Inteligência artificial começa a ganhar cadeira de ‘executivo’ em empresas japonesas – 14.09.2026

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Você vai ler na coluna hoje: Inteligência artificial começa a ganhar cadeira de ‘executivo’ em empresas japonesas, Coca-Cola traz ao Brasil versão zero cafeína e zero açúcar, A nova geração está deixando a vida noturna de lado?, Aqua di Rubineto: quando o branding muda a percepção de valor, Veja as faixas etárias mais endividadas no Brasil em 2025, Os shopping centers estão ocupando um espaço cada vez mais amplo na rotina dos consumidores, O desafio da educação brasileira vai além do acesso à escola, SBT confirma fim de contrato com Rodrigo Bocardi, “Todas as pessoas grandes foram crianças antes, mas poucas se lembram disso” e uma reflexão sobre a infância que muita gente esquece, Novas pesquisas desvendam mitos sobre o que vai pela cabeça da geração Z

 

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Inteligência artificial começa a ganhar cadeira de ‘executivo’ em empresas japonesas

Empresas japonesas começam a levar a inteligência artificial às reuniões de gestão, criando especialistas virtuais e até uma versão digital do presidente

Portal MIE

A inteligência artificial está começando a ocupar um lugar cada vez mais próximo da alta administração de empresas japonesas.

Companhias como a Kirin Holdings e o Sumitomo Mitsui Financial Group (SMFG) já utilizam sistemas de IA que assumem funções semelhantes às de executivos e participam de discussões sobre gestão.

Na Kirin, gigante dos setores de bebidas e alimentos voltados à saúde, os chamados “executivos de IA” começaram a ser introduzidos gradualmente em reuniões da diretoria e conferências de gestão desde julho de 2025.

O sistema, chamado CoreMate, conta com 12 especialistas virtuais. Cada um representa uma área diferente da empresa, como recursos humanos, finanças e vendas.

Doze “executivos” analisam os assuntos em tempo real

Os sistemas utilizam grandes quantidades de dados internos e externos, além de registros de comentários feitos anteriormente por executivos.

Durante as reuniões, a IA analisa os temas em discussão e apresenta diferentes pontos de vista em tempo real por meio de textos exibidos em um monitor.

Segundo a Kirin, a ideia é evitar que encontros entre executivos se transformem apenas em sessões para apresentação de relatórios.

Ao inserir diferentes perspectivas sem as limitações das relações hierárquicas entre funcionários, a empresa espera estimular debates mais profundos antes das decisões administrativas.

A iniciativa surgiu dentro do Departamento de Estratégia Corporativa da Kirin. Com o apoio da alta administração, três funcionários da área de estratégia digital e tecnologia desenvolveram internamente o sistema em apenas dois meses.

A Kirin chama cada especialização dos executivos virtuais de uma “personalidade”. Como cada IA recebe informações diferentes, as análises e sugestões apresentadas também podem variar conforme a especialidade.

Empresa planeja reunião formada somente por IAs

A Kirin também estuda realizar uma reunião virtual formada exclusivamente pelos 12 executivos de IA. A expectativa é observar quais conclusões os sistemas poderiam alcançar ao debater entre si.

Apesar disso, a companhia ressalta que os sistemas funcionam como conselheiros e não substituem os responsáveis humanos pelas decisões. A palavra final sobre a administração da empresa continuará sendo dos executivos.

A experiência despertou interesse de outras companhias. Segundo a reportagem, a Kirin recebeu diversas consultas externas, inclusive questionamentos sobre a possibilidade de comercializar o sistema.

Banco criou versão virtual de seu presidente

Outro exemplo está no Sumitomo Mitsui Financial Group. O grupo financeiro apresentou em 2025 um “AI-CEO”, uma versão virtual baseada no presidente Toru Nakashima.

Para reproduzir a maneira de pensar e responder do executivo, o sistema utiliza declarações feitas por Nakashima em reuniões administrativas, avaliações de outros executivos sobre ele e informações da história da companhia.

Os funcionários podem conversar com o chamado “presidente Nakashima de IA” sobre temas que vão desde reformas operacionais até conhecimentos necessários para o trabalho cotidiano.

O sistema oferece orientações e sugestões com respostas desenvolvidas para se aproximar da forma de pensar do presidente real.

Em média, até 2 mil funcionários utilizam a ferramenta diariamente. O Sumitomo Mitsui Banking Corporation possui cerca de 28 mil funcionários.

Decisões continuam sendo humanas

O SMFG afirma que não existem planos atualmente para entregar decisões reais de administração ao sistema de inteligência artificial.

Para os responsáveis pela estratégia de IA do grupo, apenas automatizar tarefas que antes eram realizadas por pessoas pode aumentar a eficiência, mas não necessariamente transforma o negócio.

A avaliação é que características como motivação, iniciativa e a determinação humana para melhorar a experiência dos clientes continuam sendo difíceis de substituir por algoritmos.

Os exemplos da Kirin e do SMFG mostram que, ao menos neste momento, a inteligência artificial nas empresas japonesas está sendo usada principalmente como ferramenta de consulta, análise e apoio às decisões, enquanto a responsabilidade final permanece com os seres humanos.

Coca-Cola traz ao Brasil versão zero cafeína e zero açúcar

Pré-lançamento da bebida acontecerá no Rio Gastronomia, de 17 de setembro a 4 de outubro

Por Meio & Mensagem

Com o objetivo de oferecer uma nova opção para ocasiões noturnas, a Coca-Cola Company anuncia a chegada da Coca-Cola zero cafeína zero açúcar no Brasil neste mês.

O novo produto zero cafeína, zero áçucar e zero calorias chega ampliando o portfólio da companhia no País, oferecendo maior liberdade de escolha aos consumidores, como uma opção para desfrutar a qualquer hora do dia, inclusive à noite.

A Coca-Cola zero cafeína e zero açúcar conta com nova identidade visual e uma nova embalagem em preto e dourado. O novo design pretende traduzir a sofisticação das ocasiões noturnas, ajudando a destacar o produto no ponto de venda.

O pré-lançamento oficial da nova bebida acontecerá no festival de gastronomia Rio Gastronomia, realizado de 17 de setembro a 4 de outubro, no Jockey Club Brasileiro, Rio de Janeiro. No local, o público poderá experimentar a novidade por meio de ações de sampling no espaço da marca.

Ainda em setembro, a Coca-Cola zero cafeína zero açúcar também chega aos pontos de venda de todo o País, inicialmente em embalagens individuais, com latas de até 350 ml.

Para divulgar o lançamento, a Coca lançará em outubro uma campanha assinada pelo WPP, além de um estratégia de comunicação que contará com diferentes frentes, como mídia OOH e ativações com creators, entre outras iniciativas.

A nova geração está deixando a vida noturna de lado?

Por @Mental.Firme

Boates e festas já não ocupam o mesmo espaço na rotina de muitos jovens. Em diferentes cidades, cresce o interesse por programas mais tranquilos e por uma rotina que prioriza sono, saúde, atividade física, trabalho e bem-estar.

Mais do que uma simples mudança de hábito, esse comportamento pode revelar uma nova relação com diversão e excesso. Para parte da geração Z, passar a madrugada fora, consumir álcool e enfrentar o dia seguinte sem disposição deixou de parecer tão atraente.

Isso não significa que festas, encontros e momentos com amigos perderam espaço. A diferença está na escolha. Sair deixou de ser uma obrigação social e passou a ser apenas uma das possibilidades de aproveitar a vida.

Nesse cenário, dormir bem, ter energia, cuidar do corpo e manter o foco nos próprios objetivos começam a ganhar outro valor. O novo status pode estar menos relacionado ao lugar onde alguém estava às 3h da manhã e mais à vida que consegue construir quando o dia começa.

Talvez não seja o fim das festas. Talvez seja apenas uma mudança naquilo que uma nova geração entende como uma vida boa.

Aqua di Rubineto: quando o branding muda a percepção de valor

Por @mentoresvisionarios

E se uma água de torneira fosse apresentada como um produto de luxo? Foi exatamente essa a proposta por trás da Aqua di Rubineto, um experimento que chamou atenção ao mostrar até onde o branding pode influenciar a percepção do consumidor.

A ideia foi simples: engarrafar água da torneira em garrafas de vidro sofisticadas, criar uma identidade visual premium e batizá-la de Aqua di Rubineto — um nome que soa italiano e que, na prática, faz referência à própria água da torneira. O produto ganhou ainda uma narrativa de exclusividade e foi apresentado em ambientes como restaurantes, eventos sofisticados e galerias de arte.

Sem saber a verdadeira origem da água, consumidores provaram e elogiaram o produto. Alguns chegaram a identificar características específicas no sabor, como leveza e notas de chocolate.

O experimento colocou em evidência um conceito conhecido como neurobranding: a forma como uma marca é apresentada pode influenciar expectativas e, consequentemente, a maneira como o consumidor percebe sua experiência com o produto.

No caso da Aqua di Rubineto, não havia uma fórmula especial ou uma matéria-prima diferenciada. O que mudou foi o contexto. A embalagem, o nome, a história e o ambiente criaram uma percepção de valor muito maior do que aquela associada à água de torneira.

Mais do que uma curiosidade, o experimento traz uma provocação importante para o marketing: o consumidor não avalia apenas aquilo que está dentro da embalagem. Ele também percebe tudo o que a marca constrói ao redor dela.

Veja as faixas etárias mais endividadas no Brasil em 2025

O endividamento no Brasil afeta todas as gerações, mas a maior concentração de pessoas com dívidas está entre os brasileiros de 41 a 60 anos. Essa faixa etária reúne mais de um terço dos inadimplentes do país, refletindo o impacto de financiamentos, crédito, despesas familiares e compromissos financeiros acumulados ao longo da vida.

Logo atrás aparecem os brasileiros entre 26 e 40 anos, período marcado pela formação de patrimônio, aquisição de imóveis, veículos e aumento das responsabilidades financeiras.

Embora os jovens representem a menor parcela dos endividados, milhões de brasileiros acima de 60 anos também convivem com contas em atraso e restrições de crédito, demonstrando que o problema atinge todas as idades.

Fonte: Serasa Experian, Mapa da Inadimplência 2025, e CNDL/SPC Brasil.

Os shopping centers estão ocupando um espaço cada vez mais amplo na rotina dos consumidores

Um levantamento da Alqia mostra que lazer e serviços já superam as compras como principal motivo para frequentar esses espaços.

Segundo a pesquisa, 57% das principais motivações estão relacionadas a lazer e serviços, enquanto as compras representam 43%. Eventos, cinema, teatro e gastronomia respondem por pouco mais de 35% das escolhas, e a busca por serviços específicos representa outros 21%.

A frequência também mostra que o shopping deixou de ser um destino ocasional para muita gente. Quase 30% dos entrevistados afirmam frequentar esses espaços diariamente, enquanto outros 21,5% vão duas ou três vezes por semana.

O fim de semana concentra a preferência de mais de 55% do público, reforçando o papel dos shoppings como espaços de convivência, entretenimento e resolução de diferentes necessidades no dia a dia.

Os números apontam para uma transformação no comportamento do consumidor: o shopping já não é apenas o lugar onde se compra. É também onde as pessoas vão para comer, se divertir, encontrar outras pessoas e resolver a vida.

Fonte: Alqia.

O desafio da educação brasileira vai além do acesso à escola

O Brasil avançou no acesso à educação nas últimas décadas, mas ainda enfrenta um problema mais difícil de resolver: estar na escola não significa, necessariamente, estar aprendendo.

Os resultados do PISA, avaliação internacional que mede o desempenho de estudantes de 15 anos em diferentes áreas do conhecimento, mostram um cenário preocupante para o país. Na edição de 2025 apresentada no carrossel, o Brasil aparece distante dos primeiros colocados em leitura, matemática, ciências e resolução de problemas computacionais.

O dado mais importante talvez esteja justamente aí: milhões de jovens estão frequentando a escola, mas uma parcela significativa não desenvolve competências básicas necessárias para a vida adulta, para o mercado de trabalho e para continuar aprendendo.

O problema não se resume a uma única causa. Estrutura das escolas, formação e valorização dos professores, métodos de ensino e políticas públicas fazem parte de uma discussão que precisa ser tratada com seriedade.

Educação de qualidade não é apenas uma questão de desempenho em rankings. É uma condição para que os jovens tenham mais autonomia, melhores oportunidades profissionais e capacidade de compreender o mundo ao seu redor.

Garantir acesso à escola foi um passo importante. O próximo desafio é garantir que, dentro dela, os alunos realmente aprendam.

SBT confirma fim de contrato com Rodrigo Bocardi

Emissora apurava denúncia de cobrança a prefeituras por cobertura positiva em projeto do jornalista

Por Larissa Santiago (Meio & Mensagem)

Na última sexta-feira, 11, o SBT encerrou o contrato com o apresentador Rodrigo Bocardi. Segundo a emissora, a decisão partiu do jornalista, que optou por se dedicar integralmente às suas empresas, principalmente o BocaTV, e foi aceita pelo canal. Conforme apurou o Meio & Mensagem, o SBT Cidades continua no ar sob o comando de Erica Reis.

“O SBT tomou conhecimento, pelas redes sociais, de uma denúncia relacionada ao apresentador Rodrigo Bocardi, e não encontrou fatos ou provas que comprometessem o comportamento e a idoneidade do profissional. No entanto, como a parceria entre SBT e BocaTV já havia sido desfeita, Rodrigo Bocardi tomou a decisão, e o SBT aceitou, de encerrar por completo o contrato com a emissora e se dedicar integralmente às suas empresas”, diz o comunicado.

Em seu perfil do Instagram, o jornalista postou um vídeo respondendo a emissora.

“Eu lamento pelos telespectadores do SBT e por todos os profissionais que lá trabalham, que me acolheram tão bem, que são respeitados, que lutam, que batalham. Mas gente, como acreditar? O SBT não foi capaz de segurar as forças que se moveram contra mim pelas críticas que eu estava fazendo em nome de vocês. A Sabesp atuando de uma forma muito dura, muito dura para me calar, e o SBT aceitou. O Governo do Estado de São Paulo, as prefeituras. Tudo isso foi dito para mim: pressão para calar, para não falar”, diz ele em um trecho.

Denúncia chega ao SBT

A decisão ocorre após uma denúncia feita por Jones Donizete, ex-secretário de Tecnologia e Comunicação de Embu das Artes, na Grande São Paulo.

Conforme publicado pela Folha de S.Paulo, Donizete acusa Bocardi de cobrar de prefeituras para realizar uma cobertura positiva das administrações no BocaTV. O ex-secretário afirma ainda ter um vídeo que, segundo ele, mostraria o apresentador fazendo esse tipo de cobrança.

A denúncia começou a circular nas redes sociais no dia 3 de setembro. O SBT tomou conhecimento do caso na quarta-feira, 9, e passou a avaliar a situação internamente. Na quinta-feira, 10, a emissora afastou Bocardi da apresentação do SBT Cidades, inicialmente naquele dia.

Também na quinta-feira, o SBT encerrou a parceria comercial com o BocaTV. O acordo havia sido anunciado cerca de um mês antes. Na ocasião, o SBT afirmou que o encerramento da parceria com a empresa não interferia na relação profissional com Bocardi, que seguia contratado para apresentar o SBT Cidades, ao lado de Erica Reis, e para futuros projetos.

“As questões contratuais envolvendo a empresa de Bocardi não interferem na bem-sucedida parceria entre o apresentador e a emissora. Rodrigo Bocardi segue como talento contratado do SBT para a apresentação do telejornal e para futuros projetos”, dizia trecho da nota.

“Todas as pessoas grandes foram crianças antes, mas poucas se lembram disso” e uma reflexão sobre a infância que muita gente esquece

Por Larissa Hisashi

Uma frase de O Pequeno Príncipe sobre adultos continua emocionando porque fala de algo simples e profundo: todo adulto já foi criança, mas nem sempre se lembra disso. A reflexão de Antoine de Saint-Exupéry toca em infância, sensibilidade, imaginação e na forma como a vida adulta pode apagar o encantamento diante das coisas pequenas.

O que essa frase de O Pequeno Príncipe quer dizer?

A frase mostra que crescer não deveria significar abandonar completamente o olhar da infância. Quando uma pessoa se torna adulta, ela ganha responsabilidades, preocupações e cobranças, mas também pode perder a capacidade de se encantar, perguntar, brincar e sentir com mais liberdade.

Em O Pequeno Príncipe, essa ideia aparece como uma crítica delicada aos adultos que deixam de enxergar o essencial. A infância não é tratada apenas como uma fase passada, mas como uma parte da memória afetiva que ajuda a manter empatia, curiosidade e humanidade.

Por que os adultos esquecem a infância com tanta facilidade?

Muitos adultos esquecem a infância porque passam a medir a vida por resultados, dinheiro, status, obrigações e produtividade. Aos poucos, aquilo que antes despertava surpresa começa a parecer inútil, infantil ou sem importância prática.

Esse esquecimento aparece em atitudes comuns do dia a dia:

  • Tratar sonhos simples como perda de tempo;
  • Valorizar apenas conquistas materiais;
  • Perder a paciência com perguntas inocentes;
  • Confundir seriedade com falta de imaginação;
  • Esquecer medos, inseguranças e desejos que já sentiu quando criança.

Como a infância muda a forma de olhar o mundo?

A infância costuma ser marcada por curiosidade, descoberta e intensidade emocional. Para uma criança, uma pedra, uma estrela, uma caixa vazia ou uma conversa podem ganhar significados enormes. Esse olhar não depende de explicações complicadas, mas de presença e imaginação.

Quando o adulto perde esse contato, pode passar a enxergar o mundo de modo mais frio. O Pequeno Príncipe lembra que nem tudo precisa ser contado, comprado ou provado para ter valor. Algumas experiências são importantes justamente porque despertam vínculo, memória e sensibilidade.

O que essa reflexão ensina sobre empatia?

A frase também ensina que lembrar da própria infância ajuda a compreender melhor as crianças de hoje. Um adulto que se recorda de seus medos, dúvidas e descobertas tende a julgar menos e escutar mais. Ele entende que crescer é um processo cheio de inseguranças.

Essa empatia pode transformar relações familiares, escolares e sociais:

  • Ouvir uma criança sem ridicularizar suas perguntas;
  • Respeitar emoções que parecem pequenas para o adulto;
  • Ter paciência com erros durante o aprendizado;
  • Reconhecer que fantasia também faz parte do desenvolvimento;
  • Perceber que acolhimento pode marcar uma vida inteira.

Por que essa frase continua tão atual?

A frase continua atual porque a vida moderna empurra adultos para uma rotina acelerada. Trabalho, boletos, comparação nas redes sociais e pressão por desempenho podem endurecer a forma de viver. Nesse ritmo, lembrar da infância parece quase um ato de resistência.

O Pequeno Príncipe atravessa gerações porque fala com simplicidade sobre temas que continuam difíceis. A obra lembra que crescer não precisa apagar a sensibilidade. Pelo contrário, uma vida adulta mais humana pode nascer justamente da capacidade de proteger aquilo que a infância ensinou de mais verdadeiro.

Uma lembrança delicada sobre crescer sem perder o essencial

A reflexão de O Pequeno Príncipe sobre adultos não pede que ninguém abandone responsabilidades ou viva preso ao passado. Ela convida a recuperar uma parte esquecida da própria história, aquela que sabia se encantar, fazer perguntas e perceber beleza onde quase ninguém via.

No fim, a frase mostra que lembrar da infância é lembrar de uma forma mais sensível de existir. Muitos adultos foram crianças antes, mas poucos carregam essa memória com cuidado. Quem consegue fazer isso talvez entenda melhor o outro, escute com mais ternura e perceba que o essencial nem sempre aparece nas coisas grandes.

Novas pesquisas desvendam mitos sobre o que vai pela cabeça da geração Z

Eles sonham com emprego e casa própria, sim, mas padecem num mundo em desalento econômico

Por Veja

Há trinta anos, a passagem para a vida adulta seguia um roteiro previsível. Cruzar a fronteira dos 20 anos significava, para a maioria dos jovens da geração X e dos millennials mais velhos, ingressar em um mercado de trabalho que ainda prometia progressão em linha reta. O primeiro emprego era o degrau inicial de uma escalada reconhecível. Com um salário inicial modesto, mas razoável, dava para planejar o resto: casamento no início da vida adulta, o sonho do financiamento da casa própria e, um pouco mais tarde, a chegada dos filhos. A estabilidade não era uma aspiração distante, mas a recompensa esperada por quem seguia as regras do jogo social.

Corte para o presente: o jovem médio da geração Z brasileira — composta pelos nascidos entre 1997 e 2012 — ainda acorda no quarto de infância, na casa dos pais. Nessa situação estão 52% dos rapazes e das moças de 18 a 28 anos no país, segundo uma recém-lançada pesquisa do instituto Ipsos. O levantamento debruça-se sobre as aspirações de vida dos adultos em geral, mas puxa uma safra de estudos recentes que lançam um recorte revelador sobretudo a respeito da chamada gen Z. A diferença entre esses dois cenários geracionais, o de um script previsível e o de um futuro incerto, põe peso excessivo nos jovens adultos de hoje, mostra a Ipsos.

Trata-se de uma geração que nasceu num mundo digital — e, por consequência, prefere o YouTube à televisão tradicional, ou o WhatsApp às ligações de telefone. Imersos na dita “economia da atenção”, esses jovens são os protagonistas mais evidentes do que os psicólogos classificam como uma epidemia global de ansiedade provocada pelas telas. Não por acaso: a geração Z começa suas manhãs diante do smartphone e move-se no mundo adulto com aflições sem fim. A começar pela dura perspectiva de trabalho: seus currículos são julgados por algoritmos que respondem com rejeições automáticas, sem que um recrutador humano jamais os leia.

A visão cristalizada pelo senso comum sobre os nascidos do fim dos anos 1990 ao início dos 2010 é de que cultivam apatia existencial, desapego material e desinteresse por hierarquias corporativas. Seriam jovens que preferem gastar com experiências fortuitas, como ir ao Rock in Rio, a construir patrimônio e estudar para o vestibular. Ou que recusam o fardo da liderança por comodismo — e veem com indiferença a ideia de formar família. Sob essa lente, a geração Z seria a que desistiu de crescer.

A nova pesquisa da Ipsos, contudo, ajuda a encontrar linhas de coerência na cabeça dessa geração e justificativas aceitáveis para muito do que é visto como comportamento errático. A Life Aspirations 2026 ouviu 22 693 adultos em trinta países — cerca de 1 000 deles no Brasil — entre fevereiro e março deste ano. Os dados mostram que a geração Z, ao contrário dos mitos propalados a seu respeito, continua alinhada aos marcos tradicionais de sucesso de seus pais e avós: emprego estável e casa própria seguem no topo das prioridades. O que mudou não foi o que esses jovens desejam, mas a confiança de que vão conseguir: a geração Z não abandonou o roteiro tradicional, só parou de acreditar que consegue segui-lo.

O primeiro mito que os números desmontam é o do desapego profissional (veja o quadro). Ter um emprego estável em tempo integral é considerado sinal de sucesso por 66% dos jovens globais entrevistados. A maioria também põe a estabilidade financeira como meta principal para os próximos dez anos: 76% deles monitoram ativamente o próprio bolso para evitar o descontrole financeiro.

A preocupação se repete, ainda com mais força, em torno da casa própria: 67% dos brasileiros entrevistados consideram esse um sinal definitivo de sucesso, ante 58% na média global. “A casa própria representa, no Brasil, muito mais do que um ativo financeiro”, explica Lucymara Andrade, diretora de pesquisas da Ipsos. “Ela carrega uma carga simbólica de proteção, independência, e é o principal marcador de mobilidade social.” Faz sentido: num contexto macroeconômico historicamente instável, possuir o próprio teto funciona como a única certeza sobre o amanhã.

O problema, mostram os dados, não é o desejo — é a distância entre desejar e esperar conseguir. No Brasil, a impossibilidade de comprar uma casa entristece 54% dos jovens da geração Z. O impacto da instabilidade profissional é ainda maior: 56% dessa parcela da população diz que ficaria um pouco ou muito triste se nunca alcançar estabilidade no trabalho — 10 pontos percentuais acima da média nacional. “O que os dados revelam não é abandono de valores tradicionais”, diz Andrade. “A casa própria, o trabalho seguro, a estruturação de uma base sólida continuam vivos no imaginário. A diferença é que as novas gerações os enxergam como quase inalcançáveis sem alguma ajuda”, completa. Ou seja: quando a expectativa desaba e o desejo permanece alto, cria-se uma verdadeira fábrica de frustração emocional.

Com esse clima de melancolia à espreita torna-se compreensível outro traço real da geração Z: sua tendência a dar passos cautelosos na carreira. Segundo uma pesquisa recente da consultoria global Deloitte, quatro em cada dez desses jovens já recusaram propostas de emprego em nome de fatores como a coerência com seus objetivos ou o cuidado com a saúde mental. Outro estudo, das plataformas CoderPad e Visier, mostra que 36% dos profissionais da geração Z não têm interesse em cargos de gestão, apenas 4% almejam posições no topo da hierarquia profissional — os chamados C-levels. No Brasil, segundo a Deloitte, só 25% da geração Z prefere uma carreira de promoções rápidas — a maioria opta por crescimento gradual. Não é recusa ao trabalho: é recusa a repetir, na vida, o preço que testemunharam os pais pagarem.

O que esses levantamentos captam, em essência, não é apenas um retrato profundo de uma faixa etária incompreendida — mas a confirmação de que, no fundo, as aspirações de cada geração de turno têm mais convergências do que nuances. As diferenças na visão de mundo são fruto das contingências da época em que viveram (veja o quadro). Assim, os baby boomers são filhos da bonança do pós-guerra, herdada em parte também pela geração X, crescida nas últimas décadas da Guerra Fria. Já os millennials chegaram ao mundo no raiar da internet — e são a primeira geração afligida pela escassez de recursos para realizar os sonhos comuns das anteriores.

O desalento, finalmente, é a palavra que define a realidade de sua sucessora, a geração Z. E nada sintetiza isso tão bem quanto a postura dos jovens de hoje diante de assuntos como a família e os filhos. Segundo o estudo da Deloitte, nada menos que 55% deles admitem adiar o sonho de se casar e ter filhos por causa de restrições financeiras. No Brasil, 24% desses jovens já dão mais valor à posse de um bicho de estimação como símbolo de realização, enquanto apenas 19% pensam o mesmo sobre ter filhos. Essa acomodação forçada de sonhos e expectativas cobra seu preço. A geração Z é a mais ansiosa das últimas décadas: 53% dos jovens brasileiros relatam ansiedade excessiva, e 29% associam a comparação com vidas idealizadas nas redes à queda da própria autoestima, segundo a plataforma de pesquisa digital MindMiners.

 

Embora esses jovens enfrentem percalços mais difíceis que outras gerações do pós-guerra, ainda há uma luz no fim do túnel: a pesquisa da Ipsos demonstra que eles exibem uma notável resiliência aspiracional. “O sonho das conquistas permanece muito vivo e ativo”, diz Lucymara Andrade. A especialista argumenta que a aparente apatia não se deve à falta de ambição ou de esperança, mas às circunstâncias de uma realidade que exige cautela e estratégia. Ao decifrar a juventude atual, entende-se mais o mundo — e o Brasil.

 

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