alteradas: quem ultrapassar a renda limite de R$ 218 por pessoa (ou seja, por ter encontrado um emprego formal e aumentado a renda) pode permanecer no programa sob a ‘regra de proteção’ por até 12 meses, mas recebendo 50% do benefício.
“Assistir os vulneráveis é uma obrigação social e moral, mas o problema da pobreza não pode ser resolvido apenas com transferências. Em momento de desequilíbrio entre demanda e oferta de trabalho, o mercado poderia absorver os vulneráveis se houvesse diminuição dessa dependência do Estado”, destacou um empresário do setor financeiro presente à reunião de conjuntura.
Em sua avaliação, o aumento da produtividade se consegue com investimentos direcionados em educação e saúde, “e a qualificação da mão de obra é essencial para permitir melhores salários e crescimento econômico sustentável.” A pedido da ACSP, os nomes dos participantes da reunião de conjuntura não são divulgados.
Antonio Lanzana, economista e professor da FEA-USP, afirma que as empresas de menor porte são as mais afetadas, já que dependem de trabalhadores pouco qualificados. Segundo ele, muitos potenciais empregados optam por não ingressar no mercado de trabalho para não perder o benefício, ou aceitam apenas atividades informais, criando um descompasso para as empresas que atuam no mercado formal. Mas não se pode explicar esta situação apenas pelas transferências, afirma.
Ele cita outros pontos, como o crescimento da economia acima do seu potencial, redução da taxa de crescimento demográfico, observada há muitos anos no país, que afeta o ritmo de crescimento da oferta de mão de obra; novos entrantes no mercado de trabalho que não querem ficar restritos a uma empresa ou atividade, preferindo atuar com maior flexibilidade e a parcela da oferta de trabalho absorvida por apps, que atendem às condições de flexibilidade sem vínculo de emprego.
“Não vejo movimentos na área empresarial para revisão desse tipo de benefício, mas as críticas existem no sentido de que há excesso de gastos públicos – o que obriga o Banco Central a manter taxas de juros elevadas que prejudicam a gestão empresarial”, diz Lanzana, que confirma que a situação atual é de pleno emprego.
O crescimento dos últimos três anos (3,2%) ocorreu em cima da capacidade ociosa na pandemia e pelo baixo crescimento dos anos anteriores, mas, ao mesmo tempo, cresceu a remuneração média em 3,8% no trimestre encerrado em julho, e a expansão da massa real de rendimentos, em 6,9% nos últimos doze meses (com o aumento do Bolsa Família e a renda gerada pelo trabalho informal), levando ao atual cenário “das empresas com dificuldades para contratar mão de obra”, reforça.
Dilema social X desafio empresarial
Um estudo recém-divulgado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre-FGV), conduzido pelo pesquisador associado Daniel Duque, mostra essa relação entre falta de mão de obra e Bolsa Família. Do valor inicial do benefício, de R$ 190 em 2019, ele foi ampliado após a pandemia para algo em torno de R$ 400, e chegou aos R$ 600 em 2022 – ou seja, foi triplicado em ano eleitoral. Este valor agora representa 35% da renda mediana do trabalho, contra apenas 15% do que representava anteriormente, destaca o estudo.
Os dados também apontam a transformação pela qual o programa passou depois da pandemia: o número de beneficiários subiu de 14 milhões para 21 milhões e o seu orçamento anual saiu da casa R$ 35 bilhões para R$ 170 bilhões – a tal questão fiscal ampliada por gastos sociais mencionada pelos economistas e empresários.
Essa ampliação do Bolsa Família pode explicar por que a taxa de participação do mercado de trabalho (pessoas com mais de 14 anos ocupadas ou procurando emprego) não voltou aos níveis pré-pandemia no Brasil como em outros países: coincidentemente, a taxa tornou a cair quando foi implantado o benefício de R$ 600. O levantamento também mostra que o programa reduziu a oferta de mão de obra entre homens jovens (17 a 30 anos) e desestimulou a busca por empregos formais.
“Quem mais reage ao aumento de renda do Bolsa Família são os homens, que têm maior probabilidade de estar em ocupações formais e menos restrições de tempo impostas pela família. Já entre as mulheres, que em grande parte estão fora da força de trabalho ou na informalidade, cuidando da casa e dos filhos, o recebimento ou não do benefício pouco altera esse comportamento”, explica Duque.
Ele observou também, no estudo, que a taxa de participação no mercado de trabalho do grupo que se tornou elegível para receber o Bolsa Família (renda per capita de R$ 210 para R$ 218) teve uma queda de 11% em relação às famílias que permaneceram fora do programa por diferença mínima (R$ 219 para R$ 226). Esse valor é quase metade do aumento relativo de cobertura pelo programa. “Ou seja, a cada duas famílias que recebem Bolsa Família, uma sai da força de trabalho.”
Mas, segundo o pesquisador, outros elementos estruturais pesam mais, além de o Brasil não ter conseguido recuperar a taxa de participação pré-pandemia: as mudanças demográficas, que vêm reduzindo a população jovem disponível para setores que demandam mão de obra intensiva, como comércio e construção civil.
“A faixa etária de 18 a 29 anos está em queda absoluta há algum tempo, o que naturalmente dificulta a reposição da força de trabalho”, afirma.
Outro ponto é a chamada “aversão ao risco”: para muitos beneficiários, abrir mão do Bolsa Família para ingressar em um emprego formal, que para muitos têm pouca atratividade por conta de salários baixos e jornadas extensas, pode significar perder a garantia de renda mínima. Mesmo quando o salário é maior, o medo de ficar sem o benefício caso o trabalho não se sustente e ter que voltar ao fim da fila, leva essas pessoas a preferir o mínimo possível e garantido.
“É importante lembrar, porém, que a expansão do programa se deu até 2023, depois parou de 2024 para 2025, então não explica a falta de mão de obra recente.”
O pesquisador também comenta que o governo tem optado por não reajustar o valor do Bolsa Família para compensar a inflação como forma de conter distorções no mercado de trabalho. Segundo ele, a decisão de manter o benefício congelado reduz gradualmente o poder de compra do programa, o que deveria tornar os salários formais mais atrativos em relação à renda garantida pelo auxílio.
“Historicamente, o aumento dos benefícios ocorria perto de períodos eleitorais, quando o impacto sobre a oferta de trabalho era menor porque o valor inicial era muito baixo”, observa. “Agora, como o benefício está em um patamar elevado, qualquer reajuste teria efeito direto sobre a disposição de trabalhar formalmente.”
Duque também aponta um incentivo político perverso que dificulta mudanças estruturais no desenho do programa. Segundo ele, o valor fixo e padronizado do benefício se tornou popular entre os beneficiários, e politicamente sensível para qualquer governo que tente reformulá-lo.
“O modelo per capita, que era mais eficaz no combate à pobreza, foi abandonado porque gerava variações de valor difíceis de comunicar ao público.”
Para o economista, que sugere que o custo básico poderia ter valor revisado para baixo dos atuais R$ 600, o custo político de revisar o Bolsa Família é alto, mas necessário. Reformas que vinculem o benefício a critérios de produtividade, educação ou composição familiar – como reforçar transferências de renda para mães com filhos pequenos e jovens que só saíram do mercado ou pararam de estudar pela necessidade de complementar a renda da família -, poderiam “reduzir os efeitos negativos sobre o mercado de trabalho sem enfraquecer a rede de proteção social.”
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Os jovens da elite tech do Vale do Silício abandonaram o álcool: sua nova “festa” é trabalhar 92 horas
Por Victor Bianchin
No Vale do Silício, a nova geração de jovens empreendedores deixou para trás as festas regadas a álcool. O exemplo que seguem é o dos grandes nomes do Vale do Silício, como Mark Zuckerberg, Elon Musk, Sam Altman e Bryan Johnson, que priorizam seus projetos empresariais acima de sua própria vida social.
O fenômeno não é isolado e cada vez mais jovens empreendedores compartilham a mesma mentalidade: “Por que ir a um bar se posso estar criando uma empresa?”, resume Emily Yuan, uma jovem fundadora do Vale do Silício, em entrevista ao The Wall Street Journal. Os dados não mentem: o consumo de álcool entre os jovens da geração Z está diminuindo e, no âmbito das incubadoras de startups do Vale do Silício, isso se tornou cada vez mais a norma do que a exceção.
Os novos hábitos do Vale do Silício
A rotina diária de quem busca o sucesso no Vale do Silício é marcada por jornadas de trabalho que ultrapassam o habitual. De acordo com o The Wall Street Journal, Marty Kausas, de 28 anos e fundador da startup Pylon, comentou em uma publicação no LinkedIn que passou várias semanas consecutivas trabalhando 92 horas por semana e que cancelou suas férias porque o estresse do trabalho o impedia de tirar alguns dias de descanso.
No entanto, em outra publicação, o jovem empreendedor descartou que em sua empresa se aplique uma “cultura 9-9-6” para os funcionários, em referência à nova tendência importada da Ásia, na qual se trabalha das nove da manhã às nove da noite, seis dias por semana.
A principal mudança de paradigma mostrada por esse grupo de jovens empreendedores tecnológicos é a forma como definem o que é diversão. No caso deles, e como detalharam tanto Marty Kausas quanto Emily Yuan, o que eles consideram divertido não é passar um tempo com amigos tomando algumas cervejas. “Nossa motivação para iniciar uma empresa foi a diversão e a aventura. Mas o que é divertido para nós é bastante diferente do que é divertido para os outros”.
Esse conceito, junto às mensagens contra o álcool que algumas figuras influentes do Vale do Silício têm transmitido — como Sam Altman, que se posicionou totalmente contra o consumo de álcool, ou Mark Zuckerberg, que, ao contrário de suas “vacas sagradas”, só bebe cerveja em ocasiões especiais e o suficiente para tirar uma foto — mostra que, de modo geral, para os “technobros” do Vale do Silício, álcool e festas já não fazem parte do conceito de diversão.
Sobriedade na era tech
A geração Z, de forma global, está reduzindo o consumo de álcool em todo o mundo. Os dados indicam que houve uma queda no consumo de álcool de 4,5% por ano desde 2011 e, desde então, ele tem se estabilizado.
Segundo o último relatório de saúde, o consumo médio de cada adulto na Europa passou de 12 litros anuais em 2000 para 9,5 litros em 2019. E, se nos concentrarmos no vinho — a única bebida alcoólica que Jeff Bezos consome em celebrações especiais —, os dados mostram que seu consumo médio por adulto caiu de 14,2 litros em 1990 para 10 litros em 2017.
Essa queda no consumo de álcool trouxe uma mudança cultural nas atividades sociais desses novos empreendedores. Os encontros entre colegas, antes animados por brindes e bebidas, agora são reuniões em saunas, palestras motivacionais e rotinas de academia em busca de conexões profissionais.
Miranda Nover, cofundadora de uma startup de fitness chamada Fort, afirmou em entrevista ao Business Insider que a imagem de uma existência ascética é muito importante para os jovens empreendedores. “Você está tentando transmitir: fazemos isso seis dias por semana no escritório, trabalhamos até às 21h, não bebemos, não saímos para festas, não fazemos nada disso”, disse.
Diferentemente do que acontecia com as gerações anteriores de fundadores milionários, como Henry Ford ou Aristóteles Onassis, cujas festas eram regadas a álcool, agora o consumo de bebidas alcoólicas deixou de ser o eixo central. Adotou-se uma filosofia mais próxima dos postulados do milionário Bryan Johnson, focando toda a energia na produtividade. Nos eventos de inteligência artificial em San Francisco, o álcool está ausente.
Segundo Michelle Fang, de 26 anos e organizadora de eventos para esses jovens fundadores do Vale do Silício, a razão pela qual nas festas dessa nova geração de empreendedores o álcool não está presente não se deve apenas a uma mudança no conceito de lazer e saúde: “muitos eventos relacionados à IA não servem álcool, não apenas porque está fora de moda entre o público de San Francisco. Muitos fundadores nem têm idade suficiente para beber”.
CEO da NVIDIA diz que chips chineses de IA estão apenas “alguns nanossegundos” atrás dos EUA
Por Henrique Weizenmann
O CEO da NVIDIA, Jensen Huang, fez um sério alerta para os fabricantes de chips dos EUA ao afirmar que, quando se trata de chips de IA, a China está apenas “alguns nanossegundos” atrás dos americanos EUA. E a afirmação dele não agrada empresas como a AMD e sua própria NVIDIA.
Assim como os EUA, a China busca se tornar autossuficiente em chips. No entanto, ao contrário dos EUA, a China enfrenta sanções americanas, o que dificulta a obtenção de equipamentos essenciais pelas fundições chinesas, como máquinas de litografia de ponta que possibilitam a produção de chips abaixo de 5 nm.
Hoje, os chips aceleradores de IA da Huawei detêm a maior participação de mercado na China. Porém, é preciso lembrar que isso também se deve às sanções americanas. E a própria NVIDIA já teve um prejuízo bilionário com isso.
Recuperação notável?
Apesar da desvantagem, a Huawei teve um retorno notável e seus processadores Ascend 910B são considerados os principais aceleradores de IA produzidos internamente na China. Porém, há rumores que estão enfrentando problemas de fabricação e isso poderá desfazer o ganho da empresa.
A NVIDIA foi proibida pelos EUA de vender suas GPUs na China. E isso também contribuiu para o aumento da participação da Huawei dentro do gigante asiático.
Inclusive, não seria estranho que Jensen Huang afirmasse isso para reaver os negócios na China. Nesse cenário, ele saberia que as coisas não são tão boas e que seus produtos seriam muito bem-vindos.
Além disso, 20% a 25% da receita com data centers da NVIDIA veio da China. E isso é suficiente para justificar as especulações ao redor da fala de Huang.
Favorecimento dos CUDA?
Estima-se que as empresas de tecnologia chinesas favoreçam a plataforma de computação CUDA (Compute Unified Device Architecture) da NVIDIA. Afinal, ela permite que os desenvolvedores aproveitem o processamento paralelo usado pelas GPUs para processar grandes quantidades de dados simultaneamente.
Com a IA, bilhões e trilhões de operações ocorrem simultaneamente. E empresas chinesas como Baidu, Tencent e Alibaba estão se unindo em torno de um ecossistema livre de CUDA. Huang, da NVIDIA, sugere concorrência aberta e afirma que o domínio da China pode causar um impacto econômico devastador para os EUA.
Novo método elimina até 92% de resíduos plásticos presentes na água em duas horas
Por Ana Clara Casotti*
A poluição causada pelo plástico é considerada uma crise global, com o descarte inadequado impactando meio ambiente e saúde animal e humana. A degradação desses resíduos libera substâncias químicas tóxicas, como o bisfenol A (BPA), que está relacionado ao câncer, diabetes, obesidade e problemas cardiovasculares. Como na natureza o produto contamina solo e água, pesquisadores da USP em Ribeirão Preto investem na criação de um método eficaz na eliminação do BPA em amostras de água.
Para maior eficiência na remoção de contaminantes da água, a inovação combina tratamentos eletroquímicos (utilização de corrente elétrica para manipular substâncias químicas) e enzimáticos (material biológico retirado de fungos) em processos oxidativos avançados. “O tratamento eletroquímico gera radicais altamente reativos que iniciam a degradação química dos poluentes, enquanto o tratamento enzimático acelera ainda mais esse processo”, informa Alexandre Carneiro Cunha, do Departamento de Química da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP e responsável pela pesquisa.
Os testes realizados mostraram um novo método mais eficiente que os tradicionais em uso, conseguindo remover 92% do BPA da água em apenas duas horas e obtendo como resíduos “subprodutos menos tóxicos e mais biodegradáveis”, conta o pesquisador. Ele afirma que, entre esses subprodutos, foram encontrados ácidos de menor toxicidade, “o que indica uma rota de degradação com menor impacto ambiental”.
Os resultados do estudo, publicados na International Journal of Environmental Science and Technology, são comemorados pelos pesquisadores já que rios urbanos como o Tietê, em São Paulo, e o Rio dos Sinos, no Rio Grande do Sul, vêm apresentando concentrações de BPA potencialmente tóxicas para organismos aquáticos.
Outro motivo para investir no setor está nos resultados de um levantamento feito em 2024 em efluentes da região Sudeste, mostrando que “o BPA não é totalmente removido pelos processos convencionais, destacando a urgência de soluções”, diz Cunha.
Degradação rápida pode servir para outros poluentes
O bom resultado da combinação dos métodos eletroquímico e enzimático era esperado. Cunha informa que estudos anteriores já mostravam a complementaridade dos mecanismos envolvidos. “O tratamento eletroquímico gera intermediários mais simples e reativos, que se tornam substratos ideais para a ação enzimática.”
Enquanto isoladamente o tratamento eletroquímico removeu cerca de 10% do BPA da água e o enzimático, cerca de 35%, a combinação dos dois removeu 92%, com “uma oxidação mais profunda e eficiente, mesmo para compostos recalcitrantes (substâncias que resistem à degradação e aos processos de tratamento convencionais), superando os resultados dos métodos tradicionais isolados”, informa o pesquisador.
O sucesso do novo método, no entanto, ainda precisa ser confirmado em estações de tratamento de água. É que os testes foram realizados em amostras laboratoriais e precisam de adaptações para as estações. O pesquisador explica que “em sistemas reais, a presença de uma grande diversidade de compostos orgânicos pode interferir nos mecanismos de degradação e gerar subprodutos inesperados”. Além disso, “questões de custo, manutenção dos eletrodos (no caso do método eletroquímico) e regeneração das enzimas ainda precisam ser resolvidas”.
Outros desafios mencionados pelo pesquisador envolvem a estabilidade dos eletrodos, utilizados no processo eletroquímico, e das enzimas, utilizadas no processo enzimático, em condições reais de operação; o custo de produção e manutenção dos materiais; e a necessidade de adaptar o sistema a diferentes matrizes de efluentes.
“É preciso considerar a geração de subprodutos e a eficiência energética do processo”, destaca. Esse escalonamento requer investimentos em pesquisa aplicada, testes em planta piloto e avaliações ambientais e econômicas robustas.
Mas, segundo ele, os investimentos devem valer a pena. “O método tem potencial para tratar uma ampla gama de poluentes orgânicos, como corantes, pesticidas, fármacos e compostos fenólicos (substâncias químicas encontradas em vegetais)”, enfatiza.
Os líderes sênior são mestres, mas também falham se não continuarem a aprender
Eles finalmente conseguiram: estão em uma função de alto escalão executivo. Quer sejam vice-presidentes sênior ou executivos C-level, a suposição é clara: eles são mestres em sua área e o tipo de líder que não precisa mais de acompanhamento constante. Mas esse é o paradoxo de ser um líder sênior: quanto mais alto você sobe, mais rarefeito fica o suporte.
Enquanto líderes de nível médio costumam receber programas de integração estruturados, engajamento frequente do gerente, encontros diretos com níveis superiores e mentoria formal, líderes seniores muitas vezes entram em uma nova função ou organização e encontram… o silêncio.
Eles fazem a transição de serem nutridos e avaliados para operar amplamente por conta própria, esperando-se que executem com maestria em um terreno desconhecido. Espera-se que eles estabeleçam a visão, guiem os outros e entreguem resultados logo e com frequência.
Por meio do meu trabalho de coaching executivo, observei que essa lacuna invisível de suporte é um dos riscos menos reconhecidos e notados nas organizações hoje.
E, no entanto, a falta de apoio pode moldar o desempenho e a saúde mental das mesmas pessoas encarregadas de definir o curso para todos os outros.
Falaremos sobre por que isso acontece e como a liderança de RH e os líderes mais seniores podem preparar seus executivos mais recentes — e suas organizações — para o sucesso.
É contraintuitivo que as organizações parem de investir no desenvolvimento de talentos nos níveis mais altos, pois é onde o risco é maior.
Vice-presidentes seniores e níveis superiores estão navegando por novo poder, um escopo de responsabilidades novo e mais amplo, e com nova visibilidade, tudo sem rede de apoio.
Razões da falta de apoio a líderes seniores
Observei algumas razões pelas quais as organizações simplesmente não acreditam que líderes seniores precisem de tanto desenvolvimento quanto seus colegas em início de carreira:
O mito da maestria: A crença de que executivos “sabem o que estão fazendo” simplesmente por terem chegado ao topo. Eles são vistos como tendo “chegado lá”.
Priorização de programas: As empresas direcionam recursos para diretores e VPs, onde os pipelines de liderança são construídos e a rotatividade é maior.
Cultura do estoicismo: Admitir incerteza é percebido como fraqueza quando foram contratados para “resolver” por conta própria.
Falta de demanda: Líderes seniores não pedem desenvolvimento ou apoio porque acreditam que já deveriam ter as respostas.
Esse estoicismo e resistência podem levar ao isolamento e ansiedade no topo, onde líderes seniores começam a questionar as próprias capacidades que os levaram a esse alto nível, resultando em decisões ruins ou hesitação em tomá-las.
Aqueles que foram promovidos a esses cargos de alto nível podem até mesmo cair em velhos hábitos, entrando nos detalhes da execução em vez da estratégia, porque é onde se sentiram seguros e como subiram na hierarquia.
Ironicamente, as próprias capacidades que impulsionam os líderes seniores para cima — como confiança, capacidade de decisão e foco estratégico — se erodem quando as estruturas de apoio evaporam.
Cinco estratégias para orientar líderes experientes
É por isso que é importante fornecer apoio de uma maneira que corresponda às realidades únicas de ser um executivo de alto nível. Aqui estão cinco estratégias para fechar essa lacuna:
- Normalize a integração executiva
Um dos executivos seniores mais bem-sucedidos que integrei tinha um programa de treinamento personalizado que cobria a história da empresa e do produto, a história da equipe que ele foi contratado para liderar e as nuances da cultura da empresa.
Ele conseguiu obter um conhecimento profundo nessas sessões personalizadas nas primeiras duas semanas de sua gestão, acelerando sua capacidade de causar impacto.
Nem toda empresa tem tempo para criar uma integração personalizada para cada líder sênior, mas elas precisam de alguma integração executiva que seja mais abrangente do que o fornecido a todos os novos contratados. Aqui estão alguns elementos a serem priorizados:
Sessões de integração especializadas para vice-presidentes seniores e líderes de nível superior, focando em expectativas, estilos de liderança específicos da empresa e dinâmica cultural, com exemplos de como os valores da empresa são honrados na liderança cotidiana.
Uma agenda de primeiros encontros com stakeholders multifuncionais para uma ampla compreensão dos fluxos de trabalho entre as funções de negócios.
Um ponto de contato ao final de cada dia das primeiras duas semanas para responder a perguntas, minimizando erros e permitindo que a confiança do executivo se construa rapidamente.
- Crie coaching confidencial entre pares
Todo líder sênior precisa de um espaço seguro para testar ideias sem medo de julgamento. O coaching que une líderes com pares de diferentes funções pode criar essa válvula de escape.
A rotação de parceiros de peer-coaching trimestralmente durante o primeiro ano também pode ampliar perspectivas e relacionamentos.
Além disso, considere estabelecer pequenos fóruns de grupo de liderança sênior onde executivos possam debater desafios em sua integração ou dentro de suas equipes.
Tais oportunidades de engajamento reformulam a vulnerabilidade como uma força e a colaboração como a norma, reduzindo o isolamento, normalizando o aprendizado e mantendo os líderes responsáveis pelo seu próprio crescimento.
- Facilite a reflexão cedo e com frequência
Executivos se beneficiam de um tempo de reflexão estruturado, particularmente nos primeiros seis meses. Realize sessões onde os líderes examinem o que está indo bem, o que não está claro e onde são necessários ajustes.
Use facilitadores internos ou externos neutros para reduzir a pressão por desempenho e criar espaço para a vulnerabilidade — mesmo antes que a confiança esteja totalmente estabelecida.
Posicionar a reflexão como um investimento na aceleração do impacto proporcionará aos executivos tempo e permissão para se ajustar à sua nova função e corrigir o curso antes que pequenos problemas se agravem.
- Realize avaliações 360° focadas em intervalos-chave
O feedback não termina no nível de diretor ou VP. Na verdade, é ainda mais crítico no topo, onde os pontos cegos acarretam consequências organizacionais.
Muitas vezes, testemunhei executivos seniores hesitarem em dar feedback direto a um novo par, escolhendo em vez disso discutir preocupações em particular e esperando que o indivíduo “descubra sozinho”. Os resultados — mal-entendidos, má interpretações e eventual fracasso — são previsíveis.
Uma abordagem melhor é incorporar o feedback no processo de integração e revisão anual.
Realize uma avaliação 360° para capturar primeiras impressões que possam moldar o feedback direto e ajudar um líder a mudar rapidamente, conforme necessário. Conduza outra avaliação aos seis meses para avaliar o crescimento e o alinhamento.
Compartilhe os resultados em um contexto construtivo e sem julgamentos que encoraje mudanças e fortaleça o desempenho. Essa prática reforça uma cultura de aprendizado contínuo, mesmo nos níveis mais altos.
- Formalize mentoria e coaching ascendentes
Líderes seniores precisam de guias confiáveis. Às vezes, é um membro do conselho; outras vezes, é um coach externo. Emparelhe novos executivos com mentores que entendam as apostas únicas da liderança sênior e possam fornecer orientação e perspectiva.
Garanta acesso a coaches externos, que podem trazer não apenas imparcialidade, mas também insights sobre como navegar pela nova cultura da empresa.
Finalmente, conecte o novo líder a patrocinadores do conselho que possam acelerar sua compreensão do risco de nível superior e da abordagem de governança da organização, como o apetite por risco em toda a empresa e como as decisões são influenciadas pelas expectativas dos acionistas e pelo escrutínio regulatório.
Esse tipo de exposição fundamentará o líder nas considerações estratégicas, financeiras e de reputação que impulsionam as prioridades do nível do conselho para ajudar a informar sua própria liderança e tomada de decisão.
Quando os líderes têm transparência e se sentem apoiados pelo nível superior, eles podem liderar os outros níveis de colaboradores com maior clareza e confiança.
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