Gramado Summit: onde inovação, negócios e pessoas se encontram – 22.04.2026

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Você vai ler na coluna hoje: Gramado Summit: onde inovação, negócios e pessoas se encontram, ARP celebra 70 anos com palestra sobre o futuro da publicidade, Xuxa Meneghel: “Temos obrigação de nos posicionar”, Fim da Geração Z e Alfa: nova geração surge com bebês expostos a telas desde os primeiros meses, com estímulos digitais constantes que podem impactar atenção, memória, linguagem e inteligência emocional, Endividamento atinge 67% dos brasileiros e 21% já estão com parcelas em atraso, mostra Datafolha, A Nielsen mede audiência ou “distribui” poder?, A citação de hoje é de Confúcio: “A vida é realmente simples, mas insistimos em torná-la complicada.”

 

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Gramado Summit: onde inovação, negócios e pessoas se encontram

O Gramado Summit 2026 é um dos principais encontros de inovação, empreendedorismo e tecnologia da América Latina. Realizado entre os dias 6 e 8 de maio, em Gramado (RS), o evento reúne milhares de profissionais, empresas, startups e líderes de mercado em uma imersão de conteúdo, conexões e oportunidades.

Mais do que um evento de palestras, o Summit se consolida como um verdadeiro hub de negócios, com trilhas de conteúdo que abordam temas como marketing, tecnologia, criatividade, comportamento e futuro do trabalho. Ao longo de três dias, o público tem acesso a painéis, keynotes e debates com grandes nomes do mercado, além de espaços dedicados ao networking, mentorias e geração de parcerias estratégicas.

Com diferentes palcos e experiências, o evento propõe discussões relevantes sobre o futuro, sempre colocando o humano no centro das transformações — uma reflexão essencial em um cenário cada vez mais acelerado pela tecnologia.

Confira a programação completa e escolha as experiências que mais fazem sentido para você CLIQUE PARA CONFERIR

ARP celebra 70 anos com palestra sobre o futuro da publicidade

Por Associação Riograndense de Propaganda

A nossa indústria pulsa. E para celebrar 70 anos de história, trazemos quem entende de futuro para o palco da ARP!

Estreando nossa série de conteúdos especiais, recebemos Caio Del Manto para a palestra: “Da atenção à intenção: como a lógica comportamental da publicidade se transforma”.

 Com 25 anos de estrada internacional e passagens por agências como Ogilvy, McCann e Fallon Londres, Caio vai compartilhar insights reais sobre como construir marcas na nova lógica de consumo.

E o debate continua com elas:
– Renata Schenkel
– Mediação de Daniele Lazzarotto

E antes do evento começar, será lançada a campanha de 70 anos da ARP, assinada pela Escala! Você vai descobrir por que estamos Mais Vivos do que Nunca.

O evento, exclusivo para sócios da ARP e convidados, começa ao meio-dia e contará com serviço de gastronomia para os convidados.

Xuxa Meneghel: “Temos obrigação de nos posicionar”

Por Bárbara Sacchitiello

Se os dicionários da língua portuguesa trouxessem uma imagem para ilustrar cada verbete, a foto de Xuxa Meneghel poderia facilmente acompanhar o termo ‘celebridade’. Poucas pessoas representam, de forma tão contundente, o que é ser uma personalidade da mídia, capaz de ditar tendências, angariar fãs de diferentes gerações e ter uma atuação que vai da televisão ao cinema, passando pela música e tornando seu nome sinônimo de produtos licenciados, engajamento e, consequentemente, lucro.

No entanto, entre a Xuxa que recebeu o título de Rainha dos Baixinhos, ainda na década de 1980, e a mulher de 63 anos, que se prepara para subir aos palcos de várias cidades brasileiras com a turnê “O Último Voo da Nave”, que celebra seus mais de 40 anos de carreira, muitas transformações aconteceram, tanto no cenário da mídia e da tecnologia como na própria consciência da artista, que hoje vê sua carreira e projeção como resultados de ser a figura certa, para o público certo, no momento em que a sociedade demandava aquele tipo de entretenimento.

Um dos maiores exemplos de originalidade da mídia e do entretenimento brasileiro, Xuxa foi a personagem da seção “Entrevista Coletiva”, na edição especial de aniversário de Meio & Mensagem, publicada no último dia 13.

Na seção, a apresentadora respondeu a perguntas de outras personalidades da publicidade, do meio artístico e de executivos de marcas com as quais trabalhou ao longo da carreira.

Amauri Soares, diretor dos Estúdios Globo

“Você acha que existe espaço ainda hoje para programação infantil na televisão? Que tipo de programação?

Xuxa: Amauri, um beijo para você! As crianças, hoje em dia, não podem ser colocadas dentro de uma mesma caixinha. A criança da cidade grande é uma; a da cidade pequena, é outra. Um menino para uma menina é diferente, assim como uma criança de uma idade para outra, também tem muita diferença. Então, não existe a possibilidade de fazer um programa infantil que englobe tantas nuances e texturas diferentes no mesmo programa. Particularmente, acho impossível. Agora, fazer um programa para a família, onde a criança possa se encontrar, possa estar ali, possa ser vista nesse lugar, pode ser que seja possível. Como sou uma pessoa muito curiosa, tenho vontade de conhecer a cabeça das crianças. Gostaria de fazer um programa para crianças, mas sendo feito por elas. Queria me sentar com alguns grupos de crianças, com idades e cabeças diferentes, perguntar o que elas gostariam de ver, como elas gostariam de fazer, para ver o que sairia. Amo conversar com crianças e gosto de fazer perguntas sobre, por exemplo, religião. O que é Deus para uma criança que mora no Sul? E para outra, que mora no Nordeste, Norte, Centro-Oeste? Queira perguntar, me aprofundar, querer saber como elas chegaram naquele pensamento. Perguntar sobre a guerra, sobre castigos, sobre adultos. Tenho muita curiosidade pois, como as crianças cresceram e mudaram muito, elas absorvem muita informação, mas ainda têm o frescor de criança. Tenho muita curiosidade em saber como essas cabecinhas funcionam, como essa genialidade e esse lugar tão mágico poderia ajudar, inclusive, no desenvolvimento do mundo. Se alguém me perguntasse qual programa infantil eu gostaria de fazer, gostaria de chamar as crianças e descobrir o que elas sentem e o que gostariam de ver.

Cassia Dian, jornalista, fotógrafa e diretora de “Xuxa, o Documentário”

“As pautas femininas, ainda muito tímidas nos anos 80, quando você ganhou projeção, hoje repercutem com mais força. Como sua trajetória influencia o seu olhar sobre ser mulher?”

Xuxa: É, Cassia, vejo muita gente falando que eu já era influencer sem que essa palavra existisse, e que eu fiz muita coisa, que ajudei muita gente a se sentir forte, a sonhar e a acreditar. Ao mesmo tempo, hoje, com a idade que tenho, acho que poderia ter feito muito mais pelas meninas, pelas mulheres, pelas pessoas que são muito massacradas. Nunca vi tanto feminicídio, tanta violência contra a mulher como hoje em dia. Muita gente fala que sempre existiu, mas que não era filmado. Será? Acho que não. Hoje, parece que a coisa está mais forte. Os homens, os machistas, as pessoas que acreditam que a mulher tem de der inferior, tem de ganhar menos, parece que se tornaram mais poderosos e fortes a ponto de acharem que nós, mulheres, realmente precisamos ficar em casa. E o que mais me revolta é quando vejo uma mulher dizendo a outra que, se ela apanha, é porque realmente fez alguma coisa errada. Poderia falar, por horas, sobre coisas que eu poderia ter feito e ter dito. Tinha um lugar onde eu escrevia e colocava para fora todos os meus pensamentos, mas, depois de um tempo, eu disse para as pessoas que trabalhavam comigo que eu precisava parar, que eu não precisava ter um cantinho onde colocar tudo para fora porque, com aquilo, não chegaria a lugar nenhum. As pessoas não iriam me entender e eu não conseguiria mudar nada. Então, às vezes, fico pensando que, por mais que eu tente e lute, tem tanta coisa errada que, por mais que eu esteja fazendo minha parte, aquilo não seria nada. Essa doença de querer pisar nas pessoas, diminui-las, deixar o outro lado mais fraco, está muito feia. Falamos das guerras nos outros países, mas vivemos guerras internas na escola, no trabalho, no dia a dia, na internet, em tudo. Sempre há essa briga, de querer mostrar quem se é e o outro querer que você morra. Não sei se a maturidade, a velhice, fazem com que a gente veja as coisas dessa maneira, mas para mim está muito claro que o ser humano é um bicho muito egoísta, muito preconceituoso, muito feio. E que, por mais que a gente faça e fale, parece que não adianta. É bem assustador tudo isso.

Maurício de Sousa, desenhista, fundador e presidente da Mauricio de Sousa Produções

“Minha querida Xuxa, a criatividade e a identidade sempre fizeram parte da sua trajetória, desde os cenários mais simbólicos até a forma como você se comunica com o público. Hoje, olhando para esse momento da sua vida, o que tem te inspirado de verdade? O que você anda vendo, lendo ou ouvindo no dia a dia que tem despertado a sua criatividade?

Xuxa Meneghel: Mauricio, meu amor! Eu vejo de tudo. Vejo seriado bom, vejo seriado ruim. Vejo filme bom, filme ruim. Vejo tudo o que as pessoas estão consumindo e estou bastante apreensiva com a política, com a guerra no mundo. Quando chegamos a uma certa idade, não adianta não querer ouvir ou não querer saber das coisas. Temos que nos posicionar, principalmente quando temos a possibilidade de falar, a possibilidade de alcançar alguém. Temos essa obrigação. E isso me deixa bastante nervosa porque, às vezes, acho que eu poderia falar mais, fazer mais pelas crianças, pelas mulheres, pelos animais. Às vezes acho que fico muito quieta, muito parada, tendo tantas oportunidades e, muitas vezes, essas mesmas oportunidades não voltam. Porque hoje o tempo é mais rápido, tudo muda muito rápido. Então, estou tentando me moldar com a cabeça e o tempo das pessoas, com o que é bom hoje em dia. Na realidade, eu sou, aos 63 anos, uma eterna aprendiz. Estou vendo e consumindo de tudo para tentar entender um pouquinho da cabeça das pessoas e do mundo. E isso me faz ter alguma ou nenhuma criatividade nas coisas que eu faço. Vivo em uma montanha russa. É 8 ou 80. Muitas vezes, acordo e penso que poderia fazer isso e aquilo e aí, no outro dia, me pergunto: ‘por que pensei isso ontem?’ O mundo está mudando, está confuso e temos que aprender um pouco de tudo.

Patrícia Abravanel, apresentadora do SBT

“Xuxa, considerando tudo o que você fez ao longo da carreira, o que mais de fascina em trabalhar no mercado audiovisual?

Xuxa: Comecei a fazer televisão apenas por curiosidade e para ver se realmente iria dar certo e acabei me apaixonando de primeira. Vi que era aquilo que queria para mim. O cantar veio da necessidade de passar as mensagens que eu queria em vez ficar falando. Todo mundo concordou que, se eu cantasse sobre sonho, não precisaria falar sobre sonho e que poderia passar, através da música, temas como natureza e alimentação. A música veio praticamente de uma necessidade ligada ao programa. Já os filmes vieram como uma forma de impactar outro público e atender ao que queriam naquele momento. Tudo foi, na realidade, surgindo a partir da necessidade de crescer, além de apresentar o programa e o que eu poderia fazer para isso se fortalecesse. Assim foi ao lançar produtos, lançar as bonecas. As pessoas já estavam fazendo isso, então, resolvi fazer com mais cuidado e carinho ao meu público. Mas, sem dúvida nenhuma, posso te responder que, de tudo o que fiz, o que mais gosto de fazer é a televisão, é apresentar. Os shows também foram uma necessidade, após lançar os discos. Não foi um caminho muito planejado, foi algo que foi acontecendo. Não tinha a certeza de que eu iria dar certo e de que as pessoas iam querer me ver e me consumir. Até hoje, me pergunto o que as pessoas viram em mim e por que tudo isso aconteceu comigo. Acredito que o fato de ter um programa, na manhã toda, na terceira maior televisão do mundo – e você, que também lida com isso, sabe a força que a TV tinha nos anos 1980 e 1990 – trouxe um pouco a resposta. As pessoas queriam, naquela época, ver alguém parecida comigo e acompanhar o que eu tinha a oferecer. Foi uma junção de coisas. Hoje em dia, não acredito que uma pessoa parecida comigo, com aquele horário todo, tenha esse boom, porque o mundo mudou, as pessoas mudaram, a TV mudou. Sem dúvida, apresentar o programa foi o que mais me fascinou e o que mais me deu oportunidade de ir para outros caminhos.

Sérgio Gordilho, copresidente e CCO da agência de publicidade Africa

“Hoje, Dengue e Praga dominariam os feeds. As Paquitas seriam top creators. Os baixinhos, um fandom ativo. O que a tecnologia teria potencializado no seu trabalho naquela época… e o que talvez ela teria tirado de você?”

Xuxa: Caramba, Sérgio! Eu acho que minha naturalidade seria um pouco podada. Porque, não vou dizer sempre, mas as vezes me arrependo de falar as coisas sem pensar. E acho que, se eu tivesse todas as manhãs, todos os dias, como naquela época, para falar o que eu quisesse, iria falar coisas bacanas, coisas ruins. Se eu tivesse toda essa parafernalha que temos hoje, ia ser idolatrada em um dia, cancelada em outro. Acho que ia perder a naturalidade e isso não seria muito bom. Foi ótimo para aquela época, em que eu recebia cerca de 8 mil cartas por dias, jogava aquelas cartinhas para fora para poder ler o que as pessoas pensavam de mim. Hoje em dia é só botar o dedo e ficar lendo os comentários, bons e ruins, que as vezes poderiam me magoar e com certeza tirariam a minha naturalidade, e também das Paquitas, do Dengue, do Praga, de todos nós.

 

 

Fim da Geração Z e Alfa: nova geração surge com bebês expostos a telas desde os primeiros meses, com estímulos digitais constantes que podem impactar atenção, memória, linguagem e inteligência emocional

Por Alisson Ficher

Geração Beta ganha espaço no debate sobre infância digital, destacando mudanças no ambiente de crescimento, presença intensa de tecnologia e preocupações com desenvolvimento cognitivo e emocional desde os primeiros meses de vida, com atenção especial ao papel das telas e das interações familiares.

A chamada geração Beta passou a designar, no debate público, os bebês nascidos a partir de 2025 e previstos até 2039, consolidando um recorte demográfico que busca traduzir transformações profundas no ambiente em que essas crianças crescem e se desenvolvem.

Popularizado pelo pesquisador australiano Mark McCrindle, o termo ganhou relevância ao tentar descrever uma infância já inserida em um contexto marcado por inteligência artificial, automação e conectividade constante, presentes de forma natural no cotidiano familiar desde os primeiros meses de vida.

Ainda assim, especialistas alertam que o uso dessa classificação exige cautela, já que se trata de um rótulo geracional e não de uma categoria científica formal, o que impede generalizações definitivas sobre comportamento, cognição ou desenvolvimento emocional dessas crianças.

Ambiente digital e primeira infância

Mais do que o nome atribuído à geração, o que mobiliza pesquisadores da área da saúde e da educação é o contexto em que esses bebês estão inseridos, caracterizado por um volume crescente de estímulos digitais desde muito cedo dentro da rotina doméstica.

Dentro desse cenário, celulares, tablets, televisores conectados e videochamadas passam a ocupar espaço frequente no dia a dia, influenciando diretamente a forma como a criança interage com o ambiente, processa informações e estabelece vínculos com os adultos ao seu redor.

Diante dessa realidade, a primeira infância retorna ao centro das discussões, especialmente em temas como atenção, desenvolvimento da linguagem, qualidade do sono, regulação emocional e intensidade das interações humanas que estruturam os primeiros anos de vida.

Embora a presença da tecnologia seja cada vez mais inevitável, a literatura científica disponível não sustenta conclusões automáticas sobre uma geração inteira, reforçando que o desenvolvimento infantil depende de múltiplos fatores interligados e não apenas da exposição digital.

Ainda assim, há consenso de que a exposição precoce e excessiva a telas pode estar associada a prejuízos importantes, sobretudo quando substitui experiências essenciais como conversas, brincadeiras, leitura compartilhada e interações presenciais consistentes.

O que define a geração Beta

Ao observar os bebês nascidos a partir de 2025, percebe-se que o principal elemento em comum não está em traços comportamentais fixos, mas sim no ambiente altamente conectado que estrutura suas experiências desde o início da vida.

Nesse contexto, é comum que essas crianças cresçam em lares onde fotos digitais, vídeos, aplicativos e assistentes virtuais fazem parte da organização cotidiana, influenciando tanto o entretenimento quanto práticas relacionadas ao cuidado e à rotina familiar.

Por essa razão, a discussão sobre a geração Beta se desloca do campo da identidade para o das condições de desenvolvimento, destacando como o ambiente molda habilidades cognitivas, emocionais e sociais ao longo dos primeiros anos.

Sob a ótica da psicologia do desenvolvimento, torna-se central compreender como a criança aprende a sustentar atenção, interpretar expressões, construir vocabulário e responder emocionalmente às interações que vivencia diariamente.

Como essas competências dependem de trocas reais e repetidas com cuidadores, a substituição dessas interações por estímulos digitais rápidos e contínuos levanta preocupações sobre possíveis impactos na qualidade da experiência relacional.

Uso de telas e recomendações na infância

Entre os pontos mais consolidados no debate atual estão as recomendações sobre o uso de telas na primeira infância, que orientam limites claros especialmente nos primeiros anos de vida, quando o desenvolvimento cerebral ocorre de forma mais intensa.

No Brasil, diretrizes oficiais indicam não utilizar telas para crianças menores de 2 anos, exceto em situações específicas como videochamadas acompanhadas por adultos, reforçando a importância da mediação humana nesse tipo de interação.

Organismos internacionais seguem linha semelhante, destacando que o problema não está apenas no dispositivo em si, mas na forma como ele é inserido na rotina e no que eventualmente substitui nas experiências da criança.

Sob essa perspectiva, bebês aprendem de maneira mais eficiente quando há interação direta com adultos, incluindo fala, contato visual, resposta a estímulos e construção de vínculos afetivos consistentes ao longo do tempo.

Quando o uso de telas ocupa esse espaço com frequência, há risco de redução do tempo dedicado a experiências fundamentais para o desenvolvimento da linguagem, da atenção e da regulação emocional.

Diferenças entre geração Alfa, Beta e Z

Para compreender melhor esse cenário, é necessário observar o papel da geração Alfa como etapa intermediária, marcada pela consolidação da infância conectada em larga escala dentro dos ambientes domésticos e educacionais.

A partir dessa base, os bebês da geração Beta passam a nascer em um contexto ainda mais integrado digitalmente, onde a presença da tecnologia já não representa novidade, mas sim uma condição estrutural da vida cotidiana.

Em contraste, a geração Z vivenciou um período de transição, acompanhando a expansão da internet e dos dispositivos móveis ao longo da infância e da adolescência, o que configura experiências distintas em relação às gerações mais recentes.

Dessa forma, a principal diferença não está necessariamente em características psicológicas fixas, mas no ambiente em que cada grupo foi exposto durante fases decisivas do desenvolvimento.

Fatores que influenciam o desenvolvimento infantil

Entre os elementos que mais influenciam o desenvolvimento dos bebês atuais, destacam-se a exposição precoce a dispositivos digitais, a intensidade dos estímulos sensoriais e a redução do tempo dedicado a interações presenciais.

Somam-se a esses fatores a qualidade do sono, a organização da rotina familiar e o contexto urbano acelerado, que contribuem para um ambiente de constante estímulo e disponibilidade de conteúdo.

Em conjunto, esses aspectos moldam a forma como a criança percebe o mundo, aprende novas habilidades e constrói relações sociais ao longo da primeira infância.

Práticas parentais e equilíbrio no uso da tecnologia

Diante desse cenário, o desafio central para famílias e cuidadores não está em eliminar a tecnologia do cotidiano, mas em garantir que ela não substitua experiências fundamentais para o desenvolvimento infantil.

Nesse sentido, especialistas recomendam preservar momentos livres de telas, especialmente durante refeições, antes do sono e em situações de interação familiar direta.

Além disso, o acompanhamento adulto durante o uso de dispositivos é apontado como estratégia importante para evitar exposição automática, prolongada ou utilizada como principal forma de regulação do comportamento.

Paralelamente, ganha força a compreensão de que o desenvolvimento emocional depende de presença ativa, previsibilidade e vínculos consistentes, elementos que estruturam a segurança emocional desde os primeiros anos.

Ao priorizar interações reais, estímulo à curiosidade e experiências concretas com pessoas e ambientes, cria-se uma base mais sólida para a organização da atenção, da linguagem e das relações sociais em um contexto cada vez mais digital.

 

 

Endividamento atinge 67% dos brasileiros e 21% já estão com parcelas em atraso, mostra Datafolha

Por Redação Brasil 247

Pesquisa Datafolha mostra que o endividamento já faz parte da realidade de dois em cada três brasileiros. Segundo levantamento publicado pela Folha de S.Paulo, 67% da população afirmam ter algum tipo de dívida financeira, como empréstimos, financiamentos ou parcelamentos. Desse total, 21% dizem estar com pagamentos em atraso, num retrato que expõe o peso do crédito caro e da renda comprimida sobre o orçamento das famílias.

O estudo, realizado nos dias 8 e 9 de abril com 2.002 pessoas de 16 anos ou mais em 117 municípios, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%, também mostra que o problema não se restringe às dívidas bancárias. Há um ambiente disseminado de aperto financeiro, cortes de consumo e sensação de perda de bem-estar, em meio à alta do custo de vida e à dependência crescente do crédito.

Crédito caro e inadimplência em alta

Entre os brasileiros que recorreram a empréstimos com amigos e familiares, 41% disseram estar devendo. Já no caso do cartão de crédito parcelado, 29% dos endividados nessa modalidade relataram inadimplência. Em seguida aparecem os empréstimos em banco, com 26%, e os carnês de lojas, com 25%.

Outro dado que chama atenção é o uso do crédito rotativo, uma das modalidades mais caras do mercado. Segundo o Datafolha, 27% dos entrevistados afirmam usar o rotativo com diferentes graus de frequência. Desse grupo, 5% dizem recorrer a esse mecanismo com alta frequência, enquanto 22% o utilizam às vezes ou raramente.

O crédito rotativo é acionado automaticamente quando o consumidor paga apenas o valor mínimo da fatura do cartão, empurrando o restante da dívida para frente com juros elevados. De acordo com dados do Banco Central citados pela reportagem, essa linha cobra, em média, juros mensais de 14,9%, embora desde 2024 exista uma norma que limita a dívida do cartão ao dobro do valor original.

A economista Isabela Tavares, da Tendências Consultoria, resumiu o quadro em declaração literal à reportagem: “A inclusão financeira dos últimos anos e o aumento dos juros bancários acabaram elevando muito o comprometimento de renda e a própria inadimplência”.

A avaliação ajuda a entender o fenômeno atual: mais brasileiros passaram a ter acesso ao sistema financeiro, mas essa ampliação se deu num ambiente de juros altos, inflação persistente e alimentos pesando mais no orçamento doméstico.

Contas básicas também entram no vermelho

A pesquisa revela ainda que o endividamento não se limita ao sistema bancário. Entre os entrevistados, 28% afirmaram estar com contas de consumo e serviços em atraso.

As dívidas mais citadas nesse grupo foram telefone, celular e internet, lembradas por 12% dos inadimplentes. No mesmo patamar aparecem IPTU, IPVA e carnê-leão, também com 12%. Em seguida vêm contas de luz, com 11%, e de água, com 9%.

Os números indicam que a pressão financeira já alcança despesas básicas do cotidiano. Quando a inadimplência chega a contas como energia, água e conectividade, o problema deixa de ser apenas contábil e passa a refletir uma erosão mais profunda da capacidade de sustento das famílias.

Quase metade vive situação apertada ou severa

O Datafolha também montou um índice de aperto financeiro com base em oito tipos de restrição recentes no orçamento, como redução de consumo, atraso em contas, inadimplência e mudança de hábitos.

O resultado mostra que 27% dos brasileiros vivem uma situação financeira classificada como apertada, enquanto 18% enfrentam condições severas. Somados, os dois grupos chegam a 45% da população.

Outros 36% se encaixam na categoria moderada. Apenas 19% foram classificados como isentos ou leves, isto é, com nenhuma ou apenas uma restrição identificada.

O dado ajuda a explicar por que o mal-estar econômico vai além dos indicadores formais de renda. Mesmo quando há algum ganho nominal, o comprometimento crescente com dívidas, contas e crédito corrói a sensação de segurança material.

Brasileiros cortam lazer, comida e até remédios

Para enfrentar a deterioração do orçamento, a maioria dos entrevistados afirmou ter sido obrigada a rever hábitos de consumo. Segundo o levantamento, 64% disseram que cortaram gastos com lazer.

Além disso, 60% reduziram a quantidade de vezes que comem fora de casa, e outros 60% passaram a trocar marcas por opções mais baratas. Já 52% afirmaram ter diminuído a quantidade de alimentos comprados.

O aperto avança ainda para outras áreas essenciais. Metade dos entrevistados, 50%, relatou redução no consumo de água, luz e gás. Outros 40% disseram ter deixado de pagar alguma conta, 38% deixaram de pagar dívidas e o mesmo percentual, 38%, afirmou ter reduzido a compra de remédios.

O conjunto desses dados revela uma dinâmica preocupante: o ajuste das famílias já não ocorre apenas em itens supérfluos, mas atinge alimentação, saúde e consumo básico. É o tipo de contenção que afeta diretamente a qualidade de vida e o bem-estar.

Problemas financeiros lideram as preocupações pessoais

Quando questionados espontaneamente sobre seu principal problema pessoal hoje, os brasileiros apontaram majoritariamente questões ligadas ao dinheiro. Somando itens como falta de renda, endividamento, custo de vida, salário baixo e previdência, os aspectos financeiros aparecem como principal preocupação para 37% dos entrevistados.

Dentro desse grupo, a resposta mais frequente foi “questões financeiras/falta de dinheiro/renda”, citada por 27%. Em seguida surgem “endividamento (empréstimos, contas, aluguel)”, com 5%, e “custo de vida/inflação/impostos”, com 2%.

Na sequência, aparecem saúde, com 18%, questões relacionadas ao trabalho, com 8%, e problemas familiares e pessoais, com 5%. Falta de tempo e frustração pessoal foram mencionadas por 3%, enquanto problemas sociais do país somaram 2%. Já 14% disseram não ter problemas.

O retrato confirma que o debate econômico continua atravessando a vida cotidiana de forma decisiva. A preocupação com dinheiro não aparece como tema abstrato, mas como experiência concreta de aperto, dívida e perda de poder de compra.

Cartão de crédito ganha centralidade no orçamento

A pesquisa informa que 57% dos brasileiros usam cartão de crédito. Dentro desse universo, 13% disseram parcelar compras de supermercado sempre ou frequentemente, enquanto 4% afirmaram fazer o mesmo com contas de água e luz.

O levantamento também identificou práticas que mostram um grau maior de estrangulamento financeiro. Entre os usuários de cartão, 5% disseram pagar a fatura de um cartão com o limite de outro sempre ou frequentemente, e 10% afirmaram fazer isso às vezes.

A economista Isabela Tavares voltou a destacar a combinação explosiva entre expansão do crédito e alta dos preços. Em declaração literal, afirmou: “Mas os juros começaram a subir no mesmo momento. Isso, somado aos preços em alta dos alimentos, fez as pessoas recorrerem mais a modalidades de crédito emergenciais.”

Essa dinâmica ajuda a explicar por que o cartão, que em tese deveria funcionar como instrumento de organização financeira, acabou se transformando para muitos em mecanismo permanente de sobrevivência.

Oferta digital de crédito impulsiona consumo por impulso

O Datafolha também investigou como os brasileiros percebem os mecanismos de oferta de crédito. Entre os entrevistados, 68% concordam que as ofertas de crédito por celular ou internet facilitam muito o endividamento por impulso.

Mais da metade, 51%, declarou concordância total com a afirmação de que é difícil viver sem usar o cartão de crédito para fechar as contas do mês.

Para Lauro Gonzalez, coordenador do Centro de Estudos em Microfinanças e Inclusão Financeira da FGV e professor da FGV EAESP, o cenário atual é resultado de vários fatores combinados. Segundo ele, a maior oferta de crédito após a abertura do mercado ajuda a explicar o alto endividamento. Também pesam o ambiente macroeconômico, com juros básicos de 14,75% ao ano, inflação acumulada de 4,14% em 12 meses, e a falta de educação financeira.

A leitura é relevante porque aponta uma contradição estrutural: o crédito se expandiu e chegou com mais facilidade à população, mas isso ocorreu sem proteção suficiente diante dos juros elevados e da fragilidade do orçamento doméstico.

Sem reserva e com pouco controle de gastos

Quando o assunto é planejamento financeiro, 44% dos brasileiros dizem fazer orçamento detalhado e saber tudo o que gastam em cada despesa. Outros 32% afirmam ter algum tipo de controle, mas sem conhecer todos os gastos com precisão.

Por outro lado, 23% declararam não fazer nenhum tipo de controle das despesas. Em um ambiente de renda pressionada e crédito abundante, esse dado reforça a vulnerabilidade de parte significativa da população.

A falta de reserva financeira também aparece como traço marcante. A maioria, 66%, afirmou não ter qualquer poupança ou colchão de segurança. Entre os que possuem alguma reserva, 12% disseram que o valor guardado cobriria menos de três meses de contas. Outros 10% afirmaram conseguir manter as despesas por três a seis meses em caso de desemprego ou invalidez.

Sem reserva, as famílias ficam ainda mais expostas a qualquer choque, como doença, perda de renda, alta inesperada de preços ou emergência doméstica. Nesse cenário, o recurso ao crédito deixa de ser escolha e passa a ser imposição.

Mal-estar econômico tem impacto social e político

A pesquisa também perguntou como os brasileiros se sentem em relação à situação financeira do país. Metade dos entrevistados, 49%, respondeu que se sente mal ou muito mal.

Lauro Gonzalez destacou que esse sentimento pode produzir efeitos para além da vida privada. Em declaração literal, afirmou: “Se a dívida está consumindo uma parcela significativa da renda, mesmo a renda tendo evoluído positivamente, isso pode significar uma queda em termos de sensação de bem-estar, que tem efeitos eleitorais. Não estamos num momento de crise de crédito, estamos num momento em que existe uma sensação de piora no bem-estar por conta do endividamento”.

Esse ponto ajuda a compreender por que o endividamento entrou na campanha eleitoral deste ano e passou a ocupar também a agenda do governo do presidente Lula. Entre as medidas já anunciadas estão ações de renegociação de dívidas e saques extraordinários do FGTS.

Mais do que um problema privado entre consumidor e banco, o avanço das dívidas se tornou questão econômica, social e política. Os números do Datafolha mostram que o crédito, em vez de funcionar como ponte para o consumo e a estabilidade, tem operado para milhões como engrenagem de sobrevivência em meio à renda comprimida e ao encarecimento da vida.

 

 

 

A Nielsen mede audiência ou “distribui” poder?

Por Ricardo Dias

Essa semana o The Wall Street Journal publicou uma matéria bombástica. O chairman de advertising da NBCUniversal foi a público dizer o que todo executivo de TV e CMO sabiam mas não falavam: a Nielsen está subestimando sistematicamente a audiência da televisão tradicional. E ao fazer isso, está inflando o poder de barganha dos streamers na negociação publicitária.

A história merece uma “novela” das 9. A Nielsen desenvolveu uma atualização do seu sistema de mensuração. Quando aplicado, os números de TV aberta subiram e os de streaming caíram. A reação dos streamers foi imediata e com isso a implementação foi adiada, já que essa “correção metodológica” que favorecia a TV incomodou quem não deveria incomodar.

Mas essa não é uma briga entre TV e streaming. É o sintoma de um problema estrutural: quando a infraestrutura de mensuração é controlada por um único player, a métrica deixa de ser espelho e vira alavanca de controle do orçamento de mídia.

A Nielsen não é uma empresa de dados. É uma infraestrutura de alocação de verba, que opera como se fosse neutra. E o pior: a fragmentação de mídia está tornando o problema irreversível.

YouTube, Netflix e Amazon sabem exatamente quem assiste o quê. Mas nenhum deles vai abrir seus dados para um medidor externo. O resultado é um sistema onde quem tem dados próprios ganha, quem depende de terceiros perde, e a métrica “oficial” se torna cada vez mais ficção.

No final, não existe uma mensuração neutra.

Toda métrica serve um propósito.

 

 

A citação de hoje é de Confúcio: “A vida é realmente simples, mas insistimos em torná-la complicada.”

Por Nicolas Otto

A reflexão atribuída a Confúcio — “A vida é realmente simples, mas insistimos em torná-la complicada.” — continua atual porque descreve padrões mentais comuns no comportamento humano. A frase aponta para hábitos de pensamento que aumentam a percepção de dificuldade no cotidiano e influenciam decisões, emoções e relações pessoais de forma constante e silenciosa.

O que significa a frase de Confúcio sobre a simplicidade da vida?

A citação de Confúcio sugere que a vida, em sua essência, possui estruturas simples, mas o ser humano tende a criar camadas de complexidade emocional e mental. Esse comportamento surge de interpretações excessivas e expectativas que transformam situações comuns em problemas mais difíceis do que realmente são no cotidiano humano atual.

Essa visão também destaca como a mente humana busca controle mesmo em situações que não exigem tanta análise. Ao tentar prever tudo, o indivíduo aumenta a sensação de peso nas decisões diárias. Isso gera ansiedade e reduz a capacidade de perceber soluções mais diretas e práticas disponíveis em diversas situações da vida.

Por que as pessoas complicam situações simples no dia a dia?

As pessoas complicam situações simples devido a padrões mentais construídos ao longo da vida, muitas vezes ligados ao medo de errar. Esse comportamento leva à análise excessiva, dificultando decisões rápidas e aumentando a sensação de insegurança emocional em tarefas que poderiam ser resolvidas de forma mais direta e eficiente no cotidiano.

Outro fator é a influência social e cultural, que incentiva a busca por perfeição em diferentes áreas da vida. Isso faz com que decisões simples sejam tratadas como complexas, criando bloqueios emocionais. O resultado é um ciclo de preocupação que consome energia mental e reduz a clareza nas escolhas diárias.

  • Reduzir excesso de opções em decisões
  • Evitar antecipar problemas que ainda não existem
  • Focar em uma tarefa por vez
  • Questionar se a preocupação é realmente necessária
  • Priorizar ações em vez de pensamentos repetitivos
Qual o impacto emocional de complicar a vida desnecessariamente?

Complicar a vida desnecessariamente gera impacto direto no equilíbrio emocional, aumentando níveis de estresse e ansiedade. A mente passa a operar em estado constante de alerta, mesmo quando não há riscos reais. Isso reduz a sensação de controle interno e afeta a qualidade das decisões tomadas no cotidiano pessoal e profissional.

Como desenvolver uma mentalidade mais simples e equilibrada?

Desenvolver uma mentalidade mais simples exige prática de autoconsciência e redução de padrões automáticos de pensamento. Isso envolve observar reações mentais e questionar se elas realmente ajudam na resolução de problemas. A simplificação mental não elimina responsabilidades, mas melhora a forma como elas são interpretadas no cotidiano.

Com o tempo, essa abordagem fortalece a clareza emocional e reduz o peso das decisões diárias. A mente passa a responder de forma mais objetiva às situações, sem criar complexidade desnecessária. Isso gera mais equilíbrio interno e melhora a qualidade de vida de maneira gradual e consistente no longo prazo.

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