Você vai ler na coluna hoje: SpaceX e o preço da governança frouxa, A “imperfeição humana” virou o novo luxo na era da IA, 25 anos do Leão que colocou o Rio Grande do Sul no mapa da criatividade mundial, Conar revisa regras para a publicidade de bets no Brasil, Globo lidera alcance de notícias no Brasil, aponta Digital News Report 2026.
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SpaceX e o preço da governança frouxa
Por Fernando Röhsig – Conselheiro de Administração (CCA – IBGC)
O IPO da SpaceX, em junho, transformou Elon Musk no primeiro trilionário da história. Mas o episódio expõe menos um triunfo empresarial do que uma questão estrutural sobre governança, formação de preços e funcionamento do mercado de capitais. A empresa chegou ao mercado com uma avaliação próxima de US$ 1,8 trilhão – múltiplos extraordinariamente elevados em relação à sua receita. Parte relevante dessa precificação repousa não apenas sobre resultados presentes, mas sobre expectativas de mercados ainda em formação: inteligência artificial, infraestrutura orbital, conectividade global e exploração espacial.
O problema começa quando projeções de futuro passam a exercer peso excessivo sobre o preço presente – especialmente em uma estrutura de mercado com baixa disponibilidade inicial de ações. No IPO, menos de 5% do capital ficou disponível para negociação pública, criando uma combinação conhecida: escassez de oferta, demanda extraordinária e uma narrativa empresarial praticamente impossível de comparar pelos parâmetros tradicionais.
A questão se tornou ainda mais relevante com a rápida inclusão da SpaceX no Nasdaq-100. A entrada em um grande índice amplia automaticamente a demanda por ações, pois fundos passivos e ETFs que o replicam precisam ajustar suas carteiras à nova composição. Aqui está o ponto central de governança: quando um ativo de avaliação extrema passa rapidamente a integrar índices de referência, parte do risco deixa de ser uma decisão exclusiva de investidores que escolheram apostar naquela empresa. Ele passa, indiretamente, para milhões de poupadores expostos a fundos indexados.
Quando as ações caíram fortemente após o entusiasmo inicial do IPO, o impacto foi absorvido pelo mercado. Elon Musk, maior acionista e controlador da companhia, preservou uma participação gigantesca e continuou entre os maiores beneficiários da valorização extraordinária criada pela abertura de capital. O episódio revela três questões que a governança de mercado deveria enfrentar com maior rigor: a transparência dos critérios para inclusão de empresas em grandes índices; a qualidade e a rastreabilidade das projeções que sustentam avaliações bilionárias; e a concentração de poder em companhias cujo fundador exerce influência extraordinária sobre a empresa e sua narrativa de mercado.
Índices não são apenas vitrines. São mecanismos de alocação de capital. Movimentam trilhões de dólares e influenciam diretamente as poupanças de investidores comuns. Por isso, critérios de elegibilidade precisam ser claros, consistentes e resistentes à pressão do mercado. Do contrário, a maturação deixa de ser uma salvaguarda e passa a ser apenas um detalhe negociável.
E quando isso acontece, o risco da euforia deixa de ser individual. Ele é socializado entre milhões de poupadores que, muitas vezes, jamais escolheram participar da aposta. Esse é, afinal, o preço da governança frouxa.
A “imperfeição humana” virou o novo luxo na era da IA
Por Mateus Piveta, Fundador da PVT Gestão Estratégica
A história da humanidade nos revela que a busca pela perfeição sempre foi uma utopia, talvez até uma fuga da realidade imperfeita na qual vivemos. Cada folha de uma árvore é diferente da outra, suas nervuras traçam mapas únicos, caminhos que a seiva percorre guiada pelo vento, pela luz e pelo acaso do crescimento. Na natureza não há duas folhas iguais, e justamente essa irregularidade orgânica é que mantém a árvore viva. Se a natureza buscasse a simetria matemática, certamente ela não seria tão bela e a vida poderia até mesmo não existir.
Os grandes gênios da nossa história, como Leonardo da Vinci, Michelangelo, os filósofos gregos e os poetas românticos não eram celebrados por sua precisão técnica, mas por sua visão única de mundo. Eles viam o que ninguém mais via e representavam ângulos diferentes do que , para muitos , era uma imperfeição , com a habilidade de revelar a beleza onde ela não estava tão aparente.
Suas mãos imperfeitas traduziam mentes inquietas. O traço torto de um esboço de Da Vinci, a pincelada intensa de Michelangelo, a palavra escolhida a dedo por um poeta carregava a assinatura essencialmente humana.
Porém, com a primeira Revolução Industrial, a humanidade passou a medir seu progresso pela capacidade de criar ferramentas que fizessem o trabalho pesado por nós. Substituímos os músculos e, posteriormente, com a Revolução Digital, buscamos substituir também nossa capacidade de pensar. E agora, a Inteligência Artificial promete substituir também a criatividade.
O filósofo estoico Sêneca era radicalmente prático e falava que o conhecimento só tem valor se for vivido, testado e sofrido. Não adianta ter uma biblioteca na cabeça se você não aplicar aquilo no dia a dia. O conhecimento encarnado, para ele, é a sabedoria que nasce da experiência, das dificuldades, das imperfeições da vida real. Ou seja, enquanto as ferramentas buscam a perfeição matemática, o humano busca a beleza na imperfeição. E parece que muitas pessoas estão despertando novamente para esse olhar.
E no contexto corporativo, esse movimento não chega por mero saudosismo, mas por estratégia. Estamos vivendo o que eu gosto de chamar de ‘O Velho Novo Papel do Ser Humano’. Isso porque, curiosamente, no exato momento em que a máquina aprendeu a pintar, escrever e criar, grandes marcas mundiais como Hermès, L’Oréal, Unilever, Polaroid, Heineken e LEGO estão deixando os pincéis digitais de lado e voltando aos pincéis reais, os mesmos que presentearam o mundo com quadros exuberantes, poemas memoráveis e desenhos animados que marcaram gerações.
Esse movimento vem como resposta aos consumidores cansados do que já chamam de “AI slop” (conteúdo genérico e sem vida). As marcas citadas não estão abandonando a tecnologia. Estão, na verdade, usando a tecnologia para valorizar o humano. Elas entenderam que, em um mar de conteúdo raso gerado por algoritmos, o “feito por mãos humanas” se tornou o novo oceano azul. O erro deliberado, o traço instável, a escolha imprevisível voltaram a ser luxo.
Ouso fazer uma previsão: as marcas que sobreviverão à próxima década não serão aquelas que produzem conteúdo mais rápido ou mais barato. Serão aquelas que entenderem que o ser humano, com suas dúvidas, suas curvas, suas escolhas imprevisíveis e sua perfeita imperfeição, continua sendo o único capaz de gerar significado em escala.
O Renascimento está de volta. E, desta vez, o patrocínio é das grandes corporações.
25 anos do Leão que colocou o Rio Grande do Sul no mapa da criatividade mundial
Há 25 anos, uma ideia simples, criada em Porto Alegre para um desodorante, conquistava o Leão de Ouro em Cannes e fazia história como a primeira, e até hoje única, conquista de Ouro de uma agência gaúcha no maior festival da publicidade mundial.

Em 2001, uma agência gaúcha ousou chegar onde nenhuma outra do Rio Grande do Sul havia chegado. A Upper, de Porto Alegre, conquistava em Cannes o Leão de Ouro na categoria Media Lions. Era um feito inédito para uma agência instalada fora do eixo Rio–São Paulo e, 25 anos depois, continua sendo uma marca histórica: a Upper permanece como a única agência gaúcha a ter conquistado um Leão de Ouro no maior festival de criatividade do mundo.
Por trás daquele troféu havia uma ideia aparentemente simples.
Para o desodorante Senador, da Memphis, a equipe criou uma mídia que transformava o próprio comportamento do consumidor em demonstração do produto. Um adesivo era aplicado nas barras internas dos ônibus de Porto Alegre e grande Porto Alegre com a frase: “Quem usa Senador, levanta o braço.”
Era uma solução de mídia de baixo custo, mas de enorme poder de associação. Quem estava em pé dentro do ônibus naturalmente levantava o braço para segurar a barra. E era justamente naquele momento que a mensagem do produto fazia sentido.
A criação reunia Cado Bottega e Luiz Henrique Rosa, na direção de criação, com a participação de Daniela Ferreira e de outros profissionais que integravam a equipe da Upper naquele período. A ideia também contou com a visão do publicitário Ricardo Silveira, que acreditou na proposta e ajudou a viabilizá-la.
Naquele momento, ninguém imaginava exatamente até onde aquela pequena peça poderia chegar.
“Claro que quando inscrevemos a peça, nossa perspectiva era baixa”, lembra um dos profissionais envolvidos na conquista. Afinal, mesmo as grandes agências gaúchas ainda não haviam colocado um Leão de Ouro de Cannes em suas prateleiras.
Havia, porém, quem acreditasse que aquela ideia merecia ser vista pelo mundo.
Um desses incentivadores foi Rafael Sampaio, uma das grandes referências da publicidade brasileira e um dos profissionais que mais acompanharam e estimularam a presença brasileira no Festival de Cannes. Depois de conhecer a peça, Sampaio incentivou a equipe a inscrevê-la e conversou com Gil Kurtz, um dos sócios da agência, para que a ideia fosse em frente.
O conselho se transformou em história.
Quando o resultado chegou, aquela ideia criada em Porto Alegre havia vencido em Cannes.
E não era apenas uma vitória da Upper. Era uma vitória da criatividade gaúcha.
Era a prova de que uma boa ideia não precisa nascer em São Paulo, no Rio de Janeiro ou em qualquer grande centro internacional para conquistar o mundo. Pode nascer em uma agência de Porto Alegre, observar um detalhe cotidiano de quem anda de ônibus e transformar esse detalhe em uma solução criativa capaz de convencer um júri internacional.
Vinte e cinco anos depois, o Leão continua sendo único.
Único para o Rio Grande do Sul. Único para a Upper. E único para todos aqueles que participaram de uma conquista que ultrapassou os limites de uma agência, de uma campanha e de uma geração.
Cannes ficou para a história.
Mas a história também ficou com Cannes.
E, desde 2001, toda vez que se fala da criatividade gaúcha no maior festival da publicidade mundial, existe um nome que inevitavelmente aparece: Upper.
Um Leão de Ouro. Uma ideia simples. Uma agência gaúcha.
E 25 anos de orgulho.
Conar revisa regras para a publicidade de bets no Brasil
Entre as novas diretrizes está a criação de um programa de credenciamento para habilitar influenciadores a divulgarem casas de apostas
Por Bárbara Sacchitiello (Meio & Mensagem)
Nesta sexta-feira, 28, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) divulgará a nova versão do Anexo X, documento que reúne as diretrizes éticas para a publicidade de empresas de apostas esportivas no Brasil (bets).
Elaborado inicialmente em dezembro de 2023, o Anexo X foi atualizado a partir de resoluções decorrentes do Grupo de Trabalho Apostas, criado pela entidade para avaliar o teor da comunicação das empresas do segmento, que nos últimos anos passaram a figurar de forma abundante na mídia brasileira.
Além das novas diretrizes do Anexo X, o Conar também apresentará o “Quadro de Autorregulamentação da Publicidade de Apostas” e o “Checklist de proteção a crianças e adolescentes no âmbito da publicidade de apostas”.
Os textos foram aprovados nessa quinta-feira, 27, pelo Conselho de Ética do Conar, em assembleia presidida por Eduardo Simon, CEO da Galeria Holding e que, em julho, assumiu a presidência da entidade de autorregulamentação.
As novas diretrizes para a publicidade de bets
De acordo com o Conar, as novas medidas do Anexo X e dos demais documentos têm por objetivo ampliar a responsabilidade e estabelecer diretrizes de conformidade para a publicidade das bets, especialmente no que diz respeito à proteção de grupos vulneráveis.
No geral, as diretrizes que já constavam na versão anterior do Anexo X são mantidas, com o acréscimo de alguns termos, como a ampliação das frases de advertência, conforme determinado recentemente por uma portaria governamental.
As novas diretrizes também abordam a relação entre influenciadores e as plataformas de apostas. O Quadro do Conar determina uma ampliação tanto do controle como do acompanhamento desse tipo de conteúdo e prevê a criação de um programa de credenciamento para influenciadores habilitados à divulgação publicitária de bets, com acompanhamento das postagens.
A respeito da proteção a crianças e adolescentes, o novo conjunto de regras restringe o uso de qualquer elemento de apelo infantojuvenil (como mascotes e animais humanizados) nas peças de comunicação das bets, além de determinar que as plataformas, em seus sites e perfis próprios, tenham mecanismos de controle para verificação de idade dos usuários.
A questão das bets
Durante a Copa do Mundo, o Conar chegou a determinar a suspensão de três anúncios publicitários das empresas de apostas Betnacional, Bet365 e KTO, que haviam sido veiculadas durante as transmissões da CazéTV.
De acordo com interpretação da entidade, os anúncios feriram as diretrizes do Anexo X por divulgarem ao público as chamadas odds, ou seja, as probabilidades numéricas das apostas, de forma a induzir o público a aderir aos jogos.
Desde então, os debates do assunto ganharam mais força e o Conar acelerou as atividades do Grupo de Trabalho dedicado ao assunto.
Em paralelo, as empresas de apostas também enfrentam restrições de publicidade junto a outras esferas. Os municípios do Rio de Janeiro e Belo Horizonte, por meio de decreto, proibiram os anúncios de bets em espaços públicos municipais. Na semana passada, o governo do estado de Minas Gerais também adotou a medida.
Globo lidera alcance de notícias no Brasil, aponta Digital News Report 2026
Por Snac.co
A Globo lidera o alcance semanal de notícias no Brasil tanto nos meios tradicionais quanto na internet, segundo o Digital News Report 2026, do Reuters Institute.
Na TV, rádio e impresso, 41% dos entrevistados disseram ter usado a TV Globo, incluindo o Jornal Nacional, para acessar notícias na semana anterior. A Record TV aparece com 28%, enquanto SBT e O Globo alcançam 21% cada.
Na internet, Globo News online, incluindo o G1, lidera com 35%. Na sequência aparecem UOL, com 31%, Globo.com, com 27%, e O Globo online, com 23%. Assim, três marcas ligadas ao Grupo Globo estão entre as quatro primeiras do ranking digital.
Mas a liderança das marcas tradicionais não significa que a TV ainda seja o principal caminho até as notícias.
O estudo mostra que as redes sociais já superam a televisão em 9 pontos percentuais como fonte semanal de informação no Brasil. Além disso, 33% dos entrevistados acompanham criadores ou influenciadores dedicados principalmente a notícias, enquanto 13% já usam chatbots de IA para essa finalidade.
Fonte: Digital News Report 2026, Reuters Institute for the Study of Journalism. Pesquisa online com 2.024 participantes no Brasil. Os percentuais indicam uso declarado na última semana; as respostas eram múltiplas e não representam participação de mercado.













