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Quem governa o dinheiro?
Ao terminar de ler o livro Os Reis do Dinheiro, de Daniel Schulman, uma pergunta permanece martelando: quem, afinal, governa o dinheiro que governa o mundo?
Por: Fernando Röhsig – Conselheiro de Administração (CCA – IBGC).
A criação do Federal Reserve, gestada em segredo na ilha de Jekyll e sancionada em dezembro de 1913, nasceu do diagnóstico de que os Estados Unidos precisavam de um emprestador de última instância. Mas o desenho institucional – um conselho em Washington entrelaçado a doze bancos regionais, cujos diretores são em parte indicados pelos próprios bancos associados – consolidou, desde a origem, um arranjo em que a fronteira entre regulador e regulado nunca foi nítida.
Paul Warburg, com seu rascunho publicado no New York Times em 1911, e a órbita de J.P. Morgan, protagonistas centrais da obra de Schulman, não apenas desenharam o arcabouço técnico da nova autoridade monetária: personificam a tese de que a arquitetura financeira americana nasceu para servir, antes de tudo, quem a idealizou.
O FED não é simplesmente um “banco dos banqueiros”. Seu comando institucional está no Board of Governors, enquanto a política monetária é decidida pelo FOMC. Os bancos privados membros possuem ações dos Federal Reserve Banks, mas não controlam o Board of Governors, nem recebem dividendos como acionistas comuns. Ainda assim, a própria arquitetura do sistema nasceu em estreita interação com Wall Street e o setor bancário. É aí que começa a discussão real sobre governança.
Quanto maior a concentração de recursos, informação e influência, maior a necessidade de transparência, independência e mecanismos efetivos de prestação de contas. Essa tensão reaparece de forma visceral em momentos de crise.
O financiamento das guerras mundiais consolidou Wall Street como intermediário essencial entre capital privado e tesouros nacionais – bancos de investimento lucraram com a engenharia financeira dos conflitos, o que não significa afirmar que banqueiros “criaram” guerras, mas sim reconhecer que grandes crises redesenham mercados, dívidas, moedas, commodities e fortunas.
No pós-1945, o pacto informal entre Washington e as monarquias do Golfo ancorou o dólar como moeda de reserva global justamente pela garantia de que o petróleo seguiria precificado nele – o nascimento do petrodólar. Desde J.P. Morgan até a expansão do sistema financeiro internacional, dinheiro e geopolítica caminham lado a lado.
Mais de um século depois, a pergunta continua atual. Os países desenvolvidos carregam níveis elevados de endividamento. A inflação voltou a desafiar os bancos centrais, e os juros altos pressionam governos, empresas e famílias. Quando a geopolítica entra em cena, a política monetária deixa de ser apenas uma questão técnica.
A guerra entre Estados Unidos e Irã, deflagrada em 2026 com o fechamento intermitente do Estreito de Ormuz e choques violentos nos preços de petróleo e gás, oferece um exemplo quase didático. A energia voltou a superar patamares críticos, reacendendo o debate sobre até que ponto interesses energéticos e financeiros se sobrepõem à política externa e prolongando taxas de juros elevadas justamente quando o mercado esperava algum alívio.
E aqui está a provocação. Quem controla o dinheiro talvez não controle o mundo. Mas quem influencia o custo do dinheiro determina profundamente quem ganha, quem perde e quais decisões se tornam possíveis. É por isso que governança não é assunto exclusivo para conselhos de empresas. Deveria ser uma obsessão quando falamos das instituições que administram as engrenagens do sistema financeiro global.
A história de Warburg, Morgan, Jekyll Island e do FED nos lembra de uma coisa: poder financeiro sem escrutínio suficiente pode ser tão determinante quanto o poder político. E, quando ambos se encontram, o impacto reverbera muito além de Wall Street.
“O processo pelo qual os bancos criam dinheiro é tão simples que a mente o rejeita. Onde o mistério é tão profundo, busca-se naturalmente algo profundamente complexo.”, por John Kenneth Galbraith, 1.975, em Money: “Whence It Came, Where It Went (De onde veio, para onde foi.)”.
Listadas: Por que Smart Fit, Raia Drogasil e Panvel resistem a consumo fraco?
Relatório dimensiona também efeitos da manutenção dos juros altos sobre resultados de empresas mais sensíveis, como Magalu e Assaí.
Por: Bruna Lencioni
Em um cenário de juros elevados, endividamento das famílias e perspectivas de recuperação lenta do consumo, Smart Fit (SMFT3), Raia Drogasil (RADL3) e Panvel (PNVL3) se destacam entre as empresas brasileiras de varejo e serviços com maior capacidade relativa de resistência às dificuldades econômicas.
A avaliação é do BTG Pactual, que identifica nas três companhias oportunidades de crescimento menos dependentes de uma retomada generalizada dos gastos dos consumidores.
O banco afirma que a combinação de juros persistentemente elevados, restrições ao crédito e pressão sobre a renda disponível deve continuar limitando o desempenho do varejo nos próximos trimestres.
Nesse ambiente, empresas apoiadas em tendências estruturais de crescimento e em uma demanda mais previsível tendem a apresentar perspectivas mais favoráveis.
O BTG considera que o endividamento das famílias, equivalente a 49,8% da renda disponível, e o comprometimento de 29,3% da renda com o pagamento de dívidas reduzem o espaço para uma aceleração significativa dos gastos.
Mesmo considerando ambiente de queda dos juros, a recuperação do consumo deve ocorrer de maneira gradual, diante das limitações orçamentárias e da perda acumulada de poder de compra desde a pandemia.
A análise também aponta que a melhora dos balanços das varejistas listadas em Bolsa, em comparação com ciclos econômicos anteriores, amplia sua capacidade de enfrentar um período prolongado de juros elevados.
Ainda assim, o banco considera que empresas menos dependentes do crédito e da recuperação do consumo discricionário estão relativamente mais bem posicionadas.
Smart Fit se beneficia da expansão estrutural do mercado fitness
No caso da Smart Fit, o principal diferencial identificado pelo BTG é a possibilidade de continuar crescendo a partir da expansão do mercado de academias na América Latina, independentemente de uma recuperação mais ampla da economia.
O banco destaca a baixa penetração relativa dos serviços de fitness como uma oportunidade estrutural de expansão. A companhia também se beneficia de sua escala operacional, que representa uma vantagem competitiva em um mercado com espaço para crescimento.
Outro fator apontado pelos analistas é o avanço do TotalPass, plataforma de benefícios corporativos voltada à prática de atividades físicas, cuja expansão amplia as oportunidades de crescimento do grupo.
Entretanto, o BTG ressalta que a companhia continua sensível às oscilações das taxas de juros de longo prazo, especialmente por causa do peso atribuído aos fluxos de caixa futuros em sua avaliação de mercado.
Raia Drogasil combina demanda defensiva e crescimento dos GLP-1
Para a Raia Drogasil, os analistas identificam uma combinação de fatores que favorecem a previsibilidade dos resultados, mesmo em um ambiente econômico mais restritivo.
O primeiro deles é a própria natureza do consumo farmacêutico, considerado relativamente defensivo por estar associado a necessidades de saúde menos sujeitas a adiamentos do que as compras de bens discricionários.
A esse componente, somam-se os ganhos de participação de mercado e a expansão omnicanal da companhia, que contribuem para ampliar sua presença e fortalecer o relacionamento com os consumidores.
O banco também considera importante a participação crescente dos medicamentos da classe GLP-1, utilizados no tratamento do diabetes e da obesidade, é fator adicional de sustentação do crescimento.
A expansão das canetinhas tem representado lucro para o varejo farmacêutico como um todo, especialmente para redes com escala, capilaridade e capacidade de distribuição.
Panvel aposta na força regional e na consistência operacional
A Panvel aparece no relatório como outra empresa com perspectivas relativamente resilientes, beneficiada pelas características defensivas do mercado farmacêutico.
Diferentemente da Raia Drogasil, para a qual o banco analisa o crescimento dos medicamentos GLP-1 como fator importante, a análise da Panvel enfatiza seu posicionamento regional e a consistência da execução operacional.
Os analistas dizem que esses fatores, combinados à demanda relativamente estável por produtos farmacêuticos, oferecem suporte às perspectivas da companhia em um ambiente de consumo enfraquecido.
A força da atuação regional é apontada como um diferencial da rede, enquanto a continuidade de sua estratégia operacional contribui para sustentar o desempenho do negócio.
Embora não esteja imune às pressões macroeconômicas, a Panvel apresenta, segundo os analistas, características que podem favorecer seu desempenho relativo diante de empresas mais expostas às oscilações do crédito e dos gastos discricionários.
Para Magalu e Assaí, banco aponta para direção oposta
O relatório também dimensiona os efeitos da manutenção dos juros elevados sobre os resultados de empresas mais sensíveis ao cenário macroeconômico. Segundo o BTG Pactual, cada ponto percentual adicional na Selic, em relação ao cenário considerado pelo banco, poderia reduzir o lucro projetado para 2027 em 10% no Assaí (ASAI3) e 8% no Magazine Luiza (MGLU3). Vale lembrar que os juros estão em trajetória de baixa, ainda que lenta, desde março deste ano, hoje a 13,75%.
As estimativas partem de uma taxa básica de 12,5% ao final do próximo ano e evidenciam os riscos de uma trajetória de queda dos juros menos intensa do que a esperada. Além de ampliar as despesas financeiras das companhias, a manutenção de condições monetárias restritivas tende a limitar o crédito e o poder de compra das famílias, pressionando o varejo.
A inteligência é artificial. A paralisia é humana.
Por: Eduardo Tracanella
Nunca se investiu tanto para fazer máquinas pensarem enquanto se impede, com método e disciplina, que pessoas façam o mesmo.
Compram-se licenças caras, contratam-se consultorias e celebram-se minutos economizados em prompts. Em seguida, convocam-se oito pessoas para uma reunião de alinhamento sobre uma decisão que ninguém na sala tem autonomia para tomar.
A tecnologia corre, mas o organograma segue analógico onde mais importa: na centralização covarde do poder, no pânico de errar e no hábito de sufocar ideias antes do primeiro teste.
Adotar IA sem distribuir autonomia é colocar um motor de ponta e continuar empurrando a carroça com as mãos.
Talvez o maior mérito da inteligência artificial não seja a velocidade que entrega, mas o constrangimento que escancara: o espelho incômodo de tudo aquilo que as empresas sempre proibiram seus talentos de fazer.

Alexandre B. Skowronsky lança “O Poder do Briefing” na Feira do Livro de Porto Alegre
Alexandre B. Skowronsky, fundador e CEO da Agência Global, convida o público para o lançamento oficial da sua obra O Poder do Briefing: Como Transformar Clareza em Impacto na Era da Inteligência. Fruto de décadas de experiência em comunicação, estratégia e inovação, a obra propõe caminhos práticos para formular problemas com rigor, integrar a inteligência artificial aos negócios e converter ideias em impacto tangível. A sessão de autógrafos decorre no domingo, dia 15 de novembro, às 16h, no Pavilhão de Autógrafos da Feira do Livro de Porto Alegre, na Rua Sete de Setembro, reunindo profissionais, leitores e entusiastas da área para uma tarde dedicada à troca de ideias e à celebração do pensamento crítico na gestão contemporânea.
Eletromidia planeja digitalizar todas as telas e investir R$ 1 bilhão até 2031
Companhia quer elevar alcance de 64 milhões para 100 milhões de pessoas e aumentar de 90 mil para 150 mil o número de telas no país.
Por Luana Dandara, Valor — São Paulo
A Eletromidia anunciou um plano de investimento de R$ 1 bilhão até 2031 com o objetivo de acelerar a transformação digital dos seus ativos de mídia out-of-home. A meta central consiste em expandir a rede de 90 mil para 150 mil telas ativas, ampliando o alcance diário de 64 milhões para 100 milhões de pessoas em todo o Brasil.
A estratégia marca a passagem definitiva do modelo estático tradicional para a publicidade digital fora de casa (DOOH), destacando-se quatro frentes essenciais:
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Digitalização em massa: Substituição progressiva de painéis estáticos urbanos por soluções dinâmicas e duplicação da presença em elevadores residenciais e corporativos, subindo de 50 mil para 100 mil telas.
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Expansão rodoviária: Entrada em 12 rodovias através de uma joint venture com as concessionárias Motiva e EcoRodovias, integrando comunicação publicitária com alertas de trânsito e informação de serviço público em tempo real.
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Inteligência artificial aplicada ao meio: Lançamento da ferramenta MIA, concebida para otimizar peças criativas de forma dinâmica segundo variáveis como iluminação, contraste, condições meteorológicas e fluxo de circulação.
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Métricas e validação de ROI: Parcerias com plataformas estatísticas para comprovar a eficácia do canal na conversão de vendas e na recordação de marca através de modelos avançados de atribuição.
O movimento reflete o novo patamar da comunicação out-of-home: um ecossistema conectado onde relevância de dados, flexibilidade de mensagem e precisão analítica substituem de vez a mera ocupação física do espaço urbano.
Varejo deve movimentar R$ 296 bi em novembro com Black Friday, diz pesquisa
Projeção representa uma queda de 2,5% na comparação com o mesmo período do ano passado em meio a cenário mais desafiador para as vendas
Por: Marien Ramos, da CNN Brasil, em São Paulo
A Black Friday está se aproximando e o varejo se prepara para a movimentação tradicional de compras. Em novembro, os segmentos de supermercados, vestuário, calçados, móveis, eletrodomésticos e outros devem movimentar R$ 296,8 bilhões, segundo estimativas da IEMI – Inteligência de Mercado.
Apesar do valor, esse número representa uma queda de 2,5% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando o volume financeiro alcançou R$ 304,4 bilhões.
Já no acumulado do ano, o cenário mostra uma recuperação. A expectativa é de faturamento de R$ 3,43 trilhões em 2026, avanço de 0,9%, de acordo com a IEMI.
A Black Friday está prevista para a última sexta-feira do mês, dia 27 de novembro, e é marcada por promoções e aumento na demanda por parte dos brasileiros.
A ABVTEX (Associação Brasileira do Varejo Têxtil) destaca que esse movimento coincide com maiores desafios para o mercado de moda nacional, principalmente por conta do fim da “taxa das blusinhas”.
A tributação federal incidia sobre compras internacionais de até US$ 50 em sites do exterior. A medida começou a valer em agosto de 2024, mas em setembro deste ano o presidente Lula decretou o fim da taxa. Agora, esses produtos são sujeitos somente a tributos estaduais, como o ICMS.
De acordo com Edmundo Lima, presidente da ABVTEX, a Black Friday é uma oportunidade importante para o varejo e para os consumidores, mas também evidencia a necessidade de condições justas de concorrência.
Esse movimento ganha outros contornos quando se trata do varejo eletrônico brasileiro, que deve movimentar R$ 13,3 bilhões durante a data de descontos. A expectativa representa um crescimento de 20,7% em relação ao mesmo período do ano passado.
Agentes de compras com IA podem ameaçar os negócios de Amazon e Walmart
Ferramentas digitais que realizam pedidos automatizados colocam em risco setor de publicidade nos Estados Unidos
Por: Juveria Tabassum, Nicholas P. Brown e Arriana McLymore, da Reuters

O crescimento das compras guiadas por inteligência artificial está representando um dilema para varejistas como Walmart e Amazon. Como permitir que agentes de IA façam compras em seus sites, sem ameaçar suas lucrativas receitas de publicidade e os dados dos clientes que as alimentam?
As gigantes do varejo também são as duas maiores empresas de mídia de varejo do mundo, dominando o mercado de mídia de varejo dos Estados Unidos, estimado em US$ 74,4 bilhões, com uma participação combinada de 88%, segundo projeções da empresa de dados eMarketer. Mas os assistentes digitais podem em breve revolucionar esse setor.
Agentes com inteligência artificial que podem pesquisar e comprar produtos em nome dos consumidores — como o recém-lançado Muse, da Meta — podem corroer o negócio altamente lucrativo de marcas que pagam varejistas para promover produtos em seus sites e aplicativos. Pesquisadores do Morgan Stanley afirmaram em julho que esses agentes podem representar de 10% a 20% dos gastos com comércio eletrônico nos EUA até 2030.
A Amazon e o Walmart estão adotando abordagens diferentes para compras com IA assistida. A Amazon bloqueou o Muse, enquanto o Walmart está oficialmente em parceria com a ferramenta da Meta.
Até o momento, não há nenhum impacto significativo de agências terceirizadas sobre os anúncios da Amazon, afirmou o CEO da Amazon, Andy Jassy, na semana passada.
No entanto, o crescimento de 11% na receita de publicidade da empresa no terceiro trimestre, em comparação com o mesmo período do ano anterior, foi o ritmo de crescimento mais lento em quase quatro anos, segundo dados da LSEG. O segmento representa consistentemente cerca de 10% do faturamento líquido total.
Diferentes abordagens
Em setembro, a Amazon proibiu o acesso da Muse ao seu site, alegando que a empresa aparentemente havia acessado sua loja online sem autorização, capturando e armazenando credenciais de clientes. A Meta se recusou a comentar.
A líder do comércio eletrônico disse à Reuters esta semana que os agentes terceirizados devem operar de forma transparente e respeitar as decisões dos provedores de serviços sobre participar ou não do processo.
Em março, a Amazon também obteve uma liminar judicial bloqueando o agente de compras Comet, da Perplexity, embora o Tribunal de Apelações do 9º Circuito dos EUA tenha anulado a proibição em agosto, decisão com a qual a Amazon disse discordar. O caso ainda está em andamento.
Por outro lado, o Walmart implementou a infraestrutura necessária em 21 de outubro para permitir o comércio por meio de agentes de terceiros. Quando um cliente utiliza um agente para navegar, o Walmart cria um perfil para esse agente, vinculado à conta do cliente. Os consumidores podem aprovar compras ou definir limites de gastos.
Em agosto, o diretor financeiro do Walmart, John David Rainey, disse a analistas e investidores que a publicidade, que inclui o negócio de mídia de varejo Walmart Connect, juntamente com suas operações de assinatura e marketplace, representou 45% do crescimento do lucro operacional trimestral.
A empresa não divulga os números do Walmart Connect separadamente em seu relatório de resultados.
Dan Marc, CEO da plataforma de mídia para varejo Footprints AI, disse que espera que empresas como Amazon e Walmart comecem a fechar contratos de publicidade plurianuais com seus maiores anunciantes para garantir essas receitas, e também prevê mais descontos em anúncios de mídia digital para varejo à medida que os consumidores se voltam para modelos de linguagem mais abrangentes e ferramentas interativas. O Walmart se recusou a comentar.
Mudanças no cenário de marketing
O analista da Morningstar, Brett Husslein, afirmou que o momento representa “uma evolução, e não uma ameaça existencial” para a mídia no varejo. As projeções da eMarketer indicam que as marcas devem investir 22,6% a mais em mídia no varejo em 2026 do que os US$ 60,7 bilhões do ano passado.
Este ano, o Walmart começou a testar anúncios dentro do Sparky, seu chatbot de compras com inteligência artificial, assim como a Amazon os incorporou em sua assistente de compras com IA, a Alexa for Shopping.
Segundo especialistas e consultores do setor, a publicidade feita por bots pode depender menos de apelo visual ou ressonância emocional, e mais de dados específicos do produto que correspondam às consultas dos clientes, utilizando chatbots com IA.
Empresas como Procter & Gamble, Nestlé e L’Oréal afirmaram estar tentando tornar as informações sobre produtos mais acessíveis para agentes de IA.
Esses agentes estão aproximando as marcas dos consumidores, afirmou Andrew Lederman, vice-presidente de comércio digital global da Mondelez, em um podcast em abril. Ele acrescentou que os sites de mídia de varejistas ainda são responsáveis pela grande maioria do volume de tráfego da empresa.
“Não estamos recomendando que os clientes mudem radicalmente seus orçamentos de mídia para o varejo da noite para o dia”, disse Amie Owen, diretora de clientes da consultoria de comércio digital Flywheel. “Mas estamos aconselhando-os a se prepararem para como a descoberta e as decisões de compra podem evoluir”.
Katherine Black, consultora sênior da Kearney, prevê uma mudança radical, na qual a mídia de varejo eventualmente evoluirá para uma espécie de “sistema de licitação”, onde os agentes buscam um produto dentro da faixa de preço que o consumidor está disposto a pagar, e os varejistas definem os preços máximos e mínimos.
“Todos os varejistas precisam pensar em novas maneiras de interagir com os consumidores”, disse Black.
O preço de bater meta: quanto ganha o time comercial nas PMEs de São Paulo (e onde as empresas erram)
Por: Roberto Colleti
Contratar bem em vendas virou um jogo de alto risco. No mercado paulista, a disputa por profissionais que entregam receita previsível e constroem relacionamento de longo prazo inflacionou o passe das equipes comerciais. Se você lidera uma pequena ou média empresa, calibrar a remuneração virou pré-requisito básico de sobrevivência.
A mediana salarial de São Paulo desenha com clareza o patamar atual do mercado:
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Diretor(a) Comercial: R$ 33,6 mil
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Gerente Nacional de Vendas: R$ 26,25 mil
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Gerente Regional de Vendas: R$ 17,85 mil
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Executivo(a) de Contas: R$ 12,6 mil
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Inside Sales (SDR): R$ 8,4 mil
O erro mais comum dos gestores, no entanto, é achar que a conversa termina no contracheque básico. Esse valor é apenas o piso de entrada,o fixo que compra o tempo e a dedicação inicial.
Em vendas, o que realmente retém os melhores profissionais, alinha ambição com resultado e evita o turnover destrutivo é o variável. Uma política de comissão transparente, sem teto artificial e com metas alcançáveis faz a diferença entre um time passivo e uma operação agressiva de crescimento.
E na sua operação: você está pagando para atrair os melhores ou apenas cobrindo o básico para não perder quem já está aí?
A miopia do valor: por que 82% dos líderes esperam mais do Marketing, mas quase ninguém mede o que ele entrega
Por: Gian Martinez
Existe um abismo silencioso entre a expectativa do C-level e a realidade da gestão contemporânea: 82% dos líderes acreditam firmemente que o Marketing poderia gerar muito mais valor para os negócios. No entanto, apenas 21% afirmam que esse valor é plenamente compreendido e mensurado.
O dado, revelado pelo estudo global Marketing2030 do Institute for Real Growth (IRG), expõe uma urgência clara. O desafio que temos pela frente não é simplesmente fazer a área produzir mais campanhas ou gerar mais entregáveis; é garantir que o impacto já gerado seja de fato traduzido, reconhecido e amplificado pelas lideranças que tomam as decisões estratégicas.
Nesse cenário, o papel da liderança de marketing precisa se reinventar. O CMO deixa de ser apenas o maestro da comunicação para assumir a função de World Window: a lente que conecta o que está acontecendo do lado de fora, nas mudanças culturais, nos novos hábitos de consumo, na sociedade e nas transformações tecnológicas, diretamente ao coração do negócio.
Mais do que apenas construir marcas admiradas, a verdadeira fronteira do marketing hoje é ajudar a desenhar empresas mais relevantes e preparadas para o futuro.
Essa discussão ganha tração imediata. Amanhã, em São Paulo, o IRG e a Winnin reúnem lideranças em um encontro exclusivo com a presença de Marc de Swaan Arons, fundador do IRG, para dissecar os achados globais da pesquisa e aprofundar suas implicações práticas para o mercado brasileiro.
A pergunta fundamental já está posta na mesa: sua operação de marketing ainda é vista como centro de custo decorativo ou já conquistou o espaço de visão de mundo que o seu negócio precisa para crescer?
A conta do crescimento: como o varejo de moda fatura bilhões em meio ao crédito caro e à disputa implacável por margem
Por: Thiago de Melo Furbino
Às vésperas da divulgação dos balanços do terceiro trimestre, olhar pelo retrovisor do setor de moda revela um cenário de contrastes profundos. As oito maiores companhias do segmento somaram cerca de R$ 14,9 bilhões em receita líquida no segundo trimestre. O avanço absoluto impressiona, mas precisa ser interpretado diante de um ambiente econômico adverso, marcado por 84,2 milhões de inadimplentes e uma taxa Selic em 13,75% ao ano.
O custo elevado do dinheiro aperta as duas pontas da operação. Do lado do consumidor, comprime o crédito e restringe o consumo discricionário. Do lado corporativo, encarece o financiamento de estoques e a rolagem de passivos, reduz o retorno de novos projetos e exige disciplina cirúrgica na alocação de capital. As redes mais alavancadas, principalmente aquelas com dívidas atreladas a juros pós fixados, sofrem erosão imediata na linha do resultado financeiro.
Na divisão de forças, a Lojas Renner manteve a liderança em faturamento líquido, atingindo R$ 4,201 bilhões, com vendas mesmas lojas de 1,5% em vestuário e avanço digital de 13,1%, que hoje representa 16,9% da receita. A Riachuelo alcançou R$ 2,692 bilhões, com expansão de 3,3% e vendas mesmas lojas em vestuário de 7,8%. A recém combinada Azzas 2154 reportou R$ 2,664 bilhões, ancorada na força de marcas consolidadas e portfólio diversificado.
O Grupo SBF acelerou com salto de 22,1%, totalizando R$ 2,219 bilhões sob o impulso de Centauro, Fisia e itens ligados ao calendário esportivo global. A C&A Brasil registrou R$ 2,082 bilhões, com destaque para a expansão de 33,3% nos canais digitais. Em outro patamar de faturamento e em reestruturação, a Lojas Marisa teve receita de R$ 386 milhões, retração de 2,1%, ainda que tenha sustentado vendas mesmas lojas positivas de 3,2%.
No nicho de maior valor agregado, a Veste alcançou R$ 353 milhões, avanço de 9,5%, colhendo os primeiros reflexos consistentes de sua virada operacional voltada ao segmento premium. A Track&Field somou R$ 280 milhões, salto de 15,5%, impulsionada pelo ecossistema de bem estar, iniciativas com foco em comunidade e foco em experiência de compra.
Os braços financeiros continuam sendo uma engrenagem vital e sensível das varejistas. A Midway, da Riachuelo, gerou R$ 684,2 milhões em receitas de serviços financeiros. A Realize, da Renner, somou R$ 509 milhões em receitas líquidas de captação. O C&A Pay contribuiu com R$ 93,4 milhões. Embora utilizem metodologias e formatos contábeis distintos, todas traduzem o desafio de alavancar vendas sem deteriorar a qualidade do risco da carteira.
Para os próximos balanços, receita bruta e vendas mesmas lojas contarão apenas parte da história. A atenção do mercado recai sobre margem bruta, níveis de estoque, geração de caixa livre e despesas com juros. O impacto da proibição das apostas esportivas irregulares, cujas restrições começaram no encerramento de setembro e outubro, ainda não aparecerá com clareza agora. Qualquer migração dessa renda para o consumo de moda é uma tese a ser comprovada, não uma garantia.
Entre a invasão contínua das plataformas internacionais e a nova realidade tributária do comércio eletrônico transfronteiriço, o divisor de águas não será apenas o tamanho da receita. A liderança pertencerá a quem transformar inteligência artificial, sortimento assertivo, precificação dinâmica e gestão de relacionamento em fluxo de caixa, recorrência e preservação do capital. Em tempos de crédito proibitivo, faturar muito é um feito, mas gerar lucro líquido sustentável é o verdadeiro jogo.
Do papel vegetal à palma da mão: os bastidores da criação da Claro Digital e o nascimento da mobilidade no Brasil
Eu pertenço a uma geração privilegiada que testemunhou a transição mais intensa da história recente, vendo o mundo analógico dar lugar à velocidade das redes digitais em um piscar de olhos.
Iniciei minha trajetória desenhando pranchas e plantas inteiramente à mão. Acompanhei os primeiros computadores ocuparem espaço nas mesas de trabalho, a internet discada revolucionar nossas rotinas e os primeiros aparelhos celulares chegarem às ruas. Para quem não viveu aquele período, ter uma linha fixa residencial declarada no imposto de renda era visto quase como um bem imobiliário. A ideia de carregar um escritório inteiro no bolso e trabalhar de qualquer lugar soava como pura ficção científica.
Atravessei essa virada sob três óticas complementares: como consumidor, como arquiteto e como estrategista na concepção de marcas que ajudaram a pavimentar essa nova realidade. Uma das grandes vantagens de ser um imigrante digital é guardar a memória nítida do mundo analógico e, ao mesmo tempo, ter colocado a mão na massa para edificar os alicerces do que viria a seguir.
No final da década de 1990, impulsionado pela privatização das telecomunicações e pela chegada da concorrência, participei diretamente, na equipe do GAD, da criação e do lançamento da Claro Digital. Era uma operadora que nascia no Rio Grande do Sul e enfrentava o desafio de construir do zero sua própria identidade, a arquitetura de suas lojas de varejo e uma nova dinâmica de atendimento ao público.
A identidade original surpreenderia quem só conhece a versão atual: a Claro era verde, adotava um papagaio carismático como símbolo e carregava um tom muito mais descontraído e local. Além do design da marca gráfica, nosso escopo envolveu a concepção completa dos espaços físicos comerciais e a marcante intervenção visual na torre de telecomunicações do Morro Santa Tereza, que se transformou rapidamente em um cartão postal iluminado na paisagem urbana de Porto Alegre.
O sucesso daquela estratégia regional foi tão expressivo que, em 2003, o grupo controlador decidiu aproveitar o prestígio e o reconhecimento da operação gaúcha para unificar diversas companhias estaduais sob uma única bandeira nacional, consolidando a Claro que conhecemos hoje em todo o país.
Na edição de amanhã da minha newsletter, convido você a revisitar esse Brasil efervescente do fim dos anos 1990. Compartilho histórias de bastidores, detalhes técnicos pouco conhecidos sobre o nascimento da operadora e reflexões sobre uma época que definiu a nossa relação contemporânea com a tecnologia e o consumo.
A força dos grandes palcos: como o Auditório Araújo Vianna faz girar a economia gaúcha
Porto Alegre e o Rio Grande do Sul encontram na efervescência cultural um dos seus maiores motores de desenvolvimento. Graças à curadoria e à atuação do Grupo Opinião na gestão do Auditório Araújo Vianna, a capital gaúcha se consolida como rota obrigatória dos principais espetáculos e turnês do país.
Esse movimento vai muito além do entretenimento no palco. Mês a mês, mais de cinquenta mil pessoas circulam pelo espaço, gerando um efeito multiplicador direto em toda a cadeia produtiva local. O público consome transporte por aplicativo, lota a rede hoteleira, movimenta bares e restaurantes e fortalece o comércio, provando que o investimento em cultura é uma alavanca poderosa de geração de renda, emprego e turismo para o Estado.
Caldeira Talks: O que o Brasil leva para o SXSW?
Uma parceria de peso entre o Instituto Caldeira e a ARP traz a Porto Alegre um encontro exclusivo na próxima segunda-feira, 9 de novembro, das 17h às 19h. De passagem pela capital para lançar a obra “O Mundo Todo é Bahia” na Feira do Livro, Tracy Mann participa de um papo intimista com vagas concorridas no Instituto Caldeira sobre a força da criatividade brasileira na conversa global do SXSW e os rumos até a edição de 2027. Nova-iorquina de nascimento e brasilianista de coração, Tracy viveu no país nos anos 70, estudou na UFBA e na prestigiada Berklee College of Music, construindo uma sólida trajetória como elo entre a nossa cultura e o exterior. Responsável pelas versões em inglês de clássicos de Gilberto Gil, Caetano Veloso, Milton Nascimento e Djavan, além de conduzir lançamentos de nomes como Maria Rita e Seu Jorge nos Estados Unidos, hoje ela atua como embaixadora no Brasil do South by Southwest. Diante de um público restrito, será uma oportunidade imperdível de escutar quem transita com naturalidade absoluta pelos bastidores do maior festival de inovação do planeta, onde os brasileiros formam a principal delegação internacional.
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